Pontos altos da Euroliga e da Eurocup ao rubro. Arbitragem portuguesa em grande nível (artigo de Eduardo Monteiro, 16)

Espaço Universidade 11-04-2017 16:41
Por Eduardo Monteiro
Depois do estranho comportamento da FIBA/Europa, em relação à Euroleague Basketball, pondo em causa a instituição organizadora das duas competições profissionais (Euroliga e Eurocup) dos principais clubes europeus do basquetebol, até à posterior suspensão (temporária) das selecções nacionais dos países a que pertencem os clubes que optaram pela continuidade da sua participação nas referidas competições, foi necessário solicitar a intervenção do tribunal para clarificar a situação.

A decisão do tribunal consagrou o direito dos clubes europeus escolherem em que competições querem participar quando tenham alcançado esse direito desportivo. Foi uma grande vitória dos clubes e uma chamada de atenção às federações desportivas continentais para se concentrarem nas inúmeras tarefas que têm para desenvolver e não impedirem os clubes de organizarem as suas próprias ligas e respectivas competições.

Aqueles que tiveram a oportunidade de ver as transmissões televisivas, durante esta época desportiva, as competições da Euroliga e da Eurocup, não devem ter ficado indiferentes aos espectáculos apresentados e ao excelente nível do jogo mostrado pelas diversas equipas dos países que melhor ranking possuem a nível europeu. Esta qualidade do basquetebol praticado só é suplantada pelas equipas da NBA e, mesmo assim, algumas delas teriam que demonstrar em campo essa teórica superioridade.

Entretanto, as duas principais provas europeias dos clubes de basquetebol (Euroliga e Eurocup) desenvolveram as suas competições e estão, neste momento, a atingir os pontos altos da actual época desportiva (2016-2017).

A EUROLIGA concluiu a fase regular (30 jornadas), que teve início a 12 de Outubro e os últimos encontros a 7 de Abril, com a participação de 16 equipas que se classificaram pela seguinte ordem:
1º Real Madrid (Espanha) (23 vitórias e 7 derrotas), 2º CSKA Moscovo (Rússia) (22-8), 3º Olympiacos Pireu (Grécia) (19-11), 4º Panathinaikos Atenas (Grécia) (19-11), 5º Fenerbahce Istambul (Turquia) (18-12), 6º Anadolu Efes (Turquia) (17-13), 7º Baskonia Vitoria (Espanha) (17-13), 8º Darussafaka Dogus (Turquia) (16-14), 9º Estrela Vermelha (Sérvia) (16-14), 10º Zalgiris Kaunas (Lituânia) (14-16), 11º Barcelona (Espanha) (12-18), 12º Galatasaray (Turquia) (11-19), 13º Brose Bamberg (Alemanha) (10-20), 14º Maccabi Tel Aviv (Israel) (10-20), 15º Unics Kazan (Rússia) (8-22) e 16º Emporio Milão (Itália) (8-22).

As primeiras oito equipas ficaram apuradas para os play offs, à melhor de cinco jogos, com o factor casa a beneficiar a equipa melhor classificada da fase regular. O início está previsto para 18 de Abril, com os seguintes confrontos:

Play Offs
Real Madrid (1º) – Darussafaka Dogus (8º);
CSKA Moscovo (2º) Baskonia Vitória (7º);
Olympiacos Pireu (3º) – Anadolu Efes (6º);
Panathinaikos Atenas (4º) – Fenerbahce Istambul (5ª).
Final Four – Istambul (Turquia)

As quatro equipas vencedoras dos “play offs” ficam apuradas para a “Final Four” que este ano vai ser realizada na cidade de Istambul (Turquia), com os jogos das semi-finais marcados para 19 de Maio (sexta-feira) e os da definição do 3º lugar e da final, de atribuição do título, para 21 de Maio (domingo).

A confirmar o êxito desta principal competição europeia de clubes, durante esta época, os adeptos dos clubes corresponderam e encheram os pavilhões verificando-se uma média de espectadores na totalidade dos jogos, da fase regular, na ordem dos 8.225. No entanto, a média verificada nos jogos, em casa de cada clube, foi distinta em função da capacidade de lugares disponíveis para os espectadores no pavilhão utilizado e da popularidade do basquetebol em cada cidade. Então, vejamos os clubes que obtiveram as melhores médias de assistência aos jogos locais:

Baskonia (Espanha) » 11.618 espectadores; Zalgiris (Lituânia) » 11.418; Fenerbahce (Turquia) » 11.102; Maccabi (Israel) » 10.888; Panathinaikos (Grécia) » 10.377; Real Madrid (Espanha) » 10.294; Estrêla Vermelha (Sérvia) » 9.894; Emporio Milão (Itália) » 9.628; Olympiacos (Grécia) » 9.024; CSKA Moscovo (Rússia) » 8.366; Brose Bamberg (Alemanha) » 6.415; Barcelona (Espanha) » 4.931; Galatasaray (Turquia) » 4.806; Darussafaka (Turquia) » 4.692; Anadolu Efes (Turquia) » 4.598 e Unics Kazan (Rússia) » 3.734.

Do ponto de vista financeiro, não se pode comparar a Euroliga com o que se passa na NBA, no entanto, existem incentivos muito interessantes da entidade organizadora a Euroleague Basketball. Assim, cada equipa tem como direito de participação na fase regular da Euroliga uma verba de 200.000 euros e mais 37.000 euros por cada jogo ganho. Nos play offs, cada vitória vale 70.000 euros e na Final Four o vencedor recebe 1 milhão de euros, o outro finalista tem direito a 500.000 euros, o terceiro classificado 300.000 euros e o quarto classificado 150.000 euros. Entretanto, no final da fase regular, os Clubes já arrecadaram as seguintes verbas:

Real Madrid (1.051.000 euros), CSKA Moscovo (1.014.000), Olympiacos Pireu (903.000), Panathinaikos Atenas (903.000), Fenerbahce Instambul (866.000), Anadolu Efes (829.000), Baskonia Vitoria (829.000), Darussafaka (792.000), Estrêla Vermelha (792.000), Zalgiris Kaunas (718.000), Barcelona (644.00), Galatasaray (607.000), Brose Bamberg (570.000), Maccbi Tel Aviv (570.000), Unics Kazan (496.000) e Emporio Milão (496.000).

A segunda competição de maior prestígio entre os clubes europeus é a EUROCUP que, antes de começar se viu privada de quatro equipas que, por ameaças das suas federações, de serem impedidos de participar nas provas nacionais, desistiram em cima da hora. Mais uma brincadeira de mau gôsto dos dirigentes da modalidade, que proliferam no continente europeu, à procura de protagonismo. Sem medo e em defesa da sua liberdade de escolha, outros prestigiados clubes do basquetebol europeu avançaram para esta competição com a formação de quatro grupos, de 5 equipas cada, na disputa da fase regular, que decorreu entre 12 de Outubro e 30 de Novembro de 2016, obtendo as seguintes classificações:

Fase Regular
Grupo A
1º Gran Canaria (Espanha) (7 vitórias e 1 derrota); 2º Cedevita Zagreb (Croácia) (6 –2); 3º Nizhny Novgorod (Rússia) (4-4); 4º Lietkabelis Panevezys (Lituânia) (3-5); 5º MZT Skopje (Macedónia) (0-8).


Grupo B
1º Khimki Moscovo (Rússia) (6-2); 2º Montakit Fuenlabrada (Espanha) (4-4); 3º Alba Berlim (Alemanha) (4-4); 4º Lietuvos Rytas (Lituânia) (3-5); 5º Bilbao Basket (Espanha) (3-5).
Grupo C
1º Zenit St. Petersburgo (Rússia) (6-2); 2º Bayern Munique (Alemanha) (6-2); 3º UCAM Murcia (Espanha) (4-4); 4º Unicaja Málaga (Espanha) (4-4); 5º Buducnost Voli (Montenegro) (0-8).
Grupo D
1º Valencia Basket (Espanha) (7-1); 2º Hapoel Jerusalem (Israel) (5-3); 3º Ratiopharm Ulm (Alemanha) (4-4); 4º Locomotiv Kuban (Rússia) (3-5); 5º Olimpja Ljubljana (Eslovénia) (1-7).

2ª Fase (Top 16)
Para esta 2ª fase (Top 16), avançaram os quatro primeiros de cada grupo que foram distribuídos por quatro novas séries que, de 4 de Janeiro a 8 de Fevereiro, disputaram 6 encontros para apuramento dos dois primeiros classificados, dos respectivos grupos, para a fase seguinte (quartos de final).
3ª Fase (Quartos de final)
Nesta fase disputada no sistema de play offs, à melhor de três jogos, com a participação das oito equipas apuradas do Top 16, verificaram-se os seguintes resultados:
Lokomotiv Kuban eliminou Zenit St. Petersburgo por 2 - 0 ( 75-52 e 88-77);
Unicaja Málaga eliminou Bayern Munique por 2 – 1 (82-91/82-67/ 74-69);
Hapoel Jerusalem eliminou Gran Canaria por 2 – 0 (87-67 e 85-79);
Valencia Basket eliminou Khimki Moscovo por 2 – 1 (88-82/74-98/92-76).
4ª Fase (Meias Finais)
As meias finais também foram disputadas no sistema de play offs, à melhor de três jogos, tendo sido apuradas para a fase final dois clubes espanhóis (Unicaja Málaga e Valência Basket) que continuam a marcar excelente presença nas competições europeias.
Unicaja Málaga eliminou o Lokomotiv Kuban por 2–0 (73-57 e 74-63);
Valência Basket eliminou o Hapoel Jerusalem por 2–1 (83-68/66-79/90-75).
Finais da Eurocup
As finais foram igualmente realizadas em sistema de play offs, à melhor de 3 jogos, nos dias 28, 31 de Março e 5 de Abril, com os seguintes resultados:
1º jogo: Valencia Basket - 68 Unicaja Malaga – 62 (7.583 espectadores);
2º jogo: Unicaja Malaga - 79 Valencia Basket –71 (10.367 espectadores);
3º jogo: Valencia Basket - 58 Unicaja Malaga – 63 (7.813 espectadores).

Contra todas as espectativas e sem o factor casa a seu favor o Unicaja de Málaga venceu pela segunda vez no seu historial uma competição europeia de basquetebol. A primeira foi conquistada em 2001, a Taça Korac (já desaparecida das actuais competições), que também figura nas vitrinas do Juventude de Badalona, Barcelona e Real Madrid. Com este triunfo na Eurocup o Unicaja ganhou o direito desportivo de participar na Euroliga na próxima época desportiva (2017-2018).

Sete clubes espanhóis, já venceram 33 competições continentais (Europa): Real Madrid (15), Barcelona (6), Juventude (5), Valencia (3), Unicaja (2), Baskonia (1) e Girona (1); em 5 distintas provas: Taça da Europa/Euroliga (12), Taça Saporta (7), Eurocup/ULEB (6), Taça Korac (6) e Eurocopa/FIBA (2). Trata-se de um palmarés impressionante dos clubes espanhóis, construído desde 1964 até aos nossos dias, com enormes reflexos não só na principal Selecção Nacional, mas também nas restantes selecções, masculinas e femininas, dos escalões de formação.

Arbitragem Portuguesa

A Arbitragem nacional, que é a única área do basquetebol português que tem prestígio a nível internacional, tem marcado excelente presença através das actuações de Fernando Rocha e Sérgio Silva. O Fernando Rocha dirigiu 25 jogos da fase regular da Euroliga e na Eurocup arbitrou mais 5, sendo 1 da fase regular, 2 do Top 16, 1 dos quartos de final e outro da meia final. Não é por acaso que é considerado um dos melhores árbitros do mundo. Por sua vez, o Sérgio Silva actuou em 13 jogos na fase regular da Euroliga e outros 13 na Eurocup, sendo 8 na fase regular, 4 no top 16 e 1 nos quartos de final. Um árbitro ainda muito jovem com um grande futuro pela frente.

Uma verdadeira maratona da arbitragem nacional, por essa Europa fora, que só é possível pela categoria destes dois juízes, face às constantes nomeações a que têm sido sujeitos. Tivemos a oportunidade de os ver actuar esta época nalgumas transmissões televisivas e pudemos verificar os seus bons desempenhos nesses jogos (bem difíceis de dirigir), constatar o valor que possuem e o respeito com que são tratados pelos diferentes agentes da modalidade a nível internacional. Esperamos que sejam nomeados para mais encontros das fases seguintes da Euroliga desde logo porque são um exemplo não só para o basquetebol como para o desporto nacional.

Eduardo Monteiro é ex-treinador do SL Benfica e das Seleções Nacionais
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