TERÇA-FEIRA, 04-08-2015, ANO 16, N.º 5666
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destaques

«Achava-me uma lésbica no corpo de um homem...»
A correr no Tempo Bruce Jenner, o olímpico de decatlo em Montreal-1976, ou melhor, Caitlyn, não só surpreendeu o mundo quando assumiu a mudança de sexo, como também inspirou outros atletas, que viviam refugiados no medo em assumirem a sua verdadeira identidade. Matt Kroc é um nome sonante no culturismo mundial – os músculos valeram-lhe troféu no prestigiadíssimo Arnold Classic, uma espécie de Jogos Olímpicos no culturismo. Antes disso, destacou-se como marine Estados Unidos, incorporou, inclusivamente, a força de segurança privada do ex-presidente Bill Clinton. Em 2004 a vida pregou-lhe uma partida – foi-lhe diagnosticado cancro nos testículos. Depois de um período negro voltou a sorrir. Sem demoras, cumpriu um sonho que ambicionava desde os cinco anos - tornou-se mulher. Chama-se Janae Marie, considera-se «lésbica» e diz estar «ainda solteira»... Era a fera das academias mundiais – ao longo de 42 anos, sempre sustentou o estilo machão como fuzileiro naval, pai de três filhos e um corpo ao nível de Arnold Schwarzenegger. Mas escondia um segredo que o assolava desde os cinco anos. Agora tudo mudou, assumiu a sua verdadeira identidade. «Cheguei a pensar no suicídio...» Os músculos de Matt ´Kroc´ Kroczaleski já renderam títulos internacionais e fama no culturismo – era dos poucos que conseguia combinar a força sobrenatural com um físico igualmente impressionante. Em 2006 venceu o o Arnold Classic, a mais importante competição de culturismo, organizada sob a égide de Arnold Schwarzenegger e em 2009 tornou-se recordista mundial na classe 220. Agora, tudo são lembranças na cabeça de Matt que revelou como mulher nas redes sociais. «Tem havido muitas fofocas, rumores e questões sobre mim nos últimos dias. Deixem-me silenciá-las. Sou transgênero. Primeiro, quero esclarecer que já tinha planeado falar disto em público quando os meus filhos completassem o Ensino Médio. Fui aberto com a minha família, amigos e a comunidade do culturismo, mas percebi que para muitos isso é chocante», revelou Janae Marie, como quer ser tratada, na sua conta de Facebook. Desde os cinco anos que vivia preso a um corpo que não o dele – depois do drama que foi viver 42 anos de forma escondida, decidiu assumir a sua verdadeira identidade, inspirado no caso de Caitlyn Jenner - antes Bruce Jenner, campeão olímpico no decatlo em 1976. «Vivi com isto toda a minha vida, e foi extremamente difícil. Na verdade, cheguei a pensar no suicídio. Nunca quis ou pedi para ser assim, mas hoje estou confortável e orgulhosa de quem sou, mesmo que muitos não entendam». Em entrevista ao jornal The Mirror, Janae contou que antes de se assumir publicamente, vivia em constante conflito. «Achava-me uma lésbica no corpo de um homem, já que ainda me interessa por mulheres». Kroc tem três filhos, da relação que manteve com Lauren Kroczaleski, a mulher com quem se casou em setembro de 2010. E apesar de agora ser uma mulher, assume que ainda tem um pouco do velho Matt. «Queria esclarecer que, diferentemente do que dizem, não fiz a transição completa. Ainda tenho os dois géneros, e estou à espera que os meus filhos completem o Ensino Médio para avançar. E os meus filhos encorajam-me a ser quem sou. Os três são miúdos fantásticos e a ligação que temos é surreal». Levantou 1157 quilos, venceu cancro nos testículos, formou-se em farmácia, escreveu livros Além de culturista, tornou-se um ícone no halterofilismo, tem um recorde mundial, um recorde que está no Guiness por ter levantado o maior peso combinado da história: 1157 quilos. Foi fuzileiro na Marinha dos EUA entre 1991 e 1995, o corpo e o tamanho de Matt fizeram com que fosse eleito segurança da presidência da república entre 1993 e 1995, no mandato de Bill Clinton. Depois de deixar o Corpo de Fuzileiros Navais, entrou na Universidade Ferris, em Michigan, Estados Unidos, onde se formou em farmácia. Paralelamente ao trabalho como farmacêutico, escreveu alguns livros sobre exercícios físicos e posou como modelo para revistas Fitness - ´Powerfting EUA´, ´MuscleMag´ e ´Muscle & Fitness´. Mas a vida como campeão de culturismo não foi fácil. Para manter o ´corpo perfeito´ sofreu várias lesões, algumas delas graves, que exigiram reparações cirúrgicas. Mas a pior batalha que Matt superou, aconteceu em 2004 quando foi confrontado com o pior dos cenários – tinha cancro nos testículos. Parece que o venceu... ...
Estrela de Diamante A Eusébio Cup é no México e no México viveu Eusébio uma parte atribulada da sua aventura pela América. Não, não foi só como jogador do Benfica – foi, sobretudo, quando deixou de ser jogador do Benfica. Essa é a história que aqui se conta – por entre tantas, tantas, outras. E é assim que se fecha uma viagem fantástica pela sua vida – de Mafalala ao Panteão... Ainda não tinha sequer levado pelo seu fascínio o Benfica a bicampeão europeu nos 5-3 ao Real Madrid em Amesterdão e já Eusébio tinha o mundo a seus pés. Wolf Lyberg, jornalista sueco do IB-Idrotsbladet, que já se encantara com os «três golos magníficos que pareciam tiros de canhão» que marcara em Paris ao Santos de Pelé, na primeira vez em que defrontara o Santos e o Pelé, escreveu: «Para mim, para o planeta, Eusébio ganhou um novo nome: Eusébio Navarone, Navarone como os canhões». 3000 contos eram 3000 contos, sobretudo depois do que perdeu... Pois, se a fama chegara cedo, a fortuna nem por isso: - Fomos campeões, campeões de 1974/75, e o Benfica libertou-me, enfim, para eu ir à minha vida. No fundo, para eu recuperar o que tinha perdido ao longo do tempo para não deixar o Benfica, para recuperar o o que tinha perdido em Moçambique: com a independência, os gajos nacionalizaram tudo o que eu lá tinha: casas, terrenos – e quem mo tirou foram os gajos com quem eu tinha andado na escola, com quem eu tinha crescido em Mafalala, jogado à bola em Mafalala. Sim, era um homem rico, mas rico por aquilo que tinha ganho na bola mais do que pelos apartamentos e terrenos. Parti e senti logo saudades do Benfica, mas 3000 contos eram 3000 contos... (Era muito? Depende. Por essa mesma altura, Yazalde trocara o Sporting pelo Marselha por 12 500 contos...) Cunhal não queria eleições, mas houve... Vasco Gonçalves, o Primeiro Ministro do PREC, começara, entretanto, a tropeçar nos seus devaneios: - Não podemos perder por via eleitoral aquilo que tanto tem custado ao povo, a revolução. e Álvaro Cunhal deu-lhe aconchego: - As eleições não têm nada ou têm muito pouco a ver com a dinâmica revolucionária, Portugal nunca terá uma democracia burguesa. O MFA não cedeu às pressões e aceitou que se fizessem as eleições para a Assembleia Constituinte. estavam marcadas para Foram a 25 de Abril de 1975. Ganhou-as o PS. A 25 de Abril de1975 fizeram-se, enfim, mesmo contra o desejo de Álvaro Cunhal e do PCP, as eleições livres. O República titulou: «Às 4 da manhã já havia eleitores nas portas das assembleias de Lisboa». Depois, ao longo do dia, um pouco por todo o lado, viu-se gente, muita gente, várias horas em bichas à espera de colocar na urna boletim feito em papel oferecido pela Suécia, numa delas, um repórter apanhou de Olinda Alcobia: - Tive de deixar a minha menina de 4 anos sozinha em casa, mas eu tinha de votar, tinha de aproveitar a liberdade, esta coisa maravilhosa que o 25 de Abril deu ao povo A seguir às eleições, a notícia foi: 80 mil dólares para Eusébio... O PS elegeu 115 deputados, o PPD 80, o PCP 30, o CDS 16 e o MDP/CDE 5 – e nem Artur Jorge pelo MDP/CDE, nem António Simões, pelo CDS, conseguiram lugar em São Bento – e no dia seguinte por entre o frenesim que o ato causou pelos jornais, anunciou-se que os Oceaneers de Rhode Island acordara contrato de 80 mil dólares (que eram, então, cerca de 2000 contos...) com Eusébio – e o seu presidente ainda disse mais: - É um compromisso por 12 meses, pagáveis a 200 contos por cada 30 dias... Ainda não se sabia se o Benfica o dispensaria ou não (Simões já se sabia que sim...) e, por isso, num sinal desses novos tempos, no Diário de Lisboa escreveu-se: «Afastados da selecção nacional e perto do ocaso das suas carreiras, temos de convir que a proposta é deveras tentadora. Isso mesmo o deverá reconhecer o Benfica, cujos dirigentes não deixarão de seguir, em relação a Eusébio, o mesmo critério que adoptaram no caso Simões, autorizando-o igualmente a sair do Benfica. Privar o jogador de aproveitar esta oportunidade seria um grave atropelo ao sagrado direito ao trabalho que não estaria nunca no espírito dos dirigentes do Benfica...» Estados Unidos perderam o Vietname, Eusébio ganhou a América... Cinco dias depois, na capa do República havia notícia de que a peça Três Marias subira a cena em Washington – e a manchete era a que contava o fim da Guerra no Vietname com a derrota dos americanos. E sim, já se sabia também que sim – que Borges Coutinho aceitara desligar Eusébio do contrato que ainda tinha com o Benfica para poder «ir ganhar a vida» à América... ...