QUARTA-FEIRA, 24-05-2017, ANO 18, N.º 6325
José Mário Vaz
Guiné-Bissau
Parlamento e organização juvenil repudiam declarações do PR sobre crise política
18:41 - 19-05-2017
O parlamento da Guiné-Bissau e o Movimento de Cidadãos Inconformados com a crise política no país repudiaram hoje as declarações do Presidente guineense quando evoca a soberania do Estado para não cumprir com os apelos da comunidade internacional.

Em momentos distintos, as duas instituições foram coincidentes nos comentários que fazem em relação às declarações de José Mário Vaz, na quinta-feira, em Bissau, no final das Presidenciais Abertas, com as quais referiu que não irá demitir o Governo de Umaro Sissoco Embaló como exigem a comunidade internacional e quatro dos cinco partidos com assento parlamentar.

Através de um comunicado, o parlamento diz que o Presidente guineense José Mário Vaz está-se a posicionar contra `a vontade da esmagadora maioria da população´ e da comunidade internacional `no seu todo´ ao evocar o princípio da soberania de Estado para não cumprir com o Acordo de Conacri.

O acordo, patrocinado pela Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO), visa, no essencial, a formação de um novo Governo cujo primeiro-ministro seria uma figura de consenso de todos os partidos.

Em conferência de imprensa, Sana Canté, líder do Movimento de Cidadãos Inconformados com a crise política, considerou que o Presidente guineense está a `pôr tudo e todos em causa a favor dos seus interesses´.

Para mostrar o desagrado com as palavras de José Mário Vaz, Sana Canté anunciou para o próximo dia 27, uma "mega manifestação" em Bissau para continuar a exigir a renúncia ao cargo de Presidente.

As duas instituições, parlamento e Movimento de Cidadãos Inconformados, lembraram que foi o próprio José Mário Vaz que pediu a intervenção da comunidade internacional perante a persistência da crise política que assola a Guiné-Bissau há cerca de dois anos, pelo que, dizem, não fazia sentido que este evoque agora o princípio da soberania para não respeitar apelos ao respeito das diretrizes internacionais.

O parlamento condena ainda as declarações do Presidente guineense quando este chama aos seus adversários políticos de inimigos.

«O Presidente da República ficará nos anais da história da democracia guineense como sendo o único que cataloga os adversários políticos de inimigos, declarando guerra aos mesmos», lê-se no comunicado do parlamento.
Redação

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