SEGUNDA-FEIRA, 27-02-2017, ANO 18, N.º 6239
Guiné-Bissau dança sem medo nos ensaios de Carnaval
Guiné-Bissau Na hora dos ensaios do grupo Netos do Bandim, o chão treme com a força dos pés descalços a esmagar a terra, sem receio, e a levantar poeira que tapa o sol e rodopia com os dançarinos miúdos e graúdos. «Os guineenses são um povo alegre, aberto e quando ouvem o som dos tambores as pessoas aparecem», conta à Lusa Hector Cassama (conhecido como Negado), coordenador do grupo cultural que é um dos principais embaixadores artísticos do país. Quem atravessa a estrada da Zona 7 de Bissau orienta-se pelo batuque para chegar ao local, feito de paredes em cana entrelaçada (a que chamam ´crintim´) e cobertura de zinco. À cabeça, meia-dúzia de pessoas tocam tambores, no meio há dezenas a dançar de acordo com coreografias supervisionadas por Negado e à volta está um mar de gente. O grupo conta com 120 pessoas, voluntários com gosto pela dança, mas os ensaios atraem também outros amigos «dos bairros em redor - alguns até gostam e acabam por ficar no grupo». Os movimentos são rápidos e vincados: elas puxam pelo quadril, empurram o peito para fora e provocam os homens que respondem ao mesmo ritmo, com pé leve e braços a mostrar força. Outras danças são mais calmas e juntam só homens ou só mulheres, em retratos da vida social. «Temos danças de diferentes etnias. A Guiné-Bissau é um país de muitas etnias e escolhemos algumas para representar um pedaço do que é o país», justifica Negado. Estas danças são o trunfo para seduzir o público para um carnaval em que pode faltar muita coisa, mas nunca ritmo e alegria: todos os anos esta é a maior festa nacional com dezenas de grupos de diferentes regiões juntos em desfile na capital. Desta vez os patrocinadores dizem que não é bem assim, que a maior festa foi a participação da seleção de futebol guineense na Taça Africana das Nações, em janeiro – apostaram tudo e deixaram o carnaval sem apoios, de tal forma que não vai haver o habitual corso de terça-feira, justificou a Direção-Geral de Cultura. Mas os Netos do Bandim acham que ninguém pode destronar a folia do entrudo e desfilam na mesma. «Estamos a comemorar 11 anos de presenças no desfile nacional de Carnaval, por isso vamos fazer uma demonstração destes dez anos» de coreografias, refere o coordenador.
Conselho de Segurança da ONU prolonga missão por mais um ano
Guiné-Bissau O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) prorrogou a missão na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) por mais um ano, anunciou hoje o escritório guineense da ONU. A decisão é apenas uma formalidade, dado que «todos os meios e operações estão no terreno, sem alterações, pois a prorrogação já era assumida como dado adquirido, tal como tem acontecido em anos anteriores». O mandato foi renovado numa reunião realizada na quinta-feira, em Nova Iorque, (EUA), sendo que o novo período de ação «terá início a 1 de março de 2017 até 28 de fevereiro de 2018». No final do encontro, o Conselho de Segurança da ONU manifestou-se «preocupado» com a crise política e instou as partes interessadas «a respeitarem e cumprirem rigorosamente o Acordo de Conacri e o roteiro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)», que patrocinou um acordo entre dirigentes políticos guineense, assinado em outubro de 2016, na Guiné-Conacri, mas que teve diferentes interpretações e não chegou a ser aplicado. O Conselho de Segurança da ONU aponta como prioridades da UNIOGBIS «impulsionar o diálogo político inclusivo, a reconciliação nacional, a revisão da Constituição, a reforma do setor da segurança e do Estado de direito, bem como o desenvolvimento de sistemas de justiça civis e militares compatíveis com as normas internacionais». Foi ainda dado um voto de confiança à força policial e militar de estabilização, ECOMIB, composta por países do oeste africano, sendo solicitado à CEDEAO que mantenha esta força em funções para lá de 30 de junho, data prevista para a desmobilização.
Vendidos 42% dos bilhetes de dívida pública emitidos
Guiné-Bissau A Guiné-Bissau vendeu «42% dos bilhetes de dívida pública emitidos na quarta-feira», anunciou, hoje, a Agência de Títulos da União Monetária Oeste-Africana (UMOA). A emissão ascendia a 13 mil milhões de francos CFA (19,8 milhões de euros), mas o valor licitado que reverte a favor dos cofres do Estado foi de cinco mil e 450 milhões de francos CFA (8,3 milhões de euros). «Os bilhetes têm maturidade de um ano e foram transacionados a uma taxa de juro média ponderada de 6,38%», refere a nota da UMOA.
Presidente José Mário Vaz convoca Conselho de Estado para analisar crise política
Guiné-Bissau O presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, convocou para 2 de março uma reunião do Conselho de Estado para analisar a crise política no país. A reunião do Conselho de Estado (órgão de consulta do Presidente da República, mas cujo parecer não é vinculativo) está agendada para as 16.00 horas (mesmo hora em Lisboa) e nela tomarão parte os titulares dos órgãos de soberania, líderes de partidos com assento parlamentar e representantes das bancadas no Parlamento. Têm ainda assento naquele órgão alguns conselheiros indicados pelo chefe do Estado. Em cima da mesa estará a análise à crise política no país, à luz da decisão da Comissão Permanente do Parlamento que chumbou, na quarta-feira, o pedido do governo para que o seu plano de ação fosse discutido na plenária da Assembleia Nacional Popular. O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, vencedor das últimas eleições legislativas, mas afastado do poder devido às divergências com o líder guineense), diz que o impasse político só irá terminar com a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições gerais antecipadas. O Partido da Convergência Democrática (PCD) e a União para Mudança (UM), ambos com representação parlamentar, também advogam a mesma posição como saída para a crise que já dura há ano e meio.
Turismo averigua incidente no mar com dois portugueses
Guiné-Bissau O Ministério do Turismo da Guiné-Bissau está a averiguar o incidente com dois portugueses que esperaram nove horas por socorro, na noite de sábado para domingo, num barco imobilizado no mar, disse hoje à Lusa o ministro da tutela. «Pedi logo ao Inspetor-Geral de Turismo que abrisse uma averiguação sobre os acontecimentos com os dois portugueses», referiu Fernando Vaz, que aguarda pelo «parecer final». O governante realçou que existe «um balcão na zona das chegadas do Aeroporto Internacional de Bissau em que as pessoas se devem aconselhar» para contratarem transportes adequados. «Se fossem aconselhadas por nós, não iriam num barco com essa tipologia» em que viajaram os dois portugueses, referiu, numa alusão ao facto de não ter rádio para comunicações, nem coletes salva-vidas. Sara Santos, uma das viajantes, disse à Lusa no domingo que ela e o parceiro de viagem alugaram o barco com base em recomendações disponibilizadas a turistas na capital. Os dois portugueses queixaram-se da reposta tardia aos pedidos de ajuda feitos através de telemóvel, quando a embarcação em que seguiam com três tripulantes deixou de funcionar entre as ilhas ao largo de Bissau, onde ficaram entre as 18:00 de sábado e 03:00 de domingo. Fernando Vaz reconheceu fragilidades, mas realçou que este foi «um caso isolado», com uma embarcação que não faz parte do conjunto de meios operados pelos hotéis das ilhas Bijagós, os quais «estão devidamente equipados». «Todas as unidades hoteleiras [das ilhas] têm os barcos equipados com rádio, GPS e coletes salva-vidas suficientes consoante a lotação dos barcos» e as unidades fazem o seguimento das embarcações. O ministro disse que confia nos meios dos hotéis, tal como diz acontecer com um número crescente de operadores turísticos e visitantes, compensando «uma fragilidade muito grande em termos de cobertura e apoios da capitania». No último fim-de-semana, «o barco [de socorro] da capitania estava avariado e acionou-se um barco do IBAP [Instituto do Ambiente], com o qual há uma parceria, caso contrário seria catastrófico. Mas felizmente que se resolveu bem o problema», sublinhou. «Estamos a pensar no futuro identificar com um símbolo os barcos que serão certificados para transportarem turistas», acrescentou. O sistema ainda não funciona porque «carece de legislação, em consonância com o Ministério da dos Transportes». De acordo com Fernando Vaz, entram na Guiné-Bissau cerca de 40 mil turistas por ano e há um trabalho em curso para colmatar as fragilidades que ainda são visíveis. «Recebemos turistas diariamente», realçou, dando como exemplo a chegada, no domingo, «do primeiro-ministro do Congo com uma delegação de cerca de 20 pessoas para ir aos Bijagós». «E vamos de barco, mas com todas as condições», concluiu.
Comissão Permanente do Parlamento chumba pedido do governo para debate do seu plano de ação
Guiné-Bissau A Comissão Permanente do Parlamento da Guiné-Bissau chumbou hoje o pedido do governo para um debate do seu plano de ação em sessão plenária do órgão, disse o porta-voz da comissão, Hélder Barros. Nove deputados do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) votaram contra, enquanto seis parlamentares do Partido da Renovação Social (PRS) votaram a favor do agendamento. A Comissão Permanente é composta por 15 parlamentares. Hélder Barros, deputado do PAIGC, disse no final da reunião da Comissão Permanente que o seu partido «não podia dar a sua anuência para a discussão do programa de um Governo ilegal e inconstitucional». O vice-líder da bancada parlamentar do mesmo partido, Wasna Danfá, defendeu como única saída para o impasse «a dissolução do Parlamento» e marcação de eleições legislativas antecipadas. Em nome dos deputados do PRS, Artur Sanhá considerou ser este um «dia triste», por o PAIGC ter impedido a discussão do programa do governo liderado por Umaro Sissoco Embaló. Sanhá defendeu que não compete à Comissão Permanente do Parlamento agendar ou não agendar aquela matéria, que disse ser de «interesse nacional». O deputado do PRS propõe um «debate nacional sério, em busca de uma saída para a crise política que se vive na Guiné-Bissau». O presidente do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá, disse lamentar a rejeição do debate do programa do Governo, que afirmou ser fruto da «persistência de desavenças entre as duas principais bancadas no Parlamento», PAIGC e o PRS. Cipriano Cassamá disse ainda que já na quinta-feira vai solicitar uma audiência de trabalho ao chefe de Estado, José Mário Vaz, a quem vai levar uma proposta de solução para acabar com o impasse político.
PAIGC exige ao PR que «demita imediatamente» governo de Umaro Sissoco
Guiné-Bissau O PAIGC, partido vencedor das últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, exigiu hoje em comunicado ao Presidente José Mário Vaz que demita «imediatamente» o governo do primeiro-ministro Umaro Sissoco Embaló. «O PAIGC exige a imediata demissão do atual governo e a nomeação sem demoras de Augusto Olivais», lê-se no comunicado do partido. Para o partido liderado pelo ex-primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, a nomeação de Olivais, dirigente do PAIGC, colocaria fim ao impasse político na Guiné-Bissau e faria com que fosse respeitado o Acordo de Conacri. No comunicado, o PAIGC regozija-se com as últimas posições assumidas pela comunidade internacional, particularmente com as palavras do presidente da comissão da CEDEAO, Marcel de Souza, em relação à crise guineense. Em entrevista à RTP África, Marcel de Souza defendeu hoje que a persistência do impasse político na Guiné-Bissau se deve ao facto de o nome de consenso escolhido à luz do Acordo de Conacri, o de Augusto Olivais, ter sido preterido pelo de Umaro Sissoco Embaló, nomeado primeiro-ministro. O acordo foi patrocinado pelos líderes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e assinado em outubro por dirigentes políticos, sociedade civil e outras instituições da Guiné, para garantir que o país tenha um governo com programa e orçamento aprovados no parlamento. O PAIGC e três forças políticas representadas na assembleia nacional guineense acusam o líder do país de não ter respeitado o acordo ao nomear Umaro Sissoco Embaló como primeiro-ministro, em dezembro, pelo que não integram o governo.
Conta da Federação de futebol congelada por ordem judicial
Guiné-Bissau A conta bancária da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) está congelada por ordens de uma magistrada do Gabinete de Luta Contra Corrupção e Delitos Económicos do Ministério Público. Fatumata Sani Embaló solicitou, no dia 8 de fevereiro, a cativação da conta da federação no banco Ecobank e a diretora-geral da instituição bancária, Tene Sónia Abo, informou, numa carta a que a Agência Lusa teve hoje acesso, que cativou a referida conta. «Temos a informar que foi cativada a conta cujo titular é a Federação de Futebol da Guiné-Bissau, cumprindo assim a sua ordenança», lê-se na nota do banco. Fonte ligada ao processo disse à Lusa que «as contas e os papéis da federação estão a ser analisados» no Gabinete de Luta Contra Corrupção e Delitos Económicos e nesse âmbito a magistrada decidiu pedir o congelamento da conta. Contactada pela Lusa, fonte da FFGB remeteu «para breve» uma reação ao assunto.
Presidente do PAIGC defende eleições antecipadas
Guiné-Bissau O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, defende a realização de eleições antecipadas como única alternativa para resolver a crise política que se vive no país desde 2015. «Exigimos o respeito pelas regras democráticas e está demonstrada a falência de qualquer alternativa que tem sido forçada pelo Presidente da República. Quando não se reconhece que há um partido vencedor das eleições, não consigo imaginar outra alternativa que não seja a convocação de eleições antecipadas», disse Simões Pereira na madrugada de hoje. Domingos Simões Pereira falava aos jornalistas, na cidade da Praia, onde, durante o fim de semana, participou no congresso do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV). O presidente do PAIGC, partido vencedor das eleições de 2014 na Guiné-Bissau, mas arredado do poder, sublinhou que a proposta não é nova, mas que se quis «sempre dar uma oportunidade ao Presidente da Republica para provar que tinha uma alternativa». «São essas alternativas que estão esgotadas e esperemos que não se volte a por em causa o direito e a expectativa de todo um povo porque há um titular de um cargo importante da soberania que entende que os seus direitos têm que continuar a ser privilegiados», disse. Domingos Simões Pereira pediu também à comunidade internacional mais «firmeza» e «clareza» na sua posição em relação ao cumprimento, por parte do Presidente da República, José Mário Vaz, do acordo assinado em Conacri, para a nomeação de um Governo de consenso. «O Presidente da República já não faz referência à Constituição para as decisões que toma, faz referência ao acordo de Conacri e vai buscar esse respaldo internacional para justificar os seus atos. Se a comunidade internacional sabe que determinada disposição não corresponde ao acordo de Conacri tem uma responsabilidade, não pode ficar só pela constatação, tem que ter uma posição mais forte», defendeu. Sustentou que «a contemplação já não é uma saída para a Guiné-Bissau», exigindo, por isso, respeito pelo acordo de Conacri. «O acordo de Conacri permite que haja um novo governo, um governo consensual e condições para que as reformas mínimas possam ser feitas e para que o quadro para o próximo pleito eleitoral aconteça num clima de maior tranquilidade e maior estabilidade», disse. Para o presidente do PAIGC, neste momento, «é por demais evidente a incapacidade e a impreparação do Presidente da República para cumprir com as suas responsabilidades enquanto primeiro magistrado da Nação». Domingos Simões Pereira entende que o Governo do primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, nomeado pelo Presidente da República, é «ilegal e inconstitucional» e apelou a José Mário Vaz para «se conformar com o acordo de Conacri e dar uma nova esperança e uma nova oportunidade ao país». Domingos Simões Pereira, que durante a sua permanência em Cabo Verde teve um encontro com a comunidade guineense residente na ilha de Santiago, deixou uma «mensagem de esperança e confiança» no futuro aos guineenses. «Pode parecer que o tempo que estamos a levar neste novo ciclo da crise demonstre uma maior gravidade da situação, é verdade, mas o inverso também se aplica porque pela primeira vez na Guiné-Bissau estamos a enfrentar a nossa crise utilizando exclusivamente as instituições democráticas, utilizando exclusivamente o argumento da legalidade e da aplicação das leis», disse. «E isso deve dar uma esperança a todo o povo guineense de que desta vez ao sairmos desta crise teremos reforçado a capacidade dessas instâncias democráticas», acrescentou.
Dois portugueses passam noite no mar à espera de socorro
Guiné-Bissau Dois portugueses passaram a última noite no mar da Guiné-Bissau, numa lancha sem combustível, até conseguirem que alguém os socorresse, contou à agência Lusa, Sara Santos, de visita ao país pela primeira vez. «Não há uma guarda costeira ou capitania? Tem de haver um trabalho preparatório para receber turistas», referiu, depois de ela e outra pessoa, juntamente com três membros da tripulação, terem esperado por ajuda «durante nove horas num barco sem cobertura, sem rádio, sem coletes salva-vidas e sem água ou outros mantimentos, descreveu». Sara estava em Bissau por motivos profissionais e no sábado decidiu juntar trabalho e turismo. Numa agência local, com outro português, marcaram uma viagem de ida e volta à ilha de Orango, Arquipélago dos Bijagós. Na viagem de regresso à capital, pelas 18.00 horas locais, «o motor parou, a tripulação verificou que não havia combustível e começou a ligar por telemóvel para alguém que lhes iria levar um abastecimento a partir de Bissau». «Supostamente ia chegar alguém que nunca chegou», referiu Sara Santos, que percebia pelas conversas que as soluções iam sendo descartadas ou por falta de dinheiro para combustível ou por falta de meios ou por dificuldades de articulação entre diferentes pessoas. Após várias horas de espera e contactos sem sucesso, Sara Santos diz ter arrancado o GPS das mãos de um tripulante para comunicar as coordenadas para Bissau. A situação foi seguida pelo embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, com quem os portugueses estiveram em contacto telefónico durante a noite em busca de soluções de socorro, até ser ativada uma lancha. Fonte diplomática em Bissau confirmou à Lusa que o caso esteve a ser acompanhado e continua a merecer a atenção da embaixada.
Ordem do PR para travar obras de central elétrica desrespeitada
Guiné-Bissau Uma ordem presidencial para parar a construção de uma central termoelétrica numa zona protegida da Guiné-Bissau não está a ser cumprida, disseram à Lusa organizações de defesa do ambiente. Alfredo da Silva, diretor do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP) e Miguel de Barros, secretário-executivo da associação Tiniguena, referiram que a ordem de José Mário Vaz foi dada há uma semana, mas ainda não foi cumprida. De acordo Alfredo da Silva, o chefe do Estado guineense mandou para o Parque Natural das Lagoas de Cufada, no sul do país, uma delegação multidisciplinar para proceder ao levantamento do projeto, «mas a população, instrumentalizada», não o permitiu. A comissão tinha como missão constatar o que já foi feito em termos da construção e propor uma solução para uma eventual mudança do projeto, para outro local, fora do parque das Lagoas de Cufada. Considerada pelos ambientalistas a maior reserva de água doce da Guiné-Bissau, local de repouso de aves e zona estratégica de pesca, principal meio de subsistência da população do sul do país, o parque abrange uma área em redor das lagoas protegida por lei. O governo autorizou que uma empresa indiana construa no local uma central termoelétrica que irá abastecer o sul da Guiné-Bissau com geradores alimentados a gasóleo, facto criticado pelos ambientalistas. Segundo o ministro da Energia, Florentino Pereira, deslocalizar o projeto do parque para outro local ou parar as obras neste momento traria «custos incalculáveis» que o governo não poderá suportar. O projeto da construção da central está orçado em 18,7 milhões de euros e os ambientalistas acreditam que nem foram realizados 10% da obra projetada, pelo que defendem que é possível parar e mudar do local a futura central. O director do IBAP, que denunciou ameaças da população em destruir as viaturas em que os técnicos se faziam transportar e ainda espancá-los, adiantou que os populares de Buba foram instrumentalizados «por alguém» e agora acreditam que os ambientalistas não querem que a central seja construída no local. «A população foi levada a acreditar que nós queremos que a central seja agora instalada na região de Bafatá, no leste, em detrimento da população da zona sul, o que é falso», enfatizou Miguel de Barros, que não só não compreende o posicionamento da população como o facto de a ordem do chefe de Estado ter sido ignorada. Os ambientalistas aplaudem a intenção do Presidente guineense em querer que se parem com as obras da construção da central, mas afirmam ser preciso «fazer mais», caso contrário, admitem avançar para os tribunais nacionais e internacionais pedindo a responsabilização do Estado e dos autores do projeto.

classificações

Guiné-Bissau - Liga MTN
25. ª jornada
classificação
18-07
Estrela Negra
00
Sporting Bissau
18-07
UDIB
00
Cuntum
18-07
Bolama
13
Portos Bissau
18-07
Bijagós
12
Bissau e Benfica
18-07
S. Domingos
00
Sporting Bafatá
18-07
Bula
12
Bambadinca
18-07
Balantas Mansoa
21
Canchungo
J
V
E
D
GM-GS
P
1
Bissau e Benfica
25
16
7
2
65-19
55
2
Sporting Bissau
25
16
5
4
34-13
53
3
Bambadinca
24
12
5
7
29-20
41
4
Sporting Bafatá
25
11
7
7
36-22
40
5
Balantas Mansoa
24
10
9
5
24-14
39
6
Bula
25
9
9
7
35-29
36
7
S. Domingos
25
8
10
7
20-25
34
8
Canchungo
24
8
9
7
31-26
33
9
UDIB
25
7
8
10
20-24
29
10
Cuntum
25
6
7
12
23-35
25
11
Portos Bissau
23
6
5
12
22-30
23
12
Bijagós
24
6
4
14
24-36
22
13
Estrela Negra
25
5
7
13
17-45
22
14
Bolama
25
4
4
17
20-62
16