DOMINGO, 05-07-2015, ANO 16, N.º 5636
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destaques

Estilos e Espantos A última vitória do campeão mundial ao título foi precisamente no terreno que bem conhece - Lewis Hamilton conquistou a oitava ‘pole position’ da temporada, em nove provas do Mundial de Fórmula 1, ao ser o mais rápido em ‘casa’, na qualificação para o Grande Prémio da Grã-Bretanha. Aos 30 anos, Hamilton somou a 46.ª ‘pole’ da carreira e isolou-se no terceiro lugar do ‘ranking’ histórico, deixando para trás o alemão Sebastian Vettel. Senna sempre foi o ídolo de Hamilton, agora o piloto britânico está atrás da lenda - Ayrton Senna, tricampeão, autor de 65 ‘poles’. Campeão em 2008 pela McLaren, Lewis Hamilton chegou à Mercedes em 2013 e, desde então, já conquistou 15 vitórias e o título mundial de 2014. Hamilton lidera o campeonato com 111 pontos, vinte a mais que o companheiro da equipa, o alemão Nico Rosberg. Futebol e a amizade especial com a Rainha Lewis Hamilton não nasceu num berço de ouro, mas como tantos outros meninos, queria ser jogador de futebol. Poderia ter sido um Messi ou um Ronaldo quem sabe, mas certamente não iria brilhar em Espanha, mas sim em Londres, ao serviço do Arsenal, o clube de eleição. Mas a paixão pelo automobilismo falou mais alto, fruto da serenidade com que enfrentava os treinos e as primeiras competições. Na companhia do pai, perdia horas colado à televisão a assistir aos duelos históricos entre Ayrton Senna e Alain Prost. Lewis Hamilton incorporou inclusive a cor amarela no seu capacete em homenagem ao ídolo - Ayrton Senna. O primeiro título veio aos dez anos de idade, assim como o primeiro recorde - Hamilton foi o mais jovem piloto a conquistar o Campeonato Inglês de Kart na categoria Cadete e eleito o piloto de kart do ano pela revista Autosport. Mas se no terreno é um verdadeiro campeão, fora das pistas é um príncipe sem coroa, mas mesmo assim não deixou de ser tratado como um verdadeiro rei. O piloto de Fórmula 1 sentou-se ao lado da rainha Isabel II mas não soube comportar-se à mesa o que obrigou a monarca a intervir para lhe explicar o que fazer. Almoçar com a rainha de Inglaterra é um privilégio inacessível à grande maioria dos súbditos de Isabel II, mas tal honra foi concedida a Lewis Hamilton, que até já foi condecorado com uma medalha da Ordem do Império Britânico. A origem de Lewis e como se tornou o campeão dos campeões No verão de 1984, Carl Lewis encantou o mundo com os seus prodígios na pista de atletismo do estádio de Los Angeles. Ganhou dez medalhas olímpicas, nove das quais de ouro, forjaram uma lenda que converteu aquele negro do Alabama num dos melhores desportistas do séc. XX. Na mesma época apareceu Anthony Hamilton, filho de emigrantes das Caraíbas que aterraram no Reino Unido. A mulher, grávida, esperava um rapaz que acabaria por nascer a 7 de janeiro de 1985. Anthony enamorou-se de Carl Lewis, das suas proezas sobre o tartan, a elegância dos seus braços colados ao corpo nesses velozes 100 metros. Quando pegou pela primeira vez o seu herdeiro nos braços não teve dúvidas – bastou olhar para ele para lhe traçar o destino – em homenagem ao ídolo batizou o filho de Lewis Carl Hamilton. A história de Lewis Hamilton é uma história de esforço, revés familiares, coragem e triunfo. Os pais separaram-se quando ele tinha dois anos. Desde cedo Hamilton começou a dar valor a vida e ganhou uma nova mãe – Linda, que se converteu em madrasta de Lewis e do seu irmão Nicholas, um rapaz com paralisia cerebral. Desde cedo a adrenalina corria-lhe nas veias, sempre foi muito agitado, pensou-se até que sofria de hiperatividade, mas não, o que queria era correr. Tinha seis anos quando o pai lhe ofereceu o primeiro Kart. Com apenas dez anos ganhou o campeonato britânico de karts, a primeira vitória, dois anos depois de começar a competir a nível oficial. Lewis tornou-se o primeiro piloto negro do circuito. Mas tinha outro dom –um amor incondicional ao irmão. Nicholas sofre duma paralisia cerebral e não pode fazer nem metade das coisas que faz o irmão. Mas Nicholas será sempre uma referência para Lewis. «O meu irmão é um grande rapaz. É um estímulo não só para mim, como para muita gente. Tem sempre um sorriso na cara, é sempre positivo, nunca protesta pelo que lhe calhou viver. Cada vez que penso que tenho um problema, limito-me a recordar quantos problemas ele tem na vida. A sua mensagem é de força e é certo que teve uma grande influência na minha maneira de pensar». Os romances que não eram romances Depois de Nicole foram várias as celebridades apontadas ao coração de Hamilton. Quando Irina Shayk perdeu Ronaldo murmurava-se que a russa seria a nova conquista da Fórmula 1. Apareceram juntos no desfile solidário organizado por Naomi Campbell, no Lincoln Center, em Nova Iorque e de acordo com o ´El Mundo´, estiveram sentados lado a lado durante o desfile. Um clima de grande cumplicidade que intensificaram os rumores de um possível romance depois de a manequim ter publicado uma fotografia de um grande ramo de rosas vermelhas que recebeu no Dia dos Namorados. E tal como Hamilton deu os parabéns a Nicole, também Ronaldo na altura felicitara a ex-namorada. «Depois de cinco anos de namoro, a minha relação com Irina Shayk chegou ao fim. Acreditamos que foi melhor para os dois tomarmos esta decisão agora». Atualmente, especula-se que o fim da união terá sido por causa das supostas infidelidades de Cristiano Ronaldo. Nem de propósito, Irina Shayk comentou o que queria num potencial namorado - «Adoro homens honestos e um homem que seja fiel às mulheres. Acho que isso é o mais importante num homem». Mas afinal a russa preferiu o charme de Bradley Cooper. Depois de Irina o nome mais mediático associado a Hamilton, foi o de Kendall Jenner, a irmã da socialite Kim Kardashian. Mas ela negou o romance. «Somos apenas amigos». Ainda assim, houve um terceiro elementao ao barulho - Gigi Hadid, amiga íntima de Kendall que foi vista com o piloto no Festival de Cannes. A versão ganhou ainda mais força quando Gigi surgiu com um fio ao pescoço, oferecido por Lewis Hamilton, sendo que a prenda era exatamente igual ao fio que Kendall também utilizava. Verdade ou não, os casos de Hamilton não passaram de boatos que ficaram apenas no papel. Mas Nicole foi mais longe e gravou em fotografias os momentos com Pajtim Kasami. Mesmo assim, Lewis tem vantagem – é um príncipe da formula 1, herdeiro ao trono de Senna e sabe que Nicole ainda o ama, pelo menos foi o que disse, antes de aparecer o pupilo de Vítor Pereira... ...
Estrela de Diamante É a parte 8. Com Eusébio já no Panteão, continuamos a relembrar-lhe Eusébio – o Eusébio Como Nunca se Viu do livro que A D. Quixote publicou em parceria com A Bola. Mas mesmo que já o tenha lido, não deixe de ir até ao fim – porque, aqui, há muito de novo para ler sobre o Eusébio e o país do Eusébio, o mundo do Eusébio. E não deixe também de atirar os olhos à galeria de fotos – porque para ver o Eusébio como o Eusébio nunca se viu ainda há mais, muito mais ainda, como nem imagina... Durante os jogos do Mundial de 1966, Eusébio fora apresentado aos altifalantes dos estádios ingleses com um toque sibilino a insinuar-se – aliás, não apenas ele: Hilário, born in Mozambique... Vicente, born in Mozambique... Coluna, the captain, born in Mozambique... Eusébio, born in Mozambique... - Não, não gostava, porque percebia que era política, eles queriam à força ligar-nos às colónias, a tudo o que se estava a passar. Eu tinha nascido em Moçambique, é verdade, mas era português. E não gostava porque nunca gostei que se misturasse a política com o futebol, a minha política era a bola, foi sempre... (isso disse, claro, depois, muito depois...) Entretanto, Eduardo Galeano traçou-lhe retrato para ler também nas entrelinhas: - Nasceu destinado a engraxar sapatos, vender amendoins ou roubar carteiras. Na infância chamavam-lhe: Ninguém. Chegou aos campos de futebol a correr como só corre alguém que foge da polícia ou da miséria que lhe morde os calcanhares. Foi africano de Moçambique, o melhor jogador de toda a história de Portugal. Eusébio: pernas altas, braços caídos, olhar triste... DA SOFIA LOREN À FINTA QUANDO METEU SIMONE DE OLIVEIRA E MADALENA IGLÉSIAS ... E era assim, a esquivar-se, a escapar-se que Eusébio era cada vez mais o que era - o Eusébio a imortalizar-se. Mudara de carro, a atração por Lisboa era agora o Taunus 17 M, o Taunus amarelo a que os sinaleiros abriam passagem como se fosse estrela a cruzar os céus, resplandecente. Admiradores e admiradoras, sobretudo estrangeiras, inundavam-lhe a Luz com cartas – e, por essa altura, revelou, na Flama, paixão que não se lhe conhecia: o jazz. E que, no cinema, adorava sobretudo Sofia Loren e de Charlton Heston. (Do Benfica-Sporting que era a rivalidade entre Simone de Oliveira e Madalena Iglésias fugia, sorrateiro, como fugia dos defesas que lhe iam no encalço, em campo – não disse qual delas preferia...) KING PORQUÊ, KING POR QUEM E KING COM QUEM... Nesse ano de 1967, António Simões deu-lhe mais um signo, um outro signo para lá da Pantera Negra: King. Tudo por causa das chuteiras que a Puma fizera em sua honra. Rudolf e Adolf Dassler eram irmãos. Criaram a Adidas, mas, em 1948, desentenderam-se – e Rudolf fundou a Puma. Meses antes do Mundial de 66, lembrara-se de contratar Eusébio. Perante o furor do CM, chamou-o a férias em Herzogenaurach, cidadezinha à beira de Nuremberga, onde a sua empresa montara sede – e, de súbito, soltou-se-lhe a ideia: lançar ao mercado as primeiras chuteiras dedicadas a um jogador: as Puma King Eusébio. Foram apresentadas em 1967, postas à venda em 1968 – e seria com as chuteiras King que nasceram de Eusébio em Inglaterra que Maradona levou a Argentina a campeã do mundo, destroçando, pelo caminho, os ingleses, com mão de Deus. Não, não foi só: Cruyff e Beckenbauer também as usaram nos seus fascínios. 7 ESCUDOS POR CADA CHUTEIRA VENDIDA PELO MUNDO INTEIRO... A Puma não se ficou por essa novidade: também foi a Puma que criou as primeiras chuteiras com nove pitons, o normal eram 10 – e criou-as para que se adaptassem melhor a Eusébio, depois da terceira operação de Eusébio ao joelho: - Foram as botas que marcaram a minha carreira, incrível como me facilitavam o equilíbrio em campo... Para renovar o contrato com a marca, Eusébio recebeu 600 contos de luvas – e além de mais 72 contos por cada ano de ligação, tinha direito a 7 escudos por cada par de botas vendidas onde quer que fosse. ...