Leia Dongue (Moçambique) e Italee Lucas (Angola) no cinco ideal do FIBA AfroBasket Feminino (artigo de Eduardo Monteiro, 21)

Espaço Universidade 02-09-2017 23:41
Por Redação
Decorreu recentemente (18 a 27 de Agosto) em Bamako, capital do Mali, a prova máxima do basquetebol feminino do continente africano, com a participação da elite das representações nacionais, distribuídas por dois grupos, que se encontravam posicionadas de acordo com o ranking mundial da FIBA da seguinte forma:

Grupo A - Angola (18ª), Mali (23ª), Camarões (38ª), Costa do Marfim (53ª), Tunísia (62ª) e República Centro Africana (sem pontuação para entrar no ranking).

Grupo B - Senegal (17ª), Moçambique (26ª), Nigéria (42ª), Egipto (60ª), Guiné (62ª) e República Democrática do Congo (67ª).

O sistema de competição decorreu em duas fases, a primeira, a fase de grupos, em que as equipas do mesmo grupo jogavam todas umas com as outras e a segunda, em que as primeiras quatro classificadas de cada grupo disputavam por eliminação directa os quartos de final, as meias finais, a terceira posição e a final, para a atribuição do título africano. Ficaram apuradas para a segunda fase as selecções de Angola, Camarões, Costa do Marfim, Egipto, Mali, Moçambique, Nigéria e Senegal.

Quartos de Final:
Nigéria – 98 Costa do Marfim – 43
Moçambique – 61 Angola – 47
Mali – 90 Egipto – 50
Senegal - 71 Camarões – 58

Meias Finais:
Nigéria – 48 Mali – 47
Senegal – 72 Moçambique – 52

Apuramento do 3ª classificado:
Mali -75 Moçambique – 52

FINAL
Nigéria – 65 Senegal – 48

Digamos que a grande surpresa da competição ocorreu, durante a disputa dos quartos de final, com a eliminação de uma das grandes favoritas, a selecção de Angola, ao ser derrotada pela congénere de Moçambique que, por sua vez, não resistiu à então campeã africana, a selecção do Senegal, nas meias finais. A representação da Nigéria foi a grande surpresa da prova e uma justa vencedora do campeonato após ter vencido nas meias finais outra favorita, a equipa da casa, a selecção do Mali e na final ter destronada a formação campeã, a do Senegal.

Deste modo, a classificação final ficou assim estabelecida:
1º Nigéria, 2ª Senegal, 3ª Mali, 4ª Moçambique, 5ª Costa do Marfim, 6ª Angola, 7ª Egipto , 8ª Camarões, 9ª R.D.Congo, 10ª Guiné, 11ª Tunísia, 12ª R.C. Africana. As duas selecções finalistas, Nigéria e Senegal, ficaram apuradas para disputar o FIBA Women´s Basketball World Cup 2018, a realizar de 22 a 30 de Setembro do próximo ano em Espanha.

Se olharmos para o historial da competição (dos 21 eventos reconhecidos pela FIBA)) verificamos que a hegemonia do Senegal, ao longo dos anos, tem sido a nota mais saliente desta competição (AfroBasket Feminino): Senegal (1974, 1977, 1979, 1981, 1984, 1990, 1993, 1997, 2001, 2009 e 2015) (11 títulos); República Árabe Unida (1966 e 1968) (2 títulos); Zaire (1986 e 1994) (2 títulos); Nigéria (2003 e 2017) (2 títulos); Angola (2011 e 2013) (2 títulos), Madagascar (1970) e Mali (2007).

A senegalesa Astou Traore foi eleita MVP (jogadora mais valiosa) do campeonato com uma média por jogo de 21 pontos, 5.6 ressaltos, 2.3 roubos de bola e 1.3 assistências. Também, foram eleitas para o cinco ideal da prova as lusófonas Leia Dongue (Moçambique) (16,9 pontos, 7,6 ressaltos e 1,6 assistências) e Italee Lucas (Angola) (15,4 pontos, 5 ressaltos e 2,4 assistências), o que significa que em terras moçambicanas e angolanas ainda se faz boa formação com as jovens praticantes de basquetebol. As outras duas jogadoras eleitas para o cinco ideal foram Evelyn Akator (Nigéria) (15,3 pontos) e Naignouma Coulibali (Mali), melhor ressaltadora da prova com um total de 77 ressaltos conquistados na luta das tabelas.

Nos diversos AfroBasket das senhoras, tem-se verificado o aparecimento de jogadoras que integram as diferentes selecções femininas africanas com antecedentes familiares de diferentes gerações. A influência familiar nas opções do encaminhamento para a prática desportiva funciona, no bom sentido, com enorme acentuação no basquetebol feminino. Neste evento, até surgiram quatro duplas de irmãs em outras tantas selecções: Naignouma e Mariam Coulibaly (Mali), Kani e Mariama Kouyate (Costa do Marfim), Mame Marie e Sokhna Sy (Senegal) e as irmãs Weledji (Camarões).

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais
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