Domingos quer mais dois reforços para o ataque

Belenenses 03-01-2018 17:13
Por António Barroso
Depois de assegurar as contratações de André Moreira (guarda-redes) e Bakic (médio), ambos por empréstimo, Domingos Paciência confirmou que dois reforços para o ataque.

«Não terá necessariamente de ser dois pontas de lança, pode ser um ponta de lança e um ala. Estamos a trabalhar nisso», disse em conferência de imprensa, onde também comentou a situação de Maurides, avançado que está há muito sem festejar um golo:

- Está numa fase menos brilhante. Eu também tive várias durante a minha carreira. Está a lutar para a ultrapassar e a trabalhar para isso.

A eficácia tem sido um dos problemas do Belenenses, mas Domingos acredita que «a sorte e o golo vão acabar por aparecer».

O técnico falava na antevisão ao jogo com o Portimonense: «Temos de ter cautelas contra um adversário com grande poderio em casa. É uma equipa experiente, com jogadores que desequilibram facilmente.»

Eis a conferência de imprensa realizada ao início da tarde desta quarta-feira, no Estádio do Restelo, na íntegra:

- O Portimonense tem sido uma das boas sensações da época, com bom futebol, o Belenenses vai em oito jogos sem ganhar. Como está a equipa que orienta, o que se pode esperar deste encontro?
- Sim, temos empates pelo meio mas não é por aí, pois trabalhamos para ganhar. O passado não é bom, mas se queremos mudar o futuro é no presente que temos de trabalhar. Sabemos que vamos defrontar uma equipa que, em casa, tem um bom registo, tem feito o seu campeonato em casa. É uma equipa com bons jogadores, que faz golos em casa. A nós compete-nos contrariar todo esse poderio que o Portimonense tem em casa, neste momento, e procurar fazer um jogo dentro daquilo que temos feito. O último jogo, com o Sporting, pode servir um pouco de referência para aquilo que temos de fazer em Portimão. Teremos de ter níveis de concentração, de querer e de entrega para conseguirmos ganhar o jogo.

- A receita passa então por transportar o que de bom fizeram diante do Sporting diante do Portimonense, mas com mais eficácia na finalização?
- Sim, a equipa sabe perfeitamente o momento que vive, o momento que quer ultrapassar. E sabe que constrói situações de golo, muitas flagrantes, e sabe que a que necessita neste momento é finalizar o jogo que acaba por criar. Há um esforço de todos. No futebol fica muito a responsabilidade dos golos pelos homens que jogam na frente, a verdade é essa. Acaba por ser maior para os que jogam na frente. Mas também os defesas e quem joga no meio-campo podem marcar, pois há lances de bola parada, e todos eles têm responsabilidade de fazer golos, quando as oportunidades aparecem. Temos de continuar, e acreditar que os golos vão aparecer e a estrelinha também vai aparecer: também algum dia teremos de ter sorte.

Avançado de equipa que luta pela manutenção tem de marcar 10 a 12 golos por época

- Os problemas na finalização e da menor eficácia não são de agora, são anteriores à sua chegada ao Restelo. Com que se prendem? Como resolvê-los? Foi um grande goleador, a que acha que se deve esta falta de eficácia?
- Nas equipas que lutam por determinados objetivos, é natural que um ponta-de-lança não vá fazer muitos golos. Se fizer 10 ou 12 golos por ano numa equipa que luta pela manutenção é muito bom. Os jogadores que ganham mais dinheiro são os que jogam na frente. Por isso é que essa qualidade, quando existe, terá de ser bem paga. É evidente que, dentro das qualidades de cada um, tentámos explorar, trabalhá-las e melhorá-las, para fazer com que os avançados fiquem mais jogadores, mais avançados. Sou da opinião que um avançado demora o seu tempo a ser consolidado. Mas isto é a regra, por isso é que raras são as exceções.

Jonas e Bas Dost destaque em fases mais adiantadas da carreira

- Como assim? Pode explicar melhor?
- Os mais novos, que aparecem e fazem a diferença, são logo vendidos, pois realmente são bons! Mas, diria eu, raras são as exceções que acontecem no futebol em relação aos avançados. Só aos 26, 27 anos é que atingem a sua maturidade e a sua consolidação como pontas-de-lança. Isso demora tempo, tarda. Vejam o caso do Jonas e do próprio Bas Dost: os números começam a aparecer aos 30 e tal. E há outros assim. Eu próprio, quando fui melhor marcador da Liga, já tinha 25 ou 26 anos. É um trabalho que tem de ser feito, e que eles têm de procurar, cada vez mais, serem melhores. Não há outra forma. Agora, no futebol, e nas equipas que lutam por estes objetivos, é natural que vão ter sempre essas dificuldades. Por isso digo que se houver um avançado que nessas equipas faça 10 ou 12 golos, essa equipa facilmente consegue os seus objetivos.

- Não deixa de ser incomum o melhor marcador da equipa esta época, até determinada altura, ser um central, Nuno Tomás, com dois golos, e depois um médio, André Sousa, com três…
- Devido a situações de bola parada. A distribuição de golos nestas equipas é muito importante. Quase todos já fizeram golos. Se calhar, os homens que jogam pelos corredores [extremos] também têm de começar a fazer golos. E nas minhas equipas os laterais também sempre fizeram golos. É uma distribuição da responsabilidade que tem de haver, que vem da própria forma de jogarmos, também leva a que tenham essas oportunidades.

O ocaso de Maurides, que confia passageiro

- O seu avançado bandeira e referência, Maurides, pouco tem jogado. Que se passa? Parece estar em baixo de forma, é isso? Como explicar? Que se passa com o goleador brasileiro
- O que faz um jogador é a regularidade. O Maurides teve períodos melhores, teve um período menos bom. É um jogador que precisa de confiança e de fazer golos para a ganhar. O Jesús Hernández também veio do futebol venezuelano, e a adaptação está a tardar um pouco: mas não deixa de ser um bom jogador, e de quem eu gosto. O Tiago [Caeiro] já todos conhecem, é referência de um clube e que está cá há muitos anos. Mas em termos físicos, se calhar, não será um jogador que neste momento possa fazer três ou quatro jogos seguidos, devido, também, ao tempo e percurso que tem tido no clube. O Maurides trabalha, o Maurides quer, e há-de conseguir! Também tive fazes menos boas na minha carreira e lutei contra isso: é aquilo que enfrenta neste momento, um momento menos bom. Porque capacidades ele tem e vai dar a volta e ajudar a equipa a fazer golos e a ganhar jogos.

- Voltando ao Portimonense: quais os pontos fortes do adversário? O ataque tem dado muito que falar, com o Nakajima…
- Sim. É uma equipa que, além de estar muito bem orientada, por um treinador bem experiente, tem também jogadores de boa dinâmica, jogadores de desequilíbrio fácil, casos do Paulinho ou do Nakajima. São jogadores que facilmente saem do um contra um. Depois, é a velocidade e a criação de espaços que conseguem provocar no jogo, em especial do meio-campo para diante. É uma equipa que nos inspira alguns cuidados. Quando estão inspirados, os seus jogadores podem criar problemas, até com os grandes se viu essa dinâmica, nos jogos deles quer com o Benfica, quer com o FC Porto, quer com o Sporting. Viu-se esse virtuosismo da parte deles.

A razão dos reforços já garantidos

- Mas entretanto Juanto desvinculou-se do clube. É menos um avançado…
- Nesta altura, ao mexer, estamos a querer equilibrar o plantel em algumas posições. Porque infelizmente tivemos lesões chatas este ano, os casos do Tandjigora e do próprio Muriel: por isso vieram o Marko Bakic e o André Moreira. Vamos procurar melhorar naquilo que a equipa necessita e naquelo que, vós tendes visto, ser evidência: a equipa precisa de golos e de gente que os faça. É natural que há uns que estão menos contentes porque não jogam, e têm de procurar outro espaço para o fazer. Com a saída deles, vamos procurar colmatar aquilo que é a necessidade da equipa e que a equipa precisa de colmatar…

- E o regresso de Bakic, o que pode trazer à equipa? O que espera dele? Já conhece o clube e a equipa, militou no clube há duas época…
- A ideia é procurar que volte a fazer no tempo que passou aqui e naquilo que o define como jogador. É um 8 ou 10 que pode dar um jogo diferente à equipa naquela zona do campo. E a preocupação também foi trazer um jogador do qual os adeptos gostam: passou por aqui e teve bons momentos. Já conhece o clube, em termos de adaptação isso é importante. Com os problemas físicos do Bouba [Saré] e a lesão do Tandjigora precisávamos, também, de mais um médio. Acho que encaixa na perfeição. Não tem estado a jogar, esteve muito tempo parado. É, neste momento, preocupação minha e dele recuperar o nível competitivo. É isso que neste momento nos deixa de pé atrás em relação à sua utilização em jogo, logo que possa, mas esperemos que esteja bem. Quando voltará a jogar? Mal sinta que esteja bem, Bakic poderá ser uma opção para jogar.

Os golos e os pontas-de-lança

- Olhando para o plantel, o que lhe falta para satisfazer as suas pretensões para a equipa, além de pelo menos um avançado ou homem de ataque, como já deixou implícito?
- Sim. A ideia seria mais um ou dois avançados, mais um ou dois homens para a frente, por forma a que a equipa tenham mais soluções na frente e haja mais competitividade também na frente. Isso é uma das minhas vontades, e do presidente, no sentido de que esses jogadores venham. Pode ser um ponta-de-lança e mais um ala. Com a saída do Juanto, logo veremos as opções de mercado. Não é uma fase fácil para reforçar uma equipa….

- Porque considera isso?
- Porque para sair de onde está, terá de ser alguém que não joga regularmente onde está, ou é alguém que está numa fase de contrato em que está a terminar e precisa de jogar, e os seis meses são bons para recuperar a carreira… ou jogadores que vêm de lesões. Nesta altura, que está a jogar não vai sair, nem para vir para o Belenenses, nem para ir para qualquer outro lugar algum! É uma fase em que também na América do Sul, e no caso concreto do Brasil, as provas estão paradas. Não é uma fase boa para trazer jogadores do Brasil, pois com esta paragem precisariam sempre de um mês para um jogador voltar a recuperar níveis físicos. São situações sempre equacionadas e procuramos escolher o melhor. Felizmente, tínhamos estas duas opções, quer o André Moreira, quer o Bakic, mas não há muitas situações mais como estas. Logo veremos. Van Basten e Batistuta? [risos] Já não podem…
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