QUINTA-FEIRA, 25-05-2017, ANO 18, N.º 6326
Angola
ACNUR pede para não fechar fronteiras aos refugiados que chegam do Congo
14:27 - 21-04-2017
O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) apelou hoje ao Governo angolano para manter as fronteiras abertas à população congolesa que está a fugir da violência naquele país, já mais de 11.000 refugiados só em Angola.

Numa nota a que a Lusa teve hoje acesso, o ACNUR refere que se congratula com a `resposta do Governo de Angola´, em manter as `fronteiras abertas para a continuação das chegadas de refugiados´ da República Democrática do Congo (RDCongo).

«Esperamos que este gesto de boa vontade continue, enquanto a situação continua terrível na região do Casai, na RDCongo. O ACNUR também sublinha a importância de não devolver à RDCongo pessoas que necessitam de proteção», refere a organização das Nações Unidas, num apelo ao apoio de Angola.

Em causa estão os conflitos étnico-políticos no Kasai e Kasai Central, na RDCongo, que desde meados de 2016 já provocaram, segundo o ACNUR, um milhão de deslocados, 11.000 dos quais fugiram para Angola, através da província da Lunda Norte.

Só em abril, Angola recebeu 9.000 refugiados congoleses da região do Kasai e a agitação que se vive no país vizinho já obrigou à movimentação de forças armadas e policiais angolanas para a fronteira.

Segundo o ACNUR, que refere estar a apoiar a receção dos refugiados, estes continuam a chegar principalmente ao Dundo, capital da província de Luanda Norte, onde relatam ataques de grupos de milícias, que estão alvejando a polícia, militares e civis que suspeitem de estar apoiando ou representando o governo congolês.

«Depois de fugir das forças rebeldes e do Governo, alguns refugiados tiveram de se esconder na floresta durante vários dias antes de fugir para Angola. Os refugiados estão chegando em condições desesperadas, sem acesso a água limpa, comida ou abrigo», relata o ACNUR.

A situação entre as crianças `é terrível´, e chegam a Angola desnutridas e doentes, sofrendo de diarreia, febre e malária. «Duas crianças são relatadas como tendo morrido da desnutrição severa. O ACNUR está preocupado com o destino de outras pessoas que sofrem níveis preocupantes de insegurança alimentar e doenças», refere a organização.
Lusa

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