SÁBADO, 04-07-2015, ANO 16, N.º 5635
Chegou a hora de Ronaldo
Portugal
O grande líder, o querido líder e o nosso líder
03:00 - 21-06-2010
É hora de Ronaldo assumir rédeas na Selecção. Não ganhar à Coreia do Norte pode ser o fim.

É agora ou nunca! Não há volta a dar. Aos 25 anos, chegou a hora de Cristiano Ronaldo ser o comandante da Selecção, dando brilho ao estatuto que, há ano e meio, o levou ao título de melhor jogador do Mundo. O desafio da Coreia do Norte, hoje à hora de almoço, apresenta-se como um dos maiores da carreira do nosso 7, do nosso novo menino de ouro, do nosso líder da actualidade, depois de Eusébio nos anos 60 e de Figo nos anos 90 e no novo milénio.

Chegou a tua vez, Ronaldo! Não vencer hoje a Coreia do Norte pode ser o fim. Pode significar o princípio do adeus de Portugal ao sonho sul-africano. E pode, por acréscimo, implicar que o jogador mais caro de sempre (o Real Madrid pagou, há um ano, perto de 100 milhões de euros ao Man. United) fique fora do Mundial no final da primeira fase, restando-lhe esperar pelos 29 anos para, no Brasil, em 2014, ter nova e, provavelmente, derradeira tentativa de sagrar-se campeão mundial, um sonho tantas vezes confessado.

Inspiração lusitana não lhe faltará. Desde logo porque o jogo se realiza numa das cidades mais marcantes da nossa história, a Cidade do Cabo, o da Boa Esperança que deixou de ser das Tormentas quando o navegador Bartolomeu Dias, em 1488, o dobrou e deu novos mundos ao Mundo.

KIM PAI, KIM FILHO

A Coreia do Norte é a selecção mais misteriosa e desconhecida do Mundial, muito por culpa do regime de clausura e da ditadura em que vive o país asiático comandado, entre 1948 e 1994, por Kim Il-Sung (o Grande Líder, também conhecido por Eterno Presidente) e, desde 1994, dirigido pelo seu filho, Kim Jong-Il (o Querido Líder, também tratado como Supremo Líder). Da selecção norte-coreana sabia-se apenas que corria muito, que era solidária a defender, que tinha um ou dois jogadores perigosos a atacar. Argumentos confirmados na derrota da primeira jornada com o Brasil, por 1-2.

É contra esta selecção exótica que Cristiano Ronaldo deve assumir o papel de grande líder, de querido líder, de nosso líder rumo à primeira vitória neste Campeonato do Mundo. Tal como em 1966, no Mundial de Inglaterra, Eusébio liderou os magriços a fantástica reviravolta, precisamente contra norte-coreanos (nos quartos-de-final, Portugal recuperou de 0-3 e ganhou por 5-3, com quatro golos do Pantera Negra). Tal como, no Euro-2000, com a Selecção a perder por 0-2 frente a Inglaterra, Luís Figo pegou na bola a meio-campo, correu com ela e, ainda longe da grande-área, disparou um míssil para o 1-2, liderando os portugueses a nova recuperação histórica: Figo foi buscar a bola ao interior da baliza e o seu gesto, semelhante ao de Eusébio em 66, inspirou os companheiros até à vitória por 3-2.

O GOLO QUE TARDA...

Esta é a hora de Ronaldo. Portugal mostrou-se perdido, sem soluções, sem rumo, no empate a zero com a Costa do Marfim. Precisa de uma referência! Ela quase surgiu naquele disparo do número 7 ao poste. Foi por pouco o tal golo que o capitão Ronaldo persegue desde 11 de Fevereiro de 2009, quando apontou o último, num particular frente à Finlândia (1-0). Que esse golo e esse líder aguardado surjam hoje, a partir das 12.30 horas, para que milhões de portugueses continuem a sonhar.
João Pimpim

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destaques

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Por lá, pelo Parque Mayer, pelos seus teatros, pelos seus restaurantes, pôde ver, algures por 1965, uma italiana de Perugia a incendiar o Maria Vitória: a Io Apolloni: - Tinha 19 anos quando cheguei a Lisboa, achei a cidade enfadonha, triste, provinciana. Mas esse lado provinciano, para uma rapariga tímida como eu, tinha um certo encanto, deixava-me mais à vontade... (Contou no livro LX60 a Joana Stichini Vilela.) Apesar da timidez, dera-se em corpo e manifesto à revista Plateia a promover a modernidade do uso do biquíni. (Que era «um escândalo mulheres assim, em tais trajes», recriminaram-na...) Mas foi o fogo que se lhe percebeu atiçado ali que lhe abriu, deslumbrante, o caminho para a revista Sopa no Mel, com Camilo de Oliveira, Florbela Queirós, Mariema e Deolinda Rodrigues. - Não havia ninguém como eu, que representasse, cantasse, dançasse - e se despisse. Aliás, se despisse não, se se apresentasse em trajes menores - e tivesse todo aquele sex-appeal... Io Apolloni a jogar futebol no campo do clube onde Vasco Santana fora guarda-redes (Dois anos depois de cá estar, houve «jogo sensacional» de futebol a agitar Lisboa, um jogo de que A Bola deu a devida nota: um Portugal- Resto do Mundo, no Campo do Arroios, o clube onde Vasco Santana jogara como guarda-redes. Não, não era partida entre futebolistas profissionais, era partida entre atrizes do Parque Mayer, organizada pelos Parodiantes de Lisboa para «fins caritativos» – e a vedeta da equipa internacional pusera o país em frenesins, era Io Apoloni...) A estrela de Holywood que escolheu para seu traje real a camisola do Benfica... A Rainha do Carnaval de 65 no Casino do Estoril foi uma estrela de Hollywood: Janett Scott. Para traje real escolheu a camisola do Benfica, do Benfica de Eusébio, usou-a debaixo de um largo manto branco, diáfano – e em vez de calções tinha, sensual, uma «tanga de praia». Muito escondidinhos começavam também a fazer-se desfiles de roupa interior nos salões dos hóteis. E a irmã Lúcia continuava a escrever cartas a Américo Tomás pedindo-lhe proibisse de vez o Carnaval e mandasse prender as mulheres que lhe diziam que já se atreviam a andar pelas praias biquíni – porque tudo isso ofendia a Senhora de Fátima. O que aconteceu à atleta do Belenenses que foi das primeiras portuguesas a usar biquíni... (E uma das primeiras portuguesas a usar biquíni foi Georgete Duarte. Era atleta, atleta do Belenenses, 46 vezes campeã nacional - um dos seus mais fantásticos recordes, nas barreiras, batera-o grávida de quatro meses: - Trabalhava na CUF, empregada de escritório. Na Moita, onde vivia, havia um rio onde as mulheres lavavam roupa. Ao verem-me passar a caminho do comboio para o treino, chamavam-me tudo. Não sei se prostituta teria tantos nomes como eu tive, tanto falatório, só porque andava a correr – e de calções. Casei e ainda era pior. Quando fui à RTP, em 1958, havia apenas um café com televisão na vila. O mulherio punha-se a espreitar pela vibraça, praguejando: que vergonha, até ali era aparece agora! E a rapaziada de lá fazia excursões para ir aos estádios – e depois poder dizer que me tinham visto as pernas, coitados...) Humberto Delgado, desesperado por não se avançar para outra revolução, a revolução contra Salazar, confidenciara a Mário Soares: - Arrisquei tudo e tudo perdi: família, situação, amigos, dinheiro. Sou um homem aniquilado e terrivelmente só... Diferente, o estado de espírito (e o horizonte...) da seleção que se atirou à qualificação para o Mundial de Inglaterra. Abriu-a com 5-1 à Turquia, com três golos de Eusébio. Em Ancara, nova vitória: 1-0. O golo? Livre de Eusébio à... Eusébio, perto do final – e turba de turcos raivosos pelo pontapé que os destroçara, precipitou-se para o balneário, vociferando (ou pior...): - Queriam bater-me, só por eu ter feito a minha obrigação: marcar aquele golo. 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Estilos e Espantos O futebol tem Messi e Cristiano Ronaldo, assim como o boxe tem Manny Pacquiao e Floyd Mayweather, que é de longe, o atleta mais bem pago do mundo, segundo um ranking que acaba de ser divulgado pela revista Forbes. Apesar disso, essa rivalidade entre eles não é o que foi uma outra, a rivalidade entre Mike Tyson e Evander Holyfield que até acabou com a orelha de um na boca do outro. No judo brasileiro há um... Holyfield, dele se fala aqui, mas não: não tem nada a ver com orelha comida, tem a ver com o modo como ele pode ter tirado uma judoca à Alemanha. Anne Lisewki por amor cedeu, por amor foi para o Rio. Quando lá chegou acabou por perder o namorado, mas voltou a apaixonar-se. Aqui, damos-lhe a conhecer toda a história... Anne Lisewski nasceu a 17 de maio de 1990 em Berlim, e com ela a paixão pelo judo. Depois também se apaixonou por um campeão brasileiro. Por amor, deixou a Alemanha rumo ao Brasil, sem nunca olhar para trás. Foi em março de 2014 que Anne abandonou a Europa para viver em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Mas como todos os contos de fadas precisam de rosas, este acabou por dar espinhos, e o romance não deu os frutos desejados. O casal separou-se mas Anne nao quis abandonar o país, não por Victor, mas por outro tipo de amor – a atleta entregara-se de corpo e alma ao Brasil e já não queria voltar a casa. «Não sei se vou ficar para sempre, mas quero continuar e lutar aqui. Quero entrar para a seleção brasileira. Competia na seleção alemã, mas o judo no Brasil é mais profissional. Penso que posso aprender muito». O judo através de um vizinho que sofria bullying... Anne conheceu o judo na infância, foi-lhe apresentado curiosamente por um vizinho que era vítima de bullying. «O pai dele indicou-nos os treinos, mas ele pediu-me para ir também. As pessoas eram más e costumavam gozar com ele, e eu acabei à pancada com todos. O treinador achou que tinha talento e acabei por ficar». Um talento que se converteu uma paixão, e ela de facto tinha jeito. De imediato, Anne foi sugerida à escola de desporto em Berlim, um dos seus grandes centros de formação de atletas. E a prova veio depois – Anne sagrou-se campeã nacional por duas vezes entre os juniores – categoria em que também amealhou cinco medalhas de prata em competições europeias. Depois, já como sénior, conquistou quatro pódios em mundiais de judo, apesar de uma longa trajetória envolta em lesões – 1 medalha de prata e 3 de bronze na categoria menos 70 kg. Para lá ficou o treino na Alemanha, agora só pensa tornar-se uma atleta de topo no Brasil. Para isso, Anne inscreveu-se no Instituto Reação, um projeto social criado por Flávio Canto, um ex-judoca brasileiro. Victor já não é namorado de Anne, mas continua presente – não só no judo, também na mesma escola de treinos. Ainda em 2014, Anne foi medalha de prata no Grand Prix disputado em São José dos Campos. O ouro perdeu-o contra a rival, Bárbara Timo. «O sistema aqui é um pouco melhor. São vários treinadores, com profissionais responsáveis em áreas específicas – a preparação física, por exemplo. A Alemanha tem apenas dois técnicos para toda a equipa. É bem mais difícil. A Alemanha não tem tanto dinheiro para investir como o Brasil». A comida brasileira e os Jogos Olímpicos O Brasil encantou Anne, só a poluição a angustia: a poluição. «E apesar de existirem cada vez mais contentores mas mesmo assim a população prefere deixar o lixo na rua, isso também não é bom». Para atenuar os problemas com a poluição, Anne e uma amiga estão a desenvolver um projeto para salvar o ecossistema e o ambiente. «Queremos também levar as crianças aos locais para recolherem o lixo». Um projeto ainda em fase embrionário, até porque Anne ainda continua como cidadã alemã, embora já tenha pedido toda a documentação necessária para obter nacionalidade brasileira. 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O Holyfield do Brasil – não defrontou Tyson mas conheceu Anne e o judo Victor Penalber é o ex-namorado que levou Anne Lisewski para o Brasil. Começou no judo com apenas quatro anos. Aos 18 era já uma das promessas nacionais. A sua técnica e força física depressa lhe valeram uma alcunha: o ´Holyfield´ do judo. Em 2008, Victor conquistou a medalha de bronze nos Mundiais de Juniores da Tailândia. No mesmo ano porém o destino traçou-lhe a sorte: caiu nas malhas do doping, acusado de ter usado furosemida, um diurético proibido. Depois de dois anos de suspensão, acabou por regressar às lutas, mas não brilhou e falhou no acesso aos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Mas não desistiu, afinal era o ´Holyfield´. Prossegui caminho e tornou-se o nº 1 do Brasil. Em maio de 2014 assumiu a liderança do ranking mundial na categoria até 81kg. Agora a meta é vencer nos Jogos Olímpicos de 2016. O primeiro obstáculo já tem nome - Josateki Naulu, o judoca das Ilhas Fiji. «Provar não é a palavra. 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