SEXTA-FEIRA, 20-01-2017, ANO 17, N.º 6201
Banco Económico pagou 212 milhões de dólares ao Novo Banco mas adia segunda tranche
Angola O Banco Económico, que resultou da transformação em 2014 do antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA), pagou ao português Novo Banco 212 milhões de dólares do empréstimo que transitou da resolução do BES, mas o pagamento restante foi adiado até 2018. A informação foi confirmada hoje em entrevista à Lusa pelo presidente da comissão executiva do Banco Económico, Sanjay Bhasin, e pelo administrador executivo Pedro Cruchinho, a propósito da divulgação do relatório e contas da instituição, referente a 2015, o primeiro apresentado pelo banco. Na origem destes pagamentos estão as medidas de resolução impostas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) ao antigo BESA em outubro de 2014, prevendo que o primeiro dos dois empréstimos a liquidar pelo Banco Económico ao Novo Banco - por sua vez transitados do português Banco Espírito Santo (BES) -, no valor de 425 milhões de dólares (397 milhões de euros), tivesse vencimento ao fim de 18 meses, a 30 de abril meados de 2016. «Esse empréstimo já foi pago a 50% [212 milhões de dólares] e foi feita uma recalendarização dos pagamentos por forma a haver capacidade de moeda estrangeira suficiente para pagarmos nas datas efetivas. Passa a vencer em [15 de agosto de] 2018», explicou à Lusa Pedro Cruchinho. Além dos 212 milhões de dólares que faltam liquidar, acresce um segundo empréstimo titulado pelo novo Banco, também transitado do anterior crédito que tinha sido concedido pelo BES ao antigo BESA (de que era acionista maioritário), no valor igualmente de 425 milhões de dólares, neste caso com uma maturidade de 10 anos, a partir de 2014. «Mas esta reestruturação foi feita por mútuo acordo entre as duas partes», enfatizou Sanjay Bhasin, na mesma entrevista, justificando a medida com os problemas cambiais em Angola. Fruto da intervenção no BESA em 2014, o Novo Banco, além de uma parte do empréstimo concedido anteriormente pelo BES, ficou com uma participação de 9,9% no capital social do Banco Económico, por conversão de 53,2 milhões de euros também do empréstimo, titulado, àquela instituição. Esta percentagem corresponde à conversão de 7.000 milhões de kwanzas do empréstimo, à data de 04 de agosto de 2014, quando o BESA foi alvo de intervenção do BNA. O Banco de Portugal tinha confirmado em agosto de 2014 que o crédito de 3,3 mil milhões de euros que o BES tinha concedido ao BESA passou para o Novo Banco, estando totalmente provisionado. Em cumprimento das determinações do BNA, após o colapso do BES, o BESA passou a Banco Económico SA e entre os novos acionistas encontram-se agora o grupo público angolano Sonangol. Questionado pela Lusa, Sanjay Bhasin afirmou que a relação com o Novo Banco está assente numa base de «interesse mútuo»: «Temos mantido uma boa relação. E acho que estão muito satisfeitos com os progressos que temos feito». As alterações ao antigo BESA foram decididas durante uma assembleia-geral extraordinária de acionistas realizada a 29 de outubro de 2014, em Luanda, em cumprimento das determinações do banco central. O BNA esclareceu naquele dia, em comunicado, que «se confirmou a subscrição do capital social», conforme o próprio banco central tinha deliberado uma semana antes, no âmbito das medidas de saneamento e da intervenção direta no BESA. A estrutura anterior era composta pelo BES português, com 55,71%, e pela Portmill, com 24%, participações que foram diluídas face ao aumento de capital necessário a cobrir o crédito malparado. O BNA ordenou a 20 de outubro seis medidas a aplicar em sete dias úteis visando a continuidade do BESA, depois de analisar a evolução da situação financeira daquele banco. Uma dessas medidas envolvia o aumento de capital, de 65.000 milhões de kwanzas (494 milhões de euros, à taxa cambial de 04 de agosto de 2014, quando o BESA foi intervencionado), a realizar pelos acionistas ou entidades «por si convidadas», aceites pelo banco central, para «assegurar o cumprimento dos rácios prudenciais mínimos».
Casas de câmbio de Luanda sem divisas para comercializar
Angola As casas de câmbio receberam do Banco Nacional de Angola (BNA), desde final de dezembro, 12,6 milhões de euros, mas comprar divisas em Luanda, nestas empresas, permanece tarefa quase impossível. Conforme constatou hoje a Lusa numa ronda pelas casas de câmbio da capital que ainda funcionam, estas registam na sua maioria escassez de divisas, face à procura dos clientes, nacionais e estrangeiros, sendo que algumas, ainda com alguma disponibilidade, aplicam limitações no negócio. «No mês passado pouco ou nada vendemos e nesse mês a situação está difícil. Estamos a comercializar a nota de 100 euros no valor de 31.681 kwanzas e a nota de 100 dólares a 25.920 kwanzas. Mas estamos sem dinheiro», advertiu à Lusa uma balconista da Money Transfer, que preferiu não se identificar. Ao câmbio oficial, definido pelo BNA, 100 dólares valem hoje 16.508 kwanzas e 100 euros correspondem a 18.447 kwanzas. Entre os dias 26 e 30 de dezembro, o banco central divulgou ter vendido às casas de câmbio 3,6 milhões de euros de divisas, o que já não acontecia há várias semanas. Seguiram-se mais nove milhões de euros nas duas primeiras semanas de 2017. Contudo, e apesar das tabelas mais altas, raramente se encontra divisas nestas empresas. «A procura tem sido grande e nós conseguimos, dentro da nossa rara disponibilidade de divisas, satisfazer os clientes», disse à Lusa um dos responsáveis da BC-Câmbios, uma das casas de câmbio do centro da cidade de Luanda. A mesma fonte explicou que a taxa aplicada varia em função da oferta dos bancos comerciais, estando hoje a ser transacionada a nota de 100 dólares por 29.200 kwanzas, enquanto 100 euros valem 32.200 kwanzas. Contudo, apenas quando há disponibilidade para venda, o que não é o caso de hoje. Já a Ponto Câmbio, também no centro da cidade, apenas tem disponível para venda, pontualmente, euros, que transaciona 30.800 kwanzas (100 euros). «Temos divisas mas apenas euros, a nossa venda não é feita em dinheiro, mas sim por meio de um cartão. Temos convénio com um dos bancos comerciais, que disponibiliza um plafond com mínimo de 500.000 kwanzas e máximo de 1.500.000 kwanzas [2.800 a 8.400 euros], um procedimento apenas para pessoas que comprovadamente queiram viajar por motivos de saúde ou estudos», explicou à Lusa um dos técnicos de atendimento. A escassez de divisas também é vivida na Rucâmbio, onde desde o ano passado a casa não consegue ter acesso a divisas para comercialização, apesar de anunciar a venda de cada 100 dólares a 43.500 kwanzas e de 100 euros por 49.500 kwanzas, pouco abaixo do valor cobrado no mercado de rua. A Lusa constatou igualmente o encerramento de várias casas de câmbios em toda a cidade de Luanda. Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre deste ano. A taxa de câmbio oficial cifra-se atualmente em cerca de 166 kwanzas (95 cêntimos de euro) por cada dólar, quando antes do início da crise das receitas do petróleo, ainda em 2014, era de 100 kwanzas. A única alternativa, face à escassez de divisas também na banca comercial é o negócio, ilegal, de rua, onde a moeda estrangeira custa três vezes mais do que a taxa de câmbio oficial.
Derrocada em edifício colonial provoca um morto em praia de Benguela
Angola Pelo menos uma pessoa morreu na sequência da derrocada parcial de um edifício do tempo colonial português, abandonado, na zona turística da Baía Azul, na província angolana de Benguela, foi hoje divulgado. O caso deu-se na quarta-feira e, segundo fonte da Direção Provincial de Benguela das Obras Públicas citada pela imprensa local, o acesso ao edifício, de dois andares, já estava vedado, com acesso condicionado, avisos que terão sido ignorados por populares. A fachada do edifício, com mais de 50 anos e localizado numa das zonas balneares mais conhecidas de Angola, acabou por ruir, provocando a morte a uma mulher de 32 anos e ferimentos a quatro pessoas, incluindo duas crianças, informou a imprensa local. Junto àquela baía, onde funcionam vários equipamentos turísticos, existem outros edifícios do tempo colonial em situação de abandono e ameaçando ruína, perante a preocupação das autoridades locais.
Luanda quer vacinar 260.000 cães, gatos e macacos contra a raiva até fevereiro
Angola Cerca de 260.000 animais, entre cães, gatos e macacos, deverão ser vacinados contra a raiva a partir de sexta-feira, na província de Luanda, numa operação que deverá prolongar-se até 20 de fevereiro, foi hoje divulgado. De acordo com o Serviço de Veterinária Provincial de Luanda, estão disponíveis mais de 300.000 doses de vacina antirrábica, quantidade necessária para avançar com esta campanha, tendo sido igualmente formados nas últimas semanas os técnicos que vão para o terreno, distribuídos por 272 brigadas. «Pensamos vacinar cerca de 260.00 animais, na sua maioria serão cães. Mas vamos vacinar também gatos e macacos», informou o diretor do Serviço de Veterinária, Edgar Dombolo. A campanha arranca esta sexta-feira no município de Cacuaco, um dos mais populosos de Luanda, com a previsão de vacinação local de 36.000 animais. A capital angolana enfrentou em 2016 um surto de raiva (por mordedura animal em humanos), que até ao início de dezembro tinha já provocado 91 óbitos, segundo dados obtidos pela Lusa junto das autoridades sanitárias. Devido às dificuldades financeiras que Angola atravessa têm surgido relatos de falta de vacina antirrábica, para as campanhas regulares de vacinação, um pouco por todo o país.
Polícia com cuidados redobrados para informar devido a eleições
Angola O segundo comandante-geral da Polícia Nacional angolana determinou hoje que só devem prestar declarações à imprensa os efetivos habilitados e instruídos para o efeito, contrariamente ao que acontece atualmente, e tendo em conta a aproximação do período eleitoral. Salvador Rodrigues falava em Luanda, no encerramento de um seminário metodológico para os diretores provinciais e chefes de departamentos de comunicação da Polícia Nacional, tendo assinalado a necessidade de a informação a prestar à população dever ser «real, oportuna e verdadeira», devido ao «delicado período eleitora», com eleições gerais em Angola previstas para agosto. «Não devemos todos falar para os meios de comunicação social, cada um de nós ao seu jeito, cada um de nós com aquilo que lhe apetece dizer. Devem ser os especialistas da Polícia Nacional que beneficiaram dessa informação, por orientação dos chefes das áreas dos territórios onde vocês laboram a passar a informação para os média para que a nossa população tenha o conhecimento da verdade», avisou o segundo comandante-geral. Para o comissário-chefe Salvador Rodrigues, o período eleitoral que se aproxima obriga a cuidados redobrados na comunicação da polícia: «Vamos entrar para o período de eleições, um período delicado e toda informação que não for prestada com realismo, com celeridade, com verdade poderá complicar e manchar o bom trabalho que muitos de nós presta à comunidade». A Polícia Nacional de Angola promoveu este seminário metodológico nas instalações do Comando Provincial de Luanda de 17 a 19 de janeiro, com o propósito de «melhor comunicar» tendo em atenção as eleições gerais. O Presidente angolano disse a 12 de janeiro, em Luanda, que o acompanhamento da comunidade internacional nas eleições gerais deste ano permitirá «confirmar» a «isenção» dos resultados, para que não se repita a «violência gratuita» como a de eleições recentes noutros países africanos. José Eduardo dos Santos sublinhou que a «crescente maturidade política» do povo angolano «vai permitir que essa escolha seja feita com maior consciência». Atualmente decorre o processo de registo eleitoral, conduzido pelo Ministério da Administração do Território, com o apoio das Forças Armadas Angolanas e da polícia. A oposição angolana tem vindo a ameaçar não reconhecer os resultados eleitorais, contestando a entrega desse processo ao Governo, reclamando antes que fosse assumido pela Comissão Nacional Eleitoral. «Esperamos que as eleições em Angola decorram num espírito de tolerância e como um caso de referência para o nosso continente», enfatizou José Eduardo dos Santos. «O apoio e acompanhamento da comunidade internacional (...) permitir-nos-á avaliar e confirmar com isenção o resultado que será ditado pelas urnas, para que não se repitam as cenas lamentáveis como as que têm ocorrido em alguns países africanos onde, infelizmente, as contestações dos atos eleitores são acompanhadas pela violência gratuita promovida pela parte perdedora», disse.
Jovem português morto a tiro em assalto na cidade de Benguela
Angola Um português de 22 anos foi morto a tiro em Benguela, Angola, quando tentativa acudir ao pai, que estava a ser assaltado à porta de casa, no centro daquela cidade, indicou hoje à Lusa fonte consular. O caso aconteceu cerca das 23:00 locais (22:00 em Lisboa) de terça-feira, quando o pai, o antigo chanceler de Portugal em Benguela, Francisco Borges, foi surpreendido por um assaltante munido com uma arma branca. A mesma fonte descreveu à Lusa que o antigo funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal (reformado), resistiu ao assalto, tendo sofrido vários golpes e ferimentos. Ao tentar acudir, o filho, que se encontrava em casa, foi atingido com tiros de metralhadora de outro assaltante, acabando por falecer no Hospital Geral de Benguela. Os homens colocaram-se em fuga, estando o caso em investigação pela polícia. Apesar de nacionalidade portuguesa, a família da vítima está há vários anos radicada em Benguela, estando o funeral do jovem previsto para hoje, num cemitério de Benguela.
Angola quer antecipar recompra de 300 milhões de dólares em kwanzas na Namíbia
Angola Angola pretende antecipar o pagamento de mais de 300 milhões de dólares para recompra à Namíbia, em divisas, de milhares de milhões de kwanzas que entraram no país vizinho com o acordo monetário que vigorou temporariamente em 2015. Segundo informação do governador do Banco da Namíbia (BoN), Ipumbu Shiimi, citado na imprensa local, o compromisso inicial, que «tem sido honrado» pelas autoridades angolanas, envolvia o pagamento de 20 milhões de dólares (18,8 milhões de euros) por trimestre, para recompra dos kwanzas. Até ao momento, Angola já pagou 120 milhões de dólares (112,8 milhões de euros) à Namíbia, restando ainda pagamentos de 306 milhões de dólares (287,7 milhões de euros) para concluir a recompra total dos kwanzas à guarda do BoN desde 2015. Segundo Ipumbu Shiimi, os bancos centrais dos dois países estabeleceram a 06 de dezembro de 2016 um novo acordo para este pagamento, que «encurta o período de retorno e aumenta o valor por parcela». Em declarações hoje ao jornal namibiano New Era, o governador do banco central daquele país não adiantou mais pormenores sobre este novo acordo, a oficializar pelos governos de ambos os países. Angola chegou a pedir cinco anos para recomprar todos os kwanzas que entraram na Namíbia em 2015, ao abrigo do acordo monetário que permitia a aceitação recíproca das moedas de cada um dos países (kwanzas e dólares namibianos) em algumas localidades do outro lado da fronteira. Em pleno pico da crise de falta de divisas em Angola, face à quebra nas receitas da exportação de petróleo, muitos angolanos viram nesta solução uma forma de obter moeda estrangeira (dólares namibianos depois trocados por dólares norte-americanos). Em julho de 2015, ao fim de um mês em vigor (18 de junho), o acordo monetário já era considerado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) como em situação de «descontrolo», no lado namibiano, ao exceder largamente os montantes estipulados para aceitação reciproca da moeda de cada país. O acordo pretendia facilitar as trocas comerciais entre as localidades Oshikango (Namíbia) e de Santa Clara (Angola), mas foi definitivamente suspenso em dezembro, ao fim de cinco meses, com 32 mil milhões de kwanzas trocados nas casas de câmbio e bancos do outro lado da fronteira do sul de Angola. As autoridades namibianas reclamam a recompra destes kwanzas porque não têm utilização naquele país, por ser uma moeda apenas aceite em Angola. Angola vive uma profunda crise financeira e económica decorrente da forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que por sua vez fez diminuir a entrada de divisas no país, levando o BNA e os bancos comerciais a restringirem o seu acesso aos clientes, que fez disparar os preços e dificulta as importações, além da forte desvalorização do kwanza. As duas instituições anunciaram que um «novo mecanismo» para conversão de moeda a partir de 21 de dezembro de 2015, centralizado no BNA e apenas disponível nos bancos comerciais angolanos. O BoN passou a emitir dólares namibianos para o BNA, o qual assume a gestão e disponibilização da moeda aos bancos comerciais e no posto transfronteiriço de Santa Clara (sul de Angola). «Isto significa que não haverá nova troca de kwanzas na Namíbia», informaram na altura. No acordo inicial, cada cidadão residente cambial podia viajar para o país vizinho (e efetuar transações) com entre 150.000 kwanzas (840 euros, à taxa de câmbio atual) e 500.000 kwanzas (2.800 euros, à taxa de câmbio atual), entre menores e maiores de idade, respetivamente, quantias que só podiam ser trocadas nas casas de câmbio ou instituições bancárias das duas localidades.
Preço do dólar na rua desce ligeiramente após máximo de 500 kwanzas
Angola O preço para comprar um dólar nas ruas de Luanda voltou a descer ligeiramente na última semana, tendência que se repete depois de máximos de 500 kwanzas (2,81 euros) nos primeiros dias do ano. Segundo uma ronda feita hoje pela Lusa na capital angolana, cada nota de dólar estava a ser transacionada, em média, ligeiramente abaixo dos 490 kwanzas, persistindo fortes limitações no acesso a dólares ou euros nos bancos, sendo por isso o negócio de rua uma alternativa para nacionais e estrangeiros que necessitam de divisas. As `kinguilas` de Luanda, como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas, atividade ilegal, explicam que permanece escassa a quantidade de moeda nacional no mercado. Juntam-se a isto a escassez de dólares e euros, pelo que muitas destas negociantes já deixaram a atividade nos últimos meses. A venda de cada dólar está hoje fixa nos 490 kwanzas no bairro do São Paulo (495 kwanzas na semana anterior) e nos 485 kwanzas no bairro dos Mártires de Kifangondo (497 kwanzas na anterior). Na Mutamba a nota de dólar norte-americano é transacionada a 490 kwanzas (495 kwanzas na anterior), enquanto as `kinguilas` do Maculusso a vendem a 490 kwanzas (495 na anterior). Na última semana de 2016, algumas destas `kinguilas` chegavam a transacionar cada nota de dólar a 480 kwanzas, conforme ronda feita então pela Lusa. Face à falta de dólares, nacionais e estrangeiros voltam-se para o mercado de rua para comprar divisas, embora a taxas especulativas, que até já estiveram próximas dos 600 kwanzas por cada dólar em agosto e julho, depois de máximos de 630 kwanzas em junho. A inflação também se ressente desta conjuntura e os preços entre janeiro e dezembro de 2016 subiram 42%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística angolano. O Banco Nacional de Angola (BNA) garantiu no início de dezembro que não prevê qualquer nova desvalorização do kwanza, face à «tendência de estabilidade» dos preços.
Luanda ativa sistema de alerta para cólera
Angola A província de Luanda ativou o sistema provincial de alerta para o eventual surgimento de casos de cólera, revelaram hoje as autoridades sanitárias da capital angolana. «Luanda não tem nenhum caso confirmado de cólera, estamos a trabalhar do ponto de vista de vigilância epidemiológica no acompanhamento e rastreio de todos os casos de diarreia, tivemos quatro casos suspeitos», disse, em declarações à agência Lusa, a chefe do departamento provincial de Saúde Pública, Regina António. A responsável acrescentou que esses casos suspeitos, após análise laboratorial, resultaram negativos. Contudo, foram reativadas as unidades de tratamento de cólera e neste momento decorre a preparação da logística, um cenário que decorre de surtos da doença detetados noutros pontos do país. A mobilização em Luanda, província com quase sete milhões de habitantes, envolve «medicamentos e equipamentos necessários para acudir a eventuais casos» de cólera, mas também se trabalha «na mobilização com a população para as medidas de prevenção», acrescentou Regina António. Um surto de cólera no município do Soyo, província angolana do Zaire, afetou desde dezembro 119 pessoas, seis das quais acabaram por morrer, levando as autoridades de saúde a mobilizar médicos, técnicos de laboratórios e medicamentos para travar a sua propagação. Um outro surto da doença foi detetado a sul, no município do Cubal, província de Benguela, nos últimos dias. De acordo com Regina António diante destes surtos, há necessidade de Luanda preparar «as equipas de emergência» e as «infraestruturas do ponto de vista de centros de tratamento de cólera», além de "reativar as comissões anteriormente existentes" para se precaver para eventuais casos. Angola já viveu no último ano surtos de febre-amarela e malária. A propagação da cólera está associada à deficiência no tratamento de esgotos e da água para consumo humano.
«Crise» foi a Palavra do Ano em 2016
Angola «Crise» foi escolhida pelos angolanos como «Palavra do Ano» em 2016, no âmbito da iniciativa do grupo Porto Editora, que se realizou pela primeira vez no país, tendo também a língua nacional quimbundo em destaque. Os resultados da votação `online´, que decorreu entre 1 e 31 de dezembro, foram revelados hoje, em Luanda, pela Plural Editores Angola, do grupo Porto Editora. A concurso estiveram outras nove palavras, tendo «crise» vencido com 31% dos votos. «A palavra `crise´ marcou o ano de 2016 pela crise económica e financeira que o país atravessa, agravada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional», recordou a editora. A 4 de maio, em Luanda, no lançamento da iniciativa, que já se realiza anualmente em Portugal e que em 2016 foi alargada a Angola e Moçambique, Paulo Machado Ribeiro, diretor-geral da Plural Editores Angola, antevia esta possibilidade. «A palavra `crise´ é uma forte candidata sem dúvida alguma. Ainda faltam muitos meses até ao final do ano, mas desde já é a palavra que mais nos surge na cabeça», disse então o responsável da empresa angolana, do grupo Porto Editora. «Candando» foi a segunda palavra mais escolhida, com 22% dos votos. Trata-se de uma palavra cuja origem é da língua nacional quimbundo «kandandu», que significa abraço, cuja grafia (Candando) foi adotada para designar a nova cadeia de hipermercados que a empresária angolana Isabel dos Santos lançou em 2016. «Kixiquila» foi a terceira palavra mais votada, com 12%. Também se trata de um termo com origem na língua nacional quimbundo, no caso «kixikila», que significa «assentar», numa alusão ao registo dos valores. Na prática, a kixiquila é hoje em dia uma forma de poupança a que muitos angolanos passaram a recorrer devido à crise. Juntam-se em grupos de amigos, colegas de trabalho ou vizinhos, descontando todos os meses uma parte do salário para uma espécie de cooperativa informal, que distribui mensalmente o «bolo» reunido por cada um dos participantes. A Plural Editores está presente em Angola há cerca de dez anos e atua sobretudo na área da Educação, contando com mais de uma centena de títulos editados exclusivamente para o mercado angolano, que representa 25% das vendas totais do grupo. A empresa editou em 2015 um conjunto de 26 títulos em Angola. De acordo com o grupo português, o objetivo da iniciativa «Palavra do Ano» é evidenciar a riqueza e o dinamismo criativo da língua portuguesa, chamando a atenção para a importância que as palavras têm no quotidiano. Esta iniciativa realiza-se desde 2009 em Portugal, promovida pelo grupo Porto Editora, que já completou 72 anos.
País termina 2016 na liderança da produção de petróleo em África
Angola Angola aumentou a produção de petróleo de novembro para dezembro em 35,6 mil barris diários, ultrapassando a Nigéria na liderança dos produtores de crude em África, indica o último relatório mensal da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). De acordo com dados do relatório, baseados em fontes secundárias da OPEP e compilados hoje pela Lusa, Angola atingiu no último mês de 2016 uma produção diária de 1,724 milhões de barris de crude. A Nigéria tinha destronado Angola, em outubro, como maior produtor africano de petróleo, ao fim de sete meses de liderança, devido à diminuição, na altura, no espaço de um mês, de 165 mil barris de crude por dia na produção angolana. Em novembro, ainda segundo as fontes secundárias da OPEP, os dois países igualaram-se na produção diária de 1,692 milhões de barris de petróleo. Em dezembro, além de Angola aumentar a produção, a liderança angolana resultou da quebra na Nigéria, que perdeu num mês o equivalente a 113,5 mil barris diários. Em dezembro, a Nigéria produziu apenas 1,542 milhões de barris por dia, segundo a OPEP. A produção na Nigéria tem sido condicionada por ataques terroristas, grupos armados e instabilidade política interna, sobretudo no primeiro semestre. Entretanto, o acordo alcançado entre os países produtores de petróleo, para reduzir a produção e fazer aumentar os preços, vai obrigar Angola a cortar 78 mil barris de crude por dia com efeitos desde 1 de janeiro, para um limite de 1,673 milhões de barris diários. O mesmo relatório da OPEP refere que em termos de «comunicações diretas» à organização, Angola terá produzido 1,639 milhões de barris de petróleo por dia (menos 49 milhões de barris de novembro para dezembro), enquanto a Nigéria terá chegado aos 1,940 milhões de barris diários (mais 403,9 milhões de barris por dia). Angola enfrenta desde final de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial decorrente da forte quebra nas receitas petrolíferas. Em menos de dois anos, o país viu o barril exportado passar de mais de 100 dólares para vendas médias, no primeiro semestre deste ano, de 36 dólares por barril, segundo dados do Ministério das Finanças. O mesmo relatório, mas com dados referentes a novembro, indica que Angola desceu naquele mês para terceiro principal fornecedor de petróleo da China (11% do total), logo depois da Arábia Saudita (15%) e da Rússia (14%).

classificações

Angola - Girabola
30. ª jornada
classificação
05-11
Interclube
12
Ac. Lobito
05-11
Petro Luanda
10
1º de Agosto
05-11
ASA
20
4 de Abril
05-11
Kabuscorp
02
Progresso Lunda
05-11
Desp. Huíla
21
Rec. Libolo
05-11
1º de Maio
32
Rec. Caála
05-11
Progresso
23
Benfica Luanda
05-11
Porcelana FC
03
Sag. Esperança
J
V
E
D
GM-GS
P
1
1º de Agosto
30
20
6
4
60-22
66
2
Petro Luanda
30
19
7
4
37-14
64
3
Rec. Libolo
30
17
9
4
49-26
60
4
Kabuscorp
30
13
7
10
30-24
46
5
Progresso Lunda
30
13
7
10
25-20
46
6
Benfica Luanda
30
13
5
12
29-24
44
7
Interclube
30
11
8
11
28-32
41
8
Progresso
30
8
15
7
23-23
39
9
Sag. Esperança
30
9
10
11
23-23
37
10
Desp. Huíla
30
10
6
14
29-39
36
11
Rec. Caála
30
8
10
12
27-26
34
12
Ac. Lobito
30
9
7
14
26-38
34
13
ASA
30
10
3
17
28-43
33
14
4 de Abril
30
6
13
11
21-27
31
15
1º de Maio
30
7
8
15
24-44
29
16
Porcelana FC
30
5
3
22
14-48
18