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Vítor QueirósHaverá um FC Porto de porte musculado no provável pantanal de Oliveira de Azeméis. Por isso, há obrigações cada vez mais pressionantes: os principais craques vão descansar, com o Chelsea à vista.
Impensável, mas cru, realmente demasiado cru para uma competição profissional: jogar no «Carlos Osório» será hoje muito mais que um desafio aos sentidos, ao profissionalismo, à capacidade de sacrifício.
Se, como mandam as previsões, chover a cântaros, se houver jogo, instala-se a vergonha no modo simples de ver e não ver. Jogar naquelas condições tão quarto-mundistas será, pois, o primeiro desafio integral de um dragão que procura não se deixar invadir negativamente no seu ânimo, tão abalroado pelas últimas exibições, e que procura avançar na Taça de Portugal, onde exerce a condição de titular da segunda competição nacional.
Todo o folclore que vem rodeando a organização deste jogo - que pelas condições deploráveis do estádio, será sempre uma fraude desportiva, penda para onde pender o desfecho - será também um apelo extra à cabeça fria de Jesualdo Ferreira, que tem muito em que pensar, olhando à produção do FC Porto, que exceptuando a vitória em Chipre e respectivo apuramento para os 'oitavos' da Champions, soma uma invulgar série de jogos inexpressivos, daqueles onde nunca pode haver satisfação, daqueles que enfraqucem os laços com os adeptos, daqueles que enfurecem os críticos mais impiedosos.
A franja esquecidaOra, juntando hesitações, paragem, lesões, selecções e abanões, que FC Porto teremos hoje? Um dragão de combate será a resposta imediata, única, lógica. Um dragão duro de rins, mas, provavelmente, um dragão B, por muito que se conteste essa perspectiva, mesmo que um dragão B meta muita gente de obrigações máximas, muitas delas por cumprir…
Há, pois, uma franja esquecida no plantel que se insinua (Maicon, Tomás Costa, Guarin, Farías); há também vontade total de mudar, de seduzir, e há alguma falta de humildade aqui e ali, não sendo nada dispiciendo ver um certo senhor Belluschi, por fisicamente frágil que seja, ter que sujar os calções a sério, para mostrar a raça que o precede.
Para calar os cépticos, para voltar a luzir, para assumir as responsabilidades de favorito, o FC Porto terá que dominar o jogo, ter outra concentração, espírito de sacrifício, estratégia e contágio. Tudo para assegurar que todas as críticas mais recentes não serão mais que pura especulação…
Rotação, Belluchi e mais…É, pois, um jogo em que o FC Porto não pode conformar-se com a sua mais recente imagem prolongada. Baixando notoriamente de rendimento desde há um mês, ainda não voltou a reluzir e a transmitir força, sentido colectivo, pressão. Procura hoje uma vitória indispensavel, porque tem aspirações logicamente altas na Taça. Com quem avança?
A rotação é indiscutivel? Não tem sido; e para uma equipa que não se pôde preparar convenientemente nos primeiros meses da época, esta é uma fase de viragem, com a Europa segura, com as selecções paradas, com a enfermaria desinfectada.
Mesmo que os grandes vultos do plantel fiquem de fora, o quadro de opções subiu muito, e deitar a mão a alternativas que nem sempre puderam manter altas as aspirações de lutar por um lugar é a suposta prioridade. O plantel como nunca esteve em todas as ocasiões: é a chave da definição do onze para hoje, em que, jogue quem jogar, o quadro de exigência sobe mais alto que nunca. De um Belluschi recarregado ao despertador geral, o dragão avança para a Taça com a imposição de lavar a face em plena tempestade…
Equipa provável: Beto; Sapunaru, Rolando, Maicon e Nuno André Coelho; Belluschi, Prediger e Guarin; Mariano, Farias e Rodriguez.
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03:43 - 21-11-2009