DOMINGO, 02-08-2015, ANO 16, N.º 5664

Bota de ouro esm

31 de Maio de 2015
pos. jogador país clube golos factor pontos
1º CRISTIANO RONALDO POR REAL MADRID 48 2 96
2º LIONEL MESSI ARG FC BARCELONA 43 2 86
3º SERGIO AGÜERO ARG MANCHESTER CITY 26 2 52
4º JONATAN SORIANO ESP RED BULL SALZBURG 31 1,5 46,5
5º ANTOINE GRIEZMANN FRA ATLÉTICO MADRID 22 2 44
MAURO ICARDI ARG INTERNAZIONALE 22 2 44
NEYMAR DA SILVA BRA FC BARCELONA 22 2 44
LUCA TONI ITA HELLAS VERONA 22 2 44
9º HARRY KANE GBR TOTTENHAM HOTSPUR 21 2 42
JACKSON MARTINEZ COL FC PORTO 21 2 42
11º ROBERT BERIC ESL SK RAPID WIEN 27 1,5 40,5
ALEXANDRE LACAZETTE FRA OLYMPIQUE LYON 27 1,5 40,5
ERAN ZAHAVI ISR MACCABI TEL AVIV 27 1,5 40,5
14º CARLOS BACCA COL SEVILLA FC 20 2 40
DIEGO COSTA ESP CHELSEA 20 2 40
‘JONAS’ G. OLIVEIRA BRA SL BENFICA 20 2 40
CARLOS TEVEZ ARG JUVENTUS 20 2 40
18º LIMA BRA SL BENFICA 19 2 38
ALEXANDER MEIER ALE EINTRACHT FRANKFURT 19 2 38
20º ARITZ ADURIZ ESP ATHLETIC DE BILBAO 18 2 36
CHARLIE AUSTIN GBR Q. PARK RANGERS 20 2 36
GONZALO HIGUAÍN FRA SSC NAPOLI 18 2 36
EVGENI KABAEV RUS SILLAMÄE KALEV 36 1 36
24º ANDREJ KRAMARIC HRV RIJEKA / LEICESTER CITY 21 / 2 1,5 / 2 35,5
25º ALBERTO BUENO ESP RAYO VALLECANO 17 2 34
ROBERT LEWANDOWSKI POL FC BAYERN MÜNCHEN 17 2 34
MARCO MATIAS POR CD NACIONAL 17 2 34
ARJEN ROBBEN NED FC BAYERN MÜNCHEN 17 2 34
29º MEMPHIS DEPAY NED PSV 22 1,5 33
FERNANDÃO BRA BURSASPOR 22 1,5 33
SHKELZEN GASHI SUI FC BASEL 22 1,5 33
32º PIERRE AUBAMEYYANG FRA BORUSSIA DORTMUND 16 2 32
BAS DOST NLD WOLFSBURG 16 2 32
JÉRÉMY MENEZ FRA AC MILAN 16 2 32
ALEXIS SÁNCHEZ CHL ARSENAL 16 2 32
LUIS SUÁREZ URU FC BARCELONA 16 2 32
IGOR SUBBOTIN EST LEVADIA TALLINN 32 1 32
38º ANDRÉ-PIERRE GIGNAC FRA OLYMPIQUE MARSEILLE 21 1,5 31,5
ÁNGELO HENRÍQUEZ CHL NK DINAMO ZAGREB 21 1,5 31,5
40º JOE GORMLEY GBR CLIFTONVILLE FC 31 1 31
PERO PEJIC CRO FK KUKESI 31 1 31
42º KARIM BENZEMA FRA REAL MADRID 15 2 30
DOMENICO BERARDI ITA US SASSUOLO 15 2 30
MANOLO GABBIADINI ITA SSC NAPOLI 15 2 30
LUUK DE JONG SWI PSV 20 1,5 30
DAVID LAFATA CZE AH SPARTA PRAHA 20 1,5 30
FABRICE KOUADIO CIV FC INFONET 30 1 30
48º ZLATAN IBRAHIMOVIC SUE PSG 19 1,5 28,5
MARCEL SABITZER AT RED BULL SALZBURG 19 1,5 28,5
MILAN SKODA CHK SLAVIA PRAHA 19 1,5 28,5
51º SAIDO BERAHINO BUR WEST BROMWICH ALBION 14 2 28
SERGIO GARCIA ESP RCD ESPANYOL 14 2 28
OLIVIER GIROUD FRA ARSENAL 14 2 28
VLADISLAVS GUTKOVSKIS LVA SKONTO RIGA 28 1 28
EDEN HAZARD BEL CHELSEA 14 2 28
JONATHAS BRA ELCHE FC 14 2 28
ANTONIO DI NATALE ITA UDINESE CALCIO 14 2 28
CHRIS VENABLES GBR ABERYSTWYTH TOWN 28 1 28
59º DEMBA BA FRA BESIKTAS JK 18 1,5 27
EDINSON CAVANI URU PARIS SAINT-GERMAN 18 1,5 27
PAUL HEATLEY IRL CRUSADERS FC 27 1 27
GRÉGORY TADÉ FRA CFR CLUJ 18 1,5 27
ESM - QUEM SOMOS?

  A ESM (European Sports Magazines) é uma associação das mais importantes publicações desportivas da Europa: A Bola (Portugal), Marca (Espanha), World Soccer (Inglaterra), Voetbal International (Holanda), Sport Magazine (Bélgica), Kicker (Alemanha), Frankfürter Allgemeine (Alemanha), Titan Sports (China), Telesport (Holanda), Fanatik (Turquia), Sport Express (Rússia) e TIPS bladet (Dinamarca), Sportal Korea (Coreia do Sul), So Foot (França), Goal News (Grécia) e Nemzeti Sport (Hungria).

  Fundada a 1 de Junho de 1998, a ESM tem, sobretudo, em consideração a seriedade no futebol, os seus membros são inteiramente independentes, aproveitam as possibilidades e as vantagens da cooperação internacional, o que lhes permite participar na organização, por exemplo, da eleição do «FIFA World Player».
Estrela de Diamante A Eusébio Cup é no México e no México viveu Eusébio uma parte atribulada da sua aventura pela América. Não, não foi só como jogador do Benfica – foi, sobretudo, quando deixou de ser jogador do Benfica. Essa é a história que aqui se conta – por entre tantas, tantas, outras. E é assim que se fecha uma viagem fantástica pela sua vida – de Mafalala ao Panteão... Ainda não tinha sequer levado pelo seu fascínio o Benfica a bicampeão europeu nos 5-3 ao Real Madrid em Amesterdão e já Eusébio tinha o mundo a seus pés. Wolf Lyberg, jornalista sueco do IB-Idrotsbladet, que já se encantara com os «três golos magníficos que pareciam tiros de canhão» que marcara em Paris ao Santos de Pelé, na primeira vez em que defrontara o Santos e o Pelé, escreveu: «Para mim, para o planeta, Eusébio ganhou um novo nome: Eusébio Navarone, Navarone como os canhões». 3000 contos eram 3000 contos, sobretudo depois do que perdeu... Pois, se a fama chegara cedo, a fortuna nem por isso: - Fomos campeões, campeões de 1974/75, e o Benfica libertou-me, enfim, para eu ir à minha vida. No fundo, para eu recuperar o que tinha perdido ao longo do tempo para não deixar o Benfica, para recuperar o o que tinha perdido em Moçambique: com a independência, os gajos nacionalizaram tudo o que eu lá tinha: casas, terrenos – e quem mo tirou foram os gajos com quem eu tinha andado na escola, com quem eu tinha crescido em Mafalala, jogado à bola em Mafalala. Sim, era um homem rico, mas rico por aquilo que tinha ganho na bola mais do que pelos apartamentos e terrenos. Parti e senti logo saudades do Benfica, mas 3000 contos eram 3000 contos... (Era muito? Depende. Por essa mesma altura, Yazalde trocara o Sporting pelo Marselha por 12 500 contos...) Cunhal não queria eleições, mas houve... Vasco Gonçalves, o Primeiro Ministro do PREC, começara, entretanto, a tropeçar nos seus devaneios: - Não podemos perder por via eleitoral aquilo que tanto tem custado ao povo, a revolução. e Álvaro Cunhal deu-lhe aconchego: - As eleições não têm nada ou têm muito pouco a ver com a dinâmica revolucionária, Portugal nunca terá uma democracia burguesa. O MFA não cedeu às pressões e aceitou que se fizessem as eleições para a Assembleia Constituinte. estavam marcadas para Foram a 25 de Abril de 1975. Ganhou-as o PS. A 25 de Abril de1975 fizeram-se, enfim, mesmo contra o desejo de Álvaro Cunhal e do PCP, as eleições livres. O República titulou: «Às 4 da manhã já havia eleitores nas portas das assembleias de Lisboa». Depois, ao longo do dia, um pouco por todo o lado, viu-se gente, muita gente, várias horas em bichas à espera de colocar na urna boletim feito em papel oferecido pela Suécia, numa delas, um repórter apanhou de Olinda Alcobia: - Tive de deixar a minha menina de 4 anos sozinha em casa, mas eu tinha de votar, tinha de aproveitar a liberdade, esta coisa maravilhosa que o 25 de Abril deu ao povo A seguir às eleições, a notícia foi: 80 mil dólares para Eusébio... O PS elegeu 115 deputados, o PPD 80, o PCP 30, o CDS 16 e o MDP/CDE 5 – e nem Artur Jorge pelo MDP/CDE, nem António Simões, pelo CDS, conseguiram lugar em São Bento – e no dia seguinte por entre o frenesim que o ato causou pelos jornais, anunciou-se que os Oceaneers de Rhode Island acordara contrato de 80 mil dólares (que eram, então, cerca de 2000 contos...) com Eusébio – e o seu presidente ainda disse mais: - É um compromisso por 12 meses, pagáveis a 200 contos por cada 30 dias... Ainda não se sabia se o Benfica o dispensaria ou não (Simões já se sabia que sim...) e, por isso, num sinal desses novos tempos, no Diário de Lisboa escreveu-se: «Afastados da selecção nacional e perto do ocaso das suas carreiras, temos de convir que a proposta é deveras tentadora. Isso mesmo o deverá reconhecer o Benfica, cujos dirigentes não deixarão de seguir, em relação a Eusébio, o mesmo critério que adoptaram no caso Simões, autorizando-o igualmente a sair do Benfica. Privar o jogador de aproveitar esta oportunidade seria um grave atropelo ao sagrado direito ao trabalho que não estaria nunca no espírito dos dirigentes do Benfica...» Estados Unidos perderam o Vietname, Eusébio ganhou a América... Cinco dias depois, na capa do República havia notícia de que a peça Três Marias subira a cena em Washington – e a manchete era a que contava o fim da Guerra no Vietname com a derrota dos americanos. E sim, já se sabia também que sim – que Borges Coutinho aceitara desligar Eusébio do contrato que ainda tinha com o Benfica para poder «ir ganhar a vida» à América... ...
Estrela de Diamante Com Eusébio pelos Estados Unidos, Portugal começou, devagarinho, mas agitado, a desfazer-se do Verão Quente que se atiçara quando ele para lá foi. Nas festas do 1º de Maio de 1975, o PCP proibira Mário Soares, o líder do partido que ganhara as eleições de discursar. O PS pediu ao FC Porto as Antas e no comício que lá fez pela «democracia de verdade» estiveram 50 mil pessoas. Arrastou mais 100 mil para a manifestação da Fonte Luminosa, apesar de o COPCON, a força militar comandada por Otelo Saraiva de Carvalho, ter levantado barragens à entrada de Lisboa – e Costa Gomes, o Presidente da República que substituíra António de Spínola, percebeu o destino a mudar: - O povo já não está com o MFA... Cocktails molotov e o fim do PREC do filho do treinador campeão no Benfica O PCP ainda fez em Montemor-o-Novo ação para exortar à «defesa da revolução, custasse o que custasse», ensinou aos seus militantes o fabrico de cocktails molotov – mas a 12 de Setembro de 1975 o gonçalvismo, esse frenesim radical sob o signo de Vasco Gonçalves, o filho de Vítor Gonçalves que fora o primeiro treinador a fazer do Benfica campeão, apagou-se. Tinham sido mais do que 452 dias quentes – 452 dias avassaladores. O tio-avô de Bruno de Carvalho e a fumaça das bombas a rebentar... Com a inesperada bênção de de Otelo e o arrimo do PS e PPD foi Pinheiro de Azevedo a Primeiro-Ministro. Por essa altura já tinha um sobrinho-neto chamado... Bruno, Bruno de Carvalho – e sim, é mesmo esse: o presidente do Sporting! No seu governo pôs Melo Antunes, Salgado Zenha e Almeida Santos (que fora jogador de voleibol da Académia, tal com Adriano Correia de Oliveira, o cantor). Quatro dias após a posse deficientes das forças armadas desaguaram em Belém e deixaram o governo sequestrado seis horas, o restabelecimento da ordem coube aos comandos da Amadora de Jaime Neves. Era ainda o tempo das manifs e das contra manifs – e a 9 de Novembro convocou-se para o Terreiro do Paço uma a favor do governo. De súbito, a atemorizar quem lá estava, rebentaram bombas do PRP e granadas de fumo da Polícia Militar – e Pinheiro de Azevedo da varanda do palácio bradou: - É só fumaça, o povo é sereno! Os deputados à fome, o governo em greve...Nem 72 horas passaram – e trabalhadores da construção civil entrincheiraram-se junto à Assembleia Constituinte. Vaiaram Pinheiro de Azevedo. Que exigiu a Otelo brigada do COPCON para desfazer o cerco ao Parlamento, ele não lhe obedeceu. 36 horas ficaram deputados à fome, queixaram-se. (Os do PCP não, puderam entrar e sair, vitoriados, aclamados.) Cá fora, gritou-se, vezes sem conta: - Pinheiro de Azevedo fascista... fascista... fascista... até que ele, explosivo, retrucou: - Vão à bardamerda... Bardamerda para o fascista... Da Avenida da Liberdade com betoneiras e tractores de reboque das zonas da Reforma Agrária largou, depois, a «manifestação unitária popular». Desembocou no Terreiro do Paço e na mensagem que enviou para ser lida por um soldado, Otelo, afirmou que o Terreiro deixara de ser do Paço, passara a ser do Povo - e exortou trabalhadores e militares a avançarem para a «revolução socialista». Pinheiro de Azevedo respondeu-lhe com ato como nunca se vira: pôs o governo em greve, largou mais uma bombástica frase: - Já chega... Não gosto de ser ofendido, não gosto de ser sequestrado, pá, chateia-me... «Se não me segurassem, matava-o...» A 23 de novembro, houve mais uma jornada para o Nacional – e o FC Porto empatou em Aveiro com o Beira-Mar, deixando Stankovic, o seu treinador, em cada vez mais maus lençóis. O Benfica também empatou, mas em Braga – mas, mesmo sem Eusébio, continuou, com Mário Wilson ao leme, de vento em popa a caminho do título. O Sporting? O Sporting, que nesse ano andara sobretudo em contradança, vá lá: ganhou ao Belenenses. Horas depois, Ramalho Eanes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e Jaime Neves foram a Belém dar conta da intenção a Costa Gomes - e Neves contou: - Se não me segurassem eu matava-o. Atirei-me a ele, agarrei-lhe o pescoço, sim até o matava... Porque ele, que era o PR, o Chefe do Estado Maior, não queria assumir nada, a responsabilidade das operações militares, só dizia que os outros eram coitadinhos e por aí adiante, não, não estava hesitante, estava cheio de medo, cheio de medo... A morte do jogador de basquetebol e Jaime Neves com Jorge de Brito... Era já 25 de novembro: quando no Ralis, onde os soldados tinham feito um juramento revolucionário de punho fechado, Dinis de Almeida e Carlos Fabião foram presos, os revoltosos entregaram-se, em catadupa, ao capitão Salgueiro Maia. Estando a Polícia Militar a entregar-se também na Ajuda ao pelotão de comandos de Jaime Neves – uma milícia popular disparou de um prédio fronteiro e matou-lhe três homens. Um deles, José Eduardo Coimbra, era grande esperança do basquetebol nacional, estava miliciano na Amadora, jogava na equipa do BPM, no Porto. (Em 1981 Jaime Neves passou à reserva, foi trabalhar para Jorge de Brito como seu gestor de propriedades. Continuou a acompanhar o clube para todo o lado - era ritual que tinha desde os tempos de Eusébio, que só não cumpria quando andava po África fazer-se herói. Comandara a companhia 2045, uma das últimas forças especiais a deixar a guerra colonial - e nela se inspirou para, com mais seis comandos, fundar uma empresa de segurança: 2045, o seu último projecto de vida...) ...

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