DOMINGO, 24-05-2015, ANO 16, N.º 5594
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destaques

Há 105 anos Benfica teve um estrangeiro? Sim, é verdade, só tinha uma coisa a ver com o campeão de hoje: a baliza...
Estrela de Diamante O que é que Cirille Miramon tem a ver com Júlio César? Serem os dois guarda-redes estrangeiros, haver mais de 100 anos a separá-los na baliza do Benfica. Não, não é engano – não foi Jorge Gomes, o primeiro estrangeiro a jogar no Benfica, quando o Benfica, estava vedado a estrangeiros foi o Miramon. OK, era um estrangeiro diferente: francês de nacionalidade, geria um negócio de família na Rua da Prata, a Óptica Miramon. Sim, era oculista – e na época de 1910/1911 alinhou pela equipa de quartas categorias no Campeonato de Lisboa, numa equipa onde também estava... Félix Bermudes, o dramaturgo que haveria de chegar a presidente. Anos depois, Luís Miramon, o filho de Cirille, também pôs o seu nome na história, foi um dos pioneiros do râguebi no Benfica – e em Portugal. Contada, pois, a história breve de Cirille, o estrangeiro do SLB de quem a história quase sempre se esquece, contamos-lhe a história dos estrangeiro do SLB de quem a história jamais se esquecerá: Júlio César, o Júlio César que foi a chave mestra que fechou o paraíso do campeonato 2014/2015 ao sonho dos adversários... À canarinha chegou Júlio César em 2003, convocado para a Taça das Confederações. Estava no Flamengo, mas Dida não lhe deu a mínima hipótese de sair do banco. No ano seguinte, sim, ganhou a titularidade – e foi através do penalty que defendeu contra a Argentina que o Brasil ganhou a Copa América. A proeza lançou-o a salto para Itália, fez o primeiro semestre de 2005 no Chievo Verona, o Inter chamou-o a Milão. Passou uma época à sombra de Toldo – e quando Roberto Mancini lhe deu a baliza nunca mais a largou. À eternidade ainda mais se aconchegou na época fantástica de 2009-2010, com a Liga dos Campeões, o Scudetto e a Taça de Itália pela mão de José Mourinho. O resto é o que se sabe. O que menos se sabe é, porém, o modo espantoso como desafiou o seu destino. Fátima Espíndola, a mãe, contou-o, deliciada: - Quando Júlio César foi para a Gávea, tinha de chegar às 7 horas da manhã ao estádio para se treinar. Sempre o acordava às e ele se levantava meio sonolento. Era cedinho, às vezes eu jogava água no rosto dele para o despertar, mas era o chuveiro que o acordava mesmo, a gente o empurrava para lá, assim, meio a dormir. E eu sempre levava uma marmita no carro porque após o treino ele ia direto para a escola. Só tinha tempo de almoçar dentro do carro mesmo. Era tudo assim na correria. Mas valeu a pena, né... Duas cadeiras como postes e o «gol pequeno» no Grajaú Nessa altura não era o Júlio César, era o Cesinha – e concorda: - Mamãe sempre esteve ao meu lado. Se eu estou onde estou devo praticamente tudo a ela... A família Espíndola não teve apenas um filho futebolista. Janderson, quatro anos mais velho, era atacante, começou por ser conhecido como Espíndola, quando se revelou no Botafogo – e já era o... Pardal quando foi campeão pelo Vasco em 1997. Júnior, o outro irmão, não quis fazer vida do futebol – mas talvez ninguém mais responsável do que ele seja responsável por Júlio César ser o que é: - Era sempre ele que desafiava Cesinha para as brincadeiras nos fundos da casa onde morávamos na Penha, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Duas cadeiras serviam como postes. E, muitas vezes, as meias garantiam a diversão. Elas eram enroladas como bola. E também substituíam as luvas nas mãos do Cesinha... Até que um dia ele chegou e falou que queria ganhar uma luva de “goreiro”. Ele nem sabia falar ainda direito, era o seu destino... Sim era mesmo destino, o seu destino – e foi Júlio César quem o revelou: - Um tarde, eu cheguei ao Grajaú, no Country Club, para jogar bola com o meu irmão Júnior. Aquele gol a gol na quadra, de chutar de um para o outro. Mas aí faltou um jogador que era federado no pré-mirim e me chamaram para completar o time. Nunca tinham me visto em lugar nenhum. E era justamente o goleiro que não tinha ido. Fui jogar, mas sem pensar em nada. Queria só me divertir. Mas aí depois me perguntaram se eu gostaria de fazer um teste para começar a jogar pelo Grajaú. Morava no subúrbio da Penha. Minha parada era só rua, futebol de rua, futebol de esquina. O carro vinha e a gente falava “carro”. Aí todo mundo parava no lugar, esperava o carro passar e a gente continuava... ...
A correr no Tempo Com o Rali de Portugal na estrada, contamos-lhe como foi a primeira prova de automobilismo que por cá se fez – e, entre várias outras espantosas revelações, revelamos-lhe por que não pôde ser a um domingo e por que ao entrar-se numa localidade a velocidade tinha de baixar para menos de... 10 quilómetros por hora. Mas, ainda mais: também lhe falamos de um ícone, da última prova da monarquia, dessa monarquia que vivia, apaixonada entre automóveis: Rampa da Pimenteira, ganha por um piloto com o corpo todo ligado... Emile Levassor era engenheiro, trabalhava para um industrial francês. Quando ele morreu – casou com a viúva. Para expandir o negócio comprou a Gottlieb Daimler, um dos inventores do automóvel, licença para construção de motores na fábrica. Depois, em sociedade com René Panhard, passou a fazer carros também. E foi com um Panhard et Levassor de 2 cilindros que concorreu à primeira corrida de automobilismo de que há registo: Paris-Bordéus-Paris, 1190 quilómetros. Com largada a 11 de Junho de 1895 e 27 concorrentes. As previsões apontavam para que se atingisse Bordéus ao raiar da manhã mas Levassor chegou muito antes, por volta das 2.30 horas – e não tinha nenhum fiscal à sua espera. Teve de procurá-los num hotel, acordá-los – para que certificassem o tempo. Antes de se fazer de novo à estrada, por entre charretes e animais, «comeu sanduíches e bebeu champanhe» – e deu a pé uma volta pela cidade para «desentorpecer os músculos». A 50 quilómetros de Paris parou num restaurante – para mais uma refeição e à meta chegou ao cabo de 48 horas e 48 minutos. À média de 24,5 km/h – e um jornal escreveu que velocidade assim era um... «assombro». Como seu Panhard et Levassor só tinha dois lugares em vez dos quatro que se previam nos regulamentos não lhe deram 31 mil francos de prémio. Um ano depois, ao tentar desviar-se de um cão no Paris-Rouen, despistou-se, levaram-no em coma, politraumatizado, para o hospital, lá morreu, alguns meses depois. Povo que o recebera em euforia no dia da primeira vitória – pediu, em lágrimas, que fizessem estátua de Emile Levassor na Porte Maillot, uma das mais antigas entradas de Paris, onde, então, se pusera a meta. Lá está. Na primeira viagem do primeiro automóvel em Portugal, um burro morto e pagou a 18 mil réis... Foi um Panhard et Levassor, o primeiro automóvel que houve em Portugal. Chegou em 1895, importado pelo Conde de Avilez. Na Alfândega de Lisboa logo se levantou a dúvida: que taxa aduaneira aplicar a tão «estranho artefacto». Máquina agrícola ou... «locomobile» que era como se chamavam as máquinas movidas a vapor? Ficou «locomobile». Os Avilez tinham palácio em Santiago do Cacém – e na primeira viagem, de Cacilhas para lá, o primeiro acidente: atropelou um burro carregado de canas, matou-o – e ao dono pagou «o melhor de 18 mil réis quando um burro naqueles tempos custava apenas 5000 réis». (Sete anos o teve, vendeu o automóvel por 700 contos de réis a Mariano Sodré de Medeiros, açoriano com negócios em Lisboa porque se encantara com o modelo da Peugeot que vira na Exposição Industrial de Paris – não tinha rodas em aros de ferro, já tinha pneus e câmaras de ar, mas antes de fechar negócio o Conde de Avilez morreu.) Ainda nesse ano de 1895, há notícia no jornal O Velocipedista – de que no Velódromo das Devezas, Benedicto Ferreirinha, que ganhou fama também como ciclista e jogador de ténis, percorreu 10 mil metros em 17.01 minutos – recorde para uma ««bicycleta com motor a petróleo». Era assim que se chamavam às motos – e no jornal vincava-se que fora a primeira vez que «a machina se apresentara em público». (Esse ainda era o tempo em que casas de banho só havia em casas muito, muito ricas - e um fato para os homens levarem à praia não custavam menos de 1000 réis, os de mulheres, os «chiques» que se importavam de Paris, eram quase como vestidos, tudo tapando do corpo - e andavam pelos 2800 réis, mais ou menos metade do que aquilo que se pagava por meio burro, com aquele que o automóvel matou, numa feira de gado...) ...
Estilos e Espantos Do look clássico de Messi, ao glamour de Ronaldo, passando pela rebeldia de Neymar, todos os craques de futebol tem o seu estilo, mas uns chamam mais a atenção que outros. Lá vai o tempo em que o jogador de futebol era encarado apenas como um conjunto de músculos em movimento na perseguição de uma bola. Perceber os jogadores não é fácil, entender a vida deles muito menos, mas no que diz respeito à moda, não são precisas muitas palavras, as imagens falam por si. Conheça o novo estilo Dandy que já conquistou o guarda-roupa de Xavi Alonso, Didier Drogba, Samuel Eto’o e Claudio Marchisio... São encarados como cavalheiros charmosos, um pouco levianos, não precisam ser cultos ou homens de letras, basta apenas terem estilo, serem bem-falantes e terem a sapiência de saber apreciar as coisas boas da vida. Entre os dandies que fizeram história encontram-se, talvez como seus maiores símbolos, Oscar Wilde, o influente escritor, poeta e dramaturgo de origem irlandesa, e Lord Byron, o destacado poeta britânico que também foi nadador de sucesso, a figura mais influente que o romantismo conheceu. Partilhavam o culto da imagem e, em alguns casos, eram os primeiros a apresentar as inovações na postura, nos cuidados físicos e no próprio vestuário. Dandy: a moda de falar através da aparência A Moda Dandy tem conquistado cada vez mais adeptos, mas foi no futebol que encontrou os seus maiores seguidores - Xavi Alonso, Didier Drogba, Samuel Eto’o e Claudio Marchisio. O movimento que começou na Inglaterra no século XIX destinava-se aos homens de bom gosto e apurado sentido estético, que não precisavam pertencer à nobreza. O termo teve algumas variações, mas continua a adaptar-se a quem se preocupa muito com a aparência e elegância. E é no culto ao prazer e na possibilidade de se expressar através da imagem que o movimento ´dandy´ encontra na sociedade atual um terreno fértil e cada vez com mais seguidores. É que além das mulheres, são cada vez mais os homens que se preocupam com a imagem e que gostam de se vestir bem, acompanhando as grandes tendências da moda. Nos últimos anos temos assistido a uma nova postura do sexo masculino, com estilos que vingaram e fizeram história no passado, como o punk ou o hippie – os dandies, em que a imagem acaba por ser o ponto forte e a referência, ao contrário do estilo rival, o lumbersexual, numa alusão ao estilo ´homem lenhador´. ...