SEXTA-FEIRA, 21-07-2017, ANO 18, N.º 6383
São Tomé e Príncipe
Oposição quer militares ruandeses fora do país
23:39 - 09-05-2017
Os três partidos da oposição parlamentar são-tomense entregaram esta terça-feira, no Tribunal Constitucional, uma previdência cautelar para embargar a resolução aprovada pelo Parlamento que autoriza a entrada de militares ruandeses no país.

«Esperamos que o Tribunal Constitucional trave esse processo; as tropas ruandesas devem retirar-se de São Tomé e Príncipe», disse Aurélio Martins, presidente do principal partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata (MLSTP-PSD).

O presidente do MLSTP-PSD acrescentou que «não foram cumpridos os trâmites legais» para a entrada dos militares do Ruanda no país e considerou que a Constituição são-tomense «foi violada, porque o governo não obedeceu as normas» que permitem ao Presidente da República convocar o Conselho de Estado.

«O mais importante para nós, em São Tomé e Príncipe, não é a vinda de militares ruandeses: há outras prioridades no âmbito da cooperação com o Ruanda que se deveria tomar em conta, mas notamos que há uma certa pressa do governo em primeiro mandar vir tropas de outro país», acusou Aurélio Martins.

«Sabemos que por detrás de tudo isso está o treino das tropas de elite do governo», acrescentou o líder do MLSTP, sublinhando que o governo de Patrice Trovoada «não tem conseguido resolver o problema da população, estando a recorrer a outras práticas de intimidar a população e a oposição, trazendo tropas estrangeiras para o país».

«No fundo», segundo Aurélio Martins, «a intenção do governo é controlar o país e criar uma ditadura».

Um contingente de 20 militares do Ruanda chegou, no passado sábado, a São Tomé e Príncipe para dar formação e treino de dois meses a militares e forças de defesa e segurança do arquipélago.
Redação

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