Estádio Olímpico de Atenas (artigo de João Marreiros, 5)

Olimpismo 26-07-2017 00:31
Por João Marreiros
Também conhecido como o Estádio dos Panatenaicos está situado no centro da cidade de Atenas, ao Norte da Colina de Arditos, logo ao princípio da Avenida Rei Constantino. Aproveitando a topografia do terreno envolvente, foi edificado no mesmo lugar do Estádio dos Panatenaicos, entre os anos 330-360 a.C., por iniciativa do orador Licurgos (396-323 a.C.) e desenhado por este, especialmente reconstruído sob as fundações praticamente arruinadas, tendo sido uma réplica exata dos estádios dos Jogos Panalénicos do Século de Péricles (governante de Atenas de 448 a 431 a.C.) onde se realizavam Jogos desde o século IV a.C., dedicados à celebração das Panateneias, os Jogos Panalénicos. O Estádio em forma de U tinha duas retas de 192,27 metros, como em Olímpia.

Foi renovado em 131 d.C. por Herodes (101-177 d.C.), o Ático, e é totalmente construído em mármore das propositadas reabertas pedreiras do vizinho Monte Pendeli, com uma altitude de 1.109 metros, situado a nordeste de Atenas. Adquiriu a forma primitiva no ano de 1896, depois da valiosíssima doação de quatro milhões de dracmas em ouro, do empresário grego George Averoff (1815-1899), para que o Estádio ficasse concluído a tempo dos Jogos Olímpicos de 1896, tendo aquela obra a notável capacidade para 69.000 espectadores. As suas dimensões são de 260 m de comprimento por 140 m de largura. George Averoff está justamente perpetuado em estátua também em mármore, perto da entrada do recinto.

A reta da pista tem 206 metros de comprimento e 83 metros de largura, com curvas muito apertadas, com uma circunferência de 33,35 metros, o que obrigava a reduzir muito a velocidade para não irem parar em cima dos espectadores. Por razões de segurança, foi suspensa a corrida de 200 metros. Nos Jogos Olímpicos de 1896 correu-se no sentido dos ponteiros do relógio, e não no sentido contrário, como hoje é usual. As curvas são de facto muito apertadas, mas na Antiguidade não havia nem Râguebi, nem Futebol. No Estádio os espectadores têm um contacto íntimo com os atletas, podendo sentir o esforço e a respiração destes.

Apesar do abandono de Séculos, do pouco tempo disponível e das enormes dificuldades para organizar o primeiro encontro desportivo internacional autêntico em mais de 1.500 anos, os gregos, seja dito em sua honra, conseguiram preparar uma carreira de tiro, um velódromo, um cais para espectadores de provas náuticas, e naturalmente o Estádio. A pista foi preparada por Charles Perry, tratador dos campos de futebol de Stamford Bidge em Londres, mas deu-se-lhe pouco tempo; este teve dificuldade para encontrar materiais apropriados e o resultado foi uma superfície pouco compacta e seca.

O primeiro Estádio verdadeiramente olímpico foi o de Shepherd`s Bush, em Londres que mais tarde foi dado o nome de White City,e serviu de cenário aos Jogos da Olimpíada de 1908. Os homens do século XX consideraram o desporto como um elemento essencial da sua existência, destinado a completar harmoniosamente as suas faculdades intelectuais. Os desportistas de elite são chamados a participar nos Jogos Olímpicos todos os quatro anos... De Atenas, foi enviada uma delegação a Alexandria para pedir fundos a George Averoff, um comerciante rico, benfeitor, muito generoso de causas gregas. A delegação voltou com um milhão de dracmas, o suficiente para cobrir o custo da restauração do Estádio que fora construído perto do ano de 300 a.C.

Reconstruir o precioso estádio de Péricles em Atenas, um dos mais belos e célebres monumentos arquitetónicos da velha Grécia, onde outrora se tinha vivido proezas que a mitologia tornara inigualáveis, bem como servira de fundo noutros tempos a importantes acontecimentos políticos. Os arquitetos Anastásios Metaxás (1862-1937) e Ernst Ziller (1837-1923) meteram-se ao trabalho de reconstruir com impressionante minúcia o estádio antigo de Atenas, um magnífico estádio todo em mármore branco, por sinal o único no Mundo. A ajuda entusiástica da família real e principalmente o riquíssimo George Averoff, um grego expatriado no Egipto, tornou tal sonho realizável para que o Estádio de Péricles resplandecesse de novo na brancura puríssima dos seus mármores de Faros. A Grécia é um guia eterno pela causa da espiritualidade onde a ideia da colaboração universal une os povos e as gentes no ideal da Paz e da Liberdade.

Sendo a Grécia o berço da civilização Europeia, a filosofia, a arquitetura, a escultura, a poesia, o teatro e todas as manifestações do pensamento e da sensibilidade do homem europeu atual, tiveram na Grécia por mestres os grandes nomes de Sócrates (Filósofo 469-399 a.C.), Platão (Filósofo e matemático 427-347 a.C.), Fídias (Escultor 480-430 a.C.), Homero (Poeta épico que viveu no século VIII a.C.), Ésquilo (Dramaturgo 525-456 a.C.), Sófocles (Dramaturgo 496-406 a.C.), Eurípedes (Poeta trágico 480-406 a.C.) e muitos outros. Mas a Grécia é também um país alegre, com um clima muito suave, cheio de sol e de um mar tão límpido, que convida a férias. Formada por imensas ilhas é o país que mais praia pode oferecer.

As ruínas de um mundo devastado pelo tempo inflexível, sinais de homens e mulheres que nesses mesmos lugares amaram e sorriram, celebraram a alegria e o medo, adoraram os deuses. A Chama Olímpica simboliza a Luz de Apolo, o Sol que brilha e ilumina o Mundo inteiro. É a luz da coexistência e da competição pacífica. Do Estádio avista-se a Acrópole, o ponto mais alto da cidade de Atenas, com a sua coroa de gigantescas colunas de mármore, o Pártenon, a sustentarem o céu, aquele céu imenso e azul onde moravam os deuses da Grécia Antiga. Foi construída a Acrópole e outros famosos templos em grande parte, durante o famoso "Século de Péricles".

As maravilhas que o cinzel de Fídias (e de outros Fídias que o precederam e lhe sucederam) regera sobre as ossadas rochosas do monte, era um desperdício indesculpável e irremediável. Primeiro surgem as veredas orladas de pedras dispersas, através de olivais, alfarrobeiras e moitas de loureiro. O conjunto de colunas e capitéis que irrompem dos penhascos, numa homenagem (ou desafio?) aos deuses de Homero e Ulisses (personagem da Ilíada e da Odisseia de Homero, na mitologia grega), de Sócrates e de Heráclito (535-475 a.C.), considerado o “Pai da Dialética” este filósofo pré-socrático.

Se existe na Terra um lugar de perfeição, esse lugar é a Acrópole de Atenas onde se pode ver o Estádio Olímpico dos Jogos da I Olimpíada da Era Moderna, em 1896. E no dia 6 de Abril, após interrupção de precisamente 1502 anos nas 376 Olimpíadas, os Jogos Olímpicos recomeçaram com 241 participantes de 14 Comités Olímpicos Nacionais em nove modalidades. O Rei Jorge proferiu as seguintes palavras sacramentais: "Declaro inaugurados os Jogos da primeira Olimpíada". A seguir troou um canhão, pombos foram soltos e, velozes riscaram de branco o céu sobre o Estádio, dispersos primeiros, agrupados depois numa larga curva.

João Marreiros é Professor Auxiliar no Ensino Universitário
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