SÁBADO, 23-05-2015, ANO 16, N.º 5593
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destaques

«O gol é muito grande, tudo o que chuta entra...» (sim, parecia que era assim, não foi nada assim...)
Estrela de Diamante Júlio César ganhara tudo o que se podia ganhar no futebol de salão do Grajaú. Ricardo Vandejão, o seu treinador, soube que o Flamengo andava à procura de um guarda-redes nascido em 1979 – e arranjou, de pronto, forma de o levar lá, à Gávea: - Quando soube que iria fazer teste no Flamengo, nem acreditei. A família é toda flamenguista. Fiz uma semana de experiência. Nossa, foi horrorosa... O gol do futebol de 11 era bem maior do que o gol de futebol de salão, eu corria atrás da bola, gol. Corria atrás da bola, gol. No futebol de salão o gol era pequeno. Só pulava no lugar. Não fazia aqueles saltos necessários no campo... Ao voltar a casa, deitou água para a fervura, descrente murmurou: - Mamãe, não vou ser aprovado, não. Sabe, o gol é muito grande. Tudo o que chuta, entra... Enganou-se. Foi o primeiro a ser chamado. Acabara de fazer 13 anos, assinou pelo Flamengo – e continuou a não gostar nada da baliza grande do futebol de 11: - O que eu curtia mesmo, mais, muito mais, era o futebol de salão. Depois, havia o outro troço: mamãe me acordava cedo para me levar para treinar no Flamengo. Era muito cansativo. Quis largar. Chegava a casa às 10 da noite 22h todo destruído, tinha de voltar a levantar às 6. Falava para minha mãe que queria o futebol de salão, mas aí às 6 da manhã ela vinha e me acordava de novo! Ir defender a baliza do outro, quase o traiu... Escolheu, porém, o paraíso maior. Ficou no Flamengo. Mas sem tirar o coração do outro lado. Uma vez pediu permissão ao Flamengo para defender a baliza do Grajaú no futebol de salão na final de um torneio, deram-na, voltou a ser campeão: - A felicidade logo acabou ao retornar ao Rubro-negro. Veio a surpresa. Foi colocado para treinar separado e descobriu que seria dispensado. Ficou arrasado. A sorte foi que eu encontrei o Isaías Tinoco no aeroporto e contei a história. Não estavam agindo certo com o Julio, mas o Isaías me acalmou e falou para ele ia tratar do caso, o Julio voltaria a treinar normalmente, nada lhe iria acontecer...(Contou Jenis, o pai – e foi mesmo isso que aconteceu.) Nascera prematuro com sete meses e 18 dias – e vendo-o dar os primeiros passos aos oito meses, dona Fátima apanhou tremendo susto: - Afinal, era só sinal de que ele iria ser, sempre foi apressado – e aos 17 anos se estreou no gol do primeiro time do Flamengo. O dia é inesquecível para todos nós: 13 de maio de 1997. Entrou na fogueira contra o Palmeiras em jogo decisivo da semifinal da Copa do Brasil, após o titular Zé Carlos se machucar. Fechou o gol e o Flamengo se classificou para a final. No jogo seguinte, em um Fla-Flu, Julio Cesar não evitou a derrota, mas defendeu um pênalti na partida. Foram dez jogos nos profissionais, seis gols sofridos e o título da Copa dos Campeões Mundiais. Mas o Flamengo achou melhor contratar Clemer à Portuguesa e Julio Cesar voltou a se dividir entre a reserva e os juniores para não perder o ritmo... (Também foi o pai que o disse.) Scolari pô-lo à beira do choro, Suzana ajudou ao «novo Júlio César» Voltou a dividir-se entre a baliza dos juniores e o banco dos seniores – mas em 2001 já foi um dos heróis do tricampeonato estadual. Ateou-se-lhe o sonho de ser o terceiro guarda-redes no Mundial de 2002, mas Scolari optou por Ceni: - Ele tinha a esperança de ser chamado. Quando não foi convocado começamos a andar no condomínio que morávamos no Recreio. Ele estava com aquele semblante de choro, mas ele segurou. Procurou não passar a tristeza... (foi Júnior quem o recordou.) Para Paulo Ribeiro, psicólogo do Flamengo essa deceção abriu-lhe ainda mais o futuro: - Percebeu que tinha de defender a baliza e a vida com mais cabeça e menos coração, as atitudes imaturas do início da carreira foram ficando no passado... O casamento com a modelo e atriz Susana Werner, que antes fora namorada de Ronaldo, também levaram a que na baliza do Flamengo surgisse um novo Julio Cesar. E que depois voasse para a do Brasil, do Inter, do Queens Park Rangers, do Toronto FC, do Benfica... O que ganhou pelo caminho? Muito, muito – esse muito que lhe deu já a imortalidade. Acha que não? Então repare só: FLAMENGO Mundial de Clubes: 1997 Campeonato Carioca: 1999, 2000, 2001, 2004 Taça Guanabara: 1999, 2001, 2004 Taça Rio: 2000 Copa Mercosul: 1999 Copa dos Campeões: 2001 Troféu Capitão Castro: 2002 INTER DE MILÃO Coppa Italia: 2004–05, 2005–06, 2009–10, 2010–11 Serie A: 2005–06 , 2006–07, 2007–08, 2008–09 e 2009–10 SuperTaça da Itália: 2005, 2006, 2008, 2010 UEFA Champions League: 2009–10 Mundial de Clubes: 2010 Copa Eusébio: 2008 BENFICA Primeira Liga: 2014-15 SELEÇÃO A DO BRASIL Copa América: 2004 Copa das Confederações: 2009 e 2013 PRÉMIOS INDIVIDUAIS Prêmio Futebol no Mundo (ESPN Brasil) (2008–09) Melhor guarda-redes UEFA: 2009–10 Oscar del Calcio - Melhor guarda-redes: 2009 e 2010 Premio Ginga (Melhor Jogador): 2009, 2010 Melhor guarda-redes da Taça das Confederações: 2013 ...
A correr no Tempo Com o Rali de Portugal na estrada, contamos-lhe como foi a primeira prova de automobilismo que por cá se fez – e, entre várias outras espantosas revelações, revelamos-lhe por que não pôde ser a um domingo e por que ao entrar-se numa localidade a velocidade tinha de baixar para menos de... 10 quilómetros por hora. Mas, ainda mais: também lhe falamos de um ícone, da última prova da monarquia, dessa monarquia que vivia, apaixonada entre automóveis: Rampa da Pimenteira, ganha por um piloto com o corpo todo ligado... Emile Levassor era engenheiro, trabalhava para um industrial francês. Quando ele morreu – casou com a viúva. Para expandir o negócio comprou a Gottlieb Daimler, um dos inventores do automóvel, licença para construção de motores na fábrica. Depois, em sociedade com René Panhard, passou a fazer carros também. E foi com um Panhard et Levassor de 2 cilindros que concorreu à primeira corrida de automobilismo de que há registo: Paris-Bordéus-Paris, 1190 quilómetros. Com largada a 11 de Junho de 1895 e 27 concorrentes. As previsões apontavam para que se atingisse Bordéus ao raiar da manhã mas Levassor chegou muito antes, por volta das 2.30 horas – e não tinha nenhum fiscal à sua espera. Teve de procurá-los num hotel, acordá-los – para que certificassem o tempo. Antes de se fazer de novo à estrada, por entre charretes e animais, «comeu sanduíches e bebeu champanhe» – e deu a pé uma volta pela cidade para «desentorpecer os músculos». A 50 quilómetros de Paris parou num restaurante – para mais uma refeição e à meta chegou ao cabo de 48 horas e 48 minutos. À média de 24,5 km/h – e um jornal escreveu que velocidade assim era um... «assombro». Como seu Panhard et Levassor só tinha dois lugares em vez dos quatro que se previam nos regulamentos não lhe deram 31 mil francos de prémio. Um ano depois, ao tentar desviar-se de um cão no Paris-Rouen, despistou-se, levaram-no em coma, politraumatizado, para o hospital, lá morreu, alguns meses depois. Povo que o recebera em euforia no dia da primeira vitória – pediu, em lágrimas, que fizessem estátua de Emile Levassor na Porte Maillot, uma das mais antigas entradas de Paris, onde, então, se pusera a meta. Lá está. Na primeira viagem do primeiro automóvel em Portugal, um burro morto e pagou a 18 mil réis... Foi um Panhard et Levassor, o primeiro automóvel que houve em Portugal. Chegou em 1895, importado pelo Conde de Avilez. Na Alfândega de Lisboa logo se levantou a dúvida: que taxa aduaneira aplicar a tão «estranho artefacto». Máquina agrícola ou... «locomobile» que era como se chamavam as máquinas movidas a vapor? Ficou «locomobile». Os Avilez tinham palácio em Santiago do Cacém – e na primeira viagem, de Cacilhas para lá, o primeiro acidente: atropelou um burro carregado de canas, matou-o – e ao dono pagou «o melhor de 18 mil réis quando um burro naqueles tempos custava apenas 5000 réis». (Sete anos o teve, vendeu o automóvel por 700 contos de réis a Mariano Sodré de Medeiros, açoriano com negócios em Lisboa porque se encantara com o modelo da Peugeot que vira na Exposição Industrial de Paris – não tinha rodas em aros de ferro, já tinha pneus e câmaras de ar, mas antes de fechar negócio o Conde de Avilez morreu.) Ainda nesse ano de 1895, há notícia no jornal O Velocipedista – de que no Velódromo das Devezas, Benedicto Ferreirinha, que ganhou fama também como ciclista e jogador de ténis, percorreu 10 mil metros em 17.01 minutos – recorde para uma ««bicycleta com motor a petróleo». Era assim que se chamavam às motos – e no jornal vincava-se que fora a primeira vez que «a machina se apresentara em público». (Esse ainda era o tempo em que casas de banho só havia em casas muito, muito ricas - e um fato para os homens levarem à praia não custavam menos de 1000 réis, os de mulheres, os «chiques» que se importavam de Paris, eram quase como vestidos, tudo tapando do corpo - e andavam pelos 2800 réis, mais ou menos metade do que aquilo que se pagava por meio burro, com aquele que o automóvel matou, numa feira de gado...) ...
Estilos e Espantos Do look clássico de Messi, ao glamour de Ronaldo, passando pela rebeldia de Neymar, todos os craques de futebol tem o seu estilo, mas uns chamam mais a atenção que outros. Lá vai o tempo em que o jogador de futebol era encarado apenas como um conjunto de músculos em movimento na perseguição de uma bola. Perceber os jogadores não é fácil, entender a vida deles muito menos, mas no que diz respeito à moda, não são precisas muitas palavras, as imagens falam por si. Conheça o novo estilo Dandy que já conquistou o guarda-roupa de Xavi Alonso, Didier Drogba, Samuel Eto’o e Claudio Marchisio... São encarados como cavalheiros charmosos, um pouco levianos, não precisam ser cultos ou homens de letras, basta apenas terem estilo, serem bem-falantes e terem a sapiência de saber apreciar as coisas boas da vida. Entre os dandies que fizeram história encontram-se, talvez como seus maiores símbolos, Oscar Wilde, o influente escritor, poeta e dramaturgo de origem irlandesa, e Lord Byron, o destacado poeta britânico que também foi nadador de sucesso, a figura mais influente que o romantismo conheceu. Partilhavam o culto da imagem e, em alguns casos, eram os primeiros a apresentar as inovações na postura, nos cuidados físicos e no próprio vestuário. Dandy: a moda de falar através da aparência A Moda Dandy tem conquistado cada vez mais adeptos, mas foi no futebol que encontrou os seus maiores seguidores - Xavi Alonso, Didier Drogba, Samuel Eto’o e Claudio Marchisio. O movimento que começou na Inglaterra no século XIX destinava-se aos homens de bom gosto e apurado sentido estético, que não precisavam pertencer à nobreza. O termo teve algumas variações, mas continua a adaptar-se a quem se preocupa muito com a aparência e elegância. E é no culto ao prazer e na possibilidade de se expressar através da imagem que o movimento ´dandy´ encontra na sociedade atual um terreno fértil e cada vez com mais seguidores. É que além das mulheres, são cada vez mais os homens que se preocupam com a imagem e que gostam de se vestir bem, acompanhando as grandes tendências da moda. Nos últimos anos temos assistido a uma nova postura do sexo masculino, com estilos que vingaram e fizeram história no passado, como o punk ou o hippie – os dandies, em que a imagem acaba por ser o ponto forte e a referência, ao contrário do estilo rival, o lumbersexual, numa alusão ao estilo ´homem lenhador´. ...