SEXTA-FEIRA, 23-06-2017, ANO 18, N.º 6355
«O maior canário do mundo é da ilha de São Tomé» - Público
Revista de Imprensa «Quem olhe para ele nem diz que é um canário, afinal é castanho-escuro e do tamanho de um estorninho. O nome deste canário gigante é bico-grossudo-de-são-tomé e está ameaçado de extinção.» «Quando pensamos em canários vem-nos à cabeça uma ave amarelinha. Mas esqueçamos as ideias feitas, porque o maior de todos é castanho-escuro, quase arruivado, e tem um grande bico. É também uma ave imprevisível: foi vista pela primeira vez no final do século XIX e depois foram precisos 100 anos até ser de novo observada. O bico-grossudo-de-são tomé vive nas florestas primárias no sul da ilha de São Tomé, no golfo da Guiné, e nos últimos anos tem sido alvo de um novo estudo e até ganhou nome científico: agora é o Crithagra concolor, como se pode ler num artigo, na revista International Journal of Avian Science.»
PR diz que prémio a Agualusa é «etapa de afirmação» do Português
Cabo Verde O chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, felicitou hoje o escritor angolano José Eduardo Agualusa pela atribuição do prémio literário internacional de Dublin, considerando a distinção como «mais uma etapa de afirmação» da língua portuguesa. Numa mensagem enviada ao escritor e hoje divulgada pela Presidência da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, que em breve lançará o seu primeiro romance, manifesta «muita satisfação», como chefe de Estado e como cidadão, pela atribuição do prémio ao escritor angolano. «Apraz-me verificar como a sua carreira literária, intensa, prolixa, séria e deveras muito qualificada, na esteira dos grandes vultos que, no passado, colocaram a sua escrita ao serviço da causa da justiça e das pessoas, conhece hoje novos horizontes», escreveu. Para Jorge Carlos Fonseca, a «distinção e o reconhecimento da obra são também mais uma etapa na afirmação desta língua que falamos e com a qual vimos construindo, progressivamente e não sem alguns constrangimentos, uma comunidade de afetos, e que está presente no quotidiano dos nossos povos». «As nossas histórias também são feitas pelos homens de letras que sabem descodificar e dar sentido belo e justo ao rumor dos dias e não se acantonam a um mero circundar as veredas das paixões, mas também ajudam a interpretar as ansiedades, fixando o húmus do nosso tempo, mantendo vivos o sonho e a esperança, sobretudo dos que não têm voz e sentem, pois, mais pulsão pela justiça e pela liberdade», acrescentou. O escritor angolano José Eduardo Agualusa foi distinguido, quarta-feira, na República da Irlanda, com o prémio literário internacional de Dublin, pela tradução inglesa do romance «Teoria Geral do Esquecimento». José Eduardo Agualusa repartirá o prémio, no valor de 100 mil euros, com o tradutor Daniel Hahn. O prémio literário é gerido pelas Bibliotecas Públicas de Dublin e o processo de nomeação dos escritores foi feito por mais de 400 bibliotecas a nível mundial. No prémio literário internacional de Dublin eram também finalistas o escritor moçambicano Mia Couto, com a tradução de «A Confissão da Leoa», e a escritora nigeriana Chinelo Okparanta, a quem José Eduardo Agualusa dedicou também o prémio, por ajudarem a repensar e a divulgar o continente africano.
Atividade bancária no arquipélago cresceu 8,8% em 2016
Cabo Verde A atividade bancária cresceu 8,8 por cento em Cabo Verde no ano passado e a solvabilidade bancária melhorou, mas os testes de `stress´ aos bancos revelam a persistência de riscos consideráveis para a estabilidade financeira. Esta é uma das principais conclusões do relatório de Estabilidade Financeira 2016, publicação anual do Banco de Cabo Verde, hoje divulgada e que apresenta os principais resultados das análises ao sistema financeiro cabo-verdiano. De acordo com o relatório, «a atividade bancária (...) evidenciou um crescimento de 8,8 por cento superior ao registado em 2015, sustentado "pelo aumento dos depósitos em 10,3 por cento». O crédito, por seu lado, registou um crescimento de 3,2 por cento, mantendo-se ao ritmo do ano anterior, o que, segundo o BCV, reafirma «a tendência de inversão ocorrida em 2014». O BCV assinala uma «redução ligeira» dos níveis de incumprimento dos créditos vencidos, apesar de ainda se manterem «em patamares elevados», em média de 15,5 por cento. «De realçar, contudo, que os bancos têm vindo a reforçar a cobertura das imparidades reconhecidas sobre o crédito com imparidade, tendo o rácio de cobertura fixado em 58,3 por cento, contra 54,4 por cento em 2015», adianta o relatório. De acordo com o relatório, «a maioria das instituições bancárias registou um aumento da solvência, com o fortalecimento da base de capital», no entanto, «os resultados dos testes de `stress´ permitiram a identificação de ameaças à solvabilidade das instituições». «A análise conjugada das condições de estabilidade financeira, aliada aos resultados dos testes de `stress´, permite identificar a manutenção do nível global de riscos em patamares ainda elevados, bem como reconhecer a persistência de consideráveis e potenciais fatores de risco à estabilidade financeira», adianta. O BCV assinala também que a «rentabilidade da maioria das instituições bancárias [?] cresceu ligeiramente», com aumento dos resultados líquidos, contudo enfatiza que o «sistema bancário nacional tem apresentado níveis de rentabilidade muito baixos e custos de funcionamento historicamente elevados, acima de 60 por cento». O risco de liquidez de curto prazo e o estrutural mantiveram-se baixos, confirmando a tendência decrescente nos últimos cinco anos, segundo o relatório, num setor bancário "estruturalmente concentrado nos mercados de crédito e de poupança em duas instituições sistémicas relevantes". A atividade seguradora ficou marcada «pelo aumento da rentabilidade face ao ano anterior e pela manutenção dos níveis confortáveis de provisões técnicas e de margem de solvência», enquanto o mercado de valores mobiliários registou um aumento de 9,2 por cento do valor global. O sistema de pagamentos funcionou «de forma contínua e sem atrasos significativos», tendo a disponibilidade de liquidez sido suficiente para satisfazer as necessidades da procura. «Os ambientes macroeconómicos externo e interno relativamente favoráveis, a ligeira melhoria do desempenho do setor bancário e segurador e das condições financeiras de particulares e empresas, aliada ao reforço da segurança no sistemas de pagamentos atenuaram os riscos à estabilidade financeira», adianta o relatório. "Contudo, os riscos relacionados com a gestão das instituições e com a estrutura do setor bancário mantiveram-se elevados, pelo que exigem da supervisão uma contínua e rigorosa monitorização", acrescenta. O relatório adianta ainda que o Banco de Cabo Verde, enquanto supervisor e regulador, estabeleceu, durante o ano, um conjunto de estratégias, medidas e recomendações com vista «ao reforço da capacidade de resiliência do sistema financeiro», onde se incluem a «avaliação dos modelos de imparidade dos quatro maiores bancos e a elevação do rácio mínimo de solvabilidade de 10 para 12 por cento». O BCV adianta ainda que, em 2016, o enquadramento externo da economia «mostrou-se ligeiramente favorável, com sinais de alguma melhoria da atividade económica dos principais parceiros económicos do país». «A atividade económica (...) deu sinais de aceleração no ritmo de crescimento, tendo registado uma taxa de 3,9 por cento, valor próximo do observado em 2011 (4,0 por cento)», adianta o BCV.
País gastou 10% das importações de 2016 com produtos agrícolas
Angola Praticamente 93 por cento das exportações angolanas de 2016 foram de petróleo bruto, que aumentaram mais de 3.500 milhões de euros face a 2015, mas o país ainda necessitou de importar produtos agrícolas, que representam 10% do total. Os dados constam do anuário do comércio externo de 2016, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), agora divulgado e ao qual a Lusa teve acesso, indicando que em todo o ano as vendas de crude ao exterior ascenderam a 4,466 biliões de kwanzas (24,1 milhões de euros), um aumento homólogo de 17%. Angola continua desta forma fortemente dependente das receitas com a exportação de petróleo, apesar do crescimento que o setor agrícola tem registado. De 2015 para 2016, as exportações de produtos agrícolas aumentaram 44,79%, mas não passaram dos 17.858 milhões de kwanzas (96,5 milhões de euros), equivalente a uma quota de 0,37% do total. Em maio de 2016 foi exportado um lote de 17 toneladas de bananas de Angola, a partir do porto do Lobito, para Portugal, mais de 40 anos após a última venda angolana desta fruta para a Europa. A banana foi proveniente da tradicional região do Culango, da fazenda agroindustrial Bacilin, província de Benguela, e foi embarcada ainda verde, após garantida a certificação pelos dois países. Trata-se de um principais produtos de aposta para exportação em Angola, nomeadamente a originária das províncias do Bengo e de Benguela, que já é exportada para a República Democrática do Congo, e trocas comerciais reforçadas já em 2017, com outros produtores a venderam para a Europa. No plano inverso, e apesar das conhecidas potencialidades agrícolas, 10,44% do volume de importações angolanas foram de produtos agrícolas, no valor de 211.270 milhões de kwanzas (1.140 milhões de euros), uma quebra de 4,32% face a 2015. Apesar de ter sido o maior produtor de petróleo em África durante o ano de 2016, com cerca de 1,7 milhões de barris por dia, a reduzida capacidade de refinação de Angola obrigou à importação de 121.821 milhões de kwanzas (quase 660 milhões de euros), um peso de 6% do total das compras angolanas ao exterior, representando, ainda assim, uma quebra de 26,85% face ao total do ano de 2015. A importação de produtos alimentares desceu 22,89% em 2016, para 103.644 milhões de kwanzas (560,5 milhões de euros), equivalente a 5,12% do total. Globalmente, as exportações angolanas aumentaram 18,76% em 2016, para um volume de negócios total de 4,803 biliões de kwanzas (25,9 mil milhões de euros), enquanto as importações caíram 22,37%, para 2,024 mil milhões de kwanzas (10,9 mil milhões de euros). Em 2016, a balança comercial de Angola, incluindo ainda reimportações e reexportações, registou um saldo positivo de 2,779 biliões de kwanzas (15 mil milhões de euros), praticamente o dobro face ao resultado de 2015.
Artista plástica portuguesa Luísa Queirós morreu no Mindelo
Cabo Verde A artista plástica portuguesa Luísa Queirós morreu hoje na cidade do Mindelo, onde vivia desde 1975, segundo informação avançada pelo Centro Cultural Português, que lamentou o desaparecimento desta «portuguesa de nascimento e cabo-verdiana de coração». Luísa Queirós nasceu em Lisboa, onde estudou e se licenciou em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes, foi professora de educação visual e destacou-se pela luta contra o regime salazarista. Em Lisboa, conheceu o pintor cabo-verdiano Manuel Figueira, com quem se casou e foi viver, em 1975, para o Mindelo, São Vicente, onde, em várias ocasiões, afirmou quer morrer. Em 1976, participou na criação da Cooperativa Resistência e, em 1978, na fundação do Centro Nacional de Artesanato, onde ensinava pintura, tecelagem e batik. Criou marionetas, escreveu livros para crianças (tendo sido sendo distinguida com o Grande Prémio Gulbenkian para a literatura infantil) e ilustrou revistas e capas de discos. Em 2000, foi condecorada com a primeira classe da Medalha do Vulcão, da República de Cabo Verde. Em 1992 criou a Galeria «Azul+Azul = Verde» com Bela Duarte. O Centro Cultural Português - Polo do Mindelo lamentou, através da sua página na rede social Facebook, «a morte física da artista Luísa Queirós, portuguesa de nascimento, cabo-verdiana de coração», lembrando que estabeleceu com a pintora «uma relação de parceria de dezenas de anos», do que resultaram exposições como «As Famílias» ou «Naufrágios de Cabo Verde». O ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, também já reagiu à morte da pintora, considerando, através da sua página pessoal no Facebook, que a «cultura cabo-verdiana está de luto». «Perdermos Luísa Queirós! Uma artista única, dona de um imaginário único repleto de fantasia e de uma linguagem telúrica cabo-verdiana de quem se apaixonou pelas ilhas de Cabo Verde, pelo seu mar, pelas suas gentes», escreveu Abraão Vicente. Recordando que Luísa Queirós foi uma das fundadoras e dinamizadoras do Centro Nacional de Artesanato, considerou que a artista plástica «abriu caminho para a investigação cultural e etnográfica», deixando «um imenso legado e uma obra única e incomparável». «Cabo Verde está de luto e tudo faremos para honrar a sua memória», acrescentou.
Capitania confirma desaparecimento de cargueiro com oito tripulantes
São Tomé e Príncipe A capitania dos portos de São Tomé e Príncipe confirmou hoje o desaparecimento de uma embarcação com oito tripulantes a bordo, que transportava mercadorias de São Tomé para a ilha do Príncipe, recusando para já falar de naufrágio. O navio de carga de nome Santo António, também chamado de `Ferro-Ferro´ deixou o porto de São Tomé na segunda-feira com destino à Região Autónoma do Príncipe, onde devia ter chegado terça-feira, o que não aconteceu. As autoridades evitam falar num naufrágio da embarcação, mas os familiares dos marinheiros manifestam-se apreensivos com a demora que se está a verificar na localização do cargueiro. O comandante da Capitania dos Portos, Tomé da Gloria, disse hoje aos jornalistas que São Tomé e Príncipe «lançou o sistema de alerta para os países da zona de golfo» com vista a ajudar nas operações de busca e salvamento. «Temos uma embarcação da Guarda Costeira nessa operação e o ilhéu Bombom disponibilizou também a sua embarcação para ajudar nesta operação», disse Tomé da Glória, sublinhando que elementos da Guarda Costeira encontraram «alguns bidons mala térmica e outros objetos no alto mar» que julgam pertencer às mercadorias que eram transportados pela embarcação desaparecida. O comandante da Capitania dos Portos adiantou que o tempo de duração da viagem de ligação entre as duas ilhas do `Ferro-Ferro´ é de 20 horas. Isto significa que o navio está desaparecido há dois dias. O facto de se terem localizado algumas boias e outros objetos não explica necessariamente um naufrágio, segundo este responsável, já que quando um navio está à deriva um dos primeiros expedientes é desembaraçar-se de alguma carga. O navio transportava 87 toneladas de carga diversa, incluindo combustível. Fonte do governo da Região Autónoma do Príncipe disse a Lusa que «boa parte de cargas» que eram transportadas pelo cargueiro destinava-se ao IV Congresso da Educação Ambiental da CPLP+Galiza que se realiza entre os dias 16 a 20 de julho na ilha do Príncipe. O desaparecimento de Santo António acontece numa altura em que decorre o exercício Megalope, que envolve os países da zona do Golfo da Guiné, no âmbito da segurança marítima. Um navio de pesquisa científica está também a operar na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de São Tomé e Príncipe. A todos eles as autoridades são-tomenses solicitaram ajuda para encontrar o cargueiro desaparecido as mercadorias e os oito marinheiros, adiantou a mesma fonte. Na história de naufrágios em São Tomé e Príncipe contam-se várias perdas de vidas. O caso mais grave ocorreu há quase 15 anos, quando o navio Babanzelé fazia o trajeto Libreville (Gabão)-São Tomé, em que morreram pelo menos 40 pessoas, incluindo crianças.
União Europeia reitera empenho na parceria para desminagem do país
Angola A União Europeia reiterou hoje o seu empenho e determinação para promover cada vez mais «uma parceria exemplar» que possa contribuir para que Angola se veja livre de minas. A posição foi expressa pela encarregada de Negócios da delegação da União Europeia em Angola, Joana Fisher, ao intervir na sessão de abertura da Conferência Nacional sobre Desminagem, que vai analisar até sexta-feira os últimos 15 anos de atividade no país. A responsável frisou que a União Europeia tem vindo a apoiar o processo de desminagem, liderado pelo Governo de Angola, há muito tempo, salientando que sempre financiou projetos nessa em quase todas as províncias do país. Destacou «o Programa de Emergência ao Apoio de Paz, com o montante de 27 milhões de euros» e também os apoios para o Programa de Desminagem de Emergência e para o Regresso e a Instalação Sustentável, com o montante total de 31 milhões de euros, com vista a melhorar o acesso dos parceiros humanitários às populações isoladas. Joana Fisher recordou ainda que, num passado mais recente, a União Europeia financiou também o Programa de Apoio ao Setor de Desminagem, no valor de 40 milhões de euros, que beneficiou 12 províncias com ações de reduções de minas e dispositivos explosivos, educação sobre o risco de minas e outras ações neste domínio. Os esforços feitos, reconheceu, «permitem ver mudanças positivas nas vidas das pessoas das áreas rurais em Angola, maior liberdade de movimento, maior acesso a fontes de água e mais terra arável disponível para agricultura e outras atividades geradoras de rendimento». «Esses benefícios são fundamentais para o sucesso a longo prazo do Plano Nacional de Desenvolvimento, queremos ser os parceiros chave de Angola. Os dados a serem apresentados nessa conferência mostram que ainda há uma grande necessidade de continuar a desminagem humanitária em Angola», disse. Angola assumiu o compromisso de ser declarado livre de minas até 2025, mas enfrenta dificuldades financeiras para atingir a meta, avançando um valor de mais de 200 milhões de dólares (179,4 milhões de euros).
Polícia dispersa grupo que tentou perturbar início da convenção do PAIGC em Bissau
Guiné-Bissau A primeira convenção nacional do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) teve hoje início em Bissau sob forte medidas de segurança, depois de a polícia ter dispersado um grupo que tentou perturbar o encontro. «Um grupo de jovens tentou perturbar e foi repelido pela Polícia de Ordem Pública (POP)», disse fonte da organização da convenção nacional do PAIGC, maior formação política da Guiné-Bissau. Segundo a mesma fonte, o PAIGC já tinha informado as forças de segurança guineenses e a Ecomib, força de interposição da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) destacada em Bissau, sobre a realização da convenção. «Está tudo calmo e a convenção está a decorrer com normalidade», acrescentou a fonte. Junto à sede do PAIGC, situada na Praça dos Heróis Nacionais ao lado da Presidência guineense, permanece um forte dispositivo de segurança, que está a condicionar a circulação de veículos naquela rotunda, no centro da capital guineense. O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) iniciou hoje a sua primeira convenção nacional sob o lema «Pensar, para melhor agir». Entre hoje e sábado, 600 delegados do partido vão debater temas que incluem os princípios e fundamentos ideológicos do PAIGC, os estatutos do partido, o papel dos jovens e das mulheres, a corrupção no país e o melhor regime político para a Guiné-Bissau. A primeira convenção nacional do PAIGC ocorre num momento em que o país vive um impasse político há cerca de dois anos, com a paralisação do parlamento, na sequência da dissidência de mais de uma dezena de deputados deste partido. O Governo do PAIGC saído das eleições de 2014 caiu na sequência da demissão de Domingos Simões Pereira do cargo de primeiro-ministro e desde então o país já teve cinco chefes de Governo, numa crise que está a ser mediada pela CEDEAO.
Visitantes com isenção de visto têm que fazer pré-registo online
Cabo Verde Os visitantes com isenção de visto para Cabo Verde terão que registar-se previamente online, segundo o diploma que altera o regime jurídico de entrada e permanência de estrangeiros, que na próxima semana vai ao parlamento. As alterações ao diploma visam acomodar a decisão do Governo de, a partir de 01 de janeiro de 2018, isentar de visto de entrada e permanência durante 30 dias os cidadãos da União Europeia e do Reino Unido, mas também prever outras situações de isenção no futuro. «Os cidadãos isentos de visto estão obrigados a proceder a um pré-registo, através de uma plataforma disponível na rede de internet, até cinco dias antes do início da viagem», adianta a proposta de lei. Na altura do pré-registo, os visitantes terão que fornecer os dados do passaporte, número de voo, informações sobre as datas de entrada e saída do país e local de alojamento, informação que será guardada num ficheiro provisório e apagada no prazo de 48 horas. No entanto, o diploma ressalva que as informações podem ser usadas «para a aplicação de disposições legais em matéria de segurança e ordem pública». Paralelamente, está prevista a criação de uma outra plataforma para pedidos de visto online, com o objetivo de reduzir o número destes pedidos nos aeroportos e missões diplomáticas de Cabo Verde. O diploma contempla também a possibilidade de um agravamento da taxa de segurança aeroportuária para os cidadãos isentos de visto, a consagrar através de um decreto regulamentar da lei. O aumento da taxa visa suportar os «custos de gestão da plataforma web de pré-registo de viajantes, da plataforma de solicitação de vistos, do acesso à informação relativa a cidadãos estrangeiros e a documentos de viagem disponíveis em bases de dados internacionais». «A presente alteração pretende criar um mecanismo executivo que permita a isenção de vistos a cidadãos de países, ou comunidades de países, relativamente aos quais Cabo Verde tenha um particular e fundado interesse em fazer com que a procura do nosso mercado turístico conheça um aumento, provocando a dinâmica económica que se preconiza e, através dela, o desenvolvimento do país», adianta o preambulo da lei. «As alterações visam também salvaguardar o necessário incremento da segurança fronteiriça, nomeadamente, pela via do controlo prévio de todos os cidadãos estrangeiros, isentos, ou não, de visto, que pretenderem entrar no país», acrescenta. A isenção de vistos de entrada em Cabo Verde para cidadãos europeus foi anunciada em abril pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, para vigorar a partir de maio, mas foi entretanto adiada para janeiro de 2018. O Governo quer ter toda a legislação sobre esta matéria aprovada até finais de junho, seguindo-se posteriormente um período de adaptação para os operadores turísticos, bem como ao nível da segurança aeroportuária e do reforço dos mecanismos fronteiriços. O anúncio da medida suscitou polémica e a oposição de vários quadrantes, por não prever a reciprocidade de isenção de vistos para a entrada de cidadãos cabo-verdianos na União Europeia e pela potencial perda de receitas que irá representar para o país.
UD do Songo de volta ao comando
Moçambola A União Desportiva do Songo está de volta a liderança do Moçambola. A vitória por 1-0, esta quinta-feira, diante da Liga Desportiva de Maputo, em jogo da 17ª jornada, fez com a que a equipa da vila do Songo regressasse ao comando em troca com o Costa do Sol, que caiu para a 2ª posição. Depois de o empate caseiro do Costa do Sol, na tarde de quarta-feira, com o Ferroviário de Nampula (1-1), já se previa que os comandados de Chiquinho Conde pudessem reocupar o estatuto de líderes e realmente foi isso que se viu. Por seu turno, a Liga voltou a comprometer aquele que é o seu principal objectivo: conquistar o título. A turma de Daud Razak ocupa a 5ª posição e está a 10 pontos da UD Songo quando faltam 13 jornadas para o término da prova. Noutra partida, que marcou o enceramento da 17ª ronda, o Maxaquene recebeu e empatou, 2-2, com o Chingale de Tete, treinado pelo português, Carlos Graça- Este empate, coloca as duas equipas em posição aflita na luta pela manutenção. Resultados da 17ª jornada: ENH de Vilankulo - Fer. Maputo (1-0) Costa do Sol - Ferroviário de Nampula (1-1) Desportivo de Nacala - AD Macuácua (2-0) Textáfrica de Chimoio - Fer. Nacala (0-1) Clube do Chibuto - 1º Maio de Quelimane (3-1) UD Songo - Liga Desportiva de Maputo (1-0) Maxaquene - Chingale de Tete (2-2) UP Niassa - Ferroviário da Beira (adiado) Classificação actual: 1.º UD SONGO 35 2º Costa do Sol 34 3.º Fer. Nacala 28 4.º Fer. Maputo 27 5.º Liga 25 6.º Fer. Beira 20 7.º Desp. Nacala 23 8.º Chibuto 23 9.º ENH 22 10.º Fer. Nampula 19 11.º Maxaquene 19 12.º UP. Niassa 18 13.º 1.º de Maio 18 14.º Textáfrica 18 15.º Chingale de Tete 17 16.º AD Macuácua 12 Próxima jornada (18ª): Ferrroviário de Nampula-UD Songo, Ferroviário de Maputo-Costa do Sol, Chingale de Tete-ENH de Vilankulo, Ferroviário da Beira-Maxaquene, AD Macuácua-UP Lichinga e Desportivo de Nacala-Textáfrica do Chimoio, 1º Maio de Quelimane-Ferroviário de Nacala e Liga Desportiva de Maputo-Chibuto,
País terá Sistema Integrado de Gestão de Segurança Pública
Angola Angola vai ter um Sistema Integrado de Gestão de Segurança Pública, para responder em tempo útil as solicitações dos cidadãos em casos de alteração da ordem pública, catástrofes e outras de natureza securitária, foi hoje divulgado em Luanda. O anúncio foi hoje feito pelo ministro do Interior de Angola quando discursava por ocasião do 38.º aniversário do Ministério do Interior, avançando igualmente que estão em curso a construção de mais de 70 estabelecimentos ligados ao setor. Ângelo Veiga Tavares informou que a aplicação do Sistema Integrado de Gestão de Segurança Pública, já em curso, com a criação dos respetivos centros nacionais, municipais e unidades de resposta, vai introduzir no país um novo modelo de intervenção dos distintos órgãos de segurança e ordem interna. Segundo o ministro, o objetivo é «corresponder às solicitações dos cidadãos em casos de alteração da ordem pública, catástrofes e outras de natureza securitária». Fazendo um balanço dos 38 anos de atividades daquele ministério, o responsável disse que, apesar das dificuldades, foi possível «manter a integridade territorial do país, a paz, a segurança, a ordem e a tranquilidade públicas», assinalando que foi igualmente garantido o clima adequado para o normal funcionamento das instituições do Estado. A aprovação do novo Estatuto Orgânico do Ministério do Interior foi ainda sublinhada como um ganho para o setor, que permitiu dar «maior enfoque à gestão coletiva e repor a justiça» em relação aos quadros, «profundamente afetados pelas insuficiências» no processo de fusão entre os ministérios do Interior e da Segurança do Estado. Ângelo da Veiga Tavares fez saber igualmente que a nível do país estão em curso mais de 70 obras entre comandos, esquadras e postos policiais, estabelecimentos prisionais, entre outras instituições, algumas das quais com elevado grau de execução física e que serão retomadas e concluídas «num futuro próximo». Um elevado número de jovens ingressou durante os últimos anos no Ministério do Interior de Angola, destacando-se o sexo feminino, existindo atualmente na instituição pública mais de 20 mil mulheres. Nas celebrações do 38.º aniversário do Ministério do Interior de Angola, o ministro informou também que está consolidada a Caixa de Proteção Social para o efetivo.