TERÇA-FEIRA, 07-07-2015, ANO 16, N.º 5638
Conteúdo inexistente.

destaques

O cabelo rapado à filha do inspector da PIDE e o comício do Jamor com Artur Jorge preso no quartel que Eusébio estragou...
Estrela de Diamante Quando Marcelo Caetano substituiu António Oliveira Salazar na Presidência do Conselho, pelos teatros de guerra nas colónias espalhavam-se 117 684 homens: 58 230 em Angola, 36 615 em Moçambique e 22 839 na Guiné. E apesar de nisso, os verdadeiros números serem «segredo de estado» – estimava-se que pudesse haver já mais de 5000 baixas. (Rapariga suicidou-se em Soutelo depois de o namorado ter embarcado para Angola num batalhão do exército – e o Tenente Teixeira do que já era, em eufemismo, Aviso Prévio determinou: - Do suicídio, OK, pode falar-se, mas da «ida para Angola» não, é cortar, obviamente cortar...) Antes, aparecera na Flama reportagem com soldados em Angola – como se eles estivessem no paraíso. Que tinham direito a 25 escudos por dia para alimentação, que nos quartéis tudo ficava por metade do preço de fora, que se fazia «muito desporto»: futebol, corridas, lançamento de pesos, ténis e ginástica. E juntava-lhe a história do 302 do Minho: que era padeiro e chegara ao Leste analfabeto, mas como lhe «custava não saber ler as cartas e os jornais para saber do FC Porto» começou nas «aulas regimentais» - e dois meses depois, afiançava o repórter, já era capaz de entender as crónicas de A BOLA que lá chegavam por vezes com três ou quatro dias de atraso... NO DIA 1 DE CAETANO, A REVELAÇÃO DE UM ÍCONE, O AGOSTINHO... No dia da posse do novo Presidente do Conselho, a primeira página de O Século Ilustrado era de quem descobrira o destino voltando da guerra. Chamava-se Joaquim Agostinho - e na primeira vez que fora à Volta a Portugal, com menos de um ano de treino, ficara em segundo lugar, contava: - Andar de bicicleta, andava. Fazia todos os dias 30 quilómetros de Brejenjas a Torres Vedras para o trabalho e mais 30 de regresso a casa, mas isso das corridas nunca me passou pela cachola. Até que o João Roque me viu e me desafiou e... olhe... O que eu gostava era da bola, em Moçambique, durante a guerra, ainda joguei por lá a defesa central, sempre fui benfiquista, mas agora... Os meus patrões pagavam-me 50$00 por dia para cavar fazenda. Agora no Sporting recebo três contos por mês, fora os prémios, tudo para mim é novo, até a bicicleta que pesa apenas 11 quilos, meu Deus. O melhor ainda estava para vir: na Volta à França, na Volta à Espanha... NO ASSALTO AO IS TÉCNICO, A LEGIÃO (A LEGIÃO DE DOIS EX_PRESIDENTES DO SPORTING...) No Instituto Superior Técnico (cuja equipa masculina de voleibol alcançara o 13ª título nacional da sua história...) deixou de ser obrigatório fato e gravata nas aulas – mas a sua Associação de Estudantes exigiu mais: «melhores condições nas cantinas, melhor serviço social - e mais... liberdade». Não lho deram, decretou-se greve às aulas – e o Ministro do Interior mandou tomar a AE de assalto, o serviço fê-lo a Legião - que continuava comandada por Góis Mota, que fora prsidente do Sporting, e por Cazal-Ribeiro, que também fora presidente do Sporting... DO GINÁSIO DA ACADÉMICA SAIU O LUTO... Em Coimbra, desde 1965 que a Associação Académica se mantinha dirigida por Comissão Administrativa nomeada pelo governo – e os estudantes impedidos de participar no Senado e na Assembleia da Universidade. Abaixo assinado de 2500 alunos forçou, enfim, eleições. Fizeram-se em Fevereiro de 1969 – e para seu presidente foi Alberto Martins. Avisaram-no de que não falaria na cerimónia de inauguração do edifício das Matemáticas – que o Reitor, discursando, representaria toda a Universidade. Américo Tomás chegou para cortar a fita – na rua milhares de estudantes levantaram tarjas com as frases: Exigimos Diálogo... Estudantes no Governo da Universidade... Após os discursos, Alberto Martins, quebrando o protocolo, atirou à mesa de honra: - Sua Ex.ª, Senhor Presidente da República, dá-me licença que use da palavra nesta cerimónia em nome dos estudantes da Universidade de Coimbra? Mandaram-no calar, terminou-se a cerimónia terminada abruptamente. À noite, a PIDE prendeu Martins à porta da AAC e a PSP e a GNR agrediu centenas de estudantes. A Academia reuniu-se em Assembleia Magna no ginásio da Académica – decretou-se o luto académico sob a forma de greve às aulas. NUA, A LEVAR SOCOS ATÉ DESMAIAR... Era o início da época de exames – e a cidade acordou sitiada pela GNR, PSP, Polícia de Choque. No dia seguinte, apareceu pelos jornais foto de aluna tentando entrar, magote a rodeá-la. A propaganda usou-a revelando que «desordeiros» ameaçaram rapar o cabelo à «dedicada estudante» que queria «apenas fazer a sua prova» – e que tal só não aconteceu devido à sua «coragem». Raparam de facto – e ela, a «dedicada estudante» era Isabel Tinoco, filha de famigerado inspector da PIDE e não entrou... (Mal lhe chegava preso às mãos, Adelino da Silva Tinoco largava, cínico, a frase: - A ética da casa é esta: ou fala ou sai daqui morto. Dois exemplos da sua brutalidade. Torturou Álvaro Veiga de Oliveira durante 37 dias: - Primeiro, 17 dias de «estátua», só me podendo sentar para refeições. Espancaram-me, para me manter acordado, com um cassetete eléctrico. Deixaram-me dormir uma noite, voltaram a submeter-me à tortura do sono por mais dois períodos de dez dias, até que entrei em coma. Comecei a ter alucinações terríveis. Fiquei com as orelhas inchadas, insensibilizado a ponto de não sentir qualquer dor quando me davam injecções lá. Puseram-me a mão num cano de água a ferver, já não senti nada... Barbarizou e humilhou Maria Conceição Matos: - O Tinoco avisou-me de que se sujasse a sala, a limpava com a minha roupa. Sujei de propósito. Foram-me despindo, tentando obrigar-me a limpar a porcaria com o que vestia. Opus-me, tiveram eles que ensopar a urina com o que me tiraram do corpo. Depois mandou entrar a terrível Leninha. Despiu-me peça por peça, dizendo-me: «Fala ou não, sua puta?» Fiquei nua. Atirou-se a mim a espancar-me, à bofetada e ao pontapé. O Serra dava-me socos nos queixos para me obrigar a manter a cabeça levantada. Erguia-me pelos sovacos e atirava-me com toda a força para cima de uma cadeira. Fez isso muitas vezes. Já estava desvairada. Entrou outro com uma folha de papel e, pensando que tinha atingido o ponto crucial, disse-me: «Assine!» Gritei louca: «Não! Não! N...» O último não ficou-me na garganta sufocada. Perdi a respiração. Tiveram que me bater muito na cara para que eu voltasse a mim. E finalmente entrou alguém que se pôs a cantar o Treze de Maio...) AMÉRICO TOMÁS AFASTADO DO JAMOR, O SPORTING DE PREVENÇÃO, A RTP PROIBIDA... Foi sob esse pano de fundo que a Académica chegou à final da Taça de Portugal de 1969. A PIDE percebeu que que alguma coisa se iria passar – pelo que Américo Tomás ficou em Belém e a RTP foi avisada de que não poderia transmitir o jogo. A FPF proibiu à AAC o uso de equipamento branco – e até houve quem tivesse ideia de deixar o Sporting de prevenção pronto a substituir a Académica se se notasse que os seus jogadores tinham boicotado o jogo, inventando-se depois uma desculpa qualquer para a troca. Artur Jorge, a sua estrela, foi impedido de jogar no Jamor, ficou retido no quartel em Mafra, mas através de um telefonema secreto combinou com Vítor Campos que se a Académica ganhasse iria entregar simbolicamente a Taça a Alberto Martins. AS TARJAS E OS PANFLETOS NO COMÍCIO QUE EUSÉBIO ESTRAGOU... Encheu-se o Estádio Nacional de agentes da PIDE e de polícias de choque – e a primeira finta foi logo à saída do túnel: a Académica de capas caídas (o outro sinal do luto académico) e faixas brancas (mais um sinal de luto) a nos braços. As outras fintas foi sempre que as bancadas se agitaram com tarjas dizendo: Menos espingardas, menos quartéis, menos repressão... Melhor ensino, menos polícias... Mais liberdade...estão estudantes presos...- e se soltaram panfletos com mensagens que os funcionários do regime tentaram em afã apanhar e destruir, impossível, eram mais de 35 mil... Carlos Pinhão considerou-o o maior comício contra o fascismo – que o regime viu. Manuel António fez 1-0, aos 86 António Simões empatou. E aos 109, 2-1 por Eusébio. A Taça foi entregue por Armando Rocha, o Director Geral dos Desportos – e no dia seguinte, ficou a saber-se que Artur Jorge assinara pelo Benfica. Antes estivera comprometido com o Sporting – que voltou à carga oferecendo 1300 contos por ele. Preferiu o Benfica. E muito tempo depois, Eusébio, que naquele instante festejara o golo com exuberância, não o escondeu: - Apesar de a minha política ter sido sempre a bola, aquele meu golo que nos deu a Taça foi o golo mais triste da minha vida, percebem porquê, por tudo o que estava, afinal, em causa, mas isso eu só soube depois, só entendi depois... ...
Estrela de Diamante É a parte 9. Com Eusébio no Panteão, relembramos-lhe Eusébio – o Eusébio Como Nunca se Viu do livro que A D. Quixote publicou em parceria com A Bola. Mesmo que já o tenha lido, não deixe de ir até ao fim – porque, aqui, há muito de novo para ler sobre o Eusébio e o país do Eusébio, o mundo do Eusébio. E não deixe também de atirar os olhos à galeria de fotos porque só assim poderá ver o Eusébio como o Eusébio nunca se viu, mais ainda do que o Eusébio que se viu no Eusébio como Nunca se Viu... Ainda não se sabia se Eusébio voltaria ou não a Wembley onde já se sabia que seria a final da Taça dos Campeões Europeus de 1967/68 - e através de Sam Leitch, jornalista do Sunday Mirror, ficou a saber-se de uma carta que lhe chegara de uma leitora em desconcerto, semanas antes: - Vi um homem a atravessar o ecrã da minha televisão que me fez esquecer tudo o que eu sentia pelo Richard Kimble, pelo Dr. Kildare ou pelo Danger Man... Era o mais perfeito homem que eu jamais vi. Quanto não daria eu para vê-lo todas as noites marcar um golo, correr para a baliza, pegar na bola e regressar com ela ao centro, como Homem Com Pressa, como ele faz. Sim, ele é o fabuloso Eusébio. Mas, por favor não publique o meu nome e morada, para que o meu marido continue a pensar que só fiquei presa ao ecrã por causa do futebol e não por causa do Eusébio. E que passou a ser sempre assim... POR QUE EUSÉBIO JOGOU EM BUDAPESTE DE... BIGODE Em finais de 1967, Fernando Riera a Direcção do Benfica aplicara três anos de suspensão por indisciplina ao seu próprio treinador - e despediu-o. Acabara de eliminar o Saint-Etiénne e de bater o Leixões por 6-0. Ficou Fernando Cabrita como treinador interino – e com ele se atacou o Vasas, nos quartos de final da TCE. Eusébio chegou a Budapeste com microrrotura, ao entrar no estádio queixou-se das dores que não se amansavam, António Simões falou-lhe ao coração: - Precisamos de ti, joga que eu não te faço correr muito. Injetaram-no, jogou, mas como nunca se vira: de pera e bigode: - É promessa, enquanto o meu filho ou a minha filha não nascer, não faço mais nem a pera, nem o bigode. NÃO ERA TELEGRAMA A DIZER QUE TINHA SIDO PAI, ERA CARTA DUMA RAPARIGA... Com o aquecimento a terminar, um húngaro aproximou-se dele com um envelope. Eusébio tinha Aurélio Márcio a seu lado, pediu-lhe que abrisse e lesse, soltou o murmúrio: - Estou nervosíssimo. Pode ser telegrama, é que o bebé ou a bebé pode nascer de um instante para o outro. O jornalista de A Bola riu-se, piscou-lhe o olho, maroto, releu: - Sou uma rapariga de Budapeste. Até sou bonita. Gosto muito de si, senhor Eusébio. Vi todos os seus jogos no Campeonato do Mundo e nunca mais hei de deixar de vê-lo. Tenho muitas fotografias suas. E como não pude dizer-lhe pessoalmente, digo-lhe assim: só espero que jogue bem e ganhe. Não ganhou. Empatou a zero. ANTES DOS DOIS GOLOS AO VASAS, O NASCIMENTO DA CARLA... Nove dias depois, fez-se a segunda mão na Luz. A 14 de março de 1968. Às 14.15 horas, na Casa de Saúde da Cruz Vermelha, nasceu Carla, Carla Elisa Bruheim da Silva Ferreira. Eusébio estava em estágio, em Vale de Lobos. Deram-lhe a notícia ao telefone – e à noite com dois golos seus (e já sem pera e bigode...) o Benfica despachou o Vasas: 3-0. Depois, noite alta, correu à enfermaria – e a foto de Nuno Ferrari com Eusébio, Flora e Carla apareceu em A Bola por cima de anúncio a James Bond 007 – Casino Royale no Éden e no Alvalade com Úrsula Andress em pose tão sensual – que muita gente se espantou que a Censura não lhe passasse Lápis Azul, riscando-o «por excesso de erotismo». (Sim, a Censura ainda o fazia e, às vezes fazia mais: mandava retocar a tinta da china as fotografias para que os slips ou os soutiens tapassem mais do que aparecia de corpo...) ...
A correr no Tempo A verdade? Ontem, no GP da Grã-Bretanha, foi apenas mais um sinal, um sinal do que já se sabia que Lewis Hamilton é a «bala negra» que se pode tornar numa espécie de Ayrton Senna. Em criança queria ser como Cristiano Ronaldo jogador de futebol - e quando CR7 perdeu Irina, soube-se que ele correu ao seu alcance, mas não, não era nada do que parecia, era só amizade. Seguiu-se Kendall Jenner, a filha de Bruce Jenner, o campeão olímpico do decatlo, que agora é a... Caitlyn Jenner - mas o «forte e atribulado romance» afinal era só especulação também, assim como o caso com Gigi Hadid. Sim, antes, muito antes, também se falara de Kim Kardashian, a meia irmã de Kendall como namorada de Hamilton - e afinal não era ela, a tal namorada americana era... Nicole Scherzinger. O «amor de longa data» chegou ao fim, porque Hamilton não «queria casar», disse ela. Ao fim de sete anos de namoro à quarta foi de vez: acabou mesmo. Ele anda enrolado em affairs que «nada significam», ela, a Nicole, acabou por conformar a mágoa nos braços de outro. Que não percebe de motores, no que toca a golos é um ás... Campeão da fórmula 1 ou pupilo de Vítor Pereira? Nicole Scherzinger dá-lhe a resposta... De futebol nada percebe, tinha dificuldades em fazer surf, mas no softball era a melhor. Nicole Prescovia Elikolani Valiente Scherzinger ou simplesmente Nicole Scherzinger é uma cantora e compositora americana. Nasceu em Honolulu, Havai, a 29 de junho de 1978, filha de Alfonso Valiente, descendente de filipinos, e de Rosemary, com descendência russa. Nicole cresceu num bairro no centro da cidade, não era rica, mas tinha um talento inato – cantava e encantava. A fama surgiu mais tarde quando integrou o grupo musical ´The Pussycat Dolls´ que vendeu cerca de 15 milhões de álbuns e mais de 54 milhões em singles, tornando-se um dos grupos musicais femininos mais bem-sucedidos da história. Mesmo antes de chegar a vocalista da banda, Nicole participou no reality show ´Popstars´, e mais tarde foi jurada do programa de música ´The X Factor´ e venceu a décima temporada do concurso ´Dacing with the Stars´ em 2010. ...