QUARTA-FEIRA, 28-06-2017, ANO 18, N.º 6360
Governo e empresas petrolíferas chegam a acordo sobre pagamento de impostos
Angola O Ministério das Finanças de Angola assinou acordos que qualificou «históricos» com as principais empresas petrolíferas em atividade no país «e que põem termo aos litígios existentes há mais de 10 anos relativos ao pagamento de impostos», de acordo com um comunicado divulgado em Luanda pelo referido Ministério. No documento pode ainda ler-se que os litígios que deram origem a vários processos interpostos junto dos tribunais «ficam definitiva e totalmente resolvidos mediante o pagamento de determinadas quantias – não especificadas - ao Estado, que asseguram a regularização plena da situação fiscal das maiores empresas petrolíferas a operar em Angola». O Ministério das Finanças regozijou-se com a celebração dos acordos, que normalizam as relações entre a Administração Geral Tributária e as empresas petrolíferas, casos da Total, Chevron, ExxonMobil, ENI, BP ou Statoil, porque «reforçam o clima de confiança no país, ao mesmo tempo que abrem portas ao crescimento do investimento no setor».
82,6 milhões de euros em apoio aos refugiados da RD Congo até fim do ano
Angola Angola prevê para os próximos seis meses um apoio de 15,4 mil milhões de kwanzas (82,6 milhões de euros) para apoiar refugiados da República Democrática do Congo (RD Congo), que continuam a chegar ao país. O apelo foi feito hoje num encontro promovido pelo Governo angolano para o reforço do apelo inter-agências das Nações Unidas para os refugiados da região do Kassai. Na sua intervenção, o ministro da Assistência e Reinserção Social, Gonçalves Muanduma, referiu que Angola até à presente data acolhe mais de 31.320 refugiados e disponibilizou 1,6 mil milhões de kwanzas (8,8 milhões de euros). Desde março, momento em que começaram a chegar ao país esses refugiados - 9.296 homens, 8.716 mulheres e 13.308 crianças - as autoridades angolanas disponibilizaram proteção e transporte, desde os pontos de entrada aos centros de acolhimento, instalados no Dundo, capital da província angolana da Lunda Norte. Gonçalves Muanduma informou que foram também entregues 113,5 toneladas de bens alimentares e não alimentares, 10 toneladas de medicamentos, material de desgaste, suplementos nutricionais, material de laboratório, testes rápidos para malária e mosquiteiros impregnados com inseticida, vacinas para crianças e instalação de clínicas ambulatórias nos centros. Entre outras ações, foi feito treino dos técnicos locais sobre os métodos de localização e reunificação familiar, resposta a atos de violência e registo de crianças desacompanhadas e separadas dos familiares. O Governo angolano realizou ainda o resgate de refugiados em situação de extrema vulnerabilidade nas zonas de difícil acesso, a gestão de centros de acolhimento provisórios de Cacanda e do Mussungue, atualmente sobrelotados. As autoridades angolanas procederam igualmente ao transporte por via aérea, em seis voos de aeronaves do tipo IL 76, e por via terrestre, em dez camiões de 30 toneladas cada, de 198 toneladas métricas de bens alimentares e não alimentares do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) de Luanda para a Lunda Norte. O governante angolano referiu ainda a conceção por Angola as Nações Unidas de um terreno no município do Lóvua para a criação do Campo de Reassentamento de Refugiados, onde vão ser implantadas as infraestruturas para o efeito, bem como a concessão de isenção de impostos para as mercadorias.
Luanda novamente a cidade mais cara do mundo para trabalhadores estrangeiros
Angola Luanda regressou ao primeiro lugar da lista das cidades mais caras do mundo para trabalhadores estrangeiros, invertendo a ordem com Hong Kong, que na edição de 2016 do `Inquérito sobre o Custo de Vida`, da consultora Mercer, ocupava o pódio. Depois de Luanda e de Hong Kong, surgem Tóquio (Japão), Zurique (Suíça) e Singapura. A empresa de consultoria revela ainda no relatório que Luanda retomou o primeiro lugar da lista das cidades mais caras do mundo, «não obstante o kwanza se ter desvalorizado face ao dólar». O inquérito da Mercer analisa dados de 209 cidades em todo o mundo e leva em conta o preço de mais de 200 produtos e serviços, nomeadamente alojamento, comida, vestuário, transportes, lazer ou telecomunicações.
Portugal destrona China e volta a ser quem mais vende a Angola
Angola Portugal voltou a ser o país que mais exporta para Angola, destronando a China, que ocupava o primeiro lugar há três anos consecutivos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) angolano, as exportações portuguesas atingiram, em 2016, 1.630 milhões de euros, o que corresponde a uma quota de mercado de 14,89%. As vendas chinesas para Angola registaram, no ano passado, uma queda de 36%, tendo-se situado em 1.373 milhões de euros - a China passou, assim, a ocupar o segundo lugar do ranking, com uma quota de 12,54%. O terceiro lugar pertence aos Estados Unidos da América: em 2016, as exportações norte-americanas para Angola situaram-se nos 1.169 milhões de euros, o que se traduz numa quota de mercado de 10,75%. Quanto à atividade exportadora, a venda de petróleo continua a fazer da China o principal comprador de Angola. As vendas para o mercado chinês cresceram 28% em 2016, por comparação com 2015, tendo-se cifrado em 11,8 mil milhões de euros. Já Portugal, segundo os dados do INE divulgados pelo Jornal de Angola, é apenas o nono cliente de produtos angolanos com compras no valor de 830 milhões de euros, valor que representa 3,2% do total das exportações angolanas. O petróleo continua a ter um peso esmagador nas exportações e, de acordo com o INE, a matéria-prima representa 93% do total das vendas de Angola para o exterior, que no passado ascenderam a 25,9 mil milhões de euros. Por sua vez, as importações totais registaram uma queda de 22,37%, tendo-se situado em 10,9 mil milhões de euros.
Palancas Negras vencem na estreia na Taça Cosafa
Angola Com um golo madrugador de Manguxi, logo aos quatro minutos, Angola venceu, este domingo, as Ilhas Maurícias, por 1-0, em jogo da primeira jornada do grupo A da Taça Cosafa. A partida foi disputada no Estádio Moruleng, na África do Sul. No outro embate do grupo, a Tanzânia derrotou o Malawi, por 2-0. Na terça-feira, os Palancas Negras jogam com a Tanzânia, para a segunda ronda, seguindo-se o confronto com o Malawi, terceira e última jornada da fase de grupos.
Minas mataram 16 civis e feriram outros 29 em 2016
Angola Angola registou 16 mortos e 29 feridos civis por acionamento de minas antipessoal, antitanque e engenhos explosivos não detonados, em 2016, segundo dados divulgados na Conferência Nacional sobre desminagem, que hoje terminou em Luanda. Os números constam do relatório anual de 2016, apresentado à conferência pela Comissão Executiva de Desminagem, entidade do Estado que coordena as operações de desminagem dos quatro operadores públicos, designadamente a Casa de segurança do Presidente da República, Forças Armadas Angolanas, Instituto Nacional de Desminagem e Polícia de Guarda Fronteira. O quadro sobre acidentes e incidentes por acionamento de minas em 2016 indica a província do Bié com maior número de óbitos (8), seguida de Malange (3), Bengo (2), Cabinda, Huambo e Lunda Norte (1 cada). A lista de feridos é liderada pela província do Huambo (6), seguida de Benguela e Malange (5, cada), Bengo e Bié (4, cada), Luanda (2), Cuando Cubango, Cuanza Norte e Zaire (1, cada). Segundo dados já avançados no primeiro dia de trabalhos, no ano passado, 3.911 homens clarificaram 247.244.639 metros quadrados de área, 210.229 quilómetros de estradas e 912.028 quilómetros de linhas de transporte de energia elétrica de alta tensão. Foram desativadas nesse período e destruídos 65.699 engenhos explosivos não detonados, 33.968 quilogramas de material letal diverso, 337 minas antipessoal e 76 minas antitanque. Para o reforço da operacionalidade das brigadas de desminagem, com meios logísticos e técnicos foi feito um «esforço financeiro» pelo Estado angolano de 2,4 mil milhões de kwanzas (13.153.900 de euros). Para este ano, a Comissão Executiva de Desminagem apresenta como prioridades a conclusão das tarefas remanescentes do programa Executivo de desminagem de 2016, nomeadamente a continuação do mapeamento das áreas ainda contaminadas com minas e engenhos explosivos não detonados, bem como a educação sobre o risco e minas nas comunidades. O Estado angolano é subscritor da Convenção de Otawa desde 1997, tendo-a ratificado em 2002, dez anos depois expirou o prazo para ser declarado livre de minas, respondendo ao artigo 5º da convenção. A dimensão do território, longevidade do conflito, complexidade na minagem, o número de atores, o clima, vegetação e inexistência de mapas retardou o processo de desminagem de Angola, que agora assumiu o compromisso de deixar o país livre de minas até 2025. Para atingir o objetivo, o Estado angolano traçou um conjunto de tarefas, como a realização de uma pesquisa não técnica em todo o país, implementação de um projeto de mapeamento, continuação das operações de desminagem e resolução e eliminação dos problemas relacionados com as discrepâncias dos dados entre a base de dados da Comissão Nacional Intersetorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDHA) e os operadores. O setor da ação contra as minas foi significativamente atingido pela crise económica e financeira que o país atravessa desde 2014, destacando-se as operações de desminagem, bem como pela reduzida contribuição dos doadores internacionais.
Justiça avançou na produção de leis mas continua atingida pelo fenómeno da corrupção
Angola O setor da justiça em Angola registou, nos últimos cinco anos, transformações a nível legislativo, mas as leis não estão a ser aplicadas, mantendo-se a corrupção sob diversas formas, indica um estudo hoje divulgado. A conclusão consta do terceiro relatório da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), apresentado em Luanda, em cerimónia onde estiveram presentes juízes, advogados, líderes de partidos políticos, representantes ministeriais, ativistas dos direitos humanos e sociedade civil. O relatório, realizado no período entre março de 2013 e dezembro de 2015, com atualizações em 2016 e início deste ano, refere que o setor da justiça angolano está em processo de transformação nos domínios da legislação, das infraestruturas e dos recursos humanos. Na apresentação, António Ventura, o gestor do relatório, disse que nesses anos houve atualização da legislação, com a aprovação de novas leis, no domínio da organização e funcionamento dos tribunais, mas as estas não estão a ser aplicadas. «Todavia, a maior parte dessa legislação estruturante do setor da justiça que tem sido aprovada, não está a ser aplicada, como a Lei Orgânica da Organização e Funcionamento dos Tribunais de Jurisdição Comum, que já existe há dois anos e do elemento consubstancial da lei nada tem sido feito, sendo nossa constatação neste domínio que a reforma da justiça resume-se a aprovação de leis», referiu. António Ventura frisou que a não implementação dessas leis faz manter os problemas existentes há cerca de dez anos, nomeadamente a contratação de novos juízes, procuradores e oficiais de justiça. «Outro aspeto que também nos chamou a atenção tem a ver com a distribuição dos advogados em Angola, porque a maior parte estão sedeados e atuam em apenas cinco das 18 províncias», referiu. O relatório aponta igualmente problemas a nível das infraestruturas, não só ligadas aos tribunais, mas também aos Serviços Provinciais de Investigação Criminal. «Estes trabalham em condições muito débeis, quer de infraestruturas que de materiais, com dificuldades até básicas, como o acesso ao papel, ao transporte e ao sistema de comunicação, que de uma maneira ou de outra interfere e dificulta uma justiça penal de maior qualidade», avançou. Como recomendações, o relatório apela ao Governo angolano o cumprimento das leis que são aprovadas, o reforço da independência e autonomia dos tribunais e a melhorias das condições de trabalho, acima de tudo salarial. «Porque o que nós notamos é que em alguns setores, juízes e procuradores têm boas condições de trabalho, bons salários, mas todos os outros servidores da justiça continuam em condições salariais e de trabalho indignas para se administrar a justiça», frisou António Ventura. Relativamente ao fenómeno da corrupção que atinge o setor, António Ventura considera um problema transversal, porque atravessa outros setores, «mas ao setor da justiça - porque é ali onde todo os cidadãos vão colocar os seus problemas e seus conflitos - deveria dar-se melhores condições para que pudessem ser incorruptíveis ou impenetráveis».
País gastou 10% das importações de 2016 com produtos agrícolas
Angola Praticamente 93 por cento das exportações angolanas de 2016 foram de petróleo bruto, que aumentaram mais de 3.500 milhões de euros face a 2015, mas o país ainda necessitou de importar produtos agrícolas, que representam 10% do total. Os dados constam do anuário do comércio externo de 2016, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), agora divulgado e ao qual a Lusa teve acesso, indicando que em todo o ano as vendas de crude ao exterior ascenderam a 4,466 biliões de kwanzas (24,1 milhões de euros), um aumento homólogo de 17%. Angola continua desta forma fortemente dependente das receitas com a exportação de petróleo, apesar do crescimento que o setor agrícola tem registado. De 2015 para 2016, as exportações de produtos agrícolas aumentaram 44,79%, mas não passaram dos 17.858 milhões de kwanzas (96,5 milhões de euros), equivalente a uma quota de 0,37% do total. Em maio de 2016 foi exportado um lote de 17 toneladas de bananas de Angola, a partir do porto do Lobito, para Portugal, mais de 40 anos após a última venda angolana desta fruta para a Europa. A banana foi proveniente da tradicional região do Culango, da fazenda agroindustrial Bacilin, província de Benguela, e foi embarcada ainda verde, após garantida a certificação pelos dois países. Trata-se de um principais produtos de aposta para exportação em Angola, nomeadamente a originária das províncias do Bengo e de Benguela, que já é exportada para a República Democrática do Congo, e trocas comerciais reforçadas já em 2017, com outros produtores a venderam para a Europa. No plano inverso, e apesar das conhecidas potencialidades agrícolas, 10,44% do volume de importações angolanas foram de produtos agrícolas, no valor de 211.270 milhões de kwanzas (1.140 milhões de euros), uma quebra de 4,32% face a 2015. Apesar de ter sido o maior produtor de petróleo em África durante o ano de 2016, com cerca de 1,7 milhões de barris por dia, a reduzida capacidade de refinação de Angola obrigou à importação de 121.821 milhões de kwanzas (quase 660 milhões de euros), um peso de 6% do total das compras angolanas ao exterior, representando, ainda assim, uma quebra de 26,85% face ao total do ano de 2015. A importação de produtos alimentares desceu 22,89% em 2016, para 103.644 milhões de kwanzas (560,5 milhões de euros), equivalente a 5,12% do total. Globalmente, as exportações angolanas aumentaram 18,76% em 2016, para um volume de negócios total de 4,803 biliões de kwanzas (25,9 mil milhões de euros), enquanto as importações caíram 22,37%, para 2,024 mil milhões de kwanzas (10,9 mil milhões de euros). Em 2016, a balança comercial de Angola, incluindo ainda reimportações e reexportações, registou um saldo positivo de 2,779 biliões de kwanzas (15 mil milhões de euros), praticamente o dobro face ao resultado de 2015.
União Europeia reitera empenho na parceria para desminagem do país
Angola A União Europeia reiterou hoje o seu empenho e determinação para promover cada vez mais «uma parceria exemplar» que possa contribuir para que Angola se veja livre de minas. A posição foi expressa pela encarregada de Negócios da delegação da União Europeia em Angola, Joana Fisher, ao intervir na sessão de abertura da Conferência Nacional sobre Desminagem, que vai analisar até sexta-feira os últimos 15 anos de atividade no país. A responsável frisou que a União Europeia tem vindo a apoiar o processo de desminagem, liderado pelo Governo de Angola, há muito tempo, salientando que sempre financiou projetos nessa em quase todas as províncias do país. Destacou «o Programa de Emergência ao Apoio de Paz, com o montante de 27 milhões de euros» e também os apoios para o Programa de Desminagem de Emergência e para o Regresso e a Instalação Sustentável, com o montante total de 31 milhões de euros, com vista a melhorar o acesso dos parceiros humanitários às populações isoladas. Joana Fisher recordou ainda que, num passado mais recente, a União Europeia financiou também o Programa de Apoio ao Setor de Desminagem, no valor de 40 milhões de euros, que beneficiou 12 províncias com ações de reduções de minas e dispositivos explosivos, educação sobre o risco de minas e outras ações neste domínio. Os esforços feitos, reconheceu, «permitem ver mudanças positivas nas vidas das pessoas das áreas rurais em Angola, maior liberdade de movimento, maior acesso a fontes de água e mais terra arável disponível para agricultura e outras atividades geradoras de rendimento». «Esses benefícios são fundamentais para o sucesso a longo prazo do Plano Nacional de Desenvolvimento, queremos ser os parceiros chave de Angola. Os dados a serem apresentados nessa conferência mostram que ainda há uma grande necessidade de continuar a desminagem humanitária em Angola», disse. Angola assumiu o compromisso de ser declarado livre de minas até 2025, mas enfrenta dificuldades financeiras para atingir a meta, avançando um valor de mais de 200 milhões de dólares (179,4 milhões de euros).
País terá Sistema Integrado de Gestão de Segurança Pública
Angola Angola vai ter um Sistema Integrado de Gestão de Segurança Pública, para responder em tempo útil as solicitações dos cidadãos em casos de alteração da ordem pública, catástrofes e outras de natureza securitária, foi hoje divulgado em Luanda. O anúncio foi hoje feito pelo ministro do Interior de Angola quando discursava por ocasião do 38.º aniversário do Ministério do Interior, avançando igualmente que estão em curso a construção de mais de 70 estabelecimentos ligados ao setor. Ângelo Veiga Tavares informou que a aplicação do Sistema Integrado de Gestão de Segurança Pública, já em curso, com a criação dos respetivos centros nacionais, municipais e unidades de resposta, vai introduzir no país um novo modelo de intervenção dos distintos órgãos de segurança e ordem interna. Segundo o ministro, o objetivo é «corresponder às solicitações dos cidadãos em casos de alteração da ordem pública, catástrofes e outras de natureza securitária». Fazendo um balanço dos 38 anos de atividades daquele ministério, o responsável disse que, apesar das dificuldades, foi possível «manter a integridade territorial do país, a paz, a segurança, a ordem e a tranquilidade públicas», assinalando que foi igualmente garantido o clima adequado para o normal funcionamento das instituições do Estado. A aprovação do novo Estatuto Orgânico do Ministério do Interior foi ainda sublinhada como um ganho para o setor, que permitiu dar «maior enfoque à gestão coletiva e repor a justiça» em relação aos quadros, «profundamente afetados pelas insuficiências» no processo de fusão entre os ministérios do Interior e da Segurança do Estado. Ângelo da Veiga Tavares fez saber igualmente que a nível do país estão em curso mais de 70 obras entre comandos, esquadras e postos policiais, estabelecimentos prisionais, entre outras instituições, algumas das quais com elevado grau de execução física e que serão retomadas e concluídas «num futuro próximo». Um elevado número de jovens ingressou durante os últimos anos no Ministério do Interior de Angola, destacando-se o sexo feminino, existindo atualmente na instituição pública mais de 20 mil mulheres. Nas celebrações do 38.º aniversário do Ministério do Interior de Angola, o ministro informou também que está consolidada a Caixa de Proteção Social para o efetivo.
Viúva de Agostinho Neto contra figura de Presidente da República Emérito
Angola A viúva do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, está contra a distinção de Presidente da República Emérito que se pretende atribuir ao chefe de Estado que cessar mandato, questionando que designação terá o seu falecido marido. «Se o Presidente José Eduardo dos Santos for emérito o que é que se vai dar ao fundador que libertou, fez tudo. E os outros que virão? Então, é preciso pensar muito bem nisso», disse Maria Eugénia Neto. Em causa está a proposta do projeto de Lei Orgânica sobre o Regime Jurídico dos Ex-Presidentes e vice-Presidentes da República Após Cessação de Mandato, de iniciativa do grupo parlamentar do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder). Em declarações à agência Lusa à margem do lançamento do relatório económico da Universidade Católica de Angola, Maria Eugénia Neto afirmou que o título de emérito usa-se apenas nas academias de letras e ciências e não para a política ou chefes de Estado. O projeto de lei, que deve ir à votação na próxima semana na Assembleia Nacional, prevê para o antigo Presidente uma pensão vitalícia correspondente a 90% do vencimento durante o último ano de mandato, tratamento protocolar, imunidades e segurança, nomeadamente oficial às ordens, regime especial de proteção e segurança, fixado nos termos da lei. Maria Eugénia Neto manifestou-se indignada com essas prerrogativas, questionando o seu fundamento constitucional. O segundo capítulo da proposta de lei, denominado «Foro Especial», estabelece que, findo o mandato, o antigo Presidente da República passa a gozar de «foro próprio para efeitos criminais ou responsabilidade civil, por atos estranhos ao exercício das suas funções, perante o Tribunal Supremo, no termo do disposto na lei». Para o cônjuge do Presidente da República durante os seus mandatos, a proposta de lei prevê uma remuneração equivalente a 70% do vencimento do chefe de Estado durante o seu mandato ou da respetiva pensão, se por esta optar. A proposta de lei acautela ainda o direito à habitação, com a atribuição de uma verba para manutenção e apetrechamento de residência própria, e transporte, sendo-lhe atribuída uma viatura automóvel de tipo não inferior à do vice-Presidente em exercício para as funções oficiais deste, igualmente um motorista a expensas do Estado, substituição da viatura sempre que devidamente justificado, combustível e manutenção. Também a deputada do MPLA e filha do primeiro presidente Angolano, Irene Neto, se manifestou contra os privilégios para os antigos chefes de Estado, na discussão do diploma nas comissões de especialidade do parlamento. «Será justo beneficiarem ainda destas regalias, ninguém pode dizer que a família presidencial é pobre, podendo, por esta razão, atender às suas necessidades pessoais e políticas, com a dignidade que correspondam às altas funções exercidas», questionou Irene Neto. Acrescentando que «já o mesmo não se poderá dizer do primeiro Presidente, que nem o seu cônjuge ou os seus descendentes alguma vez beneficiaram de lugares em administrações da banca, na mineração ou de qualquer outro recurso do país, pelo qual tanto se bateu e se conseguiu levar à independência de forma vitoriosa». «Com toda a transparência, não queríamos favor, não queríamos coisas opacas, não queríamos ser encobertos, queríamos que o povo decidisse qual era o apoio que devia ser dado à família do primeiro Presidente da República», frisou. António Agostinho Neto proclamou a independência de Angola a 11 de novembro de 1975 e morreu, vítima de doença, em setembro de 1979, tendo então subido ao poder José Eduardo dos Santos, que não se recandidata nas próximas eleições gerais de 23 de agosto. O assunto tem merecido inúmeras reações da sociedade civil angolana inclusive de partidos políticos na oposição que também já questionaram o referido diploma, que o MPLA propõe que o parlamento angolano aprove «de preferência antes da campanha eleitoral».

classificações

Angola - Girabola
16. ª jornada
classificação
17-06
Progresso
02
Petro Luanda
17-06
Rec. Libolo
11
Santa Rita de Cássia
17-06
Interclube
00
Sag. Esperança
17-06
Progresso Lunda Sul
00
Bravos Maquis
17-06
ASA
10
Desp. Huíla
17-06
Kabuscorp
11
Ac. Lobito
17-06
JGM Huambo
04
1º de Agosto
17-06
Rec. Caála
01
1º de Maio
17. ª jornada
07-07
1º de Maio
-
Progresso
07-07
Petro Luanda
-
Rec. Libolo
07-07
Santa Rita de Cássia
-
Interclube
07-07
Sag. Esperança
-
Progresso Lunda Sul
07-07
Bravos Maquis
-
ASA
07-07
Desp. Huíla
-
Kabuscorp
07-07
Ac. Lobito
-
JGM Huambo
07-07
1º de Agosto
-
Rec. Caála
J
V
E
D
GM-GS
P
1
Petro Luanda
16
12
1
3
27-7
37
2
1º de Agosto
16
11
3
2
28-7
36
3
Kabuscorp
16
9
6
1
25-14
33
4
Rec. Libolo
16
8
6
2
28-11
30
5
Sag. Esperança
16
9
3
4
22-14
30
6
Progresso
16
7
5
4
23-17
26
7
Rec. Caála
16
7
2
7
16-16
23
8
Interclube
16
5
7
4
15-10
22
9
Bravos Maquis
16
5
4
7
10-15
19
10
1º de Maio
16
5
3
8
23-31
18
11
Desp. Huíla
16
4
4
8
10-18
16
12
ASA
16
3
5
8
12-21
14
13
Progresso Lunda Sul
16
3
4
9
12-23
13
14
Ac. Lobito
16
3
4
9
16-30
13
15
JGM Huambo
16
3
4
9
10-32
13
16
Santa Rita de Cássia
16
1
5
10
9-20
8