SEGUNDA-FEIRA, 27-06-2016, ANO 17, N.º 5994
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destaques

Crime? Baixar a cabeça ao hino e à bandeira da URSS…
Estrela de Diamante A eternidade arrebatou-a Vera Caslavska para lá das 11 medalhas olímpicas, 7 de ouro e 4 de prata que ganhou. Não, não foi só. Juntou-lhes 4 de ouro, 5 de prata e 1 de bronze em Campeonatos do Mundo e 11 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze em Campeonatos da Europa. A eternidade arrebatou-a também por ter feito o que fez antes dos Jogos Olímpicos do México – que a obrigou a que os seus últimos treinos fossem, escondida, numa aldeola das montanhas a usar ramos de árvores como barras ou sacos de batatas como pesos. E arrebatou-a ainda por ter feito o que fez durante os Jogos Olímpicos do México: baixar a cabeça à bandeira da URSS numa das seis vezes em que foi ao pódio – e não, não foi apenas por sentir que lhe tinham roubado ainda mais ouro. Regressou a Praga, transformaram-na numa pária. Fizeram-lhe chantagens umas atrás de outras, a todas resistiu – e, depois, quando parecia que lhe tinham voltado de novo os tempos felizes, o filho matou o pai, ela afundou-se em depressão, passou por um hospital psiquiátrico, esteve 15 anos a viver em reclusão. De repente regressou à vida – e às grandes causas. Por exemplo, a última foi o ataque ao populismo e a xenofobia do seu próprio presidente da República… Vera Caslavska nasceu em Praga a 3 de maio de 1942. Cresceu dividida entre o balé e a patinagem no gelo e aos 10 anos saltou para a ginástica. Aos 16 já estava na equipa da Checoslováquia que saiu do Campeonato do Mundo, disputado em Moscovo, com a medalha de prata. Meses depois tornou-se campeã da Europa no solo. 11 MEDALHAS EM JOGOS OLÍMPICOS, 10 EM CAMPEONATOS DO MUNDO, 13 EM CAMPEONATOS DA EUROPA Pesava 55 quilos, media 1 metro e 60 – e em 1960 fez a sua estreia olímpica em Roma. Levou a Checoslováquia à medalha de prata por equipas, era, pois, sinal do que haveria de acontecer nos Jogos de Tóquio, quatro anos depois: ouro no concurso individual, batendo as soviéticas Larissa Latynina e Polina Astakhova - e ouro no salto e na trave. Ainda mais impressionante foi o que Vera fez nos Campeonatos da Europa de 1965: as cinco medalhas de ouro que havia em disputa, ganhou-as todas – repetindo a façanha na edição de 1967. Antes, ninguém o conseguira. (Pelo meio, no Mundial de Dortmund – mais três medalhas de ouro, uma delas no concurso individual, e duas de prata.) A CAMINHO DA PRIMAVERA DE PRAGA... Os meses anteriores foram de Praga a agitar-se. Ota Sik, liderou grupo de economistas que exigiram ao governo uma «economia socialista de mercado» - e a 31 de outubro de 1967 a polícia dispersou à força bruta de gás lacrimogénio e cassetete manifestação de estudantes contra as condições nas suas residências, aos primeiros sinais de protestos, cortaram-lhes água e luz. Escritores foram presos por contestação à Censura e por ataques ferozes à URSS. Antonín Novotny correu a Moscovo a pedir apoio à URSS, mas, ao regressar a Praga, na esperança de que, assim, pudesse acalmar as consciências e as ruas, o Comité Central do Partido Comunista da Checoslováquia destituiu-o, colocando Alexander Dubcek no seu lugar. Não tardou, passou à chefia do governo. Em fevereiro de 68 levantou a Censura, permitindo que se espicaçasses a discussão em torno das reformas económicas, da liberdade de opinião e do abandono do estalinismo, deixando ainda mais marcada a sua posição num famoso discurso na rádio em que largou a promessa: - … de construir na Checoslováquia uma sociedade socialista com rosto humano, profundamente democrática, socialmente justa e voltada para a modernidade. Era a Primavera de Praga a abrir-se – deixando no outro lado da cortina de ferro os líderes da URSS, da Hungria, da Polónia, da Bulgária e da RDA em fúria, censurando Dubcek pela sua «ousadia contrarrevolucionária». NO MANIFESTO DAS DUAS MIL PALAVRAS COM ZATOPEK... Destinado a «operários, camponeses, funcionários, artistas e a todos», em junho de 68, o escritor Ludvik Vaculik deitou ainda mais achas para a fogueira através do Manifesto das Duas Mil Palavras – não falava apenas dos «erros do socialismo», lançava ainda mais duras críticas ao Partido Comunista, reclamava ainda maiores reformas e liberdades. Num abrir e fechar de olhos, juntou mais de 10 mil assinaturas em seu apoio – e Vera Caslavska foi uma das suas ilustres subscritoras. Por essa altura, namorava com Josef Odlozil – que nos 1500 metros dos Jogos Olímpicos de Tóquio ganhara a medalha de prata, atrás do neozelandês Peter Snell e meses depois se tornara recordista europeu de 2000 metros. Odlozil era, então, tal como Émil Zatopek, capitão do exército – e fez o que Vera fez, também assinou o Manifesto das Duas Mil Palavras. OS TANQUES EM PRAGA, O GOVERNO DETIDO EM MOSCOVO... Numa reunião secreta do Pacto de Varsóvia, Walter Ulbricht, o presidente da RDA (que haveria de ser o mandante da construção do Muro de Berlim), defendera imediata intervenção armada para pôr fim à «rebelião de Praga», mas Leonid Brejnev, o presidente da URSS, achou que talvez fosse melhor esperar. Ao saber do Manifesto das Duas Mil Palavras correu, furioso, para o telefone – e exigiu a Dubcek que colocasse ponto final na «rebelião». Não colocou e na noite de 20 para 21 de agosto de 1968, tropas do Pacto de Varsóvia lançaram-se ao ataque. Paraquedistas soviéticos assaltaram a sede do Partido Comunista e levaram detidos para Moscovo os membros da sua direção – que também eram membros do governo. O povo saiu à rua em defesa da Primavera de Praga – e famoso se tornou a foto de um jovem a atirar-se, de camisa rasgada e peito descoberto, para a frente de um tanque soviético, em Bratislava. Em Praga, populares correram a virar os letreiros com os nomes das ruas para confundirem as colunas dos tanques que se dirigiam a pontos estratégicos da cidade. Foi tudo em vão… Os jornais e as rádios foram tomados pelos invasores – e, detido na URSS, Dubcek foi obrigado a assinar o Protocolo de Moscovo. Capitularam as reformas – e a Primavera de Praga virou inferno… COM ZATOPEK A CAMINHO DOS TRABALHOS FORÇADOS NA MINA... A polícia política entrou em reboliço, prendendo opositores – e um deles foi Emil Zatopek, que era, por essa altura, o mais famoso olímpico europeu vivo e não se limitara a assinar o Manifesto das Duas Mil Palavras – ou a condenar a invasão de Praga, exclamou: - A URSS deveria ser impedida da participar nos Jogos Olímpicos do México! Não tinha dúvidas sobre a consequência brutal do desabafo: - Uma semana mais tarde, chamaram-me ao Ministério da Defesa e expulsaram-me do exército. Por delito de opinião, fui sentenciado a trabalhos forçados numa mina de urânio. Ao escutar a pena, respirei fundo e disparei: se pensam que me humilham com isso, estão enganados! Um desportista não tem medo de pôr o corpo ao serviço do que seja e se calhar assim até vou ganhar mais do que a miséria que me pagavam como militar…...
Estilos e Espantos Se não reparou, já não vai reparar, que a Áustria já disse adeus ao Euro. Não, à primeira vista não parecia o Roger Spry do Vitória de Setúbal, do Sporting ou do FC Porto - mas sim era ele mesmo: o mais exótico preparador físico da história do futebol em Portugal. Agora de barbas, barbas esbranquiçadas, tal como o cabelo, mas o mesmo frenesim, os mesmos métodos mais ou menos bizarros. E sim é isso que aqui se recorda na véspera da Islândia jogar com a Inglaterra, a Islândia que trocou as voltas a Roger Spry... O futebol é uma paixão que se tem, ou não se tem, embora se possa aprender a apreciar. Mas as memórias, essas memórias que recordam as lendas do futebol, só os verdadeiros amantes as têm. Quando Figo, Balakov, Ivkovic, Cadete e outros, corriam incansavelmente à volta do campo. Mas aqui não lhe vamos contar a história desses jogadores, mas sim, a história do preparador físico, que na passagem por Portugal, revolucionou o futebol português, e principalmente, revolucionou a mentalidade desses jogadores. Não foi fácil, mais difícil ainda, foi perceber o que um tal de Roger Thomas Spry lhes gritava. No fim, acabavam aos pulos, a dançar e a fazer golpes de karaté em pleno relvado. UM INGLÊS QUE CAIU DE PARAQUEDAS EM PLENO SADO Nascido e criado em Inglaterra, Roger Spry, um homem feito, na casa dos 65 anos, despediu-se cedo de França, quando a Seleção da Áustria, onde desempenha o papel de preparador físico, acabou por cair aos pés da fogosa Islândia. E porque aqui lhe falamos de Spry? Não conseguiu travar os islandeses, o Heavy Metal não foi suficiente para acordar os austríacos, mas em Portugal, marcou uma geração de jogadores, fez amizade com influentes treinadores, e acabou por escrever o seu nome no futebol português. Não só se apaixonou por Portugal, como tem um lugar reservado no Sado, para quando abandonar a carreira... Roger Spry chegou ao Vitória de Setúbal em 1986 para acompanhar o treinador Malcolm Allison, o outro inglês extravagante que o futebol português teve. Jovem e astuto tentou mudar o futebol. Não se limitou a fazer os jogadores correrem à volta do campo – isso já eles sabiam – com Spry os treinos eram personalizados e não tinham que pagar mais por isso. Gabavam-lhe as pinturas de guerra que levava para os treinos, o rádio que sempre o acompanhava, onde punha os jogadores a dançar no aquecimento, sob a batuta do igualmente excêntrico Malcolm Allison. O AMIGO JOSÉ MOURINHO Com formação superior na área da condição física e um cinturão negro numa variante de Karaté, o treino também incluía golpes que mais pareciam de treinos de artes marciais. Mas não, era mesmo futebol, dizia ele. «Basicamente, ensinamos os jogadores a levar porrada e sorrir. O adversário fica a pensar: este gajo é maluco ou é o super-homem». Inglês de gema, Spry adaptou-se bem ao futebol português e à vizinhança: ficou hospedado nas margens do Sado durante três anos, tempo suficiente para ver nascer uma das suas filhas, «uma setubalense de gema». Depois da passagem pelo Vitória de Setúbal, Spry acabou por regressar a Inglaterra onde representou o Aston Villa. Mas Portugal ficou-lhe na memória, e mais cedo ou mais tarde, sabia que o regresso estava para breve. Até porque lá deixou um amigo, para muitos special one, para ele apenas José. No Vitória de Setúbal, Spry encontrou Félix Mourinho, que tinha sido por lá guarda-redes, e uma jovem promessa – o filho – mundialmente famoso – José Mourinho, que dividia os seus tempos entre o curso superior em Lisboa e os treinos do Vitória. NO SPORTING DEPOIS DA CHAMADA DE SOUSA CINTRA Em 1991, Spry mudou-se para o Sporting para trabalhar com Bobby Robson e Carlos Queiroz, depois de ter recebido uma chamada de Sousa Cintra. Foi ali, de leão ao peito que se cruzou com Figo, um dos jogadores que mais o marcaram enquanto esteve por terras lusas. «Ainda me lembro de ver Luís Figo a vomitar num treino, mas o sucesso é doloroso. Quando mais dor, melhor. Na altura, ele não gostou, mas cresceu bastante. Foi e é um dos melhores do Mundo. Fizemos compreender que ele tinha uma técnica incrível, mas que ia levar muita porrada na sua carreira. Ele aprendeu que sorrir depois de levar porrada é a melhor lição», revelou o inglês em entrevista ao Mais Futebol. PENTACAMPEONATO NA INVICTA De saída de Alvalade, seguiu-se uma passagem pelo Japão e, uma vez mais, o telefone voltou a tocar, com uma voz portuguesa do outro lado – era Pinto da Costa, e um convite para rumar ao FC Porto, onde Roger Spry trabalhou com António Oliveira e Fernando Santos. Durante o seu percurso na Invicta, assistiu ao crescimento de um mágico, conhecido como Deco. «Lembro-me do Deco, que era pequeno e fraco, foi por isso que não foi aproveitado pelo Benfica. Num jogo frente ao Salgueiros, percebemos o imenso valor que tinha. Então, quando chegou, trabalhei com ele diariamente, mas o tornar mais forte, como podemos comprovar agora», relembrou Spry, há tempos, em entrevista ao Mais Futebol. O plantel sofreu também alguns ajustes, face às saídas de Sérgio Conceição para a Lázio de Roma e mais tarde de Doriva, no mercado de Inverno, para a Sampdória, também de Itália. A época não sofreu fragilidades e começou em grande, com a vitória na supertaça frente ao Braga. Só à 14ª jornada, o FC Porto agarrou-se ao comando da classificação para não mais largar. A consagração fez-se nas Antas, frente ao Estrela da Amadora, em 30 de Maio de 1999. Milhares de portistas acorreram ao estádio para celebrar o feito histórico e único no futebol português - o Pentacampeonato. Com a saída de Fernando Santos do comando do F.C. Porto, Spry seguiu as pisadas do português para o AEK de Atenas. Depois, passou pelo Panathinaikos. Durante a estadia na Grécia, Spry colaborou com a Seleção Nacional, em vésperas do Euro2004. Nos últimos anos, Roger Spry tem dividido o seu tempo entre a Seleção da Áustria e o Celtic de Glasgow, por intermédio de Gordon Strachan. ...
Grande História Rakitic, Modric, Perisic… à primeira vista parecem nomes de medicamentos, mas não, são os senhores que deixarão tudo em campo para travar a tropa portuguesa na luta pelo título no Europeu. Depois de uma época de guerra, só mesmo o futebol para devolver à Croácia uma ambição sem precedentes, já prometida nas lágrimas de Darijo Srna, cujo cancro lhe roubou o pai. Um capitão como há poucos, que antes do futebol pensou em ser eletricista de profissão. Modric, por sua vez, o irmão de Ronaldo no Real Madrid, quis estudar hotelaria ou até ter um bar de praia, mas o seu passado como refugiado reservou-lhe outro destino, assim como ao compatriota Rakitic, rival em Espanha, no comando do Barça. Se não fosse jogador, tinha sido um mestre-de-obras. Um plantel de luxo, dominado por um treinador que além de nunca ter sido jogador, foi reparador de rádios e televisões numa pequena loja no centro de Zagreb… Uffffff… Já está! Depois de noventa minutos ligados à máquina, os portugueses conseguiram respirar de alívio e a Seleção Portuguesa segue invicta para mais um desafio. À sua espera está a Croácia, a Seleção que, sem vários dos habituais titulares, protagonizou um dos momentos mais surpreendestes do Euro de França, ao vencer a Espanha, a campeã europeia em título, e garantir o primeiro lugar do Grupo D. Portugal ficou atrás da Hungria e da Islândia, mas Ronaldo já mostrou que não está para brincadeiras, até porque conhece bem as manhas e manias de Modric e Rakitic. A Seleção da Croácia chegou ao Europeu para jogar futebol, mas mais que isso, sair da sombra daquela geração que, em 1998, foi terceira classificada no Mundial. A equipa que chegou ao pódio no Campeonato do Mundo realizado também em França tinha Suker, Boban e Prosinecki – que também faziam parte da Seleção que, dois anos antes, deu à Croácia a primeira presença numa competição internacional como Nação Independente. PORTUGAL: UM RIVAL JÁ CONHECIDO A geração de ouro dos anos noventa já lá vai, mas o plantel de luxo apresentado por Ante Cacic não lhe fica nada atrás… Recuando no tempo, o passado de Portugal contra os croatas até é vitorioso: três vitórias em outros tantos jogos, embora só um numa fase final. Foi na fase de grupos do Euro em 1996, quando a equipa de grandes jogadores como Suker, Prosinecki, Jarni, Asanovic ou Boban perdeu com a portuguesa (3-0), com golos de Figo, João V. Pinto e Domingos. Os outros dois confrontos foram particulares - em 2005 e 2013, com vitórias por 2-0 e 1-0. No primeiro destes marcaram Petit e Pauleta, no segundo... Ronaldo. Sábado a história vai continuar, numa estreia para a equipa das Quinas, no Estádio Bollaert-Delelis, em Lens - originalmente batizado de Félix Bollaert, construído por mineiros desempregados e que acolheu partidas do Europeu de 1984 e do Mundial de 1998, além de ter sido um dos palcos dos Campeonatos do Mundo de râguebi de 1999 e 2007. ...

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