O caminho para a excelência (artigo de José Neto, 57)

Espaço Universidade 11-10-2017 21:31
Por Redação
Nos dias de hoje, em que as curvas do tempo aguçam um sentido de grande exigência para as funções que nos são requeridas, atingir o estatuto de bom no cumprimento das tarefas, será suficiente para qualificar o resultado conseguido?

No Desporto como na vida Empresarial ou Comunitária os índices que qualificam esse módulo referencial “obrigam” a um exigente conjunto de pressupostos em que se tornam indispensáveis a capacidade de autocrítica, pela avaliação de comportamentos com base duma humanização por via do elogio e a capacidade de resiliência no sentido de ver superadas as adversidades existenciais, fazendo das fraquezas forças, convertendo as adversidades em oportunidades, fazendo duma situação de crise um fenómeno de adaptação enriquecida pelos atributos ministrados.

A humilhação pública por um resultado consequentemente negativo, podem gerar uma insatisfação momentânea sem dúvida, mas também poderá também servir de “arma de arremesso” para a criação de atitudes arrebatadoras com vínculo de sucesso garantido, pois as experiências negativas vividas podem ajudar a reencontrar esse caminho com a generosidade de quem lhe assiste de forma até mais segura, porque melhor estruturada.

Outra vertente a ter em atenção para trilhar o caminheiro para a excelência, pudemos defini-la como o altruísmo, expressão de generosidade por aqueles que nos rodeiam, respeitando o valor da diferença pela descoberta solidária e tolerante dos valores da sua identidade marcada pela personalidade individual, reconstruindo por uma renovação de comportamentos todo um potencial que possa garantir sucesso.

Uma outra constante em apreço é o valor do carisma associado à gestão da emoção, sendo capaz de ver ultrapassados os medos, inseguranças, angústias, pessimismos depressões, não se exigindo o que não é possível de momento atingir, fazendo, contudo, do exercício, do treino e do trabalho, a arte contemplativa e ilustrada dos valores onde reside o habitáculo para o êxito.
Para a obtenção destes objetivos difíceis, porque encorajadores, termos que contar com gente, cuja diferença seja justificada pela definição entre ser simplesmente bom, ou ser potencialmente excelente profissional:

Um bom profissional executa a tarefa solicitada pelo respeito, ética e disciplina pelo plano traçado, enquanto um excelente profissional é capaz de ultrapassar essas premissas com ousadia, coragem na descoberta de novos caminhos, tentando ir ao encontro do imprevisível, influenciando os seus companheiros de grupo/equipa.

Um bom profissional corrige os erros, tratando os sintomas das anomalias detetadas. O excelente profissional tudo faz para evitar o conflito, prevenindo-o, manipulando a arte de questionar as razões e tratar de ver no sucesso obtido uma importante fórmula de reiniciar um novo processo, reinventando situações que permitam confirmar essa arte de fazer bem feito, conectado com a intuição para atingir a excelência. Para estes, as crises começam a ser concebidas no auge do sucesso e a gestão dos fracassos inicia-se sob os aplausos do pódio, retirando a sabedoria dos erros, alegria das dores, a força das deceções (Cury, A. 2008).

Bons profissionais, geralmente gastam muito tempo a olharem-se ao espelho da sua imagem de glória. Os excelentes profissionais valorizam com frequência a força do coletivo, promovem o código do altruísmo, arrebatando com a generosidade do conhecimento a arte da dúvida, fazendo do sucesso o princípio de toda a causalidade.

A título de exemplo e dada a fundamental importância, pelo rendimento e resultados dos jogos da nossa seleção no sentido do recente apuramento para o Mundial da Rússia 2018, creio mesmo, que estamos perante excelentes profissionais.

A acrescentar o capital de magistratura de liderança do nosso selecionador Engº Fernando Santos que manipula a arte de ser, por um código de valores onde habita uma sólida estabilidade emocional, que permite encorajar e estimular, e através duma generosa convicção para o êxito, é capaz de fazer reunir em cada gota de suor dos nossos campeões, paixão, rebeldia, consciência, amor e razão. Como temos vindo a confirmar, transformar a crença num desejo que faz renascer a convicção para a conquista do êxito, tem sido uma estratégia pessoal de forte aplicabilidade, consagrada numa narrativa de ambições que a história sempre fará recordar. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente um excelente profissional.

Também na figura do nosso capitão Cristiano Ronaldo, (máximo representante de toda uma equipa coesa e dinâmica), como por vezes tenho repetido, parece que revela com o jogo uma linguagem de amor e raiva no toque da bola, coroado por um semblante onde se vislumbra felicidade.
De um momento para o outro a virilidade, o talento, a agressividade se transforma em gestos de harmonia e com uma eficácia emocionalmente excitante, transferindo para o grupo uma renovação de estímulo para a conquista do sucesso. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente, um excelente profissional.

Outro nome que importa fazer realçar, o Prof. Doutor José Carlos Noronha na liderança da Unidade de Saúde e Performance das nossas Seleções.
Articula e cultiva como ninguém a nobreza do seu silêncio como expressão de esplendor. Habita no Professor Noronha a arte de fazer reacender a chama do sucesso daqueles que lhe “passam pelas mãos” e também pelo coração.
Na certeza das suas convicções, reside a sabedoria na arte da medicina e traumatologia desportiva, logo meio caminho andado para produzir o êxito. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente um excelente profissional.
Sem dúvida, e por inteira justiça devo referir o nosso Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Campeão dos Campeões, Dr Fernando Gomes. Simboliza a imagem que bem retrata uma serena tranquilidade, na forma inteligente como gere a liderança, responsavelmente partilhada.

Como magistratura de influência, indicia uma autêntica fonte mobilizadora onde a perseverança, civilidade, astúcia tem marca registada, e que a imagem do tempo tem vindo a consagrar e nós portugueses, tanto aplaudimos. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente, um excelente profissional.
Uma referência especial para o Diretor Geral da Federação Portuguesa de Futebol, Dr Tiago Craveiro, um autêntico desmultiplicador por excelência das competências que lhe são atribuídas.

A Football School, ou Academia da F.P.F. recentemente criada com o objetivo de qualificar de forma mais profícua e competente as funções dos agentes desportivos, na promoção e o desenvolvimento do Futebol em Portugal, quer na formação de Treinadores, Arbitragem, Dirigismo, Saúde e Performance, Investigação e Desenvolvimento, implementando parcerias com instituições do ensino superior, para formação contínua e pós graduada, é um dos muitos exemplos da mestria do Dr Tiago Craveiro, que importa fazer realçar e também aplaudir, mas de pé!... Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente, um excelente profissional.

A nossa Federação também aqui assume categoria mundial no seu míster.
Este apuramento para o mundial na Rússia 2018, é prova inequívoca que a Federação Portuguesa de Futebol está a rasgar com estilete de aço os traços duma exemplar identidade nacional, que a história do tempo vai convertendo numa organização em regras, as regras em disciplina, a disciplina em resultados e os resultados em SUCESSO.

VIVA PORTUGAL

José Neto: Metodólogo de Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F./U.E.F.A.; Docente Universitário.
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