Lendas que resistem a tudo (artigo de Aníbal Styliano, 29)

Espaço Universidade 15-08-2017 11:39
Por Aníbal Styliano
Maradona como futebolista atingiu as maiores distinções, obteve os maiores títulos, só ao alcance de predestinados à escala mundial. O seu talento em campo atingiu momentos de perfeição e de magia única. A sua participação na qualidade do jogo das equipas que integrou foi determinante, revelando sempre o seu poder de influência, de genialidade e de talento natural. Desde muito novo encantou o Planeta. O Futebol passou a contar com mais um “Deus do Estádio”. Nasceu assim, como sopro inspirado por dádiva suprema. Na sua Argentina chegaram mesmo a criar um culto “à divindade Maradona”. A Lenda tornou-se imortal.

Após o final da carreira como jogador, fruto também de carência de acompanhamento adequado, Maradona criou “lances” que foram o oposto da beleza do seu futebol. Polémicas, insultos, comportamentos e atitudes nada edificantes, conflitos públicos com outros grandes jogadores, fortes acusações à FIFA e seus dirigentes, em função dos apetites do momento e de gente que se aproveitou da sua “ingenuidade”.

Sem limites nem regras, o rumo apontava para o precipício… ao qual desceu algumas vezes. De forma inesperada, a FIFA (por estratégia de unanimismo?) convidou-o para desempenhar funções de embaixador da instituição para defender um futebol “limpo” e prestigiado. Mas Maradona, o cidadão já não o jogador, continua imprevisível e com tendências para exageros (no futebol, características excelentes mas no exercício das suas novas funções, pouco oportunas) sem apoios e formação para os controlar e superar.

Maradona é livre de dizer o que pensa e o que lhe apetece… convém só recordar que tem de assumir as responsabilidades pelas funções ao serviço da FIFA. Tem direito a emitir opiniões e posicionamentos políticos e sociais. Tenho dúvidas se as pode emitir sem equacionar inerências de ser embaixador da FIFA e da sua grande bandeira: Fair Play. Não teria sido mais adequado ponderar o que diz (como jogador não precisava pois no campo tudo lhe saía espontâneo, natural e genial), dado que as suas afirmações serão sempre mediatizadas?

Alguém da FIFA terá conversado com ele sobre as exigências da função? Provavelmente, com esta nova moda de tentar eliminar toda a oposição, todos os descontentamentos públicos (para obter consensos de 100%, custe o que custar), acreditam que o que não se fala não existe, acabando por se desvanecer no esquecimento… morrendo na memória profunda. A Lenda resistirá sempre a tudo: como jogador, Maradona é um dos imortais do Olimpo do Futebol.

O cidadão Diego Maradona (já não o jogador) corre o risco de se ir apagando, de se banalizar, de ir sendo utilizado ao sabor de interesses sempre desconhecidos… mas a Lenda que criou nunca se apagará.

Aníbal Styliano é Professor licenciado em História; treinador de futebol nível IV UEFA Pro Licence; diretor pedagógico da Associação de Futebol do Porto; membro da comissão de formação da Federação Portuguesa de Futebol e do conselho consultivo da Associação Nacional de Treinadores de Futebol
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