SÁBADO, 05-09-2015, ANO 16, N.º 5698
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EUSÉBIO (1942-2014)
Mais de dez mil pessoas nas bancadas da Luz para uma última homenagem a Eusébio (com fotos)
13:40 - 06-01-2014
Desejo cumprido. O corpo de Eusébio está no centro do relvado do Estádio da Luz.

Mais de dez mil pessoas nas bancadas entoam o hino do Benfica, «Ser Benquista», num momento de arrepiante emoção.

Cachecóis ao alto, aplausos e gritos pelo King. «Tu és o nosso rei Eusébio», ouviu-se e ouve-se.

A emoção, expressada em lágrimas, está estampada no rosto de muitos.

Eusébio despediu-se do seu estádio e o seu estádio fica com o pantera negra no coração.

Deixa o relvado ao som de A Portuguesa, o Hino nacional, a prova de que não é apenas um ícone do Benfica é, sobretudo, um ícone da portugalidade.

Na Luz ecoa «Con te partiró», de Andrea Bocelli, nos ecrãs gigantes passam os momentos de uma vida dedicada ao futebol.

Ós adeptos lançam cachecóis para cima do carro funerário que dá a volta ao relvado.

O cortejo fúnebre vai agora percorrer as ruas de Lisboa, até à Praça do Município, antes de rumar à Igreja do Seminário, no Largo da Luz, para a realização da missa de corpo presente.

O funeral está marcado para as 17 horas, no cemitério do Lumiar.

(Atualizada às 13.52 horas)
Redação

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BOLA DE OURO Eusébio da Silva Ferreira foi homenageado esta segunda-feira durante a gala da FIFA em Zurique, Suíça. O Pantera Negra foi recordado na cerimónia que decorre no Palácio dos Congressos com a exibição de imagens do antigo internacional português no Campeonato do Mundo de 1966, em Inglaterra, Simples, mas carregado de simbolismo, o tributo ao King mereceu os aplausos de toda a plateia.
EUSÉBIO (1942-2014) Em declarações à Rádio Renascensa, o antigo ministro da Economia Daniel Bessa mostrou não ser contra o facto de os restos mortais de Eusébio irem para o Panteão Nacional. «Vou fazer um meã culpa: não sou um aristocrata de nascimento, mas tornei-me um aristocrata da valorização da ciência, da universidade, do conhecimento, de achar que esses são os vínculos fundamentais de promoção e valorização humana. Mas aqui está o meu ponto fraco: quando olho para uma pessoa como o Eusébio – e é di

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O princípe dos ´red devils´ vale mais que Ronaldo mas Rooney não o conhecia...
Estilos e Espantos Portugal tem hoje em Alvalade uma prova de fogo – não só vai reencontrar a temível Seleção Francesa como procura uma vitória que teima em aparecer há mais de 40 anos. Ronaldo nunca marcou à França, seleção face à qual Portugal perde consecutivamente desde o 2-0 de 26 de abril de 1975, num particular disputado em Paris. Mas desta vez será diferente. No banco dos réus estará Anthony Martial, o homem mais conhecido nos últimos dias por Inglaterra. Há quem diga que é o sucessor de Thierry Henry, mas Rooney nem o conhecia, até que o Manchester United decidiu roubá-lo ao Mónaco por 80 milhões de euros. Um valor grotesco comparado aos 15 milhões que os ´ red devils´ pagaram na altura por Cristiano Ronaldo. Pode não ser nenhum Neymar ou Suárez, mas o certo é que foi comprado a peso de ouro... Eram poucos os que o conheciam, hoje faz manchete nos meios de comunicação – Anthony Martial, a nova estrela do Manchester United que levou o clube à loucura – para o ter, os ´reds´ pagaram ao Mónaco cerca de 80 milhões de euros – um valor grotesco que só a elite mundial conhece - Cristiano Ronaldo, Neymar e até mesmo Luis Suárez. Será mesmo Martial o ´novo Henry´? Em Inglaterra já todos o conhecem como o ´adolescente mais caro no mundo do futebol´. Nascido em Massy, nos subúrbios de Paris, foi descoberto pelos olheiros do Lyon em 2009, tinha na altura 14 anos. Mas a paixão pelo futebol começara antes, deu os primeiros toques na bola aos seis anos, no CO Les Ulis, a mesma equipa por onde passou Thierry Henry, o ídolo do Arsenal que em França todos dizem ser parecido a Anthony Martial. No Lyon permaneceu até fazer a sua estreia profissional em dezembro de 2012, um dia depois de ter completado 17 anos. Apesar da oportunidade precoce, disputou apenas quatro partidas na equipa principal, mas despertou a atenção do Mónaco que pagou ao Lyon, cinco milhões para o levar para o Principado no início da temporada 2013/14. A acomodação não foi fácil, para chegar ao topo tinha que passar por Falcao García, James Rodríguez e Rivière no elenco. Na época de estreia, Anthony Martial atuou em apenas 15 jogos com a esperança que a nova temporada fosse diferente. E assim aconteceu. Na temporada de 2014/15, Martial foi presença constante na equipa de Leonardo Jardim: fez 48 jogos no período, 35 deles na Primeira Liga e 12 golos. Habilidoso e veloz, joga inclusive pelo lado do campo, Martial converteu-se no que Van Gaal precisava, depois do negócio falhado para ver Neymar com a camisola dos ´reds´. As boas atuações levaram-no a ser um dos escolhidos para representar a Seleção Francesa, precisamente onde se encontrava em estágio de preparação para o jogo contra Portugal quando recebeu a notícia – era esperado em Old Trafford para assinar um contrato milionário. «Estou muito empolgado por me juntar ao Manchester United. Sempre quis jogar no Campeonato Inglês e ser contratado pelo maior clube do mundo é tudo o que um jogador jovem sonha». A transferência mais cara A mudança de Anthony Martial do Mónaco para o Manchester United por um valor a rondar os 80 milhões de euros, foi um dos assuntos mais badalados no último dia do mercado de transferências. Uma semana de emoções fortes para o avançado de 19 anos que, além da transferência milionária, foi chamado pela primeira vez à seleção francesa para o jogo particular com Portugal. Uma surpresa tanto para os adeptos do Manchester United, como também para o próprio jogador. «Não sei se valho 80 milhões de euros. Aceitei o desafio pelo lado desportivo. É uma loucura para um jovem da minha idade, mas é o mercado. Esse montante foi negociado entre os dois clubes, não fui tido nem achado em nada. A mim cabe-me mostrar o que sei fazer. Não sinto qualquer pressão particular». E Martial já teve a primeira conversa com o novo treinador, Louis van Gaal. «Perguntou-me onde é que preferia jogar e respondi-lhe que era no eixo, ao centro. Ele disse-me que posso fazer várias posições, estou à disposição dele. Vou dar sempre o meu melhor». Até Vadim Vasiley, o vice-presidente do Mónaco, ficou surpreendido com os valores que o Manchester United disponibilizou para ter Martial. «É absolutamente inacreditável. Eles pagaram por Martial aquilo que vale Suárez ou Neymar, que são dois dos melhores jogadores do mundo». A confirmarem-se estes números verdadeiramente loucos por um ainda ´desconhecido´ no futebol mundial, a pressão vai ser enorme em Manchester e resta saber se o jovem saberá lidar com todos os holofotes, como aconteceu com Cristiano Ronaldo, embora na altura o craque português ´só´ tenha custado 15 milhões de euros. Mas o valor, talvez exagerado, para um futebolista de apenas 19 anos, tem uma explicação. O primeiro motivo prende-se com Dmitry Rybolovlev, o magnata russo e proprietário do Mónaco, que depois de um divórcio que lhe subtraiu metade da fortuna, prefere vender do que comprar jogadores e não perde nenhuma oportunidade de ouro. O segundo chama-se Jorge Mendes, o ´super-empresário´, o único que consegue vender um jogador que só teve uma época ao mais alto nível. Quem é Martial? Perguntou Rooney a Schneiderlin Wayne Rooney, o capitão do Manchester United, tinha 18 anos quando aterrou em Old Trafford. Saído do Everton, custou 37 milhões de euros aos ´red devils´. Como todos, ficou particularmente curioso com a nova contratação do clube, juntando o facto de nunca ter ouvido falar em nenhum miúdo francês, um tal de Anthony Martial. «No domingo, quando estávamos no avião, Rooney veio perguntar-me quem era o Martial, porque tinham começado a sair notícias na comunicação social inglesa. Disse-lhe que se tratava de um grande jogador, com enorme potencial, que tinha feito excelentes jogos pelo Mónaco, forte física e tecnicamente, um pouco à imagem de Thierry Henry», comentou Morgan Schneiderlin, o gaulês que no verão trocou o Southampton pelo Manchester United, quando Rooney lhe perguntou quem era Martial. Após a contratação de Anthony Martial, o Manchester United mostra que o talento francês não está esquecido. Depois da comparação a Thierry Henry, o jovem avançado só fica atrás de Zinédine Zidane na lista dos franceses mais caros da história. O ídolo Sonny Anderson e a inspiração em Ronaldinho Apesar da tenra idade, Martial é um jogador que sabe bem aquilo que quer, ou melhor, quem lhe deu a inspiração para ser o novo menino bonito do futebol inglês. «A minha primeira camisola foi do Sonny Anderson. Quando era criança era fã do Lyon». Mas o craque do Vasco que também passou por Lyon e Mónaco não foi o único brasileiro a inspirar Martial para o futebol. Parte da sua técnica deve-a a Ronaldo e Ronaldinho, duas das maiores figuras do futebol brasileiro. Talvez por isso Martial tenha motivado a conta bancária do Manchester United que o tornou não só conhecido como pagou por ele o que Ronaldo não valia no tempo em que vestiu a camisola dos ´reds´. Mas Martial agradece. Apensar dos seus 19 anos, já é casado com Samantha, a namorada de infância com quem já tem uma filha, a pequena Toto. Mas não fica por aqui, até porque o segundo benjamim da família já está a caminho... ...
Para lá do que se vê Jessica Cox é ainda hoje um ficheiro arquivado sem resolução. Tinha tudo para vir a ser uma criança saudável, até nascer sem os membros superiores, mas isso não a impediu de fazer o que queria. Em casa nunca se sentiu diferente, mas na rua, os olhares alheios eram inevitáveis. «Nunca digo: `Eu não posso fazer isso`». A sua forma de vencer e coragem são mais fortes que qualquer obstáculo ou deficiência. Jessica nasceu sem braços, não se adaptou às próteses mas conseguiu ser independente ao usar o que melhor tinha: os pés. Tornou-se faixa preta de artes marciais, aprendeu a pilotar aviões, toca piano, faz surf, mergulho e também dança. O seu nome é já um dos mais comentados do ´Guiness Book´ e a sua história de vida é conhecida além-fronteiras. Mas é na China que reside a maior fã – Ruth Evelyne, uma menina de três anos para quem o abraço impossível de Jessica, significou o mundo. Tudo começou em 2005, quando foi abordada por um piloto que lhe perguntou se gostava de voar num avião monomotor. Na altura Jessica sentiu medo mas aceitou o desafio. Não só gostou da experiência como lhe tomou o gosto. Fiel à ideia que nada era impossível, decidiu aprender a pilotar. Três anos depois, conseguia a licença de piloto. Uma licença especial e única no mundo, uma vez que Jessica também é especial: nasceu sem braços. Quando se troca as mãos pelos pés «Quando eu nasci, os meus pais ficaram chocados. Mas eles nunca me fizeram sentir como se eu fosse diferente». Jessica Cox nasceu em 1983 em Sierra Vista, no Arizona, um caso que até hoje desafia os médicos por não conseguirem encontrar explicação para a sua deficiência – nasceu sem braços e durante toda a gravidez, a mãe de Jessica pensou que seria uma menina saudável, sem qualquer prognóstico de que ela iria nascer com a deficiência. Na família e no desporto, encontrou as respostas para a cura. Nunca se sentiu diferente, embora os primeiros tempos não tenham sido fáceis. Aos 11 anos, os médicos aconselharam-na a utilizar próteses para ajudar no seu desenvolvimento, mas Jessica não se adaptou. «Não há nada como a sensação de sentir as coisas em carne e osso», por isso preferiu usar o que tinha: os pés. Aos 10 anos, Jessica iniciou-se nas artes marciais, juntamente com os irmãos para que de certa forma pudessem partilhar a mesma atividade em família. Quatro anos depois, Jessica ganhou pela primeira vez a faixa preta pela Associação Americana de Taekwondo. Fazer desporto é algo que nunca a inquietou, pelo contrário, permitia-lhe desafiar o próprio destino – acabava por canalizar todas as emoções de uma forma positiva. Licenciada em Psicologia, parte do trabalho passa por participar em palestras motivacionais, onde já deixou o seu testemunho de coragem em mais de 20 países diferentes. A aparente limitação física nunca impediu Jessica de viver uma vida normal. Desde a infância, nunca soube o que era ter braços, aprendeu sempre a usar os pés para realizar as tarefas do dia-a-dia, como escovar o cabelo, usar o computador, colocar lentes de contacto, preparar uma refeição ou falar ao telefone. E não se fica por aqui. É também com os pés que, Jessica aprendeu a conduzir e conseguiu a carta sem qualquer restrição, toca piano, dança, pratica surf e mergulho e consegue escrever 25 palavras em apenas um minuto. E foi no meio das lutas que Jessica encontrou o amor - Patrick Chamberlain, o instrutor da escola de artes marciais, que lhe provou que a sua deficiência não seria uma barreira. Após dois anos de namoro, casaram-se em 2012 nos Estados Unidos. «Os meus pais sempre me disseram que, encontraria alguém que me visse como eles me veem». A única mulher no mundo sem braços a conseguir pilotar um avião Mas a melhor conquista de Jessica aconteceu em 2008, quando recebeu a licença de piloto que a tornou a primeira mulher do mundo a conseguir pilotar um avião com os pés. Questionada sobre o que sentia quando estava no ar, apenas disse: «É uma sensação de liberdade sem limites». Jessica demorou três anos a preparar-se para ser piloto, em vez dos habituais seis meses para concluir a licença. Jessica está qualificada para pilotar um avião leve à altitude de 10.000 pés e o seu nome é um dos mais badalados do ´Guinness Book´. O abraço impossível que salvou a pequena Ruth A história de Jessica Cox já comoveu o mundo, principalmente Ruth Evelyne, uma menina de três anos que também tem uma história para contar. Karlyn Pranke, a mãe, estava no 20º mês de gravidez, quando descobriu que a filha nasceria sem os membros superiores e foi ao ´Google´ procurar informações. Logo conheceu Jessica, um exemplo de coragem e determinação que escreveu o próprio destino. E Karlyn Pranke queria alimentar a filha de sonhos e esperança e mostrar a Ruth que uma pessoa não precisa de braços para ser bem-sucedida. Após seis horas de viagem Ruth conheceu Jessica e o momento não poderia ter sido mais emocionante – bastou apenas um abraço que parecia impossível e Ruth voltou a sorrir para o mundo. ...
Estilos e Espantos Ítalo Romano nunca perdera o sorriso nem a alegria de viver, apesar de todas as adversidades. Tinha apenas 11 anos quando contra a vontade do pai decidiu acampar com os amigos. Era uma criança cheia de sonhos e esperança, até que decidiu apanhar boleia de um comboio para chegar mais rápido, mas não mediu o tempo. Ficou sem as duas pernas e o que naquele momento parecia ser uma tragédia, acabou por tornar-se uma oportunidade para aprender a viver. Sem nada, agarrou-se ao que de melhor sabia, embora nunca tenha tentado ir mais além – o skate. Foi a partir desse momento que o desporto entrou na sua vida e por ele acreditou que era possível. Hoje é uma celebridade, todos o veneram, e nas pistas ninguém o apanha. Tanto que já o comparam a Og de Souza, o lendário skater que venceu a paralisia que sofreu na infância e aprendeu a superar o medo e a descobrir-se a si mesmo. Estreou o ´Out of Frame´, a nova websérie do canal de skate da Red Bull que dá a conhecer pequenas histórias de ´skaters´ que se destacam na modalidade. Uma história de superação e coragem que mostra que, o que parecia ser o fim de uma vida, tornou-se na verdade um grande recomeço. Não tem pernas e não precisa de uma cadeira de rodas. Apenas precisou de um skate para voltar a sorrir e tornar o sonho em realidade. Ítalo Romano, um exemplo de força de vontade e superação «Nunca desista, nunca recue, tu fazes o teu próprio caminho», é o lema de vida de Ítalo Romano, o brasileiro que depois de perder as pernas encontrou uma nova forma de viver. Tinha na época 11 anos e queria ir acampar com os amigos. Por ser o mais novo do grupo teve que pedir ao vizinho ajuda para convencer o pai, que achava que Ítalo era muito novo para sair de casa sozinho, mas com tanta persistência lá o convenceu. Mas Ítalo não chegou ao destino, pelo caminho um fatídico acidente quase lhe roubou a vida, na realidade, parte dela. «Fomos a pé até Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, para chegarmos mais rápido fomos à boleia de um comboio. Não como passageiros normais, mas como costumamos dizer ´fazendo surf´ no teto do comboio. Fui o primeiro a tentar e não aconteceu da forma como planeámos. Quando o comboio estava a chegar fui o primeiro a tentar subir. Saltei e tentei segurar-me na escada de um vagão mas acabei por cair. O comboio arrastou-me por alguns metros e passou por cima das minhas pernas». Naquele momento a primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi a escola. «Não sabia como os meus amigos iriam reagir quando me vissem assim. Fiquei surpreso, porque fui muito bem recebido pela sociedade». O que parecia ser uma tragédia, acabou por se tornar um desafio, uma oportunidade para voltar a viver. Ítalo não deixou que nada o derrubasse, e agarrou-se ao que mais gostava – o skate. Ítalo sempre acreditou que tinha talento, mas nunca tentou ir mais longe por não ter dinheiro para comprar um. Mas depois do acidente tudo mudou. «O meu amigo Rafael Pingo deu-me um». Sem querer, Ítalo tornou-se um skater profissional e a sua história já inspirou crianças e jovens. «Sinto-me honrado de dar continuidade ao trabalho e esforço do Og. Eu nunca imaginei que iria chegar onde estou hoje, que seria um espelho para as outras pessoas. Isso deixa-me orgulhoso». No entanto, há feridas que Ítalo, agora com 25 anos, ainda não conseguiu superar. «O meu maior desafio quando vou andar de skate na rua é o medo. O Og não tem medo de andar de skate em corrimãos nas ruas e eu não tenho essa coragem». Trocou a cadeira de rodas pelo skate «Depois do acidente, fui conhecendo pessoas diferentes. Hoje, sou o homem mais feliz do mundo». Desde criança, Ítalo mora numa pequena e humilde casa na Vila Jacira, na cidade de Curitiba, com as duas irmãs e a mãe. A paixão pelo skate tornou-se ainda mais forte depois de ter visto uma reportagem sobre ´Og De Souza´, o lendário skater que tal como ele, aprendeu a viver de forma diferente. Og começou a andar de skate em 1988 e usa apenas as mãos. Em criança sofreu de uma poliomielite que lhe roubou o sonho, mas nunca a esperança de ser mais forte. «Só sei que um dia andei em pé pelas histórias da minha mãe e da minha avó». Og não se lembra da última vez em que precisou de cadeiras de rodas para se deslocar, assim como também lhe faltam as memórias do tempo em que chegou a andar com as próprias pernas. Ítalo seguiu-lhe o exemplo, não gosta da cadeira de rodas, o skate é o seu meio de transporte durante 24 horas. «Sinto-me um deficiente com a cadeira de rodas, já com o skate sinto-me uma pessoa normal». Depois de muito treino e dedicação, Ítalo começou a competir e a ganhar diversos campeonatos. Em 2011, tornou-se campeão amador do Paraná, e faz manobras que deixam qualquer um boquiaberto, perante os adversários ´skaters´ que não tinham qualquer deficiência. Mas a sua história não fica por aqui. Ítalo joga voleibol, faz ginásio e já esteve no Dubai a fazer um curso de paraquedismo. «Gostaria de dizer a todos para acreditarem nos seus sonhos e não deixarem ninguém dizer que não são capazes de fazer algo acontecer». O primeiro skater sem pernas a desafiar uma rampa de 27 metros de altura Foi durante uma visita ao programa ´Desporto Espetacular´ dirigido por Luciano Hulk que Ítalo foi posto à prova – seria ou não capaz de percorrer a Mega Rampa de 27 metros de altura, considerada por muitos, um dos maiores desafios para os ´skaters´. O palco foi a estrutura montada na casa do famoso Bob Burnquist, em Dreamland, na Califórnia, e o resto da diversão foi por conta de Ítalo. Determinado e cheio de paixão, não só enfrentou a rampa, como se tornou o primeiro skater sem pernas a consegui-lo, superando o medo e muitos profissionais do skate. «Até hoje recebo elogios nas ruas, as pessoas puxam-me para me dizer como eu estava maluco por o ter feito. Muita gente pensava que era impossível, mas aos meus olhos tudo o que eu precisava era de uma oportunidade e quando esse dia chegou, dei o meu melhor». ...