QUINTA-FEIRA, 05-05-2016, ANO 17, N.º 5941
«Benítez disse-me que não contava comigo» - Pepe
Real Madrid Relegado para terceira opção por Rafael Benítez, Pepe entregou-se ao trabalho de corpo e alma para fazer por merecer um lugar na equipa titular do Real Madrid. «No início da época Benítez disse-me
«O pior já passou...» - Bale
Real Madrid A cumprir a terceira época no Real Madrid, Gareth Bale diz sentir-se cada vez mais confortável na equipa espanhola. Os problemas de adaptação, acredita, fazem parte do passado. «Sinto que estou mai
Oliveirense junta-se a Benfica nas meias-finais do ‘play-off’
Basquetebol A Oliveirense venceu o Galitos Barreiro, por 82-72, e garantiu o apuramento para as meias-finais do ‘play-off’ da Liga de basquetebol onde irá defrontar o Benfica. James Ellisor, com 27 pontos, foi
«Caíamos frente a um adversário muito experiente» - Mangala
Manchester City Eliaquim Mangala manifestou orgulho na campanha do Manchester City na Liga dos Campeões, que teve como epílogo derrota (0-1) diante do Real Madrid, no Santiago Bernabéu. «Sofremos um golo feliz, nu
«Tenho um carinho especial por Simeone» - Sergio Ramos
Real Madrid Sergio Ramos, defesa do Real Madrid, reagiu às declarações do treinador do Atlético Madrid, Diego Simeone, mas deixou o aviso: na final da Liga dos Campeões serão rivais. «Deixa-me feliz ouvir Sime
Faleceu Paulo Paraty
Arbitragem Faleceu esta quarta-feira, vítima de doença prolongada, o antigo árbitro Paulo Paraty. Contava 53 anos e era natural do Porto. Foi um dos melhores árbitros da sua geração e chegou a ostentar as insígn
ABC vence Sporting (29-28) após dois prolongamentos e junta-se a Benfica na final
Andebol O ABC venceu o Sporting por 29-28 e apurou-se para a final do campeonato nacional de andebol, onde vai defrontar o Benfica. A eliminatória, disputada à melhor de cinco jogos, terminou com um 3-2 favor
«Golo feliz do Real Madrid fez a diferença» - Joe Hart
Manchester City Joe Hart considera que o Manchester City demonstrou ter argumentos para superar o Real Madrid nas meias-finais da Liga dos Campeões, lamentando que um «golo feliz» tenha colocado ponto final no percur
«Nada ganhámos ainda» - Zidane
Real Madrid Zinedine Zidane congratulou-se com o apuramento do Real Madrid para a final da Liga dos Campeões, que considerou justo, mas frisou não haver ainda motivos para festejar. «Sabíamos que teríamos de
Ronaldo quer continuidade de Zidane
Real Madrid Cristiano Ronaldo elogia o trabalho de Zinedine Zidane no comando técnico do Real Madrid e não esconde que pretende continuar a trabalhar com o treinador francês na próxima temporada. «Zidane está
«Vamos dar tudo em campo na final» - Sergio Ramos
Real Madrid Sergio Ramos considera que a presença do Real Madrid na final da Liga dos Campeões é um prémio justo para a campanha da equipa `merengue´ nesta temporada. «Depois de uma temporada tão difícil, o tr
Djokovic regressa às vitórias em Madrid
Ténis Novak Djokovic iniciou a participação no Masters 1000 de Madrid com vitória tranquila diante do croata Borna Coric. O tenista sérvio, que vinha de surpreendente derrota na ronda inaugural do tornei
«Mais de meia Europa é do Atlético Madrid» - Cerezo
Atlético Madrid Muito tem sido dito sobre o apregoado `jogo feio´ do Atlético Madrid. Indiferente às críticas, é convicção de Enrique Cerezo, presidente do clube visado, que a equipa de Diego Simeone granjeia, por es
Lucescu considera Sevilha «especialista» da Liga Europa
Liga Europa Os treinadores de Sevilha e Shakhtar Donetsk fizeram a antevisão do jogo desta quinta-feira, em Espanha, referente à segunda mão das meias-finais da Liga Europa. O primeiro duelo, na Ucrânia, terminou
Koeman causa apreensão
Southampton A relutância de Ronald Koeman em pôr o preto no branco num novo contrato com o Southampton está a suscitar preocupação nas hostes do emblema de St. Mary´s. Noticia o `Daily Mirror´ que a Direção do
«Pogba e Dybala estão a ser muito solicitados» - Marotta
Juventus Giuseppe Marotta, diretor geral da Juventus, tornou público o assédio de vários clubes a Pogba e Dybala, mas deixou claro que os dois jogadores estão protegidos pelo estatuto de intransferíveis em Tur
«Será muito difícil conquistar o título» - Carlos Saleiro
Sporting Adepto confesso do Sporting, Carlos Saleiro não se coíbe de reconhecer que será «muito difícil» aos leões ultrapassar o Benfica na reta final da temporada e festejar a conquista do título que escapa a
«Jesus e Vitória não se sentem bem com o ambiente que veem à volta deles» - Manuel Sérgio
Ética no Desporto Para o Provedor da Ética no Desporto, o ambiente de crispação constante entre Sporting e Benfica não valoriza os próprios clubes nem o futebol. Alerta que é preciso educar para humanizar o desporto.
«Benfica e Sporting não vão perder mais pontos» - Tiago
Liga Tiago perspetiva um jogo difícil para o Benfica diante do Marítimo, nos Barreiros, mas acredita que, não obstante a pressão do Sporting, o tricampeonato já não foge à equipa de Rui Vitória. «Tanto
Ronaldo titular frente ao Manchester City
Real Madrid Estão desfeitas as dúvidas. Cristiano Ronaldo vai integrar o onze do Real Madrid no jogo desta noite com o Manchester City, no Santiago Bernabéu, referente à segunda mão das meias-finais da Liga dos C
Francisco Ramos quer festejar título frente ao Benfica B
Porto B Francisco Ramos reconhece que seria «ainda mais especial» festejar o título da Liga 2 pelo Porto B com uma vitória no clássico com o Benfica B, no próximo domingo (16.30 horas), no Estádio de Pedroso.
APAF recorda participação «muito ativa» de Paulo Paraty
Arbitragem A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) reagiu à morte de Paulo Paraty, ex-árbitro internacional que faleceu esta quarta-feira vítima de doença prolongada. «É com grande pesar que a d
«Paulo Paraty sempre se bateu pelo que acreditava» - Pedro Proença
Liga Pedro Proença, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, manifestou pesar pela morte de Paulo Paraty, a quem se referiu como «um grande amigo» e «um dos melhores árbitros portugueses da s
Vítor Pereira sobre Paraty: «Foi árbitro até ao fim»
FPF O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Vítor Pereira, falou sobre Paulo Paraty, ex-árbitro internacional que faleceu esta quarta-feira vítima de doença prolongada.
Govea e Francisco Ramos repetem presença no Olival
FC Porto O plantel do FC Porto realizou esta quarta-feira novo treino no Olival, à porta fechada, tendo em vista o jogo com o Rio Ave, da 33.ª jornada da Liga, marcado para sábado (16.15 horas), em Vila do Con
Carlos Móia desvaloriza buscas na SAD
Benfica Carlos Móia, presidente executivo da Fundação Benfica, comentou esta quarta-feira as buscas da Polícia Judiciária na SAD encarnada, no âmbito da denominada `Operação Matrioskas´. «Nada tem a ver co
André Gomes não sai por menos de €65 milhões
Valência Face ao interesse que André Gomes está a despertar em clubes como a Juventus, o Manchester United ou o Chelsea, o Valência decidiu analisar a possível venda do médio português durante o próximo defeso
Marc Honoré regressa ao Benfica
Voleibol Marc Honoré está de regresso à equipa de voleibol do Benfica. O central de 31 anos, natural de Trindade e Tobago, assinou contrato até 2018 com o clube da Luz. «Fico muito feliz por regressar ao Be
Frederico Silva eliminado em Roma
Ténis Frederico Silva foi esta quarta-feira eliminado na segunda ronda do torneio `challenger´ de Roma, ao perder com o italiano Andrea Pellegrino, em dois sets, pelos parciais de 3-6 e 6-7 (1/7). O teni

classificações

Liga
Liga 2
32. ª jornada
33. ª jornada
classificação
44. ª jornada
45. ª jornada
classificação
06-05
P. Ferreira
20:30
Tondela
Sport TV1
07-05
Rio Ave
16:15
FC Porto
Sport TV1
07-05
Académica
18:30
SC Braga
Sport TV1
07-05
Sporting
20:45
V. Setúbal
Sport TV1
08-05
Nacional
16:00
Belenenses
08-05
Boavista
16:00
União
Sport TV1
08-05
V. Guimarães
18:15
Moreirense
Sport TV1
08-05
Marítimo
20:30
Benfica
Sport TV1
09-05
Estoril
20:00
Arouca
Sport TV1
07-05
Freamunde
11:15
Penafiel
Sport TV1
08-05
Portimonense
11:15
Chaves
Sport TV1
08-05
Covilhã
16:00
Oliveirense
08-05
Feirense
16:00
Gil Vicente
08-05
Leixões
16:00
Olhanense
08-05
Mafra
16:00
Académico
08-05
Oriental
16:00
Varzim
08-05
Sporting B
16:00
V. Guimarães B
Sporting TV
08-05
Famalicão
16:00
Atlético
08-05
Farense
16:00
Aves
08-05
Santa Clara
16:00
Braga B
08-05
Porto B
16:30
Benfica B
PortoCanal
J
V
E
D
G
P
1
Benfica
32
27
1
4
82-21
82
2
Sporting
32
25
5
2
70-21
80
3
FC Porto
32
21
4
7
60-29
67
4
SC Braga
32
16
9
7
54-31
57
5
Arouca
32
13
13
6
44-35
52
6
P. Ferreira
32
13
9
10
42-38
48
7
Rio Ave
32
13
8
11
41-40
47
8
Estoril
32
13
7
12
38-38
46
9
Nacional
32
10
7
15
37-50
37
10
Belenenses
32
9
10
13
40-63
37
11
V. Guimarães
32
8
12
12
39-50
36
12
Marítimo
32
10
5
17
44-59
35
13
Moreirense
32
8
9
15
35-49
33
14
Boavista
32
7
9
16
23-37
30
15
V. Setúbal
32
6
11
15
40-56
29
16
União
32
7
8
17
26-47
29
17
Tondela
32
6
6
20
28-53
24
18
Académica
32
5
9
18
32-58
24

Ver classificação detalhada
J
V
E
D
G
P
1
Porto B
44
25
8
11
80-48
83
2
Chaves
44
21
16
7
58-37
79
3
Portimonense
44
20
16
8
56-44
76
4
Feirense
44
20
14
10
51-35
74
5
Freamunde
44
19
14
11
51-31
71
6
Famalicão
44
18
16
10
61-48
70
7
Aves
44
19
9
16
56-45
66
8
Sporting B
44
18
10
16
58-54
64
9
Olhanense
44
17
12
15
39-39
63
10
Gil Vicente
44
16
14
14
54-50
62
11
Varzim
44
16
13
15
49-48
61
12
Penafiel
44
13
21
10
48-44
60
13
Braga B
44
15
11
18
46-52
56
14
Covilhã
44
12
19
13
43-45
55
15
Santa Clara
44
14
12
18
48-51
54
16
V. Guimarães B
44
14
12
18
53-64
54
17
Mafra
44
12
16
16
35-38
52
18
Benfica B
44
14
10
20
52-61
52
19
Leixões
44
13
13
18
43-53
52
20
Académico
44
12
16
16
43-59
52
21
Atlético
44
12
14
18
45-51
50
22
Farense
44
13
11
20
44-53
48
23
Oriental
44
8
14
22
44-63
38
24
Oliveirense
44
6
11
27
40-85
29

Ver classificação detalhada
Foram 4 medalhas de ouro por causa de 2 judeus…
Grande História Sem tramoia a dois judeus, que pode ter tido dedo de Hitler, Jesse Owens não teria ganho quatro medalhas de ouro em Berlim. Sentimental, ainda tentou que não o pusessem na estafeta de 4x100 metros, mandaram-no calar, dizendo-lhe: - Tu, aqui, só tens de correr e fazer o que te mandarem! Depois, quiseram obrigá-lo a andar em tournée pela Europa, não aceitou, apanhou o primeiro barco regressou à América – e ao chegar vários hotéis de Manhattan recusaram-lhe entrada por ser negro. Pior aconteceu depois – e aos 23 anos já estava irradiado do atletismo… (E, sim, é assim que se fecha, no capítulo 3, a história de Jesse Owens...) Magnífico o filme que Leni Riefeensthal fez dos Jogos Olímpicos de 1936. E, nele, empolgantes as imagens de Jesse Owens. Encolhido como uma pantera antes dos 8,06 metros do salto em comprimento. Sorrindo como uma criança depois do abraço de Lutz Long. Elétrico, como se quisesse engolir nervosamente os lábios antes da partida para a final dos 100 e dos 200 metros - e o bulício indistinto das suas pernas parecendo asas quando passava pelo italiano Orazio Mariani a caminho da quarta medalha de ouro nos 4x100 metros – como se ele fosse a velocidade em beleza, o deslumbramento em corrida. E da estafeta também saiu mistério que nunca mais se desfez... TAMBÉM NÃO TEVE BOLSAS, LAVOU PRATOS, LIMPOU O CHÃO… De Ohio, tal como Jesse Owens, era Sam Stoller: - Desde que a escola, desde o liceu, eu era o tipo que ficava sempre em segundo lugar porque em todas as minhas corridas estava o Jesse. Quando chegou a altura da universidade, foram por caminhos diferentes: Owens para a Ohio State University, Stoller para a Michigan University. Num ponto, voltaram a ter destinos iguais: nem um, nem outro, conseguiram bolsa que lhes pagasse os estudos – para o fazer, Sam lavou pratos na cantina da Universidade, limpou o chão nas instalações da Fraternidade. Sobre o dia em que se apurou para Berlim, Stoller afirmou: - Ao passar por mim, ouvi Jesse gritar-me: Vai Sam, força atrás de mim, tu consegues. Nunca na vida vi ninguém com coração maior do que ele. Na final, abraçou-me, disse-me, sorrindo, como só ele sorria: Eu sabia que tu conseguias, não podia deixar de puxar por ti, desculpa lá se te incomodei… Não, Sam Stoller não ganhou ali o apuramento para os 100 metros, ganhou-o para os 4x100 - e Marty Glickman também. OWENS DEFENDEU OS JUDEUS DA INJUSTIÇA, MANDARAM-NO CALAR-SE… Stoller e Glickman eram ambos judeus – e, na véspera da estafeta, Lawson Robertson, o head coach dos Estados Unidos, marcou reunião de emergência – e foi direto ao assunto: - Descobrimos que os alemães esconderam os seus melhores sprinters para nos ganharem de surpresa os 4x100 metros. Por isso decidi que vamos correr com Owens e Metcalfe. Sam Stoller, completamente atordoado, não foi capaz de dizer uma palavra – e Jesse Owens saltou, felino, em sua defesa: - Mister, eu já ganhei três medalhas de ouro, as três medalhas que vinha para ganhar. Estou cansado, estou feliz. Por isso, lhe peço: não faça uma coisa dessas a Sam e a Marty. Eles também merecem ser campeões olímpicos. Brusco, Deam Cromwell, o treinador assistente, ripostou-lhe: - Jesse, tu, aqui, só tens de correr e fazer o que te mandarem!...
Grande História Capítulo 2. Ainda não é aqui que se vai contar o que Jesse Owens achou que foi a humilhação por que passou na América - de nem sequer ter recebido telegrama do seu presidente a ter de subir ao topo de um hotel de Nova Iorque no elevador da carga e os outros campeões olímpicos brancos não. O que aqui se conta é o que o holandês que foi responsável pela deportação de judeus para campos de concentração (e por coisas piores...) tem a ver com Jesse Owens. Ou porque a morte do primeiro campeão olímpico de 1936 levou a um massacre na Bielorrússia. E também se fala da campeã do dardo que teve uma filha e ela garante que é filha de Hitler também. E de como, no ataque à Sicília, o exército alemão debandou em fuga deixando à morte Lutz Long - o mais emotivo adversário de Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de Berlim, o adversário que, apesar de já ser nazi e de ter Hitler em ânsias por vê-lo ganhar, deu a Jesse Owens o truque que o salvou de ser afastado da final do salto em comprimento… À chegada (e não só…) dos americanos a Berlim para os Jogos Olímpicos de 1936 que tinham ameaçado boicotar – e só não boicotaram por Hitler jurar, cínico, que não haveria traço de racismo ou de política, de propaganda ou de perseguição a cruzá-los, havia já na equipa um ícone, o ícone que levou a que sucedesse o que contou James LuValle (que lá ganhou a medalha de bronze nos 400 metros e muito mais famoso ficou, depois, por ter feito parte, na UCLA, da equipa de Glenn T. Seaborg, vencedor do Prémio Nobel da Química): - Mal se apercebiam da nossa presença, os alemães gritavam: Onde está Jesse? Onde está Jesse? Não lhe queriam só tocar, não lhe queriam só uma palavra, não lhe queriam só um autógrafo, não lhe queriam só um olhar - entre a multidão havia sempre mulheres e, uma ou outra vez, de tesoura na mão, as tesouras com que queriam cortar pedaços de pano do equipamento do Jesse para ficarem com eles como relíquias. Quando isso se soube, decidiu-se que sempre que o Jesse saísse da Aldeia teria de ser acompanhado por soldados a protegê-lo – e foi o que aconteceu. Nunca tinha visto euforia assim, delírio assim, por um atleta… GANHOU O SALTO EM ALTURA MESMO SAINDO ATRASADO DA ALDEIA, A ELE SIM, HITLER NÃO APERTOU A MÃO… No dia dos quartos de final dos 100 metros, a 2 de agosto, disputou-se a final do salto em altura – e de lá saiu Cornelius Johnson com o recorde olímpico a 2,03 metros. Atrasara-se a sair da Aldeia Olímpica, quando chegou ao estádio a fasquia já estava a 1,97. Não se atemorizou, passou bem acima e quando passou 2.03 metros não quis saltar mais, tinha ouro garantido. David Albritton ficou com a prata, a 2,00. Negro como Cornelius, ambos tinham aterrado em Berlim com 2,07 metros – recordistas mundiais se tornaram no Randall´s Island de Nova Iorque, a 12 de Julho. Cornelius em «western roll», Albritton. em rolamento ventral – novidade que se espalharia pelo mundo até que Dick Fosbury tivesse uma outra ideia, genial, o salto de costas. NÃO, NÃO FOI A OWENS QUE HITLER RECUSOU APERTAR A MÃO… Ao contrário do que diz a lenda, não foi a Jesse Owens que Hitler recusou aperto mão. Foi a eles os dois, a Johnson e a Albritton. Vinham do pódio, olhou-os de soslaio – antes que passassem por ele, o Fuher deixou, irritado, a tribuna, foi-se embora do estádio. Durante o hino dos Estados Unidos, três os americanos não deixaram de lançar-lhe imagem provocadora: em vez da saudação nazi, fizeram, de braço no ar, mas sem a mão erguida de frente, a saudação olímpica. Parece que fora ideia de Delos Thurber, o terceiro classificado, o que não era negro. Formara-se na University of Southern California – e durante a II Guerra Mundial serviu, como piloto, no Teatro de Operações do Pacífico. Quando se deu o Armistício, Thurber em vez de voltar à Califórnia, deixou-se ficar nas Filipinas – lá fundou a Philippine Airlines. Por essa altura, Cornelius deixara de trabalhar como carteiro - empregou como padeiro de um paquete da Grace Line´s chamado Santa Cruz. Um ano depois, algures por 1946, em alto mar, apanhou uma pneumonia. Ainda conseguiu chegar a um hospital da Califórnia, mas já não a tempo de se salvar. Morreu com 32 anos. Albritton tornou-se estudante brilhante da Ohio State University onde também andava Jesse Owens – e por Ohio foi eleito para a Câmara de Representantes durante seis mandatos sucessivos e apesar do seu envolvimento na política nunca deixou de ser treinador da universidade, ganhando vários títulos americanos. ...
Grande História Capítulo 1. Sim, é tão impressionante (e tão incrível) a história de vida de Jesse Owens (e a história da vida de gente que com ele se cruzou ainda mais, talvez…) que a vamos contar em vários capítulos.(Vá até ao fim e quando lá chegar pode ter a certeza: das próximas vezes vai espantar-se mais, muito mais - e não apenas com o aquilo de que aqui ainda se não falou: do mistério do aperto de mão a Hitler à certeza da Casa Branca que Roosevelt não lhe abriu, não lhe mandando, sequer, mensagem a felicitá-lo pelas quatro medalhas de outro de Berlim, que só foram quatro por causa de dois judeus. E isso é um exemplo apenas do que descobrirá por aqui - mas ainda não agora... Antes de Jesse Owens houve outro, pode dizer-se que sim, que o primeiro grande velocista negro da história do atletismo não foi ele - foi Eddie Tolan. Nascera no Colorado, crescera em Salt Lake City – e uma vez contou: - Depois de estudar várias cidades, o meu pai descobriu que o melhor sítio para uma família de negros sonhar era Detroit. Pagou na minha mãe e nos meus quatro irmãos – e fomos todos para lá viver… Toland tinha 15 anos, na Cass Technical High School de Detroit logo se lhe percebeu o jeito para a velocidade. E ainda mais para o futebol americano. Foi, aliás, pelo futebol americano que Eddie Tolan entrou na Universidade de Michigan – entrada história por ser o primeiro negro a lá jogar no século XX. (Em 1890, a equipa tivera nas suas hostes George Jewett, filho de um abastado ferreiro que na Michigan University se tornara médico, um dos primeiros médicos afro-americanos que os Estados Unidos tiveram…) DISSERAM-LHE QUE FUTEBOL NÃO, PARECIA UM DIÁCONO… De repente, deu-se volte-face no destino: lesão num joelho abalou-o ao terceiro treino, o treinador que o levara chamou Eddie Tolan ao seu escritório, anunciou-lhe, pesaroso: - Os restantes técnicos julgam que o joelho vai trair-te, não te querem na equipa. Disse-lhe que estava cada vez mais encantado contigo, eles desconfiam que estou iludido. Como tive medo de ser derrotado na minha fé, aceitei a decisão. Em vez de ires para a equipa de futebol americano, vais para a nossa equipa de atletismo… Eddie Tolan corria a mascar pastilha elástica e com óculos de aros redondos presos por fita adesiva – por causa disso um jornalista escreveu: - Parece um diácono de uma igreja a espantar almas na cinza. Foi assim que, a 1 de Julho de 1930, em Vancouver, fez 10,2 segundos aos 100 metros. Apesar de a meta ter sido posta num ponto 30 centímetros mais alto do que a partida e de haver filme que mostrava que não se insinuava na pista um fio de vento, a IAAF não aceitou a marca como recorde do mundo – porque o anemómetro não estava lá. Se valesse só teria sido batido 26 anos depois. DEPOIS DO OURO EM LOS ANGELES, SÓ QUERIA EMPREGO… Foi já como The Midnigth Express, O Expresso da Meia Noite, que chegou aos Jogos Olímpicos de Los Angeles – e juntou a medalha de ouro dos 200 à dos 100 metros. Nos 100, protagonizou o mais um dos mais arrepiantes duelos da história, Eddie Tolan contra Ralph Metcalfe, dele saindo, ambos, em 10,38 segundos – recorde mundial eletrónico. Frank Murphy, o prefeito de Detroit, organizou manifestação de boas vindas para o receber na estação de comboios. Chorando, a mãe pediu que lhe arranjassem um emprego – e ao pai que caíra no desemprego. E Eddie, que já perdera a esperança de estudar para médico, deu toque mais comovente ao lamento: - Nós aqui nesta festa e o meu irmão lá fora, no parque, a apanhar papel... Mas tem mais sorte do que eu, ao menos tem trabalho... A súplica caiu em saco roto – e seis meses depois, William H. Beatty, escreveu numa crónica, num jornal de Detroit: - É inadmissível o que está a acontecer ao homem mais rápido do mundo. O vinho inebriante das suas vitórias em Los Angeles transformou-se durante a noite no mais acre vinagre… A SUA DESGRAÇA? TER ENTRADO EM ESPETÁCULOS DO FRED ASTAIRE NEGRO… Teve efeito o reparo: em janeiro de 1933, arranjaram-lhe emprego num cartório de Detroit – mas pagavam-lhe tão pouco que aceitou outro desafio: entrar em espetáculos de vaudeville com Bill Robinson, o Fred Astaire negro dos anos 20 e 30. Por causa do dinheiro que assim ganhou, em junho, a Michigan Amateur Athletic Association retirou-lhe o estatuto de amador, não pôde, por tal razão, voltar aos Jogos Olímpicos Como profissional Eddie Tolan andou pela até pela Austrália – e no regresso a Detroit voltou a escriturário no cartório. Em 300 corridas perdera apenas sete. Tornou-se professor de educação física – e em 1965 sentiu os rins a falharem. A hemodiálise não o salvou. Dois anos depois morreu – e nesse dia Jesse Owens molhou de lágrimas frase que murmurou: - Quando eu andava na escola, Eddie era o meu ídolo, foi ele que me ensinou a olhar para cima e a sonhar......

PORTUGUESES

EMIGRANTES

IDALÉCIO: DOS RELVADOS PARA UM DOS MAIS FAMOSOS RESTAURANTES LONDRINOS . Idalécio arrumou as chuteiras aos 38 anos, dando por encerrada a carreira no Quarteirense, em terras algarvias, a região que o viu nascer, depois de ter jogado no principal do escalão do futebol português ao serviço de SC Braga, Rio Ave, Nacional e Farense. Em 2013, depois de uma incursão com pouco sucesso no ramo imobiliário, decidiu emigrar para terras de Sua Majestade. Há três anos que está em Londres e, a A BOLA, garante que o único arrependimento foi não ter tomado a decisão mais cedo. Trabalha no Novikov, um dos restaurantes mais famosos de Londres, por onde passam grandes nomes do futebol, e sempre que possível não perde oportunidade de se fotografar com os craques: «É engraçado agora ser eu a pedir para tirar fotos, quando já estive do outro lado, com os adeptos a pedirem para posar com eles.» Mas nem tudo foi um mar de rosas. «Primeiro vim sozinho. Tinha cá um cunhado que me ajudou com a estadia, só passados uns quatro meses é que vieram a minha mulher e as minhas filhas. Não tinha qualquer experiência de nada, mas arregacei as mangas e fui à luta. Primeiro trabalhei num casino no centro de Londres, era team manager, depois fui servir às mesas no Caffé Concerto, onde tive a felicidade de encontrar outros portugueses que me ajudaram bastante na aprendizagem do funcionamento do que tinha de fazer, seguiu-se uma empresa melhor, o Duck and rice, cujo proprietário é um chinês muito conhecido, Alan Yau, até que fui a uma entrevista no Novikov, cujo manager é filho de um antigo futebolista, o Décio Barroso, mas fiz questão de deixar claro que queria que me contratassem para ser útil e não como amigo», explica. Idalécio é Chef D´Pass, ou seja, faz a ligação entre os empregados de mesa e os chefs de cozinha. Uma espécie de supervisor, mas com muito trabalho pela frente… «Durante a semana servimos entre 80 a 100 almoços e 300 a 400 jantares, ao fim de semana é uma autêntica loucura», conta. E é curiosa a resposta a como é que um futebolista se adapta a estas andanças: «Temos de ser pessoas equilibradas e o futebol dá-nos mais capacidades do que aquilo que as pessoas pensam. Ainda há muito o estigma de se olhar para o jogador como sempre um burro, que só sabe fazer aquilo. Mas, não é bem assim.» FC Porto e Sporting de Londres Mas o bichinho do futebol continua bem presente e em Londres já representou as equipas locais de FC Porto e Sporting. - No ano em que cá cheguei fui convidado por uns amigos a jogar no FC Porto of London, treinava às sextas à noite e jogava aos sábados, antes de ir para o trabalho, sempre como amador, claro. Depois fui convidado pelo Sporting de cá para ir a uma digressão à Madeira durante quatro dias. Agora joga umas futeboladas com os amigos, diverte-se e mantém acesa a chama do passado, do qual já sente algumas saudades. «Há sempre uma certa nostalgia. Mas tenho enorme orgulho no percurso que fiz Um benfiquista que marcou na Luz Idalécio diz que utiliza o Facebook como forma de se manter mais perto dos amigos e da família, o que sente mais falta de Portugal, e recentemente uma prima que o visitou levou-lhe um gorro e um cachecol do Benfica e tem postado algumas fotos à benfiquista por diversão «e não para gozar com ninguém». Assume-se benfiquista, mas não esquece o golo que marcou na Luz! «Sim, sou adepto do Benfica, mas isso não me impediu de lhes marcar um golinho na Luz, em 1997 (risos)», recorda, o encontro da 1.ª jornada, da época 1996/1997, em que o SC Braga empatou (1-1), na Luz, e Idalécio marcou a Michel Preud’homme, aos 84 minutos, depois de Hélder ter marcado, de grande penalidade, aos 82. Tem um vídeo dos melhores momentos De Evra, a Lampard, Drogba, John Terry e tantos outros craques. Idalécio diz ter o privilégio de os ver e servir no restaurante Novikov e quando possível, sem os incomodar, lá pede para tirar uma foto e, por vezes, revela já ter sido jogador e até lhes mostra no telemóvel um vídeo dos melhores momentos da carreira. «Passam por cá tantos… Portugueses já vieram Ricardo Quaresma, Raul Meireles, Bosingwa, Cédric, José Fonte. O vídeo? (risos) Quando sinto que não estou a incomodar mostrou-o. Uma história engraçada? Com o Evra. Pedi para tirar uma foto, ele aceitou, mas depois disse logo que não a podia publicar em lado nenhum. Aliás, o segurança dele veio dizer isso e o meu colega que tirou a foto, um italiano, ficou com tanto medo que nem me enviou a foto (risos). Mas, no geral são todos simpáticos e acessíveis», salienta. Embora esteja longe do sol algarvio, Idalécio afirma estar feliz com a família em Londres: «Sinto-me muito bem. Realizado com a carreira que tive no futebol, da qual guardo grandes momentos, principalmente no SC Braga, numa altura em que o clube estava em crescimento, e atualmente fico muito contente de ver os ver num patamar elevado, e esta fase da minha vida além futebol está a ser uma experiência muito positiva. As minhas filhas integraram-se com muita facilidade, estão felizes, e isso é fundamental.» Fotos gentilmente cedidas por Idalécio...
PAULA REGO TREINA NO QATAR JÁ LÁ VÃO SEIS ANOS . Paula Rego, de 40 anos, chegou ao Qatar a 13 de março de 2010, para acompanhar o marido, Francisco Batista, também ele treinador, mas depressa chegou a acordo com o Qatar Womens Sport Commite (QWSC) para assumir o cargo de selecionadora de futsal do Qatar. A partir daí nunca mais parou. Já se passaram meia dúzia de anos e a portuguesa continua no Médio Oriente. Está acompanhada pelo marido e pelo filho mais novo e deixou mais dois rebentos em Portugal: «Estão com os avós, pois, na altura, estavam a meio de percurso curricular. Mas já vieram ao Qatar algumas vezes.» Depois de ter assumido o comando técnico da seleção feminina de futsal do Qatar, Paulo Rego já passou por outros clubes e agora também acumula as funções de professora de Educação Física. Fique a conhecer o percurso de seis anos contado na palavra de Paula Rego. - Estive no comando da seleção feminina de futsal durante ano e meio, em que apenas realizámos alguns jogos particulares regionais. As jogadoras eram selecionadas em escolas durante aulas de Educação Física ou em torneios organizados pelo Commite da Mulher. Depois regressei ao ensino, fui dar aulas de Educação Física para uma escola internacional (Newton International School). Em 2012 fui convidada por um club local (Al Khor Sports Club ) para orientar a equipa feminina de futebol numa liga entre nove equipas, onde permaneci dois anos. Vencemos a liga e a Taça Sheikha Joan no primeiro ano e no segundo ficámos em segundo na liga e perdemos a final da taça. Em 2013 fui dar aulas para outra escola internacional, SEK International School (escola de origem espanhola com mais de 140 anos), onde ainda estou. Nesta escola treino camadas jovens (masculino e feminino futebol), participamos em torneios interescolas, ligas organizadas pelo QUESS (Qatar Unated English Speaking Schools) e no programa que o Qatar oferece às escolas SOP (Schools Olimpic Programme), organizado pelo governo para desenvolver e incentivar o desporto na comunidade. Já arrecadámos vários primeiros lugares, bem como o prémio de escola revelação no ano passado. Este ano pela, segunda vez, estamos a participar no torneio anual da Volkswagem Juniors Masters, no qual nos sagrámos campeões do Qatar e iremos disputar o apuramento de campeão absoluto a 18 e 19 deste mês, no Dubai, e tentar chegar à final mundial, que se realiza em Paris. Nas ligas estamos bem encaminhados para sermos campeões em sub-12 masculino e sub-13 feminino. Recentemente também treinei o escalão de Toddlers numa academia SFQ (Sheikh Faisal Qassim). É só bombas a rolar na estrada Após seis anos no Qatar, Paula Rego já se habituou ao trânsito louco da capital Doha. Mas aina fica de queixo caído... «A frota automóvel é um encanto! Rolls Royces, Ferraris, Lamborghinis, Maseratis, Bentleys, Mustangs, Corvettes… são marcas que rolam na estrada a toda a hora. Claro, o trânsito é de loucos», conta. Mas quando chegou o que mais a lhe fazia confusão era «algumas mulheres andares completamente tapadas com um lenço preto». Depressa se adaptou aos hábitos e garante nunca se ter sentido discriminada por ser mulher. Campo destruído por causa de uma cobra Desafiada a partilhar com os leitores de A BOLA Online uma história engraçada que tenha vivido na terra do petróleo, a treinadora não hesitou e até contou duas! - Um dia estava a dar treino e, de repente, vejo as jogadoras todas a correr para os balneários. Fiquei sozinha com as bolas no meio do campo sem perceber o que se estava a passar. Olhei à minha volta para ver se havia algo de errado e, percebendo que não iam regressar, fui ao balneário ver o que se passava. Foi então que uma rapariga me disse: «Coach! A man, a man!» O que se passou foi que uma delas viu um senhor da limpeza e como treinavam destapadas correram para se esconder. Claro, tive que pedir ao senhor para se retirar para retomarmos o treino. Outra que não me esqueço foi ter estado sem treinos nem jogos por causa de uma cobra que apareceu no campo de futebol... Só que destruíram o campo todo para encontrar a casa da cobra! (risos) 40 minutos para fazer... sete quilómetros O dia começa bem cedo para Paula Rego: «Às 5.15 da manhã, com o preparar para ir para a escola, as aulas começam às 7, mas antes há que enfrentar 40 minutos de trânsito para fazer pouco mais de sete quilómetros.» E para sair não há hora: «Depende dos dias, visto haver jogos a seguir aos tempos letivos. Depois há o levar e buscar o filhote, os treinos que dou na SFQ e depressa chega a hora de ir descansar.» Mas, é como diz o ditado popular: Quem corre por gosto não cansa! Se a convidarem volta a treinar em Portugal A pergunta impõe-se e a resposta é sincera: Em Portugal foi a primeira mulher a treinar uma equipa sénior masculina, o Granja Ulmeiro, da 3.ª Divisão. Pensa regressar ao país para treinar? - Claro que sim! Mas não depende só de mim treinar em Portugal, é preciso que me convidem! Tenho alguns projetos mas, para já, estou focada em vencer a competição no Dubai para podermos marcar presença na final de Paris, em maio. Fotos gentilmente cedidas por Paula Rego ...
CALADO CHEGA À BUNDESLIGA. Além de alguns futebolistas de renome portugueses como Vieirinha, Hugo Almeida e Henrique Sereno, o futebol alemão é cada vez mais uma elite também para os treinadores lusos. Nesse prisma, o nosso representante de momento é Diogo Calado, pouco conhecido por parte do público mas um jovem com um potencial e ambições elevadas, em especial por ter chegado a uma das mais fortes nações do futebol internacional, com 31 anos de idade. A carreira de Calado conta já com experiências em três países diferentes - incluindo Portugal, bem entendido - e conduziu-o até ao histórico Energie Cottbus, emblema no qual trabalha como treinador adjunto da equipa B com a perspectiva de continuar a aprender a chegar ainda mais longe por terras germânicas. Cumpre esta experiência no Energie Cottbus. Como surgiu esta oportunidade? - Eu fiz aquilo que muitos de nós fazemos, que é ir enviando CV`s. Tive a sorte de o Energie Cottbus ter demonstrado interesse em falar comigo fruto da minha experiência mas também porque a barreira da língua poderia ser ultrapassada graças ao facto do treinador da equipa B na época transacta ser brasileiro. Há quanto tempo se encontra na equipa técnica da equipa B do Energie Cottbus? Como tem corrido a experiência até ao momento? - Desde o início de janeiro de 2015 e tem sido gratificante. Quando cheguei falava tanto alemão quanto o José Cid na canção "Um grande, grande amor" mas fui muito bem aceite e agora que já passou mais de um ano, posso dizer que percebo a razão pela qual a Alemanha está na elite do futebol mundial há tantos anos. Os alemães são muito organizados e focados no trabalho e têm todo o futebol estruturado para providenciar as melhores condições de trabalho aos treinadores e aos jogadores. Antes disso, houve contatos para trabalhar na Guiné como adjunto do Sp. Bissau, mas nunca chegou a concretizar-se. Na época passada apenas trabalhou no Energie? Quando chegou à Alemanha? - Sim, na época passada (2014/2015) só orientei o Energie Cottbus B. Cheguei em dezembro de 2014 e comecei a trabalhar na equipa em janeiro de 2015 depois de ter acertado tudo com os responsáveis do clube. Antes da Alemanha teve uma experiência em São Tomé e Príncipe, como coordenador do futebol de formação do país. Entre um país e outro, houve algo mais pelo meio? - Entre S. Tomé e Príncipe e o Cottbus houve 2 meses e meio - março a maio de 2014 - a fazer o que mais gosto (treinar) nos Juvenis do Alcainça AC. A equipa só tinha uma vitória até ao momento, só tinha 18 jogadores e ficou sem treinador a meia dúzia de jogos do fim do campeonato. Normalmente eu deveria ter ficado quieto em casa, mas aceitei o desafio e foi das equipas que mais gostei de treinar até hoje. Aqueles 18 miúdos ficarão para sempre no meu coração! Até ao momento trabalhou em 3 diferentes países - Portugal, São Tomé e Alemanha. Quais são as grandes diferenças entre os três em termos de condições de trabalho? - Exacto. Sempre São Tomé e Príncipe ou quem nos ler no Príncipe vai-me ligar ou escrever a reclamar (risos)! Responder a essa pergunta dava para escrever um livro. São Tomé e Príncipe tem 2 sintéticos na capital, um dos quais com dimensões mínimas (em breve vai ter um 3.º sintético, localizado no Príncipe) e as equipas treinam com 2 ou 3 bolas. Em Portugal brinca-se ao futebol com a generalidade das equipas a dispor de um sintético para todas as equipas do clube, treinando-se em meio-campo com o tempo todo contado ao segundo (saem os infantis, entram os juvenis, saem os juvenis, vêem os seniores!). Na Alemanha todo o clube, mesmo da aldeia mais pequena, tem um campo relvado, ao lado um campo também relvado de apoio para as equipas treinarem e ainda um campo com balizas de futebol de 7. Como descreve a competitividade da Oberliga (V Divisão alemã), onde se encontra o Energie Cottbus B actualmente? - A Oberliga tem muitas semelhanças com o que agora se chama de Campeonato de Portugal, antes CNS e 2a B. Os campos, o público e a competitividade são muito semelhantes. A diferença no estilo de jogo é que a generalidade das equipas na Oberliga têm um estilo bastante ofensivo, jogando sempre para a frente mesmo que já estejam a ganhar por 1 a 0. Em Portugal joga-se muito no erro do adversário e quando se marca um golo, regra geral, começa-se a organizar tudo para "fechar a loja" lá atrás! No espaço de uma semana o Sporting e o FC Porto defrontam por duas vezes dois poderosos clubes alemães, o Bayer Leverkusen e o Borussia Dortmund, respectivamente. Como residente na Alemanha e muito provavelmente seguidor da Bundesliga, quais entende serem as hipóteses de ambos perante estes adversários? - À partida a tarefa de Porto e Sporting afigura-se bastante difícil. Penso que tanto o Borussia como o Bayer partem como favoritos e os jogos em solo alemão serão o factor decisivo pelo ambiente em redor mas também porque Borussia e Bayer são equipas muito fortes a jogar em casa e sem problemas em assumir o jogo. Mas não são invencíveis! Quais são os seus objectivos imediatos, continuar na Alemanha? Onde perspectiva estar a longo prazo? - Depois de ter aprendido alemão do zero e de ter passado pelo período de integração e adaptação só uma grande oportunidade me faria abandonar a Alemanha rumo a outro lugar nos tempos mais próximos. Além do mais neste país a competência é valorizada. A longo prazo apenas faço questão de continuar a fazer o que mais gosto onde for bem recebido e onde me sentir bem, seja na Alemanha, em São Tomé e Príncipe ou noutro lugar qualquer. O êxito para mim não se mede pelo dinheiro, vitórias e prestígio, mas pelo prazer que retiro de cada vez que entro num campo para treinar ou jogar. Com a idade que tenho ainda me restam vários anos de carreira. Por certo que um dia vou querer experimentar assumir o comando técnico de uma equipa sénior e quem sabe comandar uma seleção nacional (não necessariamente Portugal). O futebol de seleções foi algo que sempre me fascinou. ...
AS PORTOGHESI TICINO: A SUL DOS ALPES SUÍÇOS MORA UMA ‘FAMÍLIA’ BEM PORTUGUESA. Uma vida melhor é o desejo que muitos portugueses levam na bagagem na hora de se despedirem do país com destino aos mais diversos destinos espalhados pelo Mundo. A conjuntura difícil que desvanece cada vez mais o sonho de criar carreira estável em Portugal é apenas uma das principais justificações que acompanham os emigrantes portugueses. França, Estados Unidos e Suíça são os países que nos últimos anos criaram mais janelas de oportunidades para todos os que em Portugal viram inúmeras portas fechar. Contudo, o início de uma nova vida longe da «zona de conforto» nem sempre é fácil. A insegurança de estar a quilómetros de distância de família e amigos facilita a que se criem laços com pessoas que atravessam a mesma situação. E é aqui que surgem os espaços que servem de ponto de encontro para as comunidades portuguesas. Uma longa viagem até Ticino, cantão da Suíça, situado no sul do país, onde a língua oficial é o italiano, e que inclui as cidades de Bellinzona, Locarno e Lugano, conduz-nos indubitavelmente até ao AS Portoghesi, um clube amador composto exclusivamente por portugueses, desde o presidente ao técnico de equipamentos. Um verdadeiro sucesso. É certo que ocupam a 4.ª posição do grupo 3 da quinta divisão, mas são a única equipa invicta e a melhor defesa da competição (quatro vitórias e cinco empates). Ninguém recebe qualquer tipo de renumeração nem tão pouco ajudas de custo. Tudo é feito com paixão e de um certo modo para apagar algumas saudades de Portugal. Vitor Riça é o treinador e um dos principais responsáveis pela subida de rendimento da equipa. Ter sido jogador profissional durante 16 anos criou-lhe um álbum de recordações que não é para todos. Cruzou-se com nomes como Francisco Chaló, Carlos Pinto, Jorge Neves, Manduca, Manuel Machado, entre tantos outros, e em 2003/2004 foi mesmo o melhor marcador a nível nacional com 32 golos apontados no Dragões Sandinenses, na 2.ª Divisão B. O ponto final na carreira aconteceu em 2008 depois de três operações ao joelho. Pelo meio ainda passou por China, França e Luxemburgo. «Estive dois anos parado quando abandonei o futebol. Passei um mau bocado, sobretudo ao domingo. Sentia falta daquela adrenalina dos treinos e dos jogos. A oportunidade de vir para a Suíça surgiu em 2010. Tinha cá família e como as coisas em Portugal estavam complicadas decidi arriscar. Passei algumas dificuldades no início, mas depois conheci este pessoal da bola e comecei a jogar aqui. Mas os meus joelhos não me deixavam. Tanto me chatearam que acabei por aceitar o convite para ser o treinador», começa por explicar Riça, que trabalha na remoção de amianto em Bellinzona, em conversa com A BOLA. AS Portoghesi, um verdadeiro refúgio…e uma grande família Natural de Chaves, Riça vive em Bellinzona, bem perto dos Alpes suíços, e dedica-se à remoção de amianto. Orienta um plantel que conta com pedreiros, agentes financeiros, cozinheiros, empresários, seguranças, entre outras tantas profissões. Tudo isto para explicar que não é fácil conciliar a vida profissional com o «compromisso» AS Portoghesi. Um trabalho «gratificante» com várias lições a reter. «Está a ser uma experiência espetacular. O futebol sempre foi a minha vida e pegar num grupo de amigos que têm pouca noção do que é futebol e ao fim de umas semanas sentires que há uma evolução é muito gratificante. Para mim é um refúgio depois do trabalho. Serve para matar saudades de Portugal. Conto-lhes histórias da minha carreira e ficam todos a ouvir com atenção. Este é um grupo de pessoas muito humildes, uma verdadeira segunda família», admite o antigo avançado, agora com 41 anos. «Todos têm qualidade. Nem sempre consigo fazer o que tenho em mente, mas estamos a fazer um trabalho engraçado, dentro dos possíveis. Não temos grande moral para dizer nada porque ninguém vem para o clube receber dinheiro. Temos de fazer as coisas com calma. Para esta época pedi que dessem um bocadinho mais. É bonito ser lembrado por conseguir, não por tentar. Se conseguirmos uma subida de divisão vai ser um prémio mais do que merecido. Este é o meu objetivo e o objetivo de todos. Podemos morrer na praia? Podemos, mas ao menos tentámos», remata. Espírito patriótico aliado à vertente desportiva Vinte e dois é o número de portugueses que compõem o plantel do AS Portoghesi. Dos 19 aos 46 anos. Com raízes espalhadas de Norte a Sul de Portugal. E apesar de em Ticino a língua oficial ser o italiano, a verdade é que no seio do clube o português é sem margem para dúvidas o idioma mais utilizado. Não que seja mais fácil para eles, pois alguns falam perfeitamente italiano, mas sim por ser esta a principal forma de superar a distância para o País que os viu nascer. Alexandre Santos foi dos últimos a chegar ao clube. Natural de Treixedo, freguesia de Santa Comba Dão, Alexandre decidiu emigrar em fevereiro de 2014 na tentativa de estabilizar a nível profissional. Para trás deixou uma forte ligação à família e a escola de futebol de formação AFD Pinguinzinho. Após um início complicado em território helvético, sem a certeza de um futuro melhor, encontrou no AS Portoghesi um verdadeiro porto de abrigo. «O AS Portoghesi surgiu através de uma conversa em casa de uns amigos. Convidaram-me para ir fazer uns treinos e o ambiente que encontrei foi fantástico. Tenho muito a agradecer a esta ‘família’ pela forma como me ajudaram no momento em que mais precisei, que foi a adaptação a um novo país e a uma nova realidade», começa por descrever o consultor financeiro, de 28 anos, que está afastado da competição desde outubro devido a uma lesão no pé esquerdo. «Até ao momento tenho conseguido conciliar o meu trabalho com os treinos. Sabemos que no futebol amador, não renumerado, é fácil um atleta virar costas e ir à sua vida. Mas foi aqui que o mister Riça conseguiu mudar mentalidades. A sua experiência foi base para criarmos um elo de ligação forte e para que todos criassem um compromisso com o clube. Claro que a competição é um forte fator de motivação, mas penso que a boa relação e o patriotismo que existem são a chave para o nosso sucesso», confessa. «A amizade vai muito além dos relvados. Somos mesmo um grupo de amigos. Aqueles que no final de cada treino e de cada jogo se encontram no café, normalmente no Triangolo, que é do Sr. Alberto, ex-presidente do clube. É desta forma que ‘matamos’ saudades de Portugal!», termina. Despesas por conta do Presidente que também ajuda na limpeza dos balneários «Estou com saudades. Quando começam as férias é um alívio, mas depois o tempo vai passando e começo a sentir falta desta rotina». As palavras são de Sílvio Costa, presidente do AS Portoghesi, e demonstram bem a relação entre o motorista de 50 anos e o clube que preside há quatro, depois de servir a equipa de Ticino como jogador e diretor desportivo. As saudades a que Sílvio se refere devem-se à paragem de Inverno do campeonato. São aproximadamente quatro meses sem o sabor da competição e sem as ‘mil e uma coisas’ para fazer. «Ocupa-me o tempo todo. Estou sempre preocupado com tudo o que envolve o clube. Vou aos treinos, coloco tudo direito, limpo os balneários e fico sempre a assistir aos trabalhos. Gosto disto e tento dar tudo aquilo que no meu tempo de jogador não existia. E também a verdade é que não gostava que a equipa acabasse nas minhas mãos», confessa Sílvio, natural de Mangualde, distrito de Viseu, que luta para manter todas as contas em dia. «As despesas é tudo do meu bolso. Por vezes recebemos algum dinheiro de um ou outro patrocínio, mas cada vez menos. Acabamos é sempre por receber muitos equipamentos. Devemos ser o clube da região com mais equipamentos», acrescenta com um sorriso. E no ano em que o clube comemora 25 anos de existência, a 1 de julho, Sílvio Costa tem um desejo. Qual? Subir de divisão. «Se terminarmos o Campeonato em primeiro lugar seria sem dúvida uma grande prenda nos nossos 25 anos. Seria ouro sobre azul!» As ‘férias’ já terminaram em Ticino. A equipa voltou ao trabalho para preparar a primeira jornada da segunda volta do Campeonato, agendada para 10 de abril. O adversário é um velho rival e a vontade é apenas uma: vencer. Não fosse esse um dos pressupostos de uma família, leia-se equipa, bem portuguesa. «Defrontamos o AS Poleggio que é treinado pelo nosso ex-treinador e que conta com vários ex-atletas do AS Portoghesi. Vai ser um verdadeiro derby. Vamos trabalhar para ganhar», perspetiva Alexandre. Plantel AS Portoghesi Ticino 2015/2016 Guarda-redes: Hugo Soarez, Francesco Pires e Ricardo Alexandre Santos; Defesas: Tozé Moreira, Joel Ribeiro, Nélson Ribeiro, Luís Pereira, Bruno Vieira, Luís Roque e Ricardo Ribeiro; Médios: José Soares, Alexandre Santos, Hugo Pinto, Douglas Martins, Tiago e Isaías Silva; Avançados: Jo Marques, Nicola Santos, Paulo Dias, Hugo e Nelo Mesquita. Treinador: Vitor Riça Treinador-Adjunto: Luís Pereira Técnico Manutenção: Joaquim Ribeiro Presidente: Sílvio Costa Vice-Presidente: Manuel Garcia Fotografias gentilmente cedidas por Alexandre Santos...
 

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