TERÇA-FEIRA, 27-09-2016, ANO 17, N.º 6086
Jogador favorito de Klopp é pupilo de Guardiola
Liverpool Frontal como é seu apanágio, Jurgen Klopp não se coibiu de revelar, em entrevista à Sky Sports, qual o jogador da sua preferência na Premier League. «Gosto de David Silva», respondeu, sem hesitaçõe
«Estará a FIFA a ser complacente?» - Yaya Touré
FIFA O médio costa-marfinense do Manchester City considera que a decisão da FIFA em desativar a unidade anti-racismo «não faz qualquer sentido». «Fui vítima de racismo toda a minha vida, nas ruas e nos
Paul Pierce retira-se no final desta temporada
NBA A NBA vai perder mais uma estrela. Depois de Kobe Bryant, Tim Duncan e Kevin Garnett, Paul Pierce anunciou, na passada segunda-feira, que se vai retirar no final da época de 2016/2017. «É desta. É
Português em testes no Reading
Inglaterra Érico Sousa iniciou um período de testes no Reading, clube que milita no segundo escalão do futebol inglês. O extremo de 21 anos, que já participou num jogo dos sub-23 do Reading, está assim de reg
Neto e Jander falham Boavista
Moreirense O médio Neto e o lateral Jander, peças imprescindíveis na equipa do Moreirense, foram expulsos no jogo com o Vitória de Guimarães e falham o próximo jogo, em casa do Boavista. Também o técnico Pepa
SIC interpõe ação contra a Liga por causa de Rui Gomes da Silva
Liga A SIC fez entrar no Tribunal Arbitral do Desporto uma ação administrativa de impugnação contra a Liga de Clubes, mais precisamente contra a norma que impede os dirigentes de clubes de participar em pr
João Sousa eliminado à primeira na China
Ténis João Sousa, sétimo cabeça de série, foi esta terça-feira eliminado na primeira ronda do torneio de Chengdu, na China. O tenista português, 34.º do `ranking´ mundial, cedeu diante do russo Karen Kha
Quatro baixas para o FC Porto
Nacional O guarda-redes Bolat, o lateral-direito Victor Garcia e o médio Tiago Rodrigues são baixas certas para o encontro de sábado com o FC Porto, em virtude de estarem emprestadores pelos dragões. O avançad
Trabalho a dobrar para jogo capital
Boavista Os axadrezados cumprem esta terça-feira dois treinos. Uma forma de Erwin Sanchez aproveitar o tempo que lhe resta para preparar o jogo com o Moreirense, a realizar-se no Domingo, no Bessa. Desafio
Diogo Amado não se treinou
Estoril No regresso aos trabalhos tendo em vista a deslocação a Vila do Conde, onde no sábado o Estoril defronta o Rio Ave. Diogo Amado esteve ausente devido a gestão de esforço. O capitão já deve, no enta
Boa disposição na viagem para Nápoles
Benfica Foi em ambiente de visível boa disposição que a comitiva do Benfica viajou, na manhã desta terça-feira, com destino a Itália, com vista ao jogo com o Nápoles, no San Paolo, referente à segunda jornada
Raul Meireles pode ser reforço
Lazio Raul Meireles, sem clube depois de ter terminado contrato com o Fenerbahçe, está a ser apontado como potencial reforço da Lazio. Segundo o portal `Calciomercato´, que alude a informações oriundas d
Analisar erros e pensar na Luz
Feirense O plantel do Feirense regressa esta terça-feira aos treinos depois de dois dias de folga. É tempo para começar a preparar a deslocação à Luz, mas, antes de pensar no jogo com o Benfica, o técnico José
Pedrinho tocado mas recuperável
Paços de Ferreira Pedrinho não subiu ao relvado para um curto treino de descompressão muscular, após a vitória sobre o Rio Ave. O médio contratado ao Freamunde continua como totalista de minutos na equipa pacense, embo
Messi felicita Totti pelo 40.º aniversário: «Sempre te admirei»
Barcelona Lionel Messi utilizou as redes sociais para felicitar Francesco Totti no dia em que o avançado italiano celebra o seu 40.º aniversário. «Olá Francesco! Antes de mais desejo-te um feliz aniversário,
Mexidas à vista frente ao Estoril
Rio Ave A derrota em Paços de Ferreira deixou Capucho desgostoso com a resposta dos jogadores na primeira parte, pelo que além de um raspanete moderado no balneário, é expetável a injeção de sangue novo no on
Bruno Monteiro volta ao onze
Tondela Um dia depois da derrota com o Marítimo, o plantel do Tondela regressa aos treinos esta terça-feira. Petit tem três dias para preparar a receção ao Paços de Ferreira, sabendo que está obrigado a me
Nuno Gomes sem preferência entre Júlio César e Ederson
Benfica A pergunta era simples: quem deve ocupar a baliza do Benfica no jogo com o Nápoles, no San Paolo? Nuno Gomes não se comprometeu e optou por deixar elogios aos dois principais guarda-redes das águias.
Tite anuncia substitutos de Marcelo e Casemiro
Brasil O selecionador do Brasil chamou o médio Rafael Carioca, do Atlético Mineiro, e o lateral esquerdo Wendell, do Leverkusen, para os lugares de Casemiro e Marcelo, jogadores que se lesionaram ao serviço
Sorteio da 3.ª eliminatória esta quinta-feira
Taça de Portugal Depois de no domingo ter ficado completa a 2.ª eliminatória da Taça de Portugal, a Cidade do Futebol recebe, já esta quinta-feira (dia 27), o sorteio da 3.ª eliminatória, a primeira fase em que partic
Sadinos não calam a revolta
Vitória de Setúbal A derrota em Braga (1-2) tem sido digerida com manifesta dificuldade. Em especial devido à grande penalidade que Fábio Veríssimo não assinalou a favor do Vitória, por puxão de Rosic a Edinho, lance do
Chaves celebra 67.º aniversário
Chaves O Desportivo de Chaves cumpre esta terça-feira 67 anos de vida, assumindo-se ao longo dos tempos com um dos emblemas mais prestigiados de Trás-os-Montes. A subida à Liga, esta temporada, é o ponto
Seis jogadores no boletim clínico
Benfica São seis os jogadores do plantel principal do Benfica entregues ao departamento médico na véspera do jogo da Champions com o Nápoles, em Itália. Jardel (estiramento muscular na face posterior da co
Marega: goleador de mão-cheia para caçar leões
Vitória de Guimarães Marega está em grande neste início de temporada, com cinco golos apontados em igual número de jogos na Liga. O avançado parte inspiradíssimo para a receção ao Sporting, no próximo sábado, e com o dire
Ghazaryan está em dúvida para jogo com V. Setúbal
Marítimo Após a vitória por 2-0 frente ao Tondela, o Marítimo volta esta terça-feira aos trabalhos para preparar o jogo com o Vitória de Setúbal, marcado para dia 2 de Outubro, às 16 horas. O médio Ghazarya
Baliza aberta na Liga Europa e também no campeonato
SC Braga A baliza bracarense não tem dono. Parece, pelo menos, ser essa a ideia de José Peseiro nos próximos tempos, pelo menos enquanto esta opção resultar. O treinador quer os seus dois guarda-redes – Tiago
Schelotto parte à frente na direita
Sporting Jorge Jesus avisou na conferência de Imprensa que a equipa a apresentar no jogo com o Légia, esta terça-feira, em Alvalade, não sofrerá grandes alterações em relação à apresentada diante do Estoril, d
Derrota no único jogo oficial em Nápoles
Benfica O Benfica jogou apenas uma vez no San Paolo, casa do Nápoles, em partidas oficiais. Aconteceu na Taça UEFA, em 2008/2009. Com Quique Flores no comando técnico, as águias perderam por 2-3, com golos de
Ronaldo sério durante o treino
Real Madrid O Real Madrid realizou o treino de adaptação ao relvado do Dortmund e Cristiano Ronaldo foi o centro das atenções por causa do que aconteceu no último jogo, isto após ter sido substituído frente ao La

classificações

Liga
Liga 2
6. ª jornada
7. ª jornada
classificação
9. ª jornada
10. ª jornada
classificação
30-09
Tondela
20:30
P. Ferreira
Sport TV
01-10
Rio Ave
11:45
Estoril
Sport TV
01-10
Chaves
16:00
Belenenses
Sport TV
01-10
V. Guimarães
18:15
Sporting
Sport TV
01-10
Nacional
20:30
FC Porto
Sport TV
02-10
V. Setúbal
16:00
Marítimo
Sport TV
02-10
Benfica
16:00
Feirense
BTV1
02-10
Boavista
18:00
Moreirense
Sport TV
02-10
Arouca
20:15
SC Braga
Sport TV
02-10
Benfica B
11:15
Santa Clara
BTV1
02-10
Famalicão
11:15
Portimonense
Sport TV
02-10
AD Fafe
11:15
Académica
02-10
Gil Vicente
16:00
Braga B
02-10
V. Guimarães B
16:00
Covilhã
02-10
Varzim
16:00
Freamunde
02-10
Cova Piedade
16:00
Olhanense
02-10
Vizela
16:00
Penafiel
02-10
Académico
16:00
Sporting B
02-10
Aves
16:00
Leixões
02-10
Porto B
17:00
União
PortoCanal
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
6
5
1
0
13-4
16
2
Sporting
6
5
0
1
13-6
15
3
FC Porto
6
4
1
1
11-4
13
4
SC Braga
6
4
1
1
11-6
13
5
V. Guimarães
6
3
1
2
9-8
10
6
Rio Ave
6
3
1
2
8-7
10
7
Belenenses
6
2
3
1
5-5
9
8
Chaves
6
2
3
1
5-5
9
9
Feirense
6
3
0
3
6-9
9
10
P. Ferreira
6
2
2
2
10-9
8
11
V. Setúbal
6
2
2
2
7-7
8
12
Nacional
6
2
0
4
7-8
6
13
Marítimo
6
2
0
4
3-7
6
14
Boavista
6
1
2
3
6-10
5
15
Arouca
6
1
1
4
4-8
4
16
Moreirense
6
1
1
4
4-8
4
17
Estoril
6
1
1
4
5-10
4
18
Tondela
6
0
2
4
2-8
2

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Portimonense
8
6
2
0
17-6
20
2
Santa Clara
7
6
1
0
11-3
19
3
Benfica B
8
4
3
1
9-7
15
4
Penafiel
8
3
4
1
9-7
13
5
Vizela
8
3
4
1
9-7
13
6
Cova Piedade
8
3
4
1
8-6
13
7
Porto B
8
4
1
3
10-11
13
8
Aves
7
3
3
1
11-8
12
9
União
8
3
3
2
8-7
12
10
Braga B
8
2
5
1
10-6
11
11
Académica
8
3
2
3
7-5
11
12
Varzim
8
3
2
3
9-9
11
13
AD Fafe
8
2
4
2
11-12
10
14
V. Guimarães B
8
3
1
4
10-13
10
15
Gil Vicente
8
1
6
1
6-6
9
16
Famalicão
8
2
3
3
9-13
9
17
Leixões
8
1
3
4
5-6
6
18
Freamunde
8
1
3
4
7-9
6
19
Académico
8
1
3
4
8-11
6
20
Sporting B
7
1
2
4
9-15
5
21
Covilhã
7
0
2
5
4-10
2
22
Olhanense
8
0
1
7
8-18
1

Ver classificação detalhada
Como Messi ou Ronaldo, o desertor da tragédia...
Grande História Se no futebol há Ronaldo ou Messi, no basebol começava a haver José Fernández. Aos 15 anos tentou fugir de Cuba, apanharam-no a 10 milhas de Miami – e atiraram-no para uma prisão a abarrotar de criminosos. Mal de lá saiu, procurou desertar outra vez – e antes de tocar terra em Cancún teve de se atirar ao mar revolto e infestado de tubarões para salvar uma mulher, ao resgatá-lo percebeu que era, afinal, a mãe que caíra na balsa e escapara aos tiros da guarda costeira cubana. Quando parecia estar a viver no paraíso, morreu… José Fernández nasceu a 31 de julho de 1992 em Santa Clara – cidade marcante na revolução cubana por ter sido por lá que batalhão liderado por Che Guevara ganhou a batalha que abriu o caminho do fim de Fulgêncio Batista, o ditador que em 1958 governava a ilha. Aos cinco anos, encantou-se pelo basebol: – Nas traseiras da minha casa descobri um ramo de árvore que podia ser o bastão que eu não tinha – e foi assim que tudo começou: com o ramo ressequido da árvore e pedras em vez de bolas, que também não tinha eu, nem tinham os meus amigos. Era tão impressionante o jeito que mostrava que um vizinho o levou para o clube de Santa Clara - era o tio de Aledmys Díaz, que com tal como ele, haveria de espalhar fulgor pela MLB. De lá saltou para a EIDE, a Escuela de Iniciación Deportiva Escolar, a escola para onde vai, em regime de internato, quem mostra talento no desporto. ENTEADO DE MÉDICO, A VENDER TOMATES, ALHOS, CEBOLAS... O pai abandonara a mãe logo após o seu nascimento – e, ainda com o filho de colo, Maritza acabou por ir viver com Ramón Jiménez. Era médico, mas ser médico em Cuba não significava vida fácil – e, por isso, José Fernández contou: - Cheguei a vender tomates, alhos e cebolas no intervalo da escola. O dinheiro que arranjava assim dava-o todo à minha mãe para que ela pudesse ter comida à mesa para nós e às vezes não tinha, não foi muitas vezes, algumas foi. Jiménez recebeu um convite da Venezuela para um congresso de medicina – e querendo levar Maritza e José com ele, o governo de Fidel Castro proibiu a saída de Santa Clara aos três: - Até esse momento não tinha nenhuma razão para querer deixar Cuba, nunca sequer pensara nisso. Mas, a recusa de viagem mudou tudo, deu-me ideia de que, afinal, estava a viver numa prisão, a decisão que tomaram tivera uma razão apenas: o medo que eu desertasse e levasse Jose comigo, Jose já era, então, uma esperança do basebol na ilha. A partir desse instante, Ramon Jimenez não parou mais de imaginar planos para escapar para Miami. 14 vezes o tentou, 13 falhou – e, em 2005, conseguiu, enfim, colocar pé na Florida, ir viver para Tampa. DA PRISÃO À SALVAÇÃO DA MÃE... Maritza e José tinham ficado por Santa Clara – e Ramón não enquanto eles não se lhes juntassem nos Estados Unidos. As duas primeiras tentativas de fuga da ilha falharam, numa delas, depois de sete dias perdidos em alto mar a 10 milhas apenas de Miami, a polícia cubana apanhou os balseros e mandou-os de imediato para a prisão, José passou quase um ano entre grades, partilhando cela com assassinos: - … criminosos dos mais endurecidos que se possa imaginar! Por estar preso, não pude sequer ir à escola, estive um ano sem lá ir. Mas tudo o que passei nesse ano ajudou-me a ser o jogador que sou… Mal de saiu do cárcere, envolveu-se em nova tentativa de fuga a Cuba. Estava-se já em 2007. Jose Fernández tinha, então, 16 anos – e na fuga que deu em sucesso saiu herói da luta contra as águas do mar, de um mar encapelado e infestado de tubarões: - Tínhamos acabado de escapar às balas da guarda costeira cubana, era noite cerrada, as ondas estavam furiosas. Como sabiam que eu era ótimo nadador, puseram-me de olho na água e, ao aperceber-me de que alguém caíra da balsa onde estávamos todos amontoados, saltei ao mar para ir buscar a mulher que gritava. Só ao chegar à sua beira é que percebi que era a minha mãe. Lutámos os dois muito contra a força bruta das águas, mas acabámos por fugir à morte, assim… 1000 DÓLARES, O QUE CUSTOU DESERTAR... Horas depois, o bote com José e Maritza tocou terra do México, à beira de Cancún. A dezena de desertores, que tinham pago, cada um, 1000 dólares, viveram escondidos num casebre do contrabandista que os levara durante mais de uma semana, só depois os levaram, numa rocambolesca viagem de autocarro, para o Texas. Josá e Martiza juntaram-se, assim, a Ramón em Tampa – e em Tampa vivia então outro ilustre desertor cubano: Orlando Chinea, que fora treinador dos melhores lançadores da ilha, andara, também, em aventura pelo basebol no Japão. Ao ouvir falar de um prodígio que acabara de chegar de Cuba, correu a vê-lo – e logo se encantou com ele: - Percebi que poderia estar ali não apenas o melhor lançador cubano de todos os tempos, mas o melhor lançador da história do basebol. Não só pela sua força física, mas sobretudo pela sua força mental… JÁ NÃO TINHA FOME, A FOME DE CUBA... Chinea passou a treiná-lo todos os dias – depois das aulas na Braulio Alonzo High School: - Nesses primeiros tempos, o inglês era o meu grande problema. No liceu, nas primeiras vezes, não sabia sequer onde colocar o meu nome nos exames que tinha de fazer, os colegas nem falar comigo queriam – mas quando me viram jogar basebol tudo mudou, já todos queriam falar comigo, passaram até a falar-me em espanhol. E não foi só: as raparigas desataram a aparecer cada vez mais à minha beira. Graças, sobretudo, aos seus lançamentos os Alonzo Ravens conquistaram dois títulos da Florida na Classe 6 A e Landy Faedo, o treinador da equipa do liceu, revelou-o: - A velocidade dos seus lançamentos aumentou de 80 para 90 milhas – e a razão era uma só. Em Tampa tinha comida, comida que não tinha em Cuba. Chegou ao peso certo, os seus pés deixaram de ir para todas as partes sempre que tinha de lançar a bola. O SIGNIFICADO DO 99 GRAVADO NO ESPELHO DO QUARTO... Por essa altura, já José Fernández gravara o número 99 no espelho do quarto da sua casa em Tampa – a razão revelou-a Rámon Jiménez, o padrasto: - Não, não era o seu número da sorte, não era o seu número favorito. Era a velocidade a que ele queria lançar a bola de basebol, a 99 milhas por hora. Por isso, ao levantar-se para ir para o liceu, olhava o espelho e o que via era isso: 99, o 99 que lhe lembrava o destino, ao lavar os dentes, ao pentear-se. José foi sempre assim, quando entra na luta por alguma coisa, nunca mais baixa a guarda. José Fernández chegou a 1,90 metros e de 98 quilos – e os Miami Marlins levaram-no, sem surpresa, do Draft 2011, dando-lhe de prémio de assinatura 2 milhões de dólares. Bastaram-lhe 27 jogos nas Ligas Menores para que a 7 de abril de 2013, os Marlins o lançassem na Grande Liga – e de pronto começou a bater recordes… Nessa época foi o rookie do ano, escolheram-no para o All-Star Game da MLB e na votação para o Cy Young Award o terceiro melhor pitcher da Major League foi ele. Abriu 2014 ainda em maior fulgor, mas lesão num ombro obrigou-o a 13 meses de paragem, tiveram, inclusivamente, de lhe refazer um ligamento numa complicada operação cirúrgica. Voltou – e voltou a bater vários recordes. A CAMINHO DOS 200 MILHÕES, A MORTE... Se não tinha ainda os lançamentos a 99 milhas por hora na ponta dos dedos, já os tinha, quase todos, a mais de 95 - qualquer coisa como 150 km/h. Começara a falar-se da hipótese de estar a negociar a renovação do seu contrato a troco de 200 milhões de dólares – e às 3 da madrugada do dia 25 de setembro de 2016, a guarda costeira dos Estados Unidos descobriu uma lancha de alta velocidade catamarã enfeixada num recanto rochoso de Miami Beach – e dois corpos a boiarem, mortos, nas águas, outro, cadáver também, preso ao casco. Um deles era o de Jose Fernández. A razão do acidente? A lancha ter-se despistado a alta velocidade devido ao embate numa rocha coberta pela água do mar… Cinco dias antes, José anunciara, eufórico, que Carla Mendoza, a namorada, estava grávida – e fora para as águas de Miami, as águas de Miami de onde tirara a mãe da morte certa, pescar. Era o seu hobby. Nas horas seguintes, por toda a América falou-se dele como se fosse o Messi ou o Cristiano Ronaldo dos lançadores de basebol – e, de lágrimas nos olhos, Orlando Chinea, afirmou: - Era um lançador de sangue frio como não havia outro, fantástico por ter o corpo que tinha e a cabeça que tinha. No primeiro dia em que o conheci, disse-me que quem é capaz de fugir de Cuba aos 15 anos num barco a abarrotar de gente, que quem não tem medo de ir ao mar salvar a mãe de morrer afogada ou na boca de um tubarão, não pode ter medo de nada dentro de um campo de basquetebol. E José não tinha. Não tinha medo de nada, não sofria qualquer tipo de pressão, não tinha qualquer pensamento negativo. Tinha futuro apenas, mas o mar que o trouxe, foi o mar que o levou… ...
Grande História Pernas decepadas, consequências iguais de acidentes diferentes. Impressionante foi, porém, como ambos, ambos italianos, deram a volta à vida – depois de a acharem perdida, num fogacho. É o que lhe contamos aqui na PARTE 2 das incríveis histórias de quem fez História no Rio 2016 (e não só…) – e nalguns casos sem sequer precisar de ganhar medalhas. Onde também se fala de como foi dramático o nascimento do filho de um ator que foi estrela em Star Wars – e do Engenhão levou medalha de ouro, emocionando o gémeo que no útero da mãe lhe sugara o sangue, o transformou em bebé-milagre… O Parque Olímpico do Rio 2016 desenhou-se por entre favela que nascera do abandono de um ícone do automobilismo: o autódromo de Jacarepaguá. Não, não foi com a Fórmula 1 que ele se fechou, foi com as corridas da Fórmula Indy – e foi lá, em Jacarepaguá, numa corrida da Fórmula Indy em 1996 que Alex Zanardi fez a primeira pole position da sua carreira. O modo como, em 1991, estava a agitar a Fórmula 3000 levara a que a Jordan o fosse buscar para os três últimos grandes prémios da época na Fórmula 1. De lá saltou para a Minardi e a Lotus – e em 1993 saiu do GP do Brasil em sexto lugar. Dois anos depois, desafiaram-no para os Estados Unidos – e logo se começou a notar o seu fulgor com várias vitórias na CART Championship. PENSAVA QUE SE IA MATAR, NÂO SE MATOU... Pela Ganassi ganhou o campeonato de 1997 e 1998, a Williams chamou-o de novo à Fórmula 1 – mas, achando que o seu paraíso estava na Indy, em 2001 voltou à CART Championship. Não, não estava – o que estava era o inferno a abrir-se-lhe, traiçoeiro e cruel no GP de Lausitz, na Alemanha. Lutava por mais uma vitória, a 13 voltas do fim teve de fazer um pit stop, na saída, perdeu o controlo do carro, do embate do muro resvalou para o centro da pista, foi atingido pelo canadiano Alex Tagliani a mais de 300 à hora: - Antes do acidente, perguntava-me o que faria se algo assim acontecesse, se tivesse de ficar, como fiquei, sem as duas pernas. A resposta que me dava era que ia matar-me. Mas, quando aconteceu, isso não me veio à cabeça. Estava muito feliz de estar vivo. Sabia que o pior tinha passado. Fui reanimado sete vezes, fiquei sem sangue. De acordo com a ciência, eu não tinha nenhuma chance de sobreviver – e sobrevivi. A NOVA VIDA NA MARATONA DE NOVA IORQUE… Não, não se limitou a sobreviver – continuou a viver a desafiar o destino, vários destinos: - Um ano depois, voltei a Lausitz para fazer as 13 voltas que faltavam para completar a corrida – e fil-las. De seguida, lancei-me a provas do Campeonato Europeu de Turismo e do WTCC, num carro adaptado através de desenho que eu próprio propus. Como piloto BMW, no WTCC, o Campeonato Mundial de Turismo, obteve, entre 2005 e 2009, quatro vitórias e 10 lugares de pódio – e nesse entretanto já se dividira por outra aventura: - Em 2007 descobri o prazer do paraciclismo – ao experimentar um daquele triciclos que não se pedalam com os pés, movimentam-se com as mãos e a minha ideia foi logo ir assim fazer a Maratona de Nova Iorque. Bastaram-lhe quatro meses de treinos – para sair de Nova Iorque em quarto lugar. Três anos depois, o campeão da Maratona já foi ele. Atreveu-se aos Jogos Paralímpicos – e em Londres ganhou a medalha de ouro no contrarrelógio e na prova de estrada – e a medalha de prata na prova por equipas. DA POLE POSITION EM JACAREPAGUÁ À MEDALHA QUE REPETIU A HISTÓRIA… No circuito da praia do Pontal, Alex Zanardi lançou-se à sua primeira competição no Rio 2016: o contrarrelógio. Ganhou-o, arrasador: - OK, o paraciclismo não foi no Parque Olímpico, mas não foi longe do Parque Olímpico, foi à sua beira – e, ao saber que o Parque Olímpico iria ser construído no circuito onde corríamos na Fórmula Indy, onde eu conquistei a minha primeira pole position, pensei: «Sempre fui tão rápido lá, que passei a amar aquele lugar – e por isso tenho de lá voltar. É verdade que, tendo estado sempre perto, não conseguiu vencer em Jacarepaguá como automobilista – e então pensei: vai procurar que aconteça o que aconteceu em Londres. Nos Jogos de 2008, o paraciclismo foi em Brands Hatch, onde eu também não ganhara como automobilista, mas levara de lá as minhas primeiras medalhas paralímpicas. Para alguém tão romântico como eu foi muito especial que a história se repetisse – e por isso senti no pódio emoção que nunca sentira antes, depois de uma vitória. SEM SABER SE VAI CONTINUAR A FAZER MILAGRES… No dia seguinte, no dia em que fazia 15 anos que Zanardi passara pelo drama de Lausitz, venceu de forma ainda mais arrasadora a prova de estrada – e foi, sobretudo, por ele que a Itália também venceu a prova de estafetas. Com as três medalhas de ouro no Rio, Zanardi tornou-se o atleta paralímpico mais medalhado da história em apenas dois Jogos: - Sim, em Tóquio-2020, terei 53 anos. Parece já de mais, não é?! Mas não sei, sinceramente, se poderei continuar a fazer milagres. O que é certo é que eu não imaginava que, aos 49, pudesse sequer estar no Rio – e não me limitei a estar no Rio, conseguiu estar a um bom nível competitivo. Posso sentir que já não sou o atleta que era no ano passado, mas foi suficiente para ganhar. Por isso digo: não sei o que acontecerá daqui por quatro anos. Uma coisa eu sei: tenho um monte de projetos na cabeça e não vou deixar-me ficar entediado se não puder ser atleta mais tempo - porque tenho muitas outras coisas para fazer. Mas se estiver bem, se continuar bem, por que não Tóquio? Eu não faço isso pela ambição de ganhar medalhas de ouro, só quero ter o trazer de continuar a andar de triciclo como ando e é por por isso que eu ganho as medalhas de ouro que já ganhei. ...
Grande História Se há espaço onde a realidade pode ultrapassar a ficção é nos Jogos Paralímpicos – nas incríveis histórias de vida de quem por lá passa a desafiar o destino e a vencê-lo por mais atroz que ele tenha sido. O que aqui se conta são algumas dessas histórias, histórias eventualmente chocantes – sobretudo aquelas que passam por americanas que fugiram do inferno que eram os orfanatos soviéticos para onde se atiraram vítimas de Chernobyl, havia fome, havia abusos (e sim, sexuais também…) Trischa Zorn nasceu a 1 de junho de 1964 em Orange, na Califórnia – e logo se percebeu que sofria de aniridia, rara doença congénita que deixa os olhos sem a íris. Cresceu, claro, sem ver – e aos 10 anos os pais inscreveram-na no clube de natação da cidade. Foi assim que se lhe abriu caminho à eternidade. Ainda antes de entrar para a Universidade do Nebraska saiu dos Jogos Paralímpicos de 1980, disputados em Arnhem, na Holanda com sete medalhas de ouro. Acabou o curso com distinção, ficou na universidade como professora – e em Atenas-2004 fechou a carreira com 51 medalhas paralímpicas, 41 de ouro, 9 de prata e 5 de bronze. Não há quem tenha mais – e o homem que mais perto está da façanha de Trischa é Daniel Dias, que no Rio-2016 chegou às 24 medalhas e de lá levou mais nove (4 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze), pondo o mundo a tratá-lo como o Michael Phelps dos Paralímpicos. AO SABER COMO NASCEU O PAI DESMAIOU... A história de Daniel Dias começou a 24 de maio de 1988, na cidade de Campinas, Rosana, a mãe, que dava, então, os primeiros passos como professora, contou-a assim: - Naquela época não se fazia o exame de ultrassom no pré-natal na cidade onde morávamos – e vendo que a bolsa se rompeu o médico achou melhor procurarmos uma maternidade com mais recursos. Então fomos para Campinas e às 3.30 horas Daniel nasceu prematuro. Quando a enfermeira disse que era um menino e não tinha nem pés, nem mãos, meu marido desmaiou. Chorámos muito e pedimos forças a Deus. Quando pude me levantar e ir ao seu encontro, passei a mão em sua pele e Daniel sorriu. Jamais esqueceremos aquele momento emocionante. Aquele sentimento de incertezas sumiu e o sentimento de amor maior surgiu, Daniel é o nosso campeão desde quando nasceu – e para nós foi sempre uma criança normal, nunca o escondemos, nunca tratámos ele como coitadinho, pelo contrário. PELA VITÓRIA? NO CONCURSO DE PINTURA COM CAVALO VOANDO... Aos três anos passou a andar de próteses – e foi assim que entrou para a escola em Camanducaia, Minas Gerais: - Passei por preconceito no colégio, houve colegas que queriam me tocar para ver se eu era verdade. Se primeiro chegava chorando em casa, agradeço aos meus pais a sabedoria de me dizer que eu poderia mostrar para eles que não era porque eu ser deste jeito que não podia realizar o que eles faziam, brincar, jogar, escrever, pintar. Nesse período teve um concurso de pintura lá na escola, eu ganhei ele. Ganhei porque estava bonito mesmo, tinha até cavalo voando… Foi algo incrível para mim, o grande começo: depois dos preconceitos que passei - fui chamado de Saci, de aleijado - mostrei para mim que eu tinha que tirar o preconceito de dentro também. E foi esse momento que quebrou as barreiras neles e em mim criou a ideia de a cada dia me ir superando sempre, mais e mais. PROBLEMA NO FUTEBOL? AS PRÓTESES PARTIDAS... Encantado por desporto, Daniel até futebol jogava, no recreio do colégio: - Problema era um só: eu quebrava muitas próteses. A minha mãe ficava muito brava porque a gente morava em Camanducaia e tinha que viajar para São Paulo para arrumar as próteses. Eu ia pra escola e a minha mãe pedia: «Não joga bola hoje». Mas eu não aguentava, sentava, ficava olhando, e dizia: «Não vai dar». Tinha dia que eu voltava de São Paulo, ia jogar e quebrava a perna de novo, literalmente. O parafuso soltava e ficava uma parte da prótese na perna e a outra solta no chão. De tanto acontecer isso a gente foi lá e meu pai pediu uns 10 ou 15 parafusos para conseguir remendar e não precisar ficar viajando tanto… Hoje até brinco que quando comecei eu era o último a ser escolhido no futebol, mas logo depois já não era mais o último. Pode parecer algo pequeno, simbólico, mas não: é algo grandioso se a gente pensar no que eu cresci com isso - e quem já jogou bola sabe que ser o último ser escolhido não é fácil, não. SEM MÃOS, A TOCAR BATERIA NA IGREJA... Aos 12 anos, aprendeu a andar de bicicleta –por essa altura o sonho de Daniel Dias era ser baterista: - … baterista de uma banda de rock alternativo. Não tendo mãos, aprendi a tocar bateria com uma espécie de munhequeira desenvolvida pela minha mãe. Para a natação fui, depois: no fim de 2004, com 16 anos. Em dois meses e em oito aulas aprendi os quatros estilos – e logo me chamaram para a competição. Nesse tempo tocava na banda da igreja evangélica que nossa família frequentava – e quando chegou o momento em que tive que optar entre bateria e natação, escolhi o certo, com a ajuda de Deus. Na igreja conheceu Raquel, com ela se casou. Têm dois filhos – e o resto é o que se sabe: quatro medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze em Pequim-2008; seis medalhas de ouro em Londres-2012; e quatro medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze no Rio-2016: - Para isso, Daniel teve de treinar cinco horas por dia, em dois períodos. Na reta final para os Jogos do Rio teve até que ficar longe da família, preparando-se durante um mês em Espanha… Isso foi Paulo Dias, o pai que o disse – e também se ficou a saber, entretanto, que Daniel já vive com outro objetivo a agitar-se-lhe na cabeça: não, não é ganhar ainda mais medalhas em Tóquio – é fazer o curso de Engenharia Mecatrônica. ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

NUNO SILVA: DO PESADELO EM ANGOLA À AVENTURA EM ESPANHA COM A CAMISOLA DE FRANCO. Nuno Silva não vai esquecer tão cedo o dia 29 de julho de 2015. O extremo de 29 anos apresentou-se como reforço do Real Jaén, da 2.ª divisão B espanhola, com uma camisola estampada com a imagem do ditador Francisco Franco e a polémica estalou em Espanha. O assunto foi um dos mais comentados no twitter e o dia que parecia o mais tranquilo e calmo tornou-se num verdadeiro pesadelo. «Recordo como se fosse hoje. Acaba por ser o momento com maior impacto da época, do clube e, claro está, também o momento que teve mais impacto para mim nesta passagem por Jaén. Passei a ser um jogador conhecido por causa de uma camisola. Foram dois/três dias difíceis ao início mas depois demos a volta à situação com os grandes profissionais do clube. O apoio de todos foi determinante para a minha adaptação à cidade e ao clube», recorda Nuno Silva em conversa com A BOLA. «A oportunidade de vir para o Real Jaén surgiu com a maior das naturalidades e sem contar muito. Estava a procurar a melhor solução dentro do mercado português e estava num trabalho de verão com um amigo e o telefone tocou quando menos esperava. Ouvi a proposta e não hesitei pois era um desejo muito grande jogar em Espanha», acrescenta o extremo que em Portugal representou clubes como o União da Madeira, Freamunde, Olhanense, Santa Clara, entre outros. Finda a temporada em Espanha, Nuno Silva faz um balanço positivo e deixa rasgados elogios à qualidade que existe no terceiro escalão do futebol espanhol. «O balanco é super positivo a nível pessoal: realizei mais de 30 jogos, marquei quatro golos, fiz várias assistências e jogos de bom nível. Estou muito feliz com a época que fiz a nível pessoal mesmo com os problemas todos que existiram durante a época. Não tinha a ideia de que a 2.ª divisão B tivesse este nível. Há equipas neste campeonato com orçamentos, estádio, condições de trabalho e adeptos superiores a muitos clubes da Liga portuguesa. Aqui o futebol é vivido com muita paixão», descreve. O carinho dos adeptos exigentes do Jaén A experiência no Real Jaén terminou, mas Nuno Silva garante que não vai esquecer os exigentes adeptos do emblema espanhol. O amor que a afición tem pelo clube é enorme e mesmo nos momentos mais difíceis não deixam de apoiar a equipa. «Os adeptos são exigentes porque o Jaén é um clube grande, que está habituado a estar acima da 2.ª B. Os adeptos querem ver o clube nos escalões acima. São apaixonados e sentem o clube como ninguém. Não são de outros clubes, são apenas do Real Jaén e isso faz-nos perceber o verdadeiro sentido da palavra amor. Mesmo nos momentos difíceis, os adeptos não deixam de apoiar… Incrível. Nos nossos jogos em casa eram sempre no mínimo quatro mil a apoiar», conta o atacante português. Angola: o pior passo da carreira A aventura por território espanhol não foi a primeira além-fronteiras de Nuno Silva. O jogador português esteve 18 meses em Angola mas as coisas não correram como o desejado. Atualmente assume essa mudança como o «pior passo da carreira»… «Não vou esconder que foi o pior passo na minha carreira. Não ponderei os riscos e fui atrás apenas do dinheiro. Pensava que poderia ter uma carreira melhor fora do que em Portugal e ganhar mais títulos e dinheiro. Hoje assumo publicamente que me arrependo de não ter ouvido o meu pai. Tinha apenas 25 anos e estava na Liga [Olhanense] com um grande treinador, o Sérgio Conceição, um grupo de jogadores muito bom e não tive paciência… Reconheço que fui egoísta e egocêntrico quando tomei a decisão de me aventurar por Angola», admite. «Mas tenho de valorizar a passagem por Angola do ponto de vista pessoal. Foi um ano e meio de grande aprendizagem, Obrigou-me a traçar outros caminhos e a reconhecer que estava errado… Aprendi muito e aqui tenho de destacar alguém, que pelas suas qualidades humanas, foi muito importante para mim durante a passagem por Angola: o Professor Vaz Pinto», acrescenta. Futuro? Onde for feliz… O futuro não preocupa Nuno Silva. O extremo português espera encontrar um projeto onde se sinta valorizado por todos. Depois de tudo o que viveu, Nuno garante que o mais importante neste momento passa por agarrar uma oportunidade num clube onde possa ser feliz. «Os meus objetivos passam sempre por ser feliz e nunca ir apenas atrás da melhor solução financeira. Movo-me por paixões e o futebol espanhol é vivido dessa forma. Se me derem a escolher tentarei continuar por Espanha», garante. «Voltar a Portugal está sempre nos planos e sem vaidade posso afirmar que não vou para um projeto de Liga 2 só para estar na Liga 2. Não sinto qualquer complexo em jogar em que divisão for. O mais importante hoje é sentir-me feliz todos os dias em que calço as chuteiras, desejado e importante para as pessoas que me rodeiam no clube. Gostava de voltar para poder ter a alegria de ver os meus pais e filhos a festejarem um golo meu», termina....
RUI JANOTA CONCRETIZOU SONHO ANTIGO EM ANGOLA. Rui Janota começou a temporada no Real Massamá, do Campeonato de Portugal, longe ainda de imaginar aquilo que o destino tinha reservado para si. O telefone tocou e do outro lado um convite inesperado, mas que lhe permitia cumprir um dos maiores sonhos: ser jogador profissional. Colocou os prós e os contras na balança e decidiu aceitar o desafio de rumar a Angola para representar o 1.º de Maio de Benguela. Nos primeiros meses apanhou paludismo e febre tifoide numa realidade «completamente diferente». A falta pontual de luz, de água, as estradas terríveis, o calor infernal e a pobreza nas ruas são apenas alguns dos problemas de um país que vive e muito o futebol. O que falta? A família. Mas a vontade de triunfar e de dar um bom futuro aos seus tem sido o foco do médio português de 26 anos. «É uma realidade completamente diferente daquela a que estava habituado, mas tem sido bom. Ao início tive algumas dificuldades, pois estou num país diferente e acontecem aqui coisas que pensava que não existiam. Estava muito preocupado com a segurança. Vim completamente sozinho e quando cheguei ao aeroporto nem sabia para onde ir. E as saudades…Estou longe da família e isso custa-me… Mas sei que vou conseguir melhorar a minha vida», começa por contar Janota, em conversa com A BOLA. «Dizem que vivo na melhor cidade. Benguela é a província mais limpa e segura. Mas não sou indiferente ao que se passa em certos bairros. Aqueles miúdos que andam no campo descalços, que não se alimentam e andam atrás de ti a pedir água… é chocante. Custava-me lidar com isso diariamente. Agora aproveito essas ocasiões para brincar com eles», sublinha. 12 horas de viagem entre Benguela e Luanda Cerca de 500 quilómetros separam Benguela de Luanda. Uma distância considerável tendo em conta que o 1.º de Maio tem várias deslocações à capital angola. Esta temporada já foram cinco as jornadas em que o emblema de Janota teve de visitar Luanda e em quatro delas foram… de autocarro. «É uma viagem difícil. Os autocarros não são os melhores, as estradas têm muitos buracos e… doze horas de viagem. A nível pessoal tem sido uma experiência incrível, pois ganho forças para conseguir aguentar tudo. Tenho aprendido muito nestes meses sozinho», assegura. Pese as dificuldades, Rui Janota faz um balanço positivo dos primeiros meses em Angola: «Receberam-me bem no clube, tanto o treinador como os meus colegas. O facto de a língua ser a mesma ajuda, no entanto se falarem rápido não percebo nada. Mas agora acho que já falo um pouco como eles. Ultimamente, quando falo com a minha família perguntam-me sempre porque é que estou a falar ‘daquela maneira’…», conta entre risos. «O balanço acaba por ser positivo. As coisas estão a correr bem. Estou aqui para conseguir dar o salto para um clube melhor e a verdade é que alguns clubes já falaram comigo. Voltar para Portugal? Não sei… Gostava mas sei que em Portugal é muito complicado ser jogador profissional. Para quem quer construir família, como é o meu caso, acaba por ser muito complicado porque os ordenados não são nada por aí além», acrescenta Janota. Treinos com cinco mil (!) adeptos A paixão do povo angolano pelo futebol é genuína. E o exemplo que Rui Janota nos conta é sinal disso mesmo. Cinco mil adeptos a assistirem a um simples treino prova que o desporto-Rei move multidões num país onde a taxa de pobreza ainda é bastante significativa. «Aqui os adeptos vivem muito mais o futebol. Não há outras atrações. Temos treinos com cerca de quatro a cinco mil pessoas. Incrível. E festejam os golos nos treinos como se estivessem a ver um jogo a sério…», resume. «Quais as diferenças para o futebol português? Aqui [em Angola] existe qualidade técnica, mas em Portugal o jogo é mais estudado. A nível tático é muito mais evoluído em Portugal. Aqui é mais talento puro do que tático. E a nível físico, em Angola é mais exigente». Rui Janota cumpriu um sonho num país absolutamente diferente daquilo a que estava habituado. Os amigos, a namorada, a família… todos eles estão em Portugal a torcer para que as coisas corram bem ao médio. O que fica? As saudades. «Tenho muitas saudades dos meus amigos e da minha família. Morava numa zona calma e estava sempre em casa de amigos. Aqui não tenho ninguém. Treinamos de manhã e depois tenho o dia todo para fazer o que quiser. São muitos tempos mortos. Os meus colegas não gostam de praia, de piscina… Não há um centro comercial, nada… Ou vou para a piscina sozinho ou jogo Playstation. Mas isto se tiver luz…», termina....
FÁBIO ESPINHO: O DESEJO DE TRIUNFAR NO MÁLAGA APAGA A MÁGOA POR O QUE FALTOU CONQUISTAR EM PORTUGAL. Fábio Espinho chegou ao Málaga no início da temporada passada, depois de duas épocas de bom nível ao serviço do Ludogorets, clube no qual conquistou dois Campeonatos da Bulgária, uma Taça e brilhou nas competições europeias contra equipas como o Real Madrid e o Liverpool. A estreia na liga espanhola não foi a desejada, marcada pela escassa utilização, e o médio português acabou por sair no mercado de janeiro com destino a Moreira de Cónegos. «Como todos sabem, em Espanha não fui muito utilizado, por opção do treinador. Sempre estive habituado durante a minha carreira a jogar, senti que devia sair para ir em busca desses minutos que são importantes para mim. Sabia que o Moreirense podia dar-me isso e felizmente as coisas correram como eu esperava. Acho que o balanço é completamente positivo, pois contribuí para o objetivo do clube: a manutenção», assume Fábio Espinho em conversa com A BOLA. «Claro que o facto de ter jogado no Moreirense pesou no momento da decisão. Sempre mantive uma excelente relação com toda a estrutura e eles também quando souberam da minha situação fizeram questão de saber a minha disponibilidade em regressar. Foi assim que surgiu a oportunidade», acrescenta. Objetivo: afirmação no Málaga Habituado a ter um papel importante nas equipas que tem representado ao longo da carreira, o médio de 30 anos sente que está em dívida com o clube que o contratou no verão de 2015 e promete trabalhar no máximo para merecer a confiança do novo treinador do Málaga, o espanhol Juande Ramos. «Tenho mais um ano de contrato. O meu desejo passa por regressar ao Málaga e conseguir afirmar-me, uma vez que não tive essa oportunidade a temporada passada. Desde que cheguei, procurei sempre trabalhar no máximo e, das poucas oportunidades que tive, acho que estive bem. Agora, as decisões cabiam ao treinador [n.d.r. Javi Gracia] e eu só tinha de respeitar», reconhece Fábio Espinho, sem esquecer o trabalho que desenvolveu na Bulgária, fundamental para dar o salto para uma das «melhores ligas do mundo»: «Foram dois anos completamente espetaculares na Bulgária. O primeiro ano quando cheguei consegui ganhar tudo. No ano seguinte abrilhantámos ainda mais o nosso percurso com a participação na Liga dos Campeões. Fui muito feliz na Búlgária. Sinto também que fui um jogador muito importante num sítio onde me senti muito bem e valorizado. Com o que fiz lá consegui dar o salto para o campeonato espanhol, uma liga de sonho para muitos jogadores. Ficou o sabor amargo na época de estreia, mas espero ter a minha oportunidade este ano.» O que faltou para ter outra carreira…em Portugal Fábio Espinho cumpriu toda a sua formação no FC Porto, mas nunca conseguiu chegar à equipa principal dos dragões - ainda esteve duas temporadas na equipa B, seguindo depois para o Sporting de Espinho. Chegou à Liga em 2009 pela porta do Leixões e destacou-se no Moreirense, ao ajudar a equipa a subir da Liga 2 ao principal escalão do futebol português, em 2011/2012. As duas temporadas em Moreira de Cónegos despertaram o interesse do Ludogorets e depois, como já referido, deu-se o salto para o Málaga. Mas afinal o que faltou para Fábio Espinho conseguir chegar a um dos designados grandes do futebol português? «Esperava fazer outra carreira aqui em Portugal, mas assim não foi possível... Não escondo que perspetivava outro tipo de carreira no meu país, mas não sei quais foram os motivos para isso não acontecesse...Mas consegui lá fora o que não consegui em Portugal e fico também feliz por isso», remata....
IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
 

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