SÁBADO, 04-07-2015, ANO 16, N.º 5635
SPORTING
Fundação:1906 | SAD: | Presidente:Bruno de Carvalho
Internet: http://www.sporting.pt Email: sporting@sportmultimedia.pt Telefone: 217516010
Estádio: Estádio José Alvalade
Teo Gutiérrez a caminho de Alvalade
O Sporting está na iminência de garantir a contratação de Teo Gutiérrez para as próximas três temporadas.
Slimani decide futuro depois das férias
Sporting Islam Slimani coloca-se à margem das notícias que dão conta do interesse de vários clubes no seu concurso, remetendo para depois das férias, quando se apresentar ao trabalho no Sporting, uma decisão quanto ao futuro. «O meu futuro não é uma preocupação nesta altura. Para ser honesto, estou a desfrutar de umas férias em casa. Dentro de dez dias estarei no arranque da temporada do Sporting e, nessa altura, logo veremos», afirmou o avançado, em declarações ao jornal Le Maghreb. Slimani tem contrato com os leões até 2017 e uma cláusula de rescisão na ordem dos 30 milhões de euros. Jorge Jesus já transmitiu a Bruno de Carvalho que o argelino é uma peça fundamental no plantel que vai atacar a época 2015/2016.
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04-07-2015 - 09:17
«Estamos a iniciar uma nova era» - Bruno de Carvalho
Sporting No jantar do 23.º aniversário do núcleo de Tomar, o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, reiterou o início de «uma nova era» do clube, que considerou «forte, unido e determinado». «Estamos a iniciar uma nova era, o Sporting está um clube forte, unido, determinado e que percebe para onde se está a caminhar. As propostas que temos feito para o futebol português estão agora a dar frutos. Temos criado as condições para ser um grande clube em todas as modalidades. Tem sido um esforço muito grande, que nos obrigou a dois anos e meio de grande contenção, por vezes incompreendido», afirmou Bruno de Carvalho. O presidente leonino regozijou-se, ainda, com a aprovação do orçamento do clube, por 97,2% dos cerca de 1.000 sócios presentes na recente Assembleia Geral. «Esta última AG provou que estamos um clube forte», frisou Bruno de Carvalho, apelando à união dos adeptos sportinguistas: «Se no Sporting estivermos 100% unidos, tenho dúvidas que alguém segure este leão».
«O Sporting é uma opção importante» - Bryan Ruiz
Sporting Concentrado com a seleção da Costa Rica a preparar a participação na Gold Cup, o avançado Bryan Ruiz reconheceu que espera desenvolvimentos nas negociações com o Sporting com vista a um acordo com o clube de Alvalade. «Sim, o Sporting é uma opção importante. Estou à espera do que diz o meu empresário para ver se podemos chegar a um acordo», disse o jogador em conferência de imprensa. O Sporting já terá chegado a um acordo verbal com o Fulham para a transferência, falta o «sim» do jogador de 30 anos.
Presidente do Nice confirma fim do litígio com leões por Djaló
Sporting O Sporting chegou a um entendimento com o Nice e vai receber 800 mil euros relativos à transferência de Yannick Djaló para o clube francês, no início da temporada 2011/2012. A informação, que já tinha sido avançada por uma fonte do clube leonino, foi esta sexta-feira confirmada pelo presidente do Nice, Jean-Pierre Rivère à AFP. Recorde-se que a 31 agosto de 2011, Yannick Djaló deixou o Sporting para rumar a França onde atuaria pelo Nice. A FIFA declarou que a transferência ficaria sem efeito já que esta foi submetida para lá da data limite. O dianteiro português nunca jogou pelo conjunto francês e os leões instauraram uma ação judicial ao Nice por «incumprimento de acordo», reclamando o pagamento de 1 milhão de euros.
Godinho Lopes diz que ‘golpe de Estado’ desviou Jorge Jesus de Alvalade
Sporting O antigo presidente do Sporting diz que Jorge Jesus já estaria a treinar em Alvalade há mais tempo não tivesse o clube sido ‘vítima’ de uma «tentativa de golpe de Estado» enquanto esteve na presidência. «Se não tivesse havido esta tentativa de golpe de Estado no Sporting, provavelmente Jorge Jesus já seria treinador do Sporting na época 2012/13, provavelmente o Benfica não tinha ganho estes dois campeonatos. E provavelmente Jesus teria vindo por um terço do valor que veio hoje», disse em declarações à Renascença.
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03-07-2015 - 20:01
Godinho Lopes sobre Bruno de Carvalho: «Preocupa-me a falta de caráter»
Sporting O antigo presidente do Sporting considerou «divisionista» o atual líder leonino e acusa Bruno de Carvalho de falta de caráter e de não defender os valores do clube de Alvalade. «Caracterizo-o como uma pessoa turbulenta, divisionista no meio do Sporting que não protege os interesses do clube. Em vez de procurar fazer auditorias bem feitas – para precaver se as pessoas fizeram realmente aquilo de que são acusadas -, não: vem regozijar-se em duas Assembleias Gerais com power points feitos por si, deturpando a verdade», disse em entrevista à Renascença, negando qualquer desvio de dinheiro do clube, conforme acusação que lhe valeu a expulsão de sócio do clube: «É mentira. Eu não fui expulso por desvios mas por uma auditoria do meu mandato. (...) Tenho vida para além do Sporting. Procurei servir o clube da melhor forma que sei, erros todos cometem. Tenho a consciência que cumpri o meu dever. Poderei provar os valores das vendas de jogadores, tudo o que passou no período em que lá estive», prosseguiu, frisando que pretende ser «reintegrado como sócio do Sporting para demonstrar o erro» que foi a sua expulsão. Godinho Lopes voltou depois a apontar bateria a Bruno de Carvalho: «As palavras que foram ditas, os insultos que foram feitos... deixo isso para a análise dos sportinguistas e do público em geral. O que me preocupa é a falta de caráter.» «Parece que estamos num mundo de selva mas isso não alterara os meus valores: ética, boa-fé e verdade, no fundo aquilo que defendi como adepto e sócio do Sporting», acrescentou, acusando Bruno de Carvalho de estar em falta com esses valores que são, no fundo, os do clube: - Defendo que o Sporting deve ser diferente dos demais e defender os valores que fazem parte dessa diferença. Isso está em causa? É evidente. A maneira como Manuel Fernandes foi tratado, a maneira como Marco Silva foi tratado, a maneira como eu fui tratado ou a maneira como não foram respeitados acordos, compromissos e valores do clube.
Adjuntos de Marco Silva novamente impedidos de entrar na Academia
Sporting Pelo segundo dia consecutivo, João Pedro e Gonçalo Pedro, adjuntos de Marco Silva, foram impedidos de entrar na Academia Sporting, em Alcochete. Perante o impedimento, os dois técnicos chamaram a GNR para tomar conta da ocorrência, tal como tinha acontecido na véspera. João Pedro e Gonçalo Pedro pretendem apresentar-se ao trabalho, sendo que o Sporting alega que ambos foram dispensados de se apresentar ao serviço quando foi comunicado a Marco Silva a intenção de o despedir com justa causa.
Norwich pede €5 milhões por Van Wolfswinkel
Sporting O Sporting está empenhado em garantir o regresso do avançado holandês Van Wolfswinkel, cujo passe pertence ao Norwich. Segundo noticia esta sexta-feira A BOLA, os leões estão a tentar baixar os números do eventual negócio, uma vez que o clube inglês pede um valor na ordem dos 4/5 milhões de euros para deixar sair o jogador. Van Wolfswinkel, que o Sporting vendeu ao Norwich por 10 milhões no verão de 2013, é um desejo de Jorge Jesus que a administração da SAD leonina tenta satisfazer. As conversas estão a acontecer...
Manuel Fernandes e Octávio Machado chegam a pedido de Jorge Jesus
Sporting Bruno de Carvalho confirmou que a incorporação de Manuel Fernandes e Octávio Machado na estrutura de futebol do Sporting foi um pedido expresso de Jorge Jesus. «Vão os dois colaborar na estrutura e trabalhar muito de perto com o treinador Jorge Jesus nas áreas de scouting e de gestão desportiva», explicou em entrevista à TVI. Bruno de Carvalho confirmou, ainda, que ambos regressam a Alvalade a pedido do novo timoneiro dos leões, precisando que Octávio Machado irá desempenhar as funções de diretor desportivo.
Bruno de Carvalho estranha atitude de adjuntos de Marco Silva
Sporting Bruno de Carvalho não disfarçou a surpresa com a decisão de João Pedro e Gonçalo Pedro, elementos que integravam a equipa técnica de Marco Silva, de se apresentarem esta quinta-feira na Academia do Sporting, em Alcochete. «Não percebi, ambos tinham recebido por parte do Sporting a possibilidade de não apresentação até dia 15. Está na lei e os direitos estavam todos salvaguardados. Não é bom nem para o Sporting nem para as pessoas. O Sporting tinha precavido, porque também se preocupa com as pessoas, a sua situação laboral. Tinham em seu poder uma carta do Sporting a dizer que não precisavam de se apresentar sem a perda dos seus direitos», esclareceu em entrevista à TVI.
Benfiquistas zangados com Eusébio? Sim, achavam que ele se andava a desleixar. (Respondeu-lhe à letra...)
Estrela de Diamante É a parte 7. Com Eusébio a caminho do Panteão, relembramos-lhe Eusébio – o Eusébio Como Nunca se Viu do livro que A D. Quixote publicou em parceria com A Bola. Mas mesmo que já o tenha lido, não deixe de ir até ao fim – porque, aqui, há muito de novo para ler sobre o Eusébio e o país do Eusébio, o mundo do Eusébio. E não deixe também de atirar os olhos à galeria de fotos – porque para ver o Eusébio como o Eusébio nunca se viu ainda há mais, muito mais ainda, como nem sequer o imagina... Simone Beauvoir passara por Portugal e chocara-se: - Eu vi. Vi que em sete milhões de portugueses apenas 70 mil comem o suficiente. Vi meninas de quatro e cinco anos, vestidas com sacos de sarapilheira, esfomeadas, a remexer lixeiras. E, entre paredes de tabique e tabuletas dizendo: Insalube... Proibido Habitar... vi, fervilhando, crianças nuas, vivendo lá dentro. Béla Guttmann voltara a Portugal e espantara-se. Ao chegar ao Benfica em 1959, reparara que só havia três jogadores com automóvel: Costa Pereira, que era filho de um homem muito rico de Moçambique; Artur Santos, que geria um talho na Amadora; e José Águas, que trabalhava numa concessionária da Ford. À Luz regressara trazido por brisa sebastiânica em agosto de 1965 e ao contar 30 automóveis estacionados em redor do campo antes dum dos primeiros treinos, virou-se para Fernando Caiado, o seu adjunto, exclamou-lhe: - Assim, nunca mais seremos campeões europeus! Todos acharam que era mais uma das suas blagues, das suas famosas blagues. (Ver-se-ia, porém, que não. E que esse seu regresso a treinador do Benfica até seria pior do que imaginara...) «PARA GANHAR 500 CONTOS A ÉPOCA TERÁ DE SER EXTRAORDINÁRIA...» 36 jornalistas europeus deram A Bola de Ouro do France Football para o Melhor Jogador Europeu a Eusébio. Que, aparecendo na foto com a farda de soldado, soltou em entrevista ao jornal italiano Il Giorno, a pergunta: - Por que deveria eu renunciar a ganhar tanto como o Suarez? No Benfica, para ganhar 500 contos por ano entre luvas e prémios a época terá de ser extraordinária. Em Itália só de salários dão-me 1500 contos... A CABEÇADA QUE O DEIXOU COM MEDO DE NÃO VOLTAR A JOGAR... Se 1965 acabou de sorriso aberto para Eusébio, 1966 começou em sangue a juntar-se a uma mágoa que já não domava: em jogo com a Académica, disputando bola a Artur Jorge, chocou a cabeça de um na cabeça do outro. Caiu desmaiado na relva, em maca o levaram para a ambulância para Clínica de São Lucas com traumatismo craniano. Só lá recuperou os sentidos. Três semanas depois, voltou aos treinos – e à saída do tinha Carlos Miranda, repórter de A Bola, à sua espera: - Tive medo. Quando me disseram que estas pancadas na cabeça podiam ter efeitos desastrosos, assustei-me. O que é que pensei? Sei lá... Tudo... Inclusivamente que podia não jogar mais à bola. «NÃO LEVO VIDA CONVENIENTE? MAS EU CASEI-ME, SENHOR...» Ah! A mágoa que já não domava, era porquê? Era por ver como benfiquistas aos magotes reagiram à notícia da sua Bola de Ouro: - Não sou vaidoso, mas julguei que toda a gente do Benfica ia ficar contente, alguns parece que ficaram zangados comigo por eu ter sido escolhido como o Melhor da Europa. Sei lá porquê, só sei que não entendo... Carlos Miranda deu-lhe dica: que talvez andassem zangados consigo por acharem que Eusébio não andava jogando o que podia, desleixando-se - e ele embasbacou-se: - O quê? Diz-se que não levo vida conveniente para futebolista que se preze?! Mas eu casei-me, senhor... E insinuar-se que mesmo depois de casado foi assim?! Isso é mentira. Desde que me casei, nunca tive o mais ligeiro aborrecimento com a minha mulher, portanto.. Se se diz, o que é que posso fazer?! Olhe, rir-me. Sim, rio-me quando oiço falar de mau comportamento dos jogadores do Benfica. Ninguém está mais em foco do que um jogador do Benfica: temos mil olhos a acompanhar todos os nossos gestos, os nossos propósitos. Se há quem pisa o risco, dali a minutos a direção já tem relatório, castiga, multa. Se não fui castigado, se não fui multado, acusam-me de quê?! De momento, o meu problema é um apenas: o peso. Aconteceu-me o que acontece a quase toda a gente: casei, engordei. Tenho tido dificuldade para recuperar o peso ideal, isso é verdade. Mas a coisa vai. Pode ser que daqui a uns meses já tenham feito as pazes comigo... DE LUVAS NO BENFICA, MENOS DO QUE SÓ SALÁRIOS NO INTER... Logo depois, foi ele, o Eusébio, quem abriu o coração – e apesar do desejo cada vez mais aguçado do Inter renovou o seu contrato com o Benfica até 1969. De luvas, pela assinatura, o clube deu-lhe 1300 contos. 325 recebeu-as na hora, 975 ficou de receber no final de março. Mas, claro - ficou a perder, a perder muito dinheiro. (Reparou bem? Só em salários do Inter ficaria a receber 1500 contos por ano - e em Portugal ficou a receber 10 vezes menos de ordenados...) ...
Estrela de Diamante É a parte 6. Com Eusébio a caminho do Panteão, relembramos-lhe Eusébio – o Eusébio Como Nunca se Viu do livro que A D. Quixote publicou em parceria com A Bola. Mas mesmo que já o tenha lido, não deixe de ir até ao fim – porque, aqui, há muito de novo para ler sobre o Eusébio e o país do Eusébio, o mundo do Eusébio. E não deixe também de atirar os olhos à galeria de fotos – porque para ver o Eusébio como o Eusébio nunca se viu há mais, muito mais ainda, nem imagina... Pelas revistas do Parque Meyer passava Eusébio vezes sem conta, a vê-las. Agitando no seu furor os corredores dos teatros, travam-no por... Pássaro Gazela. A alcunha foi Amália quem lha pôs, encantada com os seus dotes de dançarino – e, ele, na brincadeira, costumava dizer: - Se não jogasse futebol, talvez fosse bailarino na Broadway... Por lá, pelo Parque Mayer, pelos seus teatros, pelos seus restaurantes, pôde ver, algures por 1965, uma italiana de Perugia a incendiar o Maria Vitória: a Io Apolloni: - Tinha 19 anos quando cheguei a Lisboa, achei a cidade enfadonha, triste, provinciana. Mas esse lado provinciano, para uma rapariga tímida como eu, tinha um certo encanto, deixava-me mais à vontade... (Contou no livro LX60 a Joana Stichini Vilela.) Apesar da timidez, dera-se em corpo e manifesto à revista Plateia a promover a modernidade do uso do biquíni. (Que era «um escândalo mulheres assim, em tais trajes», recriminaram-na...) Mas foi o fogo que se lhe percebeu atiçado ali que lhe abriu, deslumbrante, o caminho para a revista Sopa no Mel, com Camilo de Oliveira, Florbela Queirós, Mariema e Deolinda Rodrigues. - Não havia ninguém como eu, que representasse, cantasse, dançasse - e se despisse. Aliás, se despisse não, se se apresentasse em trajes menores - e tivesse todo aquele sex-appeal... Io Apolloni a jogar futebol no campo do clube onde Vasco Santana fora guarda-redes (Dois anos depois de cá estar, houve «jogo sensacional» de futebol a agitar Lisboa, um jogo de que A Bola deu a devida nota: um Portugal- Resto do Mundo, no Campo do Arroios, o clube onde Vasco Santana jogara como guarda-redes. Não, não era partida entre futebolistas profissionais, era partida entre atrizes do Parque Mayer, organizada pelos Parodiantes de Lisboa para «fins caritativos» – e a vedeta da equipa internacional pusera o país em frenesins, era Io Apoloni...) A estrela de Holywood que escolheu para seu traje real a camisola do Benfica... A Rainha do Carnaval de 65 no Casino do Estoril foi uma estrela de Hollywood: Janett Scott. Para traje real escolheu a camisola do Benfica, do Benfica de Eusébio, usou-a debaixo de um largo manto branco, diáfano – e em vez de calções tinha, sensual, uma «tanga de praia». Muito escondidinhos começavam também a fazer-se desfiles de roupa interior nos salões dos hóteis. E a irmã Lúcia continuava a escrever cartas a Américo Tomás pedindo-lhe proibisse de vez o Carnaval e mandasse prender as mulheres que lhe diziam que já se atreviam a andar pelas praias biquíni – porque tudo isso ofendia a Senhora de Fátima. O que aconteceu à atleta do Belenenses que foi das primeiras portuguesas a usar biquíni... (E uma das primeiras portuguesas a usar biquíni foi Georgete Duarte. Era atleta, atleta do Belenenses, 46 vezes campeã nacional - um dos seus mais fantásticos recordes, nas barreiras, batera-o grávida de quatro meses: - Trabalhava na CUF, empregada de escritório. Na Moita, onde vivia, havia um rio onde as mulheres lavavam roupa. Ao verem-me passar a caminho do comboio para o treino, chamavam-me tudo. Não sei se prostituta teria tantos nomes como eu tive, tanto falatório, só porque andava a correr – e de calções. Casei e ainda era pior. Quando fui à RTP, em 1958, havia apenas um café com televisão na vila. O mulherio punha-se a espreitar pela vibraça, praguejando: que vergonha, até ali era aparece agora! E a rapaziada de lá fazia excursões para ir aos estádios – e depois poder dizer que me tinham visto as pernas, coitados...) Humberto Delgado, desesperado por não se avançar para outra revolução, a revolução contra Salazar, confidenciara a Mário Soares: - Arrisquei tudo e tudo perdi: família, situação, amigos, dinheiro. Sou um homem aniquilado e terrivelmente só... Diferente, o estado de espírito (e o horizonte...) da seleção que se atirou à qualificação para o Mundial de Inglaterra. Abriu-a com 5-1 à Turquia, com três golos de Eusébio. Em Ancara, nova vitória: 1-0. O golo? Livre de Eusébio à... Eusébio, perto do final – e turba de turcos raivosos pelo pontapé que os destroçara, precipitou-se para o balneário, vociferando (ou pior...): - Queriam bater-me, só por eu ter feito a minha obrigação: marcar aquele golo. Aliás, até saí triste do campo, jogámos mal... Teve de chamar-se ao estádio uma unidade especial de polícia, teve de criar-se um «túnel de segurança» - e até teve de usar-se um autocarro dissimulado para levar os portugueses ao hotel. Foi uma das poucas noites em que Eusébio teve medo - e tudo por causa de um golo à... Eusébio, um livre a quase 40 metros da baliza... ...
Estilos e Espantos O futebol tem Messi e Cristiano Ronaldo, assim como o boxe tem Manny Pacquiao e Floyd Mayweather, que é de longe, o atleta mais bem pago do mundo, segundo um ranking que acaba de ser divulgado pela revista Forbes. Apesar disso, essa rivalidade entre eles não é o que foi uma outra, a rivalidade entre Mike Tyson e Evander Holyfield que até acabou com a orelha de um na boca do outro. No judo brasileiro há um... Holyfield, dele se fala aqui, mas não: não tem nada a ver com orelha comida, tem a ver com o modo como ele pode ter tirado uma judoca à Alemanha. Anne Lisewki por amor cedeu, por amor foi para o Rio. Quando lá chegou acabou por perder o namorado, mas voltou a apaixonar-se. Aqui, damos-lhe a conhecer toda a história... Anne Lisewski nasceu a 17 de maio de 1990 em Berlim, e com ela a paixão pelo judo. Depois também se apaixonou por um campeão brasileiro. Por amor, deixou a Alemanha rumo ao Brasil, sem nunca olhar para trás. Foi em março de 2014 que Anne abandonou a Europa para viver em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Mas como todos os contos de fadas precisam de rosas, este acabou por dar espinhos, e o romance não deu os frutos desejados. O casal separou-se mas Anne nao quis abandonar o país, não por Victor, mas por outro tipo de amor – a atleta entregara-se de corpo e alma ao Brasil e já não queria voltar a casa. «Não sei se vou ficar para sempre, mas quero continuar e lutar aqui. Quero entrar para a seleção brasileira. Competia na seleção alemã, mas o judo no Brasil é mais profissional. Penso que posso aprender muito». O judo através de um vizinho que sofria bullying... Anne conheceu o judo na infância, foi-lhe apresentado curiosamente por um vizinho que era vítima de bullying. «O pai dele indicou-nos os treinos, mas ele pediu-me para ir também. As pessoas eram más e costumavam gozar com ele, e eu acabei à pancada com todos. O treinador achou que tinha talento e acabei por ficar». Um talento que se converteu uma paixão, e ela de facto tinha jeito. De imediato, Anne foi sugerida à escola de desporto em Berlim, um dos seus grandes centros de formação de atletas. E a prova veio depois – Anne sagrou-se campeã nacional por duas vezes entre os juniores – categoria em que também amealhou cinco medalhas de prata em competições europeias. Depois, já como sénior, conquistou quatro pódios em mundiais de judo, apesar de uma longa trajetória envolta em lesões – 1 medalha de prata e 3 de bronze na categoria menos 70 kg. Para lá ficou o treino na Alemanha, agora só pensa tornar-se uma atleta de topo no Brasil. Para isso, Anne inscreveu-se no Instituto Reação, um projeto social criado por Flávio Canto, um ex-judoca brasileiro. Victor já não é namorado de Anne, mas continua presente – não só no judo, também na mesma escola de treinos. Ainda em 2014, Anne foi medalha de prata no Grand Prix disputado em São José dos Campos. O ouro perdeu-o contra a rival, Bárbara Timo. «O sistema aqui é um pouco melhor. São vários treinadores, com profissionais responsáveis em áreas específicas – a preparação física, por exemplo. A Alemanha tem apenas dois técnicos para toda a equipa. É bem mais difícil. A Alemanha não tem tanto dinheiro para investir como o Brasil». A comida brasileira e os Jogos Olímpicos O Brasil encantou Anne, só a poluição a angustia: a poluição. «E apesar de existirem cada vez mais contentores mas mesmo assim a população prefere deixar o lixo na rua, isso também não é bom». Para atenuar os problemas com a poluição, Anne e uma amiga estão a desenvolver um projeto para salvar o ecossistema e o ambiente. «Queremos também levar as crianças aos locais para recolherem o lixo». Um projeto ainda em fase embrionário, até porque Anne ainda continua como cidadã alemã, embora já tenha pedido toda a documentação necessária para obter nacionalidade brasileira. Por causa de todo o processo, Anne já considera a possibilidade de poder participar nos Jogos Olímpicos, defender o Brasil em competições internacionais tornou-se o maior sonho de Anne. Mas sabe que não será fácil, pelo caminho terá que enfrentar as rivais na categoria de menos 70 kg - Maria Portela, Barbara Timo e Nádia Merli. Neste momento, o principal entrave é a legalização uma vez que, a seleção tem em conta o ranking, e Anne precisa da cidadania brasileira para começar a somar pontos. «Estou no caminho. Ainda tenho que resolver questões para adquirir o passaporte. É um pouco difícil, mas estou a tentar. Se não der certo, terei de arranjar um noivo para casar». Até lá, Anne agarra-se à outra paixão – a comida. «O que mais gosto aqui é a comida. Gostei das coisas mais tradicionais, como arroz, feijão e picanha. A picanha é muito boa. Também gostei do pastel de requeijão com camarão e das sobremesas. Não pareço, mas tenho a cabeça de gorda. Gosto de cozinhar e comer». O Holyfield do Brasil – não defrontou Tyson mas conheceu Anne e o judo Victor Penalber é o ex-namorado que levou Anne Lisewski para o Brasil. Começou no judo com apenas quatro anos. Aos 18 era já uma das promessas nacionais. A sua técnica e força física depressa lhe valeram uma alcunha: o ´Holyfield´ do judo. Em 2008, Victor conquistou a medalha de bronze nos Mundiais de Juniores da Tailândia. No mesmo ano porém o destino traçou-lhe a sorte: caiu nas malhas do doping, acusado de ter usado furosemida, um diurético proibido. Depois de dois anos de suspensão, acabou por regressar às lutas, mas não brilhou e falhou no acesso aos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Mas não desistiu, afinal era o ´Holyfield´. Prossegui caminho e tornou-se o nº 1 do Brasil. Em maio de 2014 assumiu a liderança do ranking mundial na categoria até 81kg. Agora a meta é vencer nos Jogos Olímpicos de 2016. O primeiro obstáculo já tem nome - Josateki Naulu, o judoca das Ilhas Fiji. «Provar não é a palavra. Quero vencer e vou vencer. É o meu primeiro Mundial. E ser campeão não tem o mesmo valor de ganhar um Grand Prix, um Grand Slam. É algo muito maior. Não tenho que provar nada a ninguém. Se tiver que provar, é a mim mesmo. A vontade de vencer é muito grande». ...

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