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Noticiário
ANSR `culpa` ecrãs dos automóveis pela sinistralidade
16:24 - 22-12-2016
O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Jorge Jacob, considera que a utilização indevida do telemóvel ou smartphone durante a condução como os principais fatores que contribuem para o aumento do número de acidentes de viação com vítimas em Portugal desde 2012.

Para o responsável da ANSR, não são só aqueles aparelhos portáteis a causa maior do acréscimo do índice de gravidade dos sinistros nas estradas no nosso país, mas também os monitores e ecrãs modernos integrados nos novos automóveis, táteis ou não, que exibem e permitem o controlo de múltiplas funções do veículo, como as dos sistemas de multimédia, navegação, informação e até os que regulam a dinâmica.

«Há uma série de aparelhos utilizados ao volante que tiram a atenção da estrada e são um fator de distração. Ao tirar a atenção da estrada, criam-se as condições para que haja acidentes e um agravamento do número de acidentes. A nossa interpretação é que isso decorre dos maus comportamentos atuais de utilização do telemóvel ao volante e de outros dispositivos, como monitores de grandes dimensões, e do tipo tablet, que já existem em muitos carros», declarou à agência Lusa Jorge Jacob, no final da apresentação da "Operação Festas Seguras 2016" e de uma campanha de sensibilização rodoviária.

Desde 2012 que o número de acidentes rodoviários aumenta anualmente, sendo acompanhado por uma descida dos mortos. De acordo com a ANSR, este ano registaram-se 121.471 acidentes, mais 4.384 do que em 2015, que provocaram 424 (menos 25) e 1.952 feridos graves (menos 202). Jorge Jacob adiantou que este fenómeno do agravamento do índice da sinistralidade «não é português», mas «também europeu».

Em 2015, as forças de segurança detetaram 54.027 infrações por uso indevido de telemóvel ou outro aparelho semelhante durante a condução. Dados divulgados pela ANSR mostram que os tempos de reação do condutor a utilizar o telemóvel são 30 por cento mais lentos daqueles que ocorrem na condução sob o efeito de álcool com uma taxa de 0,8 gramas por litro no sangue e 50% mais lentos dos que se verificam numa situação de condução normal.

Nesta quadra natalícia, a ANSR lançou uma campanha de sensibilização, em emissão nas rádios e televisões, apelando para a não utilização do telemóvel ao volante. A iniciativa deste ano sensibiliza também os condutores para não conduzirem quando estão cansados e após terem ingerido bebidas alcoólicas, outros fatores de risco de acidentes.
Jorge Jacob referiu, sobre a condução sob o efeito do álcool, que Portugal «infelizmente ainda está no vermelho», não tendo conseguido reduzir a percentagem dos condutores que são vítimas mortais que apresentam uma taxa de alcoolemia acima do limite legal.

A campanha realiza-se em coordenação com as operações que a PSP e a GNR vão desenvolver durante o Natal e Ano Novo e que se traduzem num reforço da fiscalização nas vias com maior tráfego.

Presente na apresentação da "Operação Festas Seguras 2016", o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou à Lusa que vai estar no terreno um dispositivo «não só para aconselhamento e fiscalização, mas também para acompanhamento da situação». Destacando a importância desta campanha para a sensibilização dos condutores e da ação das forças de segurança, Jorge Gomes apelou para que os automobilistas adotem «comportamentos corretos».
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