DOMINGO, 28-05-2017, ANO 18, N.º 6329
Cabo Verde
Museus visitados quase só por estudantes e turistas
12:05 - 18-05-2017
Cabo Verde tem cerca de duas dezenas de museus, entre públicos e privados, mas falta na sociedade cabo-verdiana a cultura de visita a estes espaços, que são procurados quase exclusivamente por estudantes e turistas.

«São os cabo-verdianos que menos procuram os museus. Não têm essa cultura de procura do museu como espaço de entretenimento e de conhecimento. Ainda usamos muito o nosso tempo livre para ir à loja e a outros locais», disse à agência Lusa a diretora Nacional dos Museus, do Instituto do Património Cultural (IPC), a antropóloga Eugénia Alves.

A responsável falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional dos Museus, que hoje se assinala.

«A maior fatia do nosso público são os estudantes e a seguir os turistas, principalmente na altura dos cruzeiros. Aí temos enchente», acrescentou.

Com 22 museus e núcleos museológicos espalhados pelas ilhas, com exceção da Boavista e Maio, o IPC é responsável pela gestão de oito destes espaços, contando-se entre os mais procurados o Museu Etnográfico da Praia, o Museu da Resistência, no Campo de Concentração do Tarrafal, e o Museu do Mar e o Centro Museológico Cesária Évora, em São Vicente.

Inaugurado em 1997 e reaberto em outubro de 2016, depois de dois anos fechado, o Museu Etnográfico da Praia recebeu nos três últimos meses do ano passado mais de 2500 visitantes, números que Eugénia Alves estima triplicar durante o ano de 2017.

«Temos que desenvolver atividades para trazer gente ao museu», sustentou, considerando `um desafio´ sensibilizar e trabalhar com a comunidade para que `ganhe o gosto de visitar o museu´.

Por outro lado, acredita Eugénia Alves, o trabalho que está a ser feito com as escolas irá criar, num futuro próximo, `cidadãos mais formados culturalmente´ e mais `cientes da importância da preservação do património´.

Eugénia Alves entende que, apesar de já existirem museus com dezenas de anos, em Cabo Verde a museologia está ainda numa fase inicial e `com dificuldades imensas´.

Falta de recursos humanos e de técnicos especializados, escassez de meios financeiros, falta de guias para acompanhar as visitas e incapacidade de manter os museus abertos fora do horário de trabalho da Administração Pública são algumas das falhas identificadas.
Lusa

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