QUARTA-FEIRA, 01-06-2016, ANO 17, N.º 5968
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destaques

Onde se fala do namorado de Madonna, morto pelo próprio irmão...
Estilos e Espantos Enganou-se na porta, foi morto a tiro. Foi assim que a América (e não só…) ouviu a notícia do que aconteceu a Bryce Dejean-Jones, jogador da NBA que parecia destinado a tornar-se estrela dos New Orleans Pelicans. Aqui não lhe contamos apenas que a sua tragédia se deveu ao facto de ter sido confundido com um ladrão – contamos-lhe outros casos, casos de mortes pelo menos tão arrepiantes como a sua (senão mais). Por exemplo? O que sucedeu a Len Bias quando se achava que estava a caminho de ser o que Michael Jordan começava a ser – e o que sucedeu a Bison Dele (que antes tinha outro nome e foi até namorado de Madonna…) que depois de ter sido campeão nos Chicago Bulls com Jordan, Scottie Pipen e Denis Rodman não quis jogar mais e acabou atirado ao mar pelo próprio irmão… A história de Bryce Dejean-Jones tinha tudo para ter um final feliz – vivia a primeira temporada na NBA, um sonho que perseguia desde os tempos da universidade – onde foi obrigado a saltar de escola em escola – gabavam-lhe o talento, reprovavam-lhe o comportamento. «A vida é uma experiência de aprendizagem, repleta de altos e baixos, que nos fazem crescer e sermos cada vez melhores. Joguei com grandes treinadores e com jogadores bastante talentosos e reconheço que cometi alguns erros pelo caminho. Mas estou pronto e amadurecido». Bryce Dejean-Jones queria mudar de vida, esquecer o passado conflituoso e agarrar-se a um futuro promissor. De facto chegou perto, mas não foi a tempo. DESPEDIDA PREMATURA DA NBA Nascido a 21 de agosto de 1992, em Los Angeles, Califórnia, Dejean-Jones amava o basquetebol. Na verdade só pensava no basquetebol. Era o que o sustentava, embora soubesse que os companheiros nem sempre compreendiam o tipo de pessoa que era. Ao longo da sua adolescência, Bryce foi por diversas vezes comparado a um espelho de duas faces – a relação do seu corpo com a sua mente nem sempre conseguiam encontrar um ponto de equilíbrio: ora se envolvia em brigas com os companheiros, ora divertia-se com as crianças, com quem tirava fotografias e dava autógrafos. Para os amigos, Bryce era um rapaz egoísta. Os treinadores viam algo diferente – um rapaz que nascera com uma competitividade inigualável. Bryce Dejean-Jones começou a jogar basquetebol na universidade: passou por três escolas diferentes: - USC (2010-11), UNLV (2012-14) e Iowa State (2014-15). Por ali cruzou-se com Fred Hoiberg, o ex-treinador dos Cyclones que agora se senta no banco de honra do Chicago Bulls. «Era um apaixonado e talentoso jogador que vivia o sonho de jogar na NBA, depois de todo o seu trabalho e perseverança». Depois de passar despercebido no Draft em 2015, Dejean-Jones foi contratado como agente livre em outubro de 2015 pelo New Orleans Pelicans, mas logo depois foi dispensado (não por muito tempo). O início do novo ano trouxe a Bryce uma nova oportunidade, e mais uma vez, com a chamada dos Pelicans. O clube voltou a assinar com Bryce, um contrato de apenas 10 dias. Depois já não o deixaram fugir: Bryce deu nas vistas e finalmente cumpriu o sonho de chegar à NBA – com um novo contrato, desta vez, válido por três temporadas. Mas o azar voltou a bater-lhe à porta – em fevereiro sofreu uma lesão no pulso que o impediu de continuar em jogo. Bryce encerrou a primeira temporada com médias de 5,6 pontos e 3,4 ressaltos, e 1,1 assistências, no total dos 14 jogos que realizou, 11 deles como titular, ao serviço do New Orleans Pelicans. Na história do seu melhor jogo, está curiosamente uma derrota, frente aos Los Angeles Lakers (a equipa de Kobe Bryant) por 99-96, onde Dejean-Jones apontou 17 pontos e conseguiu nove ressaltos. ...
Do Passado para o Presente Cristiano Ronaldo conseguiu em San Siro o que nunca nenhum português conseguiu: três vitórias na Taça dos Campeões. 51 anos antes, em San Siro também o mesmo poderiam ter conseguido Mário Coluna, José Augusto, Cávem, Germano, Cruz e Costa Pereira. Aliás, Costa Pereira viveu, por lá, a noite mais dramática da sua vida – e regressou a Lisboa numa cadeira de rodas. A razão, contamo-la aqui – e, por entre outras coisas mais (do futebol e não só…) também lhe contamos o que Eusébio já era antes e depois dessa final com o Inter de Milão, uma final tão «vergonhosa» que o presidente da UEFA nem sequer teve coragem para entregar, uma a uma, as medalhas aos jogadores do Benfica, atirou-as, de escantilhão, para as mãos de Coluna… O Benfica ganhara a Taça dos Campeões Europeus ao Barcelona e ao Real Madrid e Béla Guttmann despediu-se usando blague que atirara ao ar quando Salazar condecorou os seus jogadores: - Agora como é que vou mandar em 14 comendattoris? Não, a razão principal não foi essa. Recebia 400 contos por ano, foi para o Peñarol receber 72 por mês. Ao partir largou frase que haveria de tornar-se a sua famosa maldição: - Sem mim, o Benfica não ganhará mais nenhuma Taça dos Campeões e nos próximos 100 anos nenhuma equipa portuguesa será bicampeão europeu… Para o lugar de Guttmann entrou o chileno que acabara de levar o Chile ao 3º lugar no Mundial. Com ele o Benfica voltou à final da Taça dos Campeões, perdeu-a com o AC Milan – e dois anos depois, em 1965, nova final, novo sinal da maldição de Guttmann. AO SPORTING GUTTMANN DISSE NÃO, AO BENFICA ATÉ VOLTAVA SE... No Peñarol, Béla Guttmann perdera a Taça Intercontinental para o Santos de Pelé – e como as coisas não lhe correram como imaginara, despediu-se, meteu um ano de sabatina para descanso em Viena. O Sporting desafiou-o para seu treinador, a resposta saiu-lhe lesto do coração: - Não, não poderia estar num clube que jogasse todos os domingos em luta direta contra o Benfica. Não, não bastou que Lajos Czeizler ganhasse o campeonato de 1964/65 e lhe juntasse a Taça de Portugal – para continuar treinador do Benfica. O seu destino ficara marcado por um desconcerto, o fiasco europeu: na segunda eliminatória da Taça dos Campeões, bateu na Luz o Borússia por 2-1 (na noite incrível em que os benfiquistas tiveram seis bolas nos postes…) e, da segunda mão, saíram humilhados pelos 5-0 de Dortmund… Foi o bastante para que no Benfica se voltasse a pensar no sebastiânico regresso de Guttmann – e, dessa vez, a sua resposta de coração foi: - … sim, claro! mas pouco sentimental não foi o preço que lhe colocou: 100 mil dólares de luvas — que eram, então, quase 2000 contos —, casa de luxo inteiramente mobilada num dos locais mais chiques de Lisboa, automóvel com motorista, férias pagas na Áustria e um ordenado de pelo menos 500 contos por ano, livres de impostos. E, vá lá, uma condescendência: o prémio pela conquista da Taça dos Campeões Europeus mantinha-se igual ao de 1962: 500 contos. (500 contos davam, então, para comprar cinco automóveis Morris 850 que andavam na berra, com a publicidade feita por modelos em calções curtos, como se fossem jogadoras de futebol – e os moralistas e as moralistas achavam que era um escândalos mostrarem-se assim as pernas ao léu…) Adolfo Vieira de Brito, que sucedera a Fezas Vital, como presidente do Benfica fez contas à vida, respondeu-lhe que assim não era possível, que era «treinador muito caro» - e contratou Elek Schwartz para a época de 1964/65. «SE O BENFICA CHEGASSE A SITUAÇÃO DE RUÍNA...» Meses depois Béla Guttmann veio passar o Natal de 1964 em Lisboa. Alojou-se no Hotel Tivoli – e, em A Bola, comentou arrasador a tese do «treinador muito caro»: - Em face dos resultados, o que eu sou é o treinador mais barato do Mundo. Basta ver a escrita do Benfica: quando lá cheguei o clube recebia 2500 dólares por desafio, depois passou a receber 30 mil. E, por ter ganho o Campeonato Nacional, no Benfica recebi apenas 150 contos de prémio. Czeizler, depois, ganhou 250 contos e estava instalado num hotel em que o Benfica gastava oito contos por mês... Sinceramente, se o Benfica chegasse a uma situação de ruína financeira era capaz de treinar sem levar um tostão. Mas como o Benfica está ganhando muito dinheiro com o futebol... Eu só queria comer uma parte justa... Estaria a comer o que cozinhei... Porque fui eu que cozinhei o Benfica europeu, de que, depois, vieram outros comer. Eu ganhei o primeiro campeonato europeu com jogadores como Neto, Saraiva, Serra, Artur, Mário João... E agora que squadra tem o Benfica? Só Serafim ficou mais caro que todas as outras aquisições feitas no meu tempo, o Eusébio, o Torres, o Germano, o José Augusto. Deram 1000 contos por ele e não tem sequer jogado. Mas eu é que sou ou seria um treinador muito caro, não é?! SOB O SIGNO DO 5, O MOMENTO SUBLIME DE EUSÉBIO (PARTE 1) A Taça dos Campeões abriu-se no Luxemburgo com 5-1 ao Aris Bonnevoie – na noite em que José Torres marcou quatro golos (o outro foi de Eusébio). 5-1 voltou a ser o resultado na Luz. Seguiu-se o La Chauux-des-Fonds, da Suíça saíram os benfiquistas com 1-1 – e se o caminho para a final de São Siro se fez de dois momentos sublimes, um deles foi na segunda mão, a 9 de Dezembro de 1964. Sim, o resultado: 5-0 é um pormenor, o que aconteceu ao minuto 52 não - foi António Simões quem o descreveu assim em Sport Europa e Benfica, livro de Luís Miguel Pereira sobre as grandes noites europeias do Benfica: - Aquele golo do Eusébio! Quando o vejo a fazer aquilo com a bola vejo a figura do Pelé no Eusébio e a figura do Eusébio no Pelé. As imagens misturam-se. Se transformar esse golo em música ponho os auscultadores e fico à noite a ouvir aquela faixa vezes sem conta, sem nunca me cansar. É um bailado, com música refinada, obra de arte. Tudo o que o Eusébio faz nesse golo é sincronizado: a capacidade técnica, a velocidade, a potência do remate... É o golo mais atractivo da sua carreira. Claro, também lá está, emocionada, a memória do autor da obra-prima: - Apareceram os dois centrais. Ameacei e o primeiro protegeu a cara, ameacei outra vez e o segundo protegeu a cara. Depois rematei sem a bola cair. Toda a gente festejava à minha volta. Quando olhei para o lado vi o guarda-redes a bater palmas, a correr para mim para me felicitar por aquilo. Graças a Deus não foi a primeira nem a última vez que isso aconteceu......
Estilos e Espantos Fez o que Naide Gomes fizera, pode tornar-se uma das maiores estrelas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Sim, foi através heptatlo que a holandesa Dafne Schippers começou a deixar o mundo a seus pés - e só num pormenor foi diferente de Naide: Naide largou as provas combinadas para se centrar no salto em comprimento, Dafne largou as provas combinadas para se centrar na velocidade e foi tal a vertigem da revolução que, no ano passado, nos Mundiais de Pequim, não se limitou a bater um dos mais míticos recordes europeus: os 21,71 segundos que Marita Koch conseguira em 1979 e que em 1986 Keike Dreschler (tal como Marita, um dos mais fabulosos produtos da RDA...) igualara. Claro: são sobretudo esses 21,63 segundos que fazem de Dafne Schippers o que Dafne Schippers é: uma das «mulheres do momento» no atletismo - e deixam no ar a dúvidas: será que, no Rio, a versão feminina de Usain Bolt será ela? Para já, fique a saber como é que tudo começou, como é que ela chegou onde chegou... É natural: vendo Dafne Schippers tornar-se campeã do Mundo de 200 metros em Pequim (nos 100 foi por uma unha negra apenas que não bateu Shelly-Ann Fraser, a bicampeã olímpica e mundial...), jamaicanas e americanas ficaram com o coração nas mãos. E mais ainda porque só três meses antes decidira que a sua aposta era a velocidade e não o heptatlo. Aliás, Dafne não o esconde: vai ao Rio com uma ideia inabalável: «sair de lá campeã olímpica». Grande dúvida? Saber-se se só de lá sairá com a medalha de ouro nos 200 metros - ou se sairá de lá também mais próxima (ou melhor...) do que a mulher que nos Jogos Olímpicos de 1988 foi para além da humanidade, a Florence Griffith-Joyner, recordista mundial de 200 metros com 21,34 segundos (e de 100 com 10,49 segundos...) A caminho de Seul, Flo-Jo, apareceu melhor do que nunca - com a alma transfigurada e o corpo transformado, musculada e poderosa. Ninguém lhe conseguia ficar indiferente. Nem nas corridas perdia o ar da sua graça – unhas muito compridas e pintadas e, ainda, não tinha complexos em envergar equipamentos extravagantes. Após alguns altos e baixos na sua carreira, que a fizeram, inclusivamente, abandonar temporariamente o atletismo, Griffith-Joyner regressara às pistas incentivada por Bob Kersee e motivada, entretanto, pelo seu casamento, em 1987, com o campeão olímpico do triplo salto, Al Joyner. Em Seul, Florence correu os 200 metros em 21,34 segundos, ganhou quatro medalha de ouro. Insinuou-se que poderia estar dopada, nenhum controlo a apanhou - e se morreu cedo, de um ataque de epilepsia, pelo menos a autópsia fez justiça à lenda, deixou claro que a causa da morte nada teve a ver com produtos proibidos que possa ter tomado (ou não). É quase sempre assim: as suspeitas também correm, agora, em torno de Dafne Schippers. Sobretudo por ter a cara como tem, marcada pelo acne... ...