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Pedro Manuel CoutoBeto está pronto para agarrar a titularidade na equipa portista e vai cumprir-se o sonho do pai, Valdemar. Padrinho do guarda-redes conta a A BOLA alguns segredos do jogador.
Beto vai voltar a calçar as luvas numa eliminatória da Taça de Portugal, mas, desta vez, o guarda-redes que o FC Porto pescou no Leixões tem todas as condições para agarrar a titularidade e tornar-se o dono da baliza azul e branca.
Se assim for, transforma-se em realidade o sonho do seu pai, um portista num clã sportinguista, que em vida não teve oportunidade de assistir ao salto de Beto para os tetracampeões.
Mas o guardião não o esquece e por isso «cada defesa será para o pai», como revela a A BOLA Carlos Rodrigues, padrinho de Beto. Por estes dias, o guardião vive sentimentos distintos: «Por um lado está a sofrer pelo facto de não ter sido convocado pelo seleccionador Carlos Queiroz para os desafios com a Bósnia; por outro está ansioso por ver o seu nome na ficha de jogo do FC Porto», explica.
A lesão de Helton no jogo com o Marítimo abre as portas da titularidade a Beto que, depois de uma temporada em alta rotação ao serviço do Leixões, passou à condição de suplente no FC Porto. A estreia oficial na casa azul deu-se na Taça de Portugal, frente ao Sertanense, e correu bem, mas dias depois voltou a ceder o lugar ao colega brasileiro, na partida com os cipriotas do APOEL, para a Liga dos Campeões.
«Estou convencido que o Beto vai agarrar o lugar porque ele precisa de fazer três ou quatro jogos seguidos, em vez de só actuar numa competição que se disputa de tempos a tempos, como é o caso da Taça de Portugal. Acredito que depois desta oportunidade será difícil o treinador tirá-lo da equipa. Ele não tem medo do risco e da exigência e isso ficou demonstrado quando se estreou pela Selecção», afirma Carlos Rodrigues.
O amigo e familiar só lamenta a forma como as portas do onze se abriram a Beto: «Tenho pena que a oportunidade tenha surgido devido à lesão do Helton, e o Beto também lamenta a situação do companheiro de equipa, com quem mantém excelente relação pessoal. Aliás, o Beto é uma pessoa que cativa facilmente os colegas e não me recordo de problemas com ele num balneário.»
Do abandono à SelecçãoAté chegar ao FC Porto, Beto passou por grandes dificuldades, apesar de ter frequentado as escolas do Sporting. Como nunca se deu bem com a situação de suplente, o guarda-redes acabou por trocar o conforto de um clube grande como é o emblema de Alvalade, por um futuro incerto, mas onde vislumbrava a oportunidade de somar minutos em campo. A vida colocou-lhe inúmeras barreiras e esteve a um curto passo de desistir, mas encheu-se coragem e prosseguiu, como lembra Carlos Rodrigues: «No Desp. Chaves colocou a hipótese de abandonar o futebol, mas o apoio paterno foi fundamental. No Marco também foram dois anos de problemas, porque jogava mas não recebia ordenado.»
E quando o padrinho fala do pai e da mãe de Beto, salienta a importância de ambos na vida do futebolista, principalmente do pai, que faleceu há três anos. «O senhor Valdemar era uma pessoa muito exigente e avisou-o que o futebol acabava se ele não tivesse aproveitamento escolar. Isso foi bom para ele, que acabou por concluir o 12º ano de escolaridade. Mas também tinha orgulho por aquilo que o Beto fazia e acreditem que não é fácil para um jovem estar constantemente em estágios, como sucedeu com o Beto, que marcou presença em todas os escalões de formação da Selecção. O pai acompanhava-o sempre nesses períodos e tinha um sonho, que era ver o filho jogar no FC Porto», recorda com saudade.
A vontade do senhor Valdemar está a cumprir-se passo a passo. Primeiro assinou por quatro temporadas com o FC Porto, depois estreou-se com a camisola azul e branca e agora a oportunidade de se transformar no sucessor de Vítor Baía.
Leia a reportagem na íntegra na edição impressa de A BOLA
10:30 - 15-11-2009