Foi na loja do mestre André que se vendeu golo dourado (artigo Joaquim Queirós, 17)

Espaço Aberto 24-09-2015 18:17
Por Joaquim Queirós
Hoje não tenho a presença dos meus amigos e colaboradores Pires, Botas e Solha. O Pires, com a vitória do “fêquêpê”, desapareceu da circulação e, por mais voltas dadas ao telemóvel, não houve resposta. Disseram-nos que foi festejar para Rio Tinto e quando aparece o tinto fica a escrita em branco. Sem dúvida, pois ganhar ao Benfica já estava a demorar.

Por sua vez o Botas não lhe apeteceu falar e deixou recado que para a semana diria o que lhe vai na alma, pois a derrota no Dragão até lhe tirou a vontade de comer, segundo conseguimos saber no “Ninho da Águia”, ali para os lados de Campo de Ourique, local que à sombra de uma “mini” se consegue esquecer as tristezas da vida. A boca estava ficar doce, não vindo nada a jeito o azedo da derrota.

Por sua vez, o Solha, também nem lhe vimos o rasto. Só sabemos que ele saíu de Alvalade antes dois minutos do golo do Monteiro, pois, segundo o sobrinho, já estava agarrado ao peito por não conseguir aguentar a angústia por prever que a vitória não surgia. E perdeu o poder desabafar, gritar golo. Por isso se sumiu.

Assim, sem as ajudas habituais, lá teremos de desengomar dez reis de prosa sobre os acontecimentos do fim e princípio da semana que apoquentaram os três grandes.

Nas Antas, desculpem, no Dragão, o Rui Vitória apresentou-se com o seu visual de fato domingueiro e, na primeira parte, fez com que a tremideira estivesse sentada nas cadeiras azuis e brancas. Lopetegui chegou a afligir, tamanha era a sua agitação a pedir meças aos antigos sinaleiros na baixa da Invicta.

Com um árbitro que conhece a zona das Antas como a rua onde mora, pode-se dizer que jogou em casa, perante gente a quem dá os bons dias amiudadas vezes. E lá tivemos de aguentar o Artur Soares (tem) Dias. Não marcou nenhum golo, como dizia um adepto ferrenho benfiquista, mas ao contrário do que afirmou o técnico da casa, não teve coragem para mostrar o segundo cartão amarelo a Maxi Pereira e deixou Maicon, depois duma demonstração de kickboxing, fugir a passo acelerado para o balneário para que não lhe fossem pedidos...autógrafos.

Se Soares Dias tivesse estado de olhos bem abertos no relvado, outro galo poderia ter cantado para o Benfica, já que na segunda parte, o mestre André abriu a loja e aviou os donos da “águia” e depenou o pobre animal. Nem parecia o mesmo Benfica dos primeiros 45 minutos. O André por alguma razão repete o nome. Um caxineiro da graça de Deus.

Por sua vez, na noite de segunda-feira, os leões afiaram as garras para despachar cedo a malta da Madeira. Mas acabaria por ser uma noite de suar a bom suar, valendo um árbitro com nome de artista de telenovela brasileira (Tiago Veríssimo) que lhe deu na real gana de a meia hora de jogo mandar um nacionalista mais cedo para o banho, só porque o rapaz fez umas cócegas no adversário. Nada mais que isso. Toda a gente viu isso, menos o Tiago, certamente um dos bons rapazes de Vítor Pereira.

A jogar contra dez tudo se tornaria mais fácil, mas quem assim pensou, enganou-se, Jorge Jesus fez mais de cinco quilómetros de um lado para o outro e teve de consultar o “livro das tácticas” até que a quatro minutos do fim, o pequenote Montero foi enorme e, toma lá golo. Safa, que aquilo esteve muito mal, tão mal, que até Jesus se baralhou, nunca abandonando o sistema de quatro defesas perante nenhum adversário. O receio equipa de verde e branco. Mas foi golo, apareceu a vitória, mesmo com a biqueirada do presidente Bruno no relvado. O homem sofre mesmo. Pudera.

E, assim, em duas vitórias de magros 1-0, FC Porto está na frente e com o Sporting também a par, este a olhar para o vizinho, lá da frente da sua rua, já com quatro pontos atrás. Será assim até 2016?

Ia-me esquecendo: gostamos do trabalho da rapaziada da Sportv. No Dragão portaram-se bem e só não levaram a bandeira, enquanto em Alvalade, com alguma emoção, fizeram um catálogo de grandes penalidades.
Assim é que é bonito!

Joaquim Queirós, jornalista, foi diretor de O Comércio do Porto e da Gazeta dos Desportos.
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