SEGUNDA-FEIRA, 27-02-2017, ANO 18, N.º 6239
Hospitais em São Tomé registam esta semana 42 novos casos da «doença desconhecida»
São Tomé e Príncipe Os hospitais em São Tomé e Príncipe registarem esta semana 42 novos casos da chamada ´doença desconhecida´, mas a diretora dos cuidados de saúde refere que o número de pessoas infetadas ´está com tendência para diminuir´. Seis meses depois de a doença começar a afetar o sistema nacional de saúde do arquipélago, o governo diz ter chegado a conclusão de que se trata de uma ´celulite necrotizante´. As autoridades sanitárias são-tomenses dizem que ainda não descobriram uma cura para a ´celulite necrotizante´ que já infetou quase 2.000 pessoas desde outubro do ano passado, altura em que começaram a surgir os primeiros casos. «O tratamento direcionado para esta doença em concreto ainda não temos», disse Maria Tomé Palmer, diretora dos cuidados de saúde são-tomense. Segundo a médica, os pacientes estão a ser tratados com «uma combinação de antibióticos», conforme a orientação o infecciologista português, o primeiro a ser chamado pelo governo são-tomense para analisar a doença. «Porque está envolvida a infeção da pele que depois rapidamente desenvolve para necrose, com a morte do tecido», explica Maria Tomé Palmer, sublinhando desconhecer até então o agente patológico que causa a infeção.
Governo assinou contratos de financiamento com UE no valor 20 milhões de euros
São Tomé e Príncipe União Europeia (UE) e governo são-tomense assinaram hoje dois contratos de financiamento que totalizam cerca de 20 milhões de euros. O primeiro contrato foi assinado entre o Ministério das Finanças, Comércio e Economia Azul e o Banco Europeu de Investimento (BEI), no valor de cerca de 16,5 milhões de euros. O segundo foi assinado entre o representante da UE para São Tomé e Príncipe, Alain Joaris, e o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Urbino Botelho, no valor de 3,5 milhões de euros. Em relação ao primeiro contrato, os 16,5 milhões de euros destinam-se «a investimentos no desenvolvimento do setor energético do país». O BEI e o Banco Mundial (BM) vão financiar, conjuntamente, o projeto de recuperação do setor energético de São Tomé e Príncipe, orçado em 27,4 milhões de euros. O projeto deverá ser executado em cinco anos e tem quatro componentes de intervenção, sendo que a central hidroelétrica do rio Contador, situada a mais de 30 km a norte da capital São Tomé, e construída em 1960, será a principal beneficiada deste projeto. O objetivo é aumentar/duplicar a atual capacidade de produção da única fonte de energia renovável desta central. O contrato de financiamento para investimento no setor energético é assinado numa altura em que o país atravessa, há já quase duas semanas, mais uma crise grave de energia elétrica, com cortes no fornecimento diários, que se prolongam entre as 06.00 até cerca das 19.00 horas. O segundo contrato destina-se «a financiar cinco pequenos projetos, entre eles a requalificação e ampliação da área de armazenamento de contentores do principal porto de São Tomé (Ana Chaves), bem como a reabilitação de dois troços de estradas nas ilhas de São Tomé e do Príncipe respetivamente».
Acordo Ortográfico «não está perdido», garante Instituto Internacional da Língua Portuguesa
São Tomé e Príncipe A diretora executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) disse hoje, em São Tomé, que «o Acordo Ortográfico não está perdido», apesar da contestação por uma franja de portugueses e de não ter sido ratificado por Angola e Moçambique». «O acordo foi ratificado pela maior parte dos países, falta neste momento a ratificação por Angola e falta a ratificação por Moçambique. Mas em Moçambique o documento passou no conselho de ministros e neste momento está para ser homologado pelo parlamento», explicou Marisa Mendonça no final de uma audiência com o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de São Tomé e Príncipe, Urbino Botelho. «Não vejo que o Acordo esteja perdido. A informação que tenho por via das comissões nacionais de todos os Estados membros da CPLP [Comunidade de Países de Língua Portuguesa] é de que o Acordo está a vigorar na maior parte dos países que o ratificaram», acrescentou a diretora do IILP, que efetua uma visita de cinco dias a São Tomé e Príncipe. Defende, contudo, que a sua aplicação não pode ser ao mesmo ritmo dos diferentes países, porque, defendeu, «não temos os mesmos ritmos para absolutamente nada». «Nós temos recursos diferentes, temos metas diferentes, nós temos propósitos diferentes, mas o Acordo está sendo implementado», sublinhou. Marisa Mendonça está na capital são-tomense para conversar com as autoridades locais para «ver se São Tomé se incluiu ativamente em projetos como o vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa». «O produto são-tomense está praticamente concluído, pensamos que dentro de poucos meses ele ganhará forma que possa ser incluído na plataforma VOC (Vocabulário Ortográfico Comum da língua portuguesa)», disse Marisa Mendonça. O ILLP projeta nesse âmbito, organizar ainda este ano, uma formação que permita aos professores são-tomenses produzir aulas para o ensino da língua portuguesa, que serão colocadas numa plataforma do IILP denominada Portal do Professor de Português - Língua Estrangeira. «Isto é um valor acrescido por São Tomé, para além de poder usar as aulas e os materiais nos outros Estados membros terá os seus próprios materiais», finalizou a diretora do IILP.
Deputado da oposição apresenta queixa-crime contra presidente do parlamento
São Tomé e Príncipe O líder parlamentar do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), Jorge Amado, entregou hoje no Ministério Público uma queixa-crime por difamação contra o presidente da Assembleia Nacional, José Diogo. «Espero que a instituição justiça seja única e transparente e possa fazer cumprir a lei e averiguar esta difamação ao meu bom nome e da minha família», disse Jorge Amado. A queixa do dirigente do principal partido da oposição são-tomense contra o presidente do parlamento surge depois de um comunicado de imprensa deste órgão, anunciando que a Assembleia Nacional teria decidido proceder criminalmente contra dois deputados do MLSTP-PSD. Segundo fonte parlamentar, Jorge Amado e Hélder Neves foram indiciados pelos serviços administrativos da Assembleia Nacional por alegadamente terem «falsificado documentos e assinaturas» para «reduzir as idades dos seus filhos» para beneficiar de passaportes diplomáticos. Jorge Amado classificou a informação como «falsa, tendenciosa» e destinada a «tentar calar» a sua voz, que considerou «incómoda» para o poder.
«Três Mulheres» e «Invasores» vencem 3.ª edição do festival de cinema de São Tomé e Príncipe
São Tomé e Príncipe Duas longas-metragens, do espanhol Alexis Búrdalo, e do brasileiro Marcelo Toledo, e duas curtas, da russa Alexandra Averyanova e do belga Frederike Migom, venceram domingo a 3.ª edição do Festfilm`17 - festival de cinema de São Tomé e Príncipe. As longas-metragens premiadas foram «Três Mulheres», de Alexis Búrdalo e «Invasores», de Marcelo Toledo, enquanto as curtas premiadas foram «The Edje», de Alexandra Averyanova, e «Nkose Coiffure», de Frederike Migom. Durante cinco dias a cidade de São Tomé foi palco do cinema internacional com 39 filmes em competição, com a entrega dos prémios a ser feita pelos embaixadores de Portugal, Luís Gaspar da Silva e do Brasil, Waldimir Coutinho, entre outras individualidades. A ausência de filmes africanos a concurso foi salientada na sessão de encerramento com críticas a este respeito à organização do festival. «Fico satisfeito que os são-tomenses tenham a possibilidade de ver filmes de vários países, varias geografias, mas infelizmente temos de facto verificado que há poucos filmes africanos», disse o embaixador de Portugal, sublinhando a necessidade de «a próxima edição ter mais filmes africanos e se calhar dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa)». «Há grandes realizadores nos PALOP e era bom termos essa dimensão africana mais sublinhada», acrescentou Luís Gaspar da Silva
Primeiro-ministro Patrice Trovoada na Holanda para reforçar relações bilaterais
São Tomé e Príncipe O primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, viajou hoje para a Holanda para uma visita de trabalho de uma semana, com objetivo de aprofundar as relações bilaterais e reforçar a cooperação, «sobretudo na área do mar». «Queremos a diversificação das nossas parcerias. A Holanda é um país que ultimamente tem demonstrado interesse em cooperar connosco», disse Trovoada. A Holanda assinou recentemente um acordo de proteção costeira com São Tomé e Príncipe, numa extensão de pouco mais de 10 quilómetros, cujo financiamento poderá ser negociado durante esta visita. «Temos estado a trabalhar também numa cooperação a nível de proteção costeira e vigilância marítima e todas as questões relacionadas com o mar», acrescentou o líder do executivo. Independentemente dos contactos governamentais, o primeiro-ministro pretende encontrar-se igualmente com instituições públicas e privadas, entre as quais a administração do porto e aeroporto de Roterdão. Patrice Trovoada faz-se acompanhar nesta deslocação pelos ministros das Finanças, Comércio e Economia, Américo Ramos, e das Infraestruturas, Recursos Naturais e Meio Ambiente (Carlos Vila Nova).
Festfilm`17-Memórias de São Tomé’ exibe 39 filmes até ao próximo domingo
São Tomé e Príncipe A terceira edição do festival Festfilm`17-Memórias de São Tomé arrancou na noite de quarta-feira na capital são-tomense e até domingo exibe dezenas de filmes para «despertar o interesse» dos são-tomenses em produzir cinema. São quase 40 filmes em competição, selecionados nas categorias de longa-metragem, curta-metragem, documentário e animação, cuja exibição conta com parcerias do Instituto Camões-Centro Cultural Português, Município português de Estarreja, Casa da Cultura, Aliança Francesa, Centro Cultural Brasil-São Tomé e Príncipe, entre outras instituições. Hamilton Trindade, da organização, encara a terceira edição do Festfilm`17 como forma de «estimular novos hábitos nos são-tomenses e despertar os seus interesses em produzir filmes no país». Do conjunto dos 39 filmes, três retratam a história do passado colonial em São Tomé e Príncipe, sendo que dois deles foram exibidos na sessão de abertura, na quarta-feira. O terceiro filme sobre São Tomé e Príncipe será exibido no domingo. Segundo a organização, trata-se de uma curta-metragem que mostra o processo da construção da cidade de São Tomé e «muitos edifícios emblemáticos da capital». Os filmes vão ser exibidos alternadamente no Instituto Camões-Centro Cultural Português, centro cultural Brasil-São Tomé, Casa da Cultura e Aliança Francesa – as sessões especiais que serão exibidas nas escolas. «É um conjunto de filmes que escolhemos apenas para os miúdos e é uma aposta que fizemos para levar também o cinema às escolas, levar o cinema aos mais novos», explicou, em jeito de conclusão, Hamilton Trindade.
Duque de Bragança cria lar de estudantes
São Tomé e Príncipe Duarte Pio de Bragança, herdeiro da Casa Real Portuguesa, anunciou quarta-feira a compra de um imóvel em São Tomé e Príncipe para transformar em Lar de Estudante, mas gerida pela Diocese são-tomense. «Neste momento, estamos a adquirir uma casa para a diocese, para ser lar dos estudantes. As negociações estão praticamente concluídas, será uma grande satisfação e vai passar a ter o nome de São Miguel», disse Duarte Pio. Duarte de Bragança encontra-se de visita de cinco dias ao arquipélago e foi hoje recebido em audiência pelo Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho. Disse a saída que esse lar destina-se a albergar os alunos do interior do país e frequentam as aulas na capital. O duque de Bragança citou ainda a agricultura familiar como outro projeto de caráter social que pretende desenvolver em São Tomé e Príncipe, tendo dito que nesse domino já iniciou alguns expedientes. «A ideia é pôr varias instituições em cooperação para criar sinergia e trazer novas ideias», disse, sublinhando que está a pensar igualmente «em trazer especiarias orientais particularmente da indonésia para desenvolver em São Tomé e Príncipe», como forma de combater o desemprego. Esta é a décima visita do duque de Bragança a São Tomé e Príncipe.
Festival exibe 40 filmes em São Tomé para «despertar interesse» dos são-tomenses
São Tomé e Príncipe A terceira edição do festival Festfilm´17 - Memórias de São Tomé arrancou na noite de quarta-feira na capital são-tomense e até domingo exibe dezenas de filmes para «despertar os interesses» dos são-tomenses em produzir cinema. São quase 40 filmes em competição, selecionados nas categorias de longa-metragem, curta-metragem, documentário e animação, cuja exibição conta com parcerias do Instituto Camões - Centro Cultural Português, Município português de Estarreja, Casa da Cultura, Aliança Francesa, Centro Cultural Brasil - São Tomé e Príncipe, entre outras instituições. Hamilton Trindade, da organização do evento, encara a realização da terceira edição do Festfilm´17 como forma de «estimular novos hábitos nos são-tomenses e despertar os seus interesses em produzir filmes» no país. Do conjunto dos 39 filmes, três retratam a história do passado colonial em São Tomé e Príncipe, sendo que dois deles foram exibidos na sessão de abertura de quarta-feira. O terceiro filme sobre são Tomé e Príncipe será mostrado aos telespetadores no dia de encerramento. Segundo a organização, trata-se de uma curta-metragem que mostra o processo da construção da cidade de São Tomé e «muitos edifícios emblemáticos da capital». Os filmes vão ser exibidos alternadamente no Instituto Camões - Centro Cultural Português, centro cultural Brasil - São Tomé, Casa da Cultura e Aliança Francesa, bem como em sessões especiais que serão exibidas nas escolas. «É um conjunto de filmes que nós escolhemos apenas para os miúdos e é uma aposta que nós fizemos de levar também o cinema às escolas, levar o cinema aos mais novos», explicou Hamilton Trindade.
Governo encaixa 7,8 milhões de euros com exportação de cacau em 2016
São Tomé e Príncipe São Tomé e Príncipe encaixou cerca de 8,3 milhões de dólares (cerca de 7,8 milhões de euros) em 2016 com a venda de cacau, que representou 93,5 por cento de todas as exportações agrícolas do país, informou o Instituto Nacional de Estatística (INE) do país. O INE adiantou ainda que em termos de valores nominais em dobras (moeda são-tomense) registou-se uma variação homóloga positiva de 8,8% devido à cotação cambial e à qualidade do cacau são-tomense no mercado estrangeiro. Em termos de quantidade observou-se uma variação positiva de 7,4 por cento, com a exportação de cacau a subir de 2794 toneladas em 2015 para três mil toneladas no ano passado. Os restantes 6,5 por cento na lista de produtos agrícolas exportados foram preenchidos, sobretudo, com coco, flores, café e pimenta. Os principais países importadores dos produtos agrícolas de São Tomé e Príncipe são Portugal, Holanda, Bélgica e França. A economia de São Tomé e Príncipe, em que as ajudas externas cobrem mais de 50 porcento das despesas públicas, baseia-se fundamentalmente, na exportação de produtos agrícolas, sobretudo o cacau, que contribui com quase 27 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB).
Partido no poder propõe aliança à oposição para «matérias sensíveis»
São Tomé e Príncipe O secretário-geral do Partido Ação Democrática Independente (ADI), no poder em São Tomé e Príncipe, apelou hoje à oposição para que se una numa «plataforma de entendimento sobre matérias mais sensíveis» de interesse nacional. «Penso que é chegado o momento para que, quer o poder, quer a oposição, possam encontrar uma plataforma de entendimento naquelas matérias mais sensíveis e que dizem respeito a todos nós», disse Levy Nazaré, também líder da bancada parlamentar do ADI. O secretário-geral do Ação Democrática Independente sublinhou a importância dessa plataforma de entendimento «para o bem do povo e da nação, dentro dos limites do contraditório democrático». «Caso contrário, vamos continuar a autoflagelar-nos, a autodestruir-nos, descaracterizando um povo, uma cultura, uma identidade, ceifando assim um sonho que muitos deram a vida para verem concretizado, o sonho de uma nação unida, apaziguada, forte, desenvolvida e profundamente comprometida com a felicidade dos seus filhos», afirmou Levy Nazaré. Levy Nazaré defende que, para se chegar a essa plataforma de entendimento, os partidos políticos da oposição não precisam necessariamente de «perder as suas características, a sua forma de pensar». O apelo do dirigente do partido no poder foi feito durante a sessão parlamentar de hoje, que agendou para discussão e aprovação vários diplomas, incluindo os projetos de Lei de Defesa do Consumidor, Código de expropriação e projeto de Lei sobre cibercrime. Foi no período antes da ordem do dia desta sessão parlamentar que o deputado do Partido da Convergência Democrática (PCD), Danilson Cotú acusou o governo de «incompetência perante os problemas reais que afetam a população». O deputado disse que o executivo «adotou uma forma de governação à ditadura da maioria, perseguição, exclusão e violação das leis da República». «Neste momento todo o poder está nas mãos do ADI, uma situação privilegiada jamais conseguida por um partido político» no arquipélago, lamentou. Aurélio Martins, presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrático (MLSTP-PSD), principal partido da oposição, acusou, por seu lado, o primeiro-ministro Patrice Trovoada de «obcecadamente buscar na oposição o bode expiatório para justificar a sua incapacidade de governar» o país. O líder do MLSTP-PSD acusou o chefe do Governo e presidente do partido no poder de «autoritário» que «mais não pretende do que abusar da sua maioria parlamentar para, utilizando todos os métodos e expediente pouco transparentes e ilegais abafar a voz da oposição».