SEXTA-FEIRA, 27-05-2016, ANO 17, N.º 5963
Conteúdo inexistente.

destaques

Salvos por cão com lata de esmolas ao pescoço…
Do Passado para o Presente Se José Mourinho vai ganhar 15 milhões de euros por ano só em salários no Manchester United só os vai ganhar porque aos primeiros anos do século XX um cão com uma lata de esmolas ao pescoço fugiu do dono e entrou no pub de um homem que enriquecera a fabricar cerveja. Não, não é só essa a história impressionante que aqui se conta – também se fala de como o novo clube do Special One nasceu de ferroviários fartos de bebedeiras e combates de boxe entre os trilhos dos comboios e de como um Mourinho antes de Mourinho chegou a Old Trafford, o estádio que a aviação nazi destruiu e quando sonhava tornar-se campeão europeu mais de metade dela morreu na queda de um avião, salvou-se e acabou por ganhar a Taça dos Campeões ao Benfica. E não, não é tudo… Filho de dois analfabetos, George Stephenson formou-se engenheiro – e aos 25 anos criou uma máquina a vapor que ajudasse ao transporte de carvão na mina de Wylan onde trabalhava, arrastando vagões sobre carris. Tirou a ideia de fora da mina, desenvolveu a máquina, chamou-lhe Locomotion - e em setembro de 1925, com ele próprio a conduzir a sua Locomotion, transportou 80 quilómetros de carvão entre Darlington e Stockton-on-Tees, demorando duas horas a percorrer os 15 quilómetros de linha férrea que criava entre um ponto e outro. Foi uma revolução. Não tardou, criou carruagens para transporte de passageiros – e 15 de setembro de 1830 abriu-se a linha que ligava Liverpool a Manchester. A locomotiva que puxava o comboio era muito mais potente do que as demais – e por isso Stephenson pôs-lhe nome óbvio: Rocket. Foi tal a euforia que causou que William Huskisson, membro do parlamento eleito por Liverpool, ao vê-la arrancar desatou a correr a seu lado, tropeçou, caiu – e foi a primeira vítima mortal de um comboio… O CLUBE DOS FERROVIÁRIOS CANSADOS DO BOXE (E NÃO SÓ…) Criou-se a Manchester & Leeds Railway para explorar a linha – que montou o terminal ferroviário de Manchester montou-se em Newton Heath. À sua beira ergueram-se oficinas para construção de locomotivas, vagões e carruagens – e, nos seus primeiros tempos, nos intervalos do trabalho ou davam-se à bebida ou atiravam-se a combates de boxe sobre os rails que montavam. Algures por 1878 alguns desses operários da Lancashire & Yorkshire Railway (LYR), cansados das bebedeiras e dos socos, acharam que talvez fosse mais sedutor divertirem-se com o futebol que já era moda em colégios e universidades, pedindo, para isso, aos seus patrões, ajuda para criarem clube que o jogasse. Fundaram-no como Newton Heath LYR – e fez tal furor que, formado por maquinistas, surgiu-lhe rival imediato – o Newton Heath Locomotive. Não tardou, os jogos deixaram de ser apenas entre as várias secções da empresa. O seu primeiro desafio foi em novembro de 1880 – contra as reservas do Bolton Wanders. O Newton Heath LYK jogou com camisolas verdes e douradas, as cores da empresa – e perdeu por 6-0. Quatro anos depois, aventurou-se à disputa da Lancashire Cup – e ficou-se pela primeira ronda, batido pelo Blackburn por 7-2. Melhor foi o que sudeceu na Manchester Challenge Cup: chegou à final, perdeu-a por 3-0 com o Hurst. A FILHA DO SACERDOTE FEZ O MESMO NO OUTRO LADO DA CIDADE… Anna Connell era filha de um sacerdote – e algures por 1880 fundara na igreja do pai uma associação para ajudar pobres. Depois, para dar uma luz aos rapazes de West Gordon, juntou-se a dois trabalhadores da fábrica de ferro – e criou no seu seio uma equipa de futebol. O seu primeiro nome era o nome da igreja: St. Marks. Sete anos depois, para ter campo, mudou-se para Ardwick e passou a ser Ardwick Association Football Club. (E em 1894 passou a ser o que é hoje, o Manchester City Football Club…) Em 1888 o Newton Heath LYK decidiu deixar de ser apenas clube de trabalhadores de uma empresa ferroviária, deixou cair o LYR, passou a ser o Newton Heath Football Club – e aderiu à Football Alliance, o embrião da Football League. Por lhe terem retirado o Lancaster & Yorkshire Railway do nome, os donos da companhias lançaram de pronto o aviso: - Assim, não damos nem mais um cêntimo para o Newton Heath… e foi o que aconteceu. ...
Grande História Nem imagina o que aconteceu à Áustria antes da Áustria chegar ao Euro 2016. E se, por um acaso do destino, o lado dramático da história não se cruzou com Portugal, o lado surpreendente da história cruzou-se. Descubra-o adiante (como e porquê...)- e pelo caminho vá-se espantando com outros incríveis episódios, como, por exemplo, a razão porque o austríaco que esteve no Europeu que fez de João Moutinho campeão Sub 17 perdeu metade de um braço... Os austríacos foram uma das grandes surpresas da fase de apuramento, sendo líderes do grupo G com 22 pontos em oito jogos e sem sofrerem qualquer derrota. Desde 1998, do Mundial de França, que não atingiam a fase final de uma grande competição de seleções. Depois de uma época de declínio, desconfiança dos adeptos, erros e falhas na qualificação de provas, mudanças atrás de mudanças no comando técnico da Seleção, a Áustria renasceu a partir de 2010/2011 com a chegada de Marcel Koller ao poder. Além de ser um treinador ambicioso, a Áustria começou a contar com diversos jogadores que faziam parte da equipa de sub-20, que em 2007 tinha atingido o quarto lugar no Mundial da categoria, dando à Seleção uma injeção de qualidade. Portugal e Áustria já se encontraram por dez vezes – o último jogo foi em 1996, num empate (1-1) em Viena – quando Paulinho Santos (peça fundamental no plantel portista que dominou o futebol nacional na década de 90, mais conhecido pelo seu temperamento irascível do que propriamente pelo seu talento futebolístico) marcou aquele que foi considerado o melhor golo da sua carreira, num remate em ângulo depois de passar por dois adversários. No Euro 2016, a 18 de junho, no Parque dos Príncipes, Portugal volta a cruzar-se com a Áustria, a Seleção saída da crise, mas que no panorama geral é a que apresenta melhores resultados: três vitórias, contra dois triunfos de Portugal e cinco empates. O último grande feito da Áustria foi no Mundial de 1982, em que caiu nos quartos-de-final, com estrelas como Krankl, Pezzey ou Prohaska. OS 23 DE PORTUGAL Parece mentira mas é verdade…O coração dos portugueses vive um verdadeiro frenesim sempre que a sua Seleção joga uma competição internacional. As janelas dos prédios ficavam adornadas de bandeiras portuguesas e naqueles dias só se pensa na equipa das Quinas. Portugal até à data, dizem calhou num grupo fácil – também dizem que só deve temer a Áustria – o adversário que se afigura mais complexo. No ranking FIFA, ocupa a décima posição, apenas três lugares abaixo de Portugal. É bom? Pode ser. Mas longe, muito longe do que a Áustria já foi - pois, nos anos 30, havia quem a tratasse como «Equipa Maravilha», achando que o quarto lugar no Mundial de 1934 não espelhava o seu real valor. E além da equipa tinha uma estrela, estrela trágica, o Matthias Sindelar - que, ainda hoje, para os austríacos é o seu Maior Jogador de Todos os Tempos. Agora os nomes são outros – David Alaba, a pérola do Bayern de Munique que Guardiola idolatrou; ou Marc Janko, um goleador nato, quem em Portugal já vestiu a camisola do Futebol Clube do Porto. ...
Estilos e Espantos «Dicen que nunca se rinde» (Dizem que nunca se rende), reza um dos versos do hino de Sevilha. A equipa de Unai Emery chegou ao intervalo do famoso palco St. Jakob-Park em Basileia a perder, mas acordou a tempo de provocar uma reviravolta no marcador e fazer jus à tradição: Sevilha, a equipa que nunca se rende, continua invicta em finais europeias – primeiro Benfica, depois Dnipro e agora Liverpool, as castanholas soaram bem alto e Sevilha fez-se ouvir - esta é a quinta ocasião em que o clube ostenta a coroa da Liga Europa, após os troféus conquistados em 2005-06, 2006-07, 2013-14 e 2014-15. Há 40 anos que ninguém vencia três edições seguidas de uma prova da UEFA – o Bayern Munique tinha sido o último a fazê-lo, na Taça dos Campeões Europeus. Uma noite histórica que fica na memória de Unai Emery, ao igualar Giovanni Trapattoni como o treinador com mais troféus na Liga Europa. Trapattoni ganhou a Taça UEFA em 1977, 1991 e 1993, sendo que a primeira e a última foi ao serviço da Juventus, enquanto a outra foi pelo Inter Milão. Já Emery conquistou o mesmo troféu ao serviço de uma única equipa: o Sevilha - em 2014, 2015 e 2016. Uma noite mágica que não só permitiu ao clube engordar a conta bancária, como garantir uma vaga na Liga dos Campeões da próxima temporada. E a próxima prova de fogo do Sevilha acontece já no próximo domingo – o jogo de emoções fortes frente ao Barcelona que ditará o vencedor da Taça do Rei. O MAIOR DO BAIRRO CONTRA O REI DA RUA Viveu-se em Basileia uma noite histórica: Sevilha e Liverpool nunca antes se tinham defrontado. A última vez que o Sevilha encontrou um adversário inglês numa final Europeia aconteceu em 2006, quando os andaluzes golearam o Midllesbrough por 4-0. Por seu lado, os Reds voltaram a disputar uma final Europeia nove anos depois. A última vez que o Liverpool esteve presente numa final da UEFA foi em 2006/07, quando caiu perante o AC Milan. E se Unai conquistou o ´tri´ tornando-se o rei da Europa, Klopp perdeu pela segunda vez uma final europeia, a viveu-a sob o comando do Borussia Dortmund, quando guiou os alemães à final da Champions, em 2013, acabando por perder a Taça para o rival Bayern de Munique. A equipa de Jurgen Klopp está na Liga Europa desde a primeira fase da prova e em 14 partidas apenas perdeu uma. O Sevilha é uma equipa repescada da Liga dos Campeões (com o Atlético Madrid em 2010, e o Chelsea, em 2013). HÁ DEZ ANOS VIVEU-SE A ´DESGRAÇA DA BASILEIA´ «Todos os sevilhistas querem muito esta competição. Querem amá-la. É a segunda parceira, a segunda mulher ou a segunda noiva de todos os sevilhistas». Unai Emery foi um jogador discreto. Como treinador, vive e respira futebol 24h sob 24h. No St. Jakob-Park em Basileia ainda não se conhecia o herói da partida, mas mesmo antes do apito inicial, da grande final Europeia, entre Liverpool e Sevilha, os ânimos exaltaram-se entre os adeptos que protagonizaram uma cena de pancadaria. Segundo consta, alguns adeptos do Liverpool conseguiram adquirir vários bilhetes à última hora, inicialmente destinados a adeptos do clube sevilhano, ficando pois acomodados no mesmo espaço e sem vigilância policial. Um palco de confrontos que repetiu a tragédia do 13 de maio de 2006: - Basileia e Zurique faziam o último jogo que iria ditar o vencedor da Liga nacional. Um jogo que ficou marcado na história como a ´Desgraça da Basileia´, quando os adeptos se envolveram em confrontos de pancadaria com os próprios jogadores, depois do triunfo do Zurique por 2-1 – um cenário negro para os adeptos do Basileia, que, no último minuto, viram o Zurique marcar o golo que ditou o triunfo do campeonato. ...