Lufinha e Brandt batem recorde mundial de travessia em kitesurf

Mais Desporto 13-09-2017 23:40
Por Miguel Candeias
Missão cumprida! Apesar de ter levado o dobro do tempo inicialmente planeado, primeiro devido à falta de vento e depois porque quando este surgiu foi sempre forte e de proa, o que obriga a uma navegação de bordos e muito mais desgastante para quem vai num kitesurf, o português Francisco Lufinha e a alemã Anke Brandt, chegaram esta quarta-feira à Marina de Oeiras para completar os 1.646 km da travessia em kitesurf que ligou Ponta Delgada, nos Açores, ao continente para num recorde mundial de distância em dupla/revezamento.

«É incrível! É mesmo incrível! Muito obrigado a todos», começou por agradecer Lufinha face à efusiva receção de cerca de 200 pessoas, entre as quais a ministra do Mar Ana Paula Vitorino, que os esperavam na Marina de Oeiras e após, juntamente com Anke, que nesta reta final também vinha noutro kite, ter tido o acompanhamento de uma fragata da Armada.

«Estivemos dez dias no mar numa coisa que poderia ter durado quatro ou cinco. Ficámos sem vento, a boiar no mesmo sítio três dias em frente à ilha de São Miguel. É linda, mas não saíamos dali. Isso foi muito duro. Eramos oito no barco [de apoio] e mais um na água e agora chegamos aqui e temos esta multidão a puxar por nós e a mostrar que reconhecem o que fizemos. É inacreditável. Obrigado», disse Lufinha, visivelmente desgastado, enquanto era aplaudido e saudado.

«O vento fraco foi um dos obstáculos. Depois tivemos algumas avarias no barco. Até já não conseguíamos fazer água doce», conta. «À uma da manhã – eu estava a dormir – os cabos de um kite enrolaram-se na hélice do barco e esse kite foi à vida. Depois, quando finalmente apareceu o vento… vinha de proa. Era o pior possível. Fizemos 1500 km sempre a navegar e a lutar contra o vento e ondas a empurrarem-nos para o lado», vai contando o velejador perante a multidão.

«Outra coisa chata, como nos atrasámos, nestes últimos três dias não havia lua nem luz até depois da meia-noite. É basicamente ir a fazer kite de olhos fechados. Sempre a cair e com água salgada na boca, olhos e mãos. Completamente desfeitos. Foi muito tempo no mar e o vento a não cooperar». Acrescenta.

Então o que foi bom? «Esta receção foi, de longe, a melhor parte», responde o que motiva novos e efusivos aplausos. «E o feeling de andar à noite no meio do Oceano Atlântico com a lua cheia e o reflexo na água. Senti-me um Vasco da Gama: ‘Vamos à luta, há de haver ali terra’. Claro que para nós é mais fácil porque sabemos que há. Essa sensação não tem preço e é por isso que faço isto. Por esta paixão pelo mar», concluiu.
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