QUINTA-FEIRA, 19-01-2017, ANO 17, N.º 6200
Guiné Bissau perde diante dos Camarões (1-2)
CAN2017 A Guiné Bissau foi esta quarta-feira derrotada pelos Camarões, por 1-2, em partida da segunda jornada do Grupo A do Campeonato Africano das Nações (CAN), a decorrer no Gabão. O avançado Piqueti, que atua no SC Braga, ainda surpreendeu, inaugurando o marcador aos 13 minutos, após espetacular jogada individual. Porém, na segunda parte, golos de Siani (61 minutos) e Ngadeu-Ngadjui (79) valeram a reviravolta no marcador a favor dos Camarões. No fecho desta segunda jornada, Camarões passa a liderar o grupo, com 4 pontos, seguido de Burkina Faso e Gabão, ambos com 2. A Guiné Bissau tem apenas um ponto e está obrigada a vencer Burkina Faso, na última jornada, para poder acalentar a esperança de seguir em frente na competição.
«Queremos qualificarmo-nos em primeiro» - Abel Xavier
Moçambique Abel Xavier acredita numa boa prestação da seleção moçambicana de futebol na fase de qualificação para a CAN-Camarões 2019, onde terá pela frente a Zâmbia, Guiné-Bissau e a Namíbia. «Vamos entrar em competição com o objetivo de obtermos a qualificação por via do primeiro lugar, que nos dá o apuramento direto. Iremos, portanto, jogar para o primeiro lugar e não dependermos de qualificação com base na repescagem que sempre está dependente de terceiros», comentou, reagindo ao sorteio. O técnico português, ao serviço dos Mambas, defende que a sua equipa terá que ser equilibrada em todos os jogos. «Estamos a formar uma boa seleção. Penso que o trabalho é visível. Fizemos bons jogos, diante de grandes seleções e ficou claro que estamos num bom caminho. Vamo-nos preparar e penso que até ao primeiro jogo estaremos ainda melhores», disse. Os Mambas iniciam a fase de qualificação para a CAN defrontando fora de casa a Zâmbia. Fazendo uma radiografia aos seus adversários, reconheceu o valor em todos, destacando o facto de a Zâmbia já ter sido campeã africana. «A Zâmbia é das mais fortes de África, já foi campeã. Só por aí diz tudo quanto ao seu valor. A Guiné-Bissau e a Namíbia têm vindo a evoluir muito, mas nós também temos o nosso valor. Estamos a formar uma equipa jovem e cada vez mais competitiva», disse. Os Mambas realizam o primeiro jogo na primeira semana de junho entre os dias 5 e 13. Recorde-se que Moçambique não vai ao CAN desde 2010, quando marcou presença em Angola. De lá para cá ja falhou três competições - CAN-Gabão-Guiné Equatorial 2012, África do Sul 2013 e Líbia 2015.
Luanda ativa sistema de alerta para cólera
Angola A província de Luanda ativou o sistema provincial de alerta para o eventual surgimento de casos de cólera, revelaram hoje as autoridades sanitárias da capital angolana. «Luanda não tem nenhum caso confirmado de cólera, estamos a trabalhar do ponto de vista de vigilância epidemiológica no acompanhamento e rastreio de todos os casos de diarreia, tivemos quatro casos suspeitos», disse, em declarações à agência Lusa, a chefe do departamento provincial de Saúde Pública, Regina António. A responsável acrescentou que esses casos suspeitos, após análise laboratorial, resultaram negativos. Contudo, foram reativadas as unidades de tratamento de cólera e neste momento decorre a preparação da logística, um cenário que decorre de surtos da doença detetados noutros pontos do país. A mobilização em Luanda, província com quase sete milhões de habitantes, envolve «medicamentos e equipamentos necessários para acudir a eventuais casos» de cólera, mas também se trabalha «na mobilização com a população para as medidas de prevenção», acrescentou Regina António. Um surto de cólera no município do Soyo, província angolana do Zaire, afetou desde dezembro 119 pessoas, seis das quais acabaram por morrer, levando as autoridades de saúde a mobilizar médicos, técnicos de laboratórios e medicamentos para travar a sua propagação. Um outro surto da doença foi detetado a sul, no município do Cubal, província de Benguela, nos últimos dias. De acordo com Regina António diante destes surtos, há necessidade de Luanda preparar «as equipas de emergência» e as «infraestruturas do ponto de vista de centros de tratamento de cólera», além de "reativar as comissões anteriormente existentes" para se precaver para eventuais casos. Angola já viveu no último ano surtos de febre-amarela e malária. A propagação da cólera está associada à deficiência no tratamento de esgotos e da água para consumo humano.
PR promete um carro a cada jogador se seleção for campeã
Guiné-Bissau O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, prometeu entregar uma viatura a cada jogador se o país conquistar a Taça das Nações Africanas (CAN), em futebol, que decorre no Gabão. À chegada a Bissau na terça-feira, depois de um períplo por três países - entre os quais o Gabão, onde assistiu à primeira partida da Guiné-Bissau na CAN -, José Mário Vaz disse ser um desafio para todos os guineenses vencer a Taça de África. «É uma promessa do Presidente: se vencerem vou dar uma viatura nova a cada jogador», declarou José Mário Vaz, em declarações aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira. O Presidente guineense afirmou que todos devem apoiar a seleção e pediu ao Governo que faça tudo no sentido de atender às necessidades dos jogadores que se encontram no Gabão. A Guiné-Bissau realiza hoje a sua segunda partida na CAN diante dos Camarões, depois de no sábado ter empatado a uma bola contra o Gabão. A formação dos ‘djurtus’ (cães selvagens) é a única de país lusófono presente na competição que junta as 16 melhores seleções de futebol de África. A Guiné-Bissau integra o grupo A com os Camarões, Burkina-Faso e o anfitrião Gabão.
ONU-Habitat quer envolvimento das populações para travar «urbanização caótica»
Moçambique O diretor regional para a África da ONU-Habitat, Banji Oyelaran-Oyeyinka, defendeu hoje a aposta no planeamento e em políticas que envolvam as populações para travar a «urbanização caótica» e criar cidades mais seguras em Cabo Verde. «Num aglomerado de 3 mil ou 5 mil pessoas, em que cada uma construiu como quis, para se conseguir retificar as disfuncionalidades é preciso a colaboração dos que lá vivem. O Governo não consegue resolver o problema sozinho», disse Banji Oyelaran-Oyeyinka. O responsável da ONU-Habitat para África falava hoje em conferência de imprensa na capital cabo-verdiana, onde se encontra, desde domingo, para fazer o seguimento da implementação dos objetivos das Nações Unidas em matéria de resiliência e segurança das cidades. Banji Oyelaran-Oyeyinka sublinhou que a chamada «urbanização caótica» não é um exclusivo de Cabo Verde e fez, em traços largos, o diagnóstico de um problema que atribuiu, em larga medida, à «topografia desafiante» do país e à sua «rápida urbanização». «O nível de urbanização em Cabo Verde está perto dos 70%, quando em toda a África é em média 40%. É um fenómeno enorme, principalmente por causa do tamanho do país», disse. Às pessoas que chegam das áreas rurais juntam-se os imigrantes de outros países, numa aglomeração de pessoas «muito rápida» que gera problemas de habitação. «As pessoas estão a construir casas e, por causa da natureza topográfica do país, estão a construir em zonas de erosão, leitos de cheias, a maioria delas sem regulação, a chamada `urbanização caótica´», assinalou. Para Banji Oyelaran-Oyeyinka, os assentamentos informais «criam uma economia informal», onde as propriedades veem reduzido o seu valor e as autarquias não conseguem a cobrança de taxas. «Mas são também um desafio para as pessoas que lá vivem, quer seja numa zona de erosão ou numa zona de cheia, quando chove muito as pessoas perdem as propriedades e podemos ver bairros inteiros serem arrastados», disse. O diretor da ONU-Habitat identificou ainda um «enorme défice» de infraestruturação dos aglomerados urbanos e defendeu uma aposta no planeamento antecipado para começar a resolver o problema. «Há em Cabo Verde um grande défice de infraestruturas o que causa enormes problemas, não apenas para as pessoas que vivem nos aglomerados mas também para a cidade. Acreditamos que a melhor maneira de resolver o problema é planear antecipadamente, acelerar a retificação do que foi mal feito e antecipar para o futuro», disse. Banji Oyelaran-Oyeyinka, que durante a sua permanência em Cabo Verde manteve encontros com o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva e com vários membros do Governo, classificou como «boas notícias» o facto de as autoridades cabo-verdianas terem consciência do problema e de assumirem que «a urbanização deve ser a prioridade número um do país». «O Governo está muito consciente do problema, o primeiro-ministro foi presidente da câmara e percebe bem os desafios», disse, adiantando que a partir desta visita será elaborado um roteiro de ações a implementar faseadamente para começar a corrigir as irregularidades do passado e a planear o ordenamento dos futuros aglomerados. «Nos sítios onde atualmente não existem edifícios é preciso assegurar que são construídas ruas adequadas e redes de serviços adequadas para as pessoas poderem construir de forma mais organizada. Dessa forma será possível começar a ver florescer um melhor ambiente», disse.
Governo avança com central elétrica mesmo sem estudo de impacto ambiental
Guiné-Bissau O governo da Guiné-Bissau anunciou que a construção de uma central elétrica num parque natural no sul do país vai avançar, apesar de não ter sido antecedida por um estudo de impacto ambiental e social. O ministro da Energia, Florentino Pereira, que visitou o parque das Lagoas de Cufada na terça-feira, disse que o projeto não foi antecedido de um estudo de impacto ambiental e social, conforme manda a lei do Ambiente no país. Ainda assim referiu que as obras não se podem parar, sob risco de a decisão acarretar «custos incalculáveis». «Governar é uma opção», enfatizou Florentino Pereira, lembrando que o projeto, financiado pela Índia custa 18,7 milhões de euros e vai fornecer energia elétrica às populações das regiões de Quinará e Tombali, no sul da Guiné-Bissau. Na semana passada, duas organizações de defesa na natureza, a associação Tiniguena e o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) criticaram a construção, alertando para prejuízos ambientais. Segundo as duas organizações, estão em risco a maior reserva de água doce da Guiné-Bissau e uma zona de pesca, único meio de subsistência da população. A área possui ainda uma importante reserva florestal e avícola. Miguel de Barros, diretor executivo da Tiniguena, referiu que além da construção da central o projeto «também é um pretexto» para a indústria madeireira devastar a floresta. O ministro do Ambiente nega as alegações das duas organizações, salientando que o lençol freático não será afetado e que não houve grande desmatação. Florentino Pereira afirmou que a concessão da licença a uma empresa indiana para a construção da central ocorreu em 1996 e a lei que delimita a área como zona reservada só foi aprovada em 2000.
«Crise» foi a Palavra do Ano em 2016
Angola «Crise» foi escolhida pelos angolanos como «Palavra do Ano» em 2016, no âmbito da iniciativa do grupo Porto Editora, que se realizou pela primeira vez no país, tendo também a língua nacional quimbundo em destaque. Os resultados da votação `online´, que decorreu entre 1 e 31 de dezembro, foram revelados hoje, em Luanda, pela Plural Editores Angola, do grupo Porto Editora. A concurso estiveram outras nove palavras, tendo «crise» vencido com 31% dos votos. «A palavra `crise´ marcou o ano de 2016 pela crise económica e financeira que o país atravessa, agravada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional», recordou a editora. A 4 de maio, em Luanda, no lançamento da iniciativa, que já se realiza anualmente em Portugal e que em 2016 foi alargada a Angola e Moçambique, Paulo Machado Ribeiro, diretor-geral da Plural Editores Angola, antevia esta possibilidade. «A palavra `crise´ é uma forte candidata sem dúvida alguma. Ainda faltam muitos meses até ao final do ano, mas desde já é a palavra que mais nos surge na cabeça», disse então o responsável da empresa angolana, do grupo Porto Editora. «Candando» foi a segunda palavra mais escolhida, com 22% dos votos. Trata-se de uma palavra cuja origem é da língua nacional quimbundo «kandandu», que significa abraço, cuja grafia (Candando) foi adotada para designar a nova cadeia de hipermercados que a empresária angolana Isabel dos Santos lançou em 2016. «Kixiquila» foi a terceira palavra mais votada, com 12%. Também se trata de um termo com origem na língua nacional quimbundo, no caso «kixikila», que significa «assentar», numa alusão ao registo dos valores. Na prática, a kixiquila é hoje em dia uma forma de poupança a que muitos angolanos passaram a recorrer devido à crise. Juntam-se em grupos de amigos, colegas de trabalho ou vizinhos, descontando todos os meses uma parte do salário para uma espécie de cooperativa informal, que distribui mensalmente o «bolo» reunido por cada um dos participantes. A Plural Editores está presente em Angola há cerca de dez anos e atua sobretudo na área da Educação, contando com mais de uma centena de títulos editados exclusivamente para o mercado angolano, que representa 25% das vendas totais do grupo. A empresa editou em 2015 um conjunto de 26 títulos em Angola. De acordo com o grupo português, o objetivo da iniciativa «Palavra do Ano» é evidenciar a riqueza e o dinamismo criativo da língua portuguesa, chamando a atenção para a importância que as palavras têm no quotidiano. Esta iniciativa realiza-se desde 2009 em Portugal, promovida pelo grupo Porto Editora, que já completou 72 anos.
País termina 2016 na liderança da produção de petróleo em África
Angola Angola aumentou a produção de petróleo de novembro para dezembro em 35,6 mil barris diários, ultrapassando a Nigéria na liderança dos produtores de crude em África, indica o último relatório mensal da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). De acordo com dados do relatório, baseados em fontes secundárias da OPEP e compilados hoje pela Lusa, Angola atingiu no último mês de 2016 uma produção diária de 1,724 milhões de barris de crude. A Nigéria tinha destronado Angola, em outubro, como maior produtor africano de petróleo, ao fim de sete meses de liderança, devido à diminuição, na altura, no espaço de um mês, de 165 mil barris de crude por dia na produção angolana. Em novembro, ainda segundo as fontes secundárias da OPEP, os dois países igualaram-se na produção diária de 1,692 milhões de barris de petróleo. Em dezembro, além de Angola aumentar a produção, a liderança angolana resultou da quebra na Nigéria, que perdeu num mês o equivalente a 113,5 mil barris diários. Em dezembro, a Nigéria produziu apenas 1,542 milhões de barris por dia, segundo a OPEP. A produção na Nigéria tem sido condicionada por ataques terroristas, grupos armados e instabilidade política interna, sobretudo no primeiro semestre. Entretanto, o acordo alcançado entre os países produtores de petróleo, para reduzir a produção e fazer aumentar os preços, vai obrigar Angola a cortar 78 mil barris de crude por dia com efeitos desde 1 de janeiro, para um limite de 1,673 milhões de barris diários. O mesmo relatório da OPEP refere que em termos de «comunicações diretas» à organização, Angola terá produzido 1,639 milhões de barris de petróleo por dia (menos 49 milhões de barris de novembro para dezembro), enquanto a Nigéria terá chegado aos 1,940 milhões de barris diários (mais 403,9 milhões de barris por dia). Angola enfrenta desde final de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial decorrente da forte quebra nas receitas petrolíferas. Em menos de dois anos, o país viu o barril exportado passar de mais de 100 dólares para vendas médias, no primeiro semestre deste ano, de 36 dólares por barril, segundo dados do Ministério das Finanças. O mesmo relatório, mas com dados referentes a novembro, indica que Angola desceu naquele mês para terceiro principal fornecedor de petróleo da China (11% do total), logo depois da Arábia Saudita (15%) e da Rússia (14%).
Arquipélago será parceiro do centro internacional de investigação do Atlântico
Cabo Verde Cabo Verde será um dos países parceiros do futuro centro internacional de investigação, centralizado nos Açores, disse hoje a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, considerando o país «um ponto de referência essencial» no Atlântico. Maria Fernanda Rollo, que falava hoje na cidade da Praia, à margem de um encontro com a ministra da Educação cabo-verdiana, Maritza Rosabal, destacou a discussão em torno da participação de Cabo Verde no futuro Centro Internacional de Investigação do Atlântico como um dos pontos importantes da visita que realiza ao país até sexta-feira. «Há uma dimensão muito importante na agenda e que tem a ver com o centro de investigação internacional dedicado ao estudo do Atlântico, onde Cabo Verde é um ponto de referência essencial», disse Maria Fernanda Rollo aos jornalistas. «É um dos assuntos que tem estado no debate entre Portugal e Cabo Verde, que é um parceiro inestimável nesse centro internacional dedicado à investigação em matérias como o espaço, o mar, o ambiente e em que estão todos os países da orla Atlântica», acrescentou. O centro, cuja criação está ser discutida internacionalmente, terá o seu «epicentro» nos Açores, onde em abril será realizada a primeira cimeira ministerial e um encontro de alto nível entre representantes de governos, empresas, universidades e centros de investigação, que incluirá especialistas da Europa, África e Américas. Cabo Verde, que será um dos países parceiros do centro, irá marcar presença na cimeira dos Açores. A pouco mais de um mês da realização na cidade da Praia da cimeira luso-cabo-verdiana, em que será assinado o novo Programa Estratégico de Cooperação (PEC) entre os dois países até 2020, as duas responsáveis governamentais abordaram igualmente os assuntos relativos às linhas de cooperação em matéria de ensino superior e ciência. A ministra da Educação de Cabo Verde, Maritza Rosabal, adiantou que a visita se insere no âmbito das atividades preparatórias da cimeira entre Portugal e Cabo Verde, altura em que «será discutido todo o processo de cooperação e os acordos para os próximos anos», entre os dois países. Apontou como «especialmente importante» para Cabo Verde a cooperação no domínio da ciência, da tecnologia e da inovação, área em que, segundo disse, o país têm «um longo caminho a percorrer». «Portugal tem tido avanços muito significativos nesta área e portanto temos todo um processo de partilha e aprendizagem. Neste momento estamos a combinar como se vai desenvolver o processo, que nos vai permitir toda a montagem institucional de novos serviços como o Gabinete de Ciência, Tecnologia e Inovação ou a Agência de Regulação do Ensino Superior», disse. A ministra sublinhou ainda a importância da presença de Cabo Verde na cimeira sobre o centro internacional de investigação do Atlântico. Maria Fernanda Rollo está em Cabo Verde até sexta-feira e além de encontros com as autoridades e a equipa de reitores da Universidade de Cabo Verde (UNI-CV), tem marcadas além de visitas à Casa da Ciência da UNI-CV e ao Museu do Tarrafal. No âmbito da visita, está prevista a realização, na tarde de quinta-feira, de uma palestra subordinada ao tema «Conhecimento em Português», durante a qual a secretária de Estado fará uma intervenção sobre «Ciência Aberta - Partilhar Conhecimento, Consolidar a Democracia».
«Paz» é a palavra do ano
Moçambique «Paz» foi escolhida como palavra do ano em 2016 em Moçambique, anunciou hoje a Plural Editores, que, depois de Portugal, promoveu a iniciativa pela primeira vez neste país e em Angola. «Paz» foi escolhida com 24% numa lista de dez vocábulos finalistas, num contexto de forte agravamento da crise política e militar entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), na sequência da recusa de o maior partido de oposição em reconhecer os resultados das eleições gerais de 2014, alegando fraude, e exigência de governar nas seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio. O líder da oposição, Afonso Dhlakama, encontra-se algures na serra da Gorongosa há mais de um ano e 2016 ficou marcado por confrontos militares entre as partes, emboscadas e ataques na Renamo nas principais estradas e localidades remotas no centro e norte do país, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos e graves denúncias de abusos de direitos humanos. Associada a «paz», a palavra «diálogo» ficou em sétimo, com 5%, numa referência às negociações entre Governo e Renamo em Maputo, na presença de mediação internacional, mas ainda sem resultados. Num ano de guerra e crise económica, a segunda palavra escolhida acaba por ser surpreendente, «mamparra» (idiota, parvo, no calão usado no sul de Moçambique), com 17%, por não ter relação direta com nenhum daqueles assuntos, nem ficar claro se os votantes pensaram em alguém em particular ou se a designação está apenas na moda. Mais previsível era «crise», colocada no terceiro lugar com 16%, quando em 2016 Moçambique sofreu uma queda vertiginosa da moeda nacional, em proporção inversa à subida da inflação, e ainda a descida das exportações, falta de divisas e forte redução do apoio externo e investimento estrangeiro. O tremendo aumento do custo de vida estará também associado à escolha da palavra «solidariedade», no oitavo lugar, com 5%, num ano que ficou ainda marcado pelo escândalo das dívidas escondidas. «Dívida» surge em quinto lugar na lista, com 8%, após ter sido revelado em abril de 2016 a existência de avultados empréstimos para fins de defesa, garantidos pelo Governo à revelia da Constituição e do parlamento. A descoberta de 1,4 mil milhões de dólares a favor de duas empresas estatais, somando-se a um caso semelhante mas que já tinha sido tornado público, de 850 milhões de dólares para a Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), levou à interrupção dos financiamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos doadores do Orçamento do Estado e colocou a dívida pública a níveis insustentáveis. «Educação» figura no sexto posto, com 8%, sinalizando uma preocupação com um setor crónico de Moçambique, onde, apesar de progressos nos últimos anos, cerca de 20% das crianças continuavam fora do primeiro ciclo em 2014, os casamentos prematuros e a guerra também vedaram o ensino a milhares de alunos, e 40% da população permanecia analfabeta, segundo dados de 2011. Outros dois vocábulos, «tchilar», no quarto lugar (11%), e «txunar» no nono (3%) são expressões mais uma vez associadas à linguagem de rua, e muito usadas nas campanhas publicitárias, a primeira com a conotação de divertimento e a segunda com significados diversos, entre fazer, organizar ou aprontar-se, numa referência a uma presumível origem da palavra num tipo de jeans femininas chamado «txuna baby». A lista das dez palavras do ano é encerrada por «liberdade» (3%), num ano que ficou igualmente assinalado por assassínios de políticos, agressões a académicos, intimidações a jornalistas e líderes de opinião e até desincentivos públicos à participação numa manifestação contra a guerra e a crise. A escolha foi realizada pela Plural Editores Moçambique, «através da análise de frequência e distribuição de uso das palavras e do relevo que elas alcançam», tanto nos meios de comunicação como nas redes sociais, e que tem em consideração também as sugestões dos moçambicanos no site da iniciativa.
País recebe prémio regional de conservação ambiental
Cabo Verde A cédula cabo-verdiana da Associação das Mulheres da África Ocidental (RAMAO) recebeu hoje, na cidade da Praia, o «Prémio Conservação», atribuído pelo programa regional «Go-Wamer», de gestão dos recursos marinhos. A organização cabo-verdiana, que venceu com o projeto «Um grito contra a apanha d`areia», recebeu o prémio no âmbito da 5.ª reunião do Comité de Pilotagem do Programa Go-Wamer (Governação, políticas de gestão de recursos marinhos e redução da pobreza na Região WAMER), que está a acontecer na capital cabo-verdiana. Além de Cabo Verde, o programa, orçado em 10,5 milhões de euros e cofinanciado pela União Europeia e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), integra o Senegal, Mauritânia, Gâmbia, Guiné-Bissau e Guiné Conacri. O prémio, instituído em 2009 com o objetivo de congregar esforços dos atores da África Ocidental na conservação das zonas costeiras e marinhas, visa sensibilizar as organizações nacionais e sub-regionais para as questões ambientais. Segundo a presidente da RAMAO, Josefina Chantre, o galardão é fruto do trabalho feito pela organização social em prol da conservação do litoral e da sensibilização feita junto das mulheres que vivem da apanha de areia em Cabo Verde. Destacando questões de saúde e de empoderamento das mulheres que vivem da apanha de areia, Josefina Chantre pediu alternativas de subsistências para essas chefes de família, bem como melhor conservação do litoral. Além de Cabo Verde, projetos do Senegal e da Guiné-Bissau também foram distinguidos pelo programa Go-Wamer. A reunião regional do Comité de Pilotagem do Programa Go-Wamer servirá para os responsáveis discutir várias questões ambientais e traçar perspetivas para o futuro para os recursos marinhos e costeiros na África Ocidental.