SEXTA-FEIRA, 31-07-2015, ANO 16, N.º 5662
Ronaldo não quis ver os penalties
Portugal
Jogo com Espanha foi o programa mais visto desde 2004
13:45 - 28-06-2012
Com um total de 3.689.700 telespetadores, o jogo entre Portugal e Espanha, das meias-finais do Euro-2012, foi o programa de televisão mais visto dos últimos oito anos na televisão portuguesa, anunciou a estação televisiva SIC.

«O jogo transmitido pela SIC liderou com 39 por cento de audiência média e 74.8 por cento de share, o que equivale a 3.689.700 telespetadores, lê-se em comunicado.

A transmissão teve o pico de audiência nas grandes penalidades, com 4 milhões e 61 mil de espectadores.

De acordo com a SIC, este resultado foi apenas ultrapassado pela vitória da Seleção Nacional ante a Holanda, por 2-1, nas meias-finais do Euro-2004 disputado em Portugal.
Redação

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Portugal O treinador português, José Mourinho, e o capitão da seleção nacional, Cristiano Ronaldo, estão integrados na lista VIP de contribuintes divulgada esta quinta-feira pelo Correio da Manhã. De acordo com o jornal, existem várias personalidades integradas na lista de nomes cujo acesso aos dados fiscais por parte de funcionários do Fisco dá origem a um alerta nos serviços centrais da Autoridade Tributária. Nesta lista estão ainda incluídos os políticos Paulo Portas, Cavaco Silva e José Sócrate
Portugal Depois da derrota com a França por 2-1, o central português comentou a forma como Portugal entrou no jogo, bem como tudo o que sentiu com o regresso à seleção. «Quando perdemos, perdemos todos», afirmou Ricardo Carvalho, referindo que a equipa se dispersou nos momentos iniciais do encontro: «com o desenrolar do jogo fomos crescendo, apesar de ter havido alguma desconcentração no segundo golo.» Em relação ao regresso à seleção, Ricardo Carvalho reafirmou que se sente «a viver um sonho», e q

destaques

O que o engano no México tem a ver com a injeção com que eliminou Pelé (& mais, muito mais, na vida fantástica do Eusébio americano...)
Estrela de Diamante A Eusébio Cup é no México e no México viveu Eusébio uma parte atribulada da sua aventura pela América. Não, não foi só como jogador do Benfica – foi, sobretudo, quando deixou de ser jogador do Benfica. Essa é a história que aqui se conta – por entre tantas, tantas, outras. E é assim que se fecha uma viagem fantástica pela sua vida – de Mafalala ao Panteão... Ainda não tinha sequer levado pelo seu fascínio o Benfica a bicampeão europeu nos 5-3 ao Real Madrid em Amesterdão e já Eusébio tinha o mundo a seus pés. Wolf Lyberg, jornalista sueco do IB-Idrotsbladet, que já se encantara com os «três golos magníficos que pareciam tiros de canhão» que marcara em Paris ao Santos de Pelé, na primeira vez em que defrontara o Santos e o Pelé, escreveu: «Para mim, para o planeta, Eusébio ganhou um novo nome: Eusébio Navarone, Navarone como os canhões». 3000 contos eram 3000 contos, sobretudo depois do que perdeu... Pois, se a fama chegara cedo, a fortuna nem por isso: - Fomos campeões, campeões de 1974/75, e o Benfica libertou-me, enfim, para eu ir à minha vida. No fundo, para eu recuperar o que tinha perdido ao longo do tempo para não deixar o Benfica, para recuperar o o que tinha perdido em Moçambique: com a independência, os gajos nacionalizaram tudo o que eu lá tinha: casas, terrenos – e quem mo tirou foram os gajos com quem eu tinha andado na escola, com quem eu tinha crescido em Mafalala, jogado à bola em Mafalala. Sim, era um homem rico, mas rico por aquilo que tinha ganho na bola mais do que pelos apartamentos e terrenos. Parti e senti logo saudades do Benfica, mas 3000 contos eram 3000 contos... (Era muito? Depende. Por essa mesma altura, Yazalde trocara o Sporting pelo Marselha por 12 500 contos...) Cunhal não queria eleições, mas houve... Vasco Gonçalves, o Primeiro Ministro do PREC, começara, entretanto, a tropeçar nos seus devaneios: - Não podemos perder por via eleitoral aquilo que tanto tem custado ao povo, a revolução. e Álvaro Cunhal deu-lhe aconchego: - As eleições não têm nada ou têm muito pouco a ver com a dinâmica revolucionária, Portugal nunca terá uma democracia burguesa. O MFA não cedeu às pressões e aceitou que se fizessem as eleições para a Assembleia Constituinte. estavam marcadas para Foram a 25 de Abril de 1975. Ganhou-as o PS. A 25 de Abril de1975 fizeram-se, enfim, mesmo contra o desejo de Álvaro Cunhal e do PCP, as eleições livres. O República titulou: «Às 4 da manhã já havia eleitores nas portas das assembleias de Lisboa». Depois, ao longo do dia, um pouco por todo o lado, viu-se gente, muita gente, várias horas em bichas à espera de colocar na urna boletim feito em papel oferecido pela Suécia, numa delas, um repórter apanhou de Olinda Alcobia: - Tive de deixar a minha menina de 4 anos sozinha em casa, mas eu tinha de votar, tinha de aproveitar a liberdade, esta coisa maravilhosa que o 25 de Abril deu ao povo A seguir às eleições, a notícia foi: 80 mil dólares para Eusébio... O PS elegeu 115 deputados, o PPD 80, o PCP 30, o CDS 16 e o MDP/CDE 5 – e nem Artur Jorge pelo MDP/CDE, nem António Simões, pelo CDS, conseguiram lugar em São Bento – e no dia seguinte por entre o frenesim que o ato causou pelos jornais, anunciou-se que os Oceaneers de Rhode Island acordara contrato de 80 mil dólares (que eram, então, cerca de 2000 contos...) com Eusébio – e o seu presidente ainda disse mais: - É um compromisso por 12 meses, pagáveis a 200 contos por cada 30 dias... Ainda não se sabia se o Benfica o dispensaria ou não (Simões já se sabia que sim...) e, por isso, num sinal desses novos tempos, no Diário de Lisboa escreveu-se: «Afastados da selecção nacional e perto do ocaso das suas carreiras, temos de convir que a proposta é deveras tentadora. Isso mesmo o deverá reconhecer o Benfica, cujos dirigentes não deixarão de seguir, em relação a Eusébio, o mesmo critério que adoptaram no caso Simões, autorizando-o igualmente a sair do Benfica. Privar o jogador de aproveitar esta oportunidade seria um grave atropelo ao sagrado direito ao trabalho que não estaria nunca no espírito dos dirigentes do Benfica...» Estados Unidos perderam o Vietname, Eusébio ganhou a América... Cinco dias depois, na capa do República havia notícia de que a peça Três Marias subira a cena em Washington – e a manchete era a que contava o fim da Guerra no Vietname com a derrota dos americanos. E sim, já se sabia também que sim – que Borges Coutinho aceitara desligar Eusébio do contrato que ainda tinha com o Benfica para poder «ir ganhar a vida» à América... ...
Estrela de Diamante Com Eusébio pelos Estados Unidos, Portugal começou, devagarinho, mas agitado, a desfazer-se do Verão Quente que se atiçara quando ele para lá foi. Nas festas do 1º de Maio de 1975, o PCP proibira Mário Soares, o líder do partido que ganhara as eleições de discursar. O PS pediu ao FC Porto as Antas e no comício que lá fez pela «democracia de verdade» estiveram 50 mil pessoas. Arrastou mais 100 mil para a manifestação da Fonte Luminosa, apesar de o COPCON, a força militar comandada por Otelo Saraiva de Carvalho, ter levantado barragens à entrada de Lisboa – e Costa Gomes, o Presidente da República que substituíra António de Spínola, percebeu o destino a mudar: - O povo já não está com o MFA... Cocktails molotov e o fim do PREC do filho do treinador campeão no Benfica O PCP ainda fez em Montemor-o-Novo ação para exortar à «defesa da revolução, custasse o que custasse», ensinou aos seus militantes o fabrico de cocktails molotov – mas a 12 de Setembro de 1975 o gonçalvismo, esse frenesim radical sob o signo de Vasco Gonçalves, o filho de Vítor Gonçalves que fora o primeiro treinador a fazer do Benfica campeão, apagou-se. Tinham sido mais do que 452 dias quentes – 452 dias avassaladores. O tio-avô de Bruno de Carvalho e a fumaça das bombas a rebentar... Com a inesperada bênção de de Otelo e o arrimo do PS e PPD foi Pinheiro de Azevedo a Primeiro-Ministro. Por essa altura já tinha um sobrinho-neto chamado... Bruno, Bruno de Carvalho – e sim, é mesmo esse: o presidente do Sporting! No seu governo pôs Melo Antunes, Salgado Zenha e Almeida Santos (que fora jogador de voleibol da Académia, tal com Adriano Correia de Oliveira, o cantor). Quatro dias após a posse deficientes das forças armadas desaguaram em Belém e deixaram o governo sequestrado seis horas, o restabelecimento da ordem coube aos comandos da Amadora de Jaime Neves. Era ainda o tempo das manifs e das contra manifs – e a 9 de Novembro convocou-se para o Terreiro do Paço uma a favor do governo. De súbito, a atemorizar quem lá estava, rebentaram bombas do PRP e granadas de fumo da Polícia Militar – e Pinheiro de Azevedo da varanda do palácio bradou: - É só fumaça, o povo é sereno! Os deputados à fome, o governo em greve...Nem 72 horas passaram – e trabalhadores da construção civil entrincheiraram-se junto à Assembleia Constituinte. Vaiaram Pinheiro de Azevedo. Que exigiu a Otelo brigada do COPCON para desfazer o cerco ao Parlamento, ele não lhe obedeceu. 36 horas ficaram deputados à fome, queixaram-se. (Os do PCP não, puderam entrar e sair, vitoriados, aclamados.) Cá fora, gritou-se, vezes sem conta: - Pinheiro de Azevedo fascista... fascista... fascista... até que ele, explosivo, retrucou: - Vão à bardamerda... Bardamerda para o fascista... Da Avenida da Liberdade com betoneiras e tractores de reboque das zonas da Reforma Agrária largou, depois, a «manifestação unitária popular». Desembocou no Terreiro do Paço e na mensagem que enviou para ser lida por um soldado, Otelo, afirmou que o Terreiro deixara de ser do Paço, passara a ser do Povo - e exortou trabalhadores e militares a avançarem para a «revolução socialista». Pinheiro de Azevedo respondeu-lhe com ato como nunca se vira: pôs o governo em greve, largou mais uma bombástica frase: - Já chega... Não gosto de ser ofendido, não gosto de ser sequestrado, pá, chateia-me... «Se não me segurassem, matava-o...» A 23 de novembro, houve mais uma jornada para o Nacional – e o FC Porto empatou em Aveiro com o Beira-Mar, deixando Stankovic, o seu treinador, em cada vez mais maus lençóis. O Benfica também empatou, mas em Braga – mas, mesmo sem Eusébio, continuou, com Mário Wilson ao leme, de vento em popa a caminho do título. O Sporting? O Sporting, que nesse ano andara sobretudo em contradança, vá lá: ganhou ao Belenenses. Horas depois, Ramalho Eanes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e Jaime Neves foram a Belém dar conta da intenção a Costa Gomes - e Neves contou: - Se não me segurassem eu matava-o. Atirei-me a ele, agarrei-lhe o pescoço, sim até o matava... Porque ele, que era o PR, o Chefe do Estado Maior, não queria assumir nada, a responsabilidade das operações militares, só dizia que os outros eram coitadinhos e por aí adiante, não, não estava hesitante, estava cheio de medo, cheio de medo... A morte do jogador de basquetebol e Jaime Neves com Jorge de Brito... Era já 25 de novembro: quando no Ralis, onde os soldados tinham feito um juramento revolucionário de punho fechado, Dinis de Almeida e Carlos Fabião foram presos, os revoltosos entregaram-se, em catadupa, ao capitão Salgueiro Maia. Estando a Polícia Militar a entregar-se também na Ajuda ao pelotão de comandos de Jaime Neves – uma milícia popular disparou de um prédio fronteiro e matou-lhe três homens. Um deles, José Eduardo Coimbra, era grande esperança do basquetebol nacional, estava miliciano na Amadora, jogava na equipa do BPM, no Porto. (Em 1981 Jaime Neves passou à reserva, foi trabalhar para Jorge de Brito como seu gestor de propriedades. Continuou a acompanhar o clube para todo o lado - era ritual que tinha desde os tempos de Eusébio, que só não cumpria quando andava po África fazer-se herói. Comandara a companhia 2045, uma das últimas forças especiais a deixar a guerra colonial - e nela se inspirou para, com mais seis comandos, fundar uma empresa de segurança: 2045, o seu último projecto de vida...) ...
Estrela de Diamante Eusébio aprendera a falar inglês vendo cartoons e bastaram-lhe sete jogos e dois golos em Boston para espalhar o seu fascínio por todo o lado. De tal forma que até o senador Ted Kennedy se tornou seu amigo, apareceu, por vezes, fotografado entre Eusébio e Flora em jornais e revistas. Sabendo que os Minutemen não tinham mais dinheiro para lhe pagar, Fernando Riera desafiou-o para o Monterrey, que treinava no México, oferecendo-lhe 2000 dólares, já cerca de 100 contos, por cada jogo que fizesse, além dos 80 mil dólares de luvas - e, ele, espantado, não deixou de revelar: - Sim, posso dizê-lo, este é o contrato mais fabuloso da minha vida. No México já jogara pelo Benfica. A primeira vez foi a 23 de agosto de 1966, numa daquelas digressões em que por cada jogo cobrava 1000 contos – e se Eusébio não pudesse ir o cachet se cortava a metade. Bateu o América por 3-0, com dois golos seus e para essa viagem fizeram-lhe um seguro de 20 mil contos, 20 milhões de escudos, por isso, por lá, houve quem o tratasse como o Senhor 20 Milhões. No México, o primeiro penalty falhado no estrangeiro... Um ano depois, voltou ao Estádio Azteca – e aconteceram duas anormalidades: uma, o Benfica perdeu, perdeu por 4-0 com a seleção do México; outra, ele falhou um... penalty. Ignacio Calderón, o guarda-redes que, mesmo durante o tempo em que era guarda-redes tinha uma outra profissão: era ator, aliás, mais do que ator: galã de telenovelas mexicanas, defendeu-lhe a bola batida para o lado esquerdo. Era o terceiro que falhava em toda a sua vida: em Portugal falhara dois, mais dois haveria de falhar depois (e no estrangeiro outro haveria de falhar também – e, porque o destino se faz caprichos assim, ao deixar de ser, magoado, jogador de um clube do México...) De azul e branco, à sombra da Sierra Madre, tão perto de Saltillo... Sim, foi o filme que deu mais eternidade a John Huston: Humphrey Bogart a fazer de Fred Dobbs, mendigando com a vida num rodopio até que o sonho do ouro o levasse à Sierra Madre – e foi no sopé da Sierra Madre, tão perto de Saltillo (a palavra que ficaria maldita para o futebol português, quando o futebol português já não tinha Eusébio a jogá-lo...) que se estreou pelo Monterrey de azul e branco vestido. No Estádio Tecnológico, 50 mil pessoas gritaram-lhe o nome antes do pontapé de saída durante mais de um minuto – e colegas de equipa pediram-lhe autógrafos à saída do balneário. O jogo com o Laguna acabou 2-2, Eusébio marcou um golo – e deixou o relvado aos ombros dos adeptos em euforias e frenesins... Arrastou o Monterrey para o título, não lhe pagavam... Arrastou o clube para o título de campeão estadual, mas antes de lá chegar, o destino fez-lhe uma finta: Fernando Riera foi-se embora e lamentava-se à sombra da igreja da La Puríssima Concepción: - Talvez tenha sido o pior bocado que passei em toda a minha vida: quando entrei no estádio deserto, sem ninguém, sem amigos, sem companheiros de trabalho. Eu e a minha solidão. Ia ali, àquele campo modesto, perto da minha casa, só para me treinar, pois as minhas relações com o clube estavam más... Ao cabo de 10 jogos apenas, apercebeu-se de que o clube não lhe pagava nada do que lhe prometera – e deixou de aparecer aos treinos: - Queriam pagar-me menos do que estava no contrato e eu não estava disposto a aceitar. Todos os dias ia jogar à bola para um campo ao pé da minha casa, para não perder a forma, saía de casa, metia à montanha e corria, corria, sozinho com os meus pensamentos. E quando corria. pensava: «Sou um tipo chamado Eusébio, andei no futebol maior, fui aplaudido por multidões, e estou agora no México, abandonado, incompreendido, longe dos meus, com a minha família desambientada. Isso merecerá a pena? Em que me vim eu meter?». Mas todos os dias ia jogar com uma bola para um campo de bairro ao pé da minha casa ou correr sozinho pela Sierra Madre e pensava: sou um tipo chamado Eusébio, andei no futebol maior, fui ídolo de multidões e agora estou para aqui abandonado, incompreendido, merecerá a pena? Em que me vim eu meter, afinal?». Achou que não, que não valia a pena – e rescindiu contrato... ...