Futebol nacional reforça prestígio com Fernando Gomes na FIFA (artigo de Aníbal Styliano, 35)

Espaço Universidade 22-09-2017 18:16
Por Aníbal Styliano
A nomeação do Presidente da FPF, para o Comité Execut ivo da FIFA e indigitação para ser eleito Vice-Presidente, no próximo Congresso Extraordinário, da entidade que tutela o futebol a nível mundial, além do prestígio e mérito pessoal pelo desempenho e eficácia do modelo de gestão pode servir também como alavanca para desenvolvimento e reconhecimento do universo do nosso futebol e do próprio país.
De facto, a nível das Seleções nacionais, a FPF é um caso de estudo de sucesso a nível geral: das seleções jovens à seleção “A” do futebol masculino, ao excelente trabalho realizado nas seleções femininas e ainda a enorme qualidade das seleções de futsal e do futebol de praia (em 14.09.2017, Portugal ocupou lugar no pódio do ranking da FIFA, para seleções de futebol).

Foi essa liderança que alcançou.

Muitos parabéns Presidente por tão importante distinção.

Nova fase deverá ocorrer no nosso futebol, após as próximas eleições federativas.

Fernando Gomes passará certamente a integrar “outro campeonato”, em exclusividade absoluta e progressiva.

A impossibilidade de imitação é um dado adquirido.

Cada liderança, mantendo a coerência e sabendo integrar a herança recebida, terá de procurar encontrar o seu próprio caminho para preservar o património obtido.

Ao trabalho das seleções, o futuro líder do executivo da FPF deverá ambicionar também repetir os êxitos financeiro e do modelo de gestão, mas também procurar ir mais além, envolvendo e unindo nas divergências para uma mais ampla responsabilização, derrotando problemas e sinais do nosso tempo, bem urgentes:

- A conflitualidade, a violência que invade o futebol nos estádios e fora deles, vandalismo, lutas, intolerância, ilegalidades envolvendo grupos de adeptos, fundamentalismos, clima de guerra e declarações “incendiárias” e nefastas, decisões questionáveis, em relação à uniformidade dos critérios, dos órgãos de disciplina e de justiça, que a não serem resolvidas com eficácia se podem tornar um adversário perigoso e destrutivo.

Protagonismos autoritários, egoístas, nunca trazem benefícios, antes desunião e lutas permanentes onde o bom senso e a sabedoria, lamentavelmente, ficam fora-de-jogo.

Por isso, a grande importância das próximas eleições para a FPF.
Não se pode falhar na escolha do “melhor plantel” para servir o futebol! Há tempo suficiente para conseguir evitar aventureirismos de grande risco.

O diagnóstico está feito e o Presidente da FPF tornou públicas algumas prioridades: “É necessário que os clubes deixem de permitir que a sua história e a sua força sejam capturadas para a apologia do ódio”; “É com profundo lamento que o escrevo: existem sinais de alarme no futebol português”; “Ninguém pode ficar de fora desta responsabilidade.” (Fernando Gomes, “É tempo de responder aos sinais de alarme”, in A BOLA/22.09.2017)

Agora o mais importante e urgente é construir a terapia adequada e competente, caso contrário desperdiça-se o diagnóstico, a reflexão e as medidas eventualmente indispensáveis perdem validade, pois como também foi escrito nesse artigo: “Há muito para fazer no futebol português”. Mesmo muito!

Com uma visão integrada, global e estruturada, podem alcançar-se os lugares cimeiros em todas as áreas.

Temos treinadores, jogadores, dirigentes, diretores desportivos e membros nas comissões da UEFA e da FIFA, espalhados pelo mundo que merecem a admiração que lhes é reconhecida e que prestigiam o futebol nacional (O mítico “Quinto Império”, indestrutível e liderado por Portugal, como previram Bandarra, Padre António Vieira e Fernando Pessoa, que se afirma como possibilidade, num desporto onde a língua portuguesa é sinal de talento e de genialidade).

O futebol português, unido nos objetivos e nas estratégias, otimizando quadros competitivos, apoiando todos os clubes, potenciando a formação dos jovens jogadores e dos diversos agentes do futebol com novo modelo evolutivo ajustado às nossas realidades e metas a perseguir, tem todas as condições para se tornar e manter um exemplo à escala planetária.
Importa manter o rumo seguro, convencer nas diferenças, valorizar o contraditório coerente e fazer o que Fernando Gomes exclamou no momento em que foi nomeado para o Comité Executivo da FIFA:

“Procurarei de forma construtiva continuar a focar-me nos resultados das tarefas que me são confiadas com sentido de missão”.

O sentido de missão deverá ser um referencial imprescindível para o nosso futebol e um exemplo para o desenvolvimento do país.

Sem isso, seria preferível nem entrar nas equipas do jogo fantástico que a todos nos seduz.

Aníbal Styliano é Professor licenciado em História; treinador de futebol nível IV UEFA Pro Licence; diretor pedagógico da Associação de Futebol do Porto; membro da comissão de formação da Federação Portuguesa de Futebol e do conselho consultivo da Associação Nacional de Treinadores de Futebol
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