TERÇA-FEIRA, 02-06-2015, ANO 16, N.º 5603
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destaques

Gisele Bundchen também começou assim...
Estilos e Espantos Tinha hábitos «mais grosseiros», mudou-os - e o treinador ainda deu uma ajuda, adaptou-lhe os treinos, porque ser Miss ou ser modelo não é a mesma coisa que ser jogadora de voleibol. que é o que ela é. (Continue a ler, que a Natasha explica porquê...) Modelo é desde os 14 anos, há dois pusera em stand by. (Continue a ler, que a Natasha conta porquê...) Pelo caminho foi coroada Miss Turismo São Paulo, foi eleita Miss Presidente Prudente - e assume-o: quer continuar a jogar pelo Presidente Prudente, mas também quer chegar a Miss Universo. Há quem já se atreva a dizer que esse é nome: Natasha Gallinari é para decorar, há quem já se atreva a lembrar que quando Gisele Bundchen tinha na ideia jogar voleibol pela seleção do Brasil nos Jogos Olímpicos apareceu um destino diferente a desviá-la de lá, que pode ser o que venha a acontecer com ela também... Nasceu em Nova Europa, não tardou a sair de casa para se aventurar no mundo da moda. Aos 14 anos tronou-se modelo profissional, agenciada pela CP Models. Venceu o concurso ´Garota da Capa da Revista Boutique Magazine´ e foi destaque na capa das revistas ´Perfil´ e ´Kappa´. Mas a beleza não ficou apenas pelo papel. O seu charme conquistou catálogos de jóias e de lingerie, deu o rosto (e o corpo) a anúncios da TAM Linhas Aéreas. Depois de em 2014 ter sido coroada ´Miss Turismo´ e ter ganho uma moto, já este ano foi eleita Miss Presidente Prudente e representou a cidade do interior no Miss São Paulo. Não venceu, ficou entre as finalistas, colocou a meta ainda bem mais no alto, ousada. «Vou tentar de novo. Quero ser Miss São Paulo, depois me tornar Miss Brasil. Quem sabe chegue a ser até Miss Universo. Se não sonharmos, ninguém vai sonhar por nós...». O voleibol afastou-a da moda, amiga pô-la nas Misses... Atualmente, Natasha é agenciada pela AZ Model’s - mas nem só nas passereles Natasha ocupa o seu tempo. Aliás, nem é aí que tem estado a sua maior aposta. É umas das maiores promessas do voleibol brasileiro, esterla no Campeonato Paulista Sub-21. «Por causa do volei, estive dois anos afastada do mundo da moda, depois de mudar de cidade, em 2012. Retomei atividade na área após vencer o concurso de Miss Presidente Prudente 2015, a minha atual cidade.». Uma conquista que não teria acontecido sem o incentivo da amiga, porque Natasha entrou no concurso por mero acaso - ou melhor porque a amiga a inscreveu e quase a obrigou a ir lá lutar pela coroa... Para ser Miss o que teve de fazer? Mudar até os treinos... Como o desporto lhe ensinou, não lhe interessava apenas competir mas sim mostrar que o sabe fazer e para isso tinha todos os ingredientes – beleza, talento e dedicação. Conseguiu um patrocínio de uma agência de modelos e da prefeitura da cidade para cuidar do cabelo, da pele e comprar novas roupas. Teve até de mudar os seus hábitos e os seus treinos no voleibol - e para isso, para não lhe cortar a hipótese de vencer, o treinador deu ajuda preciosa, criou-lhe um plano especial de treinos até. «Tive que comprar algumas roupas e mudar um pouco a minha forma de vestir. Aprendi a fazer maquilhagem e tratar do cabelo. Treinei muito para andar nas passerelles. Tinha alguns hábitos mais grosseiros, tive que saber aprender a comportar-me melhor e saber um pouco de etiqueta. Tive que me adaptar às situações. Os atletas têm que fazer tudo com segurança, às vezes é preciso até a gente ser meio agressivo, né?!. Só que para ser Miss tudo tem que ser delicado, subtil, leve. Então eu tento adaptar-me, mas sendo eu mesma...», contou ao UOL.. «Moda e volei não seguem o mesmo perfil de corpo» Com as duas carreiras em simultâneo, Natasha Gallinari vive constantemente num dilema. Como jogadora, o voleibol exige-lhe que seja forte fisicamente para puder dar golpes, fazer bloqueios, saltar e realizar com perfeição todoas os fundamentos. Mas a moda, o ambiente em que aprendeu a crescer e onde se tornou mulher, espera que Natasha siga o padrão das modelos esbeltas e magras. «As duas profissões não seguem o mesmo perfil de corpo, o que me atrapalha um pouco. Eu quero treinar, mas não posso ficar muito forte porque modelo tem que ser mais magra. Ao mesmo tempo tenho que ser forte para dar golpes e aguentar os jogos. Mas vamos como é que eu vou conseguir fazer as duas coisas como eu quero...» Já jogou no Araraquara e Botucatu mas agora defende as cores do Prudente e entrou com o pé direito no Campeonato Paulista. Logo na estreia, venceu o Santos, o Santos que no futebol foi de Pelé e Neymar, Danilo e Alex Sandro, por 3-0. «A expectativa é muito boa, o nosso grupo é bem fechado. Se forem duvidar, mostramos que conseguimos vencer. Há equipas que têm jogadoras mais vividas, que já percorrem outros clubes com mais altura e força, mas se soubermos fazer um bom jogo, destruímos o psicológico das adversárias e ganhamos o jogo». ...
Estrela de Diamante Não, não foi nos penalties que o Sporting ganhou a Taça de Portugal. Foi ao minuto 90+4 na defesa de Rui Patrício a remate de Salvador Agra, uma defesa que foi muito mais do que uma defesa com o pé - foi uma defesa com o coração. Antes, bem antes, percebeu-se que se lesionara – e passara vários minutos a coxear e foi mesmo assim, cambado, fez o que fez. Mas, a história que lhe vamos contar – é a história de um guarda-redes do Sporting que saiu de uma final da Taça ainda mais heroico, o João Azevedo. Descubra porquê e talvez se arrepie... O pai era maquinista dos Caminhos de Ferro – e aos 12 anos, Manuel Firmo já trabalhava numa fábrica de cortiça. Despediram-no na sequência de uma greve, andou a servente de pedreiro. Continuou a jogar futebol, era defesa do Barreirense – e conseguiu que a CUF lhe desse emprego nos seus escritórios, como contínuo. Mandaram-no embora – por se recusar a denunciar colegas, suspeitos de luta sindical. Para fugir a campo de concentração nazi, acabou no Tarrafal com Cândido de Oliveira Aprendeu a serralheiro, criou Sociedade Esperantista , ensinou a língua. Anarca e sindicalista, quando Salazar lançou os sindicatos corporativos, rebelou-se. Para escapar à prisão, Firmo fugiu para Espanha. Apanharam-no ilegal, prenderam-no, acabou libertado por influência de Bernardino Machado. Em Barcelona, alistou-se num batalhão de milícias republicanas, combateu na Guerra Civil. Em 1939, penou por campos de refugiados em França – e temendo que os nazis o levassem para trabalhos forçados na Alemanha, arriscou o regresso a Portugal. Não passou sequer a fronteira, atiraram-no para o Aljube – e depois para o Tarrafal. Por lá se cruzou o Manuel Firmo com Cândido de Oliveira... No primeiro jogo, o espanto: «Dá-me aquele, podes levar o que quiseres!» Pelo Barreirense jogara, o Firmo até 1932 – e dois anos antes fez João Azevedo o seu primeiro jogo pelo Barreirense: - Foi nos principiantes, o meu primeiro jogo. Contra o Carcavelinhos, treinado pelo Carlos Canuto, que, no fim do encontro, disse ao Paulo Marreco, o nosso treinador: Dá-me aquele e podes levar o que quiseres! «Aquele» era eu e tinha 15 anos... Podia ter sido do Benfica, não foi por lhe mandarem ir buscar o dinheiro à sede... Depois, passou fugaz pela primeira equipa, Firmo ainda lá estava. O guarda-redes do Barreirense era um ícone do clube, o Francisco Câmara. Por isso, achou-se que o melhor seria emprestá-lo ao Luso do Barreiro, para que lá fizesse a tarimba. Ao Barreirense já não voltou, do Luso foi João Azevedo para o Sporting. E só não foi para o Benfica – por, nessa altura, já viver de coração sempre a arder. Uma tarde, apareceu no Campo das Amoreiras a oferecer-se para um treino, Vítor Gonçalves, o pai de Vasco Gonçalves, o «camarada Vasco» do PREC no Verão Quente de 1975, gostou dele, disse-lhe que sim, que poderia ficar no Benfica: - Pedi-lhe, então, dinheiro para as passagens, ele disse-me para ir receber à sede, não gostei e nunca mais lá voltei... Por ele se começou a dizer: «grandes frangos, só os dão os grandes guarda-redes» Acabara de fazer 20 anos – e foi a sorte do Sporting. Contratou-o para ser o seu terceiro guarda-redes nessa época de 1935/36, os outros dois eram Artur Dyson e... Jaguaré. Jaguaré era o titular da seleção do Brasil – e numa digressão pela Europa ficara a jogar no FC Barcelona. Foi lá que o foram buscar – mas, a meio da época, a baliza já era de Azevedo... Não, não se limitou a levar de pronto o Sporting à conquista do Campeonato de Portugal - marcou um estilo, um estilo como nunca se vira: entrava em campo a arrastar os pés, dando a ideia de uma insolência que chegava a irritar. Mas, depois, na baliza, quase sempre de boné na cabeça, crescia, voava, defendia o... indefensável. Por vezes, mas não muitas, também dava grandes frangos, sobretudo em remates de muito longe, e foi precisamente por causa dele que se criou aquele chavão... «grandes frangos dão-nos os grandes guarda-redes». ...
A correr no Tempo Sporting-SC Braga, a final da Taça de Portugal no Jamor. Já houve outra assim. A 30 de maio de 1982. Ficou marcada, antes e depois, por peripécias que nem imagina – e não só por um dos treinadores ter ido para o campo de lacinho e smoking (depois de ter dividido prémio até pelas mulheres da limpeza...) e o outro ter deixado o charuto e o chapéu de coco com que, antes, durante alguns jogos do campeonato, colocara os adeptos em delírios. Quem ganhou o jogo? A «quadrilha divina». Horas depois, os vencedores, que também já tinham sido campeões, partiram para Paris – e pela madrugada Malcolm Allison levou-os para o cabaré mais famoso da cidade, o Lido. (Mas olhe que ainda tem mais com que se espantar...) À entrada para 1981, o Sporting transformara-se num castelo de nuvens negras – e já sem quaisquer esperanças de ganhar o campeonato ao Benfica ou ao FC Porto, João Rocha, o seu presidente, arranjou digressão pelo Brasil que lhe rendeu 3000 contos, assim libertando as finanças (pelo menos isso...) do sufoco. Numa página de A BOLA largou-se a revelação: - Os futebolistas do Sporting só em prémios falhados já terão perdido, esta época, cada um, cerca de 600 contos. Ainda no último jogo, nas Antas, contra o FC Porto, o prémio, em caso de vitória era de 40 contos. 20 mil contos por António Oliveira na «derrota aos boicotes fascistas»... Na semana seguinte, ventos ainda mais torvos – com «escândalo» em Alvalade, o Académico de Viseu foi lá ganhar, com golo de Águas, o Carlos Marta que, depois, haveria de ser deputado do PSD (e não só...) Para amainar a nova tempestade, Rocha anunciou que acabara de contratar António Oliveira por 20 mil contos. (19 mil contos ganhara por essa altura um operário vidreiro da Marinha Grande, no Totobola...) Por se recusar a jogar no FC Porto sem Pinto da Costa e Pedroto, Oliveira fora como jogador-treinador para o Penafiel – e ao assinar o contrato espetou em farpa: - Este deve ser o dia mais feliz da vida de Américo de Sá, o presidente do FC Porto. Pedroto, a quem João Rocha também lançara canto de sereia, pôs ainda mais fogo no ataque: - Só tenho de felicitar o senhor João Rocha por ter conseguido, com o Oliveira, a transferência do ano e, sobretudo, por ter derrotado os boicotes fascistas. Ameaça de rapto, houve, Pedroto em Alvalade é que não, para lá foi um excêntrico inglês... De repente alguém insinuou: - Se Américo de Sá deixar de ser presidente do FC Porto, talvez António Oliveira dê o o dito por não dito ao Sporting... e Teles Roxo, o chefe do departamento de futebol portista, de onde Pinto da Costa fora escorraçado por Américo de Sá, retorquiu: - Isso é inaceitável e inadmissível. Faltava só agora que o Nené, por exemplo, exigisse para renovar pelo Benfica a saída de Ferreira Queimado. Não, não passara de um rumor – e apesar das ameaças de que lhe raptariam a filha mal se atrevesse a entrar em Alvalade, Oliveira entrou mesmo. Pedroto é que não, deixou o Guimarães – e como Pinto da Costa se tornara presidente, regressou ao FC Porto. Sem Pedroto, João Rocha inclinou-se para um inglês já de muita história, o excêntrico Malcolm Allison... ...