DOMINGO, 26-02-2017, ANO 18, N.º 6238

DISTRITAIS

classificação - AF Viseu - 2016/2017
casa
fora
total
V
E
D
G
V
E
D
G
J
V
E
D
G
P
1Ferreira Aves
9
1
0
19-4
4
3
2
17-10
19
13
4
2
36-14
43
2Sampedrense
3
6
0
10-3
5
4
1
11-7
19
8
10
1
21-10
34
3Carregal Sal
5
3
2
9-5
4
3
2
14-9
19
9
6
4
23-14
33
4Resende
4
2
4
17-11
5
3
1
12-7
19
9
5
5
29-18
32
5Penalva Castelo
6
1
3
21-18
3
3
3
8-7
19
9
4
6
29-25
31
6Sátão
4
3
2
14-10
5
1
4
16-13
19
9
4
6
30-23
31
7Lamelas
5
3
2
18-16
3
2
4
9-10
19
8
5
6
27-26
29
8Silgueiros
6
2
1
16-7
2
2
6
8-15
19
8
4
7
24-22
28
9Roriz
4
3
2
16-12
2
6
2
16-14
19
6
9
4
32-26
27
10Paivense
2
5
3
5-6
4
2
3
8-6
19
6
7
6
13-12
25
11Castro Daire
4
3
2
13-9
2
3
5
12-15
19
6
6
7
25-24
24
12Mangualde
3
2
5
8-11
3
3
3
12-10
19
6
5
8
20-21
23
13Lamego
2
3
4
11-12
4
2
4
14-15
19
6
5
8
25-27
23
14Ol. Frades
5
0
5
11-13
0
2
7
3-15
19
5
2
12
14-28
17
15Tarouquense
2
2
5
8-15
1
2
7
12-20
19
3
4
12
20-35
13
16Canas Senhorim
0
2
7
8-24
0
0
10
4-31
19
0
2
17
12-55
2
Jornadas - AF Viseu - 2016/2017
JORNADAS ANTERIORES
19.ª Jornada
19-02
Penalva Castelo
0 2
Lamelas
19-02
Ferreira Aves
3 2
Mangualde
19-02
Resende
1 0
Carregal Sal
19-02
Silgueiros
2 0
Ol. Frades
19-02
Sampedrense
0 0
Paivense
19-02
Lamego
1 1
Roriz
19-02
Canas Senhorim
2 2
Tarouquense
19-02
Castro Daire
3 2
Sátão
18.ª Jornada
12-02
Lamelas
1 6
Ferreira Aves
12-02
Mangualde
1 2
Resende
12-02
Carregal Sal
1 0
Silgueiros
12-02
Ol. Frades
1 2
Sampedrense
12-02
Paivense
0 1
Lamego
12-02
Roriz
4 0
Canas Senhorim
12-02
Tarouquense
1 0
Castro Daire
12-02
Sátão
1 1
Penalva Castelo
17.ª Jornada
05-02
Penalva Castelo
2 1
Ferreira Aves
05-02
Resende
1 1
Lamelas
05-02
Silgueiros
2 0
Mangualde
05-02
Sampedrense
0 0
Carregal Sal
05-02
Lamego
0 0
Ol. Frades
05-02
Canas Senhorim
1 3
Paivense
05-02
Castro Daire
2 2
Roriz
05-02
Sátão
1 0
Tarouquense
16.ª Jornada
29-01
Ferreira Aves
2 0
Resende
29-01
Lamelas
1 1
Silgueiros
29-01
Mangualde
0 1
Sampedrense
29-01
Carregal Sal
2 0
Lamego
29-01
Ol. Frades
3 2
Canas Senhorim
29-01
Paivense
0 0
Castro Daire
29-01
Roriz
1 2
Sátão
29-01
Tarouquense
0 2
Penalva Castelo
15.ª Jornada
15-01
Roriz
4 4
Tarouquense
15-01
Paivense
1 2
Sátão
15-01
Ol. Frades
1 0
Castro Daire
15-01
Carregal Sal
1 0
Canas Senhorim
15-01
Mangualde
0 0
Lamego
15-01
Lamelas
2 1
Sampedrense
15-01
Ferreira Aves
3 0
Silgueiros
15-01
Resende
2 1
Penalva Castelo
14.ª Jornada
08-01
Penalva Castelo
4 2
Roriz
08-01
Tarouquense
0 2
Paivense
08-01
Sátão
1 0
Ol. Frades
08-01
Castro Daire
0 0
Carregal Sal
08-01
Canas Senhorim
1 5
Mangualde
08-01
Lamego
0 0
Lamelas
08-01
Sampedrense
1 1
Ferreira Aves
08-01
Silgueiros
2 2
Resende
13.ª Jornada
18-12
Paivense
0 0
Roriz
18-12
Ol. Frades
0 2
Tarouquense
18-12
Carregal Sal
1 0
Sátão
18-12
Mangualde
1 2
Castro Daire
18-12
Lamelas
3 1
Canas Senhorim
18-12
Ferreira Aves
1 0
Lamego
18-12
Resende
0 1
Sampedrense
18-12
Penalva Castelo
1 0
Silgueiros
12.ª Jornada
11-12
Paivense
0 0
Penalva Castelo
11-12
Roriz
1 0
Ol. Frades
11-12
Tarouquense
2 5
Carregal Sal
11-12
Sátão
0 1
Mangualde
11-12
Castro Daire
1 0
Lamelas
11-12
Canas Senhorim
1 2
Ferreira Aves
11-12
Lamego
0 2
Resende
11-12
Sampedrense
0 0
Silgueiros
11.ª Jornada
04-12
Ol. Frades
2 0
Paivense
04-12
Carregal Sal
1 1
Roriz
04-12
Mangualde
1 0
Tarouquense
04-12
Lamelas
1 0
Sátão
04-12
Ferreira Aves
2 0
Castro Daire
04-12
Resende
6 0
Canas Senhorim
04-12
Silgueiros
4 1
Lamego
04-12
Penalva Castelo
1 2
Sampedrense
10.ª Jornada
27-11
Ol. Frades
0 1
Penalva Castelo
27-11
Paivense
1 1
Carregal Sal
27-11
Roriz
0 0
Mangualde
27-11
Tarouquense
0 2
Lamelas
27-11
Sátão
0 0
Ferreira Aves
27-11
Castro Daire
0 1
Resende
27-11
Canas Senhorim
1 2
Silgueiros
27-11
Lamego
1 2
Sampedrense
9.ª Jornada
20-11
Carregal Sal
1 0
Ol. Frades
20-11
Mangualde
1 0
Paivense
20-11
Lamelas
2 3
Roriz
20-11
Ferreira Aves
1 0
Tarouquense
20-11
Resende
0 1
Sátão
20-11
Silgueiros
0 0
Castro Daire
20-11
Sampedrense
4 0
Canas Senhorim
20-11
Penalva Castelo
3 3
Lamego
8.ª Jornada
13-11
Carregal Sal
0 0
Penalva Castelo
13-11
Ol. Frades
1 0
Mangualde
13-11
Paivense
2 0
Lamelas
13-11
Roriz
2 1
Ferreira Aves
13-11
Tarouquense
1 1
Resende
13-11
Sátão
4 1
Silgueiros
13-11
Castro Daire
1 1
Sampedrense
13-11
Canas Senhorim
0 2
Lamego
7.ª Jornada
06-11
Mangualde
1 3
Carregal Sal
06-11
Lamelas
4 1
Ol. Frades
06-11
Ferreira Aves
0 0
Paivense
06-11
Resende
2 2
Roriz
06-11
Silgueiros
2 1
Tarouquense
06-11
Sampedrense
1 1
Sátão
06-11
Lamego
4 0
Castro Daire
06-11
Penalva Castelo
4 0
Canas Senhorim
6.ª Jornada
30-10
Mangualde
0 1
Penalva Castelo
30-10
Carregal Sal
1 2
Lamelas
30-10
Ol. Frades
0 2
Ferreira Aves
30-10
Paivense
0 2
Resende
30-10
Roriz
2 1
Silgueiros
30-10
Tarouquense
0 0
Sampedrense
30-10
Sátão
2 3
Lamego
30-10
Castro Daire
2 1
Canas Senhorim
5.ª Jornada
23-10
Lamelas
1 1
Mangualde
23-10
Ferreira Aves
2 0
Carregal Sal
23-10
Resende
3 1
Ol. Frades
23-10
Silgueiros
1 0
Paivense
23-10
Sampedrense
1 0
Roriz
23-10
Lamego
3 2
Tarouquense
23-10
Canas Senhorim
1 3
Sátão
23-10
Penalva Castelo
1 6
Castro Daire
4.ª Jornada
16-10
Lamelas
2 1
Penalva Castelo
16-10
Mangualde
2 2
Ferreira Aves
16-10
Carregal Sal
0 1
Resende
16-10
Ol. Frades
1 3
Silgueiros
16-10
Paivense
0 0
Sampedrense
16-10
Roriz
1 3
Lamego
16-10
Tarouquense
3 0
Canas Senhorim
16-10
Sátão
4 3
Castro Daire
3.ª Jornada
09-10
Ferreira Aves
3 1
Lamelas
09-10
Resende
1 2
Mangualde
09-10
Silgueiros
1 2
Carregal Sal
09-10
Sampedrense
2 0
Ol. Frades
09-10
Lamego
1 2
Paivense
09-10
Canas Senhorim
0 4
Roriz
09-10
Castro Daire
4 1
Tarouquense
09-10
Penalva Castelo
3 2
Sátão
2.ª Jornada
02-10
Ferreira Aves
2 1
Penalva Castelo
02-10
Lamelas
1 1
Resende
02-10
Mangualde
1 0
Silgueiros
02-10
Carregal Sal
1 1
Sampedrense
02-10
Ol. Frades
2 1
Lamego
02-10
Paivense
1 0
Canas Senhorim
02-10
Roriz
1 1
Castro Daire
02-10
Tarouquense
1 3
Sátão
1.ª Jornada
25-09
Resende
1 2
Ferreira Aves
25-09
Silgueiros
2 1
Lamelas
25-09
Sampedrense
1 1
Mangualde
25-09
Lamego
1 3
Carregal Sal
25-09
Canas Senhorim
1 1
Ol. Frades
25-09
Castro Daire
0 1
Paivense
25-09
Sátão
1 1
Roriz
05-10
Penalva Castelo
2 0
Tarouquense
PRÓXIMAS JORNADAS
20.ª Jornada
 26-02
Mangualde
-
Lamelas
 26-02
Carregal Sal
-
Ferreira Aves
 26-02
Ol. Frades
-
Resende
 26-02
Paivense
-
Silgueiros
 26-02
Roriz
-
Sampedrense
 26-02
Tarouquense
-
Lamego
 26-02
Sátão
-
Canas Senhorim
 26-02
Castro Daire
-
Penalva Castelo
21.ª Jornada
 05-03
Penalva Castelo
-
Mangualde
 05-03
Lamelas
-
Carregal Sal
 05-03
Ferreira Aves
-
Ol. Frades
 05-03
Resende
-
Paivense
 05-03
Silgueiros
-
Roriz
 05-03
Sampedrense
-
Tarouquense
 05-03
Lamego
-
Sátão
 05-03
Canas Senhorim
-
Castro Daire
22.ª Jornada
 12-03
Carregal Sal
-
Mangualde
 12-03
Ol. Frades
-
Lamelas
 12-03
Paivense
-
Ferreira Aves
 12-03
Roriz
-
Resende
 12-03
Tarouquense
-
Silgueiros
 12-03
Sátão
-
Sampedrense
 12-03
Castro Daire
-
Lamego
 12-03
Canas Senhorim
-
Penalva Castelo
23.ª Jornada
 19-03
Penalva Castelo
-
Carregal Sal
 19-03
Mangualde
-
Ol. Frades
 19-03
Lamelas
-
Paivense
 19-03
Ferreira Aves
-
Roriz
 19-03
Resende
-
Tarouquense
 19-03
Silgueiros
-
Sátão
 19-03
Sampedrense
-
Castro Daire
 19-03
Lamego
-
Canas Senhorim
24.ª Jornada
 26-03
Ol. Frades
-
Carregal Sal
 26-03
Paivense
-
Mangualde
 26-03
Roriz
-
Lamelas
 26-03
Tarouquense
-
Ferreira Aves
 26-03
Sátão
-
Resende
 26-03
Castro Daire
-
Silgueiros
 26-03
Canas Senhorim
-
Sampedrense
 26-03
Lamego
-
Penalva Castelo
25.ª Jornada
 02-04
Penalva Castelo
-
Ol. Frades
 02-04
Carregal Sal
-
Paivense
 02-04
Mangualde
-
Roriz
 02-04
Lamelas
-
Tarouquense
 02-04
Ferreira Aves
-
Sátão
 02-04
Resende
-
Castro Daire
 02-04
Silgueiros
-
Canas Senhorim
 02-04
Sampedrense
-
Lamego
26.ª Jornada
 09-04
Paivense
-
Ol. Frades
 09-04
Roriz
-
Carregal Sal
 09-04
Tarouquense
-
Mangualde
 09-04
Sátão
-
Lamelas
 09-04
Castro Daire
-
Ferreira Aves
 09-04
Canas Senhorim
-
Resende
 09-04
Lamego
-
Silgueiros
 09-04
Sampedrense
-
Penalva Castelo
27.ª Jornada
 23-04
Penalva Castelo
-
Paivense
 23-04
Ol. Frades
-
Roriz
 23-04
Carregal Sal
-
Tarouquense
 23-04
Mangualde
-
Sátão
 23-04
Lamelas
-
Castro Daire
 23-04
Ferreira Aves
-
Canas Senhorim
 23-04
Resende
-
Lamego
 23-04
Silgueiros
-
Sampedrense
28.ª Jornada
 30-04
Roriz
-
Paivense
 30-04
Tarouquense
-
Ol. Frades
 30-04
Sátão
-
Carregal Sal
 30-04
Castro Daire
-
Mangualde
 30-04
Canas Senhorim
-
Lamelas
 30-04
Lamego
-
Ferreira Aves
 30-04
Sampedrense
-
Resende
 30-04
Silgueiros
-
Penalva Castelo
29.ª Jornada
 07-05
Roriz
-
Penalva Castelo
 07-05
Paivense
-
Tarouquense
 07-05
Ol. Frades
-
Sátão
 07-05
Carregal Sal
-
Castro Daire
 07-05
Mangualde
-
Canas Senhorim
 07-05
Lamelas
-
Lamego
 07-05
Ferreira Aves
-
Sampedrense
 07-05
Resende
-
Silgueiros
30.ª Jornada
 14-05
Tarouquense
-
Roriz
 14-05
Sátão
-
Paivense
 14-05
Castro Daire
-
Ol. Frades
 14-05
Canas Senhorim
-
Carregal Sal
 14-05
Lamego
-
Mangualde
 14-05
Sampedrense
-
Lamelas
 14-05
Silgueiros
-
Ferreira Aves
 14-05
Penalva Castelo
-
Resende
Tentou pôr Camataru no Benfica, Ceaucescu não deixou…
Grande História Fernando Martins pediu-lhe ajuda, mas não, isso Mário Soares não conseguiu: não conseguiu trazer Camataru para o Benfica. Mas, salvando Futre da tropa, salvou o FC Porto de perder 630 mil contos. Ao FC Porto de Pedroto e Pinto da Costa dera a sua primeira Taça de Portugal como Primeiro Ministro – e a primeira como presidente deu-a ao Benfica. A Carlos Lopes prometeu um churrasco nos seus jardins – e cumpriu a promessa com um boi de 350 quilos. Com Moniz Pereira, seu vizinho no andar de cima, jogou ao botão. As suas prisões com a PIDE cruzaram-se com ataques em que também esteve Cândido de Oliveira – e sim, ainda há muito mais desporto (e muitas mais surpresas) na vida de Mário Soares. É o que aqui se conta – e vai bem para lá do que ele revelou que era com a bola nos pés e do pai, que quando ele nasceu ainda era padre, o ter entregue a Agostinho da Silva pedindo-lhe que lhe desse lições de cultura geral porque «só pensava em jogar futebol, dizer asneiras, era um insubordinado…» João Lopes Soares nasceu à beira de Leiria, filho de gente pobre do campo - e em 1900 formou-se em Teologia na Universidade de Coimbra, sendo ordenado presbítero. Andou como Capelão Militar pela província, era em Alcobaça que estava quando em 1907 lhe surgiu filho de uma «ligação em pecado», Tertuliano lhe chamou. Transferiram-no para Lisboa, em Lisboa se tornou militante republicano, na ala de Afonso Costa. A monarquia chegou a prendê-lo por conspiração – e durante a I República foi, para além de professor nos Pupilos do Exército, governador civil, deputado – e Ministro das Colónias. NA PENSÃO,O ENCANTO DE ELISA... Em Lisboa, João Soares hospedou-se numa pensão da Rua Ivens, ao Chiado – e não tardou a encantar-se com a mulher do dono. Elisa Nobre apaixonou-se por ele, por ele deixou o marido – e foram viver para o 2º Esquerdo do nº 163 da Rua Gomes Freire. Às 18.15 horas do dia 7 de dezembro de 1924 nasceu-lhe um filho, registaram-no como Mário Alberto Nobre Lopes Soares – e só quando já tinha três anos é que a Santa Sé desobrigou, enfim, João Lopes Soares das ordens eclesiásticas, deixando, assim, oficialmente, de ser padre, tinha, então, 49 anos. A I República desfizera-se na coluna de Gomes da Costa que partira de Braga a 28 de maio de 1926 – e em fevereiro de 1927 João Lopes Soares envolveu-se na Revolta do Reviralho, o ataque à ditadura em que também estiveram Luís Carlos Faria Leal, fundador do Benfica – e João Tamagnini Barbosa, que a presidente do Benfica haveria de chegar à saída dos anos 40. Tal como Afonso Costa e António Sérgio, Faria Leal conseguiu escapar para exílio em França, Tamagnini Barbosa não: acabou deportado para os Açores, tal como João Soares. NO PRÉDIO DE MONIZ PEREIRA... No andar de cima do prédio da Rua Gomes Freire tinha um vizinho dois anos e meio mais velho que como ele se chamava Mário Alberto, o Mário Alberto Moniz Pereira – que em entrevista a A BOLA contou: - O meu pai era o representante em Portugal da FN, firma que fabricava automóveis e depois passou a fabricar armas e munições. Foi com um FN que se tornou o primeiro automobilista a dar a Volta a Portugal, o carro por vezes a ter de ser puxado por juntas de bois para cruzar rios e regatos. Talvez influenciado por esse seu espírito, depressa me pus a organizar no prédio grandes campeonatos com os meus irmãos, os nossos vizinhos. Na varanda era o salto em altura com a corda de estender a roupa e o salto à vara com o cabo de uma vassoura velha. Saltávamos em comprimento a partir da rampa da varanda e como não dava para mais em vez do triplo havia duplo-salto. No quintal, fazíamos 30 metros à volta da nespereira e jogávamos basquetebol com uma porta a fazer de ângulo com a parede a servir de cesto. Mais tarde as provas passaram do quintal para o passeio, a sarjeta era a tábua de chamada. Também tínhamos a Volta a Portugal em bicicleta - no quarto de costura com os cromos dos ciclistas na roda da máquina de costura da minha mãe, quem conseguisse dar mais voltas ganhava. O Mário Soares, mais novinho, não entrava nesses nossos torneios, mas ficava sempre a ver – e de quando em quando jogava ao botão connosco. E sim: muitas vezes nos assustámos ao ver a PIDE entrar de rompante pelo andar, à procura do pai do Mário, que até escondido na nossa casa chegou a estar… Em fevereiro de 1991, Mário Moniz Pereira fez 70 anos – e 250 amigos foram a Monsanto festejá-los. Um deles era, claro, o Mário Soares, já presidente da República, mas ali, sobretudo, numa outra condição. Emocionado, recordou: - Lembro-me, claro, de brincar com ele ao botão, na Rua Gomes Freire, mas tenho de dizê-lo: estou vexado por estar aqui reunido entre tantos desportistas e campeões e nunca ter praticado desporto a sério... e viu-se, fogacho a correr-lhe pelos olhos quando, no final do seu discurso Moniz Pereira se virou-se para ele e lhe disse: - Para terminar em beleza esta homenagem, vou entregar ao meu amigo Mário Soares uma velhinha recordação da nossa infância: a caixa do jogo do botão, com as fichas de inscrição, nomes dos jogadores e cores dos respetivos botões, é a minha surpresa para ele... A BOLA, A ASMA E A PROMESSA À SENHORA DE FÁTIMA... Uma das razões para nunca ter praticado desporto a sério – foi, sempre o achou, a sua magreza – e por isso, além de Gigi ou de Licas, também o tratavam por Lingrinhas, vivia com o pai preocupado a querer afastá-lo dos «jogos da bola». A outra razão foi sofrer de asma - e a propósito da asma há nele, a desfiar-se, uma outra deliciosa memória: - A minha mãe era muito religiosa e fez promessa, pedindo que eu me curasse da asma. Curei-me da asma, passaram os anos, por uma razão ou outra não cumpria a promessa. Até que um belo dia resolveu cumpri-la. E lá fomos os dois a Fátima, eu já adolescente, com uma vela da minha altura. Achei-me ridículo. Continuou a ser o que já decidira ser: republicano e laico – e a asma voltou a dar deliciosa memória, memória que está no livro de Joaquim Vieira: - Com o pretexto de que eu estava com asma e não podia tomar banho frio, o médico da prisão de Caxias aceitou que eu tomasse banho quente. Eu punha-me completamente nu dentro do alguidar, com a malta toda a ver, e o guarda prisional regava-me com um regador…...
Do Passado para o Presente Mirabolantes, coisas que aconteceram nos primeiros jogos entre Benfica e Sporting. Num deles, desatando a chover copiosamente os sportinguistas não quiseram jogar a segunda parte – e foi preciso o árbitro ir ao balneários obrigá-los a voltar ao campo. Noutro, o erro do árbitro levou a que o Benfica ganhasse por 2-1 – e lendo, no jornal do dia seguinte, a justificação para o penalty, o Benfica pediu que se transformasse a sua vitória num empate, a União do Futebol (era assim que se chamava o que haveria de transformar-se, depois, em AFL…) recusou-lhe o pedido. Mas não, não é só de romantismo assim que aqui se fala. Também se fala de dissidente do Sport Lisboa que José Alvalade levou para o Sporting «verdadeiramente perigoso» - e das duas bofetadas que o guarda-redes do Sporting deu a dois benfiquistas e por causa disso acabou José Alvalade suspenso por um ano. E ainda se conta como os clubes nasceram – um à míngua e outro em glamour… Para um jogo de futebol com o CIF juntaram-se num misto alunos da Casa Pia de Lisboa e dos Catataus (era assim que se conhecia o Belém Football Club dos irmãos Rosa Rodrigues). Ganharam e decidiram comemorar a proeza no Café Gonçalves, na Rua de Belém. De repente, soltou-se a ideia, num brado de alguém: - E se fundássemos um clube novo? A ACTA QUE COSME NÃO ASSINOU POR... MODÉSTIA Depois do almoço, reuniram-se todos na Farmácia Franco, no outro lado da rua – e fundaram mesmo. Foi a 28 de fevereiro de 1904 - e assim nasceu o Sport Lisboa. Cosme Damião redigiu a acta e por modéstia não quis escrever nela o seu nome. Logo se acertou que presidente seria José Rosa Rodrigues, o mais velho dos irmãos Catataus; que o símbolo seria uma águia - «por significar elevação de propósitos, largo espírito de iniciativa e ânsia de subir o mais alto possível»; que a divisa seria Et Pluribus Unum - como apologia de união na comunhão de sentimentos. O major José da Cruz Viegas escolheu o vermelho e branco por «traduzir alegria, colorido e vivacidade e ser fonte de entusiasmo» - e compraram-se camisolas flanela na Alfaiataria Nunes e uma bola ao Cricket Club por 1500 réis. Problema, logo se viu, era a falta de campo decente. Os treinos foram-se fazendo numa faixa de terreno junto da linha de comboios para Cascais. Quando a CP exigiu a expulsão dos «footballers» através de uma ordem de despejo entregue pelo guarda da passagem de nível - e tudo piorou ainda mais. O Sport Lisboa procurou, então, guarida entre as Salésias e as Terras do Desembargador para os jogos e treinos montavam-se e as balizas – e depois desmontavam-se, havia um carpinteiro que recebia 50 réis pelo trabalho. Para o banho usava-se a água de um poço, havia um moço que a retirava com um balde e despejava-a pela cabeça abaixo dos jogadores. Januário Barreto fizera parte da equipa da Casa Pia que em 1897 quebrara a invencibilidade dos ingleses do Carcavelos no futebol que se jogava em Portugal. Não fundou o Sport Lisboa mas depressa aderiu ao projeto. Aliás, quando a Farmácia Franco passou a ser acanhada para tal e não havia sede disponível as reuniões eram no seu consultório médico da Rua Nova de Almada. Por isso, foi sem surpresa que, em novembro de 1906, se tornou o primeiro presidente eleito do SL, ficando com Manuel Gourlade a primeiro secretário, José Rosa Rodrigues a segundo e Daniel dos Santos Brito a tesoureiro. Elaboraram os primeiros estatutos, afanaram-se em trabalhos para adquirir o campo de jogos, mas em vão – e essa foi a razão porque, à entrada para 1907, o SL parecia condenado a colapso. Ou pior... NO QUE DEU O GAROTO ATROPELADO, À NOITE, JUNTO À CERCA… Sem o terreno da CP, na zona que constituía a cerca do quartel e que era também utilizada para exercícios militares de dois regimentos de tropa a cavalo, o Sport Lisboa passou a treinar-se às escuras, ao fim de tarde - e num desses treinos um garoto foi... «atropelado» (foi assim que a notícia surgiu no jornal) por António Rosa Rodrigues. Ficou com a perna fraturada – e o velho Catatau, o pai que tinha negócios de armação e pescas, proibiu os filhos de voltarem a jogar à bola assim, razão porque no SL se suspendeu toda a atividade. DOS DISSIDENTES DE BELÉM AO GLAMOUR DO SPORTING... Com os 550 mil réis que o avô lhe foi dando, José de Alvalade construiu no Lumiar, para o seu Sporting, o «melhor campo atlético de Portugal». O único problema era faltar-lhe equipa para o futebol. Ouvindo falar do que acontecera em Belém, lançou para lá o canto de sereia: que não oferecia apenas campo decente para treino e jogo, oferecia balneários com chuveiros banho quente de imersão, bolas novas, duas camisolas por desafio se chovesse - e no final de cada «match» soirées e chás dançantes com as senhoras mais ilustres da alta sociedade lisboeta. Sete jogadores do Sport Lisboa disseram-lhe que sim. Entre eles António Couto e Francisco dos Santos, que haveriam de ser o arquiteto e o escultor da estátua do Marquês de Pombal. Para o Lumiar foi igualmente Daniel Queirós dos Santos que haveria de chegar a presidente do Sporting – e os irmãos António e Cândido Rosa Rodrigues – só José, o mais velho dos Catataus, se escusou ao Lumiar. OS 27 MIL RÉIS QUE SALVARAM O SONHO QUE SAÍRA DA FARMÁCIA FRANCO… Outros, poucos, houve que não aceitaram o repto de José Alvalade – e, apesar da debandada dos demais recusaram-se a aceitar de ânimo leve sentença de morte ao Sport Lisboa. Para arranjar dinheiro para a inscrição no Campeonato de Lisboa, fez-se subscrição pública de emergência que rendeu 27 mil réis, graças sobretudo à boa vontade e à bolsa de Félix Bermudes, de Cosme Damião e de Manuel Gourlade, escriturário da Farmácia Franco, que chegou a ter 40 mil réis empenhados no SL, salvou o clube, não se salvou ele de morrer quase na miséria, por causa de «devaneios como esse», diria a família, depois... Antes do campeonato de Lisboa de 1907 arrancar, o Sporting fizera o seu primeiro jogo num torneio do CIF. Contra o FC Cruz Negra. Perdera-o por 1-5. O seu único golo, o primeiro da sua história, foi apontado por um jogador de ténis a quem José Alvalade pedira o favor de ir ao futebol: D. João de Vila Franca. Depois, Alípio da Motta Veiga, Octávio Teixeira Bastos e António das Neves Vital saltaram do Cruz Negra para o Sporting – e juntando-se ao «contingente de Belém» também eles defrontaram o Sport Lisboa – e ninguém imaginava que, nessa tarde, estava a começar o mais apaixonante derby de Portugal... AINDA SEM STROMP E DE BRANCO… O jogo com o Sport Lisboa, já a contar para o Campeonato de Lisboa, era para ser no Lumiar, não foi – foi no Campo da Quinta Nova, que pertencia aos ingleses do Cabo Submarino, o Carcavelos. O Sporting jogou todo de branco - e sem nenhum Stromp. O Francisco e o António ainda não eram da primeira equipa, o Francisco já entraria, porém, no derby seguinte... Cândido Rosa Rodrigues, um dos dissidentes do Sport Lisboa, fez o primeiro golo do Sporting, logo após o intervalo, Eduardo Corga empatou– e o que se segue é o que está, delicioso, na crónica de Os Sports: «Obtido esse resultado, eles marcham com mais energia, e o Sporting defende-se mal e com dificuldade, praticando novamente outras irregularidades. Quando todas as probabilidades lhe dão a vitória, cai uma bátega e o campo, alagado, não deixa caminhar a bola. Enquanto o Sporting abandona o campo, refugiando-se os seus jogadores nos balneários, o Sport Lisboa permanece quedo. Mister Burtenshaw, o árbitro, obriga-os a voltar e eles obedecem com visível má vontade. A chuva, tendo tornado frios os rapazes do Sport Lisboa, abate um pouco a sua energia e os adversários aproveitam-se e marcam novamente goal». A DERROTA COM TOQUE DE COSME DAMIÃO E O SPORTING… «BRUTALMENTE» Esse golo, o que deu ao Sporting vitória por 2-1, foi marcado na própria baliza por... Cosme Damião, quase à beira do fim – e o cronista (não identificado...) de Os Sports não deixou de notar a tropelia do destino: «Uma infelicidade - e precisamente do homem que mais estava lutando pela vitória e mais lutava na resistência à crise do Sport Lisboa»… sublinhando, por fim: «O Sporting, em grande parte, jogou butalmente. Os seus jogadores cometeram irregularidades em barda e neste género sobressaiu Albano dos Santos, jogador verdadeiramente perigoso». A talho de foice, ainda adiantou ao seu escrito: «O Sport Lisboa esteve muito bem, mas com muita infelicidade, talvez motivada pela enervação de se encontrar com um grupo formado por antigos irmãos, cuja recordação é um fel…» e rematou, poético: - Couto e Cândido são os sóis que iluminam o grupo. UM ERA INGLÊS, OUTRO SÓ PARECIA… Nessa altura, o futebol em Portugal era ainda dominado por ingleses que para cá tinham vindo em trabalho. Os «mestres» eram os do Cabo Submarino, os do Carcavelos. Mas havia outros, também havia a equipa do Braço de Prata, ainda antes da fábrica se tornar em fábrica de munições para o exército – e foi no Braço de Prata que Charles Etur apareceu a jogar. Saltou para o Grupo Sacavém e para o Gilman – e acabou no Sporting, foi o treinador desse primeiro jogo com o Benfica, pôs a equipa a alinhar assim: Emílio de Carvalho; Daniel Queirós dos Santos e José Belo; Albano dos Santos, António Couto e Júlio Nóbrega de Lima; António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues e Jacob Eagleson, José da Cruz Viegas e Henrique Costa. Pode, pode parecer que sim, que nessa primeira vez houve um inglês no Sporting, que jogou todo de branco: Jacob Eagleson. Inglês não era, era filho de inglês – que viera para Sacavém contratado pela firma Graham & Cª e foi em Sacavém que Jacob nasceu. Além do futebol, destacou-se na natação e no... golfe, mas foi no cricket que se tornou estrela, estrela numa equipa do Sporting que contava também com Charles Etur e... José de Alvalade. DRAMÁTICO O DESTINO DO TREINADOR QUE DEIXOU DE APARECER… Foi Cosme Damião quem o contou, muitos anos depois, numa evocação em A Bola, a Cândido de Oliveira: - Tu não calculas o que era a figura desse rapaz, o Manuel Gourlade. Estou-o vendo: aparecia sempre equipado, por completo - da cabeça aos pés: kepi preto, camisa branca, calção preto, meias de futebol e botas também de futebol. Mas o que dava mais nas vistas era uma grande faixa sobre a camisa, a tiracolo, com as três cores da bandeira francesa. Não soubemos a princípio o seu nome. Começou a aparecer talvez no terceiro treino. do Sport Lisboa. Não jogava. Dava apenas uns pontapés. Conhecia muito bem as leis do jogo, os seus segredos. Tomou para nós, o papel de técnico do futebol... Gourlade era empregado da Farmácia Franco – e também de uma outra no Conde Barão. Treinador do Sport Lisboa se manteve até finais de 1908. De repente, deixou de aparecer no clube, no clube que já era Sport Lisboa e Benfica. Houve quem soubesse que por imposição da família, a família rica que não lhe aceitava o desbaratar de mais dinheiro na «loucura pelo football» - e fora isso que o fizera tomar a decisão que tomara. Anos depois, muitos anos depois, Daniel dos Santos Brito, um dos dissidentes do Sport Lisboa que saltara para o Sporting (e haveria de se tornar um dos seus principais dirigentes...) descobriu Manuel Gourlade em «situação de degradação física e económica» perdido pela cidade - e conseguiu que o acolhessem no Asilo d`Espie Miranda, em Campolide, onde morreu, a caminho dos 70 anos, em 1944. Para o primeiro jogo do Sport Lisboa com o Sporting, a equipa que Gourlade fez foi: João Carvalho Persónio; Luís Vieira e Leopoldo Mocho; Alves, Cosme Damião e Marcolino Bragança; Félix Bermudes, António Costa, Eduardo Corga, António Meireles e Carlos França. (Não, o Sporting não ganhou esse Campeonato de Lisboa de 1907/1908, ganhou-o o Carcavelos. O Sporting ficou em segundo lugar - e o Benfica em terceiro.) ...
Do Passado para o Presente Com novo Benfica-Sporting a caminho, regressa-se a 10 de fevereiro de 1935. Foi o dia do primeiro Benfica-Sporting para o campeonato. Mais do que recordá-lo apenas – o que aqui se faz é mostrar-lhe um país onde a hipocrisia se misturava com a moral de sacristia. Acabou num empate, campeão foi o Benfica - a treiná-lo estava Vítor Gonçalves. 40 anos depois, o filho, tinha o país a arder, no PREC, era Vasco Gonçalves. Na segunda volta, o Sporting ganhou – e na sua primeira vitória para o campeonato houve pé de um brasileiro de Águeda que depois viveria drama no Porto, o drama de ter de ir para a baliza do Sporting sofrer oito golos, perder por 10-1… Até essa época de 1934/35, Portugal não tinha campeão a sair de uma Liga – para além dos Campeonatos Regionais havia o Campeonato de Portugal disputado ao jeito do que é hoje a Taça. A ideia de mudança fora de António Ribeiro dos Reis, Cândido de Oliveira e Maia Loureiro – e resultara sobretudo de um choque telúrico, a derrota da seleção em Espanha por 9-0: - A goleada, no apuramento na o Campeonato do Mundo, deu motivo a ironias e grandes gozações, mas acabou por ser mal que veio por bem. O Campeonato de Lisboa era, realmente, um torneio cada vez mais desinteressante (o último, então, carregadinho de problemas, até perdera a dignidade), o Campeonato de Portugal era uma prova rápida, a eliminar, faltava de facto uma Liga, no qual as melhores equipas se defrontassem entre si, felizmente fez-se... O derby, o primeiro Benfica-Sporting para o campeonato nacional, foi à quarta jornada, no Campo das Amoreiras – e acabou num empate.Carlos Torres marcou aos 27 minutos para o Benfica, Mourão empatou aos 65. NA PRIMEIRA VITÓRIA DO SPORTING, O GOLO DO MÁRTIR DOS 10-1... Na segunda volta, o Sporting bateu o Benfica por 3-1 - no Lumiar. Foi a 31 de março de 1935. Um dos três golos marcou-o Rui Carneiro. Era de Águeda e aos 13 anos, os pais emigraram para o Brasil, ele foi com eles. Lançou-se no futebol no Palmeiras - e de um momento para o outro decidiu voltar a Águeda. Joseph Szabo descobriu-o no Recreio - e levou-o para o FC Porto: - Desgostoso com as rivalidades internas que se viviam no FC Porto, achei que o melhor era regressar a Águeda e quando estava a caminho, o Sporting chamou-me para o Lumiar... No Sporting esteve só essa época - e mais uma, a última deu-lhe lugar na história: avançado portista atirou, com a força do seu remate, Artur Dyson para o hospital, para o seu lugar, na baliza, foi Rui Carneiro, sofreu oito golos na histórica goleada do FC Porto ao Sporting: 10-1. Ainda passou pelo Belenenses - e de voltou a dar nova volta à vida: foi de novo para o Brasil, ainda jogou no Vitória da Bahia, tornou-se treinador de sucesso no Esporte Clube Vitória. Os outros golos da primeira vitória do Sporting sobre o Benfica? Um foi de Francisco Lopes, outro foi de Manuel Soeiro. Sim, por essa altura, Adolfo Mourão era a estrela no Sporting. Chegara ao Lumiar em 1926 – e ainda antes de fazer 17 anos já se tornara titular indiscutível na linha de ataque. Aliás, antes, no Carcavelos, onde se lançara como jogador, falsificavam-lhe a idade para o pôr a jogar na primeira categoria: - Como tinha 14 anos, não podia... Dirigente do Sporting vira-o num desafio entre a Casa Borges & Irmão e a Casa Bertrand, no Campo Grande – e desviara-o para lá. GINÁSTICA DE PIJAMA, PELA MADRUGADA... Aliás, no Sporting havia o Mourão – e já havia, em igual fulgor, o Soeiro. Na época anterior, voltando Joaquim Oliveira Duarte, comandante da marinha, à sua presidência, voltou Filipe dos Santos, que de lá escapara, antes em tremenda turbulência, ao seu comando técnico - e o levara para Espanha. Novidade foi passar a haver nos seus jogos do Sporting claque organizada. O Sporting ganhara o Campeonato de Lisboa – e o Campeonato de Portugal de 1933/34 (a que o FC Porto não concorrera por estar suspenso pela FPF) mas, no fundo quem o ganhou foi o Soeiro. A final fora com o Barreirense, fechou-se a 4-3 e graças aos seus quatro golos – falou-se, pela primeira vez num jornal, em... poker, o poker do Soeiro, do Manuel Soeiro Vasques. Nascera e crescera no Barreiro e lá vivia. Para além de jogar futebol, passou a explorar a tabacaria do Sporting, vendendo jornais, revistas, cigarros, charutos - e antes de Filipe dos Santos o descobrir, descobriu ele Filipe dos Santos: - Estava no Luso e via o senhor Filipe a dar ginástica aos jogadores, que encaravam aquilo quase como um sacrifício. Estabeleci um plano de campanha. Pela manhã cedo, seis horas normalmente, levantava-me, vestia o pijama e sozinho ia para o quintal imitar o que tinha visto fazer ao senhor Filipe. Saltava à corda, fazia flexões, movimentos respiratórios, corria, pendurava-me... Minha mãe ao ver-me exercitando — e começava logo na cama, com abdominais — dizia que eu era maluco, não saindo a nenhum deles! Mas não, foi assim que se me abriu caminho para o sonho de ser do Sporting, do Sporting do senhor Filipe... O GUARDA-REDES QUE NÃO QUERIA ALTERNAR... Nesse primeiro Benfica-Sporting para a Liga repetiu-se o que acontecera na final daquele Campeonato de Portugal de 1933/34: para a baliza leonina foi Jordão Jóia, que viera do Nacional da Madeira - e não Artur Dyson, o Dyson que já antes lamentara: - Não compreendo a atitude da Direção do Sporting, do nosso treinador. Chamaram-me para me dizer que alternaria com Jóia. Recusei. Não me importava absolutamente nada de ir para a reserva, mas andar a saltitar, isso não, não me parece bem. Ao Jóia só reconheço uma vantagem sobre mim: a atenção ao jogo. Sou, de facto, um jogador... distraído, por vezes nem me recordo de que estou a jogar! O treinador do Benfica, que do Benfica faria campeão da Liga de 1935/36, era Vítor Gonçalves, o pai de Vasco Gonçalves, o primeiro ministro que em 1975 incendiaria Portugal com o PREC – e o do Sporting era um romeno: Wilhelm Possak. Jogara no Timissoara, notabilizara-se no Ujpest e no Vasas de Budapeste e, já em final de carreira, apareceu, quase à aventura, no Lumiar. Joaquim Oliveira Duarte, sabendo do fulgor do seu passado, ofereceu-lhe contrato de jogador e de treinador. Essa Liga de 1934/35, a primeira da história, acabou ganha pelo FC Porto – com o Sporting em segundo lugar e o Benfica em terceiro. Ainda houve, nessa época, Campeonato de Portugal – e no Campeonato de Portugal, os sportinguistas vingaram-se dos portistas, afastando-os da final com 0-0 no Lima e 4-0 no Campo Grande. O PRIMEIRO BENFICA-SPORTING NA FINAL DO CAMPEONATO DE PORTUGAL Adversário na final do Campeonato de Portugal? O Benfica - e foi a primeira vez em que a final do Campeonato de Portugal se vez entre Benfica e Sporting. No Campo do Lumiar, perante mais de 30 mil espectadores - Óscar Carmona, o Presidente da República que tinha um neto que haveria de jogar futebol no Sporting, o Sporting de que ele era Sócio Honorário, chamou à tribuna de honra os finalistas, cumprimentando-os um a um e desejando-lhe «sorte e raça». Mourão fez 1-0, Lucas empatou - e Valadas pintou o título de vermelho. Campeonato de Portugal houve ainda em mais três edições. Na de 1935/36, o Sporting ganhou a final ao Belenenses. Na de 1936/37, o FC Porto ganhou a final ao Sporting. E na de 1937/38, o Sporting ganhou a última final da prova que deu lugar à Taça de Portugal ao Benfica - e o Benfica que perdera a primeira das quatros edições do Campeonato da Liga (que a partir de 1938/39 passou a denominar-se Campeonato Nacional da I Divisão) venceu as três seguintes. (E, com isso, campeão da Liga foi o que o Sporting nunca foi...) ...

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