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Pedro BarrosO Barreirense está em vias de reforçar a equipa de basquetebol com o extremo Anthony Brown. No entanto, a notícia não fica encerrada nestes dados, nem tão pouco é significativo dizer que o atleta tem 23 anos e mede 2,03 metros.
É que o norte-americano viveu os últimos seis meses mais conturbados da sua vida, especialmente as duas últimas semanas, apesar de ter nascido no, então, problemático bairro de Brooklyn (Nova Iorque).
Em Agosto do ano passado, Anthony Brown assinou um contrato por uma temporada com o conjunto português, com todos as regalias remuneratórias devidamente definidas. Porém, o atleta falhou o compromisso e rumou mais a Leste, para Montenegro, onde representou o KK Mornar até ao último dia 13.
Por volta dessa data, o clube montenegrino e a Federação daquele país foram confrontados com uma carta da FIBA dando conta da impossibilidade de o jogador se manter em actividade, devido a queixa do Barreirense, que apresentou na instância superior do basquetebol o contrato rubricado. E como a carta internacional do atleta já tinha sido requerida na Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) a conclusão é óbvia: Anthony Brown jogou indevidamente pelo KK Mornar, motivando a sua suspensão e uma multa da FIBA à federação montenegrina, em cerca de quatro mil euros.
Desde então, várias soluções foram ponderadas para resolver o intricado caso. Uma das que agradou ao Barreirense foi recuperar, finalmente, Anthony Brown para as suas fileiras. O basquetebolista também ficou satisfeito, pois livrou-se de pagar indemnização aos portugueses, e aceitou... longe de imaginar o que lhe aconteceria a seguir.
Os responsáveis do KK Mornar é que se revoltaram com tudo o que estava a acontecer e retaliaram sobre o basquetebolista. Retiveram o seu passaporte na última quinta-feira e ameaçaram que apenas entregavam o documento de identificação se ele pagasse a multa aplicada à Federação de Montenegro, num esquema de chantagem que apenas não surtiu efeito pela intervenção dos dirigentes do Barreirense e de António Santos, um português adepto do emblema da Margem Sul que se encontrava a par de todo o processo e que instruiu o atleta nos procedimentos a tomar.
Anthony Brown deu conta da sua situação à embaixada dos Estados Unidos em Podgorica, onde hoje de manhã passou bem cedo pela porta. A troca de mensagens entre a representação diplomática norte-americana e o clube montenegrino foi suficiente para colocar um ponto final no rocambolesco episódio.
«Finalmente tenho o meu passaporte», escreveu Anthony Brown, cerca das 14 horas, no espaço pessoal do Facebook, anunciando, igualmente, a sua vinda para Portugal.
18:10 - 01-02-2010