Saber nadar salva vidas (artigo de Eduarda Veloso, 1)

Espaço Universidade 06-04-2018 20:39
Por Eduarda Veloso
A Organização Mundial de Saúde indica que o afogamento ocupa o terceiro lugar nas principais causas de morte ou acidente com sequelas permanentes e definitivas, em todo o mundo.

Os afogamentos situam-se predominantemente nos menores de idade, sendo o grupo até aos 4 anos e, especificamente, o subgrupo dos 12 aos 36 meses, como aqueles onde o risco é mais elevado (2.5 e 4 por 100.000 mortes, respetivamente). A incidência do problema volta a aumentar na adolescência associada à população masculina, (75% nos rapazes versus 25% nas raparigas). Outros fatores de risco são o contexto rural, as falhas na supervisão dos adultos e a reduzida competência a nadar.

Um estudo conduzido em Portugal evidenciou, em 2011, que 1 em cada 10 jovens do 8.º ano de escolaridade afogar-se-ia ‘fora de pé’ e que metade dos avaliados não conseguiria percorrer uma distância de 50 metros em nado de crol, referência que pode indicar uma importante condição de segurança em caso de acidente/risco súbito. Mais preocupantes foram diferenças de competência no meio aquático resultantes da comparação de alunos com diferentes níveis socioeconómicos – os alunos “mais pobres” revelaram-se menos competentes, parecendo claro que “saber nadar” é também uma questão social e económica.

Contudo, nem tudo parece ser mau. Um estudo realizado em 21 países com elevado número de afogamentos por ano, revelou que entre 2000 e 2013 a mortalidade devida ao afogamento tem decrescido. Os autores, que referem estarmos perante um problema de saúde pública, associam a referida diminuição da mortalidade aos esforços de prevenção que dificultam o acesso aos planos de água, ao uso de dispositivos de flutuação, à eficácia dos mecanismos de socorro e ao facto de se terem implementado programas de educação das populações. Sem surpresa, os países desenvolvidos são aqueles em que a taxa de afogamento é mais baixa.
Que características se recomendam num programa de natação? A World Aquatic Infants and Children Network publicou linhas de orientação para programas de natação para crianças abaixo dos 3 anos: i) devem envolver os pais; ii) devem inserir-se num ambiente divertido para a criança, privilegiando um ensino individualizado; iii) devem existir professores qualificados; iv) água aquecida e adequadamente tratada, na qual o número de vezes em que a criança é submergida deve ser limitado para evitar a ingestão excessiva de água, e consequentemente a diminuição da concentração de sódio (hiponatremia).

Os programas devem ainda informar de forma detalhada sobre as competências esperadas e adquiridas pela criança, sobre o risco de afogamento e apelar para a supervisão dos pais.

A recomendação da Academia Americana de Pediatria é hoje bem clara: todas as crianças devem frequentar programas de natação adaptados à sua idade. Os resultados de estudos recentes indicaram que alguns skills associados à prevenção do afogamento podem ser adquiridos mesmo em crianças entre 1 e 4 anos de idade.

A Prevenção é fundamental. Do que está à espera para inscrever o seu filho na natação?

Eduarda Veloso é Professora Assistente Convidada da Universidade Europeia
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