QUARTA-FEIRA, 24-05-2017, ANO 18, N.º 6325
Angola
Seca prolongada afeta 1,42 milhões de pessoas e aumento de cólera preocupa
17:07 - 19-05-2017
A seca prolongada em Angola afeta cerca de 1,42 milhões de pessoas, das quais 756.000 são crianças, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) igualmente preocupado com o aumento de casos de cólera.

De acordo com o relatório de abril da Unicef sobre a situação humanitária em Angola, consultado hoje pela Lusa, as `chuvas intensas temporárias´ que se fizeram sentir nas últimas semanas no país, sobretudo no norte, ´elevaram o risco de surtos de cólera e outras doenças transmitidas pela água´.

No mês passado, segundo os dados da Unicef, o número acumulado de casos suspeitos de cólera em Angola ascendia a 392, dos quais 218 na província do Zaire, mas também em Cabinda e Luanda, que no total provocaram 18 mortos.

«A Unicef reabilitou 20 pontos de água durante os primeiros meses de 2017, garantindo acesso a água potável para até 5.000 crianças em áreas afetadas pela seca», lê-se no mesmo relatório, que acrescenta que 68.000 pessoas em áreas afetadas pela cólera receberam apoio no tratamento de água para consumo.

Além disso, aquela organização das Nações Unidas refere que em abril a resposta nutricional permanecia `criticamente sub-financiada´, tendo a Unicef conseguido ´admitir 3.719 crianças desnutridas em áreas afetadas pela seca em programas de tratamento terapêutico´.

De acordo com a Unicef, `secas severas´ continuavam a afetar as sete províncias do sul do país, casos do Cunene, Huíla, Namibe, Benguela, Cuando Cubango, Cuanza Sul e Huambo.

«As mais afetadas são as três províncias fronteiriças do Cunene, Namibe e Huíla, onde a Unicef está a concentrar a sua resposta global», refere a organização, sublinhando que o fenómeno do ‘El Niño` resultou em «perdas significativas de produção de alimentos de quase 90 por cento».

O resultado são 800.000 pessoas em situação de `insegurança alimentar´ em Angola, e com as taxas de desnutrição aguda grave (SAM) a permanecerem elevadas, em 3,6% no Cunene e Cuando Cubango, "superior à média nacional relatada de 1%".
Lusa

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