Futebol coerente: Um golo eficiente (artigo de Aníbal Styliano, 23)

Espaço Universidade 31-05-2017 08:00
Por Aníbal Styliano
O futebol, como todas as atividades, deve ser analisado e compreendido no seu todo, de forma integrada.

Não se trata de conhecer as partes, mas antes o sentido do seu conjunto. Aí reside a identidade.

Sem preservar uma visão harmoniosa e global, esquecem-se pormenores que depois acabam por originar graves problemas porque não foram contextualizados na altura de decisões.
Falhas, contradições, novos e mais complexos problemas, são sempre resultado de “fugas para a frente” sem a humildade sábia de reconhecer o erro.
Há muito tempo que vimos procurando sensibilizar algumas instituições para as vantagens da investigação, da cooperação e do diálogo, para se poderem construir alicerces cada vez mais seguros, evitando derrocadas posteriores.

À volta do futebol há também universos paralelos de interesses diversificados, legítimos, que devem ser ponderados, sempre ajustados às necessidades e desígnios do desenvolvimento do futebol.
Assim se garante o futuro, de forma invencível.

Temos observado competições com regras diferenciadas, mesmo opostas, muitas vezes sem grande sentido nem bases de sustentação equilibradas.
Surgem os “casos”, alguns dos quais se arrastam pelos tribunais de forma labiríntica: sinal de enfermidade a carecer de vacina eficaz.
Muitas vezes, quando finalmente sai a decisão, a inoportunidade não permite aplicação prática: são os paradoxos.

Recentemente foi divulgado que vai surgir um novo regulamento disciplinar, elaborado pela FPF e aberto a contributos públicos, até 16 de Junho, para aperfeiçoar o trabalho realizado por uma Comissão de Reforma.
A profissionalização dos Presidentes dos Conselhos de Disciplina e de Arbitragem da FPF implica naturalmente uma exigência de regulamentação eficaz.
Para além dos diversos aspetos anunciados há sempre ideias novas a apresentar.
A FPF propõe para as suas provas (portanto, sem incluir a Liga I e II), entre muitas outras, alterações nas molduras penais, nos prazos, regulamentação de ofertas a árbitros, “sumaríssimos” por iniciativa própria, prazos de 5 dias para resolução de casos urgentes e novas penas para comportamentos xenófobos/discriminatórios.
Por exemplo, a FPF decidiu estabelecer o limite máximo de 200€ para prendas a árbitros, acima do qual são consideradas corrupção.
A Liga definiu esse limite máximo como 150€.
Portanto, para a Liga, prendas de valor superior a 150€ são corrupção e para a FPF são aceitáveis.

Mas as prendas são obrigatórias?
Os árbitros também as oferecem aos jogadores ou dirigentes?
De igual forma, como já se verifica, nas regras para utilização de jogadores emprestados, a Liga não permite que um jogador cedido possa defrontar o clube de origem, mas a FPF, nas suas provas, permite essa utilização.

Aconteceu na última final da Taça de Portugal (competição sob a égide da FPF) com um jogador emprestado por um clube e ao serviço do adversário, o que nas competições profissionais não é permitido pela Liga.

Como está a decorrer um processo de alteração de regulamentação, não seria preferível uniformizar comportamentos, quer para os intervenientes mas também para a imagem pública?
Mesmo sendo competições diferentes, é complexo permitir em provas de competições não profissionais ofertas de valor superior ao permitido nas competições profissionais.

Não acreditamos que essas diferenças de valor ajudem a credibilizar a arbitragem e o próprio futebol.
No jogo de futebol o difícil é fazer simples: exige um grande talento, domínio técnico, conhecimento tático, capacidade atlética, equilíbrio emocional e arte.
No “jogo” de legislar poderá ser importante manter constante foco no global: pelo menos, sempre que possível, fica a marca da coerência que tem qualidade intrínseca e aceitação popular.
Ler Mais
Comentários (0)

Últimas Notícias

ATENÇÃO: Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saiba mais