Basquetebol Global: Mais de 100 jogadores internacionais num processo exemplar de consolidação, prestígio e notoriedade dos emigrantes na NBA (artigo Eduardo Monteiro, 25)

Espaço Universidade 05-02-2018 20:21
Por Eduardo Monteiro
A designação de jogador internacional foi adoptada pela NBA, em relação a todos os jogadores da respectiva liga profissional não nascidos nos Estados Unidos da América (USA), incluindo os nascidos nos territórios americanos de Porto Rico, Ilhas Virgens e Guam. Só depois da 2ª guerra mundial, mais própriamente em 1946, é que foi inscrito o primeiro jogador internacional na NBA, Hank Biasatt, nascido em Itália e educado no Canadá. O número de jogadores internacionais na NBA cresceu após ter sido autorizado pelo Comité Olímpico Internacional (CIO) a participação dos jogadores profissionais nos Jogos Olímpicos em Barcelona (1992) e a consequente formação do Dream Team.

No início da época de 1991-92 estavam inscritos, nas diversas equipas da NBA, 23 jogadores internacionais oriundos de 18 países. O número foi aumentando progressivamente até se atingir, em 2013-14, um total de 92 jogadores de 39 países e territórios e, no ano seguinte, o número de jogadores ultrapassou a centena (101). Na época de 2016-17, o record de participação de jogadores internacionais subiu para 113, em representação de 41 países e territórios. Na prova em decurso (2017-18), houve uma ligeira diminuição dos jogadores internacionais nascidos em 44 países e territórios. Atendendo a que esta época é a quarta consecutiva com a participação de, pelo menos, 100 jogadores internacionais e que eles integram todas as equipas da NBA, consideramos que se entrou numa fase de consolidação no que respeita à contratação de jogadores formados fora de portas e um ganho efectivo de prestígio e notoriedade dos praticantes oriundos de outras paragens.

O conjunto de jogadores internacionais que, presentemente, actuam na National Basketball Association (NBA) estão distribuídos por todas as equipas da maneira que se indica: Atlanta Hawks (3 jogadores); Boston Celtics (5); Brooklyn Nets (1); Charlotte Hornets (1); Chicago Bulls (4); Cleveland Cavaliers (4); Dallas Mavericks (5); Denver Nuggets (5); Detroit Pistons (1); Golden State Warriors (3); Houston Rockets (4); Indiana Pacers (3); LA Clippers (2); Los Angeles Lakers (2), Memphis Grizzlies (2); Miami Heat (2); Milwaukee Bucks (4); Minnesota Timberwolves (3); New Orleans Pelicans (3); New York Knicks (4); Oklahoma City Thunder (2), Orlando Magic (5); Philadelphia 76ers (5); Phoenix Suns (2); Portland Trail Blazers (1); Sacramento Kings (4); San Antonio Spurs (6); Toronto Raptors (7); Utah Jazz (7) e Washington Wizards (3). Como se pode verificar, as equipas dos Raptors, Jazz, Spurs, Celtics, Mavericks, Nuggets, Magic, 76ers, Bulls, Cavaliers, Rockets, Bucks, Knicks e Kings apostaram fortemente na contratação de jogadores internacionais, que têm dado provas do seu real valor e contributo decisivo na sua prestação colectiva.

Os países onde nasceram estes jogadores internacionais que militam esta época na NBA são o Canadá (11 jogadores), França (11), Austrália (7), Espanha (7), Brasil (5), Croácia (5), Alemanha (5), Sérvia (5), Turquia (5). Com 3 jogadores temos a Bósnia/Herzegovina e Camarões e com 2 jogadores a Suiça, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Montenegro e República Democrática do Congo. Os que apenas têm 1 jogador internacional na NBA são a Argentina, Áustria, Bahamas, China, Egipto, Eslovénia, Finlândia, Geórgia, Haiti, Israel, Mali, Nova Zelândia, Polónia, Porto Rico, Rússia, Senegal, Sudão do Sul, Suécia, Tunísia, Ucrânia, Reino Unido, República Checa, República do Congo e República Dominicana.

Se analisarmos a sua origem em termos continentais, verificamos que a Europa é o maior contribuinte com 66 atletas, dos que actuam esta época nas equipas da NBA. Isto quer dizer que o basquetebol europeu está na vanguarda na formação de talentos da modalidade a nível internacional (Estados Unidos à parte). Seguem-se as Américas (sem incluir os jogadores USA) com 20 jogadores, África com 11 atletas, Oceania com 7 jogadores e Ásia com apenas 1 representante.

Contudo, também existe um outro contingente (norte americano) que, há diversas décadas, se desloca em sentido contrário, com especial orientação para os clubes europeus. Muitos jovens talentos, saídos das universidades dos Estados Unidos e que não têm imediato acesso à liga profissional norte americana, optam por ganhar experiência (estágio profissional) nas principais ligas europeias com um objectivo próximo que é uma entrada na NBA.

Esta realidade explica porque motivo os maiores clubes europeus, que participam nas diferentes ligas de clubes, com especial realce para a Euroliga Basketball e Eurocup (as duas melhores ligas da Europa), são os principais fornecedores de basquetebolistas profissionais para a NBA. Assim, basta dar como exemplo o encaminhamento progressivo de 50 jogadores que esta época actuam na liga norte americana e que passaram pelos seguintes clubes europeus: Barcelona (Ricky Rubio, Pau Gasol, Marc Gasol, Alex Abrines, Ersan Ilyasova, Joe Ingles, Mario Hezonza, Xavier Munford e Tomas Satorasnky); Fenerbahce (Epke Udoh, Nemanja Bjelica, Enes Kanter, Omer Asik e Tabo Sefolosha); Baskonia (José Calderon, Mike James, Davis Bertans, Goran Dragic, Mirza Teletovic e Shane Larkin); Real Madrid (Nikola Mirotic, Kyle Singer, Serge Ibaka, Slan Merjri e Willy Hernangomez); Anadolu Efes (Brandom Paul, Cedi Osman, Dario Saric e Furkan Korkmaz); Cibona Zagreb (Bojan Bogdanovic, Ante Zizic e Ivica Zubac); Partizan Belgrado (Bogdan Bogdanovic, David Bertans e Joffrey Lauvergne); Khimki Moscovo (Markell Brown e Timoffey Mozgov); Brose Bamberg (Daniel Theys, Darius Miller e PJ Tucker); Bayern Munique (Malcolm Delaney, Maxi Kleber e Paul Zipser); Unicaja Málaga (Domantas Sabonis e Jack Cooley); Olympiacos Pireu (Khem Birch, Milos Teodosic e Patrick Beverley) e Maccabi Tel Aviv (Drigan Bender e Omri Casspi).

Das diferentes gerações de jogadores internacionais que maior prestígio alcançaram, através do reconhecimento público dos adeptos, jornalistas e jogadores da NBA, que neles votaram para participarem nos “NBA All Star Games”, emergiram as grandes estrêlas à escala mundial. Os primeiros jogadores internacionais a participar num “Jogo das Estrêlas” foram Rolando Blackman (Panamá) dos Dallas Mavericks e Hakeem Olajuwon (Nigéria) dos Houston Rockets em 1985. O estreante europeu (1993) foi Detlef Schrempf (Alemanha) que jogou nos Indiana Pacers e nos Seattle Supersonics e o único asiático a ter essa distinção (2003) foi Yao Ming (China) dos Houston Rockets. No entanto, a evolução histórica da presença dos jogadores internacionais nos “All Star Games” não reflete as dificuldades que os mesmos enfrentaram para que o seu talento fôsse reconhecido pelos adeptos, jornalistas e colegas/jogadores norte americanos. O alemão Dirk Nowitzki na sua 20ª época ao serviço dos Dallas Mavericks (30.000 pontos), já participou no “NBA All Star Game” em 13 ocasiões (2002 a 2012, 2014 e 2015). O Poste Hakeem Olajuwon (Nigéria) actuou por 12 vezes no Jogo das Estrelas (1985 a 1990 e de 1992 a 1997) com a camisola dos Houston Rockets. Em 8 ocasiões estiveram o base Steve Nash (Canadá) e os postes Dikembe Mutombo (Congo) e Yao Ming (China). A seguir surge outro poste, Pau Gasol (Espanha) que participou por 6 vezes no “All Star Game” ao serviço de 3 diferentes formações, Memphis (2006), LA Lakers (2009,2010 e 2011) e Chicago (2015 e 2016), assim como o base Tony Parker (França) que também actuou em 6 ocasiões sempre em representação dos San António Spurs (2006,2007,2009,2012,2013 e 2014). Rolando Blackman (Panamá) que jogou sempre nos Dallas Mavericks actuou por quatro vezes (1985, 1986, 1987 e 1990). Participaram em 3 ocasiões no “Jogo das Estrêlas” o poste Marc Gasol (Espanha) ( 2012, 2015 e 2017) pelos Memphis; Peja Stojakovic (Sérvia) (2002, 2003 e 2004) pelos Sacramento Kings e Detlef Schrempf (Alemanha) pelos Indiana Pacers em 1993 e Seattle em 1995 e 1997. Com 2 presenças temos Luol Deng (Sudão do Sul) por Chicago; Manu Ginobili (Argentina) por San Antonio; Zydrunas Ilgauskas (Lituânia) por Cleveland e Joakim Noah (França) por Chicago. Sómente com 1 participação no evento surgem Mehmet Okur (Turquia) por Utah; Andrei Kirilenko (Rússia) por Utah; Vlade Divac (Sérvia) pelos Sacramento Kings e Rik Smits (Holanda) em representação dos Indiana Pacers.

Esta época, no âmbito da preparação do 67º “NBA All Star Game”, marcado para 18 de Fevereiro de 2018, no Staples Center em Los Angeles, houve a eleição do estreante Joel Embiid (Camarões) dos Philadelphia 76ers e a repetição de Giannis Antetokounmpo (Grécia) dos Milwaukee Bucks, assim como a primeira selecção de Kristaps Porzingis (Letónia) dos New York Knicks e a quinta de Al Horford (República Dominicana) que jogou nos Atlanta Hawks e agora está nos Boston Celtics. Quer-nos parecer que com estas prestações, ao longo de todos estes anos, ficou bem vincado o valor dos atletas estrangeiros que por ali passaram e ali jogam no presente momento, pelo que a NBA jamais prescindirá da presença dos emigrantes da “Bola ao Cesto” nas suas 30 equipas.

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais
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