SEGUNDA-FEIRA, 05-12-2016, ANO 17, N.º 6155
Tirem o chapéu a Manuel Fernandes (vídeo)
Rússia Manuel Fernandes, médio português do Lokomotiv Moscovo, apontou um golo para mais tarde recordar no jogo com o Terek Grozny, referente à 17.ª jornada da Liga russa.
Mourinho sobre alegados delitos fiscais: «Nada tenho a esconder»
Manchester United José Mourinho diz estar de consciência tranquila na sequência das notícias que dão conta de alegados delitos fiscais que teriam sido cometidos pelo treinador português em Espanha e Inglaterra. «Apr
Continuidade de Lloris em risco, Joe Hart é hipótese
Tottenham Hugo Lloris, guarda-redes do Tottenham, é cobiçado por PSG e Real Madrid, sendo possível a sua saída no final da época, pois o jogador francês pretende um ordenado mais alto. O treinador dos Spurs
«Temos de continuar a acreditar até ao fim» - Paulo Sousa
Fiorentina No final do jogo entre a Fiorentina e o Palermo, Paulo Sousa afirmou que a sua equipa ficava vulnerável sempre que atacava o adversário, mas foi importante os jogadores acreditarem até ao fim na vitór
«Há uma grande diferença em relação às exibições dos últimos anos» - Mourinho
Manchester United Não obstante os resultados aquém das expectativas, José Mourinho diz-se convicto de que o Manchester United está incomparavelmente melhor do que nos dois últimos anos com Louis van Gaal. «Há uma gr
Bilhetes para o `derby´ esgotados
Benfica O Estádio da Luz vai registar lotação esgotada no derby entre Benfica e Sporting, no próximo domingo, às 18 horas, referente à 13.ª jornada da Liga. Os últimos ingressos disponíveis voaram e
Frederico Silva vence torneio na Turquia
Ténis Frederico Silva conquistou este domingo o torneio ITF Futures Antalya, na Turquia. O tenista português, número 347 do mundo, impôs-se ao italiano Lorenzo Frigerio, 511.º ATP, em dois `sets´, pelos
Fiorentina garante triunfo nos descontos (2-1)
Itália A Fiorentina venceu, este domingo, o Palermo por 2-1 em jogo da 15.ª jornada da liga italiana. A equipa treinada por Paulo Sousa garantiu a vitória com golos de Bernardeschi (33, p) e Babacar (90+3
Frederico Morais nas meias-finais da Vans World Cup
Surf O surfista português Frederico Morais continua na corrida ao circuito mundial do próximo ano, tendo este domingo assegurado a presença nas meias-finais da Vans World Cup, a decorrer no Havai. `Kika
Nice continua líder isolado depois de vencer o Toulouse (3-0)
França O Nice, com Ricardo Pereira a titular, venceu o Toulouse por 3-0 em jogo da 16ª jornada da liga francesa. Os golos foram marcados por Plea (23), Belhanda (26) e Seri (65). Com esta vitória o Ni
José Gomes estreia-se a vencer pelo Baniyas
Emirados Árabes Unidos José Gomes conquistou este domingo a primeira vitória como treinador do Baniyas, diante do Al-Ittihad, por 3-1, encontro referente à 10.ª jornada da Liga dos Emirados Árabes Unidos. Lavirrey, Hass
Selecionador Francisco Neto assistiu ao Futebol Benfica-Valadares Gaia
Futebol Feminino O jogo que colocou frente a frente Futebol Benfica e Valadares Gaia (1-2) levou até ao Francisco Lázaro também o selecionador nacional de futebol feminino, Francisco Neto, que assim aproveitou para ob
Pedro Martins critica «dualidade de critérios» de Fábio Veríssimo
Vitória de Guimarães Pedro Martins, treinador do Vitória de Guimarães, fez duras críticas à atuação do árbitro Fábio Veríssimo no jogo com o Chaves. «Entrámos muito bem no jogo, o Chaves equilibrou e no final da prime
«Há muita qualidade nesta equipa» - Jorge Simão
Chaves No final do jogo entre o Vitória de Guimarães e o Chaves, Jorge Simão desvalorizou o ponto conquistado preferindo destacar a exibição dos seus jogadores contra um rival teoricamente mais forte. «So
Vitória de Guimarães e Chaves empatam (1-1)
Liga Vitória de Guimarães e Chaves empataram (1-1), este domingo, no estádio D. Afonso Henriques, partida referente à 12.ª jornada da Liga. Hernâni, aos três minutos de jogo, colocou a equipa minhota na
Odegaard a caminho do Rennes
Real Madrid Martin Odegaard poderá estar de saída do Real Madrid na reabertura do mercado de transferências, em janeiro, para representar o Rennes até final da época. O jovem norueguês – completa 18 anos no p
Valência cede empate nos descontos (2-2)
Espanha O Valência empatou, este domingo, com o Málaga 2-2 em jogo da 14ª jornada da liga espanhola. Os golos da equipa de João Cancelo, que foi titular, foram marcados por Rodrigo (7) e Medran (34). O
Selby bate o ‘Rocket’ (10-7) e vence o UK Championship
Snooker O inglês Mark Selby, de 33 anos, campeão do Mundo de snooker, cimentou este domingo a sua condição de líder do ranking ao vencer o compatriota Ronnie O’Sullivan, de 40 anos, oitavo da hierarqui
Standard, de Orlando Sá, com jogo interrompido
Bélgica O Standard Liége, equipa de Orlando Sá, vencia em casa do Charleroi, por 3-1, quando o árbitro cancelou o jogo devido ao arremesso de objetos para o relvado. O mau comportamento dos adeptos teve i
Estoril e Belenenses empatam (1-1)
Liga O Estoril empatou, este domingo, com o Belenenses 1-1 em jogo da 12ª jornada do campeonato português. O Belenenses teve a oportunidade de inaugurar o marcador através da conversão de um penálti, ma
«Estou a dar minutos a jogadores que ainda não estão preparados» - Fabiano Soares
Estoril No final do jogo entre o Estoril e o Belenenses (1-1), Fabiano Soares admitiu que a equipa não esteve ao melhor nível e que muitos jogadores ainda não estão adaptados. «No futebol não existe justiç
«Não culpem Mourinho pela idiotice de Fellaini» - Neville
Manchester United Gary Neville, antigo capitão do Manchester United, considera que José Mourinho não pode ser responsabilizado pela grande penalidade cometida por Fellaini nos últimos minutos do jogo com o Everton.
«Pelas oportunidades a vitória era justa» - Quim Machado
Belenenses Após o jogo entre o Estoril e o Belenenses, Quim Machado considera que a sua equipa seria a justa vencedora porque foi a que criou mais oportunidades. «A vitória era inteiramente justa, pelas oport
Olympiakos mantém vantagem sobre segundo classificado (4-0)
Grécia O Olympiakos, com André Martins a titular, venceu o Levadiakos por 4-0 em jogo da 10ª jornada do campeonato grego. Os golos foram marcados por Ideye (48 e 74), Milivojevic (69) e Fortounis (71).
Ranieri quer reforços: «Estamos à procura em todo o lado…»
Leicester Claudio Ranieri assume sem rodeios que pretende reforçar o plantel do Leicester na reabertura do mercado de transferências, em janeiro. «Estamos a fazer observações diárias. Procuramos em todo o la
Resultados da 12.ª jornada
Campeonato Portugal Resultados dos jogos referentes à 12.ª jornada do Campeonato de Portugal. Série A Limianos - Vilaverdense, 1-3 Merelinense - AD Oliveirense, 3-1 Ponte da Barca - União Torcatense, 0-0 Mirandela
Quinta dos Lombos derrota Belenenses (4-1)
Futsal O Quinta dos Lombos foi este domingo ao Restelo vencer o Belenenses, por 4-1, encontro referente à 10.ª jornada do campeonato nacional de futsal. No outro jogo do dia, o Burinhosa recebeu e venceu
Mourinho sobre aposta em Fellaini: «Pensava que soubessem mais de futebol»
Manchester United José Mourinho foi corrosivo quando instado a explicar a aposta em Fellaini para a reta final do jogo com o Everton. Lançado ao minuto 85, o médio belga cometeria falta para grande penalidade dois m
Sporting e FC Porto empatam (3-3)
Hóquei em patins Sporting e FC Porto empataram este domingo a três golos, em Alverca, jogo referente à nona jornada do campeonato nacional de hóquei em patins. Jorge Silva (10) e Hélder Nunes (25) construíram vanta
Marselha vence Nancy (3-0)
França O Marselha venceu, este domingo, o Nancy por 3-0 em jogo da 16.ª jornada da liga francesa. Os golos do jogo foram marcados por Thauvin (46), Gomis (80) e N’Jie (90+2). Noutro jogo da jornada, o
«Vitória não sofre contestação» - Lito Vidigal
Arouca Lito Vidigal considerou justa a vitória (2-0) do Arouca no terreno do Feirense, argumentando que a equipa que orienta foi a mais equilibrada e esclarecida durante os 90 minutos. «Fomos a equipa mai

classificações

Liga
Liga 2
12. ª jornada
13. ª jornada
classificação
17. ª jornada
18. ª jornada
classificação
09-12
V. Setúbal
20:30
Estoril
Sport TV
10-12
Belenenses
11:45
Marítimo
Sport TV
10-12
Chaves
18:15
Moreirense
Sport TV
10-12
Boavista
20:30
V. Guimarães
Sport TV
11-12
Nacional
16:00
Tondela
Sport TV
11-12
Feirense
16:00
FC Porto
Sport TV
11-12
Benfica
18:00
Sporting
BTV1
11-12
SC Braga
20:15
P. Ferreira
Sport TV
12-12
Arouca
20:00
Rio Ave
Sport TV
10-12
Académica
11:15
Benfica B
Sport TV1
10-12
Gil Vicente
15:00
Covilhã
10-12
Aves
15:00
União
10-12
Sporting B
15:00
Porto B
Sporting TV
10-12
Académico
15:00
AD Fafe
10-12
Freamunde
15:00
Olhanense
10-12
Vizela
15:00
Famalicão
10-12
Braga B
15:00
V. Guimarães B
10-12
Varzim
16:00
Cova Piedade
10-12
Santa Clara
18:00
Penafiel
11-12
Leixões
11:15
Portimonense
Sport TV1
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
12
9
2
1
27-7
29
2
Sporting
12
8
3
1
23-10
27
3
FC Porto
12
7
4
1
20-5
25
4
SC Braga
12
7
2
3
21-12
23
5
V. Guimarães
12
6
3
3
21-15
21
6
Rio Ave
12
5
2
5
15-16
17
7
Marítimo
12
5
2
5
8-10
17
8
Chaves
12
3
7
2
11-10
16
9
Estoril
12
4
3
5
11-14
15
10
Belenenses
12
3
5
4
9-13
14
11
Arouca
12
4
2
6
9-15
14
12
Boavista
11
3
4
4
11-13
13
13
V. Setúbal
12
3
4
5
10-13
13
14
Moreirense
12
3
2
7
11-18
11
15
Feirense
12
3
2
7
10-24
11
16
P. Ferreira
11
2
4
5
13-17
10
17
Tondela
12
2
3
7
9-18
9
18
Nacional
12
2
2
8
10-19
8

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Portimonense
17
13
3
1
35-12
42
2
Aves
17
10
6
1
27-13
36
3
Cova Piedade
17
9
4
4
21-17
31
4
Santa Clara
17
8
4
5
19-17
28
5
Penafiel
17
8
4
5
18-17
28
6
Académica
17
7
6
4
14-10
27
7
Benfica B
17
7
6
4
19-17
27
8
Sporting B
16
7
3
6
27-26
24
9
União
18
5
7
6
14-16
22
10
Vizela
16
4
9
3
15-14
21
11
Famalicão
17
5
6
6
20-22
21
12
Porto B
17
5
6
6
18-20
21
13
Covilhã
17
5
6
6
16-18
21
14
Gil Vicente
17
4
8
5
11-13
20
15
Braga B
17
3
9
5
20-19
18
16
Varzim
17
4
6
7
19-23
18
17
V. Guimarães B
16
5
3
8
17-23
18
18
AD Fafe
16
4
6
6
19-26
18
19
Académico
18
3
6
9
15-23
15
20
Freamunde
17
2
8
7
13-16
14
21
Leixões
17
2
7
8
12-17
13
22
Olhanense
17
3
3
11
22-32
12

Ver classificação detalhada
Não o deixaram vir para o Sporting, continuou em guerra (e sim, tinha razão…)
Grande História (Capítulo 2) Se Garrincha tivesse vindo para o Sporting, o seu destino poderia ter sido diferente. Nunca se saberá – e o que aqui se conta, tendo ainda como pano de fundo o concerto que Elza Soares deu no Coliseu, é como, mesmo sem Pelé a seu lado, ele ganhou o Campeonato do Mundo do Chile para cumprir a promessa que fez à cantora que, no fim do jogo, entrou eufórica pelo balneário onde já havia campeões nus e o champanhe continuava a jorrar das garrafas que saltavam de mão em mão e a Elza jurou: - Não, não reparei em ninguém pelado, porque eu só queria o Garrincha… O resto? O resto é o que não imagina. A Elza com a casa apedrejada – ou pior. Com a filha a salvar-se por milagre de um tiro, com ela atacada num morro a «pedra e pau». Tudo isso tinha a ver com o Botafogo? Tinha. E o que Garrincha tinha a ver cada vez mais com o Botafogo também é o que nem imagina: faltava a treinos – e teve até ordem para passar a noite antes do jogo com o Flamengo no quarto de Elza. Saiu de lá quase direto para o campo – e esse jogo está na história como o jogo em que Garrincha foi Garrincha pela última vez… Garrincha foi ao Chile disputar a Copa de 1962 – e Elza Soares também foi ao Chile. Não, não foi por causa de Garrincha – foi por ser quem era, estrela cada vez mais faiscante: Edmundo Klinger, famoso empresário uruguaio, criou em Asiva, perto da estância balnear de Valparíso, um festival musical paralelo ao Mundial, chamou-lhe mesmo a Copa da Música, com vários cantores a representarem vários países. Para representar o Brasil, foi Elza que ele escolheu. Chegou antes do jogo com a Espanha, Pelé já se lesionara e já se sabia que não poderia voltar a jogar a Copa. Di Stéfano, que também se lesionara mas ainda não se sabia se jogaria ou não contra o Brasil, afirmou provocador: - Mesmo com 11 Garrinchas, o Brasil vai perder o Mundial. E vai começar a perdê-lo connosco. Quando, ao almoço, na concentração, lho contaram, Garrincha reagiu com mostarda no nariz (e mel no coração): - Gente boa, acabei de pedir Elza em namoro e vou jogar para ela, vou ganhar a Copa para ela! E para dar ao Di Stéfano o troco que ele precisa, né?! SAIU AFÓNICA DO ESTÁDIO, DEIXOU LOUIS ARMSTRONG DE BOCA ABERTA... Klinger arranjou-lhe bilhetes para a partida, Elza Soares gritou tanto – que saiu do estádio quase afónica. À noite teria de cantar no programa onde também estava Louis Armstrong – e ao ouvi-la cantar rouca como ele, mas mais do que rouca como ele numa mistura de Ella Fitzgerald e Nancy Wilson, num swing como nunca ouvira, antes de subir ao palco para fechar o concerto, Armstrong esperou-a na coxia, abraçou-a, exclamou-lhe: - my daughter… Elza agradeceu-lhe e conta-se que, comovida, murmurou para um dos seus músicos: - Só não entendi por que o cara disse doctor… e ele explicou-lhe: - Não foi doctor que o Armstrong disse, foi daughter, como se tu fosses filha da música dele… COMO O DIRETOR DO ESCRETE AFASTOU ELZA DE LÁ... Os organizadores do Festival de Asiva promoveram Elza a «Madrinha da Seleção Brasileira» - e preparam sessão em que ela se fotografasse com todos os seus jogadores, usando faixa que dizia: - Madrinha mas Paulo Amaral, o diretor da equipa, não deixou, pediu, muito cortês desculpa: - … vocês sabem, as mulheres podem interferir no trabalho, quanto mais Elza… Apesar disso, Elza não deixou de falar, num breve enleio, com Garrincha – e ele repetiu-lhe: - Eu vou ganhar esta Copa para você, só para você… A PRIMEIRA VEZ EM QUE FOI EXPULSO E AS PERIPÉCIAS À VOLTA DISSO... No quartos de final, contra a Inglaterra, Garrincha marcou dois golos – e, nas meias-finais, nas meias-finais contra o Chile de Fernando Riera, o Fernando Riera que haveria de vir de lá para o Benfica substituir Béla Gutmann, mais dois marcou – e foi nesse desafio que sucedeu o que Ruy Castro revelou, poético: «Garrincha ser expulso de campo por agredir um adversário parecia tão absurdo quanto são Francisco de Assis disputar um concurso de tiro aos pombos ou Branca de Neve ser apedrejada por discriminar anões. Mas foi o que aconteceu no jogo Brasil-Chile. O agredido foi o violentíssimo zagueiro chileno Eladio Rojas. Rojas sabia que era candidato a mais um baile de Garrincha. Para conseguir para-lo, teria de afiar seu habitual repertório de pontapés, dedos nos olhos e cotoveladas. Pois Rojas fez tudo isso aos olhos complacentes e apertados do árbitro peruano Arturo Yamazaki, descendente de japoneses. Mas não adiantou. Garrincha aniquilou Rojas e o resto da defesa chilena. Fez o primeiro gol com um chute de pé esquerdo; o segundo, com outra cabeçada; deu o terceiro a Vavá e foi, mais do que todos, o responsável pela vitória brasileira por 4-2. Já era o maior homem da Copa. Aos 39 minutos do segundo tempo, com o placar definido, Garrincha levou outro pontapé de Rojas. Caiu, levantou-se e, mais por desfrute que vingança, acertou-lhe um tostão - um peteleco de joelho - na bunda. Rojas atirou-se ao chão como se a cordilheira dos Andes lhe tivesse desabado em cima. O bandeirinha, a um metro do lance, chamou o árbitro Yamazaki e denunciou Garrincha. Yamazaki o expulsou. Elza viu quando Garrincha, de cabeça baixa, caminhou debaixo de vaias para fora do gramado. Aymoré Moreira correu ao encontro de Garrincha, seguido por uma chusma de fotógrafos. Elza viu também quando Garrincha olhou na direção das cadeiras, onde achava que ela deveria estar, e fez-lhe um largo aceno. De repente, ele pareceu baquear e levou a mão à cabeça - uma pedra, atirada da arquibancada, acertara-o bem no cocuruto. Elza se desesperou: desceu correndo as escadas, querendo passar para dentro do campo de qualquer maneira. Um carabineiro foi contê-la. Elza o insultou e tentou abrir a grade. Dois outros carabineiros avançaram sobre ela com os cachorros. Edmundo Klinger apareceu e a levou embora dali…» O QUE SE FEZ PARA QUE GARRINCHA JOGASSE A FINAL DO MUNDIAL QUE FOI ELE... Sim, Garrincha foi expulso, não deixou de jogar a final – apesar de os jornais chilenos o tratarem como ele não era de verdade: brigão e arruaceiro. E por que não deixou de jogar a final assim o revelou Ruy Castro: «Para absolver Garrincha, céus e terras se movimentaram logo após a partida. Luís Murgel, representante da CBD (mas, como brasileiro, sem direito a voto), baseou sua defesa na ficha de Garrincha como um jogador que nunca fora expulso de campo. O jornalista Canor Simões Coelho telefonou de Santiago para seu amigo em Brasília, o primeiro-ministro Tancredo Neves, sugerindo-lhe que passasse um telegrama à comissão, "em nome do povo brasileiro", pedindo o perdão para Garrincha. O presidente do Peru, Manuel Prado y Ugarteche, por intermédio de seu embaixador no Chile, pediu a Yamazaki que não fizesse carga contra Garrincha na súmula. E, no caso de o bandeirinha ser chamado a depor, Mozart di Giorgio achou conveniente que ele, digamos assim, desaparecesse de Santiago. Não devia ser difícil. O bandeirinha era o uruguaio Esteban Marino, árbitro da Federação Paulista de Futebol nos anos 50. E havia um brasileiro apitando na Copa, João Etzel, o único juiz de futebol no Brasil que era chamado de ladrão por todos os times. Etzel teria feito rápido contato com Esteban Marino e recebido sinal verde. Falcão e Di Giorgio foram ao hotel de Marino aquela mesma noite e ofereceram-lhe uma passagem Santiago-Montevidéu - via Paris. Coincidência ou não, Marino embarcou na manhã seguinte. Mas talvez não tivesse sido necessária toda aquela movimentação. A FIFA não era o Santo Ofício, e sua comissão disciplinar julgava politicamente os casos. Sem Garrincha, o Brasil poderia perder para a Checoslováquia - e, em 1962, a quem interessava que um país socialista (logo, amador) fosse campeão do mundo? Mesmo assim a comissão disciplinar respirou aliviada quando, talvez por influência do embaixador peruano, Yamazaki escreveu na súmula que "não vira a infração" de Garrincha. E que seu auxiliar Esteban Marino "tivera de viajar", mas deixara-lhe um bilhete descrevendo a suposta agressão como um "revide típico de lance de jogo". O grande advogado de Garrincha na comissão foi o miliardário antilhano Mord Maduro, que já levara o Botafogo várias vezes à América Central. Com seus 150 quilos e voz feminina, Maduro demonstrou brilhantemente que, com aquela súmula e o depoimento do bandeirinha, o caso estava descaracterizado. Outros seguiram o seu voto e Garrincha foi absolvido por 5X2, recebendo apenas uma advertência simbólica.» LIVRE DO CASTIGO, NEM A FEBRE O TRAVOU... Garrincha ficou, pois, livre de castigo – mas mas poderia não ter jogado a final da Copa contra a Checoslováquia por outra razão: no dia do jogo acordou engripado. Os 39 graus de febre foram arrefecidos a poder de aspirinas – e o Brasil, ganhando por 3-1, tornou-se bicampeão do mundo, a Copa, fechou, simbólica num olé, com Garrincha de pé posto sobre a bola, esperando, parado, que algum checo fosse tentar tirar-lha, mas nenhum se atreveu – e essa foi a Copa em que um jornalista do El Mercúrio escreveu: - De que Planeta vens tu, Garrincha? NO DUCHE COM GARRINCHA, HOUVE QUEM SE INCOMODASSE OU NÃO... Quando o árbitro apitou para o fim, Elza Soares desmaiou na tribuna – depressa recuperou da emoção e correndo se precipitou para o balneário do Brasil, cantando: "Você pensa que cachaça incha/ Garrincha incha muito mais/ Quando ele põe o pé na bola/ Passa mais de dez pra trás." O ambiente era o que se imagina: por entre champanhe, uísque e cerveja, gente feliz com lágrimas aos gritos de "É bicampeão!" – e ao vê-la de vestido de cetim verde-amarelo aconteceu o que está revelado em Estrela Solitária: … Provocou um imediato silêncio. E, segundos depois, pôs todo mundo em polvorosa. Era uma mulher num ambiente de homens nus - algo impensável para 1962. O primeiro a saltar do chuveiro, em busca de uma toalha ou bandeira, foi Didi: "Tirem essa mulher daqui!" Alguns jogadores cobriram as partes. Outros procuraram se esconder. Menos Zagalo: "Esconder pra quê? O problema é dela!" Elza, indiferente à comoção que causara, atirou-se a Garrincha debaixo do chuveiro e carimbou-o de beijos. Seu vestido de cetim, ao molhar-se, colou-se mais ainda ao seu corpo. Ele lhe prometera a Copa e cumprira. A Copa era dela. O resto que fosse para o diabo. Se Elza não saísse logo para continuar a comemoração com a torcida, Garrincha, sem querer - mas querendo -, teria ficado inconveniente.»...
Grande História (Capítulo 1) Não, não era por acaso que ela estava assim, domingo, no Coliseu dos Recreios: imóvel sobre uma poltrona, de vestido negro a prolongar-se para a escada, a cabeleira roxa – e os sons a soltarem-se de a boca no toque que às vezes parecia divino. Elza Soares, a atração maior do MexeFes – estava assim, imóvel sobre a poltrona, porque problema na cervical que a obrigara a várias operações não a deixa cantar como antes cantara, frenética, em palco. Mantém, porém, aos 80 anos o mesmo encanto – o encanto que largou quando em Carne se ouviu: - … a carne mais barata do mercado é a carne negra… ou em outra canções de Mulher do Fim do Mundo, o disco que é uma sinfonia de gritos contra a miséria, o racismo, a violência (& outras coisas mais), mas que é também viagem por corpos e prazeres por entre fogo e lava a escorrer – e é também o disco que faz com que Elza Soares não seja só samba, também é funk, também é rock («mestiço e inventivo») –e sendo tudo isso é uma mulher que «não tem tempo nem pertence a um tempo, está acima dele» como alguém já notou. E, o que aqui se faz – é mostrar como essa mulher, que é um ícone de resistência (e excentricidade…) chegou onde chegou (e ainda agora, com Mulher de Fim do Mundo, ganhou Grammy para o Melhor Álbum de MPB, fintando dramas e tragédias, negaças e destinos, tendo, anos a fio, a vida cruzada na vida de Garrincha, uma vida ainda mais dramática que a sua (mas no caso sobretudo por culpa própria), a vida que também se conta por aqui (e vai de arrepio em arrepio até à sua morte, à morte de um anjo, o Anjo das Pernas Tortas, que, a pouco e pouco, se foi tornando demónio, um demónio dentro de si…) O Manuel dos Santos (aliás, o Garrincha) tinha nos seus antepassados, índios e escravos – e quando nasceu, a parteira logo lhe descobriu, espantadas, pernas tortas, como nunca antes vira: - A perna esquerda era arqueada para fora e a direita para dentro, paralelas, como se uma rajada de vento de desenho animado as tivesse vergado para o mesmo lado. Manuel não herdara essas pernas de Amaro, o pai, mas da mãe, Maria Carolina, embora as dela não fossem tão tortas quanto as dele… Isso escreveu Ruy Castro em Estrela Solitária, a sua biografia, talvez a mais apaixonante biografia de um desportista que alguém fez. O PAI ERROU NO DIA DO NASCIMENTO E NO NOME SÓ PÔS MANUEL... Amaro demorou mais de um mês a arranjar tempo para lhe ir fazer o registo de nascimento e ao chegar ao cartório, atrapalhou-se na data: - … nasceu a 18 de outubro… Não, não fora a 18 de outubro, fora a 28 de outubro, 28 de outubro de 1933 – e também foi Ruy Castro quem o revelou: «O escrivão, coronel Cornélio, sempre oito ou nove canas acima da humanidade, também não era muito minucioso quanto a nomes. Quando perguntou como o menino se chamava e Amaro disse Manuel, lavrou simplesmente Manuel. Não era um procedimento incomum nos cartórios brasileiros. E nem queria dizer que o menino não tivesse sobrenome. Ficava entendido que, sendo filho de Amaro Francisco dos Santos e Maria Carolina dos Santos, Manuel se chamava Manuel dos Santos. Ninguém era obrigado a saber que o Francisco fazia parte do nome da família. Muitos anos depois, quando Manuel já era Garrincha e trabalhava na fábrica, o chefe de sua seção, seu Boboco, acrescentou-lhe o Francisco numa ficha, para evitar confusões com os outros manuéis dos santos da América Fabril. Mas, em todos os documentos oficiais que tiraria no futuro, Garrincha seria apenas Manuel dos Santos.» GARRINCHA POR CAUSA DO PASSARINHO QUE NÃO SE ACOMODA A CATIVEIRO... Pau Grande é localidade à sombra da Serra dos Órgãos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro – cuja cachoeira vai desaguar à Baía de Guanabara – e ele cresceu a perder-se por lá e pelas suas matas, sempre descalço. Pequeno como uma garrincha, passarinho que canta bonito e não se acomoda em cativeiro, uma das irmãs, percebendo-lhe as semelhanças, por Garrincha passou a tratá-lo – e Garrincha ficou para sempre. Os pássaros eram, como as peladinhas, a sua maior paixão – uma paixão às vezes cruel pois o que ele adorava era caçá-los através das figas que fazia. Talvez fosse exagero, mas os amigos afiançavam que só ele era capaz de atirar a pedra da fisga a 400 à hora e que ninguém tinha mira tão certa como ele: - … por isso era terror para a passarada, matava tudo o moleque: garrinchas, rolinhas, sanhaços, caga-sebos, gaturamos, juritis e trinca-ferros. A PRIMEIRA BOLA COMPRADA NO «ARMARINHO» DO PORTUGUÊS... A primeira bola que chutou era de trapos, aliás nem era bem de trapos - era uma esburacada meia velha de um tio, recheada de papel de embrulho e costurada no cano. Depois, também teve outra – que ele fez da bexiga de um cabrito, soprando para dentro dela e dando-lhe um nó na tripa. Pouco durou. Aos sete anos uma das irmãs mais velhas ofereceu-lhe uma bolinha vermelha de borracha que comprara no «armarinho» de António Barbeiro, o português que tinha loja de venda em Pau Grande – e foi com ela que se lhe percebeu, espantoso, o seu destino, com ela passava hora a fio a driblar árvores, a chutá-la contra muros e paredes. Tinha um problema apenas: - Na bola havia uma biqueira, que lhe causava dores na testa quando ele a cabeceava, talvez por isso a jogar de cabeça nunca fosse o que era a jogar com os pés… O CÃO MORDEU-LHE DEPOIS DA PELADINHA, O PAI MATOU-O... Quando não andava a brincar assim com a bola de borracha ou em por Pau Grande em peladas – andava, pelado, a nadar pelo rio, saltando de penhascos para a água (ou pelo mato à caça de passarada), sem nunca se ter aleijado, sem nunca ter voltado a casa das suas aventuras com um arranhão, até que sucedeu o que Ruy Castro também contou: «O único acidente de sua infância foi acontecer justamente no quintal de sua casa. E esta era a casa para a qual tinham se mudado, na rua dos Caçadores, quando Amaro se tornara guarda da fábrica de tecidos. Ao voltar para almoçar depois de uma pelada, Garrincha foi mordido por Leão, um dos cachorros de seu pai. Ninguém sabia o que dera em Leão. Até então não passava de um vira-lata especializado em dormir e coçar-se. Mas, naquele dia, ele se atirou ao menino e quase lhe abocanhou o pescoço. Enquanto tentavam tirá-lo de cima de Garrincha, o animal conseguiu acertar-lhe umas dentadas no braço. Amaro não conversou: pegou sua garrucha na gaveta, carregou-a e fuzilou Leão. No mesmo dia, a conselho de seu Walter, farmacêutico, Amaro trouxe Garrincha ao Rio para ser examinado e tomar uma injeção anti-rábica. Seu Walter recomendou também que cortassem a cabeça do cachorro para exame. Rosa veio junto no trem, trazendo a cabeça de Leão embrulhada num exemplar de A Noite. No posto médico da rua das Marrecas, constatou-se que nem Garrincha nem o cachorro tinham nada, mas seguro morreu de velho.» NA ESCOLA DA FÁBRICA, MAS POR POUCO TEMPO... Para a escola Garrincha só foi quando já tinha oito anos: - Era a Escola Santana, da própria fábrica, e as professoras de Garrincha no primeiro ano foram dona Olindina e dona Maria das Dores. Eram duas santas: tinham por dogma aprovar a classe inteira. Por mais que Garrincha matasse aula para caçar, pescar ou jogar pelada, elas o passaram para o segundo ano. Neste, em 1942, a coisa foi diferente. A nova professora era dona Santinha, em cujos rigores várias turmas de meninos pau-grandenses já tinham esbarrado e outras iriam continuar esbarrando. Com ela, só era aprovado quem respondesse à chamada e estudasse. Garrincha sofreu os rigores de dona Santinha, mas ficou lhe devendo o pouco que aprendeu a ler - o suficiente para ler gibis ou os letreiros dos filmes, se não passassem muito depressa. O mesmo quanto aos garranchos com que, pelo resto da vida, iria assinar seu nome. Mas seu domínio do bê-á-bá não foi suficiente para promovê-lo ao terceiro ano primário. Levou bomba e decidiu parar por ali – para desgosto de Amaro que, entre muxoxos, tinha uma frase para definir o futuro de seu filho: "Tabacudo não vai pra frente." O CAVALO FICAVA À FOME, AS SOVAS A CINTO E PAU NÃO O EMENDAVAM... Desistindo da escola, o pai deu-lhe uma missão: ir, todos os dias, ao pasto, cortar capim para alimentar o cavalo que ele tinha. Garrincha saía de casa para a cumprir, mas, na maior parte das vezes, o cavalo ficava à fome no resguardo: - A punição eram sovas de cinto ou de vara, todas sem efeito. De corpo moído, Garrincha foi oferecer-se a uma doceira de Pau Grande – para lhe vender as cocadas à porta da fábrica: - Ao fim do expediente, o número de cocadas ausentes não batia com o dinheiro em caixa - Garrincha as comia por conta de sua participação nas vendas e ficava sempre devendo… PARA JOGAR EQUIPA DA FÁBRICA, VARREDOR DA FÁBRICA... Razão porque, achando que ele não levava jeito para negócios, dona Glorinha o despachou. Garrincha tinha, porém, cada vez mais refinado o jeito para outra coisa – e aos 14 anos já não havia em Pau Grande quem não tivesse ouvido falar da magia que tinha nos pés. Na América Têxtil, a fábrica onde o pai trabalhava, havia uma equipa de futebol – e foi para Garrincha ir jogar para lá que lhe ofereceram emprego como varredor da secção de algodão – e logo se viu: vivia faltando às obrigações, várias vezes o apanharam dormindo entre as gigantes caixas de algodão. Apesar disso, não o despediram, Ruy Castro conta porquê: «Porque um dos chefes de seção, seu Boboco, também conhecido como seu Franquelino - na verdade, Franklyn Leocornyl -, era o presidente do S. C. Pau Grande, de cujo time juvenil Garrincha, em 1947, já era uma promessa. Ele o protegia com sublime descaro. Seu Boboco fora um grande jogador do Pau Grande e, como torcedor, estava habituado a ir ao Rio assistir aos cobras: Zizinho, do Flamengo, Heleno, do Botafogo, Ademir, então do Fluminense. Mas Garrincha era outra coisa. Como chefe na fábrica, seu Boboco faria vista grossa a qualquer deslize do garoto, desde que este jogasse no seu time. Mas os chefes de seu Boboco precisavam exercer a sua autoridade e, em 1948, quando já trabalhava na fiação, Garrincha foi demitido. A fábrica não podia comportar um empregado que desse tão péssimo exemplo - e Garrincha era candidato ao título de pior operário que já passara pela América Fabril. Amaro quase morreu de vergonha e, como se lavasse as mãos quanto ao futuro de seu filho, mandou-o arrumar a trouxa e botou-o também para fora de casa...» EXPULSO DE CASA, DORMIA NO CORETO DA IGREJA, COMIDA LEVA-LHE UMA MENINA... De dia se não caçava ou não pescava, aventureiro, jogava pelada, impressionante - e, expulso de casa, Garrincha arranjou, sorrateiro, forma de dormir no coreto da igreja – e só não passou fome porque menina que o conhecera na escola ia, clandestinamente, levar-lhe todas as noites sanduíche que fazia com o que sobrava do jantar. Era Nair, com Nair haveria de casar-se. Ao fim de duas semanas, Boboco convenceu o patrão a readmiti-lo na fábrica, com argumento incontrolável: - … sem ser empregado o moleque não pode ser jogador do nosso time e sem Garrincha o time é nada… O patrão concordou e chamou-o de novo para a América Têxtil. Vendo-o voltar, o pai reabriu-lhe a porta de casa. E Garrincha voltou ao seu destino... ...
A correr no Tempo Na primeira vez em que o Real e o Sporting jogaram para as competições europeias houve bruxas a descerem, sorrateiras, ao Bernabéu - para brincarem com o destino a bailarem de um lado para o outro na barra da baliza de Buyo. Sim, é isso que aqui se conta – muito mais se contando. E nesse muito mais que se conta há Jorge Valdano a ver no Figo o que o Figo já era (e haveria de ser mais ainda…) - Tem o corpo de um atleta, a cabeça de um funcionário e os pés de um bailarino... podendo descobrir-se também no que deu esse Figo que se descobriu em Madrid depois de Figo ter estado quase a ser agredido por adeptos do Sporting em Alvalade. Não, não é só – também se fala do que aconteceu na segunda mão dessa primeira eliminatória da Taça UEFA de 1994/95: da bola a beijar o poste; dos dois penalties por marcar (um deles feito por Quique Flores, esse mesmo…); do Lemajic a queixar-se de que o golo fatal fora obra do vento e a dizer o que parecia que era preciso fazer-se: - … mandar benzer Alvalade! e do Sousa Cintra (que semanas antes fora ameàçado de facada no Cairo...) a pregar contra os deuses do futebol (e se calhar não só…): - … o Sporting eliminado é a maior injustiça que eu já vi no futebol. E sim, talvez tenha sido injustiça assim – é o que se calhar achará, também, quando chegar à última linha desta viagem pela história, por uma história tão cheia de estórias, que levou a que, por exemplo, Carlos Xavier tenha dito que por causa do que Carlos Queirós fez ao Real os jogadores do Sporting conheciam melhor o Real do que as suas mulheres… O primeiro jogo da Taça dos Campeões Europeus fez-se em Portugal – no Estádio Nacional, a 4 de setembro de 1955. O Sporting e o Partizan de Belgrado empataram 3-3 - o primeiro golo da história da principal competição europeia coube a João Martins. Quase 40 anos se passaram – e, nesse período, nem por uma vez o Real Madrid se cruzou no caminho do Sporting, fosse para a Taça dos Campeões Europeus, fosse para qualquer outra competição da UEFA. O sorteio desfez-se enfim desse seu capricho – e, para a primeira eliminatória da Taça UEFA de 1994/95, ditou: Real-Madrid-Sporting. Presidente do Sporting era, então, Sousa Cintra – e logo se lhe soltou o comentário: - O Real Madrid era o pior adversário que nos poderia surgir nesta altura. Queria o Real, mas na final… ANTES DO SORTEIO, A FACA APONTADA A CINTRA NO CAIRO... Em vésperas de sorteio, Sousa Cintra vivera aventura rocambolesca para contratar Emmanuel Amunike – o nigeriano que acabara de ser eleito melhor Jogador de África, batendo George Weah e Rashini Yekini. Estava no Zamalek, vinha de dois golos que deram à Nigéria a Taça Africana das Nações – e, depois de ter vendido Paulo Sousa à Juventus por 600 mil contos (200 mil recebeu ele só pela assinatura de contrato, ficando a ganhar 140 mil por ano em salários…), Cintra correu ao Cairo para contratar Amunike. Conseguira que lhe arranjassem um visto de entrada em cima da hora, à sua espera tinha Abdel-Ghany, o egípcio que jogara no Beira-Mar. Abdel-Ghany levou-o, então, para a sede do Zamalek – onde o esperava a direção do clube, toda ela sentada, numa mesa redonda. Uma parte queria vendê-lo ao Sporting, outra queria vendê-lo ao Duisburgo. Conta-se que, durante a reunião, houve quem, em defesa dos seus desejos puxasse até de uma… faca – e o que logo se soube foi que Cintra conseguira sair de lá com acordo fechado e assinado. No hotel Amunike tidou fotografia com a camisola do Sporting – e horas depois, no aeroporto, apareceu-lhe gente do Duisburgo a tentar desviá-lo para um voo com destino à Alemanha. Voltaram a ver-se cenas surreais, o próprio Amunike o contou: - Depois de na reunião para a transferência um dos dirigentes do Zamalek ter apontado uma faca ao senhor Cintra, porque parece que já tinha um pré-acordo com os alemães, no aeroporto até me tentaram raptar! Não imaginam a confusão. As pessoas do Sporting perceberam o que estava a acontecer e só me lembro de ver alemães a puxar-me por um braço e portugueses por outro… Sim, Amunike foi para Lisboa que veio – e o que Sousa Cintra conseguira, conseguira-o através de promessa de pagamento de 900 mil dólares ao Zamalek. A FIFA acabaria, porém, por subir a verba para um milhão – e por causa do impasse que se vivia na luta entre o Sporting e o Duisburgo, uma certeza havia: Amunike não poderia jogar contra o Real Madrid… A FÉ NO SPORTING E O TREINADOR QUE FEZ 3 GOLOS AO SPORTING... Carlos Queirós substituíra Bobby Robson como treinador, José Alberto Costa era o seu adjunto e ao saber do que sucedera em Genebra não deixou de puxar o fio à esperança: - O Real Madrid não era visto como o adversário ideal, é óbvio – mas sabemos que é possível seguir em frente, também nós somos ambiciosos. Só temos de acreditar e assumir as nossas qualidades e responsabilidades. Se assim for, teremos grandes hipóteses. É uma eliminatória de grande significado para os dois clubes, mas especialmente para o Sporting, pois se eliminarmos este poderoso Real Madrid, poderemos lançar-nos definitivamente para uma grande carreira europeia. A treinador do Real acabara de chegar do Tenerife, Jorge Valdano – e a Rogério Azevedo, enviado especial de A Bola a Madrid, revelou a boa memória que do Sporting tinha: - Há exatamente 20 anos cheguei a Espanha para jogar no Alavés, equipa pequena do País Basco. No dia seguinte, tive de jogar um amistoso contra o… Sporting. Vencemos por 3-0 e eu marquei os três golos. Pensavam que eu seria o salvador da pátria, mas, no resto da temporada, em mais de 25 jogos, apenas marquei mais três golos… A HEPATITE QUE ACABOU COM O JOGADOR QUE VALDANO FORA... O resto era o que se sabia: da II divisão no Alavés saltou, em 1979, para a I no Saragoça – e cinco anos depois o Real Madrid foi lá buscá-lo. Ganhou dois campeonatos e duas Taças UEFA, em 1986 esteve com Maradona na conquista do Mundial do México – e oito meses depois, atacado por uma hepatite B teve de deixar o futebol, tinha 31 anos. Tornou-se jornalista e escritor: - Como jornalista, o meu discurso era romântico. Exaltava o futebol de ataque, os golos, a beleza, a emoção. Certo dia percebi que, tendo uma vida agradável e sem problemas, começava a necessitar de novos objetivos e o estímulo surgiu quando, um dia, ironicamente, me disseram que como jornalista o meu discurso podia ser romântico, mas que, se apostasse na carreira de treinador, teria de deixar a poesia de lado – e quis ganhar a aposta de poder ser um treinador romântico e ganhar… Em 1992 o Tenerife desafiou-o para seu treinador - e em três anos no Tenerife roubou por duas vezes o título ao Real Madrid na última jornada, apurou o clube para a Taça UEFA, esses três anos puseram a Espanha a tratá-lo por «mago», era assim que continuavam a tratá-lo em vésperas de jogo com o Sporting: - Acho que é uma imagem excessiva, essa de me acharam um mago. Tenho um pouco de psicólogo mas não atuo de forma científica. O importante é ter uma relação apaixonada pelo futebol, é o que eu tenho, é o que eu quero que os meus jogadores tenham, sempre… CANTONA? ELES QUERIAM O PRADO E NÃO SÓ... Para Madrid, Valdano levou Redondo, Laudrup, Quique Flores, Amavisca e Sandro: - Todos eles têm um ponto em comum: são futebolistas de grande fantasia e enorme técnica individual… e ao assinar contrato com o Real, deixou claro que não contava com Zamorano, que queria Ruben Sosa. Rámon Mendonza, o seu presidente, sugeriu-lhe Corentin Martins e Davor Suker, Valdano insistiu em Sosa. O Inter considerou-o inegociável, apontou-se a agulha a Eric Cantona: - o Manchester United pediu por ele o museu do Prado com Calvo Serraler dentro… e o nº 9 de Jorge Valdano acabou por ser mesmo quem ele não queria que fosse, o Ivan Zamorano. CARLOS XAVIER E A PROMESSA DE GOLOS... De pronto o afiançou: satisfeito com o sorteio ficou Carlos Xavier – e logo houve quem achasse desconcertante o modo como o encarou: - Sim, estou contente com o Real, muito contente. É uma equipa poderosa, mas perfeitamente ao nosso alcance. Acreditem: é errado atribuir-se favoritismo ao Real. Não é preciso muita coisa para conseguir contrariá-los. Temos de ser eficazes nas ações de contra-ataque. Assim, faremos pelo menos um ou dois golos em Madrid… Por essa altura ainda não se sabia quem seria o guarda-redes do Real, se Buyo se Canizares: - Estou convencido de que serei eu o titular, o Buyo acreditará, certamente, que será ele. O que Valdano decidir, estará bem decidido… O que já se sabia era a reação de Canizares ao modo como Carlos Xavier pusera o sonho verde em órbita: - Ele afirmou que o Sporting pode marcar dois golos em Madrid, mas garanto: não será com essa facilidade toda que ele diz. O Sporting tem jogadores para marcar em Madrid, mas o Real também tem jogadores para marcarem em Lisboa e, sinceramente, acho que o Xavier está a ser demasiado otimista… REDONDO E O BANHO DE SANGUE EM BILBAU... Outra coisa dissera Carlos Xavier: - … não se esqueçam de que o Real não vai poder contar com o Fernando Redondo e isso é vantajoso para o Sporting… A razão por que Redondo não podia jogar – era estar de muletas e o que lhe acontecera para estar de muletas contara-se assim na revista do Real Madrid: «Procura-se um porquê, um motivo, uma razão para que um ato de violência tenha mandado Fernando Redondo durante dois meses para o estaleiro. O mais surrealista é, talvez, que um encontro amigável tenha terminado numa autêntica batalha campal, numa emboscada aplaudida por um público que pedia sangue. A violência foi, como sempre, o sinal mais claro da ausência de razão, de uma razão. A falta de autocontrolo de Ricardo Mendiguren fê-lo entrar na história negra dos que, através de um golpe traiçoeiro, lograram parar um talento do futebol. O caráter amigável do jogo deixará esse ato impune. Porém, nas memórias futebolísticas de qualquer adepto, Ricardo Mendiguren terá de carregar, eternamente, a cruz do antidesportivismo.» O APARATOSO APARELHO E OS 180 MINUTOS TERRÍVEIS... Fora no Atlético de Bilbau-Real, disputado 15 dias antes, que o «golpe traiçoeiro» acontecera – e em vésperas de defrontar o Sporting, Rogério Azevedo, em reportagem para A BOLA, encontrou Redondo à saída do centro médico da «Ciudad Deportiva» do Real com um aparatoso aparelho ortopédico no joelho, a arrastar-se de muletas para o seu automóvel. Depois de contar que um revolucionário tratamento de estímulos elétricos estava a ser utilizado para que a perna esquerda do Robocop não perdesse massa muscular, apanhou-lhe o vaticínio: - Vão ser 180 minutos terríveis. Qualquer das duas equipas tem capacidade para prosseguir em prova, só é pena que, para uma delas, tudo tenha de terminar tão cedo. Não, não quero destacar-lhe nenhum futebolista do Sporting, o Sporting tem muitos bons jogadores e seria ingrato estar a falar de uns, esquecendo outros… À entrada do coche que o esperava, Redondo largou, porém, ainda: - … Adorava reencontrar-me com Balakov e tentar desforrar-me da derrota que a Argentina sofreu com a Bulgária no Mundial. Mas, infelizmente, não vou poder jogar… BALAKOV AMUADO? SE CALHAR SIM (MAS LESIONADO TAMBÉM...) Balakov também não pôde jogar em Madrid – e, por essa altura, tinha o nome na berlinda (e não pelos melhores motivos…) No regresso do Mundial, do brilharete da Bulgária, no Mundial, não o escondera: - … quero ir embora! Mas pior: admitira que uma coisa era jogar numa seleção recheada de craques, outra era ter o papel que tinha numa equipa mais modesta, o que deixara Carlos Queirós com a mostarda no nariz – e Cintra a remoer-se: - O Balakov que veio do Mundial não é o mesmo Balakov que foi para o Mundial… Também se sussurrava que a sua azia se devia a ciúmes: - … ciúmes por ver Figo a tornar-se cada vez mais estrela e pelo carinho com que Amunike era tratado pelo treinador e pelo presidente. (Sim, no final da época sim, já não era Sousa Cintra o presidente, era Santana Lopes – o Sporting deixou-o sair, Balakov foi para o Estugarda.) Não, não foi por castigo (ou assim…) que Balakov não jogou em Madrid, foi por estar ainda a recuperar de lesão – e no seu lugar jogou Carlos Xavier – o Carlos Xavier que ainda em Lisboa lançara em brado: - O Santiago Bernabéu é um daqueles palcos que qualquer jogador gosta de pisar. Se assusta? Não, que ideia! Nenhum campo nos assusta. Em Chamartín o apoio do público entusiasma… até o adversário. E é por isso que eu digo que jogar num estádio assim nunca nos daria susto, dá prazer… O NOVO LOOK DO BERNABÉU E O NACIONALISMO DE PEDRITO DE PORTUGAL... O Real Madrid-Sporting foi o primeiro jogo europeu do Santiago Bernabéu com diferente «look» - esse novo «look» fez-se, além de outras coisas mais, de 9000 metros quadrados de uma relva diferente, a anterior fora-se degradando: - por causa das geadas e da falta de sol… e de bancos novo, totalmente transparentes. 55 mil espetadores deixaram 70 milhões de pesetas nas bilheteiras, Portugal não pôde ver o jogo porque a TVE propusera à RTP «negócio impossível» - e no balneário do Sporting apareceu uma estrela: Pedrito de Portugal, o matador de touros que tinha Espanha a seus pés – e, por essa altura, estava a recuperar de uma colhida que lhe poderia ter sido fatal. Deixou-se fotografar ao lado de Carlos Queirós e afirmou: - Vim ao estádio apoiar o Sporting, não tanto como sportinguista, mas mais como nacionalista. O REMATE FROUXO E A BOLA A FUGIR DE LEMAJIC (E DEPOIS FIGO A ETERNIZAR-SE...) Estava o jogo nos 12 minutos, Sá Pinto perdeu a bola para Martin Vasquéz, o espanhol chutou-a rasteira (e frouxa…), Lemajic deixou-a fugir das mãos – e Vítor Serpa escreveu na sua crónica em A Bola: «Quando o estádio explodiu de entusiasmo pelo golo de Martin Vasquéz temeu-se o pior. Aquele Sporting, depois de consentir um golo daquela maneira, dificilmente se poderia livrar de uma goleada. Poderia mesmo acontecer que a equipa se afundasse por completo nos seus medos e nos seus fantasmas. Em vez disso, o Sporting como que parecia estar à espera de sofrer um golo para acordar. Uma chapada de água fria a revigorar os jogadores e a transformá-los no jogo. Era como se o Sporting tivesse cumprido a sua obrigação de préstimo de vassalagem ao poderoso e histórico Real Madrid. A partir daí estavam pagos, era arregaçar as mangas e jogar de igual para igual. O Sporting subiu no terreno, descobriu-se que, afinal, havia gente a mais nas margens recuadas da equipa e que a defesa (grandes exibições de Nélson, Marco Aurélio, Valckx e Vujacic) bastava e sobejava para controlar o ataque do Madrid. Descobriu-se ainda que o meio-campo sportinguista era capaz de ombrear com o temível meio-campo do Real. Peixe podia perfeitamente controlar Laudrup. Oceano podia despontar para um futebol mais exuberante, mesmo não sendo tecnicamente brilhante; Sá Pinto poderia, finalmente, libertar-se de complexos; acima de tudo e de todos, Figo podia ganhar a carta de alforria e tornar-se na grande figura do jogo, num jogador de incomparável talento que chegou a transbordar classe em Chamartín, chamando a atenção de toda a gente para o seu fantástico talento, infelizmente algo desaproveitado pela menor capacidade concretizadora da equipa.»...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

CORAÇÃO LEVOU LUÍS CASTRO PARA DEBRECEN . Luís Castro, de 36 anos, natural de Moreira de Cónegos, mudou-se de armas e bagagens para Debrecen, na Hungria, onde atualmente é coordenador técnico da academia do clube. A A BOLA contou como foi parar à cidade magiar, uma história de paixões. «Como vim cá parar? Foi algo que faz com que, por vezes, faz-me acreditar no destino. Tinha viagem marcada para Debrecen, de onde a minha esposa é natural, e abriu o curso UEFA PRO em Portugal no verão de 2015, pensei em não viajar porque queria concluir os cursos e era uma oportunidade. Tive uma conversa familiar, decidi viajar com a família, porque já não vinha cá fazia alguns anos, poucos dias após chegar o meu sogro quis mostrar-me a academia onde conheci o diretor atual da formação, Sr. András Herczeg, que é também o melhor treinador de sempre do clube participando na Liga Europa e Liga dos Campeões. Conversámos de futebol como é evidente e encontrámo-nos mais duas vezes durante as férias, mas tudo normal, entre dois apaixonados pelo treino sem nunca imaginar que viria a trabalhar com ele um dia», começou por contar. «Alguns meses após o regresso a Portugal recebi um convite do Sr. András Herczeg para dar uma palestra durante uma semana num curso de treinadores aqui na cidade - durante sete semanas vinha uma pessoa diferente em cada semana e durante a minha semana mostrei como trabalhava em termos de treino, alguns vídeos da minha equipa de sub-19 do Vitória de Guimarães da época 2014/2015 e tive também a oportunidade de orientar alguns treinos com equipas do clube para demonstração, a recetividade foi boa os «feedbacks» também», acrescentou. Foi o mote para surgiu o convite para assumir a coordenação da academia e desde 11 de julho que assentou praça em Debrecen: «Trouxe dois portugueses comigo que estavam no Vitória e, aos poucos, estamos a tentar modificar algumas coisas. Sabendo que nada que seja forte e sustentado se constrói de um dia para o outro. O primeiro passo foi alterar a metodologia de treino para um treino mais específico de acordo com um modelo de jogo, estamos também preocupados com a formação de um sistema de «scouting» onde já temos uma pessoa muito competente, Horváth Csenger, irmão do capitão da seleção de 2000 e jogador do Vitória. Em sintonia com Leonel Pontes Leonel Pontes, antigo adjunto de Paulo Bento no Sporting e na Seleção Nacional, é, atualmente, o treinador da equipa principal do Debrecen. Como é a vossa ligação? - Temos trocado ideias sobre o que deve ser o futuro do clube e felizmente aí as coisas também coincidem, a experiência do Leonel é, num clube em que vivia muito da formação na altura em que ele estava lá, e a minha também num clube em que tirou e continua a tirar frutos da sua formação, neste momento, estamos a limpar o terreno para depois construir algo no futuro. Relativamente a um conterrâneo é sempre bom, pois a cultura é mesma, mas não tenho apenas um no clube somos seis: eu, o Gilberto Freitas, o Roberto Morais, o Leonel, o Pedro Ilharco e o José Pratas. De Mourinho, a Guardiola, Paulo Fonseca e Rui Vitória Luís Castro tem formação de professor do Ensino Básico, variante de Educação Física, no Instituto Politécnico de Bragança, e a nível de futebol tem o Curso UEFA PRO. O futebol sempre foi uma paixão e o gosto pelo treino ganhou-o na universidade. «Como quase todos os jovens em Portugal a paixão pelo futebol é natural num País onde se respira futebol. Pelo treino especificamente foi na universidade, nas aulas de futebol em que começou a crescer o bichinho de que poderia ser ali o caminho para uma paixão de sempre, ainda na universidade já treinava no Vizela os jogadores das escolinhas. O bichinho foi crescendo, a entrega foi total e, felizmente, fui tendo algumas oportunidades de subir e com passos sustentados até chegar onde estou agora», realçou. No que a referências diz respeito, o nome de José Mourinho, claro, vem à baila: «As referências são algumas e vão alterando, umas vezes porque as referências mudam as suas formas de jogar, outras porque aparecem novas. Nesse aspeto tudo começou com uma referência que é natural para todos os que começaram a treinar como eu, no início dos anos 2000, José Mourinho, equipas com futebol atrativo e um treinador diferente, jovem, mentalidade vencedora, professor de Educação Física e com uma metodologia de treino diferente para a altura. Como em tudo na vida as coisas vão mudando, todos os anos sou capaz de me apaixonar por equipas diferentes e verificar o que se passa tentando estudá-las no pouco tempo que tenho livre. Neste momento, as equipas de Guardiola são equipas muito interessantes para mim. Tenho gostado do Dortmund e tenho gostado muito do pouco que pude ver do Sevilha, Sampaoli tem feito algo fantástico, estou ansioso por o ver treinar um clube com jogadores de nível superior. No panorama nacional Paulo Fonseca mostrou uma proposta de jogo muito interessante nos últimos anos, não tive tempo de o ver no Shakhtar, mas vou ter que arranjar. Trabalhei de perto com Rui Vitória, em Guimarães, onde fez um excelente trabalho e penso que, principalmente, na gestão do grupo e na parte mental é muito forte.» A diferença está na mentalidade Questionado sobre as diferenças entre o futebol húngaro e português, Luís Castro é rápido na resposta. - É a mentalidade. Já trabalhei na Arábia Saudita, o que faz com que não estranhe tanto estar fora e estas diferenças. Os portugueses são mesmo muito bons, e quando digo isto refiro-me a treinadores, jogadores e outros intervenientes como diretores, departamento médico, etc. Com uma população de 10 milhões, e infelizmente envelhecida, quem trabalha fora do País consegue perceber porque somos um dos melhores países do Mundo em futebol. Em Portugal treinou as escolinhas e infantis do Vizela, depois os sub-19 do Moreirense, onde também coordenou a formação do clube, e levou a equipa pela primeira vez aos nacionais, voltou ao Vizela, onde treinou iniciados, juvenis e juniores quando apareceu a oportunidade de trabalhar fora de Portugal, a convite de Luiz Filipe, para integrar um projeto na Arábia Saudita, no Al Nasser. «Aí evolui muito, com pessoas que, felizmente, também foram subindo e fazendo o seu caminho. Um ano com pessoas com Luiz Filipe, que neste momento é coordenador de um clube de primeira divisão na China, Tozé Mendes, que coordena outra academia de primeira na China, e Luís Esteves, treinador de guarda-redes da primeira equipa do Benfica. Depois voltei a Portugal para trabalhar num dos grandes do futebol português, o Vitória de Guimarães, onde treinei sub-15, sub-19 e em simultâneo era coordenador da formação nos últimos três anos e meio antes de entrar nesta nova aventura», contou. Nos tempos livres dedica-se ao… futebol Em Debrecen Luís Castro acorda cedo (7 da manhã), uns dias leva a filha ao infantário, outros segue diretamente para o clube, de onde sai por volta das 19. Aos sábados há jogos de manhã até ao fim da tarde e os domingos são reservados à família, mas sempre com um olho nos jogos - Nos tempos livres gosto de ver futebol (risos) jogos de equipas de top europeu ou alguns do campeonato português. Tenho acompanhado mais o V- Guimarães, que está a fazer uma excelente época. Depois gosto de ver um bom filme com a esposa, ou passar num parque infantil com a minha filha. Já fomos ao jardim zoológico, entre outros programas familiares. Também gosto de ler mas, infelizmente, nos últimos tempos não tem acontecido muito. Coordenar um clube retira muito de nós, mas conseguimos perceber mais sobre o que é o futebol do que quando apenas treinamos. E do sente mais falta de Portugal? «De algumas pessoas. Felizmente recebo amanhã a visita da família mais próxima, irmãs cunhado e sobrinha, mas dos amigos e de algumas pessoas com quem trabalhava no Vitória. A comida como todos sabem não existe igual em lado nenhum à cozinha portuguesa, mas felizmente, a minha esposa cozinha muito bem e também gosta da comida portuguesa, o que faz com que, nesse aspeto, não esteja tão mal. Mas, principalmente, sinto falta de um bom marisco com qualidade. A filha não quer esquecer o português De certo que desde que vive em Debrecen já passou por algum episódio engraçado. Quer partilhá-lo com os leitores de A BOLA? «Está a acontecer algo engraçado. Neste momento a minha filha, que não falava húngaro e agora já fala muito bem, num dia destes estávamos os dois a falar, ela em húngaro com a minha esposa, a perguntar algumas palavras em português que não conseguia lembrar-se, e durante a conversa, quando lhe perguntei se já não sabia português, respondeu-me: «Pai fala sempre comigo em português, eu não me quero esquecer das palavras todas.» E quando sabem que é português quais são as questões mais frequentes? «Sabendo que trabalhamos no futebol, as perguntas andam sempre à volta de Ronaldo, Mourinho, entre outras, como o último Europeu. Tenho sido convidado a ver os jogos do apuramento da seleção no bar do clube, onde vemos os jogos de Portugal e Hungria em simultâneo, visto que são do mesmo grupo. Perguntam pela Seleção portuguesa, tenho a opinião que vamos ter uma das melhores, se não a melhor, de sempre dentro de poucos anos. Tive a felicidade de jogar contra alguns deles, como André Silva ou Gelson, e outros com quem não joguei, mas vi jogar, como Cancelo, Bernardo, João Mário, Raphael Guerreiro entre outros. As conversas são sobre futebol, as qualidades de Portugal, entre culinária e paisagens. ...
ANGEL GOMES É ESTRELA NO MAN. UNITED E COBIÇADO PELO BARCELONA. Angel Gomes, filho de Gil Gomes, é visto em Inglaterra como um dos mais promissores jogadores da formação do Manchester United. Mas em Espanha diz-se que o Barcelona já detetou a pérola que ali está e ontem o As mostrava um vídeo com um golo fantástico do filho de Gil Gomes, campeão do Mundo de sub-20 por Portugal com a chamada geração de ouro, com Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto, Fernando Couto, entre muitos outros. Angel Gomes tem apenas 16 anos, feitos a 31 de agosto, e em recente conversa com A BOLA dizia que sonhava chegar à primeira equipa do Manchester United. O treinador José Mourinho ainda não lhe concedeu esse privilégio mas, como se pode ver no vídeo, o jovem Angel continua a espalhar magia pelos relvados ingleses nos jogos da formação. Um nome que deve decorar, já que Angel Gomes é muitas vezes referenciado pelos jornais ingleses como o jogador que mais desequilibra na seleção de Inglaterra de sub-17. Uma pérola! Uma coisa é certa, Angel Gomes vai chamando a si atenções dos maiores clubes da Europa. Resta saber se será mesmo José Mourinho a promover a estreia deste talentoso jogador no clube onde Cristiano Ronaldo maravilhou o mundo. Gil Gomes cauteloso Mas falemos na cobiça do Barcelona: Perguntámos a Gil Gomes como vai convivendo com estas notícias mas o campeão do mundo de sub-20 por Portugal serve-se da experiência que tem para desvalorizar o assunto: «Importante é que o Angel continue a ter todo este prazer em jogar futebol. Não nego que muitos clubes me vão perguntando por ele, mas é o que ele diz sempre… o próximo sonho a realizar é um dia jogar na primeira equipa do Manchester United, clube onde tem vindo a crescer.» ...
JOÃO COIMBRA: DA ROMÉNIA À ÍNDIA COM LEMBRANÇAS DE DERBIES, CEMITÉRIOS E VACAS SAGRADAS . De volta ao futebol português, tendo assinado contrato com o UD Leiria, João Coimbra, 30 anos, fala das experiências que viveu na Roménia (Rapid Bucareste) e Índia (Kerala Blasters). - Fizeste o teu percurso maioritariamente em Portugal, mas depois de um período de lesões no Estoril, surgiu a oportunidade do Rapid de Bucareste. Uma experiência com sabor agridoce, não foi? - Em termos competitivos foi mau. Aliás, acho que o clube vai entrar em falência e deixei lá três meses de ordenado. A nível pessoal, foi uma boa experiência. A minha mulher e a Lara foram comigo e adorámos a cidade. É muito parecida com Lisboa. Também gostei de jogar no futebol romeno, até porque o ambiente no estádio era fantástico. Vivi lá coisas que nunca tinha vivido aqui... - Lembras-te de alguma história curiosa na Roménia? - Eles têm algumas situações curiosas. Antes dos jogos, as equipas fazem um passeio no shopping. Então, é normal em vésperas de um derby encontrarmo-nos com a outra equipa. Só imaginava um Benfica-Sporting no centro comercial Colombo [risos]. O engraçado é que as pessoas também estão habituados e não abordam os jogadores. Lembro-me também de um episódio meio macabro: o estádio do Rapid é ao lado de um cemitério e, numa das vezes que estávamos a sair para um desses passeios, havia um funeral. O estranho é que o morto ia numa carrinha normal de caixa aberta e o caixão estava aberto e inclinado para toda a gente ver a pessoa. Aquilo ficou gravado na minha memória algum tempo. - Depois surgiu o convite do Kerala Blasters, da Super Liga indiana, uma competição que dura quatro meses e que recebe jogadores de todo o Mundo... - Sim, é um campeonato muitíssimo bem organizado, talvez ao nível de um Europeu. A maioria das pessoas não sabe, mas só em dois jogos é que não tivemos mais de 60 mil pessoas nas bancadas. O estádio enche duas horas antes e toda a gente canta e toca tambor. É um ambiente de festa. Lembro-me que o Roberto Carlos era treinador-jogador de uma equipa e que quando veio jogar contra nós, todo o nosso estádio tinha cartazes com a cara dele. Se ele fizesse um golo, o estádio ia abaixo. - Olhando para trás, qual é a primeira lembrança de Cochim, a cidade onde ficaste instalado? - A miséria... As equipas ficam sempre em bons hotéis, é uma espécie de estágio prolongado, o que é ótimo, porque a verdade é que lá não dá vontade de sair. O choque é enorme. Tenho um vídeo no meu telemóvel em que só se vê favelas e um grupo de crianças a jogar à bola num descampado com porcos, vacas e macacos pelo meio. Lembro-me de ver um miúdo chegar-se a um canto, fazer as necessidades e subir as calças logo a seguir. Impressiona, apesar das crianças parecerem felizes. Depois, há a ligação às vacas que são sagradas e estão por todo lado. O trânsito também é caótico, porque os indianos têm a mania de apitar mesmo sem motivo. Em duas faixas, chegam a andar quatro carros lado a lado e motas com famílias inteiras. O que choca mais é mesmo a pobreza. Há muitas mulheres com bebés ao colo a pedir esmola. Mas, no meio de tudo isto, reparei que ainda existem algumas referências a Portugal, nas poucas vezes em que saí do hotel. - Comeste coisas esquisitas? - Que eu saiba, não. Evitava comer comida indiana, aproveitava as massas e as carnes do hotel, mas cheguei a comer coisas deles, sem saber o que eram... Eles comem tudo com as mãos, até arroz. Não é muito higiénico, mas faz parte da cultura indiana. Um dia, fui a um restaurante experimentar a comida indiana, mas exageram sempre no picante e nos molhos. ...
NUNO SILVA: DO PESADELO EM ANGOLA À AVENTURA EM ESPANHA COM A CAMISOLA DE FRANCO. Nuno Silva não vai esquecer tão cedo o dia 29 de julho de 2015. O extremo de 29 anos apresentou-se como reforço do Real Jaén, da 2.ª divisão B espanhola, com uma camisola estampada com a imagem do ditador Francisco Franco e a polémica estalou em Espanha. O assunto foi um dos mais comentados no twitter e o dia que parecia o mais tranquilo e calmo tornou-se num verdadeiro pesadelo. «Recordo como se fosse hoje. Acaba por ser o momento com maior impacto da época, do clube e, claro está, também o momento que teve mais impacto para mim nesta passagem por Jaén. Passei a ser um jogador conhecido por causa de uma camisola. Foram dois/três dias difíceis ao início mas depois demos a volta à situação com os grandes profissionais do clube. O apoio de todos foi determinante para a minha adaptação à cidade e ao clube», recorda Nuno Silva em conversa com A BOLA. «A oportunidade de vir para o Real Jaén surgiu com a maior das naturalidades e sem contar muito. Estava a procurar a melhor solução dentro do mercado português e estava num trabalho de verão com um amigo e o telefone tocou quando menos esperava. Ouvi a proposta e não hesitei pois era um desejo muito grande jogar em Espanha», acrescenta o extremo que em Portugal representou clubes como o União da Madeira, Freamunde, Olhanense, Santa Clara, entre outros. Finda a temporada em Espanha, Nuno Silva faz um balanço positivo e deixa rasgados elogios à qualidade que existe no terceiro escalão do futebol espanhol. «O balanco é super positivo a nível pessoal: realizei mais de 30 jogos, marquei quatro golos, fiz várias assistências e jogos de bom nível. Estou muito feliz com a época que fiz a nível pessoal mesmo com os problemas todos que existiram durante a época. Não tinha a ideia de que a 2.ª divisão B tivesse este nível. Há equipas neste campeonato com orçamentos, estádio, condições de trabalho e adeptos superiores a muitos clubes da Liga portuguesa. Aqui o futebol é vivido com muita paixão», descreve. O carinho dos adeptos exigentes do Jaén A experiência no Real Jaén terminou, mas Nuno Silva garante que não vai esquecer os exigentes adeptos do emblema espanhol. O amor que a afición tem pelo clube é enorme e mesmo nos momentos mais difíceis não deixam de apoiar a equipa. «Os adeptos são exigentes porque o Jaén é um clube grande, que está habituado a estar acima da 2.ª B. Os adeptos querem ver o clube nos escalões acima. São apaixonados e sentem o clube como ninguém. Não são de outros clubes, são apenas do Real Jaén e isso faz-nos perceber o verdadeiro sentido da palavra amor. Mesmo nos momentos difíceis, os adeptos não deixam de apoiar… Incrível. Nos nossos jogos em casa eram sempre no mínimo quatro mil a apoiar», conta o atacante português. Angola: o pior passo da carreira A aventura por território espanhol não foi a primeira além-fronteiras de Nuno Silva. O jogador português esteve 18 meses em Angola mas as coisas não correram como o desejado. Atualmente assume essa mudança como o «pior passo da carreira»… «Não vou esconder que foi o pior passo na minha carreira. Não ponderei os riscos e fui atrás apenas do dinheiro. Pensava que poderia ter uma carreira melhor fora do que em Portugal e ganhar mais títulos e dinheiro. Hoje assumo publicamente que me arrependo de não ter ouvido o meu pai. Tinha apenas 25 anos e estava na Liga [Olhanense] com um grande treinador, o Sérgio Conceição, um grupo de jogadores muito bom e não tive paciência… Reconheço que fui egoísta e egocêntrico quando tomei a decisão de me aventurar por Angola», admite. «Mas tenho de valorizar a passagem por Angola do ponto de vista pessoal. Foi um ano e meio de grande aprendizagem, Obrigou-me a traçar outros caminhos e a reconhecer que estava errado… Aprendi muito e aqui tenho de destacar alguém, que pelas suas qualidades humanas, foi muito importante para mim durante a passagem por Angola: o Professor Vaz Pinto», acrescenta. Futuro? Onde for feliz… O futuro não preocupa Nuno Silva. O extremo português espera encontrar um projeto onde se sinta valorizado por todos. Depois de tudo o que viveu, Nuno garante que o mais importante neste momento passa por agarrar uma oportunidade num clube onde possa ser feliz. «Os meus objetivos passam sempre por ser feliz e nunca ir apenas atrás da melhor solução financeira. Movo-me por paixões e o futebol espanhol é vivido dessa forma. Se me derem a escolher tentarei continuar por Espanha», garante. «Voltar a Portugal está sempre nos planos e sem vaidade posso afirmar que não vou para um projeto de Liga 2 só para estar na Liga 2. Não sinto qualquer complexo em jogar em que divisão for. O mais importante hoje é sentir-me feliz todos os dias em que calço as chuteiras, desejado e importante para as pessoas que me rodeiam no clube. Gostava de voltar para poder ter a alegria de ver os meus pais e filhos a festejarem um golo meu», termina....
 

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Acredita que o Benfica vai conseguir segurar Lindelof em janeiro?

 

resultados

de ontem
Rui Pedro deve continuar a ser aposta na equipa principal do FC Porto?
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02-12-2016 - 17:36
Noticiário
02-12-2016 - 16:21
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