SEGUNDA-FEIRA, 24-07-2017, ANO 18, N.º 6386
Mototáxi sustenta centenas de famílias em Luanda mesmo sem licença
Angola Centenas de jovens dedicam-se diariamente ao serviço de mototáxi no centro de Luanda, permitindo aos passageiros, a partir de 500 kwanzas (2,60 euros), escapar às filas de trânsito, mas a atividade é exercida sem qualquer tipo de licença. Do centro para outros pontos da cidade, os `kupapatas`, como também são conhecidos estes mototaxistas, garantem rapidez para chegar a qualquer local de Luanda, dependendo apenas do bolso do cliente/passageiro, um serviço onde a boa disposição, aparência e a ´documentação em dia´ concorrem para atrair mais passageiros. «É um trabalho bom, estamos a contribuir para o bem da sociedade, sobretudo na ajuda matinal dos funcionários, quando o trânsito nas ruas está intenso», explicou à Lusa o mototaxista David Sebastião. Com 33 anos, explica que trabalha por conta própria após conseguir comprar a sua motorizada com as poupanças de vários meses. «O rendimento, depende da dinâmica, mas em média, diariamente varia entre 15.000 e 20.000 kwanzas (78 a 100 euros). O preço inicial são 500 kwanzas e varia em função da distância, podendo chegar mesmo a 3.000 kwanzas (15 euros, uma única viagem)», acrescentou. David Sebastião revela que também faz preços simbólicos a clientes com menos posses e por vezes até se tornam ´fixos´, satisfeitos com o serviço prestado. «O nosso bom comportamento, capacete, o bom visual e a documentação em dia, eles solicitam os nossos terminais telefónicos e para qualquer situação eles telefonam e vamos ao encontro deles», explica. Sem licença para o exercício da atividade, David Sebastião tem noção da documentação ´indispensável´ para a circulação da motorizada em Luanda, garantindo ter muitos clientes. Hoje garante que não vive sem a motorizada que garante sustento da família. «Sem querer mentir, daqui consigo, sim, sustentar a minha família. Eu vivo graças à moto e tudo que eu tenho é graças a esse serviço que presto à sociedade de Luanda, mas com pensamento de que amanhã irei conseguir um emprego fixo», apontou. Num outro ponto da cidade de Luanda, Edinho Semedo, de 24 anos, espera na rua por clientes, sentado na sua motorizada. Há quatro anos na atividade e agora por conta própria, este `kupapata` relatou à Lusa o seu percurso diário, trabalho que considera ser arriscado face à constante fuga ao trânsito congestionado da capital angolana.
Mambas fora da corrida para fase final do CHAN-2018
Moçambique A seleção moçambicana de futebol perdeu, este domingo, diante de Madagáscar, por 0-2, e ficou afastada da corrida ao CAN-Interno (CHAN) de 2018. Esta derrota, em pleno Estádio Nacional do Zimpeto, foi acolhida com muita tristeza e até alguma surpresa pelos milhares de adeptos, visto que, após o empate (2-2) em Antananarivo, capital malgaxe, os Mambas tinham caminho aberto para se apurar, na medida em que um empate a zero ou a uma bola bastava para continuar na rota de apuramento para o CHAN. O facto é que a equipa moçambicana, que ao longo da história sempre superou os malgaxes, voltou a claudicar, após ter caído na Taça COSAFA, no mês passado.
Associação de Pais garante que 40% do programa escolar ficou por cumprir
Guiné-Bissau O presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos alunos da Guiné-Bissau, Armando Correia Landim, afirmou que «40% do programa escolar ficou por cumprir este ano letivo devido às greves dos professores». O ano letivo nas escolas públicas da Guiné-Bissau em condições normais deveria ter terminado no passado mês de junho, mas, devido às greves dos docentes, o Ministério da Educação decidiu prolongá-lo até 28 de julho. Armando Correia Landim disse que «mesmo com esta engenharia, que é o mal menor, perante a alternativa das passagens administrativas, cerca de 40% do programa previsto não vai ser cumprido». Fonte do Ministério da Educação revelou que estavam programados 173 dias úteis de aulas, mas logo a abrir o ano, em setembro, deu-se uma greve geral dos professores que decorreu durante 49 dias que motivou um reajuste da programação para 139 dias - os professores voltaram a realizar uma greve geral em maio durante 16 dias. Para cumprir com os 139 dias previstos, o Ministério da Educação «viu-se obrigado a estender por mais um mês o ano letivo», explicou a fonte. Em jeito de conclusão, Armando Correia Landim afirmou ainda que nos outros países da sub-região africana são gastos cerca de 20% do orçamento no setor da Educação e na Guiné-Bissau a cifra não ultrapassa 11% e defendeu que «esta situação leva a que os professores estejam sempre em greve, com salários em atraso, mesmo quando o governo afirma não ter dívidas com eles, como é o caso atual».
Principal partido da oposição cria órgãos para preparar eleições
São Tomé e Príncipe Um Gabinete de Preparação e Seguimento das Eleições vai dirigir doravante as principais atividades do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), indica o partido em comunicado divulgado este domingo. O novo órgão do partido, aprovado no sábado, em Conselho Nacional, será liderado por Jorge Amado, líder da bancada parlamentar, e integra ainda Américo Barros, como vice-presidente, o empresário e antigo ministro da Educação, Guilherme Otaviano, e Maria das Neves, líder da ala feminina do MLSTP-PSD e ex-candidata às presidenciais de 2014. O Conselho Nacional do principal partido da oposição são-tomense decidiu igualmente «reajustar» o Gabinete de Estudo dos sociais-democratas e, no comunicado, exorta todos os seus dirigentes, militantes, simpatizantes e amigos «a unirem-se em torno destes objetivos para unir, consolidar e fortalecer o MLSTP-PSD para os próximos desafios políticos e eleitorais». O presidente do MLSTP-PSD, Aurélio Martins, disse que estas duas propostas se destinam a «redinamizar as atividades do partido e alavancar a tão desejada unidade e coesão». Fonte partidária assinalou que os dois órgãos vão trabalhar na preparação das eleições autárquicas, que deveriam ter lugar este ano, e nas legislativas previstas para 2018 e, consequentemente, definir a figura do primeiro-ministro, em caso de vitória nestas eleições.
MPLA começa campanha eleitoral traçando objetivo de «vitória qualificada»
Angola O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) traçou, este domingo, no arranque da campanha eleitoral, o objetivo de atingir uma «vitória qualificada» nas eleições gerais de 23 de agosto, às quais já não concorre José Eduardo dos Santos, líder do partido e presidente desde 1979. A posição está expressa numa declaração oficial do Bureau Político do MPLA sobre o início da campanha eleitoral, que se vai prolongar até 21 de agosto, e antecede o primeiro ato formal com o cabeça-de-lista do partido, general João Lourenço, um comício agendado para 25 de julho, na cidade do Huambo. Na mesma declaração, o partido no poder em Angola desde 1975 afirma que «uma vez mais, o povo angolano vai mostrar a África e ao mundo a sua maturidade e responsabilidade política», dando às eleições gerais que se realizam dentro de 30 dias «a real dimensão que o processo democrático da República de Angola merece». «O MPLA vai fazer da sua campanha eleitoral um momento de festa, de elevado sentido patriótico e democrático, alicerçada nas suas propostas para o quinquénio 2017-2022 e com respeito à diferença e ao próximo», pode ler-se na declaração do Bureau Político. Exorta ainda os «militantes, simpatizantes e amigos» do MPLA a que, no dia das eleições, «compareçam massivamente e sejam os primeiros a marcar presença nas assembleias de voto», de forma a «garantir a vitória qualificada» do partido e do seu candidato, João Lourenço, que, como cabeça-de-lista, concorre à eleição, por via indireta, para o cargo de Presidente da República. Angola contará com 9.317.294 milhões de eleitores nas eleições gerais de agosto, segundo os dados oficiais da Comissão Nacional Eleitoral angolana. A Constituição angolana, aprovada em 2010, prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90). O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo.
Estrela goleia (7-2) Desportivo no campeonato de hóquei da cidade de Maputo
Moçambique O Estrela Vermelha goleou o Desportivo, por 7-2, em jogo da terceira jornada do campeonato de hóquei em patins da cidade de Maputo. Esta vitória coloca o Estrela como líder isolado com 6 pontos e confirma a posição de principal concorrente ao título. Já o Ferroviário obteve o primeiro triunfo na prova e logo com uma goleada sobre Académica: 6-3. O Desportivo B também se estreou a vencer, levando a melhor sobre o Dom Bosco, por 5-4. Classificação: Estrela, 6 pontos, Desportivo A, 3, Desportivo B, 3, Ferroviário, 3, Académica, 3 e Dom Bosco, 0.
Observação de tartarugas no Sal e Boavista gera 500 mil euros de receitas
Cabo Verde No ano passado, cerca de 20 mil turistas visitaram as praias das ilhas cabo-verdianas do Sal e Boavista para observar tartarugas, gerando mais de meio milhão de euros de receitas, segundo estimativas do projeto Biodiversidade. Para Albert Taxonera, biólogo do projeto de conservação de tartarugas da ilha do Sal - Project Biodiversity -, as contas são simples: a preservação das tartarugas tem um impacto positivo na economia das ilhas e o grande desafio passa por fazer com que as populações entendam que valem mais vivas do que mortas. «Calculamos que, no ano passado, cerca de 20 mil turistas tenham estado nas praias do Sal e da Boavista para ver as tartarugas. Se fizermos as contas a 25 ou 30 euros por pessoa, estamos a falar de mais de meio milhão de euros, apenas em quatro meses», afirmou. O biólogo falava dias depois do início da época de desova da tartaruga `Caretta caretta`, que decorre entre junho e outubro, e durante a qual mais de 50 voluntários patrulham as praias durante a noite, na tentativa de evitar a caça, prática que, apesar de ilegal, continua a existir. «Há apanha em todas as praias onde não há proteção. Se deixamos de proteger, há apanha. Então, realmente, depende de nós», referiu, acrescentando que «é muito difícil conseguir identificar os apanhadores» e que mesmo quando são identificados «nada acontece». O Governo cabo-verdiano anunciou, na passada quinta-feira, uma proposta legislativa que visa criminalizar e punir com penas que podem ir até à prisão efetiva o consumo de carne e ovos de tartaruga, reforçando a legislação que já previa penalizações para a apanha. A população de tartarugas marinhas ‘Caretta caretta’ de Cabo Verde é a terceira maior do mundo, sendo apenas ultrapassada pelas populações na Florida (Estados Unidos) e em Omã (Golfo Pérsico). As tartarugas visitam as praias para construir os ninhos e depositar os ovos, estimando-se que em Cabo Verde 85% a 90% da nidificação ocorra nas praias da Boavista.
Primeiro-ministro em Xai-Xai para o encerramento da 13.ª edição dos Jogos Escolares
Moçambique O Primeiro-ministro encontra-se na província de Gaza, na cidade de Xai-Xai, onde no próximo domingo orienta a cerimónia de encerramento da «13.ª edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares – Gaza 2016». Carlos Agostinho do Rosário, na companhia de outros membros do governo, professores, alunos e uma parte da população assistiram a um jogo de andebol realizado na tarde deste sábado. O encerramento dos Jogos Desportivos Escolares, para além de discursos e entrega de troféu ao vencedor será abrilhantado pela realização de diversas atividades culturais e desfile das delegações províncias.
Cesário Matos e adjunto deixam 1º de Maio de Quelimane
Moçambique Cesário Matos já não é treinador do 1.º de Maio de Quelimane, equipa que joga no Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão (Moçambola). Com Matos vai também o seu treinador adjunto Ernesto Fumo. A dupla técnica foi afastada da equipa alegadamente pelos maus resultados que a coletividade vem conseguindo jogo após jogo o que não tem agradado nem aos dirigentes nem aos adeptos. O afastamento de Cesário Matos e Ernesto Fumo acontece numa altura em que os atletas tencionam fazer uma greve por causa dos três meses de salários em atraso e do mau ambiente que, alegadamente, se instalou no clube. Os treinadores respeitam a decisão da direção e dizem sair de cabeça erguida cientes de terem realizado um trabalho positivo. A equipa do 1.º de Maio ocupa atualmente a penúltima posição do Moçambola, com 18 pontos.
UNITA diz que balanço de 42 anos de MPLA se faz a 23 de agosto
Angola O cabeça-de-lista da UNITA às eleições angolanas avisou hoje que, a 23 de agosto, será feito o balanço de 42 anos de governação do MPLA em Angola, denunciando uma tentativa de ´mudança cosmética´, no partido no poder. O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Isaías Samakuva, discursava em Cacuaco, arredores de Luanda, num comício que juntou milhares de pessoas para assinalar a abertura da campanha eleitoral - oficialmente decorre de 23 de julho a 21 de agosto - do maior partido da oposição. «Quem dirigiu o país há 42 anos e não consegue sequer dar-nos água potável, este ainda vai ser escolhido outra vez», questionou Samakuva, perante os apupos dos apoiantes à governação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde 1975. «Eu estou-vos a pedir que este momento das eleições seja o momento do balanço. Temos de fazer o balanço, eles prometeram-nos um milhão de casas, vocês viram? Prometeram água para todos. Viram? Eletricidade nas vossas casas. Viram? Medicamentos nos hospitais», enfatizou Samakuva, candidato a Presidente da República, por eleição indireta, nestas eleições. O partido arrancou a campanha eleitoral ao ataque à candidatura do MPLA, liderada por João Lourenço, para umas eleições às quais já não concorre José Eduardo dos Santos, no poder desde 1977. «Eles estiveram sempre juntos. Esse companheiro vai-nos ajudar? Eles apreenderam a mesma coisa, não é verdade? A escola deles é a mesma, vai-nos ajudar como?», questionou Isaías Samakuva, acusando Lourenço de ser alguém que ´esteve sempre ao lado´ do líder do MPLA. «Não vale a pena vir com mentiras, nós vamos fazer exatamente o contrário, estamos a explicar o que vamos fazer e somos reféns da nossa palavra. Sabemos que o país pode», garantiu, insistindo: ´A mudança verdadeira vem com a UNITA, não pode ser uma mudança cosmética´. A UNITA defende que há condições para elevar o salário mínimo nacional em Angola, o segundo maior produtor de petróleo em África, para 500 dólares, equivalente a 83.000 kwanzas (430 euros) e quatro vezes mais face ao atual, prometendo ainda que as obras públicas serão entregues a nacionais, para dinamizar a economia, e uma aposta na formação profissional, para ´dar um emprego´ anos angolanos, entre outras medidas. Ao longo de 70 minutos de discurso, sempre com críticas à governação do MPLA e promessas eleitorais, o candidato da UNITA afirmou que há hoje pessoas a morrer nos hospitais públicos, por não terem dinheiro para comprar medicamentos, concluindo que o acesso à saúde não é gratuito.
Tribunal Judicial investiga 20 casos de detidos que compraram a liberdade
Moçambique O Tribunal Judicial da província de Nampula, no norte de Moçambique, detetou 20 casos de libertação de detidos a troco de dinheiro, anunciou um juiz daquela instância. O dinheiro serviria para falsificar documentos através dos quais era permitida a saída da prisão. Está em curso uma investigação, visando apurar o grau de envolvimento dos funcionários judiciais na venda de libertações, nas cadeias da província, anunciou o juiz-presidente do Tribunal Judicial da província de Nampula, Alberto Assane, citado este sábado pelo jornal Notícias. Os casos foram descobertos na sequência de uma campanha nacional de julgamentos, com vista a acabar com situações em que a prisão preventiva já ultrapassava os prazos. Alberto Assane referiu que a situação deriva da falta de documentos de identificação de alguns arguidos, na altura da detenção, e de o sistema penitenciário não possuir um cadastro informatizado. «Queremos corrigir esta situação preocupante o mais rapidamente possível, identificando efetivamente o réu, em face do respetivo crime», sublinhou. Os julgamentos que decorreram nos dias 13 e 14, na Penitenciária Regional Norte, em Nampula, envolveram 75 técnicos de justiça, tendo sido condenados 79 arguidos e absolvidos 24 dos 192 processos julgados. Esta foi uma parte do trabalho que arrancou a 12 de junho, em todo o país. A campanha nacional de julgamentos de cidadãos cuja prisão preventiva já ultrapassou os prazos visou regularizar a situação de 1300 pessoas e descongestionar as prisões, contando com apoio financeiro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).