DOMINGO, 26-06-2016, ANO 17, N.º 5993
Griezmann coloca França nos quartos de final
Euro - 2016 A anfitriã França não ganhou para o susto, mas acabou por carimbar a passagem aos quartos de final do Euro-2016. Griezmann, com dois golos na segunda parte, valeu a vitória dos franceses sobre a Irlan
Fabianski cauteloso sobre jogo com Portugal
Polónia O guarda-redes da Polónia Lukasz Fabianski foi o primeiro a abordar o jogo de quinta-feira com Portugal para os quartos de final do Euro-2016. «Vamos tentar dar o nosso melhor para deixar todos os
Jack Miller surpreende no GP da Holanda
Moto GP O australiano Jack Miller (Honda) surpreendeu, este domingo, ao vencer a corrida de MotoGP do Grande Prémio da Holanda, em Assen. Numa corrida encurtada para 12 voltas, devido a uma forte chuvada,
Schalke anuncia contratação de Embolo
Basileia O avançado suíço Breel Embolo, 19 anos, foi este domingo confirmado como reforço do Schalke, clube alemão que não revelou os valores envolvidos na contratação do jogador ao Basileia. O jogador, que
Miguel Vítor confirmado no Hapoel Beer Sheva
Israel O defesa português Miguel Vítor foi confirmado reforço do Hapoel Beer Sheva, atual campeão de Israel. «Estou muito feliz por assinar pelo campeão de Israel. Desejo ajudar o clube a crescer e a atin
Polónia no caminho de Portugal
Seleção Após a vitória frente à Croácia (1-0), a Seleção Nacional irá defrontar a Polónia nos quartos de final no dia 30 (quinta-feira), às 20 horas.
Nolito orgulhoso com interesse de Barcelona e Manchester City
Celta de Vigo Nolito, extremo espanhol que já passou pelo Benfica, sente-se orgulhoso por estar a ser associado ao interesse de Barcelona e Manchester City, mas garante que nada sabe sobre o seu futuro. «É um or
Derby e Académica do Porto Novo disputam acesso à final do nacional de futebol
Cabo Verde O Derby de São Vicente e a Académica do Porto Novo disputam este domingo, no estádio Adérito Sena, na cidade do Mindelo, a segunda vaga para a final do campeonato nacional de futebol de Cabo Verde.
SC Braga vence FC Porto e conquista Taça de Portugal
Snooker O SC Braga venceu este domingo, pela segunda vez consecutiva, a Taça de Portugal de Snooker por Equipas, após vencer na final da prova, organizada pela Federação Portuguesa de Bilhar (FPB), e que term
Sporting vence SC Braga e sagra-se campeão de juvenis
Futebol O Sporting sagrou-se, este domingo, campeão nacional de juvenis, ao vencer em Alcochete o SC Braga por 3-0, em partida da última jornada da fase do apuramento de campeão. Os leões dependiam apenas
Palha, Lima Pereira e Nassim Zitouni rescindiram
Vitória de Guimarães O V. Guimarães anunciou que o guarda-redes Palha, o defesa-central Lima Pereira e o médio Nassim Zitouni rescindiram os respetivos contratos com o clube. O trio atuou sobretudo pela equipa B vimara
Miguel Oliveira 15.º no GP Holanda
Moto GP O português Miguel Oliveira (Kalex) terminou este domingo no 15.º lugar o Grande Prémio da Holanda de Moto2, oitava prova do Mundial de motociclismo de velocidade. O piloto português somou assim ap
Portugal vence Coreia do Sul na Liga Mundial
Voleibol A Seleção portuguesa de voleibol somou a primeira vitória, ao quinto jogo, no Grupo 2 da Liga Mundial, ao bater a Coreia do Sul por 3-0 (25-23, 28-26 e 25-23), em Saskatoon, no Canadá. Portugal vol
Ukra a caminho da Turquia
Rio Ave Ukra prepara-se para viver a primeira experiência como emigrante. Quatro épocas depois de ter chegado a Vila do Conde, onde se assumiu como figura de referência no onze do Rio Ave, o atacante formado
Duas vagas ainda por preencher
Belenenses A menos de uma semana para o início dos trabalhos no Estádio do Restelo, o Belenenses ainda tem duas vagas disponíveis para igual número de posições prioritárias no esquema tático de Julio Velázquez.
Flavienses apresentam equipamento em tons de rosa
Chaves O Chaves prepara o regresso à Liga e já apresentou duas das três camisolas que os jogadores irão utilizar esta época. A maior novidade é o equipamento alternativo, que é em tons de rosa e promete
André Pedrosa vai ser blindado
Vitória de Setúbal O Vitória de Setúbal vai manter a aposta forte na formação, que tão bons frutos tem trazido nas últimas temporadas. Com o regresso de José Couceiro ao comando técnico, treinador e SAD rapidamente cheg
Tijane rescindiu
Estoril Tijane já não é jogador do Estoril. Segundo pode ler este domingo em A BOLA, o extremo de 24 anos, que tinha contrato válido até junho de 2017, chegou a acordo para a rescisão amigável do vínculo.
Esperança por Nathan Júnior
Tondela A BOLA noticia em Tondela ainda não se desistiu de contar com alguns jogadores que estiveram em destaque na época passada, nomeadamente Nathan Júnior, avançado brasileiro que terminou a Liga como melh
Camacho tem lugar no plantel
Nacional De regresso ao Nacional após ter sido emprestado ao Compostela (Espanha), na segunda metade da época passada, o madeirense Camacho vai ser aposta forte em 2015/2016, noticia este domingo a A BOLA.
Rúben Ribeiro mais longe do Bessa
Boavista A BOLA noticia este domingo que a permanência de Rúben Ribeiro no Boavista é quase impossível. Os axadrezados ainda lutam pela continuidade do médio, mas os convites que este tem em carteira tornam in
Ponta de lança é a prioridade
Vitória de Guimarães Pedro Martins está em contagem decrescente para o início dos trabalhos de pré-época (sexta-feira) e continua a ter como prioridade a contratação de um ponta de lança. A BOLA noticia que o perfil es
Bacca garante terceiro lugar da Colômbia na Copa América
Copa América Um golo do avançado Carlos Bacca, aos 31 minutos, valeu na última madrugada a vitória da Colômbia sobre os Estados Unidos no jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares da Copa América. Os col
Primeiro jogo do Euro sem remates à baliza desde 1980
Seleção Trinta e seis anos depois, assistiu-se de novo a uma partida sem remates à baliza durante 90 minutos num Campeonato da Europa. Antes do Croácia-Portugal, que os portugueses venceram por 1-0 com um
Quaresma destaca espírito de união
Seleção Autor do golo que apurou Portugal para os quartos de final do Europeu, Ricardo Quaresma publicou uma fotografia ao lado de Cristiano Ronaldo nas redes sociais depois do feito conquistado. «Os Port
«Todos trabalhámos muito para conseguirmos a vitória» – Rui Patrício
Seleção O guarda-redes Rui Patrício realçou o trabalho coletivo da Seleção Nacional para garantir a vitória diante a Croácia (1-0). «Foi um jogo muito difícil. Todos trabalhámos muito para conseguirmos a v
«Muitas vezes o melhor não ganha, foi o caso» - Cacic
Croácia A eliminação da Croácia a escassos minutos do final do prolongamento teve sabor amargo para o selecionador da equipa dos Balcãs, que sublinhou que não triunfou a melhor equipa em campo e que Portugal
Nani alcançou este sábado 100 internacionalizações
Euro - 2016 A estrondosa marca do avançado foi alcançada, este sábado, no jogo com a Croácia, relativo dos oitavos de final do Euro-2016, em Lens, que garantiu a presença de Portugal nos quartos de final (1-0 no
Acreditámos até ao último minuto» – Nani
Seleção Nani realçou que a equipa deu tudo em campo e nunca deixou de acreditar que seria possível garantir a vitória diante a Croácia (1-0). «Sabíamos que ia ser um jogo muito complicado, foi preciso muit

classificações

Liga
Liga 2
34. ª jornada
classificação
46. ª jornada
classificação
14-05
FC Porto
11:45
Boavista
Sport TV1
14-05
Arouca
18:00
V. Guimarães
14-05
Belenenses
19:30
Estoril
Sport TV1
14-05
V. Setúbal
19:30
P. Ferreira
Sport TV2
14-05
Tondela
19:30
Académica
Sport TV4
14-05
União
19:30
Rio Ave
Sport TV3
15-05
Moreirense
15:00
Marítimo
15-05
Benfica
17:00
Nacional
BTV1
15-05
SC Braga
17:00
Sporting
Sport TV1
13-05
V. Guimarães B
20:00
Porto B
14-05
Atlético
15:00
Oriental
14-05
Aves
15:00
Mafra
14-05
Benfica B
15:00
Freamunde
BTV1
14-05
Chaves
15:00
Feirense
Sport TV1
14-05
Gil Vicente
15:00
Farense
14-05
Oliveirense
15:00
Leixões
14-05
Varzim
15:00
Portimonense
Sport TV2
14-05
Académico
15:00
Covilhã
14-05
Penafiel
16:00
Famalicão
14-05
Braga B
16:00
Sporting B
14-05
Olhanense
16:00
Santa Clara
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
34
29
1
4
88-22
88
2
Sporting
34
27
5
2
79-21
86
3
FC Porto
34
23
4
7
67-30
73
4
SC Braga
34
16
10
8
54-35
58
5
Arouca
34
13
15
6
47-38
54
6
Rio Ave
34
14
8
12
44-44
50
7
P. Ferreira
34
13
10
11
43-42
49
8
Estoril
34
13
8
13
40-41
47
9
Belenenses
34
10
11
13
44-66
41
10
V. Guimarães
34
9
13
12
45-53
40
11
Nacional
34
10
8
16
40-56
38
12
Moreirense
34
9
9
16
38-54
36
13
Marítimo
34
10
5
19
45-63
35
14
Boavista
34
8
9
17
24-41
33
15
V. Setúbal
34
6
12
16
40-61
30
16
Tondela
34
8
6
20
34-54
30
17
União
34
7
8
19
27-50
29
18
Académica
34
5
10
19
32-60
25

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Porto B
46
26
8
12
84-52
86
2
Chaves
46
21
18
7
60-39
81
3
Feirense
46
21
15
10
55-38
78
4
Portimonense
46
20
18
8
57-45
78
5
Freamunde
46
20
14
12
52-36
74
6
Famalicão
46
18
18
10
64-51
72
7
Olhanense
46
19
12
15
42-39
69
8
Aves
46
19
10
17
58-48
67
9
Varzim
46
17
14
15
51-48
65
10
Sporting B
46
18
11
17
61-59
65
11
Gil Vicente
46
16
14
16
58-56
62
12
Penafiel
46
13
22
11
49-46
61
13
V. Guimarães B
46
16
12
18
60-67
60
14
Covilhã
46
13
19
14
45-48
58
15
Braga B
46
15
12
19
47-54
57
16
Santa Clara
46
15
12
19
49-52
57
17
Académico
46
13
17
16
46-60
56
18
Leixões
46
14
13
19
45-56
55
19
Benfica B
46
15
10
21
58-64
55
20
Farense
46
15
11
20
49-56
54
21
Mafra
46
12
18
16
37-40
54
22
Atlético
46
12
15
19
49-56
51
23
Oriental
46
9
14
23
47-67
41
24
Oliveirense
46
6
11
29
42-89
29

Ver classificação detalhada
Na campa do pai, a promessa da taça…
Grande História Rakitic, Modric, Perisic… à primeira vista parecem nomes de medicamentos, mas não, são os senhores que deixarão tudo em campo para travar a tropa portuguesa na luta pelo título no Europeu. Depois de uma época de guerra, só mesmo o futebol para devolver à Croácia uma ambição sem precedentes, já prometida nas lágrimas de Darijo Srna, cujo cancro lhe roubou o pai. Um capitão como há poucos, que antes do futebol pensou em ser eletricista de profissão. Modric, por sua vez, o irmão de Ronaldo no Real Madrid, quis estudar hotelaria ou até ter um bar de praia, mas o seu passado como refugiado reservou-lhe outro destino, assim como ao compatriota Rakitic, rival em Espanha, no comando do Barça. Se não fosse jogador, tinha sido um mestre-de-obras. Um plantel de luxo, dominado por um treinador que além de nunca ter sido jogador, foi reparador de rádios e televisões numa pequena loja no centro de Zagreb… Uffffff… Já está! Depois de noventa minutos ligados à máquina, os portugueses conseguiram respirar de alívio e a Seleção Portuguesa segue invicta para mais um desafio. À sua espera está a Croácia, a Seleção que, sem vários dos habituais titulares, protagonizou um dos momentos mais surpreendestes do Euro de França, ao vencer a Espanha, a campeã europeia em título, e garantir o primeiro lugar do Grupo D. Portugal ficou atrás da Hungria e da Islândia, mas Ronaldo já mostrou que não está para brincadeiras, até porque conhece bem as manhas e manias de Modric e Rakitic. A Seleção da Croácia chegou ao Europeu para jogar futebol, mas mais que isso, sair da sombra daquela geração que, em 1998, foi terceira classificada no Mundial. A equipa que chegou ao pódio no Campeonato do Mundo realizado também em França tinha Suker, Boban e Prosinecki – que também faziam parte da Seleção que, dois anos antes, deu à Croácia a primeira presença numa competição internacional como Nação Independente. PORTUGAL: UM RIVAL JÁ CONHECIDO A geração de ouro dos anos noventa já lá vai, mas o plantel de luxo apresentado por Ante Cacic não lhe fica nada atrás… Recuando no tempo, o passado de Portugal contra os croatas até é vitorioso: três vitórias em outros tantos jogos, embora só um numa fase final. Foi na fase de grupos do Euro em 1996, quando a equipa de grandes jogadores como Suker, Prosinecki, Jarni, Asanovic ou Boban perdeu com a portuguesa (3-0), com golos de Figo, João V. Pinto e Domingos. Os outros dois confrontos foram particulares - em 2005 e 2013, com vitórias por 2-0 e 1-0. No primeiro destes marcaram Petit e Pauleta, no segundo... Ronaldo. Sábado a história vai continuar, numa estreia para a equipa das Quinas, no Estádio Bollaert-Delelis, em Lens - originalmente batizado de Félix Bollaert, construído por mineiros desempregados e que acolheu partidas do Europeu de 1984 e do Mundial de 1998, além de ter sido um dos palcos dos Campeonatos do Mundo de râguebi de 1999 e 2007. ...
Estilos e Espantos Talvez seja, para já a maior surpresa do Euro. Sim, do gelo e do fogo surgiu uma Islândia a apurar-se para os oitavos de final. Sim, mais do que isso e mais do que o golo de Ramsey, que fez estremecer os famosos ou os bailes de Gareth Bale a mostrarem um País Gales como só se tinha visto assim no... râguebi - há a Irlanda do Norte nos oitavos de final. País marcado pela guerra, palco de uma tentativa de assassinatos, começou por agitar França através do encanto dos seus adeptos (tal como os da outra Irlanda...), mas essa Irlanda é muito mais do que isso, faz-se das histórias que levou na mala. Por exemplo, Kyle Lafferty, a estrela da equipa, conhecem-no por ser um mulherengo fora de controlo. E Will Grigg? Todos o conhecem, inclusive, os adeptos dedicaram-lhe uma música, mas ainda ninguém o viu jogar. E depois há um pedreiro, que quando começou a jogar futebol, treinava apenas uma vez por semana. Hoje é um dos titulares da Seleção, só teve mesmo tempo de escapar por uns momentos para se casar… Mais do que Ronaldo, Bale, Iniesta ou Rooney, o jogador mais falado, ou melhor, mais cantado do Euro 2016 é Will Grigg. Já ouviu falar? Falar certamente que sim, mas jogar já é mais complicado. Não, não está lesionado, apenas ainda não entrou nos planos do treinador da Irlanda do Norte. Dentro de campo não marca golos, mas fora de jogo já é uma estrela. A Irlanda do Norte pode não ganhar o Europeu, mas fama já a tem – nem que seja pela música em homenagem ao seu jogador, até ao momento, a grande sensação do Europeu. «Will Grigg’s on fire», uma adaptação da melodia original «Freed From Desire», de 1997, cantada pela italiana Gala. Em maio, Sean Kennedy, um fã do Wigan, a equipa inglesa onde joga Will Grigg, sentou-se ao computador e gravou uma adaptação dedicada a Will Grigg. O objetivo era homenagear o avançado que, com os seus 28 golos em 40 jogos, foi decisivo para a subida do Wigan do terceiro para o segundo escalão inglês. Antes, Sean ainda versionou Girl on Fire de Alicia Keys, mas foi a boa disposição da música de Gala que fez o maior sucesso, não só nos estádios franceses, como até contagiou apoiantes de outras seleções como, por exemplo, os ingleses (que a adaptaram para o seu avançado Vardy) e os polacos. A CULPA DA ADIDAS NA ESTREIA DA IRLANDA DO NORTE Alívio em Belfast - finalmente Habemus Irlanda do Norte numa fase final de um Europeu, depois de os irlandeses terem falhado todas as qualificações – ao todo, 15 entre sete Mundiais e oito Europeus. A última vez que a Irlanda do Norte chegou tão longe em competições internacionais foi nos Mundiais de 1986 e 1982 (marcado por uma célebre vitória por 1-0 sobre a anfitriã Espanha e pelo afastamento da Seleção portuguesa). Tal como aconteceu com a Islândia, a Irlanda do Norte é uma novata à conquista de França, e a culpa é da Adidas, a marca que voltou a patrocinar a Seleção. O futebol na Irlanda viveu o último século como qualquer outro sector da sociedade, porém, dividido entre barreiras, ódios e religiões. Desde o reconhecimento oficial da República da Irlanda e a divisão da ilha entre fiéis ao Reino Unido – a esmagadora maioria de orientação protestante – e os republicanos de inspiração católica a sul – que se instalou o caos – uma guerra sem limites, a quem nem o futebol conseguiu escapar. TENTATIVA DE ASSASSINATO A MARGARET THATCHER A estreia da Seleção da Irlanda do Norte em Mundiais de futebol aconteceu em 1958, na Suécia, e viveu a década seguinte com a magia individual de George Best, antes de regressar aos grandes palcos nos anos oitenta, numa altura em que vários dos seus jogadores começavam a despertar na Liga Inglesa. Enquanto decorria um processo de paz, a tensão intensificava-se na Irlanda do Norte, entre republicanos e unionistas, ao mesmo tempo que se instalava a polémica com o desarmamento dos grupos paramilitares, e com a libertação de Patrick Magee, o operacional do IRA (Exército Republicano Irlandês) que saiu da prisão de alta segurança de Maze, na Irlanda do Norte, depois de ter tentado matar Margaret Thatcher, num atentado terrorista ao Grand Hotel, na cidade de Brighton, em outubro de 1984. Não houve festa, nem sorrisos em excesso, ainda menos declarações à imprensa. A Dama de Ferro só não morreu por ser uma viciada no trabalho. O IRA previra que à hora que a grande quantidade de explosivos detonou, Thatcher estivesse já no seu quarto. Não estava. Salvou-se. Também na Irlanda do Norte, a era Thatcher continuou a trazer recordações amargas, sobretudo aos republicanos, que se enfrentaram com uma primeira-ministra que rejeitou cedências, mesmo quando prisioneiros do IRA morriam em greves de fome. DERRY CITY, O CAMPEÃO QUE UNIU IRLANDAS Liderada por Michael O`Neill, a Irlanda do Norte apresentou-se em França como Kyle Lafferty, jogador do Birmingham, eleito melhor marcador da qualificação, com sete golos. É o jogador irlandês mais emblemático, a par de Jonny Evans, o central/lateral do West Bromwich que despontou no Manchester United. Mas quando não está a jogar a fama de Lafferty é outra – um mulherengo fora de controlo, assim descrito pelo presidente do Palermo, Maurizio Zamparini, durante a sua passagem pelo clube italiano em 2013/14. Lafferty foi casado com uma ex-Miss Escócia, Nicola Mimnaugh, e foi relacionado romanticamente com outra, Vanessa Chung. Mas antes de aparecer o nome de Lafferty e companhia, apareceu outro, e a história de uma equipa da Irlanda do Norte que se tornou uma das melhores equipas da República da Irlanda. Irlanda do Norte e República da Irlanda estão separadas por muitas coisas - a primeira está integrada no Reino Unido, a segunda é uma nação independente. Irmãos geograficamente unidos na mesma ilha, mas separados pelo futebol – cada um tem o seu campeonato, mas há uma equipa que já foi campeã das duas Irlandas: o Derry City, o clube localizado na Irlanda do Norte mas que atua no campeonato da República da Irlanda. Fundado em 1928, já depois da independência da República da Irlanda, em 1922, o Derry City tentou desde a sua génese não ser sectário, atraindo adeptos católicos e protestantes, mas a sua associação aos católicos acabou por ser inevitável, uma vez que o seu estádio, o Brandywell, está localizado no lado nacionalista da cidade. Integrado no campeonato da Irlanda do Norte, o Derry City foi quebrando o domínio das equipas de Belfast (Linfield, Belfast City e o Glentoran) e conseguiu conquistar a Taça da Irlanda por três ocasiões (1949, 1954 e 1964). Em 1965, conseguiu o primeiro título de campeão e, com este troféu, ganhou entrada na Taça dos Campeões Europeus, tornando-se a primeira equipa do país a ultrapassar uma eliminatória europeia. Apesar do bom momento da equipa, o Derry City também não conseguiu escapar ao clima de guerra que se vivia ente católicos e protestantes, onde os campos de futebol também serviam de palcos para os vários confrontos – Brandywell era um deles, especialmente frente ao Linfield. Após uma partida interrompida devido á violência, o Derry City começou a receber a equipa adversária num campo emprestado (numa cidade protestante). O clube emitiu um pedido à Federação para voltar a jogar no seu estádio, mas a proposta foi recusada, tamanho era o cenário de violência em Brandywell. Face à recusa o Derry City retirou-se do campeonato, durante 13 anos foi uma equipa sem pátria, até que em 1985 o campeonato da República da Irlanda foi alvo de uma reestruturação – começou na segunda divisão, conseguiu a promoção à primeira liga e tornou-se uma das melhores equipas da Liga. ...
Do Passado para o Presente Não é sobretudo do regresso de Ronaldo a Ronaldo que aqui se vai falar. Nem é sobretudo desse Portugal-Hungria onde o Ronaldo regressou a si próprio - e ao seu destino. Do que aqui se vai falar é, pois, sobretudo, dos outros jogos entre Portugal e a Hungria – em que o primeiro foi uma fraude. Mas não só – além dos jogos há sempre um outro olhar que pode passar por uma nadadora em angústia por ter o fato de banho com menos tecido do que o fato de banho com que a Miss Portugal foi, em glamour, ao Brasil ou à América. Também se conta como é que, depois do Dream Team da Hungria não ter sido capaz de ganhar a Portugal seis meses antes de se desfazer nas cinzas deixadas pelos tanques soviéticos em Budapeste, Puskas foi a Alvalade fazer o primeiro jogo noturno da história do Estádio e foi dele o primeiro golo. Marcou-o a Carlos Gomes que haveria de tornar-se também exilado político, fugindo do salazarismo escondido na bagageira de um Boca-de-Sapo. Ou o que é a cabeça partida de Eusébio no primeiro jogo oficial entre Portugal e a Hungria (e nos cinco oficiais que houve até Lyon, Portugal tinha vencido todos…) – tem a ver com as cartas irritadas da Irmã Lúcia a pedir a Américo Tomás que acabasse de vez com «a pouca vergonha e os desplantes» que ofendiam a Senhora de Fátima. Mas há ainda mais, muito mais, para o surpreender… A primeira vez que a seleção jogou no Porto – jogou no Campo do Ameal, a 24 de janeiro de 1926. Selecionador era Ribeiro dos Reis – e na equipa principal não havia nenhum jogador do FC Porto, nem nenhum jogador do Benfica. Do Sporting havia dois: o Cipriano dos Santos e o Jorge Vieira, do Vitória de Setúbal dois havia: o João dos Santos e o Armando Martins. Dois eram do Académico do Porto: o Manuel da Fonseca e o Castro e do Olhanense eram dois também: o Raúl de Figueiredo e o Carlos Delfim. E havia ainda um do Casa Pia, o António Pinho; um do SC Braga, o Alberto Augusto; um do Belenenses, o César de Matos; e um do União de Lisboa, o Liberto dos Santos. Adversário foi a Checoslováquia, acabou empatado 1-1. ALVOROÇO CAUSOU A NADADORA QUASE A GANHAR A TODOS OS HOMENS... Muito mais alvoroço causou na cidade, outra coisa, por essa altura – para nadar contra os homens apareceu uma mulher à Travessia do Douro – e por uma unha negra mulher não ganhou a todos: - Os barqueiros e outros marítimos que acompanhavam a prova queriam a todo o transe que vencesse eu, chegou a tal ponto o entusiasmo entre eles – que puxaram de facas uns para os outros, para aqueles que não estavam a meu favor, por eu ser de Lisboa, do Sporting... Era Estela de Carvalho, também fazia remo e esgrima e jogava ténis – e a aventura começara três anos antes, tinha ela 16: - Num torneio só para sócios do Ginásio, sai-me tão bem que pedi que me inscrevessem na Travessia do Tejo. E eles que não me queriam deixar nadar, disseram-me que não, que não era coisa para meninas... Desgostosa, Estela procurou Margarida Pala, a primeira mulher a atrever-se em travessias do Tejo - e falou-lhe do desconchavo. Margarida desafiou-a para o Algés e Dafundo. De lá passou Estela para o Sporting, ganhou quase todos os campeonatos em que entrou… A MISS EM «CINTILANTE SUCESSO, FAZENDO GINÁSTICA, JOGANDO TÉNIS, NADANDO... Meses depois, em Lisboa, no salão nobre da Câmara de Lisboa, outro foi o frenesim - elegeu-se pela primeira vez uma Miss Portugal: Margarida Bastos Ferreira. Que nos Estados Unidos disputou o concurso Miss Universo. Antes da viagem de barco para a América, Silvino Santos fez filme com ela, que «passou em cintilante sucesso», pelo Coliseu dos Recreios e pelo Politeama de Manaus, mostrando-a no Estoril «fazendo ginástica, jogando ténis, tomando banho no mar» - mas para a praia teve de ir com maillot bem mais comprido (e menos decotado...) que o que Estela de Carvalho usava nas suas provas para «evitar zunzuns»... Havia mais quem se atrevesse a «modernidades» que «chocavam a boa moral». Por exemplo, as corridas de velocidade nas praias do Estoril para actrizes do Parque Mayer (com elas descalças e algumas em fatos de banho mais... «descompostos») – e, por isso, alguém escreveu na revista ABC: «Dizia um fidalgo trocista que às mulheres bastava, em toda a vida, sair de casa três vezes: a baptizar, a casar e a enterrar. E esta ironia foi uma verdade, em Portugal, até há pouco tempo. Agora não. A mulher de hoje pratica os sports sem que a face se tinja da púrpura da vergonha. Na escolha do sport não pode esquecer-se que a mulher não deixa de ser mulher pelo facto de entrar num stadium, tendo de banir todos os exercícios como o foot-ball em que ela se vê obrigada a atitudes e posições isentas de graça e decoro, exploradas pela apreciação idiota de um público sem educação nem cultura». DAS MULHERES DO BOXE À «ARTE SUBLIME» DOS «NUS ARTÍSTICOS» No Ecos dos Sports, que se considerava «a primeira revista sportiva e a de maior tiragem em Portugal», apareceu fotos de duas mulheres a lutarem de... maillot e punhos nus, a ironia e o preconceito (ou pior…) marcavam-lhe a legenda, como se tudo aquilo fosse afinal grande escândalo: «Aqui está uma fase de um encontro de boxe, ou qualquer coisa parecida, realizado no Barreiro, entre duas senhoras que não temos o prazer de conhecer, em festa organizada pelo Luso Football Club, que em boa verdade, deve sempre, nas suas festas, prescindir destes números...» Por outros jornais ainda se poderiam encontrar cronistas elogiando a «arte sublime» da companhia francesa Ba-ta-clan que mostrara em Lisboa «os seus famosos nus artísticos» - ou quem escrevesse que Lea Niarko lançara uma «mancha de modernismo exótico nos palcos modorrentos desta Lisboa atrasadota». Lea era a germano-persa contratada em Paris como especialista em danças orientais, que se exibiu nua no Variedades, no Coliseu e no S. Luís. Fazia ginástica - e, depois, de abalar jornais e revistas queixando-se de ter sido raptada e violada na Boca do Inferno desapareceu de cena, nunca mais se viu por Portugal... A 28 DE MAIO, TUDO MUDOU, TUDO COMEÇOU A MUDAR... Mas de repente tudo mudou, tudo começou a mudar a 28 de maio de 1926, quando o general Gomes da Costa arrancou de Braga à frente de coluna militar com propósito firme: - Acabar com a bagunça em Lisboa. Ainda antes de cruzar Lisboa a cavalo, Bernardino Machado entregou o poder ao almirante Mendes Cabeçadas. Pensou num governo apenas sem influência do Partido Democrático de Afonso Costa, mantendo a «ordem democrática». Não lho permitiram e a 17 de Junho foi obrigado a renunciar às funções de Presidente da República e de Primeiro-Ministro a favor de Gomes da Costa – que segundo Raul Brandão «tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava». Manipulado pelos monárquicos do Integralismo e pelos católicos da direita radical desencadeou imediatas perseguições e deportações de esquerdistas – e acabou vítima da sua própria volúpia. Exigiram-lhe que se demitisse do governo, que ficasse simbolicamente Presidente da República, respondeu-lhes não - e a 9 de Julho foi desterrado para Angra do Heroísmo. ACABARAM-SE AS MISSES E A NADADORA DO MAILLOT OUSADO TAMBÉM... Após 42 dias de lutas intestinas, o governo passou para as mãos de outro general, de Óscar Carmona – e, inexorável, arrancou a Ditadura Militar, pondo, ponto final, em «certas liberdades» (e certas modernidades). Não, não foram só os concursos de Misses que acabaram, ainda antes de fazer 22 anos, Estela de Carvalho, a nadadora que quase ganhara aos homens que com ela foram a despique a Travessia do Douro, despejou em lamento: - Vou começando a ter receio de que me critiquem por, com esta idade, nadar ainda. Também, agora criticam-me por tudo, por nadar, por não ter mais tecido no maillot, por mais isto e mais aquilo, que não me admira que tal suceda, me deixe disto depressa para me casar... (Sem que passasse muito tempo deixou mesmo de nadar em competição...) NÃO FOI PORTUGAL-HUNGRIA, FOI FRAUDE... Sim, foi já sob a Ditadura Militar que se fez o primeiro Portugal-Hungria, a 26 de dezembro de 1926, com Cândido de Oliveira a selecionador. Uma Portugal-Hungria que não foi, de verdade, um Portugal-Hungria. Fernando Pinto conta-o em História do Futebol Português No Campo Internacional: «Quando o sr. Ávila de Melo, então secretário da FPF esteve em Roma, encontrou naquela cidade o sr. Dr. Fódor, secretário da Federação Húngara. Os dois conversaram muito prazenteiramente sobre a realização de um encontro entre os dois países – e nada mais. Depois, quando vieram a Lisboa dois grupos magiares, o Sabária e o Hungária MTK, o último dos quais se fazia acompanhar do seu diretor, o tal já citado sr. Dr. Fódor e este pelo sr. Edwin Herzeg, membro do comité seletivo da Federação Húngara. O sr. dr. Fódor e o sr. Edwin com insólito desplante disseram-se autorizados a negociar com a Federação Portuguesa o encontro, e esta porque não quis e foi negligente não exigiu as respetivas credenciais, pagando a verba estipulada para os dois grupos e entregando ainda os milhares de pesetas destinados à Federação Húngara. E o jogo realizou-se entre uma equipa portuguesa que era a nossa verdadeira seleção e um misto formado pelos dois grupos classificados um em quarto e outro em sétimo lugar do campeonato húngaro da Liga Profissional. Dias depois, o húngaro sr. Akos, treinador do FC Porto, exibia jornais do seu país nos quais se noticiava que o Dr. Fódor iria ser demitido do cargo por motivo da realização do encontro...» Apesar de ser no Porto, a seleção continuou sem um único... portista, alinhou com: Casoto (Boavista); António Pinho (Casa Pia) e Jorge Vieira (Sporting); Raul Figueiredo (Benfica), Augusto Silva (Belenenses) e Varela (Império); Pereira da Silva (Casa Pia), Liberto (União), Severo Tiago (Belenenses), João dos Santos (V. Setúbal) e José Manuel Martins (Sporting). Acabou empatado 3-3, os golos foram de Severo, João Santos e José Manuel Martins… ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

FÁBIO ESPINHO: O DESEJO DE TRIUNFAR NO MÁLAGA APAGA A MÁGOA POR O QUE FALTOU CONQUISTAR EM PORTUGAL. Fábio Espinho chegou ao Málaga no início da temporada passada, depois de duas épocas de bom nível ao serviço do Ludogorets, clube no qual conquistou dois Campeonatos da Bulgária, uma Taça e brilhou nas competições europeias contra equipas como o Real Madrid e o Liverpool. A estreia na liga espanhola não foi a desejada, marcada pela escassa utilização, e o médio português acabou por sair no mercado de janeiro com destino a Moreira de Cónegos. «Como todos sabem, em Espanha não fui muito utilizado, por opção do treinador. Sempre estive habituado durante a minha carreira a jogar, senti que devia sair para ir em busca desses minutos que são importantes para mim. Sabia que o Moreirense podia dar-me isso e felizmente as coisas correram como eu esperava. Acho que o balanço é completamente positivo, pois contribuí para o objetivo do clube: a manutenção», assume Fábio Espinho em conversa com A BOLA. «Claro que o facto de ter jogado no Moreirense pesou no momento da decisão. Sempre mantive uma excelente relação com toda a estrutura e eles também quando souberam da minha situação fizeram questão de saber a minha disponibilidade em regressar. Foi assim que surgiu a oportunidade», acrescenta. Objetivo: afirmação no Málaga Habituado a ter um papel importante nas equipas que tem representado ao longo da carreira, o médio de 30 anos sente que está em dívida com o clube que o contratou no verão de 2015 e promete trabalhar no máximo para merecer a confiança do novo treinador do Málaga, o espanhol Juande Ramos. «Tenho mais um ano de contrato. O meu desejo passa por regressar ao Málaga e conseguir afirmar-me, uma vez que não tive essa oportunidade a temporada passada. Desde que cheguei, procurei sempre trabalhar no máximo e, das poucas oportunidades que tive, acho que estive bem. Agora, as decisões cabiam ao treinador [n.d.r. Javi Gracia] e eu só tinha de respeitar», reconhece Fábio Espinho, sem esquecer o trabalho que desenvolveu na Bulgária, fundamental para dar o salto para uma das «melhores ligas do mundo»: «Foram dois anos completamente espetaculares na Bulgária. O primeiro ano quando cheguei consegui ganhar tudo. No ano seguinte abrilhantámos ainda mais o nosso percurso com a participação na Liga dos Campeões. Fui muito feliz na Búlgária. Sinto também que fui um jogador muito importante num sítio onde me senti muito bem e valorizado. Com o que fiz lá consegui dar o salto para o campeonato espanhol, uma liga de sonho para muitos jogadores. Ficou o sabor amargo na época de estreia, mas espero ter a minha oportunidade este ano.» O que faltou para ter outra carreira…em Portugal Fábio Espinho cumpriu toda a sua formação no FC Porto, mas nunca conseguiu chegar à equipa principal dos dragões - ainda esteve duas temporadas na equipa B, seguindo depois para o Sporting de Espinho. Chegou à Liga em 2009 pela porta do Leixões e destacou-se no Moreirense, ao ajudar a equipa a subir da Liga 2 ao principal escalão do futebol português, em 2011/2012. As duas temporadas em Moreira de Cónegos despertaram o interesse do Ludogorets e depois, como já referido, deu-se o salto para o Málaga. Mas afinal o que faltou para Fábio Espinho conseguir chegar a um dos designados grandes do futebol português? «Esperava fazer outra carreira aqui em Portugal, mas assim não foi possível... Não escondo que perspetivava outro tipo de carreira no meu país, mas não sei quais foram os motivos para isso não acontecesse...Mas consegui lá fora o que não consegui em Portugal e fico também feliz por isso», remata....
IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
PAULA REGO TREINA NO QATAR JÁ LÁ VÃO SEIS ANOS . Paula Rego, de 40 anos, chegou ao Qatar a 13 de março de 2010, para acompanhar o marido, Francisco Batista, também ele treinador, mas depressa chegou a acordo com o Qatar Womens Sport Commite (QWSC) para assumir o cargo de selecionadora de futsal do Qatar. A partir daí nunca mais parou. Já se passaram meia dúzia de anos e a portuguesa continua no Médio Oriente. Está acompanhada pelo marido e pelo filho mais novo e deixou mais dois rebentos em Portugal: «Estão com os avós, pois, na altura, estavam a meio de percurso curricular. Mas já vieram ao Qatar algumas vezes.» Depois de ter assumido o comando técnico da seleção feminina de futsal do Qatar, Paulo Rego já passou por outros clubes e agora também acumula as funções de professora de Educação Física. Fique a conhecer o percurso de seis anos contado na palavra de Paula Rego. - Estive no comando da seleção feminina de futsal durante ano e meio, em que apenas realizámos alguns jogos particulares regionais. As jogadoras eram selecionadas em escolas durante aulas de Educação Física ou em torneios organizados pelo Commite da Mulher. Depois regressei ao ensino, fui dar aulas de Educação Física para uma escola internacional (Newton International School). Em 2012 fui convidada por um club local (Al Khor Sports Club ) para orientar a equipa feminina de futebol numa liga entre nove equipas, onde permaneci dois anos. Vencemos a liga e a Taça Sheikha Joan no primeiro ano e no segundo ficámos em segundo na liga e perdemos a final da taça. Em 2013 fui dar aulas para outra escola internacional, SEK International School (escola de origem espanhola com mais de 140 anos), onde ainda estou. Nesta escola treino camadas jovens (masculino e feminino futebol), participamos em torneios interescolas, ligas organizadas pelo QUESS (Qatar Unated English Speaking Schools) e no programa que o Qatar oferece às escolas SOP (Schools Olimpic Programme), organizado pelo governo para desenvolver e incentivar o desporto na comunidade. Já arrecadámos vários primeiros lugares, bem como o prémio de escola revelação no ano passado. Este ano pela, segunda vez, estamos a participar no torneio anual da Volkswagem Juniors Masters, no qual nos sagrámos campeões do Qatar e iremos disputar o apuramento de campeão absoluto a 18 e 19 deste mês, no Dubai, e tentar chegar à final mundial, que se realiza em Paris. Nas ligas estamos bem encaminhados para sermos campeões em sub-12 masculino e sub-13 feminino. Recentemente também treinei o escalão de Toddlers numa academia SFQ (Sheikh Faisal Qassim). É só bombas a rolar na estrada Após seis anos no Qatar, Paula Rego já se habituou ao trânsito louco da capital Doha. Mas aina fica de queixo caído... «A frota automóvel é um encanto! Rolls Royces, Ferraris, Lamborghinis, Maseratis, Bentleys, Mustangs, Corvettes… são marcas que rolam na estrada a toda a hora. Claro, o trânsito é de loucos», conta. Mas quando chegou o que mais a lhe fazia confusão era «algumas mulheres andares completamente tapadas com um lenço preto». Depressa se adaptou aos hábitos e garante nunca se ter sentido discriminada por ser mulher. Campo destruído por causa de uma cobra Desafiada a partilhar com os leitores de A BOLA Online uma história engraçada que tenha vivido na terra do petróleo, a treinadora não hesitou e até contou duas! - Um dia estava a dar treino e, de repente, vejo as jogadoras todas a correr para os balneários. Fiquei sozinha com as bolas no meio do campo sem perceber o que se estava a passar. Olhei à minha volta para ver se havia algo de errado e, percebendo que não iam regressar, fui ao balneário ver o que se passava. Foi então que uma rapariga me disse: «Coach! A man, a man!» O que se passou foi que uma delas viu um senhor da limpeza e como treinavam destapadas correram para se esconder. Claro, tive que pedir ao senhor para se retirar para retomarmos o treino. Outra que não me esqueço foi ter estado sem treinos nem jogos por causa de uma cobra que apareceu no campo de futebol... Só que destruíram o campo todo para encontrar a casa da cobra! (risos) 40 minutos para fazer... sete quilómetros O dia começa bem cedo para Paula Rego: «Às 5.15 da manhã, com o preparar para ir para a escola, as aulas começam às 7, mas antes há que enfrentar 40 minutos de trânsito para fazer pouco mais de sete quilómetros.» E para sair não há hora: «Depende dos dias, visto haver jogos a seguir aos tempos letivos. Depois há o levar e buscar o filhote, os treinos que dou na SFQ e depressa chega a hora de ir descansar.» Mas, é como diz o ditado popular: Quem corre por gosto não cansa! Se a convidarem volta a treinar em Portugal A pergunta impõe-se e a resposta é sincera: Em Portugal foi a primeira mulher a treinar uma equipa sénior masculina, o Granja Ulmeiro, da 3.ª Divisão. Pensa regressar ao país para treinar? - Claro que sim! Mas não depende só de mim treinar em Portugal, é preciso que me convidem! Tenho alguns projetos mas, para já, estou focada em vencer a competição no Dubai para podermos marcar presença na final de Paris, em maio. Fotos gentilmente cedidas por Paula Rego ...
CALADO CHEGA À BUNDESLIGA. Além de alguns futebolistas de renome portugueses como Vieirinha, Hugo Almeida e Henrique Sereno, o futebol alemão é cada vez mais uma elite também para os treinadores lusos. Nesse prisma, o nosso representante de momento é Diogo Calado, pouco conhecido por parte do público mas um jovem com um potencial e ambições elevadas, em especial por ter chegado a uma das mais fortes nações do futebol internacional, com 31 anos de idade. A carreira de Calado conta já com experiências em três países diferentes - incluindo Portugal, bem entendido - e conduziu-o até ao histórico Energie Cottbus, emblema no qual trabalha como treinador adjunto da equipa B com a perspectiva de continuar a aprender a chegar ainda mais longe por terras germânicas. Cumpre esta experiência no Energie Cottbus. Como surgiu esta oportunidade? - Eu fiz aquilo que muitos de nós fazemos, que é ir enviando CV`s. Tive a sorte de o Energie Cottbus ter demonstrado interesse em falar comigo fruto da minha experiência mas também porque a barreira da língua poderia ser ultrapassada graças ao facto do treinador da equipa B na época transacta ser brasileiro. Há quanto tempo se encontra na equipa técnica da equipa B do Energie Cottbus? Como tem corrido a experiência até ao momento? - Desde o início de janeiro de 2015 e tem sido gratificante. Quando cheguei falava tanto alemão quanto o José Cid na canção "Um grande, grande amor" mas fui muito bem aceite e agora que já passou mais de um ano, posso dizer que percebo a razão pela qual a Alemanha está na elite do futebol mundial há tantos anos. Os alemães são muito organizados e focados no trabalho e têm todo o futebol estruturado para providenciar as melhores condições de trabalho aos treinadores e aos jogadores. Antes disso, houve contatos para trabalhar na Guiné como adjunto do Sp. Bissau, mas nunca chegou a concretizar-se. Na época passada apenas trabalhou no Energie? Quando chegou à Alemanha? - Sim, na época passada (2014/2015) só orientei o Energie Cottbus B. Cheguei em dezembro de 2014 e comecei a trabalhar na equipa em janeiro de 2015 depois de ter acertado tudo com os responsáveis do clube. Antes da Alemanha teve uma experiência em São Tomé e Príncipe, como coordenador do futebol de formação do país. Entre um país e outro, houve algo mais pelo meio? - Entre S. Tomé e Príncipe e o Cottbus houve 2 meses e meio - março a maio de 2014 - a fazer o que mais gosto (treinar) nos Juvenis do Alcainça AC. A equipa só tinha uma vitória até ao momento, só tinha 18 jogadores e ficou sem treinador a meia dúzia de jogos do fim do campeonato. Normalmente eu deveria ter ficado quieto em casa, mas aceitei o desafio e foi das equipas que mais gostei de treinar até hoje. Aqueles 18 miúdos ficarão para sempre no meu coração! Até ao momento trabalhou em 3 diferentes países - Portugal, São Tomé e Alemanha. Quais são as grandes diferenças entre os três em termos de condições de trabalho? - Exacto. Sempre São Tomé e Príncipe ou quem nos ler no Príncipe vai-me ligar ou escrever a reclamar (risos)! Responder a essa pergunta dava para escrever um livro. São Tomé e Príncipe tem 2 sintéticos na capital, um dos quais com dimensões mínimas (em breve vai ter um 3.º sintético, localizado no Príncipe) e as equipas treinam com 2 ou 3 bolas. Em Portugal brinca-se ao futebol com a generalidade das equipas a dispor de um sintético para todas as equipas do clube, treinando-se em meio-campo com o tempo todo contado ao segundo (saem os infantis, entram os juvenis, saem os juvenis, vêem os seniores!). Na Alemanha todo o clube, mesmo da aldeia mais pequena, tem um campo relvado, ao lado um campo também relvado de apoio para as equipas treinarem e ainda um campo com balizas de futebol de 7. Como descreve a competitividade da Oberliga (V Divisão alemã), onde se encontra o Energie Cottbus B actualmente? - A Oberliga tem muitas semelhanças com o que agora se chama de Campeonato de Portugal, antes CNS e 2a B. Os campos, o público e a competitividade são muito semelhantes. A diferença no estilo de jogo é que a generalidade das equipas na Oberliga têm um estilo bastante ofensivo, jogando sempre para a frente mesmo que já estejam a ganhar por 1 a 0. Em Portugal joga-se muito no erro do adversário e quando se marca um golo, regra geral, começa-se a organizar tudo para "fechar a loja" lá atrás! No espaço de uma semana o Sporting e o FC Porto defrontam por duas vezes dois poderosos clubes alemães, o Bayer Leverkusen e o Borussia Dortmund, respectivamente. Como residente na Alemanha e muito provavelmente seguidor da Bundesliga, quais entende serem as hipóteses de ambos perante estes adversários? - À partida a tarefa de Porto e Sporting afigura-se bastante difícil. Penso que tanto o Borussia como o Bayer partem como favoritos e os jogos em solo alemão serão o factor decisivo pelo ambiente em redor mas também porque Borussia e Bayer são equipas muito fortes a jogar em casa e sem problemas em assumir o jogo. Mas não são invencíveis! Quais são os seus objectivos imediatos, continuar na Alemanha? Onde perspectiva estar a longo prazo? - Depois de ter aprendido alemão do zero e de ter passado pelo período de integração e adaptação só uma grande oportunidade me faria abandonar a Alemanha rumo a outro lugar nos tempos mais próximos. Além do mais neste país a competência é valorizada. A longo prazo apenas faço questão de continuar a fazer o que mais gosto onde for bem recebido e onde me sentir bem, seja na Alemanha, em São Tomé e Príncipe ou noutro lugar qualquer. O êxito para mim não se mede pelo dinheiro, vitórias e prestígio, mas pelo prazer que retiro de cada vez que entro num campo para treinar ou jogar. Com a idade que tenho ainda me restam vários anos de carreira. Por certo que um dia vou querer experimentar assumir o comando técnico de uma equipa sénior e quem sabe comandar uma seleção nacional (não necessariamente Portugal). O futebol de seleções foi algo que sempre me fascinou. ...
 

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