SEGUNDA-FEIRA, 27-06-2016, ANO 17, N.º 5994
SPORTING
Fundação:1906 | Presidente SAD:Bruno de Carvalho
Internet: http://www.sporting.pt Email: sporting@sportmultimedia.pt Telefone: 217516010
Estádio: Estádio José Alvalade
Bruno Paulista de volta
O médio brasileiro Bruno Paulista está de volta a Lisboa, com o intuito de se apresentar na pré-época do Sporting.
Bakic a um passo de Alvalade
Sporting Marko Bakic pode tornar-se reforço do Sporting, conforme pode ler esta segunda-feira em A BOLA. O médio internacional montenegrino de 22 anos, jogador da Fiorentina, que na última temporada esteve emp
Bakic esteve no Belenenses
27-06-2016 - 09:10
«É uma grande honra jogar neste clube» – Spalvis
Sporting o avançado lituano Lukas Spalvis (ex-Aalborg) já está em Lisboa e demonstrou estar motivado para envergar pela primeira vez a camisola do Sporting. «Vim para um grande clube daqui, com certeza o ma
Bruno de Carvalho na festa do título de juvenis (fotos)
Sporting O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, esteve este domingo no jogo que valeu o título de campeão de juvenis ao Sporting, após vitória sobre o SC Braga por 3-0. Fotos Rui Raimundo/ASF
Sporting vence SC Braga e sagra-se campeão de juvenis
Futebol O Sporting sagrou-se, este domingo, campeão nacional de juvenis, ao vencer em Alcochete o SC Braga por 3-0, em partida da última jornada da fase do apuramento de campeão. Os leões dependiam apenas
«Há sempre possibilidade de voltar» - Teo Gutiérrez
Sporting O avançado colombiano Teo Gutiérrez lembrou que tem contrato com o Sporting por mais duas temporadas, mas não fechou a porta ao interesse dos argentinos do River Plate e dos colombianos do Atlético Na
Teo Gutiérrez
26-06-2016 - 10:27
Reforços leoninos em Lisboa
Sporting Os irmãos argentinos Alan e Federico Ruiz e o lituano Spalvis, reforços do Sporting para a nova temporada, chegaram este domingo a Lisboa, um dia antes do início dos trabalhos do plantel. Além das
Russos revelam interesse de Sporting e SC Braga em Margasov
Mercado O site do jornal russo «Sovsport» noticia este sábado que Sporting e SC Braga estão interessados na contratação do defesa Timofey Margasov, que se encontra em final de contrato com o FK Rostov. Mar
«Luís Filipe Vieira ainda é presidente por causa de Jorge Jesus» - Bruno de Carvalho
Sporting O presidente do Sporting concedeu longa entrevista ao semanário «Expresso», na qual fala sobre o Benfica e Luís Filipe Vieira. «O que o Benfica tem nos últimos anos deve-o a Jorge Jesus. Luís Filip
Teo Gutiérrez recusa transferência para a China
Sporting Teo Gutiérrez continua a ter vários clubes interessados no seu concurso mas há para já uma certeza em relação ao seu futuro profissional: este não passará pelo endinheirado futebol chinês. Tal c
«O Sporting quer e merece ser campeão » - Bryan Ruiz
Sporting Bryan Ruiz já se prepara para apresentar-se em Alcochete e à saída da Costa Rica, o país natal, traçou objetivos para a nova época: o título nacional, claro está, é a grande ambição do atacante do Spo
Roger Spry esteve no Euro? Esteve, mas já não está...
Estilos e Espantos Se não reparou, já não vai reparar, que a Áustria já disse adeus ao Euro. Não, à primeira vista não parecia o Roger Spry do Vitória de Setúbal, do Sporting ou do FC Porto - mas sim era ele mesmo: o mais exótico preparador físico da história do futebol em Portugal. Agora de barbas, barbas esbranquiçadas, tal como o cabelo, mas o mesmo frenesim, os mesmos métodos mais ou menos bizarros. E sim é isso que aqui se recorda na véspera da Islândia jogar com a Inglaterra, a Islândia que trocou as voltas a Roger Spry... O futebol é uma paixão que se tem, ou não se tem, embora se possa aprender a apreciar. Mas as memórias, essas memórias que recordam as lendas do futebol, só os verdadeiros amantes as têm. Quando Figo, Balakov, Ivkovic, Cadete e outros, corriam incansavelmente à volta do campo. Mas aqui não lhe vamos contar a história desses jogadores, mas sim, a história do preparador físico, que na passagem por Portugal, revolucionou o futebol português, e principalmente, revolucionou a mentalidade desses jogadores. Não foi fácil, mais difícil ainda, foi perceber o que um tal de Roger Thomas Spry lhes gritava. No fim, acabavam aos pulos, a dançar e a fazer golpes de karaté em pleno relvado. UM INGLÊS QUE CAIU DE PARAQUEDAS EM PLENO SADO Nascido e criado em Inglaterra, Roger Spry, um homem feito, na casa dos 65 anos, despediu-se cedo de França, quando a Seleção da Áustria, onde desempenha o papel de preparador físico, acabou por cair aos pés da fogosa Islândia. E porque aqui lhe falamos de Spry? Não conseguiu travar os islandeses, o Heavy Metal não foi suficiente para acordar os austríacos, mas em Portugal, marcou uma geração de jogadores, fez amizade com influentes treinadores, e acabou por escrever o seu nome no futebol português. Não só se apaixonou por Portugal, como tem um lugar reservado no Sado, para quando abandonar a carreira... Roger Spry chegou ao Vitória de Setúbal em 1986 para acompanhar o treinador Malcolm Allison, o outro inglês extravagante que o futebol português teve. Jovem e astuto tentou mudar o futebol. Não se limitou a fazer os jogadores correrem à volta do campo – isso já eles sabiam – com Spry os treinos eram personalizados e não tinham que pagar mais por isso. Gabavam-lhe as pinturas de guerra que levava para os treinos, o rádio que sempre o acompanhava, onde punha os jogadores a dançar no aquecimento, sob a batuta do igualmente excêntrico Malcolm Allison. O AMIGO JOSÉ MOURINHO Com formação superior na área da condição física e um cinturão negro numa variante de Karaté, o treino também incluía golpes que mais pareciam de treinos de artes marciais. Mas não, era mesmo futebol, dizia ele. «Basicamente, ensinamos os jogadores a levar porrada e sorrir. O adversário fica a pensar: este gajo é maluco ou é o super-homem». Inglês de gema, Spry adaptou-se bem ao futebol português e à vizinhança: ficou hospedado nas margens do Sado durante três anos, tempo suficiente para ver nascer uma das suas filhas, «uma setubalense de gema». Depois da passagem pelo Vitória de Setúbal, Spry acabou por regressar a Inglaterra onde representou o Aston Villa. Mas Portugal ficou-lhe na memória, e mais cedo ou mais tarde, sabia que o regresso estava para breve. Até porque lá deixou um amigo, para muitos special one, para ele apenas José. No Vitória de Setúbal, Spry encontrou Félix Mourinho, que tinha sido por lá guarda-redes, e uma jovem promessa – o filho – mundialmente famoso – José Mourinho, que dividia os seus tempos entre o curso superior em Lisboa e os treinos do Vitória. NO SPORTING DEPOIS DA CHAMADA DE SOUSA CINTRA Em 1991, Spry mudou-se para o Sporting para trabalhar com Bobby Robson e Carlos Queiroz, depois de ter recebido uma chamada de Sousa Cintra. Foi ali, de leão ao peito que se cruzou com Figo, um dos jogadores que mais o marcaram enquanto esteve por terras lusas. «Ainda me lembro de ver Luís Figo a vomitar num treino, mas o sucesso é doloroso. Quando mais dor, melhor. Na altura, ele não gostou, mas cresceu bastante. Foi e é um dos melhores do Mundo. Fizemos compreender que ele tinha uma técnica incrível, mas que ia levar muita porrada na sua carreira. Ele aprendeu que sorrir depois de levar porrada é a melhor lição», revelou o inglês em entrevista ao Mais Futebol. PENTACAMPEONATO NA INVICTA De saída de Alvalade, seguiu-se uma passagem pelo Japão e, uma vez mais, o telefone voltou a tocar, com uma voz portuguesa do outro lado – era Pinto da Costa, e um convite para rumar ao FC Porto, onde Roger Spry trabalhou com António Oliveira e Fernando Santos. Durante o seu percurso na Invicta, assistiu ao crescimento de um mágico, conhecido como Deco. «Lembro-me do Deco, que era pequeno e fraco, foi por isso que não foi aproveitado pelo Benfica. Num jogo frente ao Salgueiros, percebemos o imenso valor que tinha. Então, quando chegou, trabalhei com ele diariamente, mas o tornar mais forte, como podemos comprovar agora», relembrou Spry, há tempos, em entrevista ao Mais Futebol. O plantel sofreu também alguns ajustes, face às saídas de Sérgio Conceição para a Lázio de Roma e mais tarde de Doriva, no mercado de Inverno, para a Sampdória, também de Itália. A época não sofreu fragilidades e começou em grande, com a vitória na supertaça frente ao Braga. Só à 14ª jornada, o FC Porto agarrou-se ao comando da classificação para não mais largar. A consagração fez-se nas Antas, frente ao Estrela da Amadora, em 30 de Maio de 1999. Milhares de portistas acorreram ao estádio para celebrar o feito histórico e único no futebol português - o Pentacampeonato. Com a saída de Fernando Santos do comando do F.C. Porto, Spry seguiu as pisadas do português para o AEK de Atenas. Depois, passou pelo Panathinaikos. Durante a estadia na Grécia, Spry colaborou com a Seleção Nacional, em vésperas do Euro2004. Nos últimos anos, Roger Spry tem dividido o seu tempo entre a Seleção da Áustria e o Celtic de Glasgow, por intermédio de Gordon Strachan. ...
Grande História Rakitic, Modric, Perisic… à primeira vista parecem nomes de medicamentos, mas não, são os senhores que deixarão tudo em campo para travar a tropa portuguesa na luta pelo título no Europeu. Depois de uma época de guerra, só mesmo o futebol para devolver à Croácia uma ambição sem precedentes, já prometida nas lágrimas de Darijo Srna, cujo cancro lhe roubou o pai. Um capitão como há poucos, que antes do futebol pensou em ser eletricista de profissão. Modric, por sua vez, o irmão de Ronaldo no Real Madrid, quis estudar hotelaria ou até ter um bar de praia, mas o seu passado como refugiado reservou-lhe outro destino, assim como ao compatriota Rakitic, rival em Espanha, no comando do Barça. Se não fosse jogador, tinha sido um mestre-de-obras. Um plantel de luxo, dominado por um treinador que além de nunca ter sido jogador, foi reparador de rádios e televisões numa pequena loja no centro de Zagreb… Uffffff… Já está! Depois de noventa minutos ligados à máquina, os portugueses conseguiram respirar de alívio e a Seleção Portuguesa segue invicta para mais um desafio. À sua espera está a Croácia, a Seleção que, sem vários dos habituais titulares, protagonizou um dos momentos mais surpreendestes do Euro de França, ao vencer a Espanha, a campeã europeia em título, e garantir o primeiro lugar do Grupo D. Portugal ficou atrás da Hungria e da Islândia, mas Ronaldo já mostrou que não está para brincadeiras, até porque conhece bem as manhas e manias de Modric e Rakitic. A Seleção da Croácia chegou ao Europeu para jogar futebol, mas mais que isso, sair da sombra daquela geração que, em 1998, foi terceira classificada no Mundial. A equipa que chegou ao pódio no Campeonato do Mundo realizado também em França tinha Suker, Boban e Prosinecki – que também faziam parte da Seleção que, dois anos antes, deu à Croácia a primeira presença numa competição internacional como Nação Independente. PORTUGAL: UM RIVAL JÁ CONHECIDO A geração de ouro dos anos noventa já lá vai, mas o plantel de luxo apresentado por Ante Cacic não lhe fica nada atrás… Recuando no tempo, o passado de Portugal contra os croatas até é vitorioso: três vitórias em outros tantos jogos, embora só um numa fase final. Foi na fase de grupos do Euro em 1996, quando a equipa de grandes jogadores como Suker, Prosinecki, Jarni, Asanovic ou Boban perdeu com a portuguesa (3-0), com golos de Figo, João V. Pinto e Domingos. Os outros dois confrontos foram particulares - em 2005 e 2013, com vitórias por 2-0 e 1-0. No primeiro destes marcaram Petit e Pauleta, no segundo... Ronaldo. Sábado a história vai continuar, numa estreia para a equipa das Quinas, no Estádio Bollaert-Delelis, em Lens - originalmente batizado de Félix Bollaert, construído por mineiros desempregados e que acolheu partidas do Europeu de 1984 e do Mundial de 1998, além de ter sido um dos palcos dos Campeonatos do Mundo de râguebi de 1999 e 2007. ...
Do Passado para o Presente Não é sobretudo do regresso de Ronaldo a Ronaldo que aqui se vai falar. Nem é sobretudo desse Portugal-Hungria onde o Ronaldo regressou a si próprio - e ao seu destino. Do que aqui se vai falar é, pois, sobretudo, dos outros jogos entre Portugal e a Hungria – em que o primeiro foi uma fraude. Mas não só – além dos jogos há sempre um outro olhar que pode passar por uma nadadora em angústia por ter o fato de banho com menos tecido do que o fato de banho com que a Miss Portugal foi, em glamour, ao Brasil ou à América. Também se conta como é que, depois do Dream Team da Hungria não ter sido capaz de ganhar a Portugal seis meses antes de se desfazer nas cinzas deixadas pelos tanques soviéticos em Budapeste, Puskas foi a Alvalade fazer o primeiro jogo noturno da história do Estádio e foi dele o primeiro golo. Marcou-o a Carlos Gomes que haveria de tornar-se também exilado político, fugindo do salazarismo escondido na bagageira de um Boca-de-Sapo. Ou o que é a cabeça partida de Eusébio no primeiro jogo oficial entre Portugal e a Hungria (e nos cinco oficiais que houve até Lyon, Portugal tinha vencido todos…) – tem a ver com as cartas irritadas da Irmã Lúcia a pedir a Américo Tomás que acabasse de vez com «a pouca vergonha e os desplantes» que ofendiam a Senhora de Fátima. Mas há ainda mais, muito mais, para o surpreender… A primeira vez que a seleção jogou no Porto – jogou no Campo do Ameal, a 24 de janeiro de 1926. Selecionador era Ribeiro dos Reis – e na equipa principal não havia nenhum jogador do FC Porto, nem nenhum jogador do Benfica. Do Sporting havia dois: o Cipriano dos Santos e o Jorge Vieira, do Vitória de Setúbal dois havia: o João dos Santos e o Armando Martins. Dois eram do Académico do Porto: o Manuel da Fonseca e o Castro e do Olhanense eram dois também: o Raúl de Figueiredo e o Carlos Delfim. E havia ainda um do Casa Pia, o António Pinho; um do SC Braga, o Alberto Augusto; um do Belenenses, o César de Matos; e um do União de Lisboa, o Liberto dos Santos. Adversário foi a Checoslováquia, acabou empatado 1-1. ALVOROÇO CAUSOU A NADADORA QUASE A GANHAR A TODOS OS HOMENS... Muito mais alvoroço causou na cidade, outra coisa, por essa altura – para nadar contra os homens apareceu uma mulher à Travessia do Douro – e por uma unha negra mulher não ganhou a todos: - Os barqueiros e outros marítimos que acompanhavam a prova queriam a todo o transe que vencesse eu, chegou a tal ponto o entusiasmo entre eles – que puxaram de facas uns para os outros, para aqueles que não estavam a meu favor, por eu ser de Lisboa, do Sporting... Era Estela de Carvalho, também fazia remo e esgrima e jogava ténis – e a aventura começara três anos antes, tinha ela 16: - Num torneio só para sócios do Ginásio, sai-me tão bem que pedi que me inscrevessem na Travessia do Tejo. E eles que não me queriam deixar nadar, disseram-me que não, que não era coisa para meninas... Desgostosa, Estela procurou Margarida Pala, a primeira mulher a atrever-se em travessias do Tejo - e falou-lhe do desconchavo. Margarida desafiou-a para o Algés e Dafundo. De lá passou Estela para o Sporting, ganhou quase todos os campeonatos em que entrou… A MISS EM «CINTILANTE SUCESSO, FAZENDO GINÁSTICA, JOGANDO TÉNIS, NADANDO... Meses depois, em Lisboa, no salão nobre da Câmara de Lisboa, outro foi o frenesim - elegeu-se pela primeira vez uma Miss Portugal: Margarida Bastos Ferreira. Que nos Estados Unidos disputou o concurso Miss Universo. Antes da viagem de barco para a América, Silvino Santos fez filme com ela, que «passou em cintilante sucesso», pelo Coliseu dos Recreios e pelo Politeama de Manaus, mostrando-a no Estoril «fazendo ginástica, jogando ténis, tomando banho no mar» - mas para a praia teve de ir com maillot bem mais comprido (e menos decotado...) que o que Estela de Carvalho usava nas suas provas para «evitar zunzuns»... Havia mais quem se atrevesse a «modernidades» que «chocavam a boa moral». Por exemplo, as corridas de velocidade nas praias do Estoril para actrizes do Parque Mayer (com elas descalças e algumas em fatos de banho mais... «descompostos») – e, por isso, alguém escreveu na revista ABC: «Dizia um fidalgo trocista que às mulheres bastava, em toda a vida, sair de casa três vezes: a baptizar, a casar e a enterrar. E esta ironia foi uma verdade, em Portugal, até há pouco tempo. Agora não. A mulher de hoje pratica os sports sem que a face se tinja da púrpura da vergonha. Na escolha do sport não pode esquecer-se que a mulher não deixa de ser mulher pelo facto de entrar num stadium, tendo de banir todos os exercícios como o foot-ball em que ela se vê obrigada a atitudes e posições isentas de graça e decoro, exploradas pela apreciação idiota de um público sem educação nem cultura». DAS MULHERES DO BOXE À «ARTE SUBLIME» DOS «NUS ARTÍSTICOS» No Ecos dos Sports, que se considerava «a primeira revista sportiva e a de maior tiragem em Portugal», apareceu fotos de duas mulheres a lutarem de... maillot e punhos nus, a ironia e o preconceito (ou pior…) marcavam-lhe a legenda, como se tudo aquilo fosse afinal grande escândalo: «Aqui está uma fase de um encontro de boxe, ou qualquer coisa parecida, realizado no Barreiro, entre duas senhoras que não temos o prazer de conhecer, em festa organizada pelo Luso Football Club, que em boa verdade, deve sempre, nas suas festas, prescindir destes números...» Por outros jornais ainda se poderiam encontrar cronistas elogiando a «arte sublime» da companhia francesa Ba-ta-clan que mostrara em Lisboa «os seus famosos nus artísticos» - ou quem escrevesse que Lea Niarko lançara uma «mancha de modernismo exótico nos palcos modorrentos desta Lisboa atrasadota». Lea era a germano-persa contratada em Paris como especialista em danças orientais, que se exibiu nua no Variedades, no Coliseu e no S. Luís. Fazia ginástica - e, depois, de abalar jornais e revistas queixando-se de ter sido raptada e violada na Boca do Inferno desapareceu de cena, nunca mais se viu por Portugal... A 28 DE MAIO, TUDO MUDOU, TUDO COMEÇOU A MUDAR... Mas de repente tudo mudou, tudo começou a mudar a 28 de maio de 1926, quando o general Gomes da Costa arrancou de Braga à frente de coluna militar com propósito firme: - Acabar com a bagunça em Lisboa. Ainda antes de cruzar Lisboa a cavalo, Bernardino Machado entregou o poder ao almirante Mendes Cabeçadas. Pensou num governo apenas sem influência do Partido Democrático de Afonso Costa, mantendo a «ordem democrática». Não lho permitiram e a 17 de Junho foi obrigado a renunciar às funções de Presidente da República e de Primeiro-Ministro a favor de Gomes da Costa – que segundo Raul Brandão «tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava». Manipulado pelos monárquicos do Integralismo e pelos católicos da direita radical desencadeou imediatas perseguições e deportações de esquerdistas – e acabou vítima da sua própria volúpia. Exigiram-lhe que se demitisse do governo, que ficasse simbolicamente Presidente da República, respondeu-lhes não - e a 9 de Julho foi desterrado para Angra do Heroísmo. ACABARAM-SE AS MISSES E A NADADORA DO MAILLOT OUSADO TAMBÉM... Após 42 dias de lutas intestinas, o governo passou para as mãos de outro general, de Óscar Carmona – e, inexorável, arrancou a Ditadura Militar, pondo, ponto final, em «certas liberdades» (e certas modernidades). Não, não foram só os concursos de Misses que acabaram, ainda antes de fazer 22 anos, Estela de Carvalho, a nadadora que quase ganhara aos homens que com ela foram a despique a Travessia do Douro, despejou em lamento: - Vou começando a ter receio de que me critiquem por, com esta idade, nadar ainda. Também, agora criticam-me por tudo, por nadar, por não ter mais tecido no maillot, por mais isto e mais aquilo, que não me admira que tal suceda, me deixe disto depressa para me casar... (Sem que passasse muito tempo deixou mesmo de nadar em competição...) NÃO FOI PORTUGAL-HUNGRIA, FOI FRAUDE... Sim, foi já sob a Ditadura Militar que se fez o primeiro Portugal-Hungria, a 26 de dezembro de 1926, com Cândido de Oliveira a selecionador. Uma Portugal-Hungria que não foi, de verdade, um Portugal-Hungria. Fernando Pinto conta-o em História do Futebol Português No Campo Internacional: «Quando o sr. Ávila de Melo, então secretário da FPF esteve em Roma, encontrou naquela cidade o sr. Dr. Fódor, secretário da Federação Húngara. Os dois conversaram muito prazenteiramente sobre a realização de um encontro entre os dois países – e nada mais. Depois, quando vieram a Lisboa dois grupos magiares, o Sabária e o Hungária MTK, o último dos quais se fazia acompanhar do seu diretor, o tal já citado sr. Dr. Fódor e este pelo sr. Edwin Herzeg, membro do comité seletivo da Federação Húngara. O sr. dr. Fódor e o sr. Edwin com insólito desplante disseram-se autorizados a negociar com a Federação Portuguesa o encontro, e esta porque não quis e foi negligente não exigiu as respetivas credenciais, pagando a verba estipulada para os dois grupos e entregando ainda os milhares de pesetas destinados à Federação Húngara. E o jogo realizou-se entre uma equipa portuguesa que era a nossa verdadeira seleção e um misto formado pelos dois grupos classificados um em quarto e outro em sétimo lugar do campeonato húngaro da Liga Profissional. Dias depois, o húngaro sr. Akos, treinador do FC Porto, exibia jornais do seu país nos quais se noticiava que o Dr. Fódor iria ser demitido do cargo por motivo da realização do encontro...» Apesar de ser no Porto, a seleção continuou sem um único... portista, alinhou com: Casoto (Boavista); António Pinho (Casa Pia) e Jorge Vieira (Sporting); Raul Figueiredo (Benfica), Augusto Silva (Belenenses) e Varela (Império); Pereira da Silva (Casa Pia), Liberto (União), Severo Tiago (Belenenses), João dos Santos (V. Setúbal) e José Manuel Martins (Sporting). Acabou empatado 3-3, os golos foram de Severo, João Santos e José Manuel Martins… ...

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