Na Força do Otimismo …uma Chama para o Sucesso - primeira parte (artigo de José Neto, 62)

Espaço Universidade 11-01-2018 17:11
Por José Neto
Na pretérita 2ª Feira, dia 8 de Janeiro, proferi uma aula/conferência no auditório Dr Sardoeira Pinto do Museu do F.C.Porto, assinalada por três dedicatórias: Sr Pedroto, pela saudade dos 33 anos de partida para o campo sagrado… mas sempre junto ao coração. Dizia Gabriel Garcia Marquez que “a vida não é apenas aquela que cada um vive, mas também aquela que se recorda e pelos outros é contada e por isso enquanto deles nos lembramos, acabam por viver mais do que a própria vida”.

Por isso ao longo do tempo (nos 10, 15, 20, 25, 30 anos e sempre que o momento se nos alerta, cá estaremos para da sua obra reconverter em reflexão e doutrina … e tanto este senhor estava adiantado no tempo. “Olha para o jogo e eu te direi como deves treinar e olha para o treino e te direi como deves jogar” – numa frase simples, a partir de 1981/82, primeiro no Vitória de Guimarães e logo a seguir no F.C.Porto, fez como que o arranque dum código de valores para a criação dum gabinete de investigação no Futebol e de cujos resultados tenho ao longo da minha vida publicado e que a história do tempo se viu convertida em enorme e justificado sucesso.

Uma outra dedicatória que se viu referida, foi a Sérgio Conceição, um treinador que se revela com um carisma muito próprio, assente numa base de afabilidade e no exercício duma exigência partilhada. Nele se revê a negligência pela apatia, o fortalecimento pelo entusiasmo, com base numa imagem do cavador, como o caraterizei numa entrevista que me foi solicitada na “bola branca” R.R. em 30 de Agosto passado.

Expressa o que sente sem subterfúgios, interagindo de forma absoluta, valorizando a força do grupo, promovendo a cooperação e explorando todo o seu potencial. Um treinador com o perfil ideal para agarrar o presente e conquistar o futuro, como se encontra bem definido no programa anotado. Também dediquei a aula/conferência ao presidente Jorge nuno Pinto da Costa. Jamais será esquecido pela onda de sucessos continuados ao longo do tempo da sua magna liderança, como não há exemplo no mundo do Futebol.

Ele que omite a palavra problema e enfatiza o termo desafio, transportando na alma as pegadas da sua experiência vivida e no rosto o certificado das vitórias alcançadas. Um autêntico guerreiro, que não obstante pelo desgaste do tempo, vai renovando a vida com uma mensagem de esperança, sendo capaz de tudo suportar, por isso a tudo se atreve. Mas, e como refere Augusto Cury “ quem vence sem correr riscos, triunfa sem glória”. Por isso um GANHADOR e por isso o cognominei de ETERNO!...

Tendo a presença dos meus 7 melhores alunos de cada turma da Licenciatura e Mestrado em Educação Física e Treino Desportivo e a turma de I.E.F. do curso de Gestão de Desporto do meu Instituto Universitário da Maia - ISMAI, acompanhados pelo Magnífico Reitor e Coordenadores de Curso, família do Sr Pedroto, ex internacionais de F.C.Porto, Diretores de Casas do Clube e demais convidados, foi exposto o tema supra mencionado.

Iniciei a temática com a relação entre o otimista e o pessimista, citando Henry Toreau (2005): “ se constróis castelos no ar, o teu trabalho não é em vão, é aí que devem ser construídos os teus castelos. Agora, não te esqueças, trabalha e utiliza o ferro, a areia, o granito e o cimento para que se sustentem. E o ferro e demais elementos referidos significam dignidade, comprometimento, coragem e dedicação e aí os teus castelos sempre suportarão as bases dos teus sonhos, que te levarão ao sucesso”.Como referiu Winston Churchill: “ a diferença entre um otimista e um pessimista é que um otimista vê a oportunidade em toda a calamidade. Um pessimista vê a calamidade em toda a oportunidade”.

Assim é que todos podemos fazer das oportunidades momentos soberanos para a concretização dos saberes, porque qualquer ideia magnífica poderá ser importante mas ao mesmo tempo insignificante caso não sejamos capazes de a transformar em prática (Richard Bach), e quando muitos se refugiam de ter ou não sorte, esta advém da oportunidade e da sua melhor preparação para ser obtida, porque também como referia Juvenal “audaces fortuna juvat” – a sorte protege os audazes. Referindo ainda Horácio: “a adversidade tem o efeito de fazer despertar os talentos que em circunstâncias próprias teria ficado adormecidos”, passamos a referenciar algumas das principais fontes para a obtenção do sucesso.

A primeira, e que no artigo de hoje passarei a enunciar, refere-se à Motivação. A considerar no imediato que só com o máximo empenhamento se poderá obter o máximo rendimento para alcançar o almejado êxito, permitindo com isso alcançar o futuro. Nestas circunstâncias, jogadores motivados na vida, acreditam que no próximo jogo continuará a ter boa prestação, tendo vontade que chegue o momento, sentindo-se fortes e convencidos, porque o líder lhes renova a confiança para o bom rendimento do futuro e que tudo lhes pode sair bem, pois todos neles acreditam, as suas sensações iniciais positivas acabam por reforçar o sentimento dum bom envolvimento para a tarefa.

Pelo lado contrário, um fraco empenhamento gera um fraco rendimento, tendo por consequência o insucesso e o futuro como pesadelo. Nestas circunstâncias, o jogador não saberá se será escolhido para continuar a jogar, julgando que o esforço será em vão, tendo medo de falhar e sentindo que o treinador o vai afastar, os nervos e a angústia fazem-no desacreditar e sentir-se fatigado, e as sensações negativas acabam por reforçar esse sentimento inicial. Perante um quadro desta natureza procurei enunciar algumas das diversas estratégias a utilizar para aumentar os níveis motivacionais: Uma delas tem a ver com máximo desempenho nas funções que são requeridas. Por vezes, situações que à partida se julgam pouco importantes deverão ser transferidas para um quadro de intervenção qualitativa, procurando de forma máxima enriquecer a resposta ou prestação a tomar, tendo em conta que a franca possibilidade para vencer e a incompetência para o fazer, são males do mesmo tamanho.

Outra estratégia a ser considerada tem a ver com o conhecimento de si próprio, de forma inteira. Será que nos conhecemos mesmo de forma absoluta, ou será necessário recorrer de forma frequente à auto-observação dos nossos comportamentos, anotando os registos ou inventários de competência exercida, ou porventura esquecida?! ... A propósito foi citado como ponto de reflexão, um poema de Fernando Pessoa:

“Para seres grande … sê inteiro!...
Nada de ti exagera ou exclui…
Sê todo em cada coisa!...
Sê quanto és no mínimo que fazes!...
… e se assim fores, a lua toda sorri para ti,
Porque alta vive”!...

A terceira estratégia enunciada tem a ver com a formulação de objetivos, desafiadores e progressivos de conquista, procurando tudo fazer para que os objetivos positivos possam perdurar no tempo, pois são estes que mais nos ajudam a concentrar no que pretendemos atingir e a esquecer no que devemos evitar, sabendo que o desejo de vencer nasce com todos nós, a vontade de vencer é uma questão de treino e a maneira de vencer uma questão de honra. As outras fontes para o sucesso que foram enunciadas e objeto de reflexão, serão tratadas na segunda parte deste tema.

José Neto: Metodólogo em Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F-U.E.F.A; Docente Universitário
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