SÁBADO, 30-05-2015, ANO 16, N.º 5600
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destaques

«Garganta Funda» pôs Blatter em maus lençóis. Por causa dos 200 quilos anda de cadeira de rodas. Pagava 5500 dólares para gatos viverem na luxuosa Trump Tower em Manhattan. E há mais excentricidades...
Grande História Chuck Blazer. Este nome vai entrar na história do futebol - como «garganta funda» como o futebol nunca teve. Na década de 80 estava desempregado e praticamente falido. Já lá ia o tempo em que o negócio de família dava lucros – uma fábrica de botões. Tinha uma lábia esplêndida e um olho clínico para o negócio, teve a sorte (ou o azar) de conhecer Jack Warner, fazê-lo presidente da CONCACAF, a Confederação de Futebol da América do Norte. Com a figura corpulenta de uma obesidade mórbida de 200 quilos, ninguém daria nada por ele, não fossem as suas excentricidades que mais parecem comédia de Hollywood. Delas lhe falamos aqui. E também da cadeira de rodas elétrica em que anda, do apartamento de luxo que alugou para os seus gatos, de como levou a que a polícia fosse buscar 14 atuais e antigos dirigentes da FIFA a um hotel suíço - e do escândalo que já tinha sito retratado em março de 2014 na mediática série os Simpsons. Só que na altura ninguém acreditou que fosse mesmo assim... Num bairro de judeus de Nova Iorque, na loja que vendia jornais, na fábrica de botões... Chuck Blazer é o típico cidadão americano que não passa despercebido – robusto na casa dos 200 quilos e uma barba longa e farta em homenagem ao Pai Natal, mas ao contrário do mito ele escondeu presentes envenenados. Blazer nasceu em Nova Iorque no seio de uma família simples, num bairro fortemente judeu de classe média, nos arredores de Queens. Cresceu a trabalhar nos negócios da família, uma loja que vendia artigos de papelaria e jornais e uma fábrica de botões. Mas nunca deixou a escola para trás. Estudou contabilidade na Universidade de Nova Iorque e casou-se com a namorada da escola, Susan. Nunca revelou grande fascínio pelo futebol - ou melhor: pelo soccer que por lá, pela América, o futebol era outra coisa, jogava-se com as mãos também. A paixão despertou-se quando o filho quis ser futebolista - e procurou clube para treinar. O conhecimento da modalidade levou-o a sonhar alto, taõ alto que não conseguiu fugir ao FBI. Agora aos 70 anos rendeu-se. A mulher deixou-o, o seu alento são as candidatas a Miss Universo com quem frequentemente se deixa fotografar. Quando não está em festa o seu destino são os hospitais, luta contra um grave cancro no cólon. Gastava 5500 euros por mês de renda num apartamento só para os gatos O primeiro contacto com o futebol acontecera em 1976 quando já treinava a equipa do filho na cidade de New Rochelle, no estado de Nova Iorque. Mas ele queria ser muito mais que isso – e foi. Foi um dos senhores do Comité Executivo da FIFA, cargo que ocupou durante 17 anos, lhe permitiu dar asas às suas excentricidades. Com ele, ficou famoso o papagaio Max, que Chuck gostava de passear ao ombro. Mas do que verdadeiramente gostava era das festas e gastos sumptuosos, viagens em jatos privados, apartamentos de luxo de Nova Iorque às Bahamas e a convivência com figuras públicas, sim, porque os seus amigos foram todos escolhidos ao pormenor - Vladimir Putin, Nelson Mandela ou Hillary Clinton. Mas o topo das excentricidades esteve no 49º andar da Trump Tower, o arranha-céus em pleno coração de Manhattan onde Chuck tinha dois apartamentos, um para ele, com uma renda de 16 500 euros mensais, e outro apenas para os seus gatos, a 5 500 euros por mês. Como se tornou o... Mister 10 por Cento Inicialmente desempregado, começara a construir a sua fortuna em 1989, valeu-lhe o amigo Jack Warner que conhecera no seio da CONCACAF a confederação da América do Norte, Central e Caraíbas, onde trabalhou de 1990 a 2011, antes de chegar ao Comité Executivo da FIFA em 1996. Na altura, Chuck já tinha aguçado o olho clínico para o negócio e convenceu Warner a candidatar-se à presidência do organismo máximo do futebol. Não só venceu, como, em retribuição, nomeou Chuck para secretário-geral, com um contrato que lhe valeu a alcunha de Mister 10 por cento, a percentagem a que teria direito por cada contrato celebrado pela instituição (e não só). E mais: o cargo abriu-lhe portas para deixar de ser um desempregado dos subúrbios para se tornar num dos homens mais influentes do soccer, a modalidade claramente em expansão nos Estados Unidos. Herói ou vilão: o Al Capone que o FBI foi buscar ao futebol Mas no frio outono de 2011 tudo mudou. Enquanto descia a 5ª Avenida em Nova Iorque numa das suas cadeiras de rodas motorizadas, sim, porque os 200 quilos impedem-no de andar depressa, Chuck Blazer foi abordado por dois investigadores, um do FBI e outro da polícia tributária. O paraíso fiscal em que que tinha morada domiciliária depois de mais de dez anos a receber milhões de dólares em alegados subornos e comissões, fizera-o esquecer-se de pagar os impostos americanos anos a fio. Foi assim também, por finta ao Fisco que Al Capone acabou preso - não foi por outras malandrices (ou pior...) que fizera durante a sua vida, às vezes pelos mesmos caminho por onde, depois, Chuck andaria: no frenesim e no glamour de Nova Iorque. E a conversa não durou muito tempo, também não tinha por onde fugir – ou ia preso ou colaborava com a polícia. Em questão de segundos esqueceu os dólares e os amigos e tornou-se num agente infiltrado do FBI na caça dos corruptos da FIFA, no fundo o que ele tinha sido também. Chuck foi acusado pela Justiça dos Estados Unidos por estar envolvido em esquemas de corrupção relativos à escolha de países para vários Mundiais, enquanto secretário-geral da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e das Caraíbas - e para reduzir a pena acabou por admitir-se culpado de dez crimes, entre eles, fuga aos impostos, lavagem de dinheiro, fraude bancária e extorsão. Só pelo crime de extorsão, poderia ir parar à prisão por 20 anos. Usou microfone escondido no porta-chaves para gravar as reuniões com os dirigentes de futebol Durante os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, Chuck já era um agente infiltrado do FBI. Hospedou-se num hotel de 5 estrelas da cidade, onde recebia os dirigentes do mundo do futebol. Entre os convidados estavam mentores das candidaturas da Rússia para a Copa de 2018 e da Austrália para a Copa de 2022. Foi assim que, a mando do FBI, começou a gravar as conversas com um microfone escondido no porta-chaves, conversas essas que seriam o ponto-chave das investigações. O americano forneceu ainda uma lista de 44 altos dirigentes da FIFA que se acredita, estarem envolvidos em esquemas de corrupção e extorsão de capitais. Só em 2013 é que se demitiu do Comité Executivo da FIFA como consequência de se ter, enfim, dado publicamente como culpado de corrupção perante a Justiça dos Estados Unidos - e apesar de, colaborando como colaborou com a promotora, de ter sido o responsável pelo estoiro do escândalo FIFA que até poderá levar (ou não) à regeneração do futebol mundial; apesar de ter sido ele a «garganta funda» que mostrou como estava insalubre e podre (pelo menos...) o reino de Blatter, Chuck Blazer ainda incorre numa pena de prisão até 15 anos. ...
Estilos e Espantos «Ser campeão do mundo não muda nada na minha vida. No outro dia continuo a acordar com fome, com dor de barriga, largo-me...» disse numa ocasião Nelson Piquet, o brasileiro (com sangue português pelo lado Sotomayor da família) que foi campeão de Fórmula 1. No rali não é exceção, apenas se mudam os nomes e as nacionalidades. Há pilotos mais cerebrais e outros mais virados para o espetáculo. «Levo de Portugal uma recordação para toda a vida, já que foi um rali praticamente perfeito para nós e não poderia estar mais feliz com o que fizemos nestes últimos dias. Agora não quero pensar em mais nada que não seja comer um bom bife e relaxar». Palavras de Jari-Matti Latvala, que conquistou pela primeira vez um Rali de Portugal, valeu-lhe a ajuda do mecânico, cujo sangue também é português. Aos 8 anos recebeu um Ford Escort de prenda, aos 10 já pilotava em lagos congelados. Tem a força de Henri Toivonen, uma espetacularidade na condução a que muitos apelidam de excesso de loucura, e não se enganam, afinal o pai não foi só piloto, foi igualmente campeão. Mas a força de vencer foi buscá-la a Marcus Gronholm, o agricultor que encontrou nas pistas a adrenalina que faltava para conseguir respirar... Nasceu a 3 de abril de 1985 em Toysa, na Finlândia, filho de Jari Latvala, um ex-piloto de rali e campeão finlandês do Grupo N em 1994. Aos oito anos recebeu do pai um Ford Escort, aos dez, já pilotava em lagos congelados ao volante de um Opel Ascona. É conhecido pelo seu estilo agressivo de condução, o que já lhe rendeu muitos aplausos e comparações a Colin McRae, o falecido piloto escocês, campeão dos mundiais de rali. Jari-Matti Latvala tinha como ídolo de infância o irreverente Henri Toivonen, mas a inspiração veio do louco Marcus Gronholm e mais. Foi no rali da Suécia em 2008, que Latvala conseguiu a sua primeira vitória no Mundial de Ralis, tornando-se no mais jovem vencedor de sempre, derrubando o recorde do próprio ídolo Toivonen que em 1980 vencera o Rali da Grã-Bretanha aos 24 anos e 86 dias. Latvala tinha então 22 anos. Agora com 30 anos a experiência é outra, mas a fome de títulos continua. Depois da tempestade voltou a sorrir, e fê-lo em Portugal. O renascimento do finlandês que aprendeu a voar Jari-Matti Latvala venceu pela primeira vez o Rali de Portugal, primeiro triunfo da temporada na quinta prova do Campeonato do Mundo. «Foi um rali extraordinário para nós. Provámos que continuamos competitivos e que temos capacidade de ganhar», afirmou o piloto finlandês que liderava ao volante da Volkswagen. Sébastien Ogier, o bicampeão da competição acabou por ser segundo classificado e na hora de fazer o balanço da prova não escondeu as dificuldades sentidas. «Foi um rali muito difícil, tentámos tudo para vencer, mas não foi possível. Perante as dificuldades de ter sido o primeiro na estrada nos primeiros dias, tenho de estar muito satisfeito com o segundo lugar em Portugal. Sabia que ser o primeiro na estrada ia tornar as coisas mais difíceis para nós, mas é assim que as coisas são e não adianta agora lamentar a situação. Estou na frente do campeonato e isso é o mais importante». «Em Portugal tenho tido alguns acidentes, grandes acidentes, mas isso foi no Sul. Aqui no Norte do país foi como começar de novo», referiu Latvala que alcançou a 13ª vitória na carreira. Um troféu especial que defendeu também o recorde de cinco vitórias do compatriota Markku Alén nas estradas portuguesas, que estava ameaçado por Ogier, já vencedor por quatro vezes em Portugal. «O Markku disse-me que aqui no norte de Portugal ganham os finlandeses. Não fui feliz nos anos a sul, mas aqui foi maravilhoso». Jari-Matti Latvala e Sébastien Ogier, ambos pilotos da Volkswagen entraram para a derradeira especial em Fafe separados por 10,5 segundos, depois de Latvala ter respondido da melhor forma a Ogier na longa e dura classificativa de Vieira do Minho. Mas Ogier não dramatizou. «É aborrecido quando o melhor ganha sempre». Vencedor das três primeiras provas, em Monte Carlo, Suécia e México, Sébastien Ogier consolidou a liderança do Mundial, com 105 pontos. Com a vitória alcançada no Rali de Portugal, Latvala subiu ao sexto lugar e soma agora 46 pontos. «É uma grande sensação. Após os últimos três ralis, alguns questionaram se eu alguma vez estaria de volta. Foi um dos períodos mais difíceis da minha carreira. Dar a volta e ganhar é uma sensação única. Seb fez um grande trabalho de recuperação tendo em conta a sua posição na estrada, mas hoje estivemos iguais», afirmou Latvala, que foi vice-campeão do mundo duas vezes - 2010 e 2014, ofuscado em ambas pelo talento dos franceses, Sébastie Loeb e Ogier. Correu pela primeira vez ainda não tinha carta de condução, valeu-lhe o talento que herdou do pai, também piloto e campeão de ralis Latvala fez a sua aparição no Campeonato do Mundo de Ralis aos 17 anos. Como não tinha ainda era menor de idade e não tinha de condução, teve que se estrear no WRC no Network Q Rali da Grã-Bretanha de 2002, o mesmo rali que, uma década depois lhe permitia assegurar a sétima vitória da sua carreira. «Quando começamos a correr fora de portas, não temos um plano específico de 10 anos para o sucesso, mas, certamente, que a minha família já tinha em mente tornar-me um piloto de fábrica. O primeiro objetivo foi tanto concentrar-me nos resultados, mas sim em ganhar experiência, especialmente nos ralis do Campeonato do Mundo disputados em pisos diferentes. Só depois disso é que começamos, mais seriamente, em tentar chamar a atenção das equipas oficiais que, em 2006, me deram uma oportunidade, nomeadamente, a Stobart M-Sport que me resolveu contratar». A Finlandia é o país que forma campeões a todo o terreno e Latvala não foi exceção. O pai serviu-lhe de exemplo. «Desde 1981 que o meu pai era piloto de ralis. Foi o melhor piloto ‘Júnior’ em 1983 e ganhou o campeonato finlandês em 1984 num Grupo N, ganhou dinheiro suficiente na sua empresa para correr patrocinado por ela, sem mais nenhum apoio. A sua paixão rapidamente passou para mim e o seu incentivo foi grande quando percebeu que eu também gostava de ralis. E tudo começou então a acontecer na minha carreira de forma muito rápida. Timo Jouhki arranjou-me uma sessão de testes, na Finlândia para jovens pilotos, em setembro de 2001 quando soube os meus bons resultados nalgumas provas ‘caseiras’, chamados ‘rallysprints’ que temos na Finlândia. O selecionado nesse teste foi curiosamente, Mikko Hirvonen, mas o Timo ficou bastante entusiasmado comigo. Quis também dar-me uma oportunidade, apesar de nunca ter trabalhado, até então, com alguém tão novo. Foi assim, que me enviou para Inglaterra para conhecer o Pentti Airikkala e evoluir a minha condução na sua escola de pilotagem. Pentti estabeleceu-me em Inglaterra e, assim, pude tirar a carta de condução lá e iniciar-me nos ralis britânicos». ...
Do Passado para o Presente Três vitórias seguidas, ninguém o conseguira antes do Sporting, na Taça de Portugal. Esta é uma viagem por esses anos dourados – mas uma viagem a muito mais do que o futebol era, o futebol foi... Antes das três seguidas, que até poderiam ter sido quatro se a FPF não tivesse riscado do calendário a edição de 1946/47, a primeira vitória do Sporting na Taça de Portugal foi numa temporada histórica, na temporada de 1940/41. Ganhou-a ao Belenenses nas Salésias, que era o campo do Belenenses: 4-1 – e antes já ganhara o Campeonato de Lisboa e o Campeonato Nacional da I Divisão. Sombra houve apenas na tesouraria, o futebol deu prejuízo, um prejuízo de 80 contos, as receitas andaram pelos 238, as receitas pelos 318. 160 contos foram para pagar ordenados aos jogadores, que, no Relatório e Contas, se tratavam hipocritamente como: «assistência aos futebolistas». A Joseph Szabo, o treinador, couberam 28.850 escudos durante o ano. E não foi mais porque aceitara baixar o salário global em três contos por... «amor leonino». (Pelos jornais havia publicidade aos rádios Philips 141 Super 4 com imagem de Fernando Peça, «o locutor português da BBC», cada um custava 750 escudos. E as mulheres de limpeza recebiam por um dia inteiro de trabalho 120 escudos por mês...) 750 escudos de ordenado para Peyroteo, mas só se não houve multa, a multa... A «assistência» a Fernando Peyroteo, a estrela da equipa, rendia-lhe mensalmente 750 escudos por mês – mas para que fossem mesmo 750 escudos não podia sofrer nenhuma multa de Szabo, os seus famosos: - diez per ciente, os dez por cento do ordenado por um minuto que fosse de atraso ao treino, os dez por cento se, na ronda da noite, os jogadores não estivessem em casa – os dez por cento por cento por falta de empenho em jogo e outras coisas assim. Ainda no FC Porto, ainda antes de vir para o Sporting, lembrou-se de aplicar o «cástigo» (como ele dizia...) aos avançados que, no treino, chutassem isolados dentro da área e não fizessem golo! Não era só o Sporting que multava, a polícia também e por causa de um isqueiro no Rossio Peyroteo perdeu mais de meio mês de ordenado No país também havia a psicose do castigo e da multa – e às vezes ridícula. Um exemplo: o governo lançou decreto impedindo o uso de isqueiro «debaixo de telha». Sem o dizer era medida para proteger a empresa nacional dos fósforos – que até tinha uma grande equipa de futebol: Os Fósforos. Para utilizá-lo era preciso livrete idêntico ao de porte de armas, custava 50 escudos. Os denunciantes do delito recebiam 15% da coima que poderia chegar a 250 escudos – e se o «delinquente» (era assim que estava no texto do decreto!) fosse funcionário do Estado, civil ou militar, a multa era elevada ao dobro. (250 escudos custava, por essa altura, segundo anúncio do Diário de Lisboa, um fato tipo sport, casaco e calça, da Alfaiataria Imperial, na Rua Augusta...) Quando Peyroteo se tornou capitão da seleção deram-lhe, como lembrança, um isqueiro. Uma vez, à saída do trabalho, no Grémio das Carnes, no Rossio, passou-o a um colega, para que acendesse o cigarro. Um polícia abeirou-se para apreender o... «móbil do crime», apesar de não ter feito chama. Gerou-se levantamento popular – e Peyroteo pediu ao agente que lhe passasse a multa depressa, que tinha mais que fazer. Passou. De 400 escudos. E nem sequer voltou atrás quando o jogador lhe mostrou que o isqueiro não tinha gás... ...