QUARTA-FEIRA, 26-04-2017, ANO 18, N.º 6297
Cabo Verde
Analistas divididos na avaliação a primeiro ano do executivo
11:25 - 21-04-2017
O analista cabo-verdiano Corsino Tolentino defende que, no primeiro ano em funções, o Governo não conseguiu transmitir confiança, enquanto João de Deus Carvalho entende que o executivo deu sinais de estar a começar um «bom caminho».

Os dois analistas ouvidos pela agência Lusa concordam, no entanto, que por causa de um ano atípico com três eleições e com pouco tempo de funções não é ainda possível fazer um "balanço sério" sobre a ação governativa do executivo do Movimento para a Democracia (MpD), saído das legislativas de março de 2016.

«As promessas eleitorais foram tantas e variadas que o ano de governação pareceu reduzido a uma semana. O Governo não conseguiu transmitir confiança aos cidadãos. A economia está endividada, gera pouco emprego e a pobreza aumenta», disse Corsino Tolentino à agência Lusa.

O académico e antigo embaixador em Portugal reconheceu, no entanto, na ação do executivo de Ulisses Correia e Silva «alguma ousadia na procura de novos parceiros internacionais e financiamentos».

«Cabo Verde ainda espera pelo dia em que viverá em conformidade com os seus recursos», disse.

Corsino Tolentino avaliou também o papel da oposição, considerando que o «ressentimento que caracterizou a sua intervenção pouco contribuiu para a tranquilidade das pessoas».

«Perante a insegurança do Governo e da oposição não é ainda possível fazer um balanço sério», ressalvou.

Considerando que os `pontos positivos e negativos´ estão espelhados na composição do próprio Governo, Corsino Tolentino avaliou negativamente a manutenção da situação da empresa de aviação TACV e a partidarização da administração pública.

«Uns ministros são serenos, outros são provocadores. Os remodeláveis deixariam um Governo mais sabedor e credível», disse, sem apontar nomes.

«A TACV, a companhia de bandeira, e a partidarização da administração pública são casos típicos da quase inviabilidade de um Cabo Verde justo», acrescentou.
Lusa

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