SEXTA-FEIRA, 29-07-2016, ANO 17, N.º 6026
Francesco Gavazzi vence segunda etapa
Volta a Portugal O italiano Francesco Gavazzi (Androni) venceu esta sexta-feira a segunda etapa da Volta a Portugal. Numa chegada difícil em Fafe e após 160 quilómetros de etapa, Gavazzi superiorizou-se ao portuguê
Benfica e FC Porto conhecem adversários da Premier League Internacional Cup
Futebol Benfica e FC Porto ficaram a conhecer os adversários da Premier League Internaconal Cup, prova que junta as equipas bês de doze clubes ingleses e outros tantos estrangeiros e que cumpre esta temporada
Petrovic às ordens de Jesus
Sporting O plantel do Sporting realizou esta sexta-feira mais um treino de preparação para o Troféu Cinco Violinos, no sábado (20 horas), encontro em Alvalade que terá os alemães do Wolfsburgo como convidados
Leonardo Jardim pretende Bruma
Mónaco De acordo com o site Foot Mercato, o treinador português Leonardo Jardim pretende contratar Bruma para reforçar o seu plantel. Leonardo Jardim vê no extremo português, de 21 anos, um element
Zidane pensa em Matic ou Verratti para reforçar meio campo
Real Madrid O técnico francês do Real Madrid Zinedine Zidane pretendem reforçar o meio campo da sua equipa e as contratações de Nemanja Matic ou Marco Verratti estão a ser estudadas, avança o jornal As.
Eliseu está de volta aos treinos
Benfica Terminado o período de férias após ter estado integrado na Seleção Nacional que se sagrou campeã da Europa em França, Eliseu voltou esta sexta-feira aos treinos no Benfica. O regresso foi assinalad
Diretor de comunicação atira-se ao agente de Slimani
Sporting Nuno Saraiva, diretor de comunicação do Sporting, utilizou as redes sociais para criticar as mais recentes declarações do agente de Slimani. «Fala de propostas como se estivesse a dar grandes novid
Danilo orgulhoso por regressar aos treinos
FC Porto O médio Danilo destacou, nas redes sociais, o regresso ao trabalho no FC Porto, após as férias por ter conquistado o Europeu. «De volta», escreveu Danilo, na rede social «Instagram».
Mancini com proposta para renovar até 2018
Inter de Milão Embora estivessem a sair notícias que Roberto Mancini poderia estar de saída do Inter, os responsáveis do clube italiano não estão a pensar nessa hipótese e pretendem inclusive prolongar o seu contrat
Bruno Cantanhede já não fica e Miguel Batista regressa
Tondela O avançado brasileiro Bruno Cantanhede, que foi apresentado como reforço do Tondela para a nova época, não será jogador do clube. O jogador, de 22 anos, que esteve na última época ao serviço dos is
Pedro Gil confirmado como reforço do Sporting
Hóquei em patins O internacional espanhol Pedro Gil, que em Portugal já representou Infante de Sagres e FC Porto, foi confirmado como reforço da equipa de hóquei em patins do Sporting. «Vim para o Clube que me dá o
Wolverhampton oficializa Hélder Costa
Benfica Os ingleses do Wolverhampton oficializaram, esta sexta-feira, a chegada de Hélder Costa, que foi emprestado por uma temporada por parte do Benfica. Depois de ter estado na época transata emprestado
Portugal aplica 14-0 à China na estreia no Mundialito
Futebol de Praia A Seleção Nacional de futebol de praia goleou, esta sexta-feira, a sua congénere da China por 14-0, em partida da primeira jornada do Mundialito-2016. Portugal voltará a jogar este sábado, a partir
Mourinho já não é considerado o melhor treinador do mundo
Manchester United O português José Mourinho perdeu a liderança do ranking de melhores treinadores do mundo, para a revista Four Four Two. Depois de ter liderado esta lista no ano passado, o treinador p
Nasri na lista da Roma
Manchester City O clube romano estará a analisar a possibilidade de garantir o médio Samir Nasri junto do Manchester City. De acordo com a Imprensa italiana, a Roma irá tentar assegurar o empréstimo de Nasri se o
Taça da Liga passa para a RTP
Liga A Taça da Liga passará a ser transmitida na RTP nas próximas duas épocas, anunciou esta sexta-feira a Liga de Clubes. Segundo pode ler-se em comunicado, o acordo contempla a transmissão de oito jog
Paulo César Gusmão dispensa quatro
Marítimo Os brasileiros Christianno, Felipe Manoel, Régis e Bruno Nunes, que vinham integrando o estágio de pré-época do Marítimo, receberam guia de marcha do treinador Paulo César Gusmão. Os quatro jogador
Simeone elogia exibição de Tiago diante o Tottenham
Atlético Madrid O treinador do Atlético Madrid, Diego Simeone, elogiou a exibição do médio português Tiago na vitória, desta sexta-feira, frente aos ingleses do Tottenham (1-0). «Tiago está bem, está a realizar um
GP Alemanha: Rosberg continua a ser o mais rápido
Fórmula 1 Nico Rosberg voltou a ser o mais rápido na segunda sessão de treinas livres para o Grande Prémio da Alemanha, relegando novamente o seu companheiro de equipa, Lewis Hamilton, para o segundo lugar.
Vítor Oliveira chama 17 jogadores para o Santa Clara
Portimonense O treinador do Portimonense, Vítor Oliveira, chamou todos os disponíveis para a receção ao Santa Clara, encontro referente à Taça da Liga, agendado para este sábado, às 18 horas, no Estádio Municipal
«Cheguei à minha terra» – José Fonte
Seleção O internacional português José Fonte partilhou uma foto, nas redes sociais, onde revela que está em Penafiel para ser homenageado. «Cheguei à minha terra!!! Ás 5 horas estamos juntos #hometown #pen
Besiktas oficializa Adriano
Barcelona O Besiktas oficializou, esta sexta-feira, a contratação do brasileiro Adriano (ex-Barcelona). O clube turco pagou 600 mil euros, mas que podem subir aos 1.7 milhões de euros se determinados objetiv
Tiago em bom plano na vitória do Atlético Madrid frente ao Tottenham (1-0)
Espanha O Atlético Madrid derrotou, esta sexta-feira, o Tottenham, por 1-0, golo de Diego Godín, em jogo da International Champions Cup. O médio português Tiago foi titular, esteve em bom plano durante os
Klopp nunca compraria jogadores de 100 milhões de euros
Liverpool O treinador do Liverpool, Jurgen Klopp, revelou que é contra os clubes que investem 100 milhões na contratação de apenas um jogador, isto porque defende que o futebol é um jogo de equipa. «Se contr
«A palavra ganhar tem de estar sempre na mente dos jogadores da Académica» - Costinha
Académica Tal como prometeu desde o primeiro dia em que chegou a Coimbra, Costinha quer uma Académica a respeitar os altos valores que sempre pautaram a história do clube. Na antevisão do primeiro jogo ofici
Lyon estreia reforços frente ao Benfica
França Os defesas Nicolas Nkoulou e Emanuel Mammana e o médio Maciej Rybus, reforços do Lyon para a nova época, vão poder estrear-se no jogo do próximo domingo frente ao Benfica. A revelação foi dada pelo
Nápoles recusou Balotelli
Liverpool O empresário do avançado, Mino Raiola, terá oferecido o contributo de Mario Balotelli (Liverpool) ao Nápoles, para colmatar a saída de Gonzalo Higuaín (Juventus), mas o clube napolitano terá recusado,
«Higuaín é uma grande contratação para nós» – Allegri
Juventus O treinador da Juventus, Massimiliano Allegri, reconheceu que a contratação de Gonzalo Higuaín (ex-Nápoles) é um importante reforço para o seu plantel. «Higuaín é uma grande contratação para nós, t
Vietto já se treina no Sevilha
Atlético Madrid Ainda nada está oficializado, mas o avançado argentino Luciano Vietto já se treina junto do plantel do Sevilha. O jogador aguarda ainda pela concretização das negociações entre Atlético Madrid e Se

classificações

Liga
Liga 2
1. ª jornada
2. ª jornada
classificação
1. ª jornada
2. ª jornada
classificação
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Belenenses
20:30
Boavista
Sport TV
20-08
Marítimo
11:45
V. Guimarães
Sport TV
20-08
Chaves
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Tondela
Sport TV
20-08
P. Ferreira
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Sporting
Sport TV
20-08
FC Porto
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Estoril
Sport TV
21-08
Feirense
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Moreirense
Sport TV
21-08
Arouca
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Nacional
Sport TV
21-08
Benfica
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V. Setúbal
BTV1
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SC Braga
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Rio Ave
Sport TV
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Varzim
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Santa Clara
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Portimonense
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Penafiel
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Covilhã
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Sporting B
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União
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Porto B
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Académico
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AD Fafe
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Freamunde
14-08
Vizela
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Gil Vicente
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Famalicão
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Olhanense
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O outro Balotelli, a estrela de um Mundial que não vem no mapa
Para lá do que se vê E se Cristiano Ronaldo tivesse ganho a taça ao serviço do Darfur United? Ou mesmo pelo Occitânia ou Abecásia? Nunca ouviu falar? São Seleções não oficiais, podem não ter um lugar de honra no mapa, mas conseguiram competir num Mundial de futebol. Não se formaram em grandes clubes, nem tiveram treinadores de mérito, apenas encontraram no futebol uma réstia de esperança para apagar da memória as feridas da guerra do Sudão. Quem por lá passou fala em genocídio. Ao início não foi fácil, juntar na mesma equipa jogadores que não se conheciam, todos falavam línguas diferentes. Mas bastou uma bola de futebol… Eram na sua maioria crianças e jovens, outrora habituados a jogar à bola em campos de terra, e principalmente descalços. Ali era tudo novo. Nos pés, agora calçados, tinham sapatos esquisitos. Uns às cores, outros pretos, todos com pitões colados à sola. Usavam-nos para pisar relva, pela primeira vez nas suas vidas. Não havia areia, terra ou pó. No meio do campo habituaram-se à figura de um homem que lhes ditava as regras. Para o Mundial seguiram sem um manual de instruções, apenas sabiam que iam jogar futebol. E sobre o desporto só conheciam uma coisa: a bola. Para eles, o futebol não era uma via para o estrelato, nem sabiam o que isso era. Longe das luzes da ribalta, desconhecidos entre os restantes olhares, o verdadeiro futebol era aquele que se jogava como veículo de expressão, homens, mulheres e crianças que perderam a família na guerra. Depois da tragédia, nada tinham, a não ser a esperança de um futuro melhor. A SELEÇÃO QUE SURGIU NUM CAMPO DE REFUGIADOS Gabriel Stauring tinha um sonho – criar uma equipa de futebol composta por sobreviventes de guerra. Na altura vivia-se o conflito étnico do Darfur, no oeste do Sudão, que desde 2003 é palco de violência, massacres e mortes. As Nações Unidas descrevem-na como uma das piores crises humanitárias do Mundo. O governo dos Estados Unidos classificou-a de genocídio, comparando com o sangrento conflito de 1994, no Ruanda. Os que sobreviveram não mais vão conseguir apagar da memória o rosto dos familiares mortos a sangue frio. Os dias que se seguiram não foram fáceis. Mulheres foram violadas, a água e os alimentos não chegavam para todos, o surto de hepatite crescia de dia para dia. Mas Stauring não desistiu do seu sonho, nem do sonho desses sobreviventes que mais que tudo, queriam viver. O americano usou as ferramentas da I-ACT, a sua organização não-governamental, e criou o Darfur United, uma Seleção de sobreviventes. «As cores do equipamento foram es-colhidas pelos refugiados: verde para representar a sua terra e branco para representar a paz». Mais do que o nome, uma Seleção unida pela esperança numa simples bola de futebol. O PRIMEIRO MUNDIAL NO CURDISTÃO Ao início não foi fácil. Para o primeiro treino de captação apareceram jogadores de cada um dos doze campos de refugiados que existem na frontei¬ra entre Chade e Sudão. Pior que isso eram jogadores que não queriam ser misturados com membros de outras etnias e exigiram que as tendas de cada grupo estivesse assinalada com o nome da respetiva tribo. Mas no futebol, cabe apenas ao jogador chutar a bola, e quando não está bem, a porta de saída é serventia da casa. Ninguém quis sair, habituaram-se a regras, e os que passaram nas captações adotaram uma nova postura. De desconhecidos, começaram a viver como irmãos, ensinavam os seus idiomas uns aos outros e partilhavam histórias. A primeira, a principal, sobre o primeiro Mundial das suas vidas. Desde 2012, que o Darfur United tem a sua própria Seleção de futebol. Não tem voz direta na FIFA, mas chegou longe – ao Viva World Cup –edição da prova para equipas não filiadas na FIFA - o primeiro Mundial para seleções não oficiais, que decorreu no Curdistão iraquiano. «No início parecia um sonho impossível de realizar por causa de todas as dificuldades logísticas, a falta de dinheiro para as viagens e os obstáculos em conseguir vistos para um grupo de homens refugiados sem país. Mas também parecia muito certo fazer tudo ao nosso alcance para conseguirmos. Antes de avançarmos, decidimos perguntar aos refugiados e a resposta foi positiva. Um líder de um grupo de refugiados disse-nos: ´Agora somos parte do Mundo´», disse Gabriel Stauring, o presidente do clube. À primeira tentativa, 15-0. No dia seguinte, 18-0. Ao terceiro jogo, 5-1. No final, mesmo com tanto golo sofrido em 360 minutos, Suleiman Bourma ficou orgulhoso do seu Darfur United. Palavra do capitão. «Perdemos os jogos todos, mas não estamos preocupados com isso. Conseguimos vir aqui e fazer história». UM AMERICANO NO SUDÃO Uma história diferente também na vida de Mark Hodson, um americano com experiência no futebol, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, o escolhido para erguer uma Seleção no Sudão. «Tem sido uma experiência fantástica. O futebol é uma linguagem global. Estive em África, com 60 jogadores que não se conheciam, todos falavam línguas diferentes, e bastou uma bola de futebol para juntar toda a gente». Mark Hogson, que orientou o Darfur United nos Mundiais não-oficiais de 2012 e 2014, já prepara o próximo desafio - agendada para setembro de 2016, na Abecásia, uma região autónoma situada no Norte da Geórgia. BALOTELLI À PROCURA DE UM PAÍS Depois do Mundial de Curdistão em 2012, uma nova viagem: o destino foi Ostersund, cidade plantada no lado sueco da Lapónia. Terra do Pai Natal, sim, mas que também acolhe Mundiais de futebol. E se no Mundial do Brasil, Mario Balotelli, um dos jogadores italianos mais badalados do mundo, levava o treinador a um verdadeiro ataque de nervos, o seu irmão mais novo também fazia das suas, também num Mundial, mas muito longe do Brasil e com menos alvoroço. Chama-se Enoch Barwuah e em 2014 esteve em Ostersund, na Suécia, ao serviço da Seleção da Padânia, a disputar um Mundial para seleções que não fazem parte da FIFA. E o primeiro jogo foi precisamente contra o Darfur United. Enoch, um avançado que alinha no modesto Vallecamonica, dos escalões secundários de Itália, e que passou pela formação do Manchester City quando o irmão andava por lá, passou despercebido num torneio onde não existiam estrelas do futebol mundial com contratos milionários. Occitânia, Abecásia, Lapónia, Ilha de Man ou Nagorno-Karabakh, também faziam parte da lista, seleções cujos jogadores representam minorias étnicas, estados não reconhecidos pela comunidade internacional, comunidades aprisionadas pela geografia em países que não são reconhecidos como países. Ali não há muito. Apenas histórias de vida, exemplos de superação e uma vontade comum de fazer parte do mundo, tal como os outros heróis conhecidos, como eles, amantes do futebol… ...
Estrela de Diamante Já se sabe que as irmãs Serena e Venus Williams são um sucesso mundial além-fronteiras, mas para os Jogos do Rio há outra dupla que pretende dar que falar: Bronte e Cate Campbell. E se a primeira segue à regra os passos da irmã, Cate é o orgulho dos australianos: em Brisbane, fixou um novo recorde do mundo dos 100 metros livres, com a marca de 52,06 segundos, superando a alemã Britta Stefen. Entrou na história da natação aos 16 anos, quando ganhou as primeiras medalhas olímpicas - bronze nos 50 metros livres e na estafeta 4x100 m livres, em Pequim, 2008. Depois seguiu-se Londres, e o tão aguardado ouro olímpico… Quem a viu e quem a vê. Em criança sonhava em ser bailarina, hoje é uma campeã Olímpica de natação. Culpa da mãe que não a deixou fugir ao seu destino. Tal como Cool Runnings, o seu filme de eleição, um dos filmes olímpicos mais populares, Cate, é aos 24 anos, a grande promessa australiana para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. «Uma medalha de ouro é uma coisa maravilhosa, mas se não fores suficiente sem ela, nunca irás ser suficiente com ela». Medalhas não a assustam, mas mais do que o ouro Olímpico, a atleta quer deixar uma marca na história. PORCO DE ESTIMAÇÃO E GALINHAS Filha de Jenny e Eric, uma enfermeira e um economista sul-africanos, Cate Campbell nasceu a 20 de maio de 1992 em Blantyre, Malawi (África Ocidental), quando o pai por lá arranjou trabalho num banco. Ao início seriam apenas dois anos, mas acabaram por ficar dez. A viver numa casa sem televisão, Cate entretinha-se com os animais. «Tínhamos perus, coelhos, cães, gatos, galinhas. Todas as manhãs era como uma caça ao ovo da Páscoa», as galinhas punham ovos pela casa fora. O preferido de Cate e Bronte, porém, é o Pepper, um porco de estimação. Mas o que mais gostava era da piscina, onde deu os primeiros passos com a ajuda da mãe, que na escola se distinguiu no nado sincronizado. Cate vivia num paraíso em Malawi, mas em 2001, e com o aumento da família, mudou-se para a Austrália. O PRIMEIRO OURO NOS JOGOS OLÍMPICOS DE LONDRES Cate Campbell é a mais velha dos cinco irmãos: Bronte (22), Jessica (19), Hamish (17) e Abigail (13). Adversárias dentro da piscina e amigas fora dela, as irmãs Campbell compartilham muito mais do que o amor pela natação - são adeptas de ginástica artística e de saltos ornamentais, e seguem uma dieta exageradamente rica em proteínas, à base de atum e ovo. Em 2012, Cate e Bronte cumpriram um sonho de infância, quando nos Jogos Olímpicos de Londres, competiram na mesma modalidade, uma realidade que não acontecia há 40 anos. A última vez que uma dupla de irmãos australianos se classificava para uma edição dos Jogos Olímpicos, aconteceu em 1972, com os nadadores Neil e Greg Rogers. E foi precisamente em Londres, nos Jogos Olímpicos, que Cate conquistou a primeira medalha de ouro, ao sagrar-se campeã Olímpica na estafeta 4x100 m livres. Cate começou a dar nas vistas aos 16 anos, nas Olimpíadas de 2008, em Beijing, (Pequim), quando ganhou as primeiras medalhas: bronze nos 50 metros livres e na estafeta 4x100 m livres. Em 2013, no Mundial de Barcelona, as irmãs Campbell foram mais uma vez, os destaques da Seleção feminina australiana, e Cate conquistou o título Mundial nos 100 metros estilo livre. NO PÓDIO EM KAZAN Fora das piscinas, Cate e Bronte vivem juntas num apartamento em Bowen Hills, nos subúrbios de Brisbane, Queensland, que fica a cinco minutos a pé do centro de treinos - Valley Pool - a casa que criou grandes estrelas olímpicas: Kieren Perkins, Libby Trickett, Susie O´Neill, Hayley Lewis, Samantha Riley. «Juntas, elas são mais fortes: Cate não seria tão boa sem Bronte e Bronte não poderia ser tão boa sem Cate», comentou Simon Cusack, o treinador, que as acompanha duas vezes por dia, seis dias por semana. «É uma relação quase instintiva dos seus corpos com a água». Ao longo dos anos, Cate foi construindo um currículo de respeito: três medalhas olímpicas (duas de bronze e uma de ouro), e sete em Campeonatos do Mundo absolutos (entre 50, 100 e 4x100 m livres). Quanto a Bronte, era frequentemente questionada: «Quando é que ultrapassas a tua irmã?». E a resposta não tardou. Em 2015, nos Campeonatos do Mundo de Natação, em Kazan (Rússia), as irmãs voltaram a encontrar-se no pódio, e só Bronte escreveu a história, ao sagrar-se campeã Mundial dos 200 metros livres. E, pela primeira vez, duas irmãs - medalhadas de ouro e bronze - subiram ao pódio da mesma prova individual. A CAMINHO DO RIO… É caso para dizer que, Cate não vai sozinha ao Jogos Olímpicos do Rio, Bronte também vai la estar. Novamente as irmãs Campbell, aspirantes a serem o melhor duo de irmãs a competir. Serena e Venus Williams são as suas concorrentes mais diretas. Mas quem levará a medalha para casa? O ouro Olímpico ainda é um mistério, mas Cate tem os pés bem assentes na terra. A campeã Olímpica começou o mês de julho da melhor forma, ao fixar em Brisbane um novo recorde do Mundo dos 100 metros livres. A marca conseguida – 52,06 segundos – superou em 0,01 o até aqui melhor tempo, na posse da alemã Britta Steffen, desde 2009. «Aconteceu quando eu menos esperava». Seja quando menos espera, ou na hora de levantar a medalha, é em Hamish que Cate pensa, o seu grande herói, o irmão que sofre com paralisia cerebral. «Nós olhamos para ele e não consegue alimentar-se sozinho, ir à casa de banho sozinho, não se consegue vestir sozinho, ele não nos consegue dizer quando tem fome ou sede, ele não consegue ver». Hamish, agora com 17 anos, tem o desenvolvimento aproximado de uma criança de três e precisa de cuidados 24 horas por dia. Cate costuma pensar no irmão durante as provas, e diz para si mesma que é só uma corrida, «na vida há coisas bem piores do que perder». ANOREXIA, UMA DOENÇA SILENCIOSA Em 2010, Cate apanhou uma febre viral que se traduziu numa grave fadiga. Passou um ano quase a dormir, sem conseguir treinar. Mas esse não foi o único pesadelo que viveu. Por se considerar demasiado gorda, não gostava de si cada vez que se olhava ao espelho, Cate entrou em paranoia, e chegou a perder cerca de 10 quilos. Tudo começou quando começou a ver os anúncios das modelos da Victoria´s Secret, bonitas e magras. Cate não conseguiu ignorar a beleza escultural que os seus olhos alimentavam, nem mesmo as revistas de moda, embaladas com modelos em corpos minúsculos. Apesar de ser uma campeã Olímpica consagrada, os títulos e a fama não a conseguiram salvar. Decidiu ser magra, aliás, demasiado magra, o que significava perder peso, e por pouco não perdeu também a sua identidade. QUANDO PHELPS LHE SALVOU A VIDA Cate Campbell começou por seguir uma dieta onde, cada alimento que consumia, era analisado até ao ultimo pormenor – por dia, só lhe permita comer até 1000 calorias. Os amigos começaram a ficar preocupados e a sua preocupação tornava o seu sonho possível. A obsessão por comida era tal, que o corpo começou a dar sinais. «Eu estava a ficar cada vez mais doente». Tal como Cate, Michael Phelps não é apenas um campeão dentro de água, e foi precisamente o medalhista Olímpico que lhe salvou a vida. Ao ler o capítulo do livro Beneath The Surface, lançado por Phelps, onde relatava o trauma da irmã Hilary, também uma nadadora que depois de uma lesão nas costas, sofreu um distúrbio alimentar, Cate acordou para a realidade. Não podia continuar assim. Nas palavras de Phelps, tentou recuperar a vida. «Nadadoras magras não são boas nadadoras». E Cate era uma campeã nas piscinas. Com a ajuda da mãe, a australiana consultou uma nutricionista, e entre 2011 e 2012 recuperou a sua forma, e a sua saúde. «Eu decidi ser saudável e feliz, porque eu estava miserável. Eu sentia-se cansada, doente, irritada, todas essas coisas. Eu nunca quis entrar num estado de anorexia ou bulimia, mas estava psicologicamente afetada…». ...
Estilos e Espantos No Rio pode haver Michael Phelps em versão feminina. Pelo menos, essa é a promessa que ela própria, a Katie Ledecky não descarta. Sim, mesmo que no apelido não pareça é americana, o Ledecky vem-lhe do avô checo que para lá fugiu dos comunistas, no rescaldo da II Guerra Mundial. Aos seis anos começou a nadar, e aos 15 conquistou o ouro nos 800 metros livres nos Jogos Olímpicos de Londres. Mais espanto ainda, foi o que fez nos Mundiais de Kazan, ao tornar-se a primeira nadadora a conquistar o outro numa só edição dos Mundiais nos 200, 400, 800 e 1500 metros, bem como na estafeta de 4x200... Michael Phelps tinha sete anos quando a mãe decidiu inscrevê-lo numa piscina, o «único sítio capaz de conter a sua energia caótica». Sete anos depois das primeiras braçadas, foi o próprio Phelps que o disse: «quase que me sinto em casa quando estou dentro de água. Ali eu desapareço do mundo. É onde eu pertenço». O resto? É o que se sabe: foram 22 medalhas (18 de ouro) por ele conquistadas, um nome que para sempre será lembrado como uma lenda Olímpica. Michael Phelps é dos nomes mais esperados nos Jogos Olímpicos do Rio, tornando-se o primeiro atleta olímpico a integrar a seleção americana em cinco edições dos Jogos Olímpicos, igualando o feito de Dara Torres, dona de quatro medalhas olímpicas de ouro. Será no Brasil que, a lenda da natação vai encerrar uma carreira sem paralelo no desporto. Embora um deus nas piscinas, na vida pessoal, Phelps tocou por várias vezes o inferno. Tudo começou após anunciar a despedida nos Jogos de Londres. Sem treinar, foi detido ao conduzir sob o efeito de álcool, em alta velocidade. Em Setembro de 2014, acabou suspenso por seis meses (já havia sido detido pelo mesmo motivo em 2004), o que o impediu de disputar o Mundial de Kazan, em 2015, onde Katie Ledecky foi estrela. O ENCONTRO COM O ÍDOLO NUMA FILA DE AUTÓGRAFOS Sobre ela, não há muito a dizer: «Cada vez que entra na água, é como um recorde mundial», foi desta forma que Phelps elogiou Ledecky, a sua compatriota de apenas 19 anos. Katie começou a nadar aos seis anos, por influência do irmão. Dizem que o truque de uma mentalidade vencedora é pensar em ganhar, sempre em ganhar, ser obcecado por vitórias, títulos, medalhas e conquistas, mas Katie não começou assim. No primeiro teste, via-se mais espuma e água descontrolada do que algo parecido com nadar, muito menos em crawl, ou estilo livre. No fundo, Katie não sabia o que estava a fazer, apenas queria brincar, era uma criança feliz. Perdeu a primeira corrida, no final, perguntaram-lhe o que lhe passava ela cabeça enquanto estava a tentar dar umas braçadas. «Nada!», respondeu. Mas Katie não convenceu. Três anos depois de mal saber nadar na primeira prova, Katie apareceu na fila de uma sessão de autógrafos, à espera da sua vez para conhecer e tirar uma fotografia com o ídolo, Michael Phelps. Tinha 9 anos e, com 14, já estava na mesma equipa que o campeão olímpico detentor de 22 medalhas olímpicas. «Foi um momento bastante surreal, quando pensei que o tinha conhecido na altura em que estava a começar a nadar…». Meses depois, chegava a Londres, os primeiros Jogos Olímpicos da sua carreira – Katie tinha apenas 15 anos (quatro meses e dez dias no dia da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos) - era a mais nova da equipa e da comitiva americana (530 atletas). Da memória, um momento eterno – quando tirou os óculos e viu no ecrã o seu nome – tinha acabado de vencer a medalha de ouro nos 800 metros livres, a única prova em que estava inscrita, com o tempo de 8.14,63 minutos, mais de quatro segundos de vantagem sobre a concorrência. Sozinha e sem ninguém à frente, é assim que Katie Ledecky costuma terminar as provas em que participa. A INFÂNCIA COM…MICHAEL JORDAN Nasceu em Washington, DC, como Kathleen Genevieve Ledecky, a 17 de março de 1997, mas rápido o mundo a conheceu apenas por Katie Ledecky. Tal como a sua mãe, Mary Gen Hagan, uma nadadora da Universidade do Novo México, quis saber a sensação de estar dentro de água, mas foi pelo irmão que continuou. Michael, três anos mais velho, também é um apaixonado pelas piscinas. Estudante na Universidade de Harvard, deixou as competições para a irmã, o seu maior orgulho. Katie cresceu entre os grandes do desporto, onde por várias ocasiões entrou nas brincadeiras de Michael Jordan, parceiro do seu tio (Jon Ledecky) na administração dos Washington Wizards, equipa da NBA. FUGIDO DA GUERRA PARA LAVAR PRATOS Um ano depois dos Jogos Olímpicos de Londres, Katie já não se contentava apenas com mais um título. Em 2013, nos Mundiais de Barcelona, a campeã americana conquistou cinco. Nos Mundiais de 2015, em Kazan, na Rússia, Katie bateu todos os recordes: depois do título nos 400 metros livres no primeiro dia, triunfou nos 1500 metros e com mais um recorde do mundo, batendo a sua própria marca estabelecida nas eliminatórias da véspera. Ledecky até tinha batido o recorde no dia anterior quase por acidente — «provavelmente o recorde mais cool da minha carreira», disse - e na final, voltou a ser o que se esperava dela, dominadora da primeira à última piscina, terminando com o tempo de 15.25,48 minutos, menos 2,33 segundos que a sua anterior marca. Foi o sexto título mundial (o segundo em Kazan) para a americana, que, pouco depois de triunfar na prova mais longa em piscina, ainda conseguiu a qualificação para a final dos 200 metros. Já na outra prova em que está inscrita, os 800 metros (onde conquistou o primeiro lugar), Katie é considerada a grande favorita, e deverá, ainda, integrar a estafeta norte-americana dos 4x200m livres. «Não sou capaz de abrandar em nenhuma prova», e não abrandou. «É das melhores nadadoras em estilo livre que já vi. Uma vez treinei com ela, em Colorado, e fez com que eu parecesse que estava parado. Ela voou sobre mim», revelou Ryan Lochte. «A sério, ela quase que nada como um homem. A braçada longa e curva, cada vez mais forte durante a corrida», afirmou Michael Phelps. Destinada ao êxito desde criança, Katie herdou a garra do seu avô paterno, Jaromir Ledecky, um checo que em 1947 chegou aos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial para lavar pratos e aprender inglês. Fê-lo tão bem, que terminou com um doutorado em economia na Universidade de Nova Iorque. Isso, além de uma considerável fortuna. UM FENÓMENO DAS PISCINAS Em quatro anos, Katie já conquistou o mundo. Depois do inesperado outro Olímpico em Londres, com apenas 15 anos, as melhores braçadas que deu numa piscina, viram-se em Kazan, onde conquistou o ouro nos 200m, 400m, 800m e 1500m livres (feito que nenhum outro nadador havia conseguido numa só edição dos Mundiais), bem como na estafeta de 4x200m livres. Em 2013, Katie conquistara cinco títulos nos Mundiais de Barcelona). Bater recordes a torto e a direito, uns atrás dos outros, para ela é um hobbie, uma paixão que lhe dá medalhas, mas que lhe rouba o tempo. Depois do brilharete Olímpico, voltar à normalidade tornou-se uma tarefa impossível. Após os Mundiais, Katie decidiu congelar a matrícula na Universidade de Stanford, uma das melhores dos Estados Unidos, para se focar na preparação dos Jogos Olímpicos do Rio. Em janeiro, Katie participou num meeting em Austin, nos Estados Unidos da América, onde bateu o recorde mundial dos 800 metros livres, com o tempo de 8.06,86 minutos. A campeã olímpica bateu o seu próprio recorde, de 8.07,39, marca que tinha sido cronometrada em agosto do ano passado, durante os Mundiais de natação, que decorreram em Kazan. NO RIO COM MICAHEL PHELPS «Claro. Queres nadar daqui a uma hora?», respondeu-lhe Katie, depois de Michael Phelps a ter desafiado para uma corrida, durante um evento em que coincidiram no Arizona. Não chegaram a correr. «Não, quero nadar agora, que acabaste uma prova e estás cansada», atirou o medalhado olímpico. Katie mesmo assim disse-lhe que sim. Mas conta a história que Michael Phelps não apareceu. «De outro mundo». Foi assim que Bob Bowman, o mentor de Phelps, qualificou Katie Ledecky. O recordista de medalhas olímpicas voltou a elogiar a compatriota. «Ela tem fome de títulos. É bom vê-la a dominar de forma continuada». Em comum com Phelps, para além de ser uma das maiores estrelas em ascensão na natação, Katie Ledecky tem o facto de se ter estreado nuns Jogos Olímpicos aos 15 anos. A diferença é que, enquanto o nadador de Baltimore foi quinto nos 200 metros mariposa, em 2004, Katie conquistou o ouro logo à primeira tentativa, nos 800m de Londres 2012. E se os acordes de piano são a sua inspiração, é dentro de água que Katie dá música à concorrência. É preciso voltar aos anos 60 e 70, para encontrar uma nadadora que se assemelhe ao seu potencial – Debbie Meyer, batizada na América como a diva, quando nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, ganhou os 200, 400 e 800 metros, tornando-se a primeira mulher a ganhar três ouros Olímpicos num só edição. Para os Jogos Olímpicos do Rio, se Phelps conta fazer história em cinco provas, Katie vai mais longe, e são seis as medalhas que pretende levar para casa. Ledecky detém nove dos dez melhores tempos de sempre dos 800 metros e apresenta-se como a grande candidata a revalidar o título olímpico - na prova em que vai estar uma portuguesa, a Tamila Holub, vice-campeã europeia de 800 metros e campeã europeia de 1500 de juniores. ...

PORTUGUESES

EMIGRANTES

NUNO SILVA: DO PESADELO EM ANGOLA À AVENTURA EM ESPANHA COM A CAMISOLA DE FRANCO. Nuno Silva não vai esquecer tão cedo o dia 29 de julho de 2015. O extremo de 29 anos apresentou-se como reforço do Real Jaén, da 2.ª divisão B espanhola, com uma camisola estampada com a imagem do ditador Francisco Franco e a polémica estalou em Espanha. O assunto foi um dos mais comentados no twitter e o dia que parecia o mais tranquilo e calmo tornou-se num verdadeiro pesadelo. «Recordo como se fosse hoje. Acaba por ser o momento com maior impacto da época, do clube e, claro está, também o momento que teve mais impacto para mim nesta passagem por Jaén. Passei a ser um jogador conhecido por causa de uma camisola. Foram dois/três dias difíceis ao início mas depois demos a volta à situação com os grandes profissionais do clube. O apoio de todos foi determinante para a minha adaptação à cidade e ao clube», recorda Nuno Silva em conversa com A BOLA. «A oportunidade de vir para o Real Jaén surgiu com a maior das naturalidades e sem contar muito. Estava a procurar a melhor solução dentro do mercado português e estava num trabalho de verão com um amigo e o telefone tocou quando menos esperava. Ouvi a proposta e não hesitei pois era um desejo muito grande jogar em Espanha», acrescenta o extremo que em Portugal representou clubes como o União da Madeira, Freamunde, Olhanense, Santa Clara, entre outros. Finda a temporada em Espanha, Nuno Silva faz um balanço positivo e deixa rasgados elogios à qualidade que existe no terceiro escalão do futebol espanhol. «O balanco é super positivo a nível pessoal: realizei mais de 30 jogos, marquei quatro golos, fiz várias assistências e jogos de bom nível. Estou muito feliz com a época que fiz a nível pessoal mesmo com os problemas todos que existiram durante a época. Não tinha a ideia de que a 2.ª divisão B tivesse este nível. Há equipas neste campeonato com orçamentos, estádio, condições de trabalho e adeptos superiores a muitos clubes da Liga portuguesa. Aqui o futebol é vivido com muita paixão», descreve. O carinho dos adeptos exigentes do Jaén A experiência no Real Jaén terminou, mas Nuno Silva garante que não vai esquecer os exigentes adeptos do emblema espanhol. O amor que a afición tem pelo clube é enorme e mesmo nos momentos mais difíceis não deixam de apoiar a equipa. «Os adeptos são exigentes porque o Jaén é um clube grande, que está habituado a estar acima da 2.ª B. Os adeptos querem ver o clube nos escalões acima. São apaixonados e sentem o clube como ninguém. Não são de outros clubes, são apenas do Real Jaén e isso faz-nos perceber o verdadeiro sentido da palavra amor. Mesmo nos momentos difíceis, os adeptos não deixam de apoiar… Incrível. Nos nossos jogos em casa eram sempre no mínimo quatro mil a apoiar», conta o atacante português. Angola: o pior passo da carreira A aventura por território espanhol não foi a primeira além-fronteiras de Nuno Silva. O jogador português esteve 18 meses em Angola mas as coisas não correram como o desejado. Atualmente assume essa mudança como o «pior passo da carreira»… «Não vou esconder que foi o pior passo na minha carreira. Não ponderei os riscos e fui atrás apenas do dinheiro. Pensava que poderia ter uma carreira melhor fora do que em Portugal e ganhar mais títulos e dinheiro. Hoje assumo publicamente que me arrependo de não ter ouvido o meu pai. Tinha apenas 25 anos e estava na Liga [Olhanense] com um grande treinador, o Sérgio Conceição, um grupo de jogadores muito bom e não tive paciência… Reconheço que fui egoísta e egocêntrico quando tomei a decisão de me aventurar por Angola», admite. «Mas tenho de valorizar a passagem por Angola do ponto de vista pessoal. Foi um ano e meio de grande aprendizagem, Obrigou-me a traçar outros caminhos e a reconhecer que estava errado… Aprendi muito e aqui tenho de destacar alguém, que pelas suas qualidades humanas, foi muito importante para mim durante a passagem por Angola: o Professor Vaz Pinto», acrescenta. Futuro? Onde for feliz… O futuro não preocupa Nuno Silva. O extremo português espera encontrar um projeto onde se sinta valorizado por todos. Depois de tudo o que viveu, Nuno garante que o mais importante neste momento passa por agarrar uma oportunidade num clube onde possa ser feliz. «Os meus objetivos passam sempre por ser feliz e nunca ir apenas atrás da melhor solução financeira. Movo-me por paixões e o futebol espanhol é vivido dessa forma. Se me derem a escolher tentarei continuar por Espanha», garante. «Voltar a Portugal está sempre nos planos e sem vaidade posso afirmar que não vou para um projeto de Liga 2 só para estar na Liga 2. Não sinto qualquer complexo em jogar em que divisão for. O mais importante hoje é sentir-me feliz todos os dias em que calço as chuteiras, desejado e importante para as pessoas que me rodeiam no clube. Gostava de voltar para poder ter a alegria de ver os meus pais e filhos a festejarem um golo meu», termina....
RUI JANOTA CONCRETIZOU SONHO ANTIGO EM ANGOLA. Rui Janota começou a temporada no Real Massamá, do Campeonato de Portugal, longe ainda de imaginar aquilo que o destino tinha reservado para si. O telefone tocou e do outro lado um convite inesperado, mas que lhe permitia cumprir um dos maiores sonhos: ser jogador profissional. Colocou os prós e os contras na balança e decidiu aceitar o desafio de rumar a Angola para representar o 1.º de Maio de Benguela. Nos primeiros meses apanhou paludismo e febre tifoide numa realidade «completamente diferente». A falta pontual de luz, de água, as estradas terríveis, o calor infernal e a pobreza nas ruas são apenas alguns dos problemas de um país que vive e muito o futebol. O que falta? A família. Mas a vontade de triunfar e de dar um bom futuro aos seus tem sido o foco do médio português de 26 anos. «É uma realidade completamente diferente daquela a que estava habituado, mas tem sido bom. Ao início tive algumas dificuldades, pois estou num país diferente e acontecem aqui coisas que pensava que não existiam. Estava muito preocupado com a segurança. Vim completamente sozinho e quando cheguei ao aeroporto nem sabia para onde ir. E as saudades…Estou longe da família e isso custa-me… Mas sei que vou conseguir melhorar a minha vida», começa por contar Janota, em conversa com A BOLA. «Dizem que vivo na melhor cidade. Benguela é a província mais limpa e segura. Mas não sou indiferente ao que se passa em certos bairros. Aqueles miúdos que andam no campo descalços, que não se alimentam e andam atrás de ti a pedir água… é chocante. Custava-me lidar com isso diariamente. Agora aproveito essas ocasiões para brincar com eles», sublinha. 12 horas de viagem entre Benguela e Luanda Cerca de 500 quilómetros separam Benguela de Luanda. Uma distância considerável tendo em conta que o 1.º de Maio tem várias deslocações à capital angola. Esta temporada já foram cinco as jornadas em que o emblema de Janota teve de visitar Luanda e em quatro delas foram… de autocarro. «É uma viagem difícil. Os autocarros não são os melhores, as estradas têm muitos buracos e… doze horas de viagem. A nível pessoal tem sido uma experiência incrível, pois ganho forças para conseguir aguentar tudo. Tenho aprendido muito nestes meses sozinho», assegura. Pese as dificuldades, Rui Janota faz um balanço positivo dos primeiros meses em Angola: «Receberam-me bem no clube, tanto o treinador como os meus colegas. O facto de a língua ser a mesma ajuda, no entanto se falarem rápido não percebo nada. Mas agora acho que já falo um pouco como eles. Ultimamente, quando falo com a minha família perguntam-me sempre porque é que estou a falar ‘daquela maneira’…», conta entre risos. «O balanço acaba por ser positivo. As coisas estão a correr bem. Estou aqui para conseguir dar o salto para um clube melhor e a verdade é que alguns clubes já falaram comigo. Voltar para Portugal? Não sei… Gostava mas sei que em Portugal é muito complicado ser jogador profissional. Para quem quer construir família, como é o meu caso, acaba por ser muito complicado porque os ordenados não são nada por aí além», acrescenta Janota. Treinos com cinco mil (!) adeptos A paixão do povo angolano pelo futebol é genuína. E o exemplo que Rui Janota nos conta é sinal disso mesmo. Cinco mil adeptos a assistirem a um simples treino prova que o desporto-Rei move multidões num país onde a taxa de pobreza ainda é bastante significativa. «Aqui os adeptos vivem muito mais o futebol. Não há outras atrações. Temos treinos com cerca de quatro a cinco mil pessoas. Incrível. E festejam os golos nos treinos como se estivessem a ver um jogo a sério…», resume. «Quais as diferenças para o futebol português? Aqui [em Angola] existe qualidade técnica, mas em Portugal o jogo é mais estudado. A nível tático é muito mais evoluído em Portugal. Aqui é mais talento puro do que tático. E a nível físico, em Angola é mais exigente». Rui Janota cumpriu um sonho num país absolutamente diferente daquilo a que estava habituado. Os amigos, a namorada, a família… todos eles estão em Portugal a torcer para que as coisas corram bem ao médio. O que fica? As saudades. «Tenho muitas saudades dos meus amigos e da minha família. Morava numa zona calma e estava sempre em casa de amigos. Aqui não tenho ninguém. Treinamos de manhã e depois tenho o dia todo para fazer o que quiser. São muitos tempos mortos. Os meus colegas não gostam de praia, de piscina… Não há um centro comercial, nada… Ou vou para a piscina sozinho ou jogo Playstation. Mas isto se tiver luz…», termina....
FÁBIO ESPINHO: O DESEJO DE TRIUNFAR NO MÁLAGA APAGA A MÁGOA POR O QUE FALTOU CONQUISTAR EM PORTUGAL. Fábio Espinho chegou ao Málaga no início da temporada passada, depois de duas épocas de bom nível ao serviço do Ludogorets, clube no qual conquistou dois Campeonatos da Bulgária, uma Taça e brilhou nas competições europeias contra equipas como o Real Madrid e o Liverpool. A estreia na liga espanhola não foi a desejada, marcada pela escassa utilização, e o médio português acabou por sair no mercado de janeiro com destino a Moreira de Cónegos. «Como todos sabem, em Espanha não fui muito utilizado, por opção do treinador. Sempre estive habituado durante a minha carreira a jogar, senti que devia sair para ir em busca desses minutos que são importantes para mim. Sabia que o Moreirense podia dar-me isso e felizmente as coisas correram como eu esperava. Acho que o balanço é completamente positivo, pois contribuí para o objetivo do clube: a manutenção», assume Fábio Espinho em conversa com A BOLA. «Claro que o facto de ter jogado no Moreirense pesou no momento da decisão. Sempre mantive uma excelente relação com toda a estrutura e eles também quando souberam da minha situação fizeram questão de saber a minha disponibilidade em regressar. Foi assim que surgiu a oportunidade», acrescenta. Objetivo: afirmação no Málaga Habituado a ter um papel importante nas equipas que tem representado ao longo da carreira, o médio de 30 anos sente que está em dívida com o clube que o contratou no verão de 2015 e promete trabalhar no máximo para merecer a confiança do novo treinador do Málaga, o espanhol Juande Ramos. «Tenho mais um ano de contrato. O meu desejo passa por regressar ao Málaga e conseguir afirmar-me, uma vez que não tive essa oportunidade a temporada passada. Desde que cheguei, procurei sempre trabalhar no máximo e, das poucas oportunidades que tive, acho que estive bem. Agora, as decisões cabiam ao treinador [n.d.r. Javi Gracia] e eu só tinha de respeitar», reconhece Fábio Espinho, sem esquecer o trabalho que desenvolveu na Bulgária, fundamental para dar o salto para uma das «melhores ligas do mundo»: «Foram dois anos completamente espetaculares na Bulgária. O primeiro ano quando cheguei consegui ganhar tudo. No ano seguinte abrilhantámos ainda mais o nosso percurso com a participação na Liga dos Campeões. Fui muito feliz na Búlgária. Sinto também que fui um jogador muito importante num sítio onde me senti muito bem e valorizado. Com o que fiz lá consegui dar o salto para o campeonato espanhol, uma liga de sonho para muitos jogadores. Ficou o sabor amargo na época de estreia, mas espero ter a minha oportunidade este ano.» O que faltou para ter outra carreira…em Portugal Fábio Espinho cumpriu toda a sua formação no FC Porto, mas nunca conseguiu chegar à equipa principal dos dragões - ainda esteve duas temporadas na equipa B, seguindo depois para o Sporting de Espinho. Chegou à Liga em 2009 pela porta do Leixões e destacou-se no Moreirense, ao ajudar a equipa a subir da Liga 2 ao principal escalão do futebol português, em 2011/2012. As duas temporadas em Moreira de Cónegos despertaram o interesse do Ludogorets e depois, como já referido, deu-se o salto para o Málaga. Mas afinal o que faltou para Fábio Espinho conseguir chegar a um dos designados grandes do futebol português? «Esperava fazer outra carreira aqui em Portugal, mas assim não foi possível... Não escondo que perspetivava outro tipo de carreira no meu país, mas não sei quais foram os motivos para isso não acontecesse...Mas consegui lá fora o que não consegui em Portugal e fico também feliz por isso», remata....
IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
 

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Danilo é um bom reforço para o meio-campo do Benfica?

 

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de ontem
João Mário vai continuar no Sporting?
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