SEGUNDA-FEIRA, 25-05-2015, ANO 16, N.º 5595
Buffon disse que jogo com a Alemanha foi «duro»
Itália
«Cheguei a temer a eliminação», desabafa Buffon
00:15 - 25-06-2012
Gianluigi Buffon, antes da partida com a Inglaterra, chegou a dizer que seria bom para os corações dos italianos a equipa não ter de decidir o jogo por grandes penalidades.

Pois bem, o desejo não foi concretizado e a Itália teve mesmo de recorrer aos castigos máximos para seguir em frente na prova. O guarda-redes italiano, capitão de equipa, não escondeu as emoções no final do jogo.

«Cheguei a temer a eliminação, porque numa lotaria podemos vencer ou perder. De qualquer modo, acho que merecemos estar nas meias-finais, porque fomos a melhor equipa em campo. Fizemos um grande jogo frente a um adversário temível», elogiou o internacional italiano, que contou algumas das sensações durante as decisões:

«Depois do Montolivo falhar, pensei que apenas com uma defesa conseguiria salvar a equipa. E esta equipa merecia muito seguir em frente. Foram momento de grande nervosismo e pressão, mas conseguimos o nosso objetivo».

Segue-se a Alemanha. O pensamento, pois claro, está em atingir a final de Kiev.

«A Alemanha parte como favorita, mas temos o perfil certo para protagonizar um jogo complicado com eles».


Redação

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Estrela de Diamante Para muita, muita gente, foi nos pés de Jonas que o Benfica começou a nascer campeão. Para muita, muita mais, teve apenas um pequeno azar: aquele minuto 68 do Benfica-Marítimo poderia ter-lhe marcado a história ainda a mais lustro - mas ao anular-lhe (mal...) um golo, o assistente de Nuno Almeida impediu que a Bola de Prata fugisse das mãos de Jackson Martinez. Por causa disso incendiou-se a luz em apupos e imprecações - e, por entre a euforia da festa do título, Jorge Jesus não calou a mágoa: - O árbitro auxiliar tirou golo limpo ao Jonas, se não ele teria sido o melhor marcador. E merecia-o. Assim como o merece o Jackson, também merecia o Lima. Mas o mais importante foi o troféu do bicampeonato... Não, a ele não se lhe notou grande angústia por não ter sido o que poderia ter sido: - Mais importante é comemorar o título do Benfica, era o nosso primeiro objetivo. Fizemos belíssimo campeonato. O prémio individual? Foi por pouco, aquele golo anulado... Mas estou feliz... Sim, impressionante foi o que foi Jonas até chegar ali - uma vida que é um encanto, um espanto. Por exemplo, aos 18 anos, António Simões já tinha ganho a Taça dos Campeões pelo Benfica (e ainda hoje é o mais jovem campeão europeu da história.) Aos 18 anos, Cristiano Ronaldo já ganhava 150 mil euros por mês no Manchester United (e uma década depois já tinha o salário multiplicado por 10.) Aos 18 anos, Jonas nem sequer estava a jogar futebol (deixara-o para se dedicar ao curso de farmácia) – e, de repente, tudo mudou – e é isso que lhe contamos aqui... No bilhete de identidade de Jonas Gonçalves Oliveira está a data de nascimento: 1 de abril de 1984 e a naturalidade: Bebedouro: - Acontece que quando eu nasci não tinha maternidade em Taiúva, minha mãe foi levada para Bebedouro só para dar à luz mesmo, não fiquei nem uma semana lá. Por isso, o pessoal cobra quando sai em algum lugar que sou de Bebedouro, me trata como o «filho ilustre» de Taiúva... Isso revelou ao Globo quando já estava no Valência e sonhava com o regresso à seleção do Brasil – e a vereadora Maria Rita Brandão propusera que lhe fosse dado o título de Cidadão Taiuvense: - Jonas é o grande embaixador de Taiúva para o mundo. Precisamos homenageá-lo como merece, pois só teremos um novo Jonas daqui a 200 anos. «Está cá e não devia estar, é um predestinado» (foi assim que o irmão lhe percebeu o destino...) Taiúva é cidadezinha do interior, a 360 quilómetros de São Paulo – marcada por passado de grandes plantações de café, em fazendas a perder de vista – e foi numa assim, a Gironda, que Jonas cresceu. Quando ele nasceu Tiago tinha oito anos, Diego tinha cinco – e Diego costuma dizer: - Jonas tinha de ser especial. Um predestinado. Está cá e não devia estar, nossos pais foram surpreendidos com a sua chegada imprevista... Ismael, o pai, era professor de Matemática e de Desenho Geométrico, Maria Luiza, a mãe, era professora de Ciências Naturais. Continuam a sê-lo – e até já foram mais do que isso: ele prefeito de Taiúva, ela vereadora. No campinho de uma baliza só e na rua entre o churrasco (foi assim que Jonas se tornou no que Jonas é...) Da fazenda passaram para a cidade, na casa dos Gonçalves Oliveira não deixou de haver um campinho: - Todos os dias eram dias de futebol. O espaço era pequeno no piso de terra, tinha só uma baliza. Acredito que isso foi determinante para Jonas só ter o que tem: olhos para o golo. Depois, havia outra coisa: na cidade, de 5600 habitantes, toda a rua era um grande família, nos dias de maior calor se fazia churrasco comunitário e entre a coxa de frango e a picanha, a criançada jogava de três para três. A habilidade do Jonas vem daí também, desses jogos curtos, com balizas de 50 por 60 centímetros. Ou seja, o campinho da casa e a rua ensinaram-lhe tudo, deram-lhe o futebol que ele tem... (foi Tiago quem o revelou.) Era nadador excelente, jogava pólo aquático e era capaz de pôr toda a gente a rir à gargalhada (foi assim se lhe saiu da boca: o meninos jesuses...) Mas Jonas não era só bom de bola: - Também era nadador excelente, muito bom no polo aquático. Chegou à escola e logo se percebeu que também aí era ótimo, vivendo sempre de sorriso no rosto, bem humorado – como naquele Natal, pouco antes, que a família nunca mais esqueceu. Estava toda reunida à mesa, na hora da novena, Maria Luiza iniciou a oração – e quando chegou a vez de Jonas, ele, lembrando-se do conselho de todos os dias: - Diga sempre no plural, para a benção vir para todos... recitou: - Ó meninos jesuses... O silêncio e a compostura quebraram-se à gargalhada: - Todo mundo riu muito com a minha oração, e eu mais. Aí respondi: «Ué, não era para falar no plural?». Só que tem um menino Jesus só, né? Não percebi a confusão e me atrapalhei todo Isso é motivo de piada até hoje lá em casa... 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