TERÇA-FEIRA, 31-05-2016, ANO 17, N.º 5967
Condição física de Willian provoca discussão nas redes sociais
Brasil Embora a Premier League tenha terminado apenas há duas semanas, a condição física do brasileiro Willian (Chelsea) suscitou forte discussão nas redes sociais, isto por causa das fotos do jogador na par
Salva Chamorro dispensado
Barcelona O avançado espanhol Salva Chamorro, que em janeiro deixou o Tondela para atuar pelo Barcelona B, foi agora dispensado pelo clube catalão. O jogador, de 26 anos, atuou em 16 jogos pela equipa secund
Beto é um jogador livre
Sevilha O guarda-redes português Beto terminou, esta terça-feira, a sua ligação com o Sevilha, após três anos e meio, pelo que é livre para decidir o seu futuro «Hoje é um triste para mim… Desses dias que
José Gomes muda-se para o campeão Al-Ahli
Arábia Saudita O português José Gomes deixou o Al-Taawon e assinou contrato válido com o Al-Ahli, atual campeão da Arábia Saudita. «Queremos ganhar todas as provas. A exigência é máxima perante um legado vitorios
Pogba compra casa em Barcelona
Juventus O médio Paul Pogba (Juventus) comprou uma casa em Barcelona e essa situação vem aumentar ainda mais os rumores em torno do seu futuro. A agência encarregue da compra já veio a público, em declarações
Luisão em aula de José Mourinho na Faculdade de Motricidade Humana
Futebol O defesa do Benfica, Luisão, marcou presença esta terça-feira numa aula dada por José Mourinho na Faculdade de Motricidade Humana, no âmbito da Pós-Graduação em Treino de Futebol de Alto Rendimento.
Hodgson corta Drinkwater, Townsend e Fabian Delph para o Euro-2016
Inglaterra O selecionador de Inglaterra, Roy Hodgson, apresentou a lista definitiva de 23 jogadores para o Euro-2016, cortando os nomes de Danny Drinkwater (Leicester), Andros Townsend (Newcastle) e Fabian Delph
Nápoles tem acordo com Herrera
FC Porto Segundo noticia o «site» italiano sportmediaset, o Nápoles chegou a acordo no que diz respeito aos termos de contrato com Hector Herrera. Falta agora definir a transferência com o FC Porto. De acor
Lacazette pode ser negociado para o PSG
Lyon O presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, clarificou que estará disponível para negociar passe de Alexandre Lacazette, isto desde que rapidamente seja apresentada uma proposta oficial. «Se o Paris S
Mkhitaryan não renova
Borussia Dortmund O empresário de Henrikh Mkhitaryan revelou que o jogador não estará a pensar em renovar pelo Dortmund. «Não vejo razão para ele renovar agora? Mkhitaryan tem contrato até 2017 e nós continuamos a r
«Portugal é tão favorito como os outros» - Mourinho
Euro - 2016 José Mourinho não ficaria admirado se Portugal ganhar o Euro-2016. Para o agora treinador do Manchester United, a Seleção Nacional está naturalmente entre o lote de favoritos. «A Seleção portuguesa
Schweinsteiger convocado; Reus de fora do Europeu
Alemanha O selecionador alemão Joachim Low deixou Marcus Reus (lesionado) de fora do Europeu, mas convocou Bastian Schweinsteiger, mesmo tendo em conta as dúvidas em torno da condição física do jogador. Kar
«Quero ficar na Europa» – Pato
Chelsea O avançado brasileiro Alexandre Pato revelou que pretende continuar a jogar na Europa, isto mesmo que não continue no Chelsea. «Quero ficar na Europa. A minha cabeça está centrada na Europa e quero
Ricardo Carvalho não sabe se irá continuar
Mónaco O defesa-central Ricardo Carvalho revelou que ainda não sabe se irá continuar na próxima temporada ao serviço do Mónaco e que, nesta altura, está concentrado apenas em ajudar a Seleção Nacional. «S
Gilistas aguardam notificação sobre o ‘caso Mateus’
Gil Vicente O Gil Vicente só hoje deverá ser notificado da decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa (TACL), que deu razão ao clube no chamado caso Mateus. O acórdão entendeu declarar nula a pena de
Senderos dispensado da seleção
Suíça O defesa-central Philippe Senderos (ex-Arsenal e atualmente no Grasshopper) foi dispensado da seleção da suíça. «Senderos atravessa uma fase complicada da sua carreira. Ele perdeu alguma da confian
Selecionador sonha com segundo lugar no grupo de acesso ao CAN 2017
Angola José Kilamba, selecionador de Angola, mostra-se convicto das vitórias nos últimos dois jogos do grupo B e de um deslize dos dois primeiros classificados, de modo a posicionar-se entre os melhores do t
«Benfica? Vamos ver o que se vai passar» - André Horta
Vitória de Setúbal Depois de ajudar a Seleção Nacional de sub-20 a subir ao pódio no Torneio de Toulon, André Horta não esconde a ambição de dar o salto, mas escusou-se a falar sobre a transferência para o Benfica. «
Pepa à procura de um número 10
Moreirense Atendendo às dificuldades encontradas pelo Moreirense para convencer Vítor Gomes a prolongar a ligação ao clube-, o treinador Pepa está já à procura de um novo número 10. A BOLA revela que o jogador e
Filipe Anunciação vai manter-se na equipa técnica
Paços de Ferreira A composição da equipa técnica do Paços de Ferreira ainda não está definida, mas A BOLA noticia que Filipe Anunciação deve manter-se como adjunto e encorpar o grupo de trabalho chefiado por Carlos Pin
«É obrigatório passar a primeira fase» – Ricardo Carvalho
Seleção O experiente Ricardo Carvalho realçou que mais importante do que começar a pensar em outros objetivos, a Seleção Nacional terá obrigatoriamente de conseguir passar a primeira fase do Europeu. «O p
Estágio de novo em Fornos de Algodres
Belenenses A BOLA noticia que o plantel do Belenenses vai apresentar-se para a nova época a 1 de julho, sendo que Fornos de Algodres, tal como no ano passado, volta a ser o local escolhido para o estágio.
Sérgio Faife deixa comando técnico do Costa do Sol
Moçambola Subiu para cinco o número de treinadores despedidos este ano no Moçambola, depois de ontem os adeptos terem manifestado total descontentamento pelos resultados do Costa do Sol e a direção do clube ter
Wakaso e Del Valle cobiçados
Rio Ave Segundo pode ler esta terça-feira em A BOLA, Wakaso (24 anos), uma das figuras da campanha que conduziu os vila-condenses a mais uma qualificação para as competições europeias, tem uma respeitável lis
Axadrezados fora da lista de devedores
Boavista A BOLA noticia esta terça-feira que o Boavista abandonou a lista de devedores da Autoridade Tributária, que as Finanças habitualmente divulgam no seu site oficial. Uma situação que permite aos axad
Rennes pode avançar por Rui Correia
Nacional O defesa-central Rui Correia, do Nacional, tem despertado o interesse de vários clubes, o último dos quais o Rennes, de França, segundo pode ler esta terça-feira em A BOLA.
Folha vence União de Correia (1-0) e assume liderança isolada
São Tomé e Príncipe O Folha Fede venceu o União de Correia, por 1-0, na segunda jornada do campeonato são-tomense de futebol, garantindo assim a liderança isolada, com seis pontos somados em dois jogos. Resultados
Raul Silva faz pré-época
Marítimo O defesa-central Raul Silva, que em janeiro foi cedido ao Ceará (Brasil), vai fazer a pré-temporada no Marítimo. A BOLA noticia que a continuidade do brasileiro no plantel não é certa, estando tud
Marcelo vai sortear a sua medalha da Champions
Real Madrid O lateral brasileiro Marcelo vai dar a sua medalha da conquista da Liga dos campeões a um dos seus seguidores na rede social «Facebook». Marcelo irá analisar os comentários que recebeu e irá dar a

classificações

Liga
Liga 2
34. ª jornada
classificação
46. ª jornada
classificação
14-05
FC Porto
11:45
Boavista
Sport TV1
14-05
Arouca
18:00
V. Guimarães
14-05
Belenenses
19:30
Estoril
Sport TV1
14-05
V. Setúbal
19:30
P. Ferreira
Sport TV2
14-05
Tondela
19:30
Académica
Sport TV4
14-05
União
19:30
Rio Ave
Sport TV3
15-05
Moreirense
15:00
Marítimo
15-05
Benfica
17:00
Nacional
BTV1
15-05
SC Braga
17:00
Sporting
Sport TV1
13-05
V. Guimarães B
20:00
Porto B
14-05
Atlético
15:00
Oriental
14-05
Aves
15:00
Mafra
14-05
Benfica B
15:00
Freamunde
BTV1
14-05
Chaves
15:00
Feirense
Sport TV1
14-05
Gil Vicente
15:00
Farense
14-05
Oliveirense
15:00
Leixões
14-05
Varzim
15:00
Portimonense
Sport TV2
14-05
Académico
15:00
Covilhã
14-05
Penafiel
16:00
Famalicão
14-05
Braga B
16:00
Sporting B
14-05
Olhanense
16:00
Santa Clara
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
34
29
1
4
88-22
88
2
Sporting
34
27
5
2
79-21
86
3
FC Porto
34
23
4
7
67-30
73
4
SC Braga
34
16
10
8
54-35
58
5
Arouca
34
13
15
6
47-38
54
6
Rio Ave
34
14
8
12
44-44
50
7
P. Ferreira
34
13
10
11
43-42
49
8
Estoril
34
13
8
13
40-41
47
9
Belenenses
34
10
11
13
44-66
41
10
V. Guimarães
34
9
13
12
45-53
40
11
Nacional
34
10
8
16
40-56
38
12
Moreirense
34
9
9
16
38-54
36
13
Marítimo
34
10
5
19
45-63
35
14
Boavista
34
8
9
17
24-41
33
15
V. Setúbal
34
6
12
16
40-61
30
16
Tondela
34
8
6
20
34-54
30
17
União
34
7
8
19
27-50
29
18
Académica
34
5
10
19
32-60
25

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Porto B
46
26
8
12
84-52
86
2
Chaves
46
21
18
7
60-39
81
3
Feirense
46
21
15
10
55-38
78
4
Portimonense
46
20
18
8
57-45
78
5
Freamunde
46
20
14
12
52-36
74
6
Famalicão
46
18
18
10
64-51
72
7
Olhanense
46
19
12
15
42-39
69
8
Aves
46
19
10
17
58-48
67
9
Varzim
46
17
14
15
51-48
65
10
Sporting B
46
18
11
17
61-59
65
11
Gil Vicente
46
16
14
16
58-56
62
12
Penafiel
46
13
22
11
49-46
61
13
V. Guimarães B
46
16
12
18
60-67
60
14
Covilhã
46
13
19
14
45-48
58
15
Braga B
46
15
12
19
47-54
57
16
Santa Clara
46
15
12
19
49-52
57
17
Académico
46
13
17
16
46-60
56
18
Leixões
46
14
13
19
45-56
55
19
Benfica B
46
15
10
21
58-64
55
20
Farense
46
15
11
20
49-56
54
21
Mafra
46
12
18
16
37-40
54
22
Atlético
46
12
15
19
49-56
51
23
Oriental
46
9
14
23
47-67
41
24
Oliveirense
46
6
11
29
42-89
29

Ver classificação detalhada
A UEFA nem as medalhas entregou, uma a uma...
Do Passado para o Presente Cristiano Ronaldo conseguiu em San Siro o que nunca nenhum português conseguiu: três vitórias na Taça dos Campeões. 51 anos antes, em San Siro também o mesmo poderiam ter conseguido Mário Coluna, José Augusto, Cávem, Germano, Cruz e Costa Pereira. Aliás, Costa Pereira viveu, por lá, a noite mais dramática da sua vida – e regressou a Lisboa numa cadeira de rodas. A razão, contamo-la aqui – e, por entre outras coisas mais (do futebol e não só…) também lhe contamos o que Eusébio já era antes e depois dessa final com o Inter de Milão, uma final tão «vergonhosa» que o presidente da UEFA nem sequer teve coragem para entregar, uma a uma, as medalhas aos jogadores do Benfica, atirou-as, de escantilhão, para as mãos de Coluna… O Benfica ganhara a Taça dos Campeões Europeus ao Barcelona e ao Real Madrid e Béla Guttmann despediu-se usando blague que atirara ao ar quando Salazar condecorou os seus jogadores: - Agora como é que vou mandar em 14 comendattoris? Não, a razão principal não foi essa. Recebia 400 contos por ano, foi para o Peñarol receber 72 por mês. Ao partir largou frase que haveria de tornar-se a sua famosa maldição: - Sem mim, o Benfica não ganhará mais nenhuma Taça dos Campeões e nos próximos 100 anos nenhuma equipa portuguesa será bicampeão europeu… Para o lugar de Guttmann entrou o chileno que acabara de levar o Chile ao 3º lugar no Mundial. Com ele o Benfica voltou à final da Taça dos Campeões, perdeu-a com o AC Milan – e dois anos depois, em 1965, nova final, novo sinal da maldição de Guttmann. AO SPORTING GUTTMANN DISSE NÃO, AO BENFICA ATÉ VOLTAVA SE... No Peñarol, Béla Guttmann perdera a Taça Intercontinental para o Santos de Pelé – e como as coisas não lhe correram como imaginara, despediu-se, meteu um ano de sabatina para descanso em Viena. O Sporting desafiou-o para seu treinador, a resposta saiu-lhe lesto do coração: - Não, não poderia estar num clube que jogasse todos os domingos em luta direta contra o Benfica. Não, não bastou que Lajos Czeizler ganhasse o campeonato de 1964/65 e lhe juntasse a Taça de Portugal – para continuar treinador do Benfica. O seu destino ficara marcado por um desconcerto, o fiasco europeu: na segunda eliminatória da Taça dos Campeões, bateu na Luz o Borússia por 2-1 (na noite incrível em que os benfiquistas tiveram seis bolas nos postes…) e, da segunda mão, saíram humilhados pelos 5-0 de Dortmund… Foi o bastante para que no Benfica se voltasse a pensar no sebastiânico regresso de Guttmann – e, dessa vez, a sua resposta de coração foi: - … sim, claro! mas pouco sentimental não foi o preço que lhe colocou: 100 mil dólares de luvas — que eram, então, quase 2000 contos —, casa de luxo inteiramente mobilada num dos locais mais chiques de Lisboa, automóvel com motorista, férias pagas na Áustria e um ordenado de pelo menos 500 contos por ano, livres de impostos. E, vá lá, uma condescendência: o prémio pela conquista da Taça dos Campeões Europeus mantinha-se igual ao de 1962: 500 contos. (500 contos davam, então, para comprar cinco automóveis Morris 850 que andavam na berra, com a publicidade feita por modelos em calções curtos, como se fossem jogadoras de futebol – e os moralistas e as moralistas achavam que era um escândalos mostrarem-se assim as pernas ao léu…) Adolfo Vieira de Brito, que sucedera a Fezas Vital, como presidente do Benfica fez contas à vida, respondeu-lhe que assim não era possível, que era «treinador muito caro» - e contratou Elek Schwartz para a época de 1964/65. «SE O BENFICA CHEGASSE A SITUAÇÃO DE RUÍNA...» Meses depois Béla Guttmann veio passar o Natal de 1964 em Lisboa. Alojou-se no Hotel Tivoli – e, em A Bola, comentou arrasador a tese do «treinador muito caro»: - Em face dos resultados, o que eu sou é o treinador mais barato do Mundo. Basta ver a escrita do Benfica: quando lá cheguei o clube recebia 2500 dólares por desafio, depois passou a receber 30 mil. E, por ter ganho o Campeonato Nacional, no Benfica recebi apenas 150 contos de prémio. Czeizler, depois, ganhou 250 contos e estava instalado num hotel em que o Benfica gastava oito contos por mês... Sinceramente, se o Benfica chegasse a uma situação de ruína financeira era capaz de treinar sem levar um tostão. Mas como o Benfica está ganhando muito dinheiro com o futebol... Eu só queria comer uma parte justa... Estaria a comer o que cozinhei... Porque fui eu que cozinhei o Benfica europeu, de que, depois, vieram outros comer. Eu ganhei o primeiro campeonato europeu com jogadores como Neto, Saraiva, Serra, Artur, Mário João... E agora que squadra tem o Benfica? Só Serafim ficou mais caro que todas as outras aquisições feitas no meu tempo, o Eusébio, o Torres, o Germano, o José Augusto. Deram 1000 contos por ele e não tem sequer jogado. Mas eu é que sou ou seria um treinador muito caro, não é?! SOB O SIGNO DO 5, O MOMENTO SUBLIME DE EUSÉBIO (PARTE 1) A Taça dos Campeões abriu-se no Luxemburgo com 5-1 ao Aris Bonnevoie – na noite em que José Torres marcou quatro golos (o outro foi de Eusébio). 5-1 voltou a ser o resultado na Luz. Seguiu-se o La Chauux-des-Fonds, da Suíça saíram os benfiquistas com 1-1 – e se o caminho para a final de São Siro se fez de dois momentos sublimes, um deles foi na segunda mão, a 9 de Dezembro de 1964. Sim, o resultado: 5-0 é um pormenor, o que aconteceu ao minuto 52 não - foi António Simões quem o descreveu assim em Sport Europa e Benfica, livro de Luís Miguel Pereira sobre as grandes noites europeias do Benfica: - Aquele golo do Eusébio! Quando o vejo a fazer aquilo com a bola vejo a figura do Pelé no Eusébio e a figura do Eusébio no Pelé. As imagens misturam-se. Se transformar esse golo em música ponho os auscultadores e fico à noite a ouvir aquela faixa vezes sem conta, sem nunca me cansar. É um bailado, com música refinada, obra de arte. Tudo o que o Eusébio faz nesse golo é sincronizado: a capacidade técnica, a velocidade, a potência do remate... É o golo mais atractivo da sua carreira. Claro, também lá está, emocionada, a memória do autor da obra-prima: - Apareceram os dois centrais. Ameacei e o primeiro protegeu a cara, ameacei outra vez e o segundo protegeu a cara. Depois rematei sem a bola cair. Toda a gente festejava à minha volta. Quando olhei para o lado vi o guarda-redes a bater palmas, a correr para mim para me felicitar por aquilo. Graças a Deus não foi a primeira nem a última vez que isso aconteceu......
Estilos e Espantos Fez o que Naide Gomes fizera, pode tornar-se uma das maiores estrelas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Sim, foi através heptatlo que a holandesa Dafne Schippers começou a deixar o mundo a seus pés - e só num pormenor foi diferente de Naide: Naide largou as provas combinadas para se centrar no salto em comprimento, Dafne largou as provas combinadas para se centrar na velocidade e foi tal a vertigem da revolução que, no ano passado, nos Mundiais de Pequim, não se limitou a bater um dos mais míticos recordes europeus: os 21,71 segundos que Marita Koch conseguira em 1979 e que em 1986 Keike Dreschler (tal como Marita, um dos mais fabulosos produtos da RDA...) igualara. Claro: são sobretudo esses 21,63 segundos que fazem de Dafne Schippers o que Dafne Schippers é: uma das «mulheres do momento» no atletismo - e deixam no ar a dúvidas: será que, no Rio, a versão feminina de Usain Bolt será ela? Para já, fique a saber como é que tudo começou, como é que ela chegou onde chegou... É natural: vendo Dafne Schippers tornar-se campeã do Mundo de 200 metros em Pequim (nos 100 foi por uma unha negra apenas que não bateu Shelly-Ann Fraser, a bicampeã olímpica e mundial...), jamaicanas e americanas ficaram com o coração nas mãos. E mais ainda porque só três meses antes decidira que a sua aposta era a velocidade e não o heptatlo. Aliás, Dafne não o esconde: vai ao Rio com uma ideia inabalável: «sair de lá campeã olímpica». Grande dúvida? Saber-se se só de lá sairá com a medalha de ouro nos 200 metros - ou se sairá de lá também mais próxima (ou melhor...) do que a mulher que nos Jogos Olímpicos de 1988 foi para além da humanidade, a Florence Griffith-Joyner, recordista mundial de 200 metros com 21,34 segundos (e de 100 com 10,49 segundos...) A caminho de Seul, Flo-Jo, apareceu melhor do que nunca - com a alma transfigurada e o corpo transformado, musculada e poderosa. Ninguém lhe conseguia ficar indiferente. Nem nas corridas perdia o ar da sua graça – unhas muito compridas e pintadas e, ainda, não tinha complexos em envergar equipamentos extravagantes. Após alguns altos e baixos na sua carreira, que a fizeram, inclusivamente, abandonar temporariamente o atletismo, Griffith-Joyner regressara às pistas incentivada por Bob Kersee e motivada, entretanto, pelo seu casamento, em 1987, com o campeão olímpico do triplo salto, Al Joyner. Em Seul, Florence correu os 200 metros em 21,34 segundos, ganhou quatro medalha de ouro. Insinuou-se que poderia estar dopada, nenhum controlo a apanhou - e se morreu cedo, de um ataque de epilepsia, pelo menos a autópsia fez justiça à lenda, deixou claro que a causa da morte nada teve a ver com produtos proibidos que possa ter tomado (ou não). É quase sempre assim: as suspeitas também correm, agora, em torno de Dafne Schippers. Sobretudo por ter a cara como tem, marcada pelo acne... ...
Do Passado para o Presente Se José Mourinho vai ganhar 15 milhões de euros por ano só em salários no Manchester United só os vai ganhar porque aos primeiros anos do século XX um cão com uma lata de esmolas ao pescoço fugiu do dono e entrou no pub de um homem que enriquecera a fabricar cerveja. Não, não é só essa a história impressionante que aqui se conta – também se fala de como o novo clube do Special One nasceu de ferroviários fartos de bebedeiras e combates de boxe entre os trilhos dos comboios e de como um Mourinho antes de Mourinho chegou a Old Trafford, o estádio que a aviação nazi destruiu e quando sonhava tornar-se campeão europeu mais de metade dela morreu na queda de um avião, salvou-se e acabou por ganhar a Taça dos Campeões ao Benfica. E não, não é tudo… Filho de dois analfabetos, George Stephenson formou-se engenheiro – e aos 25 anos criou uma máquina a vapor que ajudasse ao transporte de carvão na mina de Wylan onde trabalhava, arrastando vagões sobre carris. Tirou a ideia de fora da mina, desenvolveu a máquina, chamou-lhe Locomotion - e em setembro de 1925, com ele próprio a conduzir a sua Locomotion, transportou 80 quilómetros de carvão entre Darlington e Stockton-on-Tees, demorando duas horas a percorrer os 15 quilómetros de linha férrea que criava entre um ponto e outro. Foi uma revolução. Não tardou, criou carruagens para transporte de passageiros – e 15 de setembro de 1830 abriu-se a linha que ligava Liverpool a Manchester. A locomotiva que puxava o comboio era muito mais potente do que as demais – e por isso Stephenson pôs-lhe nome óbvio: Rocket. Foi tal a euforia que causou que William Huskisson, membro do parlamento eleito por Liverpool, ao vê-la arrancar desatou a correr a seu lado, tropeçou, caiu – e foi a primeira vítima mortal de um comboio… O CLUBE DOS FERROVIÁRIOS CANSADOS DO BOXE (E NÃO SÓ…) Criou-se a Manchester & Leeds Railway para explorar a linha – que montou o terminal ferroviário de Manchester montou-se em Newton Heath. À sua beira ergueram-se oficinas para construção de locomotivas, vagões e carruagens – e, nos seus primeiros tempos, nos intervalos do trabalho ou davam-se à bebida ou atiravam-se a combates de boxe sobre os rails que montavam. Algures por 1878 alguns desses operários da Lancashire & Yorkshire Railway (LYR), cansados das bebedeiras e dos socos, acharam que talvez fosse mais sedutor divertirem-se com o futebol que já era moda em colégios e universidades, pedindo, para isso, aos seus patrões, ajuda para criarem clube que o jogasse. Fundaram-no como Newton Heath LYR – e fez tal furor que, formado por maquinistas, surgiu-lhe rival imediato – o Newton Heath Locomotive. Não tardou, os jogos deixaram de ser apenas entre as várias secções da empresa. O seu primeiro desafio foi em novembro de 1880 – contra as reservas do Bolton Wanders. O Newton Heath LYK jogou com camisolas verdes e douradas, as cores da empresa – e perdeu por 6-0. Quatro anos depois, aventurou-se à disputa da Lancashire Cup – e ficou-se pela primeira ronda, batido pelo Blackburn por 7-2. Melhor foi o que sudeceu na Manchester Challenge Cup: chegou à final, perdeu-a por 3-0 com o Hurst. A FILHA DO SACERDOTE FEZ O MESMO NO OUTRO LADO DA CIDADE… Anna Connell era filha de um sacerdote – e algures por 1880 fundara na igreja do pai uma associação para ajudar pobres. Depois, para dar uma luz aos rapazes de West Gordon, juntou-se a dois trabalhadores da fábrica de ferro – e criou no seu seio uma equipa de futebol. O seu primeiro nome era o nome da igreja: St. Marks. Sete anos depois, para ter campo, mudou-se para Ardwick e passou a ser Ardwick Association Football Club. (E em 1894 passou a ser o que é hoje, o Manchester City Football Club…) Em 1888 o Newton Heath LYK decidiu deixar de ser apenas clube de trabalhadores de uma empresa ferroviária, deixou cair o LYR, passou a ser o Newton Heath Football Club – e aderiu à Football Alliance, o embrião da Football League. Por lhe terem retirado o Lancaster & Yorkshire Railway do nome, os donos da companhias lançaram de pronto o aviso: - Assim, não damos nem mais um cêntimo para o Newton Heath… e foi o que aconteceu. ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
PAULA REGO TREINA NO QATAR JÁ LÁ VÃO SEIS ANOS . Paula Rego, de 40 anos, chegou ao Qatar a 13 de março de 2010, para acompanhar o marido, Francisco Batista, também ele treinador, mas depressa chegou a acordo com o Qatar Womens Sport Commite (QWSC) para assumir o cargo de selecionadora de futsal do Qatar. A partir daí nunca mais parou. Já se passaram meia dúzia de anos e a portuguesa continua no Médio Oriente. Está acompanhada pelo marido e pelo filho mais novo e deixou mais dois rebentos em Portugal: «Estão com os avós, pois, na altura, estavam a meio de percurso curricular. Mas já vieram ao Qatar algumas vezes.» Depois de ter assumido o comando técnico da seleção feminina de futsal do Qatar, Paulo Rego já passou por outros clubes e agora também acumula as funções de professora de Educação Física. Fique a conhecer o percurso de seis anos contado na palavra de Paula Rego. - Estive no comando da seleção feminina de futsal durante ano e meio, em que apenas realizámos alguns jogos particulares regionais. As jogadoras eram selecionadas em escolas durante aulas de Educação Física ou em torneios organizados pelo Commite da Mulher. Depois regressei ao ensino, fui dar aulas de Educação Física para uma escola internacional (Newton International School). Em 2012 fui convidada por um club local (Al Khor Sports Club ) para orientar a equipa feminina de futebol numa liga entre nove equipas, onde permaneci dois anos. Vencemos a liga e a Taça Sheikha Joan no primeiro ano e no segundo ficámos em segundo na liga e perdemos a final da taça. Em 2013 fui dar aulas para outra escola internacional, SEK International School (escola de origem espanhola com mais de 140 anos), onde ainda estou. Nesta escola treino camadas jovens (masculino e feminino futebol), participamos em torneios interescolas, ligas organizadas pelo QUESS (Qatar Unated English Speaking Schools) e no programa que o Qatar oferece às escolas SOP (Schools Olimpic Programme), organizado pelo governo para desenvolver e incentivar o desporto na comunidade. Já arrecadámos vários primeiros lugares, bem como o prémio de escola revelação no ano passado. Este ano pela, segunda vez, estamos a participar no torneio anual da Volkswagem Juniors Masters, no qual nos sagrámos campeões do Qatar e iremos disputar o apuramento de campeão absoluto a 18 e 19 deste mês, no Dubai, e tentar chegar à final mundial, que se realiza em Paris. Nas ligas estamos bem encaminhados para sermos campeões em sub-12 masculino e sub-13 feminino. Recentemente também treinei o escalão de Toddlers numa academia SFQ (Sheikh Faisal Qassim). É só bombas a rolar na estrada Após seis anos no Qatar, Paula Rego já se habituou ao trânsito louco da capital Doha. Mas aina fica de queixo caído... «A frota automóvel é um encanto! Rolls Royces, Ferraris, Lamborghinis, Maseratis, Bentleys, Mustangs, Corvettes… são marcas que rolam na estrada a toda a hora. Claro, o trânsito é de loucos», conta. Mas quando chegou o que mais a lhe fazia confusão era «algumas mulheres andares completamente tapadas com um lenço preto». Depressa se adaptou aos hábitos e garante nunca se ter sentido discriminada por ser mulher. Campo destruído por causa de uma cobra Desafiada a partilhar com os leitores de A BOLA Online uma história engraçada que tenha vivido na terra do petróleo, a treinadora não hesitou e até contou duas! - Um dia estava a dar treino e, de repente, vejo as jogadoras todas a correr para os balneários. Fiquei sozinha com as bolas no meio do campo sem perceber o que se estava a passar. Olhei à minha volta para ver se havia algo de errado e, percebendo que não iam regressar, fui ao balneário ver o que se passava. Foi então que uma rapariga me disse: «Coach! A man, a man!» O que se passou foi que uma delas viu um senhor da limpeza e como treinavam destapadas correram para se esconder. Claro, tive que pedir ao senhor para se retirar para retomarmos o treino. Outra que não me esqueço foi ter estado sem treinos nem jogos por causa de uma cobra que apareceu no campo de futebol... Só que destruíram o campo todo para encontrar a casa da cobra! (risos) 40 minutos para fazer... sete quilómetros O dia começa bem cedo para Paula Rego: «Às 5.15 da manhã, com o preparar para ir para a escola, as aulas começam às 7, mas antes há que enfrentar 40 minutos de trânsito para fazer pouco mais de sete quilómetros.» E para sair não há hora: «Depende dos dias, visto haver jogos a seguir aos tempos letivos. Depois há o levar e buscar o filhote, os treinos que dou na SFQ e depressa chega a hora de ir descansar.» Mas, é como diz o ditado popular: Quem corre por gosto não cansa! Se a convidarem volta a treinar em Portugal A pergunta impõe-se e a resposta é sincera: Em Portugal foi a primeira mulher a treinar uma equipa sénior masculina, o Granja Ulmeiro, da 3.ª Divisão. Pensa regressar ao país para treinar? - Claro que sim! Mas não depende só de mim treinar em Portugal, é preciso que me convidem! Tenho alguns projetos mas, para já, estou focada em vencer a competição no Dubai para podermos marcar presença na final de Paris, em maio. Fotos gentilmente cedidas por Paula Rego ...
CALADO CHEGA À BUNDESLIGA. Além de alguns futebolistas de renome portugueses como Vieirinha, Hugo Almeida e Henrique Sereno, o futebol alemão é cada vez mais uma elite também para os treinadores lusos. Nesse prisma, o nosso representante de momento é Diogo Calado, pouco conhecido por parte do público mas um jovem com um potencial e ambições elevadas, em especial por ter chegado a uma das mais fortes nações do futebol internacional, com 31 anos de idade. A carreira de Calado conta já com experiências em três países diferentes - incluindo Portugal, bem entendido - e conduziu-o até ao histórico Energie Cottbus, emblema no qual trabalha como treinador adjunto da equipa B com a perspectiva de continuar a aprender a chegar ainda mais longe por terras germânicas. Cumpre esta experiência no Energie Cottbus. Como surgiu esta oportunidade? - Eu fiz aquilo que muitos de nós fazemos, que é ir enviando CV`s. Tive a sorte de o Energie Cottbus ter demonstrado interesse em falar comigo fruto da minha experiência mas também porque a barreira da língua poderia ser ultrapassada graças ao facto do treinador da equipa B na época transacta ser brasileiro. Há quanto tempo se encontra na equipa técnica da equipa B do Energie Cottbus? Como tem corrido a experiência até ao momento? - Desde o início de janeiro de 2015 e tem sido gratificante. Quando cheguei falava tanto alemão quanto o José Cid na canção "Um grande, grande amor" mas fui muito bem aceite e agora que já passou mais de um ano, posso dizer que percebo a razão pela qual a Alemanha está na elite do futebol mundial há tantos anos. Os alemães são muito organizados e focados no trabalho e têm todo o futebol estruturado para providenciar as melhores condições de trabalho aos treinadores e aos jogadores. Antes disso, houve contatos para trabalhar na Guiné como adjunto do Sp. Bissau, mas nunca chegou a concretizar-se. Na época passada apenas trabalhou no Energie? Quando chegou à Alemanha? - Sim, na época passada (2014/2015) só orientei o Energie Cottbus B. Cheguei em dezembro de 2014 e comecei a trabalhar na equipa em janeiro de 2015 depois de ter acertado tudo com os responsáveis do clube. Antes da Alemanha teve uma experiência em São Tomé e Príncipe, como coordenador do futebol de formação do país. Entre um país e outro, houve algo mais pelo meio? - Entre S. Tomé e Príncipe e o Cottbus houve 2 meses e meio - março a maio de 2014 - a fazer o que mais gosto (treinar) nos Juvenis do Alcainça AC. A equipa só tinha uma vitória até ao momento, só tinha 18 jogadores e ficou sem treinador a meia dúzia de jogos do fim do campeonato. Normalmente eu deveria ter ficado quieto em casa, mas aceitei o desafio e foi das equipas que mais gostei de treinar até hoje. Aqueles 18 miúdos ficarão para sempre no meu coração! Até ao momento trabalhou em 3 diferentes países - Portugal, São Tomé e Alemanha. Quais são as grandes diferenças entre os três em termos de condições de trabalho? - Exacto. Sempre São Tomé e Príncipe ou quem nos ler no Príncipe vai-me ligar ou escrever a reclamar (risos)! Responder a essa pergunta dava para escrever um livro. São Tomé e Príncipe tem 2 sintéticos na capital, um dos quais com dimensões mínimas (em breve vai ter um 3.º sintético, localizado no Príncipe) e as equipas treinam com 2 ou 3 bolas. Em Portugal brinca-se ao futebol com a generalidade das equipas a dispor de um sintético para todas as equipas do clube, treinando-se em meio-campo com o tempo todo contado ao segundo (saem os infantis, entram os juvenis, saem os juvenis, vêem os seniores!). Na Alemanha todo o clube, mesmo da aldeia mais pequena, tem um campo relvado, ao lado um campo também relvado de apoio para as equipas treinarem e ainda um campo com balizas de futebol de 7. Como descreve a competitividade da Oberliga (V Divisão alemã), onde se encontra o Energie Cottbus B actualmente? - A Oberliga tem muitas semelhanças com o que agora se chama de Campeonato de Portugal, antes CNS e 2a B. Os campos, o público e a competitividade são muito semelhantes. A diferença no estilo de jogo é que a generalidade das equipas na Oberliga têm um estilo bastante ofensivo, jogando sempre para a frente mesmo que já estejam a ganhar por 1 a 0. Em Portugal joga-se muito no erro do adversário e quando se marca um golo, regra geral, começa-se a organizar tudo para "fechar a loja" lá atrás! No espaço de uma semana o Sporting e o FC Porto defrontam por duas vezes dois poderosos clubes alemães, o Bayer Leverkusen e o Borussia Dortmund, respectivamente. Como residente na Alemanha e muito provavelmente seguidor da Bundesliga, quais entende serem as hipóteses de ambos perante estes adversários? - À partida a tarefa de Porto e Sporting afigura-se bastante difícil. Penso que tanto o Borussia como o Bayer partem como favoritos e os jogos em solo alemão serão o factor decisivo pelo ambiente em redor mas também porque Borussia e Bayer são equipas muito fortes a jogar em casa e sem problemas em assumir o jogo. Mas não são invencíveis! Quais são os seus objectivos imediatos, continuar na Alemanha? Onde perspectiva estar a longo prazo? - Depois de ter aprendido alemão do zero e de ter passado pelo período de integração e adaptação só uma grande oportunidade me faria abandonar a Alemanha rumo a outro lugar nos tempos mais próximos. Além do mais neste país a competência é valorizada. A longo prazo apenas faço questão de continuar a fazer o que mais gosto onde for bem recebido e onde me sentir bem, seja na Alemanha, em São Tomé e Príncipe ou noutro lugar qualquer. O êxito para mim não se mede pelo dinheiro, vitórias e prestígio, mas pelo prazer que retiro de cada vez que entro num campo para treinar ou jogar. Com a idade que tenho ainda me restam vários anos de carreira. Por certo que um dia vou querer experimentar assumir o comando técnico de uma equipa sénior e quem sabe comandar uma seleção nacional (não necessariamente Portugal). O futebol de seleções foi algo que sempre me fascinou. ...
AS PORTOGHESI TICINO: A SUL DOS ALPES SUÍÇOS MORA UMA ‘FAMÍLIA’ BEM PORTUGUESA. Uma vida melhor é o desejo que muitos portugueses levam na bagagem na hora de se despedirem do país com destino aos mais diversos destinos espalhados pelo Mundo. A conjuntura difícil que desvanece cada vez mais o sonho de criar carreira estável em Portugal é apenas uma das principais justificações que acompanham os emigrantes portugueses. França, Estados Unidos e Suíça são os países que nos últimos anos criaram mais janelas de oportunidades para todos os que em Portugal viram inúmeras portas fechar. Contudo, o início de uma nova vida longe da «zona de conforto» nem sempre é fácil. A insegurança de estar a quilómetros de distância de família e amigos facilita a que se criem laços com pessoas que atravessam a mesma situação. E é aqui que surgem os espaços que servem de ponto de encontro para as comunidades portuguesas. Uma longa viagem até Ticino, cantão da Suíça, situado no sul do país, onde a língua oficial é o italiano, e que inclui as cidades de Bellinzona, Locarno e Lugano, conduz-nos indubitavelmente até ao AS Portoghesi, um clube amador composto exclusivamente por portugueses, desde o presidente ao técnico de equipamentos. Um verdadeiro sucesso. É certo que ocupam a 4.ª posição do grupo 3 da quinta divisão, mas são a única equipa invicta e a melhor defesa da competição (quatro vitórias e cinco empates). Ninguém recebe qualquer tipo de renumeração nem tão pouco ajudas de custo. Tudo é feito com paixão e de um certo modo para apagar algumas saudades de Portugal. Vitor Riça é o treinador e um dos principais responsáveis pela subida de rendimento da equipa. Ter sido jogador profissional durante 16 anos criou-lhe um álbum de recordações que não é para todos. Cruzou-se com nomes como Francisco Chaló, Carlos Pinto, Jorge Neves, Manduca, Manuel Machado, entre tantos outros, e em 2003/2004 foi mesmo o melhor marcador a nível nacional com 32 golos apontados no Dragões Sandinenses, na 2.ª Divisão B. O ponto final na carreira aconteceu em 2008 depois de três operações ao joelho. Pelo meio ainda passou por China, França e Luxemburgo. «Estive dois anos parado quando abandonei o futebol. Passei um mau bocado, sobretudo ao domingo. Sentia falta daquela adrenalina dos treinos e dos jogos. A oportunidade de vir para a Suíça surgiu em 2010. Tinha cá família e como as coisas em Portugal estavam complicadas decidi arriscar. Passei algumas dificuldades no início, mas depois conheci este pessoal da bola e comecei a jogar aqui. Mas os meus joelhos não me deixavam. Tanto me chatearam que acabei por aceitar o convite para ser o treinador», começa por explicar Riça, que trabalha na remoção de amianto em Bellinzona, em conversa com A BOLA. AS Portoghesi, um verdadeiro refúgio…e uma grande família Natural de Chaves, Riça vive em Bellinzona, bem perto dos Alpes suíços, e dedica-se à remoção de amianto. Orienta um plantel que conta com pedreiros, agentes financeiros, cozinheiros, empresários, seguranças, entre outras tantas profissões. Tudo isto para explicar que não é fácil conciliar a vida profissional com o «compromisso» AS Portoghesi. Um trabalho «gratificante» com várias lições a reter. «Está a ser uma experiência espetacular. O futebol sempre foi a minha vida e pegar num grupo de amigos que têm pouca noção do que é futebol e ao fim de umas semanas sentires que há uma evolução é muito gratificante. Para mim é um refúgio depois do trabalho. Serve para matar saudades de Portugal. Conto-lhes histórias da minha carreira e ficam todos a ouvir com atenção. Este é um grupo de pessoas muito humildes, uma verdadeira segunda família», admite o antigo avançado, agora com 41 anos. «Todos têm qualidade. Nem sempre consigo fazer o que tenho em mente, mas estamos a fazer um trabalho engraçado, dentro dos possíveis. Não temos grande moral para dizer nada porque ninguém vem para o clube receber dinheiro. Temos de fazer as coisas com calma. Para esta época pedi que dessem um bocadinho mais. É bonito ser lembrado por conseguir, não por tentar. Se conseguirmos uma subida de divisão vai ser um prémio mais do que merecido. Este é o meu objetivo e o objetivo de todos. Podemos morrer na praia? Podemos, mas ao menos tentámos», remata. Espírito patriótico aliado à vertente desportiva Vinte e dois é o número de portugueses que compõem o plantel do AS Portoghesi. Dos 19 aos 46 anos. Com raízes espalhadas de Norte a Sul de Portugal. E apesar de em Ticino a língua oficial ser o italiano, a verdade é que no seio do clube o português é sem margem para dúvidas o idioma mais utilizado. Não que seja mais fácil para eles, pois alguns falam perfeitamente italiano, mas sim por ser esta a principal forma de superar a distância para o País que os viu nascer. Alexandre Santos foi dos últimos a chegar ao clube. Natural de Treixedo, freguesia de Santa Comba Dão, Alexandre decidiu emigrar em fevereiro de 2014 na tentativa de estabilizar a nível profissional. Para trás deixou uma forte ligação à família e a escola de futebol de formação AFD Pinguinzinho. Após um início complicado em território helvético, sem a certeza de um futuro melhor, encontrou no AS Portoghesi um verdadeiro porto de abrigo. «O AS Portoghesi surgiu através de uma conversa em casa de uns amigos. Convidaram-me para ir fazer uns treinos e o ambiente que encontrei foi fantástico. Tenho muito a agradecer a esta ‘família’ pela forma como me ajudaram no momento em que mais precisei, que foi a adaptação a um novo país e a uma nova realidade», começa por descrever o consultor financeiro, de 28 anos, que está afastado da competição desde outubro devido a uma lesão no pé esquerdo. «Até ao momento tenho conseguido conciliar o meu trabalho com os treinos. Sabemos que no futebol amador, não renumerado, é fácil um atleta virar costas e ir à sua vida. Mas foi aqui que o mister Riça conseguiu mudar mentalidades. A sua experiência foi base para criarmos um elo de ligação forte e para que todos criassem um compromisso com o clube. Claro que a competição é um forte fator de motivação, mas penso que a boa relação e o patriotismo que existem são a chave para o nosso sucesso», confessa. «A amizade vai muito além dos relvados. Somos mesmo um grupo de amigos. Aqueles que no final de cada treino e de cada jogo se encontram no café, normalmente no Triangolo, que é do Sr. Alberto, ex-presidente do clube. É desta forma que ‘matamos’ saudades de Portugal!», termina. Despesas por conta do Presidente que também ajuda na limpeza dos balneários «Estou com saudades. Quando começam as férias é um alívio, mas depois o tempo vai passando e começo a sentir falta desta rotina». As palavras são de Sílvio Costa, presidente do AS Portoghesi, e demonstram bem a relação entre o motorista de 50 anos e o clube que preside há quatro, depois de servir a equipa de Ticino como jogador e diretor desportivo. As saudades a que Sílvio se refere devem-se à paragem de Inverno do campeonato. São aproximadamente quatro meses sem o sabor da competição e sem as ‘mil e uma coisas’ para fazer. «Ocupa-me o tempo todo. Estou sempre preocupado com tudo o que envolve o clube. Vou aos treinos, coloco tudo direito, limpo os balneários e fico sempre a assistir aos trabalhos. Gosto disto e tento dar tudo aquilo que no meu tempo de jogador não existia. E também a verdade é que não gostava que a equipa acabasse nas minhas mãos», confessa Sílvio, natural de Mangualde, distrito de Viseu, que luta para manter todas as contas em dia. «As despesas é tudo do meu bolso. Por vezes recebemos algum dinheiro de um ou outro patrocínio, mas cada vez menos. Acabamos é sempre por receber muitos equipamentos. Devemos ser o clube da região com mais equipamentos», acrescenta com um sorriso. E no ano em que o clube comemora 25 anos de existência, a 1 de julho, Sílvio Costa tem um desejo. Qual? Subir de divisão. «Se terminarmos o Campeonato em primeiro lugar seria sem dúvida uma grande prenda nos nossos 25 anos. Seria ouro sobre azul!» As ‘férias’ já terminaram em Ticino. A equipa voltou ao trabalho para preparar a primeira jornada da segunda volta do Campeonato, agendada para 10 de abril. O adversário é um velho rival e a vontade é apenas uma: vencer. Não fosse esse um dos pressupostos de uma família, leia-se equipa, bem portuguesa. «Defrontamos o AS Poleggio que é treinado pelo nosso ex-treinador e que conta com vários ex-atletas do AS Portoghesi. Vai ser um verdadeiro derby. Vamos trabalhar para ganhar», perspetiva Alexandre. Plantel AS Portoghesi Ticino 2015/2016 Guarda-redes: Hugo Soarez, Francesco Pires e Ricardo Alexandre Santos; Defesas: Tozé Moreira, Joel Ribeiro, Nélson Ribeiro, Luís Pereira, Bruno Vieira, Luís Roque e Ricardo Ribeiro; Médios: José Soares, Alexandre Santos, Hugo Pinto, Douglas Martins, Tiago e Isaías Silva; Avançados: Jo Marques, Nicola Santos, Paulo Dias, Hugo e Nelo Mesquita. Treinador: Vitor Riça Treinador-Adjunto: Luís Pereira Técnico Manutenção: Joaquim Ribeiro Presidente: Sílvio Costa Vice-Presidente: Manuel Garcia Fotografias gentilmente cedidas por Alexandre Santos...
 

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Quem deve ocupar a posição de ‘trinco’ na Seleção?
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  • 62%
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  • Danilo

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