QUINTA-FEIRA, 28-04-2016, ANO 17, N.º 5934
Conteúdo inexistente.

destaques

Para quem o céu é o limite e não só na água...
Estilos e Espantos Cameron McEvoy tornou-se o principal trunfo australiano da natação da Austrália no ataque aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Depois de ter batido recorde de Ian Thorpe, com apenas 17 anos, e de se tornar o nadador mais novo em estreia olímpica, há quatro anos, em LOndres é o favorito à conquista do ouro nos 50, 100 e 200 metros livres - e nas estafetas de 4x100 metros livres, 4x200 metros livres e 4x100 metros estilos. E para reforçar ainda mais o estatuto, tornou-se o primeiro australiano e o terceiro homem na história da natação a tocar a fronteira dos 47 segundos sem fato tecnológico, fez 47,04... Quis e conquistou sonhando, o que o outro por querer aprendeu. O pai sempre viveu para o surf, o irmão mais velho preferiu as piscinas. Começou a ter aulas de natação com apenas cinco anos, não fazia do desporto vida, a ciência meteu-se no seu caminho. McEvoy tornou-se o novo herói australiano à conquista do ouro Olímpico, mas tal como Einstein é na física que encontra o seu equilíbrio. «Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta». O próximo passo é tornar-se astronauta. Foi durante uma viagem de turma a Manchester, em Inglaterra, que McEvoy percebeu que amava tanto o desporto como a ciência. E se os colegas aproveitaram a viagem para visitar o mítico estádio de ´Old Trafford´, o nadador australiano trocou o futebol para se dar a conhecer a pesquisadores famosos e visitar museus. Há inclusive relatos que dão conta do dia em que McEvoy chegou a abandonar a piscina a meio de um treino para fazer anotações, quando teve uma ideia para solucionar uma equação matemática. Apesar da tenra idade, 21 anos, o gosto pelo conhecimento já rendeu a McEvoy o apelido de ´o professor´. ...
Estilos e Espantos Rosa Mota voltou a Maratona, a vila onde a maratona começou. Por lá, pelos seus míticos caminhos correu de novo, só correu 250 metros. Foram, porém, 250 metros carregados de simbolismo - a dar, uma vez mais, a ideia de que não há, na maratona no feminino, figura como ela - e por não haver é que o COI a pôs a fazer o que fez. «Este local é especial e teve um grande impacto na minha vida e fez de mim a pessoa que sou hoje. Regressar aqui para transportar a Tocha Olímpica fez-me reviver muitas memórias felizes». Com ela andou outra figura, de um simbolismo diferente, um refugiado sírio que perdeu metade de uma perna na explosão de uma bomba e continua a fazer natação... «Hoje foi importante para relembrar como o desporto pode unir e inspirar, assim como promover o papel vital que pode desempenhar na promoção da paz e harmonia na sociedade». Essas foram também palavras de Rosa Mota, logo após o seu percurso Na Estafeta da Tocha. E para marcar com ainda maior força o que a Maior Maratonista do Século XX disse - antes dela a Tocha esteve na mão de Ibrahim al-Hussein, o refugiado sírio escolhido para transportar à beira do campo de refugiados em Eleonas, Atenas, que serve de abrigo a 1500 pessoas. Um gesto simbólico que representa a solidariedade com os refugiados num momento em que existem cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas no mundo, foi o que se disse. «O desporto pode curar muitas feridas. O desporto pode trazer-lhes esperança, pode ajudar a forjar os seus pensamentos. Em última análise, traz-lhes esperança e sonhos», foi desta forma que Jacques Rogge, o enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para Jovens Refugiados e Desporto, deu a conhecer a história de Ibrahim al-Hussein. Antes da guerra tomar conta da Síria, Al-Hussein fazia a vida como eletricista, profissão que escondia a sua verdadeira vocação: era apaixonado por desporto. Filho de um treinador de natação começou a experimentar as piscinas com apenas cinco anos. Também gostava de jogar basquetebol e praticar judo. Da infância recorda os dias em que saltava da famosa ponte suspensa da cidade para o rio Eufrates. Nunca teve medo, nem mesmo no dia em que perdeu parte da perna numa bomba perdida para salvar um amigo…...
Estilos e Espantos Carlos Lopes pode ter a ver com Prince de tanga e meias de mulher? Pode. Aliás, nem imagina o mais que pode ter a ver com Prince. Ou com o que foi a vida de Prince. Por exemplo? Através de um truque, conseguiu ver os Chicago Bulls a ganharem a NBA – sem deixar de dar o concerto que não podia adiar. Foi jogador de basquetebol – e o jogador de basquetebol que ele foi deu sinais do que haveria de ser toda a sua vida. Também jogou futebol americano e basebol. Adorava ping-pong – e no ping-pong humilhou Michael Jackson. Escreveu uma canção em honra dos Minnesota Vikings - e numa canção onde pôs Portugal diz que a única forma de se ganhar um jogo é passar a bola. Por ser rebelde e surpreendente, caprichoso e extravagante - até fez festa de campeãs da WNBA em sua casa. Não, não é tudo. E tudo isso se conta aqui, parte disso já se contou na edição de papel de A Bola deste domingo... John L. Nelson tocava nos Prince Rogers Trio, banda de jazz que saltitava por pequenos clubes de Minneapolis. Antes ainda de, a 7 de junho de 1958, lhe ter nascido o o primeiro filho, já o decidira: - Vai chamar-se Prince Rogers, Prince Rogers Nelson – porque vai ser na música tudo o que eu não fui. (A premonição não falhou.) Aos quatro anos, os pais divorciaram-se, ficou a viver com a mãe, funcionária dos serviços de segurança social de Minnesota. Ao deixar a casa, deixou-lhe o piano, relembrou-lhe, emocionado, o destino: - Cada vez mais tenho a certeza de que vais ser melhor do que eu. Mas, cuidado: não engravides nenhuma garota, nunca te cases. E sobretudo, cria em ti um universo próprio… Cresceu a sofrer de epilepsia, muitos anos depois revelou: - Era horrível e a minha mãe contou-me que, um dia, corri para ela e disse-lhe: Não vou ficar mais doente assim. Ela, muito espantada, perguntou-me: Quem disse? Eu respondi-lhe: Foi um anjo, o anjo que me curou. E sim, nunca mais tive outro ataque… O ESPANTO QUE NASCEU NO PROGRAMA DO HUMORISTA… Quando entrou para a escola, apesar de franzino e pequenote, espantou pelo jeito que mostrava nos jogos de futebol americano e no basebol – mas o espanto foi ainda maior ao chegar ao liceu. Apesar de ter metro e meio (aliás, não cresceu mais do que 1,58 metros…) e escolheram-no para a equipa de basquetebol de Bryant Junior. A história de Prince basquetebolista andou perdida no tempo até ao dia em que Charlie Murphy, irmão de Eddie Murphy, o chamou a Chapelle´s Show, programa de humor numa televisão americana de cabo. Apareceu-lhe vestido como se estivesse a sair, extravagante, de uma cena de Purple Rain – e Charlie, olhando-o, de alto a baixo, provocou-o: - Piada tinha jogar basquetebol contigo… Prince não se desmachou, exclamou-lhe: - Pode ser já: eu e a minha banda, tu e a tua equipa… Havia um campo em redor, já preparado pela carta que Charlie levara na manga talvez– e mesmo sem despir a roupa extravagante, de camisa púrpura aos folhos, calças justas e sapatos de tacão alto, Prince deu-se a malabarismos como se fosse um Globetrotter – e acabou o jogo com um afundanço, ficando, depois, preso ao aro, à gargalhada. Quando, abismado, Murphy o contou, dizendo que não tinha perdido o jogo, tinha sido humilhado - Prince murmurou-lhe: - Não é que eu seja tão bom como dizes, tu é que é muito mau… DO FUTEBOL AMERICANO AO BASEBOL E DEPOIS ATÉ FOI TREINADOR NA EQUIPA DE IGREJA… Pouca gente acreditou que a história do jeito de Prince para o basquetebol não fosse blague criada para dar mais ênfase ao Chapelle´s Show – mas as dúvidas, se as havia, onde as havia, desfizeram-se através do que Libor Jany descobriu e pôs no Minneapolis Star-Tribune, juntando-lhe fotos de Prince com a camisola nº 3 de Bryant: - Apesar de já ser fanático pela música, andava sempre rodeado pelos desportistas tanto na Bryant Junior High como na Central High. Não era só basquetebol que Prince lá jogava, também jogava futebol americano e basebol. Aliás, depois, quando já andava pelo 9º ano, até foi treinador de uma equipa de caloiros na igreja do bairro. NÃO CHEGAVA A CINCO PÉS, TEVE AZAR COM O MOMENTO... À reportagem, Jany Juntou a memória de Richard Robinson, o seu treinador em Bryant: - Apesar de baixinho, não chegava a cinco pés, era um excelente jogador. Transportava bem a bola, lançava com perícia, fazia pontos com facilidade. Era o meu sexto ou sétimo homem, eu acabava por tirá-lo, porque o seu problema eram os ressaltos sobretudo. A certa altura, Prince começou a achar que jogava pouco, ficava triste. Uma vez disse-me que ou eu o punha mais vezes a titular ou deixava a equipa, tinha outras coisas para fazer. Acabou por deixar a equipa – e eu não tenho dúvidas: teve azar com o tempo em que chegou ao colégio. Aquela equipa da Bryant era das melhores da história. Numa outra, Prince seria facilmente titular, sempre titular…...