SEXTA-FEIRA, 20-01-2017, ANO 17, N.º 6201
PR aponta industrialização e agricultura como prioridades para o país
Moçambique O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apontou hoje a industrialização e a agricultura como prioridades para Moçambique, reiterando o empenho do Governo em recuperar a confiança dos parceiros internacionais para superar os desafios económicos que o país atravessa. Falando durante uma cerimónia de saudação do corpo diplomático em Maputo, por ocasião do novo ano, Filipe Nyusi disse que o desenvolvimento equilibrado de Moçambique passa por uma abordagem integrada entre o Governo e os parceiros internacionais, numa estratégia que deve valorizar a revitalização da produção nos setores-chave da economia, como a agricultura e a indústria. «Continuamos a desenvolver parcerias para estimular setores estratégicos, como a agricultura, turismo e infraestruturas», afirmou o chefe de Estado moçambicano. Filipe Nyusi elencou também como prioridade a recuperação da confiança dos parceiros internacionais, na sequência da suspensão do apoio do fundo Monetário Internacional (FMI) e do grupo de doadores do Orçamento do Estado, em resultado da descoberta de avultadas dívidas ocultadas nas contas públicas. «O Governo continua empenhado em restabelecer a confiança junto dos parceiros bilaterais e multilaterais», declarou o Presidente moçambicano, acrescentando que o executivo moçambicano quer «viabilizar a retomada do apoio e reforçar os mecanismos de transparência na prestação de contas». O impacto das calamidades naturais, que só nesta época chuvosa já mataram 34 pessoas e afetaram mais de 70 mil, entre outubro e janeiro, foi apontado pelo chefe de Estado como um novo desafio para o país e o apoio dos parceiros internacionais, mais uma vez, foi apontado como indispensável para a sua superação. Face à crise que o país atravessa, prosseguiu o Presidente moçambicano, a aposta numa «estratégia de governação que valoriza a cooperação diplomática» poderá ajudar Moçambique a sair do mau momento, marcado por um aumento do custo de vida, desvalorização da moeda, aumento da inflação, uma crise política e militar que opõe o Governo e a principal força política de oposição e os impactos das calamidades naturais. O chefe de Estado moçambicano reiterou o empenho do seu executivo para alcançar a paz, destacando o compromisso com valores da democracia. «Queremos demonstrar o comprometimento do nosso país com valores internacionalmente aceites, como é a democracia e a boa governação política», afirmou. Filipe Nyusi enalteceu ainda a importância de estratégias coordenadas a nível regional e referiu que a adoção de medidas corajosas constituiu um dos principais elementos para o desenvolvimento dos países da África Austral. «A nossa aposta continua a incidir sobre o estímulo de sinergias para atingir os resultados que desejamos, tendo sempre em conta os desafios económicos, sociais e culturais», declarou o Presidente moçambicano, que mencionou ainda o desenvolvimento, nos últimos tempos, das relações com os países asiáticos como um bom indicador.
Renamo denuncia nova violação à trégua
Moçambique A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) denunciou hoje uma nova violação à trégua de 60 dias em Moçambique, apontando o caso de 12 membros do maior partido de oposição «presos e amarrados» numa unidade militar no centro do país. «Estamos muito preocupados com esses 12 membros amarrados no quartel das Forças de Defesa e Segurança em Mocuba», província da Zambézia, disse à Lusa António Muchanga, porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana, que já tinha referido em ocasiões anteriores outras violações à trégua declarada a 03 de janeiro pelo líder do seu partido, Afonso Dhlakama. Muchanga afirmou que, «em tempo de tréguas, quando alguém comete um crime, não vai para o quartel, vai para o comando da polícia», assinalando que a informação chegou à Renamo por fonte do próprio quartel e que os 12 membros da Renamo foram presos esta semana e mantêm-se amarrados e encapuzados. Para o porta-voz do maior partido de oposição, «esta é mais uma prova de que a trégua não está a ser respeitada pela Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder]» e, se algum comandante não está a respeitar as ordens do chefe de Estado, Filipe Nyusi, «deve ser posto no seu lugar». Apesar das violações já denunciadas pela Renamo, o principal partido de oposição não deu ainda sinal de que pretende abandonar a trégua. António Muchanga avisa porém que, «se continuarem a matar os membros da Renamo, o presidente do partido fica mais pressionado». As violações à trégua denunciadas pela Renamo foram até ao momento rejeitadas pelas Forças de Defesa e Segurança. O líder da Renamo anunciou a 3 de janeiro o prolongamento por sessenta dias da trégua temporária declarada uma semana antes, para dar tranquilidade às negociações de paz em Moçambique. No seguimento da trégua, Dhlakama e Nyusi acordaram igualmente um novo formato para as negociações de paz, que inclui um grupo técnico especializado para discutir o processo de descentralização, um dos principais temas da agenda das conversações. O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados há mais de um ano pela violência militar, na sequência da recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.
Diplomatas estrangeiros otimistas em encontro com chefe de Estado moçambicano
Moçambique Diplomatas acreditados em Maputo manifestaram-se hoje otimistas com o futuro de Moçambique, reiterando a sua abertura para continuar a apoiar o país, apesar dos cortes assumidos no ano passado em resultado do escândalo das dívidas escondidas. «Sempre estivemos e estaremos com o povo moçambicano», disse o embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique, Sven von Burgsdorff, à margem da cerimónia de saudação do corpo diplomático acreditado em Maputo ao Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, por ocasião do Ano Novo. Num momento em que foi anunciada uma trégua na crise política e militar que opõe o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, Sven von Burgsdorff manifestou-se otimista numa resolução definitiva do problema, reiterando a abertura da UE, mediador nas negociações de paz, para continuar a apoiar o país. «Todo mundo pode apreciar avanços concretos ao nível da gestão económica e política», declarou o diplomata, acrescentando que as partes são capazes atingir passos concretos para paz em 2017. Por sua vez, o embaixador dos Estados Unidos em Moçambique, Dean Pittman, disse que, apesar de ser evidente que Moçambique tem ainda vários desafios pela frente, a prorrogação da trégua anunciada em finais de dezembro após conversas telefónicas entre Nyusi e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, demostra «avanços encorajadores». «O mais importante é conversar e este parece ser o primeiro passo para uma paz duradora no país», afirmou o diplomata, referindo que o interesse dos Estados Unidos por Moçambique tende a crescer e, mesmo com a mudança política norte-americana, com a ascensão de um novo Presidente, o país africano continuará a ser um «importante amigo». A alta comissária britânica em Moçambique, Joanna Kuenssberg, disse, por sua vez, que os desafios económicos que o país atravessa devem merecer muita atenção e a superação do impasse político é crucial para que Moçambique se concentre nos desafios financeiros. «Nós queremos ver esta trégua estendida e transformada numa paz duradora, por um processo político e negociado entre as partes» declarou a diplomata britânica, que viu a cerimónia de saudação do corpo diplomático como uma «oportunidade de os amigos de Moçambique mostrarem a intenção de continuar a apoiar o país». Moçambique atravessa um momento de crise, marcado pela subida do custo de vida, aumento da inflação, desvalorização da moeda local e uma crise política e militar que opõe Governo e Renamo. O ano de 2016 ficou igualmente marcado pela descoberta de avultadas dívidas, garantidas pelo anterior Governo entre 2013 e 2014, à revelia das contas públicas e dos parceiros internacionais, e que levaram à suspensão do apoio do Fundo Monetário internacional (FMI) e dos financiamentos dos doadores do Orçamento do Estado. A retoma do apoio está dependente do resultado de uma auditoria internacional independente às empresas beneficiadas pelos empréstimos ocultos, e das negociações entre Governo e FMI.
FMI continua a aguardar por negociações de Moçambique com os credores
Moçambique O Fundo Monetário Internacional (FMI) continua a aguardar pelos resultados das negociações entre Moçambique e os credores, após o Governo ter declarado incapacidade de pagar uma prestação dos títulos da dívida, disse o representante da instituição em Maputo. «As implicações vão ter de ser vistas ao longo do tempo. Esperamos que não sejam muitas», declarou Ari Aisen aos jornalistas, à margem da cerimónia de saudação do corpo diplomático acreditado em Maputo ao Presidente moçambicano, Filipe Nyusi. Segundo o representante do FMI, «o que é importante é que essas discussões com os credores possam levar a uma solução que traga a dívida de Moçambique para uma posição sustentável nos próximos anos». Ari Aisen considerou que o relacionamento do FMI com Moçambique «é muito positivo» e que é desejo da instituição «contribuir para que o país mantenha a estabilidade macroeconómica e possa ter um crescimento inclusivo». O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou na segunda-feira que não vai pagar a prestação de janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro (`default`). No documento, Moçambique lembra que já tinha alertado em outubro para a falta de liquidez durante este ano e salienta que encara os credores como «parceiros importantes de longo prazo, cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país». O incumprimento em causa surge no contexto do escândalo de mais de dois mil milhões de dólares de dívidas garantidas pelo anterior Governo, entre 2013 e 2014, a favor de companhias estatais e à revelia das contas públicas, e diz respeito aos encargos da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), convertidos no início de 2016 em dívida soberana, num total de 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023. A revelação das dívidas escondidas levou o FMI e os doadores do Orçamento do Estado a suspender os seus financiamentos a Moçambique. A 25 de outubro, o Governo assumiu oficialmente a incapacidade financeira para pagar as próximas prestações das dívidas das empresas estatais com empréstimos ocultos, defendendo uma reestruturação dos pagamentos e uma nova ajuda financeira do FMI. A retoma da ajuda está porém condicionada às próprias regras do Fundo, que não permite ajuda a países com uma trajetória insustentável de dívida pública, que passou de 45% em 2014 para uma estimativa de 112,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado. Um grupo representando a maioria dos credores dos títulos da dívida soberana declarou entretanto que não está disponível para renegociar até ao fim de uma auditoria independente, já em curso pela norte-americana Kroll, às empresas beneficiadas, e igualmente condição para o FMI e parceiros internacionais retomarem o apoio a Moçambique.
Parkin, craque do Costa do Sol, assina pela União Desportiva do Songo
Moçambola Luís Parkin, um dos melhores jogadores do Costa do Sol, assinou contrato com a União Desportiva do Songo por uma época. Parkin torna-se no principal reforço da equipa do Songo para esta temporada, que se afigura bem intensa, já que, além de competir nas provas internas, a turma agora treinada por Chiquinho Conde estará envolvida nas competições internacionais, em particular na Taça da Confederação Africana. Parkin é extremo direito, já alinhou pelos Mambas, e é visto como um dos jovens talentos com maior margem de progressão do futebol moçambicano. Nos próximos dias mais reforços devem chegar à vila do Songo, um médio, um extremo e dois pontas-de-lança. A União Desportiva do Songo é o atual vencedor da Taça de Moçambique e no dia 5 de fevereiro irá disputar a Supertaça com o Ferroviário da Beira, o campeão moçambicano.
Dhlakama quer falar com Nyusi sobre refugiados moçambicanos no Zimbabwe
Moçambique O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, diz estar preocupado com a situação em que se encontram os refugiados moçambicanos em alguns campos no vizinho Zimbabwe e que vai abordar o assunto com o Presidente da República Filipe Nyusi de modo a que haja uma intervenção urgente. Dhlakama diz que os refugiados moçambicanos no Zimbabwe vivem momentos críticos devido à falta de assistência, havendo segundo a fonte gente a morrer de fome e com sérios problemas de saúde. Muitos moçambicanos refugiaram-se no Zimbabwe devido à tensão político-militar na província de Manica, e segundo o presidente da Renamo, encontram-se entregues à sua sorte. Falando à VOA, o líder da Renamo apela por outro lado às agências humanitárias das Nações Unidas no sentido de, em coordenação com os dois países, encontrarem uma solução urgente de modo a que os refugiados no Zimbabwe regressem ao país ou no mínimo sejam criadas condições alimentares e de assistência sanitária. Dhlakama disse ainda ter informações seguras que outros refugiados, no Malawi, encontram-se na mesma situação apelando a uma rápida intervenção.
Standard & Poor´s prevê dívida pública de 135,5% do PIB este ano
Moçambique A agência de notação financeira Standard & Poor´s (S&P) estima que Moçambique cresça apenas 4% e que a dívida pública suba para 135,5% do PIB este ano, segundo o relatório que coloca o país em ´default´. De acordo com a nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, a S&P estima que a dívida pública passe de 131,5%, no ano passado, para 135,5% do Produto Interno Bruto, o que dificulta ainda mais o objetivo do Governo de baixar a dívida para níveis que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considere sustentável, o que permitiria retomar a ajuda financeira ao país. O relatório, divulgado na quarta-feira à noite, desce o ´rating´ do país para SD/D, ou incumprimento seletivo, no seguimento do anúncio de que o Governo iria falhar o pagamento da prestação de janeiro da emissão de títulos de dívida, feita em abril do ano passado no valor de 716,5 milhões de dólares. O documento apresenta também um conjunto de previsões para a economia moçambicana, destacando-se a subida de um ponto percentual do PIB, de 4%, este ano, para 7% em 2020, ou seja, só daqui a três anos é que Moçambique conseguirá retomar os níveis de crescimento que marcaram a última década. O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou na segunda-feira que não vai pagar a prestação de janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro (`default`). Apesar da descida, a S&P acredita que as negociações de reestruturação da dívida "serão realizadas" e pode proceder a uma nova avaliação. Dependendo das condições do futuro programa de apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das negociações com os credores e dos efeitos na economia real das repercussões do incumprimento, a S&P admite como provável aumentar o seu ´rating´ da dívida moçambicana. O incumprimento em causa surge no contexto do escândalo das dívidas escondidas, garantidas pelo anterior Governo, entre 2013 e 2014, a favor de companhias estatais e à revelia das contas públicas, e diz respeito aos encargos da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), convertidos no início de 2016 em dívida soberana, num total de 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023. No critério da S&P, a classificação de incumprimento seletivo é atribuída quando um pagamento não é realizado na data prevista, nem no período de 15 de dias de tolerância que a agência de notação financeira não acredita que venha a acontecer, uma vez que o Governo declarou incapacidade de o fazer. Nesta fase, a agência financeira não atribui ´ratings´ às outras duas empresas estatais beneficiadas por mais 1,4 mil milhões de dólares de encargos ocultos, alegando falta de informação sobre as garantias do Governo e do seu impacto na dívida pública, embora uma delas, a Mozambique Assett Management (MAM), tenha igualmente falhado uma prestação de 178 milhões de dólares em maio. A 25 de outubro, o Governo assumiu oficialmente a incapacidade financeira para pagar as próximas prestações das dívidas das empresas estatais com empréstimos ocultos, defendendo uma reestruturação dos pagamentos e uma nova ajuda financeira do FMI. A retoma da ajuda está porém condicionada às próprias regras do Fundo, que não permite ajuda a países com uma trajetória insustentável de dívida pública, que passou de 45% em 2014 para uma estimativa de 112,6% do PIB no ano passado. Um grupo representando a maioria dos credores dos títulos da dívida soberana declarou entretanto que não está disponível para renegociar até ao fim de uma auditoria independente, já em curso pela norte-americana Kroll, às empresas beneficiadas, e igualmente condição para o FMI e parceiros internacionais retomarem o apoio a Moçambique.
Confederação empresarial defende participação de PME na indústria extrativa
Moçambique A Confederação das Associações Económicas de Moçambique - CTA vai realizar a 31 de janeiro em Maputo a segunda conferência sobre infraestruturas e gás para promover a participação das pequenas e médias empresas na indústria extrativa. Falando durante uma conferência de imprensa em Maputo, Prakash Prehlad, vice-presidente da CTA, disse que, numa altura em que o país espera pela decisão final de investimento por parte dos principais consórcios que operam na bacia do Rovuma, é importante que as pequenas e médias empresas estejam dentro do processo, como forma de garantir que o setor privado aproveite as oportunidades criadas pelos megaprojetos. «A intenção é permitir que as pequenas e médias empresas possam alinhar as suas atividades e estratégias de modo a que estejam preparadas na sua prestação de serviços para aproveitar estas oportunidades», referiu Prakash Prehlad, que entende que esta é uma das principais condições para que os benefícios da indústria extrativa em Moçambique tenham impacto real na vida dos moçambicanos. A transparência nos contratos com as multinacionais e a construção de infraestruturas são apontadas pela CTA como os principais desafios da indústria extrativa em Moçambique para esta fase, que é entendida pelo patronato moçambicano como «decisiva». O vice-presidente da CTA para o Pelouro dos Recursos Minerais e Hidrocarbonetos, Chivambo Mamadhussen, disse que, em coordenação com o Governo, está em curso um projeto para a criação de uma plataforma para que o setor privado tenha acesso direto a informações importantes de todo o processo. «A informação é importante, mas sabemos que o maior problema está na capacidade do setor privado moçambicano em responder com eficiência e rapidez a estes megaprojetos», concluiu Chivambo Mamadhussen. Moçambique espera pelo efeito multiplicador dos mega-investimentos no gás natural da bacia do Rovuma, onde estima-se que existam cerca de 200 biliões de pés cúbicos de gás nas áreas 1 e 4, tendo o Governo apresentado legislação para acelerar os projetos, que dependem, porém, ainda das decisões finais dos principais consórcios, ENI e Anadarko.
«Queremos passar em primeiro» - Abel Xavier
Moçambique Abel Xavier acredita numa boa prestação da seleção moçambicana de futebol na fase de qualificação para a CAN-Camarões 2019, onde terá pela frente a Zâmbia, Guiné-Bissau e a Namíbia. «Vamos entrar em competição com o objetivo de obtermos a qualificação por via do primeiro lugar, que nos dá o apuramento direto. Iremos, portanto, jogar para o primeiro lugar e não dependermos de qualificação com base na repescagem que sempre está dependente de terceiros», comentou, reagindo ao sorteio. O técnico português, ao serviço dos Mambas, defende que a sua equipa terá que ser equilibrada em todos os jogos. «Estamos a formar uma boa seleção. Penso que o trabalho é visível. Fizemos bons jogos, diante de grandes seleções e ficou claro que estamos num bom caminho. Vamo-nos preparar e penso que até ao primeiro jogo estaremos ainda melhores», disse. Os Mambas iniciam a fase de qualificação para a CAN defrontando fora de casa a Zâmbia. Fazendo uma radiografia aos seus adversários, reconheceu o valor em todos, destacando o facto de a Zâmbia já ter sido campeã africana. «A Zâmbia é das mais fortes de África, já foi campeã. Só por aí diz tudo quanto ao seu valor. A Guiné-Bissau e a Namíbia têm vindo a evoluir muito, mas nós também temos o nosso valor. Estamos a formar uma equipa jovem e cada vez mais competitiva», disse. Os Mambas realizam o primeiro jogo na primeira semana de junho entre os dias 5 e 13. Recorde-se que Moçambique não vai ao CAN desde 2010, quando marcou presença em Angola. De lá para cá ja falhou três competições - CAN-Gabão-Guiné Equatorial 2012, África do Sul 2013 e Líbia 2015.
ONU-Habitat quer envolvimento das populações para travar «urbanização caótica»
Moçambique O diretor regional para a África da ONU-Habitat, Banji Oyelaran-Oyeyinka, defendeu hoje a aposta no planeamento e em políticas que envolvam as populações para travar a «urbanização caótica» e criar cidades mais seguras em Cabo Verde. «Num aglomerado de 3 mil ou 5 mil pessoas, em que cada uma construiu como quis, para se conseguir retificar as disfuncionalidades é preciso a colaboração dos que lá vivem. O Governo não consegue resolver o problema sozinho», disse Banji Oyelaran-Oyeyinka. O responsável da ONU-Habitat para África falava hoje em conferência de imprensa na capital cabo-verdiana, onde se encontra, desde domingo, para fazer o seguimento da implementação dos objetivos das Nações Unidas em matéria de resiliência e segurança das cidades. Banji Oyelaran-Oyeyinka sublinhou que a chamada «urbanização caótica» não é um exclusivo de Cabo Verde e fez, em traços largos, o diagnóstico de um problema que atribuiu, em larga medida, à «topografia desafiante» do país e à sua «rápida urbanização». «O nível de urbanização em Cabo Verde está perto dos 70%, quando em toda a África é em média 40%. É um fenómeno enorme, principalmente por causa do tamanho do país», disse. Às pessoas que chegam das áreas rurais juntam-se os imigrantes de outros países, numa aglomeração de pessoas «muito rápida» que gera problemas de habitação. «As pessoas estão a construir casas e, por causa da natureza topográfica do país, estão a construir em zonas de erosão, leitos de cheias, a maioria delas sem regulação, a chamada `urbanização caótica´», assinalou. Para Banji Oyelaran-Oyeyinka, os assentamentos informais «criam uma economia informal», onde as propriedades veem reduzido o seu valor e as autarquias não conseguem a cobrança de taxas. «Mas são também um desafio para as pessoas que lá vivem, quer seja numa zona de erosão ou numa zona de cheia, quando chove muito as pessoas perdem as propriedades e podemos ver bairros inteiros serem arrastados», disse. O diretor da ONU-Habitat identificou ainda um «enorme défice» de infraestruturação dos aglomerados urbanos e defendeu uma aposta no planeamento antecipado para começar a resolver o problema. «Há em Cabo Verde um grande défice de infraestruturas o que causa enormes problemas, não apenas para as pessoas que vivem nos aglomerados mas também para a cidade. Acreditamos que a melhor maneira de resolver o problema é planear antecipadamente, acelerar a retificação do que foi mal feito e antecipar para o futuro», disse. Banji Oyelaran-Oyeyinka, que durante a sua permanência em Cabo Verde manteve encontros com o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva e com vários membros do Governo, classificou como «boas notícias» o facto de as autoridades cabo-verdianas terem consciência do problema e de assumirem que «a urbanização deve ser a prioridade número um do país». «O Governo está muito consciente do problema, o primeiro-ministro foi presidente da câmara e percebe bem os desafios», disse, adiantando que a partir desta visita será elaborado um roteiro de ações a implementar faseadamente para começar a corrigir as irregularidades do passado e a planear o ordenamento dos futuros aglomerados. «Nos sítios onde atualmente não existem edifícios é preciso assegurar que são construídas ruas adequadas e redes de serviços adequadas para as pessoas poderem construir de forma mais organizada. Dessa forma será possível começar a ver florescer um melhor ambiente», disse.
«Paz» é a palavra do ano
Moçambique «Paz» foi escolhida como palavra do ano em 2016 em Moçambique, anunciou hoje a Plural Editores, que, depois de Portugal, promoveu a iniciativa pela primeira vez neste país e em Angola. «Paz» foi escolhida com 24% numa lista de dez vocábulos finalistas, num contexto de forte agravamento da crise política e militar entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), na sequência da recusa de o maior partido de oposição em reconhecer os resultados das eleições gerais de 2014, alegando fraude, e exigência de governar nas seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio. O líder da oposição, Afonso Dhlakama, encontra-se algures na serra da Gorongosa há mais de um ano e 2016 ficou marcado por confrontos militares entre as partes, emboscadas e ataques na Renamo nas principais estradas e localidades remotas no centro e norte do país, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos e graves denúncias de abusos de direitos humanos. Associada a «paz», a palavra «diálogo» ficou em sétimo, com 5%, numa referência às negociações entre Governo e Renamo em Maputo, na presença de mediação internacional, mas ainda sem resultados. Num ano de guerra e crise económica, a segunda palavra escolhida acaba por ser surpreendente, «mamparra» (idiota, parvo, no calão usado no sul de Moçambique), com 17%, por não ter relação direta com nenhum daqueles assuntos, nem ficar claro se os votantes pensaram em alguém em particular ou se a designação está apenas na moda. Mais previsível era «crise», colocada no terceiro lugar com 16%, quando em 2016 Moçambique sofreu uma queda vertiginosa da moeda nacional, em proporção inversa à subida da inflação, e ainda a descida das exportações, falta de divisas e forte redução do apoio externo e investimento estrangeiro. O tremendo aumento do custo de vida estará também associado à escolha da palavra «solidariedade», no oitavo lugar, com 5%, num ano que ficou ainda marcado pelo escândalo das dívidas escondidas. «Dívida» surge em quinto lugar na lista, com 8%, após ter sido revelado em abril de 2016 a existência de avultados empréstimos para fins de defesa, garantidos pelo Governo à revelia da Constituição e do parlamento. A descoberta de 1,4 mil milhões de dólares a favor de duas empresas estatais, somando-se a um caso semelhante mas que já tinha sido tornado público, de 850 milhões de dólares para a Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), levou à interrupção dos financiamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos doadores do Orçamento do Estado e colocou a dívida pública a níveis insustentáveis. «Educação» figura no sexto posto, com 8%, sinalizando uma preocupação com um setor crónico de Moçambique, onde, apesar de progressos nos últimos anos, cerca de 20% das crianças continuavam fora do primeiro ciclo em 2014, os casamentos prematuros e a guerra também vedaram o ensino a milhares de alunos, e 40% da população permanecia analfabeta, segundo dados de 2011. Outros dois vocábulos, «tchilar», no quarto lugar (11%), e «txunar» no nono (3%) são expressões mais uma vez associadas à linguagem de rua, e muito usadas nas campanhas publicitárias, a primeira com a conotação de divertimento e a segunda com significados diversos, entre fazer, organizar ou aprontar-se, numa referência a uma presumível origem da palavra num tipo de jeans femininas chamado «txuna baby». A lista das dez palavras do ano é encerrada por «liberdade» (3%), num ano que ficou igualmente assinalado por assassínios de políticos, agressões a académicos, intimidações a jornalistas e líderes de opinião e até desincentivos públicos à participação numa manifestação contra a guerra e a crise. A escolha foi realizada pela Plural Editores Moçambique, «através da análise de frequência e distribuição de uso das palavras e do relevo que elas alcançam», tanto nos meios de comunicação como nas redes sociais, e que tem em consideração também as sugestões dos moçambicanos no site da iniciativa.

classificações

Moçambique - Moçambola
30. ª jornada
classificação
30-10
Maxaquene
00
1° Maio Quelimane
30-10
Fer. Nampula
20
ENH Vilankulo
30-10
Fer. Maputo
21
Chibuto FC
30-10
Fer. Beira
21
Liga Desportiva
30-10
Costa do Sol
40
Desportivo Niassa
30-10
Chingale Tete
02
CD Nacala
30-10
Fer. Nacala
02
HCB Songo
30-10
Estrela Vermelha
10
Desp. Maputo
J
V
E
D
GM-GS
P
1
Fer. Beira
30
18
7
5
40-21
61
2
HCB Songo
30
16
7
7
32-14
55
3
Chibuto FC
30
13
11
6
35-19
50
4
Liga Desportiva
30
15
5
10
37-20
50
5
Fer. Nampula
30
13
11
6
37-21
50
6
Fer. Maputo
30
13
10
7
27-18
49
7
Maxaquene
30
11
10
9
28-26
43
8
Fer. Nacala
30
10
12
8
22-24
42
9
CD Nacala
30
10
10
10
39-34
40
10
Costa do Sol
30
10
8
12
34-33
38
11
ENH Vilankulo
30
9
10
11
22-26
37
12
Chingale Tete
30
9
6
15
19-41
33
13
1° Maio Quelimane
30
7
11
12
27-36
32
14
Estrela Vermelha
30
6
12
12
28-36
30
15
Desp. Maputo
30
2
13
15
15-34
19
16
Desportivo Niassa
30
3
7
20
11-50
16