Por cima tudo são rendas... (artigo de Joaquim Queirós, 18)

Espaço Aberto 28-09-2015 09:29
Por Joaquim Queirós
Começo por uma nota prévia: deixei de ter a colaboração dos meus amigos Pires, Botas e Solha. E a razão é simples: tenho tido um trabalhão para os encontrar depois dos jogos do FC Porto, Benfica e Sporting, pois escondem-se atrás dos seus humores, do ambiente superbokiano ou, então, quando o negócio está negro desligam o telemóvel. Seguem o dizer sempre a mesma coisa de Luís Filipe Vieira, o sarcasmo de Pinto da Costa e a ironia de Bruno de Carvalho. Não estou para isso. Assim, aguentarei eu a carga de deitar faladura depois dos embates dos chamados três grandes.

E, assim, como nesta jornada os chamados melhores cá da casa resolveram jogar na sexta e no sábado, aqui estou eu, antes de atacar o almoço do cozido à portuguesa, a aviar os dez reis de prosa, o mais redondinha possível para o on-line de “A Bola”.

Na sexta-feira, na vimaranense e minhota Moreira de Cónegos, que este ano ainda não tinha feito nada de jeito, o FC Porto regressou a casa, antes de defrontar o Chelsea e o actual mau humor de Mourinho, a falar sozinho. É que isto de estar a vencer, por duas vezes, o então penúltimo classificado e acabar por empatar o negócio, não é nada bom, sobretudo para a saúde de Julen Lopetegui.

Começa a ser difícil tocar afinado numa orquestra de solistas bem pagos e se ouvirem muitas fífias. Cuidado que o melómano e grande maestro Jorge Nuno manda calar as castanholas bascas sem salero e fará ouvir o Porto Sentido, do Veloso, estimulado e cantado pelo grande coro dos Superdragões.

Quanto ao Benfica, com Rui Vitória a ser um mal amado de tudo e todos, certamente só com a excepção do presidente Vieira, mostrou que andam a fazer mal as contas e com o que sobrou do tesouro posto às ordens do ex-treinador, vai conseguindo governar a casa com o que se pode arranjar. E começa a mostrar serviço.

É verdade que com a amizade e má inspiração de Jorge de Jesus e de Lopetegui. Estes deram um jeitão, bem como o cada vez mais lampeiro Jonas que faz golos para todos os gostos, enquanto o miúdo Guedes vai mostrando que já tem barba na cara.

Assim, com a goleada, Rui Vitória irá ter direito a um sorriso da maioria dos comentadores que vão descobrir que, afinal de contas, o responsável pelo jogo das águias deixará de ter o ar de “contabilista”, como muitos já lhe chamavam, mas considerá-lo, finalmente, um técnico licenciado, que lê livros, não fala só português, deu até um jeitinho e chutos na bola, tem currículo vencedor e se não é rei das tácticas é um pretendente ao trono.

Por fim, na noite de sábado, no Bessa, a equipa de “matraquilhos” de Petit - e damos este nome aos axadrezados, com prazer pela seu arregaçar de mangas, pois os 11 que estão no relvado, rolam, rolam, chutam, correm, sempre com o movimento do salve-se quem puder e saiam da frente, por favor.

Um Boavista que vai à caça da manutenção, sem cão, mas tenta conseguir a sua intenção mesmo com gato… À Petit e como era o antigo presidente Valentim para quem não havia obstáculos: quantos são, quantos são?

Ora o Sporting, oleado e perfumado por Jorge Jesus, não se deu bem com tal ambiente, com a velocidade do carrossel boavisteiro. E com a bola a carambolar num emaranhado de pernas, com pinchos de consciência e poucos saltos com ciência, com a cabeça quente e, muitas vezes a pensar que o árbitro era o 12º. jogador da equipa da casa, não atinou com a baliza de Mika, ficando por um empate que vem complicar as contas para os lados de Alvalade e com muita gente a lembrar-se do bestial e do besta.
Mas calma, a procissão ainda vai no adro, mas não se pode colocar os anjinhos no andor.

Na noite de sábado já ouvi muita boa gente que se afirma Ronaldo e Messi na TV, que “vendiam” o futebol leonino e o seu “mister” nas montras chiques da Avenida da Liberdade a quase fazer questão de os colocar `pra´ vender na Feira da Ladra. Não é exagero o que escrevemos, mas é exagerado o aqueles deixaram dito para trás.

Quanto a nós é o futebol que por cima tudo são rendas e por baixo nem fraldas tem, tal como dizia a minha avó.

Em suma: ainda faltam 28 jornadas. Há muita fruta para descascar. Mas nem Rui Vitória é tão mau como muitos o pintam, nem Jesus é tão bom como outros o colocam no altar, bem como Lopetegui será um bom condutor de camiões, mas meter-lhe nas mãos um Mercedes topo de gama pode resultar em despiste.

Vamos aguardar, mas o tempo não vai para grandes palpites. Repetimos: o bestial pode vir a ser besta com facilidade, enquanto o besta, pode vir a andar aos ombros de muitas…
Não, não, não acabo a frase. Por decoro.

Joaquim Queirós, jornalista, foi diretor de O Comércio do Porto e da Gazeta dos Desportos
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