QUARTA-FEIRA, 24-05-2017, ANO 18, N.º 6325
Angola
Falta de concorrência ainda trava desenvolvimento das comunicações
19:16 - 19-05-2017
A falta de concorrência e problemas elétricos ainda são os principais fatores de impedimento para o desenvolvimento do setor das telecomunicações em Angola, que nos últimos anos fez progressos sobretudo no ramo das comunicações móveis.

Estes problemas foram hoje indicados no primeiro fórum Telecom dedicado ao tema «O Estado de Arte das Telecomunicações em Angola», realizado em Luanda e promovido pelo semanário angolano Expansão, no qual intervieram responsáveis de várias empresas do ramo.

Em declarações à imprensa, à margem do fórum, o diretor do jornal Expansão, Carlos Rosado de Carvalho, defendeu que é necessário que haja concorrência, porque os preços praticados em Angola ainda são superiores, por exemplo, à média da Comunidade de Países de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

«É preciso que o setor das telecomunicações em Angola também tenha mais concorrência e sobretudo, nas telecomunicações móveis, em que nós, por exemplo, temos apenas dois operadores, a MOVICEL e a UNITEL, mas de facto é praticamente um monopólio, porque a UNITEL controla 80% do mercado», considerou o economista.

Frisando que as telecomunicações são fundamentais para o desenvolvimento do país e para a melhoria da competitividade, Carlos Rosado de Carvalho considerou os preços praticados em Angola `uma barreira´ no acesso de pessoas ou empresas às telecomunicações.

Ainda sobre a concorrência, o também economista e professor universitário defendeu que é preciso clarificar o setor e a entrada de um operador estrangeiro no mercado, que possa ´aumentar a concorrência que no setor faz falta´.

«São setores que exigem fortes investimentos. Nós precisamos não apenas do `know-how`, precisamos de dinheiro (...) acho que um operador estrangeiro dessas multinacionais poderia contribuir para dinamizar, e muito, o setor, porque traria tecnologia, traria `know-how` de gestão, traria também capital e sem concorrência não vai haver baixas de preços», salientou Rosado de Carvalho.
Lusa

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