Toquem as trombetas … a Festa vai começar!...(artigo de José Neto, 54)

Espaço Universidade 04-08-2017 10:17
Por José Neto
…e depois de lamber as feridas pelas derrotas sofridas … de saborear o néctar das vitórias conseguidas … de romper ilusões e obter convicções – é a hora de “arregaçar as unhas” e ir à luta!...

A terminar o período por uns chamado preparatório, por outros pré – época, por ainda outros, cognominado como sendo a primeira fase da época, ou como o que lhe queiram chamar, o que daqui pode resultar para a consecução de objetivos de conquista que os clubes formulam para a época 2017/18?

Todos verificamos que nesta primeira fase, todas as equipas, de acordo com os orçamentos estabelecidos e objetivos formulados, procuraram “à sua maneira” reunir um conjunto de situações capazes de efetuar um encontro comum, envolvendo num estágio mais ou menos longo, as hipóteses mais disponíveis para criar um espírito de grupo sólido e que pudesse ser enriquecido e reforçado por essa identidade coletiva, associada á exigência de padrões de liderança interna.
Também se torna propício esse tempo, para uma melhor inserção de novos membros, capazes de construir um elo de proximidade mais forte, associando a validação pela avaliação de competências psicológicas, sociais, técnicas, táticas, biológicas, etc, e especialmente para iniciar a construção de traços de identidade próxima, perante o símbolo dum clube portador de valores éticos e deontológicos se lhes exige e responsabiliza.
Geralmente todos os clubes optaram por realizar estágios, procurando associar à planificação das cargas específicas de treino a realização de jogos, competindo com equipas de maior ou menor dificuldade de exigência.
Algumas equipas procuraram realizar algumas competições com um grau de dificuldade crescente, na tentativa de obter resultados positivos e com isso valorizar os seus índices de confiança.
Essa causalidade do rendimento no êxito conseguido, poderá sem dúvida originar uma tomada de consciência mais apelativa para a otimização do sucesso no futuro imediato e que, julgo eu, poderá também funcionar como dínamo nesse compromisso vitorioso das respostas experienciadas.
Outros clubes de maior dimensão estrutural e candidatos a patamares de excelência competitiva, retirando vantagens económicas, procuraram associar ao estágio competições em torneios de nível internacional e que, pela mais valia dos adversários, se dispuseram a correr o risco de acusar um rendimento e resultado, em desconformidade com possíveis expectativas à priori criadas.
Temos exemplos bem expressos do que acabei de referir.
A pergunta que se pode fazer neste momento é a seguinte: qual a importância que se pode imputar a equipas cujos rendimentos e resultados foram negativos? Equipas cujos rendimentos foram negativos mas os resultados positivos? Equipas cujos rendimentos foram positivos e os resultados negativos?
Tudo isto envolto noutros dados que não podem deixar de ser equacionados, como seja o conjunto de jogadores disponíveis para a competição, a inserção de novos jogadores e / ou jogadores que advêm de competições próximas ao nível das seleções ou de possíveis estados de reaparecimento após lesão, etc…
A resposta é simples: depende!...
Sabemos que ninguém é capaz de amordaçar a imagem negativa, do que o próprio que a transporta. Daí a necessidade, perante as derrotas, de saber como filtrar os estímulos que desaguam na incompetência testemunhada pelos maus resultados. Por vezes há quem se perca no egoísmo tipo “calimero”, cujo conformismo apresentado, não é suficiente para reconstruir argumentos no sentido de reescrever a sua história na história das suas vidas. Esses ficam com a viagem marcada e geralmente são dispensados para outras andanças.
Não tenho dúvidas que qualquer derrota, mesmo desvalorizada pelo seu líder, pode ser objeto de preocupação, inquietação, dúvida e geralmente perturbadora, caso se veja repetida. E quando o medo de perder supera a vontade de ganhar, quase sempre se perde e no imediato começam a habitar no balneário e fora dele, alguns prisioneiros da descrença. Contudo, poderá também acontecer que, a adversidade perante os resultados negativos, a equipa seja capaz de reagir através dum estímulo renovador pelo despertar coletivo de novas matrizes de competência, transferindo as dificuldades em oportunidades para uma nova cultura de exigência.
Por outro lado, também se sabe que uma cultura de êxito das vitórias conseguidas, gera mais satisfação, otimiza o estado de convicção e perdura mais no tempo. Até porque como ao longo do tempo tenho referido: “ atletas bem- sucedidos, são mais capazes de atingir e controlar o sucesso em causas onde a estabilidade impera, o sentimento de orgulho e a autoestima vigora e a experiência decorrente das participações efetuadas o regista, vendo-se aumentado o seu grau de comprometimento. Aliado a isto, a capacidade de envolvência de pessoas significativas que possuem uma identidade ganhadora, permite absorver um estado de referências positivas, pela imediata transferência duma modelagem comportamental onde habita o sucesso”.
Uma nota de importante referência para a mensagem do treinador colocado perante este estado de acontecimentos. Está descrito que qualquer mensagem para que atinja um objetivo de assertiva resposta, deverá estar revestida de clareza, exposta de forma otimista e positiva e sem duplo significado, com um intencionalidade operante, cuja expressão verbal e não verbal tem de demonstrar coerência, devendo separar os factos das opiniões, não conter segundas intenções, bem sintonizadas com objetivos positivos de conquista, sendo contudo dotada de abertura e flexibilidade.
Por vezes a credibilidade do treinador fica afetada por uma resposta emocionalmente traída por um desespero inoportuno e as respostas no jogo caiem como “fruto já apodrecido”. Porém, o treinador com um discurso movido pela autenticidade e coerência dos facos apurados pode ser fonte mobilizadora do êxito a conseguir.
É claro que tudo isto faz parte da identidade do treinador como comunicador e líder e como utiliza o tipo de comportamento da liderança no seu desempenho … de instrução e treino, de forma democrática, recompensadora, autocrática, de apoio social, explorando a preceito com inteligência, empatia, motivação intrínseca, flexibilidade, ambição, autoconfiança e otimismo, os seus atributos.
Os fatores ambientais e emocionais, as experiências passadas, a cultura, educação e formação do treinador, a importância de cada jogo em termos classificativos, o desempenho associado à personalidade do jogador, etc, ocasionam situações que não podem ser apresentadas como norma, pois cada qual responde de acordo com a sua própria identidade.
Essa capacidade para refletir, antecipar, planificar, analisar e decidir perante situações de stress, incerteza e ambiguidade, e seja ainda capaz de transformar a sua mensagem numa força aglutinadora passível de despertar o sucesso, transportando na alma as pegadas da experiência vivida, sem conhecer os atalhos para o facilitismo, que não usa os lamentos para afagar as ideias e as desculpas para esconder as fraquezas … aí temos um perfil do treinador ideal, capaz da fazer da sua equipa candidata entre as candidatas a atingir a bitola do sucesso.

Por aquilo que tenho vindo a registar no decorrer deste tempo ainda curto, é certo para fazer uma apreciação coerente, estou seguro que estamos muito bem servidos e mais … creio mesmo que vamos ter surpresas muito agradáveis em termos de classificação final neste campeonato que agora está aí à portinha.
Toquem as trombetas … a festa vai começar!...
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